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Relato de parto

Desde o começo da gravidez eu repito sempre uma mesma frase: o tempo da Agnes é muito precioso. Sempre senti isso, em diversos momentos. E sempre senti que era um tempo diferente. Diferente do padrão, diferente do meu tempo. Esse era só dela. E não teve momento mais propício do que o seu nascimento para me mostrar que sim, esse meu sentimento estava certo.
A Janie, minha doula, me disse em um dos nossos encontros que a gente só sabe mesmo quando começou o trabalho de parto depois que ele acaba. Do tipo “ah, aquela dorzinha que eu senti quando estava em tal lugar, já era o início”. Achei engraçado no dia, e depois vi que é desse jeitinho mesmo que acontece.
 
Na madrugada de domingo (dia 13 de julho), por volta de umas 03:00 da manhã, comecei a sentir umas cólicas no pé da barriga e na lombar. O dia anterior tinha sido agitado, de certa forma, marido e eu fizemos caminhada duas vezes no dia, eu estava super bem disposta – na noite de sábado, inclusive, já sentia umas fisgadas fortes e o início de uma dorzinha, mas como tinha me movimentado bastante, atribuí a isso.
Como eu só sentia as cólicas e não a barriga dura como nas contrações, fiquei observando (depois percebi que a barriga ficava dura, sim, mas não doía nada-nada, só em baixo mesmo). Eram leves e não duravam muito, mas percebi que o negócio estava vindo com uma certa regularidade. Era como se viesse uma onda que ia crescendo, chegava num ponto e ia caindo até acabar. Quando eu vi que não estava passando, mandei mensagem pra Janie, pra avisar que tinha algo rolando. Ela falou pra eu tentar descansar ao máximo, porque não sabíamos quanto ia demorar até engatar mesmo e coisa e tal. Ok. Só que quem disse que eu conseguia dormir? Fiquei deitada, mas rolou no máximo uns cochilos só. Só aqui entre a gente: nesse momento me veio a mente que meu outro “parto” tinha começado bem daquele jeito, de madrugada, eu sozinha sentindo dores que eu achava que eram só o início (e naquele caso terminou rápido), tive um medinho, sim, e usei esse tempo acordada para mandá-lo embora. Meus pais foram pra missa (saem 5 e pouco da madrugada pra ir a missa) e eu levantei pra andar um pouco e tomar um banho. A essa altura, eu já tinha acordado o Cleber e contado a novidade. Lembrei que, além de descansar, seria bom eu me alimentar também, e como estava mesmo com fome, liguei pros meus pais passarem na feira e trazer frutas pra fazer vitamina. Em algum momento eu cronometrei as dores – que sim, estavam bem suportáveis, eu nem precisava de uma posição específica para passar por elas, então estava tranquila quanto a isso, só o que me fez contar foi perceber que elas vinham com regularidade – e para minha surpresa, estava numa média geral de 3 ou 4 minutos (não todas, algumas vinham com mais espaço, mas a média foi essa) e durando uns 20 e poucos ou 30 segundos. Ou seja, minha gente, tinha algo acontecendo, sim.
 
Meus pais chegaram empolgadíssimos da rua, já no clima de “a Marina está em trabalho de parto, que legaaal!!!” e isso me deu uma travada. Porque assim, o negócio tava só começando, eu não queria alarde. Na verdade, esse foi um ponto complicado do TP: lidar com a ansiedade e animação deles versus a minha vontade de me isolar, feito bicho mesmo, pra parir minha filha no meio do mato. Não sei o quanto isso empacou o processo como um todo, mas sei que não foi como eu imaginava. Enfim. Falei pra eles que aquilo ainda nem era trabalho de parto, expliquei o que são pródromos, e que eu não queria que ninguém soubesse ainda, pra não causar mais ansiedade fora de hora na família.
 
A Janie resolveu vir aqui ver pessoalmente como eu estava, já que os intervalos estavam curtinhos, mas eu não tinha nenhum outro sinal. Tomei outro banho enquanto ela não chegava. Ela chegou, conversamos um pouco e percebemos que tinha espaçado mais. Ela viu que eram curtas. O negócio é que já era quase hora do almoço e eu ainda não tinha dormido. Precisava descansar, pra ter energia. Depois de um tempo ela foi embora e voltaria quando a coisa andasse; ficamos em contato.
 
Os intervalos entre as contrações continuaram espaçados no restante da tarde, aí sim parecia o começo de tudo. Eu estava meio nervosa porque queria ficar sozinha e não estava rolando. À tarde eu fui pro quarto com o Cleber e conseguimos dormir (tanto que nem vimos o jogo da final da Copa, rs). E comecei a perder um tiquinho de tampão. Até então eu meio que sabia que não tinha dilatação ainda, sei lá, pra mim só começaria de fato quando viesse o tampão (vai entender, rs). Foi bem pouquinho mesmo, mas já vi que a roda estava girando.
 
Na madrugada de segunda foi a mesma coisa da anterior: dores e eu acordada a maior parte do tempo. Quando amanheceu, estavam mais fortes, e perdi mais tampão. Tomei café da manhã em pé, porque sentada incomodava um bocado. Não sei explicar direito, mas pra mim ainda faltava muito até ela chegar (e agora percebo que faltava mesmo, mas não taaanto assim, hehe). As dores vinham sempre iguais, desde o começo, e como já começou com intervalos pequenos, depois é que espaçaram, não sabia ao certo quando considerar trabalho de parto ou não. Até porque eu não estava fazendo “nada”. Só tomava banho e seguia a “ordem” de descansar. Eu estava muito tranquila quanto a dor e tudo mais.
 
Meu pai foi trabalhar e finalmente ficamos sozinhos em casa. Tomei mais um banho (domingo foram 3, rs) e depois pedi pro Cleber fazer uma massagem nas minhas costas – de tanto cair água quente, pelos banhos que tomei, a pele estava sensível, eu queria algo que aliviasse. Sentei na bola de pilates pra ele fazer a massagem (foi a única vez que usei a bola) e ele massageou com o óleo que eu usava na gravidez pra dormir melhor (hahaha, era o único que tinha). Foi uma delícia!! Aí aconteceu o que? Comecei a sentir sono (óbvio, rs). Coloquei um dvd do Arnaldo Antunes (porque eu simplesmente não fiz uma playlist pro parto, apesar de ter começado diversas vezes) e deitei no sofá. Não deu pra dormir muito, porque as contrações ficaram meio diferentes, eu não queria mais conversar como se não tivesse acontecendo nada. Eu estava concentrada. E o mais engraçado é que eu ainda comentei que o óleo tinha me deixado numa vibe muito louca, as coisas estavam diferentes pra mim – eu muito calma e achando tudo muito legal (quase uma bêbada, haha). A Janie ligou e o Cleber falou com ela como eu estava. Pouco tempo depois ela chegou aqui. Decidimos juntos irmos na Casa Angela dar uma avaliada, porque o meu quadro não era “como os outros”: eu tinha contrações desde o dia anterior, intervalos relativamente curtos, mas que não estabilizavam (apesar de terem espaçado bem no domingo a tarde) e eu passava por elas deitada, na minha, e conversava normal (apesar de me sentir nessa outra vibe depois da massagem, ainda não era exatamente a partolândia). Estava tranquilíssima. E foi importante a presença dela aqui nessa hora, nos ajudando nessa decisão de ir logo, me lembrando que cada corpo é um, que cada história é uma, e também me ajudando a pegar as coisas que faltavam na mala, hehe. Ligamos pro meu pai, que chegou aqui rapidinho, e nos levou até lá.
 
Chegando lá, fomos atendidos pela enfermeira Marina (xará! rs), que me examinou. Pressão, pulso e temperatura ok. A altura da barriga estava 34cm mas a Agnes estava super baixa já. Aí ela fez um exame de toque: 5 pra 6 cm de dilatação, colo médio ainda. Já tinha passado da metade. Aí era hora de fazer o cardiotoco. Sério, essa foi uma das partes que eu não gostei. Aquele tum-tum-tum do coraçãozinho dela foi me dando um negócio e eu fui ficando nervosa. Chorei. A Janie e o Cleber foram uns lindos nessa hora, conversando comigo e me acalmado. Sei lá, acho que veio um fantasma da gravidez anterior, querendo ou não foi ali que eu não ouvi o coração e soube que a bolota tinha ido embora, acho que me veio isso, eu tinha medo dos batimentos da Agnes irem caindo até sumir, nossa, não foi legal. Quando eu saí da sala, minha mãe já estava chegando lá (eu disse que eles estavam animados, rs). Devia ser quase 14:00. Meus pais saíram pra comer e comprar lanche pra Janie. Nós ficamos e nos instalamos na sala de parto, comemos um lanche também. Não tinha nenhuma outra parturiente na Casa, só eu, então pude escolher o quarto. Nessa hora foi meio estranho, sei lá, eu não sabia muito bem o que fazer, com tantos aparatos a minha disposição. Vinham algumas dores, me apoiei na banheira, pra ver se seria melhor. Brincamos com a câmera um pouquinho. Na verdade, minha amiga tinha se disponibilizado a fotografar e estava a caminho, mas como eu também tenho câmera, levei também. E saímos pra dar uma caminhada ao redor da Casa e na rua. Eu andava normal e quando vinha a dor eu dava umas respiradas, às vezes parava pra sentir e deixar vir.
 

 

 

 

 

 
Meus pais chegaram e ficamos por ali conversando, uma animação, ele querendo saber se eu ficaria ou iria embora, em que pé estava, etc – e por dentro eu achando aquilo tudo forçado demais. Daí a Marina veio e disse que como eu estava super bem e tudo mais, poderia ir pra casa ou dar uma volta em outro lugar se quisesse; ou não, eu poderia escolher. Nessa hora a Lilian chegou (minha amiga que ia fotografar),mas nem cheguei a falar com ela direito. Como eu já estava ~meio assim~ ali no meio de todo mundo, falei que para decidir eu precisava ficar sozinha. Entrei rápido e fui direto pro quarto. Deitei na cama e… comecei a chorar. Nem sei direito porquê eu estava chorando, mas deixei vir. Acho que uma parte minha “não acreditava” que a hora estava mesmo se aproximando, que eu estava prestes a conhecer a minha filha, que eu tanto desejei e já amava. E aí descobri que sim, no parto vêm mesmo coisas da nossa história que estavam guardadas, da nossa personalidade, tudo é muito forte. E só pra situar quem me lê, vou usar a frase que eu costumo usar em outros momentos: apesar de eu ser leonina, não gosto de ter os holofotes em mim. Ou não desse jeito escancarado, pelo menos. Quando eu era criança, por exemplo, era infinitamente mais tímida do que sou hoje, nunca fui de turma grande ou esportes coletivos, sempre detestei ter alguém olhando o que quer que eu estivesse fazendo, ou me falando o que deveria ser feito. Isso tudo é parte de mim, mas eu cresci e arrumei um jeito de lidar com isso… até aquele momento. Naquela tarde de segunda-feira, eu só queria ficar sozinha, quieta, sem aquela agitação. Eu precisava me concentrar, poxa! Não dava pra ser toda sintonia e intuição com a Agnes com tanta expectativa em cima de mim. Enquanto estivesse sendo daquele jeito, não daria muito certo. Eu me sentia fugindo dos outros, ao invés de estar indo ao encontro de mim mesma. Aí eu vi que aquele parto animado, com músicas, risadas, gente falando o tempo inteiro, como a gente vê em alguns vídeos (lindos e emocionantes, por sinal) não seria o meu. O meu parto real me trouxe um outro olhar. E eu precisava aceitá-lo e acolhe-lo.
 
Pois bem. A Marina veio ver como eu estava. Sentou ao meu lado e me olhou de um jeito muito acolhedor. Eu perguntei se poderia ficar lá, porque precisava de espaço, de tranquilidade. Ela disse que sim, claro que eu podia ficar. Conversamos um pouco e depois combinamos que se ficasse na mesma até a manhã seguinte, veríamos o que seria feito. Adorei ter tido essa minha escolha respeitada. E antes eu achava que “travaria” se chegasse lá antes da hora, tinha planos de ficar em casa atééé o máximo que eu conseguisse e chegar lá parindo, vi que o que planejamos pode simplesmente não acontecer, tudo é uma caixinha de surpresas. A Janie também veio me ver e contei sobre a decisão – vimos que o ímpeto dela de me levar pra Casa Angela foi mesmo de me deixar “sozinha”, visto que quando mais engatou foi quando Cleber e eu ficamos a sós. Ela foi lá fora dizer isso aos meus pais (eu acho) e todo mundo foi embora. Ela ficou lá fora e eu fiquei no quarto com o Cleber, num momento muito nosso.
 
Teve a troca de plantão e a Carina e a Rose que estariam com a gente na madrugada. A Rose teve a ideia de nos mudar de quarto, nos levar pra um que tinha duas camas (uma tipo hospital e outra cama comum mesmo), porque segundo ela “tinha mais cara de hotel e menos de hospital”, haha, disse que nos sentiríamos mais confortáveis, o Cleber poderia dormir também, etc e tal. Foi só então – umas 20:00 – que eu descobri que minha amiga não havia ido embora com meus pais (como eu pensei que tivesse acontecido), estava lá fora conversando com a Janie. Então ela entrou, conversamos e ficamos todos juntos.
Quando estávamos jantando, tomei um pouquinho de chá de canela (só pelos filhos mesmo que eu tomo chá). A Carina veio dizer que poderia demorar ainda a engrenar (tudo isso baseado no meu comportamento, não fui examinada de novo), que podia ficar cansativo pra Janie e pra Lilian e que elas poderiam ir embora se quisessem. Como, teoricamente, eu não estava fazendo nada (nem bola, nem chuveiro, nem nada para auxiliar a aliviar as dores ou engrenar de vez) e a Janie tem uma filhinha que ainda mama, falei que ela poderia ir sem problemas. Ela foi. A Lilian ficou mais um pouco. Foi uma linda de tudo, respeitou meu silêncio e ficou lá, esperando meu tempo. Não rolou fotos nesse momento, eu sei lá o que eu estava esperando, nem lembrei de pedir pra ela fotografar o momento como estava mesmo, eu lá deitada – fui uma gestante em TP preguiçosa, percebem? Só descansei, haha – a gente conversando e tudo mais. Como diria o célebre Chicó “num sei, só sei que foi assim”.
Estava uma noite fria e tínhamos esquecido de levar um cobertor pro Cleber (eles pedem pro acompanhante levar). Como íamos ligar pro meu pai levar isso pra gente (e blusas de frio também), perguntamos se ela queria ir descansar, porque eu estava ficando com pena dela lá sentada sem muito conforto e a gente deitado nas camas, rs. Ela aceitou e assim foi; isso por volta de umas 23:00, se não me engano. A Carina veio e me fez uma massagem ótima no corpo todo. Depois, como sempre, a ordem era tentar dormir – e como sempre, não rolou de forma muito eficiente.
 
Meia noite eu fui ao banheiro e o papel higiênico tinha acabado. O Cleber estava me esperando na porta e falei pra ele ir pedir um. Enquanto eu esperava, percebi que estava pingando. “Ué, mas eu já acabei de fazer xixi, gente, que coisa”. E saquei que poderia ser uma ruptura alta de bolsa. Contei pra ele e fomos falar pras meninas, avaliar se era bolsa mesmo ou não. A Carina veio me examinar, ouviu o coraçãozinho da Agnes pelo sonar, estava ok, depois fez um teste numa fitinha pra ver se era líquido mesmo – e era. Aí ela perguntou se podia fazer um toque, já dizendo que poderia estar na mesma, pra eu não me frustrar e tal. Mas estava com 7 cm, fiquei super feliz em saber isso, nem me toquei que tinha sido uma evolução “lenta”, eu só pensei que estava chegando perto. Ela me disse que como era bolsa rota eu teria mais 18 horas até a pequena nascer, senão teriam que me transferir, e disse tudo que podíamos fazer pra ajudar. Eu preferi esperar mais um pouco pra ver como ia evoluir depois dessa novidade, se nada acontecesse até amanhecer eu tomaria um shake que prometia fazer milagre, rs. Falei pro Cleber dormir, porque precisava dele descansado. Como não queria ficar sozinha, liguei pra Janie e ela chegou em meia hora, foi ótimo tê-la ali comigo. Da 01 da manhã até umas 03:00, as dores começaram a se intensificar. Eu respirava fundo, mandando ar pra pequena, e depois de um tempo já falava uns “aaai” baixinho.

 

 

Fui ao banheiro de novo, já andando meio torta, e quando voltei pro quarto, não deitei mais (era umas 3:30 – eu sei graças ao horário das fotos na câmera, hehe). Me apoiava na parede quando vinha a dor, que já estavam mais longas e intensas. Chamamos a Carina e lembro que a Janie disse pra ela “acho que tem neném querendo chegar”. Depois de auscultar de novo, dessa vez por mais tempo (era pra ter feito outro cardiotoco, mas eu não quis, pra não ficar nervosa), ela sugeriu que eu fosse pro chuveiro, até foi ligar antes pra ficar tudo quentinho. Tava frio demais e eu não queria nem pensar em chuveiro, em ficar lá em pé. Deitei de novo e aí tirei a roupa que eu tava, pra colocar uma camisola da Casa depois. Eu me sentia indo pra outro lugar. O Cleber foi acordando, me lembro de segurar a mão dele nessa hora, do nosso olhar. Acho que minha ficha só caiu aí que sim, ela ia nascer e estava muito perto. Quando vi, estava chorando. Não de tristeza, de emoção mesmo. Me lembro de me sentir bem por não estar sozinha, por estar com eles ali, daquele jeito.
Como eu não quis ir pro chuveiro, tiveram a ideia de irmos pra banheira, no outro quarto. Eu tinha a sensação que se levantasse, a Agnes ia nascer ali mesmo, então relutei um pouquinho em ir. “Tô tão bem aqui mesmo”, eu falava. “Mas a água é ótima, Má, você vai gostar”. Fomos. Aquele corredor nunca foi tão grande, céus!
E quando eu entrei na água… nossa! Que paraíso!!! Aí sim, aquilo que era vida, haha.
 

Não sei certinho o que aconteceu depois que entrei na banheira.
Sei que consegui achar uma posição confortável, a água era realmente muito gostosa e eu me sentia muito bem ali.
Não sei quanto depois, sei que foi pouco, senti o primeiro puxo. Uau, estava acontecendo mesmo!

 

 

Difícil explicar com precisão esses momentos.
Os primeiros puxos vieram e eu não sabia muito bem o que fazer. É uma força diferente de tudo que eu já tinha sentido antes. Só que, na verdade, a única coisa que eu tinha que fazer era deixar vir, não bloquear, não travar meu corpo. Dali pra frente ele agiria sozinho.
Mas ainda demorou umas duas forças ainda pra eu sacar isso de vez. É algo tão intenso e tão involuntário que eu fiquei meio assustada, se é que foi essa a palavra mesmo. Você tá lá, relaxando na banheira, de repente – e eu disse de repente mesmo – sem nenhum aviso prévio, seu corpo assume o comando e simplesmente faz força – é mais rápido do que o seu pensamento. Surreal! Mesmo se você tentasse não poderia parar aquilo. A natureza é muito perfeita mesmo. Lindo!
Não sei quantas contrações demoraram. Sei que, quando apontou a cabecinha (mas ainda não tinha saído totalmente), ela ainda estava dentro da bolsa – e eu vi! Lembrei do sonho que eu tive, em que ela nascia empelicada. Era muita emoção! Mas a bolsa rompeu quando saiu a cabeça. Essa é aquela famosa hora em que eu achei que fosse rachar, haha. Foi o único momento do expulsivo que doeu, porque nos outros momentos não era exatamente uma dor, é a força, uma pressão forte mesmo.
A cabecinha dela saiu e ainda demorou uns minutos até vir outra contração. A Janie gravou o expulsivo e ontem eu assisti de novo e vi: quase 4 minutos. Foi o tempo que a cabecinha dela ficou na água. Vinha uma contração mas parecia que não era suficiente. Eu chamava por ela, conversava, e em certo momento eu falei assim “ela me responde”. Só lembrei disso vendo o vídeo, muito amor!
Ajudei como pude a manter a força quando ela vinha. Acho que chegou a passar pela minha cabeça que eu queria que fosse suave, que eu precisava respirar pra não lacerar, lembrei das minhas conversas com a Maíra, mas naquele momento tudo que meu corpo falava era que eu precisava fazer força. E eu fiz. Toda a tranquilidade do trabalho de parto deu lugar a uma intensidade sem tamanho quando entrei naquela banheira, e parece que só fez crescer; eu gritava. Era a mãe leoa nascendo também. Eu vocalizava, chamava por ela… e no tempo que ela escolheu, senti seu corpinho escorregando pelo meu, e voltando pra mim. O momento mais forte e mais inesquecível da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Saiu da água já chorando forte, coloquei deitadinha no meu peito, falei com ela… e ela parou de chorar. Ficamos ali nos namorando por um tempo, o Cleber junto da gente – como esteve o tempo todo, aliás. Um momento único.

 

 

 

 

 

Aí a Carina falou que era bom eu sair da banheira, pra esperar a dequitação da placenta. Meu único receio de parir na banheira sempre foi esse momento: a saída com o bebê no colo, ainda ligado a mim pelo cordão. Mas a ocitocina e o coquetel de hormônios naturais dominam e não tem como passar mal. Elas encostaram a cama lá do ladinho e me ajudaram a levantar e me sentar na cama. Pra ajudar a placenta a sair – e também porque era um desejo e um direito nosso – coloquei a Agnes pra mamar. E parece que ela estava só esperando por isso, porque pegou direitinho e sugou lindamente. Ficamos assim por quase 2 horas, eu acho. Enquanto mamava, recebeu a dose injetável de vitamina K (a única intervenção que teve, não tinha como ser oral). Eu não olhei e ela nem chorou.
E nada de placenta. Quer dizer, ela descolou da parede do útero e ficou parada no canal. Com a Agnes no meu colo (eu não parava de olhar pra ela), não conseguia me concentrar para expulsá-la. Como o cordão já havia parado de pulsar, o Cleber veio cortar, e foi lindo. Aí enquanto a Rose a limpava, media cabecinha, pesava e vestia, me concentrei na dona placenta. Fiquei com um pouco de medo porque doeu. E tive que me lembrar dos exercícios com o epi-no (e com a ajuda do Cleber), e ela finalmente saiu.
Como tinha bastante sangue na água, achamos que tinha lacerado, até porque a Agnes nasceu com uma mãozinha no rosto e outra no ombro. Quando me examinaram, não tinha nada. Quer dizer, tinha um cortezinho muito pequeno (disseram que era como se tivesse soltado uma pelezinha só, igual quando batemos o dedo, sabe como?) que obviamente não precisou de sutura nem me incomodou em nada depois.

Ah, voltando um pouquinho… assim que eu fui pra banheira, a Janie mandou mensagem avisando meus pais que estava chegando a hora – até porque a Lilian estava descansando lá. Minha mãe disse que foi tomar banho e, antes de saírem de casa, chegou outra mensagem dizendo que já tinha nascido. Ou seja, essas fotos aí de cima quem clicou foi a Janie. E foi mesmo muito rápido: 3:30 eu ainda estava no outro quarto, e ela nasceu 4:30! Pelo horário dos registros, foram uns 30 minutos de expulsivo (contando de quando eu senti os puxos). Não imaginei que fosse ser tão rápido.
Eles chegaram e depois que a placenta saiu, a Lilian entrou pra fotografar a Janie fazendo os carimbos com a placenta – ficaram lindos! Aí ela fotografou a Agnes, a gente com a equipe, enfim, o depois. Gostei muito.
Depois de tudo meus pais entraram no quarto, todo emocionados, e ficaram lá babando a neta (e impressionados que eu não tinha levado nenhum ponto, rs.

E sim, meus amigos, o que eu falava estava mesmo certo: o tempo da Agnes é só dela. É tranquilo, mas também é muito intenso. Forte e suave. É precioso. Como a minha menina é.

 

 

E foi isso. Um parto que está reverberando em mim até hoje, me trouxe muitos sentimentos e lições, com certeza vou levar um tempo pra digerir tudo ainda.

Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo nesse caminho.
As minhas doulas lindas: Maira e Janie, por todo apoio, informação, ouvidos, palavras, massagens e abraços. Vocês foram muito importantes, obrigada.
A toda equipe da Casa Angela, muitíssimo obrigada pelo acolhimento. Por respeitarem meu plano de parto, meu espaço, meu silêncio, minhas vontades. Todo mundo que faz parte e contribui pra Casa ser o que é, as enfermeiras que me assistiram, as meninas da cozinha (jesus, que comida ótima!), obrigada.
A minha obstetra Catia Chuba, que me incentivou a buscar o empoderamento durante todo o pré-natal, obrigada.
Aos meus pais e a minha família, pela paciência, disposição e todo apoio, obrigada.
A Lilian, que se disponibilizou a fazer o registro do parto e esteve ali o tempo todo, muitíssimo obrigada.
Aos amigos que se fizeram presentes e estiveram comigo durante a gestação, obrigada.
E por último, mas não menos importante, quero agradecer muito ao meu parceiro de vida, Cleber, por ser quem é, por ter se empoderado, estudado e bancado tudo isso comigo, não me deixando sozinha em nenhum momento. Por confiar em mim. Pelas palavras. Pela presença. Pelos abraços. Enfim, é muita coisa. Por tudo. Obrigada.

Ufa, que bom que consegui terminar o relato. Ficou grande, mas tinha de ser assim.
Beijo!

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31 semanas!

Trinta e uma semanas de Agnes crescendo, linda e serelepe, aqui na pancinha. Ai que amor, gente!!
Tô num love total com a barriga, essa fase é muito gostosa.

Ontem tivemos consulta na Casa Angela e foi bem ótima. Tudo se encaminhando pro parto ser lá mesmo, se Deus quiser. Andei bem confusa quanto a isso, na verdade. Na consulta do mês passado, não curti muito o atendimento, o clima, sei lá, eu não estava na vibe deles. Cheguei a afirmar por semanas que não seria ali que a Agnes nasceria. Daí muita coisa aconteceu, tive uma boa conversa com a Cátia, depois com o Cleber, e por fim com a doula – sem contar todas as sessões de autoanálise que fiz – e fui tentar mais uma vez. Na verdade verdadeira, eu revi e relembrei alguns pontos que pra mim são fundamentais e mudei a perspectiva de alguns fatos. Ajustei a minha ideia de “ideal” com o que me é possível no momento. Deu trabalho, mas estamos caminhando, agora mais leves e mais decididos, ainda bem.
Mas então, como eu ia dizendo, a consulta foi bem legal. Marido estava comigo, fez mil perguntas, participou super. A EO esclareceu tudinho, se mostrou disponível. Enfim, saímos satisfeitos. Meu peso e minha pressão estão ok e Agnes fofinha está linda, cefálica e mexendo bem. Era a EO apalpando a barriga de cá e ela respondendo de lá, haha. Ah, e senti a cabecinha dela apalpando também, depois as costinhas e o bumbum. Pense numa mãe derretida? Fui eu! ❤
Agora as consultas lá serão quinzenais, ai que frio na barriga, rs.

Ah, estamos – marido e eu – trabalhando firme no nosso plano de parto, finalmente! Levaremos já na próxima consulta. Tenho passado várias informações pra ele, que quer estar por dentro de tudo, sabendo todos os limites, nomenclaturas, procedimentos e a coisa toda. Sábado agora começaremos a frequentar os encontros da Casa, cada sábado é um tema. Acho que vai ser bom pra ele também, se envolver nessa parte. Estamos bem unidos e sintonizados, e isso tem sido fundamental pra mim.

De incômodos, o que temos na conta são:
– A digestão a noite está mais lenta. Eu como a mesma quantidade no jantar e parece que comi uma panela de feijoada. O estômago pesa e daí eu fico andando pela casa, pra aliviar, rs. Agora tô aprendendo a comer menos, que é mais fácil, haha.
– O enjoo do café voltou um pouquinho. Tudo indica que café com leite não seja a bebida preferida da Agnes mesmo. Eu ainda tomo, mas bem pouquinho.
– O sono do primeiro trimestre voltou com tudo!! Céus! Eu preciso de uma soneca a tarde para sobreviver. Nem sempre é possível, claro, mas o sono é constante.
– Quando ando muito a barriga pesa, bem embaixo (o famoso “pé da barriga”, rs), junto com um incômodo na lombar. Quando acontece isso é que cai a ficha que realmente minha barriga está grande e que o terceiro trimestre chegou pra ficar, rs.
E é isso. Escrevendo pareceu muito, mas na verdade eu tenho me sentido muito bem. São só coisinhas que vão surgindo mesmo de vez em quando, mas dou um jeito de lidar bem com elas, não forçar, driblar e tudo mais.
Ainda não me sinto imensa, nem muito pesada, dormir também está sendo tranquilo, não estou inchada, nem com azia e, apesar de ir ao banheiro 200 vezes durante o dia, ainda não acordo de madrugada pra isso. Acho que não posso reclamar muito por enquanto, né? Rs…

Fiz o kit higiene dela \o/
Ok, ok. Falta comprar a garrafa térmica, mas isso é bem fácil de resolver, rs. O restante foi tudo reutilizado. Dois vidros de conserva ganharam roupa nova e viraram potinhos para algodão e cotonete, a bandeja eu já tinha, comprei pra minha festa de casamento, depois guardava uns papéis e agora tem outra função, rs.
Fiquei tão feliz. Não tenho foto do conjunto montado bonitinho, mas olha só como ficou o vidrinho de cotonete:

                                        
misturando estampas 

Tenho tido uma constante felicidade em estar grávida. Claro, desde o começo eu fiquei feliz. Mas a sensação (meio doida) que eu tenho, é que parece que vai ficando cada vez mais real com o passar do tempo. Agora que a pequena está maiorzinha, os movimentos mudam e os sinto de um jeito diferente também. Ela está mais presente, digamos assim. E é muito delícia acompanhar e viver isso *—*
Nós conversamos todo dia e está uma lindeza ver como ela curte a presença do pai também.

E claro, junto com isso vem um caso sério de amor pela pança propriamente dita. Na verdade, a minha barriga sempre foi uma das partes do meu corpo que eu mais gosto (as costas também) e agora, que ela está com uma forma redondamente diferente do que sempre foi, continuo in love com ela. Não tive ainda uma fase de me achar diva-linda-maravilhosa-a-mais-mais-de-todas nessa gravidez, mas estou em paz com meu corpo, o que é muito bom também! 😀

E amanhã é dia de registrar essa fase linda, yeees! Quando eu receber as fotos, com certeza venho aqui mostrar pra vocês \o/
Mas, enquanto as fotos profissionais não chegam, fiquemos com uma caseira mesmo 😛

                     
31 semanas de amor ❤

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21 semanas com algumas novidades

Hoje completamos 21 semanas de bebê sendo fabricado na barriga \o/
Se chegarmos até 42 semanas, estamos bem na metade, né?! Como é só ela que sabe a data, me contento em apenas me preparar ao máximo possível e deixar tudo arrumadinho (ou quase isso, rs). O resto vai ser na emoção mesmo, rs.
Mas não, ainda não temos tudo arrumado. Na verdade, quase nada! haha. Na minha cabeça ainda estava cedo, vê se pode! Agora acho que já posso começar a me mexer, rs. As mudanças no quarto acontecerão aos poucos, ainda não defini exatamente onde ela vai dormir e o enxoval ainda precisa engordar um bocado. Mas também prefiro que tudo se ajeite assim, no seu tempo. Já estamos conversando e decidindo alguns detalhes… Tô curtindo essa preparação.

E finalmente começarei meus exercícios tão sonhados!! #todascomemora que agora não serei assim tão menas, haha. Mas falando sério, fiz um repouso maior nessa gestação, tanto pela minha perda anterior, quanto por sentir que precisava ficar mais quietinha mesmo. Há umas semanas atrás me peguei querendo muito fazer algum exercício, mexer mais esse corpinho, mas aí foi difícil achar uma vaga, num lugar que eu pudesse pagar. Porque tudo pra gestante é mais caro, né?! rs. Eu sempre frequento a rede Sesc e ano passado fazia yoga e hidro lá, mas com tanto repouso que fiz na outra gestação, acabei perdendo a vaga (mas eram cursos “normais”, sem ser direcionado às gestantes especificamente). Como é muito concorrido, achei que não fosse conseguir dessa vez, já tinha até tentado, inclusive, e estava mesmo tudo esgotado. Mas aí, resolvi tentar mais uma vez e descobri um Programa de Gestantes, duas vezes por semana. Num dia é voltado pro yoga, algumas coisinhas básicas de pilates, alongamentos, respiração, etc. Em outro dia, exercícios na água. Tudo que eu queria! rs. Começo hoje, depois volto pra contar como está sendo.

Outra novidade…
ontem passei em consulta na Casa Angela. Sim, voltei às origens, rs. Até então eu não tinha ido, porque como me dou realmente bem com a minha médica, estava deixando as coisas rolarem. Na consulta de fevereiro conversei com ela, falamos muito sobre parto, e resolvi que iria voltar lá, pelo menos para ver o que meu coração me dizia. Como eu quero um parto com o mínimo de intervenções possíveis, num local acolhedor, com pessoas do bem ao meu redor, a Casa Angela é um lugar bem indicado mesmo. Não tem clima de hospital, é realmente uma “casa”. E como moro dentro do limite deles, mesmo não sendo no mesmo bairro, o atendimento pré-natal, parto e pós parto pra mim sai de graça. Ou seja, uma ótima pedida, rs.
Adorei a consulta, como sempre. Foi com uma EO que eu ainda não conhecia (acho que ela não trabalhava lá ainda, “na minha época”), super gente boa. Acho que a consulta durou mais de uma hora, foi bem completinha. Conversamos bastante e fiquei bem satisfeita. E na hora de ouvir os batimentos da mocinha, quem disse que ela parava quieta? haha. Começávamos a ouvir e ela mudava de lugar, uma danadinha mesmo, hehe. Mas sim, com a gente está tudo ótimo, graças a Deus.
E agora seguiremos com dois pré-natais, rs. A casa de parto está como plano A, por enquanto, mas se no final eu sentir que quero a Cátia comigo, por qualquer motivo meu, iremos pro hospital, sem problemas. Mas isso ainda veremos, na hora certa. Estou me sentindo bem tranquila com as duas opções, por me darem a segurança e o respeito que eu preciso.

Ah, sobre o último post, valeu mesmo a força, gente! Eu sou meio revoltada com gente que se mete além da conta onde não deve, apesar de sempre fazer minha cara de paisagem do windows, haha. Mas escrever sempre me relaxa, e acabei fazendo isso aqui no blog. Só vocês mesmo pra me aguentarem e ainda rirem comigo, rs. Estou numa boa agora, amém.
Semana que vem é dia de morfológica, aí volto pra contar se a Agnes continua sendo Agnes, se passou a ser AgnOs, ou se colocou uma plaquinha de “volte mais tarde, estamos em reunião decidindo alguns detalhes técnicos”, hahaha.

E claro, vamos a foto do dia (relevam a cara de sono da pessoa, ok? obrigada, rs).

21 semanas de amor bem crescente 🙂

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O relato que eu não queria fazer, nunca – o dia.

Post longo, que terá que ser dividido em duas partes (a segunda sai ainda hoje também), e que foi revisado entre lágrimas. Ou seja, é favor perdoar algum erro ou repetição.
Este é o relato de como eu descobri a perda do meu bebê.
Sinta-se à vontade para não ler, qualquer que seja o seu motivo. 

Quinta-feira, 08 de agosto de 2013.
Marido e eu saímos cedo, porque era dia de consulta pré-natal na Casa Angela. Desta vez, fomos atendidos pela Fran, uma EO que ainda não conhecíamos (pois seu plantão era à noite). Conversamos bastante, falei como me sentia – essas coisas todas de consulta – e chegou o momento de ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Me deitei na cama/maca, levantei o vestido e esperei. Ela ainda disse “esse sonar é antigo, então faz um chiado”. E realmente fazia, como um radinho fora da estação. Ela procurou, procurou, procurou… e não conseguia ouvir o coração do bebê. Saiu sala, pegou outro sonar – mais novo, que eles usam durante o trabalho de parto – e foi tentar de novo. Tentou muito, em vários pontos da minha barriga, e nada. Conseguiu pegar a minha frequência cardíaca, mas nada do bebê. Ela conversou com ele, apalpou a minha barriga, como se fosse uma massagem, e tentou de novo. Nada. Absolutamente nenhum sinal. Eu, que já estava com medo, comecei a me apavorar. Ela ainda disse que ele poderia estar escondido, sei lá, mas eu sabia que com 17 semanas era difícil se esconder. Ela me deu uma guia de ultrassom pra eu fazer caso me sentisse muito angustiada, pois ainda faltava quase um mês pro morfológico do 2º tri. Saímos do consultório e, na sala de espera, demos de cara com duas famílias, com seus mini bebês fofinhos. Meu coração ficou apertado, senti um peso no peito. Bebi água e fomos embora.
Chegando no metrô, eu falo pro Cleber (que estava o tempo todo tentando me acalmar): “eu queria muito ir fazer esse exame agora, não vou aguentar esperar até sábado” (sábado seria o dia que ele poderia ir comigo). Ao que ele disse “tá bom vai, vamos lá fazer o exame, eu vou com você”. No caminho, eu disse pra ele: “a maternidade é mesmo um eterno cuspir pra cima e cair na testa; eu estava toda confiante, querendo fazer o mínimo de ultrassons, e agora tô aqui, indo fazer um toda ansiosa”.

Parece que demorou três anos até chamarem meu nome. Minha mão já suava, fria. Quando finalmente fui chamada, o Cleber entrou comigo, mas não ficou do meu lado, pela posição do aparelho e de onde estava a médica. E aí aconteceu o que, na minha visão, foi o mais duro de tudo. A médica colocou a imagem na tela e eu logo falei: “você tá vendo alguma coisa?”, e ela balançou a cabeça dizendo que não. Acho que posso afirmar que uma cratera se abriu no meu peito naquele instante. E eu perguntei aquilo porque, quando olhei a imagem, não foi o meu bebê que eu vi. Não era a minha Bolota ali, em preto e branco. Eu sabia que ela já tinha ido embora. A médica tirou o aparelho e colocou na minha barriga de novo, e eu realmente não conseguia identificar – literalmente – o que a imagem mostrava. Eu devo ter falado mais alguma coisa, mas era mais silêncio que tinha na sala. Eu ainda não chorava. Chamei pelo Cleber, precisava ouvir sua voz. Chegou um outro médico – devia ser especialista, não sei, e conversaram alguns minutos, e ele confirmou, em termos técnicos que não me lembro, o que tinha acontecido.
Acho que foi nesse momento que ela disse, com uma voz baixa e bem suave: “olha, o seu bebê parou de se desenvolver”. Hoje eu agradeço pelo jeito que ela disse, foi super delicada mesmo. Me mostrou o que ela e o médico disseram, que a cabecinha estava bem maior do que as perninhas, tanto que chamava até atenção. Por isso eu não conseguia identificar nada. Não tinha movimentos, não tinha barulho, não tinha batimentos cardíacos. Nada. Ainda perguntei se eu havia feito alguma coisa errada, e ela me me disse que não, que muito provavelmente era uma falha genética mesmo, e que a natureza é sábia. Não sei mais o que falamos. Aí eu perguntei “e agora?”, e ela disse pra eu ir no hospital. “Agora?”, “é, acabar logo com isso, né?”, foi o que ela me disse. Ainda me ajudou a levantar e aí eu desabei. Ainda sentada, chorei, muito. O Cleber veio me abraçar – o primeiro de muitos nesses dias. Deixaram que ficássemos ali uns minutos. Meu coração ardia de dor. Coloquei os óculos escuros mesmo a sala estando na penumbra e ainda consegui dizer que daria tudo certo.

Sentamos pra esperar o resultado, e eu chorava mais. Grudei no Cleber e só chorava. Depois eu soube que ele esteve à beira das lágrimas também, mas segurou firme, por mim. Preciso me lembrar de me casar com esse homem de novo. Ele dizia que me amava, que estava comigo, que não tinha sido minha culpa, que iria cuidar de mim sempre, que o tempo de Deus é o certo. Eu me lembro de agradecer todas essas palavras, balançar a cabeça que sim, eu acreditava nele, tentar afirmar que tinha que ser assim e falar que o nosso bebê tinha ido morar no céu.
O laudo chegou e eu não sabia o que fazer. O Cleber tentou ligar pro meu pai, desligado. Liguei pra minha mãe, chorando: “mãe, não tem mais bebê”, e ela ficou totalmente abalada – devo ter explicado mais ou menos o que houve, e ela disse que ia dar um jeito de achar meu pai, mas não precisou, porque nesse instante o Cleber conseguiu falar com ele, e ele disse que estava indo nos buscar.
Lembrei que não tinha plano de saúde e que não queria me internar em qualquer hospital. Falei que eu não tinha nem médico, e me lembrei que tinha, sim, a Betina. Fui sendo invadida por uma certeza de que eu precisava fazer alguma coisa, agir. Mas ainda chorava. O Cleber ligou pra Betina e conseguiu um encaixe pra mesma tarde – ela disse que tinha que me ver antes de falar o que era pra ser feito. Mandei uma mensagem pra Isa, ela me ligou, disse que iria onde eu estivesse, que ficaria comigo caso eu precisasse passar por um trabalho de parto no hospital, ou qualquer coisa assim. Minha mãe ligou de novo, eu contei que ia na Betina e ela disse que ia dar um jeito de chegar lá também. O Cleber avisou no trabalho que não iria mais e, quando disse o motivo, o chefe deu o dia seguinte de folga também. A gente ainda estava no laboratório, era por volta de 13: 30 da tarde. Eu olhava a rua, enxergava todo mundo em câmera lenta. Abraçava o Cleber, chorava mais. Eu não sabia o que ia acontecer. Eu não sentia fome. Eu tinha medo.

Aos poucos o choro cessou e fui ficando anestesiada. Eu só esperava o próximo passo – que naquele momento era esperar a chegada do meu pai. Ele chegou e decidimos que iríamos buscar minha mãe no trabalho, e depois ir direto pro consultório da médica. Quando finalmente chegamos, meu pai ficou no carro e subimos nós três pra consulta. A Betina viu o ultrassom, mas aí eu disparei a contar o dia e ela só leu a parte que o desenvolvimento do feto estava muito abaixo do normal, não leu tudo porque parou pra me ouvir. Ela achou que ainda tinha chances. Mas aí mostramos as últimas frases e ela entendeu. Pediu muitas desculpas pelo mal entendido. E disse que eu podia esperar, que meu corpo ia agir. Eu ainda estava na vibe do “tenho que agir agora” e pensei mesmo que teria que ir direto pro hospital, meio que me preparei pra isso. Minha mãe fez mil perguntas. A Betina disse que eu poderia escolher, que se eu esperasse meu corpo agiria, sim, mas que se fosse emocionalmente muito pesado pra mim, eu podia ir pro hospital induzir, e ainda disse que eu entraria em trabalho de parto, que ia doer bastante e que ia ficar sangrando mais que uma menstruação. Minha mãe perguntou o que ela achava melhor. E eu disse: “ela acha melhor esperar. Né?” “É, na minha opinião é melhor esperar”. Foi aí que me lembrei. Eu prezo pelo natural. Pelo fisiológico, pelo tempo da natureza. E foi por isso que eu havia escolhido aquela médica. Eu perguntei do chá de canela, ela confirmou que era bom, e que o de gengibre também. Disse que a decisão era minha, mas que eu podia pensar mais um pouco, em casa. Que se acontecesse em casa, talvez eu nem precisasse de hospital depois, mas que se sangrasse demais, eu tinha que ir. O meu medo era ter que olhar pro que ia sair de dentro de mim, essa é a verdade. Eu não fazia a mínima ideia de como seria. Eu não estava preparada.

Chegamos em casa, e aqui eu não sei mais o que escrever. Não me lembro. Lembro que eu não chorava, que sentia uma tristeza imensa. Não queria conversar sobre isso. Sentia umas cólicas leves. Devo ter comido alguma coisa, não faço ideia de quê. Só me lembro que eu estava sentada no sofá, o Cleber do meu lado, a tevê ligada.

(continua…)

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Como estamos

Em primeiríssimo lugar, eu gostaria de agradecer imensamente a cada uma que leu meu último post e não só me entenderam, como deixaram comentários lindos e cheios de amor para essa gestante que surtou de vez. Obrigado mesmo por terem entendido o meu lado e não terem saído correndo três dias sem olhar pra trás diante do meu ataque de sincericídio. De vez em quando eu preciso disso pra exorcizar o assunto. Agora tá tudo ótimo com isso e vocês têm parcela nisso, suas lindas. 


Pois bem. Deixa eu atualizar a quantas estamos hoje, porque nem só de lamúrias vive esse blog, rs.
Sábado, repeti o exame de glicemia de jejum. Desta vez, em outro laboratório, como a Betina me orientou. Fui bem cedinho, mentindo pra mim mesma que estava calma dessa vez. Escolhi um laboratório “melhor” (mais bem indicado, digamos) e nossa, como fez diferença! Pedi pra colher o exame deitada, como sempre, o que foi prontamente atendido. Fui muito bem tratada desde a recepção. Foi rápido a parte que me deixa mal (ou seja, o exame em si, haha), mas mesmo assim quando levantei, senti uma tontura leve. Tava calor, uma salinha fechada e eu há quase 14 horas de jejum, mais o nervoso, deve ter sido isso. A enfermeira me fez deitar de novo, me deixou com os pés pra cima, trouxe um copo d’água e veio uma médica medir minha pressão. Todas muito cuidadosas, nem riram da minha cara, rs (às vezes acontece). Fiquei uns minutinhos deitada e depois elas me indicaram a sala do café, pro desjejum. Eu tinha levado uma banana, né, porque esses serviços são sempre um pacotinho com duas bolachinhas água e sal e um copinho de café. Mas não nesse. É tipo uma lanchonete mesmo: eu podia escolher 1 bebida (cafés, chocolates ou sucos), um sanduíche (tinha uns três sabores diferentes), croissant ou biscoitinhos e mais uma fruta (tinha mamão, maçã e banana); e o Cleber também ganhou (ele faz jejum comigo, tadinho, rs). Foi lindo, gente! Só quero fazer esses exames sofridos lá agora, rsrs…
Antes do prazo previsto para a liberação do resultado, consultei o site e já estava pronto. Realmente, consideravelmente mais baixo que o primeiro. E o alívio que me deu? Mesmo assim, não está baixíssimo como eu queria, e eu já estava para ficar neurótica de novo, mas aí…
Hoje, tive mais uma consulta na Casa Angela. Fui atendida pela Andreza de novo, como da vez em que fui lá quando tive sangramento, numa mini-consulta. 
Foi ótimo, como sempre é. Só de sentir cheirinho de bolo no forno num dia frio, como está hoje em São Paulo, já é uma delícia e já nos deixa com uma sensação de estarmos chegando em casa, literalmente. 
Ela viu meus dois ultras, disse que está tudo lindo (como eu já sabia, rs). Viu o resultado da glicemia e disse que está bom, sim. Disse até que existe umas controvérsias entre alguns profissionais sobre isso, que tem uns que pedem a curva glicêmica mesmo quando os valores estão bem baixos. O Ministério da Saúde tem valores diferentes para gestantes, isso é fato, mas mesmo assim não preciso me preocupar com isso agora. Só mesmo manter minha alimentação o mais saudável que eu puder, algum exercício físico e levar a vida normalmente, sem neuras. Devo ter que repetir o exame mais frente, mas bem melhor ele do que o outro (que dura umas 3 horas, Deus me livre).
Quanto ao meu peso, está tudo às mil maravilhas, haha. Eu queria muito saber quanto eu estava me pesando mesmo na minha primeira consulta, no mês de Maio. Porque da primeira pra segunda, segundo a balança da Casa (e quando eu ainda não tinha outro pré-natal), tecnicamente tinha engordado 500g. Na consulta com a Betina, semana passada, baseado nesse peso anterior, eu havia emagrecido, só que lá eu me pesei seminua, né, então considerei que era meu peso mesmo. Gente, era o mesmo peso da primeira consulta na Casa! Hoje deu só 200g a mais do que semana passada (então, menos do que mês passado de novo, acho que eu tava com uma roupa mais pesada), mas eu estava de meia grossa e tal, então acho que o peso ainda é o mesmo. Resumindo, não sei quanto engordei do início até agora, haha. Tudo indica que não foi muito, e eu prefiro acreditar nisso, rs.
Não foi pedido nenhum exame dessa vez. Só vou mesmo descobrir se Bolota é ele ou ela lá pro fim do mês que vem, porque não vou fazer um ultrassom antes do morfológico do segundo trimestre só pra saber isso. Vamos exercitar a paciência e a expectativa até lá.
Amanhã é feriado em São Paulo e desde hoje marido não trabalha. Ontem estava um dia lindo, um céu azul e um sol delícia e fomos ao parque. Estava lotado, óbvio, mas não foi menos bom por isso. Eu tava mesmo precisando respirar um pouquinho. E ainda bem que fomos, porque hoje o dia amanheceu exatamente o oposto! Aproveitamos que não saímos e fizemos uma mudança total no nosso quarto. Eu queria mudar a cama de lugar, porque tava ruim levantar à noite pra ir ao banheiro, e hoje foi o dia escolhido, sem planejamento, como sempre, rs. Como teríamos que esvaziar parte do guarda-roupa, pra ficar mais leve e mudar de lugar, fiz uma revolução e separei muuuita coisa pra doar! Roupa, bolsa, sapato… Pensem numa bagunça? rs… E pensar que daqui há uns meses vai ser tudo bagunçado de novo, porque vamos mudar todos os móveis…
E por falar nisso, preciso ir terminar de arrumar umas últimas gavetas, já que tivemos que parar pra ir à Casa. Marido já está lá, todo animado…
Bolota e eu, no banco do parque ontem, vendo todo tipo de gente e de cachorros passar por nós, enquanto conversávamos sobre tudo e sobre nada com o papai.
Estamos crescendo, não estamos? ^^


E vocês, como estão?
Boa semana pra nós! 

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O som mais lindo que já ouvi (a parte II)

(continuação desse post…)

Na sexta, dia 14 (ontem, rs), Cleber se arrumando pra ir trabalhar, resolvemos que seria bom ir ao médico, sim. Eu estava preocupada, queria ter certeza que estava tudo bem.

E então ele me levou em um hospital público (maternidade). Chegando lá, já odiei porque o Cleber não poderia subir comigo, nem na sala de espera!!! E bem, sentada ali com outras mães gestantes, pertinho da ala onde ficam as que já tiveram seus bebês, ouvindo chorinhos recém-nascidos, também ouvi muito absurdo (que rende um post à parte). E era um lugar quente.  E eu com fome. E pensando na banana que tinha na mochila, só que com o Cleber, lá embaixo. Ouvindo coisas ruins, dentro de um ambiente péssimo, minha pressão me deu um sinal de que, se eu ficasse ali mais uns minutos, ela iria cair. E eu sabia que se ela caísse, eles iam querem me jogar no soro. Levantei e desci, rumo a minha banana. Marido resolveu que iríamos em outro médico, já que não tinha nem sinal de que eu seria atendida nas próximas horas. Percebemos, porém, que minha carteirinha de gestante tinha ficado retida junto com a minha ficha, e sem ela eu não posso ficar. Como eu estava tomando um ar, ele foi ao resgate pra mim. A moça não quis dar a bendita carteirinha pra ele, que contou o que eu tinha tido (ninguém tinha perguntado, nem na triagem, pasmem), então ela disse que eu subisse que seria atendida imediatamente. Melhor que não tivesse subido. Quando eu entrei, sozinha, na sala do médico, já senti que não ia render boa coisa.
Segue o diálogo:

– Então, eu tive um sangramento ontem à noite, mas foi bem pouco e…
– Quantas semanas?
– pela DUM, 11. Pelo ultrassom, 9. Olha aqui o ultrassom.
– ah, você tá de 9 semanas (em tom de voz que não tinha ouvido o que eu havia acabado de falar)
– Tira a calcinha e deita ali.
como ele continuou escrevendo e nem sinal de levantar, permaneci sentada
– Por que será que aconteceu isso?
escrevendo… – Tira a calcinha e deita ali.
Lá vai eu pra trás do biombo, tiro a parte de baixo da roupa, descubro que não tem onde pendurar, e me deito segurando as calças.

Quando ele coloca as luvas, eu coloco meu pés naqueles estribos horríveis e vejo que quase na minha frente tem uma porta aberta. Ele coloca as luvas e enfia, sem a mínima cerimônia ou jeito, doi dedos bem dentro de mim. E gira. E dói. Bastante. Isso em pé mesmo. Tirou, viu que não tinha sangue algum, me mostrou os dedos e voltou pra sua mesa.
 – Não tem mais sangramento.
– Nossa, que bom! Mas por que será que aconteceu isso?
nenhuma resposta audível.
– Se sentir dor, toma paracetamol. Se voltar a ter sangramento, volta quando estiver acontecendo.
(Porra, paracetamol, cara? Cê tá de brincadeira comigo!!! Só faltou ele falar, próóximoo.) Lamentável!
Saí de lá com vontade de fazer um barraco naquele hospital de meia tigela. Mas marido me conteve. O foco era me manter calma.
Fomos a outro hospital, particular dessa vez. Depois de esperar pouco mais de uma hora pra ser atendida, finalmente chegou minha vez.
A médica me examinou direitinho e disse que realmente não tinha mais sangramento, mas que meu colo do útero estava bem sensível, quase como se tivesse um machucadinho. Até desenhou. Disse que não tinha vindo de dentro do útero, ou seja, não tinha comprometido o bebê. E que por isso eu não precisava fazer um ultrassom com urgência. Mas recomendou um super repouso. 
Gostei dela, foi satisfatória. Marido, que também estava preocupado, ouviu tudo junto comigo. 
Ele seguiu pro trabalho (já passava das 13:00) e eu vim pra casa. Fiquei pensando que eu queria, sim, ter feito um ultrassom, pra ver minha Bolotinha, ter certeza que estava tudo bem.
Então hoje nós dois tínhamos aula de yoga na Casa Angela. Era o que eu queria. Não a yoga, e sim a Casa.
Meu pai nos emprestou o carro e lá fomos nós a mais uma consulta (sem marcar). Cheguei, a minha EO não estava lá, então comecei a explicar o que aconteceu a outra, a Andreza, e não poderia ter sido melhor. Ela me explicou um monte de coisas, também desenhou pra mim. E me passou um pedido de ultrassom, para que eu ficasse calma, pra ter certeza que o baby estava mesmo bem e aproveitar pra confirmar de quantas semanas eu estava. 
Saímos de lá direto pra clínica. É uma clínica conveniada com a Casa (eu ia pagar menos, yes!), que não precisava marcar horário e estava funcionando hoje. Tudo que eu queria, de novo, rs.
Fiquei bem nervosa na ida, por causa do trânsito. Os carros decidiram que hoje era o dia de sijogar em cima de quem estivesse perto, daquele jeito horrível. Direção defensiva, nesse caso, nos salvou várias vezes.
Chegamos, enfim. Esperamos um pouquinho e fomos chamados.
Na espera, aquele medo de sempre. E se não tiver nada? (isso porque eu já tinha visto, vamos abafar essa parte). E se não tiver se desenvolvido? E se eu tiver feito mal pro bebê? Fui cortada de meus devaneios medísticos quando ouvi meu nome.
Falei que não sabia ao certo quantas eram as semanas, mas disse a DUM e contei do ultra das 4 semanas. Deitei, recebi gel gelado na pança. E esperamos. De repente, não mais que de repente, uma imagem tomou conta da sala – e de mim: a minha Bolota não é mais uma bolota, estava claro e nítido naquela imagem cinza. É agora uma pessoa. E a médica: “olha aqui o seu bebezinho”. E eu: “amor, olha como a Bolota cresceu”, e a médica achando que eu estava falando que era uma menina, haha. Explicamos e ela entendeu. “Vou colocar o som do coração”.
TUM TUM TUM TUM TUM TUM 
Xenti!!!
É o som mais lindo que eu já ouvi em toda minha vida! Música para os meus ouvidos.
E o meu sorriso já passando das orelhas.
A médica: – Olha aqui, duas perninhas, dois bracinhos. Tá vendo?
– Sim, tô vendo. E tá tudo bem com ele?
– Sim, tudo ótimo!
(quase dei um beijo nela)
E marido lá sentado, olhando pra tela, emocionado. Coisa mais linda.
– Vamos medir o tamanho do seu bebezinho, pra ver de quantas semanas está (pausa para medir). Sim, você está de 10 semanas (e 4 dias, tá escrito no laudo). Confirmado. E a data provável do parto então fica pra 11/01.

Oi, pessoal!, eu sou a Bolota! (a barriguinha é uma bolotinha sim ou com certeza?)
E aí depois de uns minutos, cabô exame. 
Esperamos a impressão do laudo. Os mais bobinhos da recepção. Marido até calado, de tanta emoção. E eu tagarela. Ambos de sorrisão no rosto. Os mais bobinhos, já falei?
Quando chegamos em casa, vi que tinha um pouquinho de nada de sangue, de novo. Medo. Mas alívio, porque tinha acabado de ver (e ouvir) que estava tudo bem com baby. E eu confirmei internamente: é o stress que faz isso comigo. Preciso, urgentemente, relaxar. A Andreza suspendeu a yoga, por enquanto. É repouso mesmo, nem namorar podemos. Estamos pensando aqui no que fazer para me manter em paz, calma. Eu queria viajar pra um lugar bem calmo, mas agora não dá mesmo. Tô pensando em fazer umas coisinhas pro baby. Para preencher mais meu tempo. Origami também. Só preciso que alguém compre as coisas pra mim, já que enfrentar a 25 de março não é uma opção. Ver filmes à tarde, relaxar mesmo. Eu vou conseguir. Conversando sempre com Bolota (não consigo arrumar outro nome, rs). Vou cantar pra ela, mostrar umas músicas que eu gosto e tal. Meditar em casa mesmo. 
O importante é que eu consiga.
E nós vamos conseguir 🙂

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Tanta coisa…

Tenho sentido uma intensidade diferente esses dias.
Quer dizer, intensa sempre fui. Sinto demais, penso demais, quero demais, sonho demais. Mesmo!
Mas tenho pensado algumas coisas novas. E mais, ando sentindo mesmo, além do pensar, algumas coisas que ainda não consigo explicar, nem colocar no papel. Ou seja, a coisa tá bruta ainda, preciso de mais um tempinho.

Quinta-feira foi a segunda consulta na Casa Angela. Chegamos lá, Cleber e eu, uns vinte minutos antes do horário marcado. Tinha uma moça e o marido, com o nenenzinho deles, de 26 dias. Coisa mais fofa, gente. Estavam lá porque ela tinha consulta pós-parto, e o bebê também (bebê que nasce na Casa Angela – ou que a mãe teve acompanhamento todo lá, mas não nasceu lá porque não dava mesmo – tem consultas pediátricas com eles até os 40 dias, ou até 1 ano, como a mãe preferir). Ele não nasceu lá, teve que ser cesárea mesmo, mas todos passavam bem. A mãe muito bem, animadíssima!!! Conversamos bastante. O pai também, super participativo. E eu pensando, depois: essa interação é que faz a diferença. A gente chega, tem uma mesa delícia com bolachinhas, frutas, suco, chá; ali mesmo, na espera, a interação entre as mães é muito natural. A mãe me dizendo que, no final da sua gravidez, tinha dias que passava o dia todo na Casa, só pela companhia e pelo astral; que fez todos os cursos (tem muita coisa disponível); muito legal mesmo. Até as enfermeiras entram na conversa. Rimos muito. Todo mundo gosta de estar ali. Não é aquela coisa fria, sem graça.
Pois bem. Chegou a nossa vez. Estamos muito bem, obrigado. A consulta foi ótima, conversamos bastante, como sempre. Exames todos feitos já, e tudo dentro do esperado. A não ser o de glicose, que não está alterado, mas porque sou gestante, o valor tinha que ter sido um pouquinho menor. Então a Camila (EO) já pediu aquele exame de curva glicêmica (e sim, já estou sofrendo-chorando-rezando três terços para conseguir sobreviver à ele). Apesar de depois eu ter lido que esse exame só é feito lá pelas 24 semanas, mas enfim.
E por falar em semanas, lembram da minha confusão pra contar o tempo, né?! Pela DUM, ontem eu completei 11 semanas. Pelo ultrassom (que eu não repeti depois, ficou só aquele mesmo), eu estaria completando 9 em algum momento dessa semana (e eu estava considerando essa idade). Mas a Camila disse que como não deu pra ver o bebê, ela ainda está considerando a DUM, porque é pelo tamanho do baby que calculamos a idade gestacional. Fiquei confusa de novo, rs.
Ela tentou ouvir o coração da Bolota, mas ainda não deu.

Sobre o exame que terei que fazer, só tenho a dizer que fiquei arrasada, me sentindo péssima e culpada. Muito. Fim. Em contrapartida, tenho total consciência de que a minha alimentação está boa, sim. Já faz bastante tempo que não exagero em nada (há mais tempo do que tenho de grávida, quero dizer). E agora com a gravidez, então, meu paladar mudou consideravelmente. Nem se eu quiser eu consigo comer muita coisa, além de frutas e coisas salgadas. Aliás, tenho sentido desejo de bolo (caseiro, comum, sem calda, só bolo), mas também não como uma quantidade grande, entendem como é? (e óbvio que não como todo dia também, haha). Definitivamente, não consigo ser radical em nada. Bom senso e moderação são meus aliados na alimentação, sempre foram. (mas depois vejo se faço um post à parte sobre alimentação).
Tem também meus exercícios. Próximo sábado começo a yoga na Casa Angela (junto com o Cleber, tudo lá o acompanhante está incluso). Tinha parado um pouco antes de ficar grávida, porque o local que eu fazia entrou em reforma e precisamos dar um pausa. Já a hidro, parei por conta própria, porque antes eu sentia muito cansaço; e depois veio aquela onda de gripe e São Paulo foi a cidade que mais registrou casos, e muito idoso junto, vestiário muito cheio, chão sempre molhado… eu senti mesmo que deveria dar um tempo. E dei. Mas daqui a pouco eu volto, numa unidade mais perto da minha casa, porque a que eu fazia era muito longe – e o ônibus muito cheio. Então o tempo que fiquei sem praticar alguma coisa não foi muito, estou tranquila mesmo. Mas com medo. Tudo junto.

Próximo ultrassom provavelmente na semana que vem, êêêê!!! Mas só se eu achar um laboratório que aceite o pedido do ultra com carimbo de enfermeira, porque o que tentei marcar só aceita o de médico.
Marquei consulta com a médica que, muito provavelmente, será meu plano B, caso, por algum motivo, não dê certo na Casa. Só consegui pro dia 01/07, mas já é um começo, rs.

Ontem dei uma surtadinha, querendo ver minha Bolota logo. Ainda tá passando.

E parece que ainda tenho um monte de coisa pra escrever, mas preciso sentir mais.

E vocês, como estão?
Boa semana pra nós 🙂

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Primeira consulta

Pergunta básica: como faz para encontrar cada uma que deixou comentário ou só leu e mandou energia boa no post passado? Vocês são umas lindas mesmo, meninas. MUITO OBRIGADO!!
Depois de tanto carinho, claro que eu fiquei mais tranquila, sim. Foi mesmo bom ter dividido isso com vocês. Abraço de urso em cada uma, viu?!

Então que hoje foi o dia mais esperado por mim. Dia da primeira consulta do pré-natal!! \o/
Na hora certinha, Cleber e eu estávamos lá, só esperando nossa vez.
Cheguei lá muito animada, haha. Peso ok, pressão arterial linda, pulso idem, temperatura também. Então vamos começar a conversa logo, rs. A enfermeira obstétrica, Camila, uma fofa, fez aquelas milhares de perguntas de praxe sobre o nosso histórico de saúde e da família e tudo mais. Contei tudo sobre a minha trajetória, a minha última experiência traumática dentro de hospital, que fez com que eu corresse atrás de informação sobre formas respeitosas à mãe e ao bebê, e o quanto isso fez com que eu entrasse de cabeça no mundo dos partos fisiológicos. Ela achou lindo que estamos nessa preparação “do coração” (como ela disse) há bastante tempo.

Pela data da minha última menstruação, estou de 6 semanas e 3 dias (own!). Tecnicamente, completo 40 semanas exatamente no dia 31 de dezembro, ó que beleza, hahaha. Ela passou aquela lista de exames nada básica pra eu fazer, e o que eu mais queria em toda minha vida: o pedido do ultrassom obstétrico do 1° trimestre. Muita emoção! Vou ver se consigo fazer o quanto antes, saí de lá meio tarde, então não consegui marcar ainda, mas amanhã cedo resolvo isso!
Falou que seria bom se eu fizesse um pré-natal também com um médico (lá só tem enfermeiras obstétricas), por toda aquela precaução que eles tem e tudo mais. Já marquei uma consulta com aquela médica que eu passei em fevereiro. O valor do parto está acima do que eu tenho hoje? Sim! Mas é a que eu confio. E depois de muito pensar, resolvi marcar pelo menos essa consulta com ela, pra ver o que vai ser. Até porque é só uma retaguarda, não é mesmo? E se, porventura, for preciso na hora H, eu quero que seja alguém que eu confie. E gente, o meu coração grita pelo nome dela quando eu penso no assunto. É melhor ouvir, né?! O que tiver de ser, vai ser. Amém.

Ela falou muito sobre a importância de ouvir o meu corpo. Que se estou sentindo cansaço, é porque é para descansar, sim. Se estou querendo tal comida, é para comer, sim, e por aí vai. Resumindo: adeus comandos externos, agora quem manda aqui é o meu corpinho. Falou do quanto é importante marido e eu estarmos em sintonia e com a nossa relação bem saudável, próxima, ativa, pois o bebê sente tudo isso, ele sabe que veio do nosso amor e que sentir isso ao longo da gestação só faz bem para todos nós!

Fez uma examinação geral: desde os olhos, atéé… bem, vocês sabem onde, hahaha.
Disse que ela está ótima. Ou melhor, pelo que deu pra ver no geral, tá tudo mais que certo. Disse que meu colo do útero está lindo! Sim, ela usou a palavra lindo, rs. Que o tampão já está lá, cumprindo sua função de bloquear a entrada para o mundinho do bebê. Nessa hora, se ainda existia alguma dúvida escondida dentro de mim, foi-se para o espaço. Ainda perguntei brincando “então estou grávida mesmo, né?!”, e ela “Sim, grávida MESMO!”.

Sabe um coração batendo tranquilo e muito feliz, animado, cheio de esperanças e sonhos? É o meu! ^^
Nem sei como expressar isso para vocês direito, mas acho que já sentiram aí, né?!

E dentro de alguns dias vai ser o primeiro encontro com a minha doula! Conto tudo depois que acontecer!
E óbvio que venho correndo contar do ultra também!

Beijo, gente!! (e me contem de vocês!)

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