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Um novo tempo

Domingo, 21 de maio, Agnes mamou quando acordou. Tomamos café da manhã, ficamos por aqui e depois saímos pra almoçar. Depois fomos ao shopping e ela ficou brava por algum motivo – que, na verdade, era sono. Ninei e disse que ela ia dormir sem mamar, só com carinho e colo, ela perguntou porque, eu disse que o mamá estava acabando. Ela aceitou, fiz carinho na barriga, com ela no colo e então ela dormiu.

Já faz dias que estou falando que o mamá está acabando. Não digo que já acabou, porque não quero mentir. Mas estava conduzindo assim rumo ao fim. Tinha dias que ela aceitava mais, outras menos. Teve um dia, alguns dias antes disso, que ela ficou o dia sem mamá e depois teve 2 escapes de xixi, achei que estava indo rápido demais. Mas a verdade é que pra mim já tinha chegado num limite. Eu não estava mais tão confortável em amamentar, ela mamava de fato muito pouco, ficava mais com o peito na boca, isso quando não prendia o dente e depois ficava até marcado, doía muito. Não estava mais prazeroso, era mais uma comodidade nossa, coisa que não sabíamos direito como mudar por nunca termos nos relacionado sem isso.

No dia seguinte, segunda-feira, ela mamou um pouquinho só de manhã quando ainda estávamos dormindo. Essa é a mamada mais difícil de tirar, eu acho, porque ela mama ainda sonolenta, eu também estou mais dormindo do que acordada. Mais difícil tirar essa do que a da hora de dormir, na minha opinião. Aliás, já consiguia fazer ela dormir sem mamá há alguns meses. Não era todo dia, mas rolava tranquilamente. Enfim. Ela mamou um pouquinho e depois eu tirei, ela reclamou um pouco mas logo disse “eu não mamo mais? Agora só carinho e abraço?”. Eu concordei, ela me abraçou e assim dormimos mais 1 hora.

O dia todo ela nem tocou no assunto. Quer dizer, quando saí do banho, ela me viu colando a blusa e disse de novo: eu não mamo mais, né, mamãe? Sim, filha. Você está crescendo e agora estamos descobrindo novas formas de chamego. A mamãe foi muito feliz em te amamentar por todo esse tempo, mas agora é uma nova fase. Você sempre vai ter o carinho e o colo da mamãe, do papai. E ela completou: e da vovó e do vovô. Sim, filha, deles também.

E foi isso.

A noite ela acordou chorando e dei um pouco só, porque ela pediu, tipo um minutinho, depois tirei e fiz carinho. Terça não mamou nada. Quarta só colocou a boca no peito de manhãzinha por um minutinho de novo. De vez em quando ela pede, tipo quando tá com sono, mas é só eu lembrar do carinho que ela aceita tranquila e logo dorme.

E foi assim que eu fui percebendo que nosso tempo havia chegado, que um ciclo estava se encerrando para iniciar outro, ainda desconhecido por nós.

Desde janeiro eu estou “ensaiando” começar esse processo, porque realmente estava cansada – não era um cansaço físico da rotina, era do ato mesmo. Mas fui aos poucos, sem pressa. Comecei a falar pra ela que em algum tempo o mamá iria acabar, que ela estava crescendo, que iríamos chamegar e estar juntinhas de outras formas. Conversava muito com ela, mas não estabeleci limite, nada. Fui apenas sentindo. Há 1 mês, mais ou menos, comecei a ser mais constante no processo, falei várias vezes pra ela, mas horas depois ela pedia pra mamar de novo e eu dava, porque percebia que ainda não era o momento. Não era todo dia que eu fazia isso, não estava “empenhada” em desmamar, mas sabia que tinha que ir falando com ela, com a gente é tudo na base da conversa, sempre foi, e eu sabia que em algum momento ela entenderia e aceitaria. Domingo eu fiz o que fazia antes e ela aceitou tranquilamente, então acredito que foi o tempo dela também.

Hoje é quinta-feira, o quinto dia que ela não mama mais. Ainda estamos nos adaptando, mas acho que já posso dizer que sim, um novo tempo começou aqui nós. Foram 2 anos e 10 meses de aleitamento materno, 6 meses de forma exclusiva, quase dois anos de livre demanda total. E eu sou muito, muito, muito feliz e me sinto muito grata por ter vivido isso com ela.

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2 anos e 6 meses

Dois anos e meio da minha pequena moça. (Ok, ela ainda não completou esses 6 meses, eu sei, é só dia 15, mas eu queria muito escrever sobre essa fase logo, haha).
Minha pequena moça que cresce a olhos vistos. Que tem se desenvolvido de um jeito tão lindo e tão dela. Que me arrebata de amor com as coisas que fala.

Que fase, hein, migas.

Pode ser meio arbitrário dizer isso, mas essa fase está muito maravilhosa.
Sei lá, pouco antes dos dois até 2 anos e 3 ou 4 meses, mais ou menos, foi bem intenso. Choros, gritos, pessoinha deitada no chão, eu gritando de vez em quando, a gente chorando juntas e a coisa toda. Todo mundo aprendendo sobre limites – os seus, os meus e os nossos. Tudo muito novo pra nós.
Agora parece que a poeira baixou e estamos numa bonança. Não que não tenha mais choros ou alguns gritinhos, principalmente com cansaço e fome envolvidos. Mas está bem melhor, com certeza, sim.

E ela está falando, falando, falando. Já faz um tempo que eu narro aqui suas palavrinhas e pequenas frases, mas é que esse é um aspecto que eu me encanto muito. Muito bonito de ver ela conversando com a gente, sabe.

Ela está brincando mais tempo sozinha, e aí fica falando consigo mesma, com os bonequinhos, com as pecinhas, criando umas mini narrativas muito fofas – que na verdade é uma reprodução ou de algo que aconteceu com ela recentemente, ou que ela tenha ouvido num desenho.

E ela canta, minha gente! É apaixonada por Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz feito a mãe dela. Sabe cantar as músicas e sabe achar no meu celular.
Aprendeu a cantar “1, 2, 3 indiozinhos”, que eu ensinei. E toda hora é isso também.
De fato, a música sempre foi muito presente na vidinha dela. Desde a barriga. Eu sou muito musical também, não tinha como isso não reverberar também nela, até pelo nosso cotidiano. Sempre tem uma música tocando no carro, cantamos para tirar o estresse ou parar de chorar, adoramos dançar pela sala, e é muito bonitinho ver que ela já vai em busca disso também por conta própria, em muitos momentos.

Tem uma audição incrível e ouve até o que não precisava, hahaha. E repete depois, obviamente. Ah, sim, sobre essa repetição toda. Quando acontece alguma coisa ela fica contando, repetindo, várias vezes. Pra mim, pro pai, pros avós. Por exemplo, uns meses atrás ela tomou uma vacina que estava atrasada. Doeu, claro, ela chorou. Quando fui tirar aquele adesivinho da perna dela, ela chorou de novo, dizendo que doeu. Ela contou essa história várias vezes naquela semana. Depois de uns 20 dias, lá vem ela com a mesma história. “Doeu a vacina, mamãe. Foi aqui na perninha. Eu chorei muito muito”. Eu não tenho dados científicos, mas penso que isso faz parte da elaboração dos acontecimentos dentro da cabecinha dela, sabem? Ela precisa falar, confirmar, validar. E depois passa mesmo. Daí quando lembra, fala de novo. Eu escuto, confirmo, reconheço os sentimentos, digo que aconteceu tal dia, que não foi hoje. E assim vamos indo.

Seguimos mamando, mas a quantidade já diminuiu bastante. Basicamente ela tem mamado para dormir, quando acorda e quando se irrita muito. Ou quando eu saio e ficamos algumas horinhas separadas, aí quando eu chego ela sempre pede. Confesso que ando meio cansada já. Em alguns momentos eu nego e direciono a atenção dela pra outra coisa, em outras eu deixo, mas depois peço pra ela parar. Estamos caminhando para um desmame que eu não faço ideia de quando irá se concretizar, mas que vai acontecer, sim, em breve. Já até consegui fazê-la dormir sem mamar alguns dias esse mês e deu tudo certo. Mas não tenho muitas regras ainda, vou sentindo como foi o nosso dia e os limites de cada uma. Aos poucos a gente vai encontrando os caminhos, não é? Aceito orações, abraços e colinhos.

E basicamente é isso.
Depois eu volto pra contar como é que eu estou nessa fase da nossa vida, rs. Hoje eu queria só mesmo registrar as lindezas dela e o meu contínuo encantamento pelo privilégio que é ver uma pessoa crescer.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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O presente repetindo o passado

Estou na cozinha lavando a louça. Agnes na sala, brincando com umas xícaras e outros potinhos pequenos (todos de de verdade, coisas que ainda não tinha guardado depois da mudança) e com a boneca. Ela vai brincando e conversando comigo.

-Vô fazê um cházinho pá ela, mamãe.

-Tô tomando café tum leite, mamãe.

E assim por diante. Ela ia falando o que estava fazendo, eu ia respondendo, aumentando a brincadeira.

E de repente fui transportada para um lugar que eu bem conhecia.

Eu estava na área, arrumando todos os meus brinquedos, fazendo a minha casinha. Minha mãe cozinhava na cozinha ali ao lado, a dois passos de mim.

A gente brincava muito assim. Eu na minha casinha, pegava minha neném e ia visitar a minha “comadre” ali do lado. Ela seguia fazendo seus afazeres enquanto brincava comigo.

E de repente, não mais que de repente, a cena se repete sem que eu tenha consciência do que estou fazendo, sem planejar ou montar aquela cena. Ela simplesmente aconteceu. A roda girou, o tempo passou e ali estava eu, reproduzindo uma cena que me era tão familiar – e talvez por isso tenha sido tão instintivo. E tudo entrou em foco e me senti exatamente onde deveria estar. Construindo memórias com a minha pequena moça.

Sorri sozinha na cozinha, e seguimos assim, em meio a lembranças e brincadeiras.

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Agnes e os livros

Eu sou uma leitora convicta e apaixonada desde bem pequena. Desde sempre pegava livrinhos na escola, adorava ganhá-los de presente e cuidava muito bem deles. A paixão foi crescendo junto comigo. Acho livro um presente que sempre vai cair bem, inclusive. Apesar de não ler muitos livros durante o ano, porque gosto de ler devagar e apenas um por vez, gosto de ter um sempre por perto. Ano passado eu não li quase nada e não gostei da experiência. Esse ano estou conseguindo manter um fluxo razoável, considerando que não tenho mais tanto tempo disponível assim.

Curiosidade: escrevendo esse post me lembrei que a primeira coisa que comprei pra Agnes foi um livro! Mesmo ainda não sabendo que estava grávida, Nana e eu compramos um livro do Jorge Amado ilustrado, para quando tivéssemos nossos rebentos. E elas chegaram pouco depois. Viu como dá sorte?

E bem, não posso dizer muito ainda, porque né, ela só tem dois 2 anos, esse é só o começo da sua longa e incrível vida. Mas, pelo menos por enquanto, posso dizer que ela gosta muito dos seus livrinhos.

Não me lembro exatamente quando foi que começamos a ler pra ela, só sei que desde o começo ela demonstra muito interesse e gosta muito de ouvir a gente ler. Fica prestando atenção, ajuda a virar as páginas, coisa mais linda. Depois ela foi “decorando” as histórias e falava algumas coisas junto com a gente, hahah. Ah, e não posso esquecer o principal: nunca uma história é lida apenas uma vez. No mínimo, duas.

Seus livros preferidos até hoje são, coincidentemente, 3 que vieram da coleção do Itaú.

Papai!, do Philippe Corentin.

E o dente ainda doía, da Ana Terra.

Tatu Balão, da Sonia Barros.

Ela adora esses livros! E devo confessar que eu também gosto muito. Teve uma época que só o Cleber podia ler pra ela o do Papai, por motivos óbvios, haha. E tinha vezes que líamos nós dois, fazendo quase um teatro completo, rs.

Os livros ajudam também nas viagens de carro, ou quando quero que ela desacelere um pouco. É uma ótima forma de me conectar com ela quando está muito agitada. Ela tem aqueles de texturas e figuras também, a gente brinca junto, mas na verdade começamos já com as histórias, depois que vieram os outros. E sempre que vou na livraria já vou direto pra sessão das crianças – de 5 a 8 anos, haha. Sou dessas!

É muito gostoso ter esse momento com ela – mesmo que as vezes ela chore porque não quero ler depois da sexta vez seguida. Espero que sigamos assim por um bom tempo.

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Nova vista

Hoje o dia começou cedo. Começou ontem, na verdade.
Caixas, malas, sacos plásticos.
Embala, encaixota, desmonta.
Movimento. Gente.
Você vendo tudo de camarote – o colo da vovó.
Ouvindo os barulhos que tem medo, descobrindo o que é.
Casa virando bagunça virando vazio.
Marmitex na casa vazia.
Casa vazia se enchendo como num passe de mágica – mas era muito trabalho braçal mesmo.
Travessas de vidro espatifadas no chão.
Você cochilou no meu colo, incomodada com a ausência das camas e do sofá.
As camas couberam perfeitamente, fiquei tão contente.
E você, pequena, pulando no meio de todo esse movimento dizendo “nossa nova casa”!
Tão feliz, tão segura de seus passos.
Explorou o condomínio, a grama, andou descalço.
E quando viu a vista que tínhamos do parquinho,
sentou no chão, chamou a vovó pra sentar junto e ficou olhando.
O por do sol.
A lua também já estava no céu, sorrindo pra nós.
E pipas lá longe dançando, você adorando essa nova visão.

Hoje nos mudamos de apartamento, filha. Temos um novo lar.
Algo me diz que construiremos boas memórias aqui.

Foi um dia e tanto, o nosso.
Já jantamos, você está no banho, daqui a pouco dorme.
E amanhã começaremos um novo capítulo dessa nossa história.

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Rumo aos 2 anos e a entrega nossa de cada dia

Daqui a duas semanas, meu pequeno lírio completará 2 anos.

Abre parênteses. Incrível como a gente gasta tanto tempo pensando em que nome dar a um filho e, depois, com a pessoa já registrada e tudo, vem uma avalanche de apelidos, né? Isso porque, entre outros motivos, escolhemos Agnes exatamente porque não dava margem para muitas mudanças. Mas aí a gente foi inventando. Lírio. Pequeno lírio. Lili (???), pequena moça, amor da mamãe, fofolete e assim vai. Humanos, tão esquisitos… Fecha parênteses.

E como faz tempo que não falo dela por aqui, resolvi vir aqui hoje pra isso.

Contar que ela está uma lindeza sem tamanho. Falando absolutamente tudo, repetindo tudo, formando frases e criando seu próprio jeitinho de falar. Gente, sério. Que coisa MARAVILHOSA que é ver uma pessoa se formando, né? As carinhas que ela faz, o jeitinho que ela anda, a forma como brinca e interage (ou não) com as outras pessoas. Tudo que é tão novo e, ao mesmo tempo, tão dela. Eu me encanto, sim, me encanto muito, inclusive.

Não que tudo seja fácil e indolor. Óbvio que existe choro, que existem gritos, cansaço, testes de limites e muito jogo de cintura. Para nós duas, aliás. Está no pacote de crescimento e não tem como não vivê-lo. Mas mesmo assim, não tem um só dia em que eu não a olhe dormindo a noite e não pense que tudo está em seu lugar de novo. Que vale a pena abraçar totalmente o caos quando o caminho é tão cheio de belezas e boas surpresas também. É essa mistura de acontecimentos que vai moldando quem a gente é.

E que é bonito que é poder ser, né?
Assim, total mesmo.

Não tem forma melhor (na minha humilde opinião) de contemplar o que é pleno do que observar uma criança vivendo. Elas tem os dois pés fincados com muita certeza no presente, ao mesmo tempo em que se permitem. O que bem quiserem. Elas vão. Elas são. Nem sempre com um intuito, apenas porque querem. Apenas porque sim. Porque o movimento é que é a diversão. Sabe? Isso pra mim é um presente imenso. Uma aula. Não tem escola no mundo que nos dê isso dessa forma.

Claro, não vou mentir. Eu não consigo estar com essa visão e essa entrega em 100% do tempo. Ainda não consigo. As vezes eu choro. As vezes me cobro mais. Tem as coisas que eu queria que fossem diferentes. Tem dias que eu só queria ficar sozinha. Não tem perfeição aqui, nem eu nunca quis, para ser bem sincera. A perfeição tem um peso que eu não me comprometo em carregar. Mas eu tento. Todos os dias eu tento. Enxergar o mundo pelos olhos dela. Me encantar com o que a encanta. Esperar seu tempo. Me abaixar na altura de seus olhos para convesar. Acolher. Abraçar. Dizer a verdade. Deitar ao lado. Ser a mãe que eu consigo ser.

Estamos caminhando para os dois anos com uma convivência muito forte. Literalmente. O máximo que já fiquei longe da Agnes, até hoje, foram 4 horas – horas essas que ela passou com o pai, perto do lugar onde eu estava. Nós somos essas pessoas que, por enquanto, precisam disso. Dessa concretude. E gosto de poder ser quem a gente precisa ser também. É uma liberdade que tem nos feito muito bem, enquanto pessoas e enquanto família. Sem uma ansiedade de ter que fazer de um jeito agora porque depois vai ser daquele outro. Aqui a gente vivendo conforme o que sentimos e o que podemos e o que recebemos da vida também. E tudo bem.

Daqui a pouco faremos dois anos. Que venha muita vida e muita estrada pra gente poder desbravar. Amém.

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o começo das frases

Esses dias a Agnes falou pra mim, à noite:
– mamãe, to sono.

Meu pai trouxe um vidro de mel pra ela, porque andou muito gripada. Toda vez que ela vê o potinho, diz:
– touxe méio vovô (o vovô trouxe mel).

Hoje ela queria entrar no banho com o pai, mas ele ia sair rápido para trabalhar e não deixou, falou pra ela ficar comigo. Ela veio até mim e disse:
– mamãe, chatiada papai.  – e ainda me abraçou.

Gente, posso com uma coisa dessas? Quase derreto de tanta fofura! Ainda ontem era um mini bebê que dormia em cima de mim, agora já está começando a estruturar frases.
Ela está aprendendo a identificar e verbalizar o que está sentindo. Tão lindo isso, tão importante!

A gente sempre tenta nomear as coisas que ela está vivendo. Frustração, medo, alegria, sono, fome. A gente vai conduzindo e falando o que está acontecendo, desde sempre. Muito legal acompanhar esse desenvolvimento, esse aprendizado. Ver que realmente ela entende o que dizemos e que está encontrando também os seus processos para reconhecer o que sente.

1 ano e quase 10 meses de aprendizados diários. Pra ela e pra mim.

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pequena matraca

Agnes está uma lindeza, minha gente! Eu sei que sou suspeita, que sou mãe coruja assumida, mas essa fase está muito legal. Sim, tem choro e ranger de dentes, de todas as partes envolvidas. Sim, tem gritos, testes de paciência (alguns concluídos com sucesso, outros tantos se autodestruindo no instante seguinte) e uma menininha com muitas vontades, sabendo muito bem o que quer e o que não quer – e pais descobrindo que isso pode ser tão lindo quanto desesperador. Tem tudo isso e muito mais. Prometo voltar para contar só sobre como anda a nossa vida real em outro momento. Por hoje, quero contar do que tem me encantado por demais nos últimos tempos: a aquisição da fala.

Ela simplesmente repete tudo que a gente diz. Ou quase tudo, vai. Mas tem desenvolvido a fala com uma velocidade doida. Algumas coisas fala certinho, como papai, mamãe, vovô, vovó, amanhã, descer, maçã, mamão (mamaum), pão (paum), neném, oi, tudo, moço, amor, entre outras. Mas para a maioria ainda é daquele jeitinho que eu acho muito fofo. Já fiz um dicionário Agnês, mas quis vir registrar mais para não esquecer.

Ela não diz o som o C, para algumas palavras ela exclui essa letra, simples assim, para outras ela substitui por t
Aba-a-te = abacate
ô-ô = cocô / e quando ela começa a falar “ô-ô ssissi, ô-ô ssissi num looping sem fim é porque a fralda está carregada;
topo = copo
to-uo = colo

maissi = mais

dato = gato
munhau = miau
au au= cachorro
pada = o panda de pelúcia
mumosa = mimosa, a girafa de pelúcia
to-u-ja = coruja
fante = elefante
pato

aoiz = arroz
suto = suco
bochacha = bolacha
putota = pipoca
epoio = repolho
buiaba = goiaba
manda = manga

Uua = lua (adora a lua!)
avaão = avião (é doida num avião também)

baiá = trabalhar
tóio = escritório (se referindo ao trabalho do papai)
dáia = sandália
entá = sentar (quando ela quer que eu sente pra brincar ou pra ela mamar)

bidada = obrigada
fu favô = por favor

fufa = chuva
fofá =sofá

abaço/abassar = abraço/abraçar

dodói
sauô = sarou (o dodói, no caso, hahah)

tau = tchau

e assim, praticamente tudo que a gente fala, ela tenta repetir. Tanto que esses dias minha mãe falou “chatice” perto dela e logo ela tava falando “tatice” por aí. Chegou a época do cuidado redobrado, hahah.

e conta! segue diálogo ilustrativo
Eu: Um!
Agnes: dôs
Eu: três (ela diz tês)
Agnes: cato
Eu: cinco
Agnes: ses
Eu: sete
Agnes: otcho
Eu: nove
Agnes: ez
Resumindo: até os 4 ela vai seguindo “certo” sempre falando os números pares, eu falo e ela completa; depois repete o que a gente fala. Não estou ensinando ela a contar ainda, calma, foi só uma brincadeira esses dias, e porque ela sempre gosta de ir vendo os números mudando no elevador.

Ai, é muita coisa. Cada hora tem uma palavra nova, um jeito novo de falar. Muito gostosa essa fase, minha gente!

comendo “buiaba”, uma das frutas preferidas ❤

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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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