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A timidez, a sapequice e a criança que eu fui

Depois do post das belezas e do encantamento pelos 2 anos e meio, vieram dias de alguns paradoxos pro aqui. Ah, maternidade. Nada é, tudo está.

A pequena anda tímida. Quer dizer, pensando bem, ela nunca foi a mais sociável dos bebês, de ir em colos alheios de cara, numa boa. Só mesmo com quem ela conhece bem. Mas agora, quando chegamos em ambientes com mais gente, quando as pessoas vem falar com ela, cumprimentar, brincar, ela abaixa a cabeça e põe a mão na boca. Fica um tempo assim, caladinha, por vezes se encolhendo um pouco. Pra se soltar, só depois de algum tempo, mais do que nunca.

É fase, será? É genético? É a personalidade dela? São os astros?

Eu fui uma criança bem tímida. Ainda hoje eu sou, apesar de já saber – e conseguir – domar e agir de outras formas. Mas a criança tímida que eu fui ainda existe aqui em algum lugar, sei que sim. E podem até dizer que isso nela é um reflexo meu. Sombras, ou algo assim. Em relação a isso, eu observo mais o meu sentimento quando a vejo assim. O que reverbera aqui dentro pode ser mais exagerado, o que nasce quando a vejo colocando as mãos na boca e enterrando o rosto no meu pescoço pode fazer reviver um monstrinho que vivia comigo lá atrás. É a minha história. E aí, pra não projetar os medos todos, ou seja, para não agir com ela baseada no que eu sentia há mil anos atrás, e não pelo presente, há que se ter muita análise e algum tempo mesmo. Fico repetindo isso pra mim, prestando atenção. Somos pessoas diferentes, com histórias diferentes, sentimentos diferentes. Mesmo que algumas reações sejam parecidas, não quer dizer que ela está sentindo a MESMA coisa que eu. Essas coisas básicas de uma pessoa que faz autoanálise a maior parte do tempo. Tô acostumada, rs. Acaba que pra mim é até melhor, me faz bem. Mas a verdade é que na maioria das vezes, quando acontece, não sei direito o que fazer. Não a forço falar com ninguém, mas não sei se tô acolhendo o tanto que “deveria”. Sinceramente, não sei.

E aí, quando chega em casa (e na casa dos avós, que é uma extensão da nossa, só que com mais “coisas permitidas”, se é que me entendem), a pessoinha pega fogo. Sobe, desce, pula, canta, conversa. Muito. Começou esses dias a ter mais enfrentamento dos limites. A gente fala não e ela fica parada, meio olhando de lado, calada, com aquela carinha de “estou te ouvindo, mas tô fingindo que não”, sabe assim? E continua fazendo. Ou então grita. Eu desligo a televisão pra refeição ou alguma outra coisa, ela vai e liga de novo, olhando pra mim. Olha, não é fácil. Essas coisas também fazem nascer sentimentos antigos, né. Dá vontade de dá uns gritos, de fazer a pessoinha entender que não é assim, que não dá pra ser tudo no seu tempo, que é preciso respeitar. Tanta coisa. Vários conceitos a gente quer que eles entendam num olhar – como muitas vezes foi com a gente. “Minha mãe olhava pra mim e eu já sabia que tinha ido longe demais”. Muitas vezes, é com a criança que um dia fomos que nos relacionamos, não com nossos filhos.

Tenho andando cansada esses dias. Emocionalmente cansada. E com uma intuição de que preciso alterar algumas coisinhas aqui na nossa rotina. Estar mais perto, brincar mais lá fora. Ficar mais tempo só nós duas.

Nada é, tudo está, repito de novo. Daqui a pouco os dias passam, as fases mudam e essa página já estará virada. Que eu saiba o que registrar nela, então. Pelo menos na maioria das linhas.

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Me deixa

É complicado ser um boa mãe quando estou cansada. Com sono. De tpm. Considerando que na tpm eu fico cansada e com sono durante todo o tempo, posso dizer que é muito mais difícil ser uma boa mãe nesse período.

Por boa mãe, estou considerando estar com a cabeça mais arejada, sorrir mais, sentar pra brincar no chão, ter disposição de ir lá fora sem antes achar que é muito longe percorrer os 5 metros que nos separam da área externa do prédio, propor novas atividades, não deixar a tevê ligada por horas seguidas, levantar da cama de manhã com energia…

Ok, quase nunca sou uma boa mãe, então, confesso.

É só que na tpm isso se intensifica um bocado. E soma-se a isso o fato de eu precisar ficar sozinha e com vontades baixíssimas de interagir e ser sociável. Ai, que preguiça.

Mas, como nem tudo é só ruim, essa também é uma boa oportunidade de exercitar os ensinamentos sobre limites. Não que seja didático ou ilustrado com canetinhas hidrocor. É só que em alguns momentos eu realmente tenho que priorizar o meu descanso, para o bem geral desta família – e da minha sanidade mental. E aí eu falo que olha, agora a mamãe precisa descansar, você pode brincar com aquela boneca ou com as pecinhas de montar. Ou que, não, agora o mamá está muito cansado e precisa ficar aqui quietinho, mas pode sentar aqui no meu colo, se quiser. Ou então só sair da sala e entrar pra tomar um banho, sem falar nada pra ninguém, e deixar que a vida se resolva sozinha nos 10 minutos que me permiti ficar ali trancada deixando a água cair na minha cabeça.

Nem sempre é fácil ou bem aceito assim, logo de cara. Mas fácil nunca foi mesmo, nem ninguém me disse que seria. Então, se for pra ser desafiador, me deixa pelo menos comer meu chocolate e ficar sozinha por alguns minutos de vez em quando. Juro que depois de um tempo a aceitação passa a vir mais rápido.

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Aos 2 anos e 3 meses

Aos 2 anos e 3 meses, a criança está em pleno processo de transformação e crescimento. A busca por autonomia e pelo próprio espaço é constante e ininterrupta. O que fica bonito escrito assim, mas na prática significa que:

ela chora muito;
quer comer sozinha;
quer escolher as roupas que vão ser usadas no dia – as dela e as suas também;
quer colocar a roupa sozinha – inclusive e principalmente aquelas que ela ainda não consegue;
colocar o tênis sozinha;
calçar a meia sozinha;
chorar porque não consegue calçar a meia;
deitar no chão porque está chorando;
mudar de assunto imediatamente depois que você tenta argumentar e oferecer ajuda.
ela imita tudo que você faz;
repete conversas que você achava que ela não tinha ouvido;
canta, dança e interpreta.
e chora.
não podemos esquecer do choro.
que pode começar por qualquer motivo que você possa imaginar – e seguir pelos que você jamais pensaria.

É meio enlouquecedor, sabe. Ao mesmo tempo que achamos lindo todo esse desenvolvimento, também acontece de rolar umas surtadas de vez em quando.
A gente vai a extremos de amor e de loucura. No mesmo dia.
Até poque ela também abraça quando percebe que estou triste ou nervosa;
dá um bom dia muito fofo e de bem com a vida;
diz que vai meditar;
se alonga junto quando me vê fazendo isso.

Além de várias outros momentos.Para ilustrar, uma cena de dias atrás:

No café da manhã:
-Mamãe, eu téo (quero) tomer (comer) manteiga. Pode?
-Não, filha. Só na bolacha ou no pão.
-Eu vou comer no tarto (quarto).

Isso porque dias atrás eu apenas ouvi a porta do quarto fechando e, quando fui ver, a senhorita (de quinze anos, aparentemente) estava com o pote de manteiga lá, comendo de boas (ainda bem que foi muito pouco).

E esse é o breve resumo da nossa atual fase.

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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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Da calma para as curvas inesperadas

Teve uns dias aí pra trás que a Agnes não queria comer fruta no café da manhã. Fazemos essa refeição juntos, nós três, e ela queria comer pão com manteiga ou requeijão, tal qual estávamos fazendo. Agora que ela não reage mais ao leite de vaca, tenho liberado algumas coisas, como um pouquinho de requeijão. Ela adora! Enfim. Ela queria isso e era isso que ela comia. Ignorava solenemente o mamão, a banana, a ameixa ou o que quer que estivesse na mesa, só tinha olhos pro pão com requeijão.

Nessas horas, meus pensamentos voam longe. “Lógico que ela não quer fruta, os pais dela não estão comendo fruta no café da manhã! Preciso mudar minha alimentação também. Céus, ela comia tão bem de manhã, nunca mais vai querer fruta, pão não é assim tão nutritivo, sou um péssimo exemplo…” e assim seguia por tempo indeterminado. Eu realmente acredito que a minha cabeça tem uma vida própria, à parte dos afazeres do dia, só assim pra explicar esses surtos de vozes sem fim, hahaha.

Não briguei com ela, nem disse nada sobre esse comportamento. Fiz o que costumamos fazer nessas horas, em relação à alimentação: deixei que ela seguisse tendo (alguma) autonomia, mas segui oferecendo frutas todos os dias no café da manhã. Mesmo já tendo certeza que ela iria querer o bendito pão todos os dias daqui até 98 anos de idade.

E então, uns dias depois, eu ainda estava colocando a mesa e perguntei a ela: Filha, o que você quer comer? Já esperando a tal resposta. E ela disse: Mamão. Eu téo (quero) mamão, mãe. Fui pra cozinha quase descrente, mas segui firme no pedido. Cortei o mamão, coloquei no pratinho e dei a ela. Ela sentou em sua cadeira e apenas comeu todos os pedacinhos, sem nem lembrar de pão (naquele dia, rs).

E aí eu penso. Por que a gente sofre tanto, né? Como se tudo fosse assim tão definitivo, tão certo. Por que não confiar e seguir vivendo um dia de cada vez? A gente acha que nunca mais vai dormir, que eles nunca vão comer, que vão comer tudo errado. É tanta coisa que a gente pensa e já vai tendo certeza, sem se dar conta de que eles, esses pequenos danadinhos, estão experimentando o mundo, não querem saber nada de futuro ou de certezas absolutas. Só querem experimentar e viver. É claro que precisamos seguir no caminho que escolhemos e que achamos melhor, mais saudável e possível para nós e nossa família, mas quando surgir uma curva inesperada, dias difíceis e fora do que consideramos ideal, não é preciso sair correndo desesperada em busca de solução. Não assim no primeiro segundo, pelo menos.

Tenho visto, na prática, que é muito mais proveitoso esperar um bocadinho, não sair falando aquelas “profecias auto-realizadoras” (meu filho não come! ela é terrível! fulana odeia dormir!) e apenas observar o que realmente nossos pequenos estão fazendo. Principalmente porque eles mudam muito, o tempo todo. Não dá mesmo pra ser muito definitivo nessa fase da vida. Além do mais, pode ser que sejam só uns dias fora da rotina. As vezes a gente precisa mesmo variar, não é?

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Seja você o limite do seu filho

Uma coisa que eu aprendi quando a Agnes tinha 1 ano, numa consulta de rotina com uma pediatra que, infelizmente, só vimos essa única vez, mas que me ajudou muito. Não sei se já falei disso aqui, mas acho que sempre vale o reforço, né.

Por volta de 1 ano começa aquela fase em que o bebê está mais do que disposto a explorar tudo, mexer em tudo, destruir tudo. Pode começar antes, verdade, desde que vão aprendendo a se locomver sozinhos, mas com 1 ano digamos que eles já ganharam um pouco mais confiança. E, quando a gente vê, está falando “não” o dia inteiro. Não pode mexer no lixo! Não pode ir pra escada! Não pode sentar na mesa! Não pode colocar o dedo na tomada! Não pode comer farelo do chão! Entre tantos outros exemplos inspirados em casos reais.

Se você é como eu, que lê muita coisa pela internet afora, certamente sabe que falar “não” o tempo todo não só não adianta como faz com que o feitiço se volte contra você num futuro breve, porque uma vez que eles aprendem a falar o não, tudo é negado nesta vida, até o que estão querendo, hahaha. Existem muitos textos que falam para não usarmos essa palavra, para usar outras que tem melhores efeitos e etc e tal. A bem da verdade, eu até concordo, mas não segui muito, quando via já estava soltando alguns nãos pelo caminho, simplesmente acontecia. Mesmo que eu tentasse usar outras formas de falar, não me sentia muito eficiente em passar a mensagem, digamos assim.

E então chegou a consulta de 1 ano e fomos lá conhecer essa pediatra bem legal. Em determinado momento, Agnes desce do meu colo e começa explorar o ambiente, que é o jeito bacana de dizer que ela começou a mexer nas coisas tudo. Inclusive abriu uma porta de armário que tinha vários frascos de remédio bem ali, a dois dedinhos de distância. Eu, mais do que depressa, falei que não podia mexer. Fiz o não com o dedo, ela repetiu o gesto, riu e continuou. Foi aí que a médica disse que, nesta idade, o cérebro da criança ainda não processa a palavra falada da mesma forma que a gente, que somos muito mais eficazes quando mostramos com o nosso corpo o que pode e o que não pode. Até 3 anos, mais ou menos, eles entendem pelos gestos, pelo contato. A pequena seguiu abrindo o armário e ela me mostrou um outro jeito de lidar com a situação:

Ela, que estava atrás da pequena, se inclinou na direção da Agnes, colocou o braço na frente do seu corpinho e impediu que ela prosseguisse com o que estava fazendo. Ela não disse nada, nem foi rude, nada. Ela apenas colocou o seu braço a frente do seu corpinho (de um jeito mais “vertical”, do ombrinho pra cintura, e não só pela barriga. Deu pra visualizar?). Ela disse que esses limites físicos são muito importantes para a formação deles como indivíduos, por dois motivos. Primeiro para ela entender que existe uma ordem a ser seguida no ambiente, que ela precisa respeitar aquele espaço. E segundo, se fosse uma coisa que ela quisesse muito fazer, ela poderia tentar mais, descobrir outros jeitos, o que incentiva a perseverança e também a ultrapassar esses limites, quando é possível (isso, do ponto de vista de tudo que ela ainda passará na vida, é um aprendizado e tanto, né).

Cara, isso foi um divisor de águas na minha vida.
Ela fez umas duas vezes pra me mostrar e aí a Agnes ficou brava com aquele impedimento, óbvio. Abaixou no chão, chorou, deu uns gritos. A médica disse que era isso mesmo que aconteceria. Que eu poderia então me abaixar e acolher o choro dela. E é o que eu tenho feito desde então. E vou falar uma coisa pra vocês: é muito eficiente esse método. Claro que eles seguem testando os limites e fazendo coisas que não podem, até porque são muito bebês ainda, né, é o esperado para a idade e para o desenvolvimento deles enquanto pessoas mesmo, mas as famigeradas birras diminuem exponencialmente quando a gente age assim.

Sem contar que assim a gente age com mais presença também, realmente entra em contato com eles, e não apenas solta umas ordens no meio da ação esperando que eles nos entendam e parem imediatamente o que estão fazendo. Somos nós que estamos auxiliando o crescimento deles, e não eles que têm que fazer o que queremos nesses momentos-chave. Gosto de pensar nisso quando a coisa aperta por aqui, rs.

Bom, acho que é isso. Me contem se testarem e gostarem.
E por aí, como foi esse momento?

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Sobre o que eu preciso falar

Hoje eu tirei o dia pra desabafar.

Quando eu comecei a escrever no blog, eu tinha o único intuito de ter um lugar para desaguar meus pensamentos sobre maternidade – um tema que eu já amava mesmo ainda nem sendo tentante. Eu queria poder escrever as coisas que eu acreditava, que eu queria, que eu ansiava. Enfim, é pra isso que as pessoas fazem blogs pessoais, não é?

E, bem, eu sou uma pessoa que acredita, sabe. De verdade, eu acredito. Eu acredito nas pessoas, eu acredito em Deus, eu acredito no amor. Eu acredito. Acredito, inclusive, que a gente pode ver a vida de um jeito mais suave, mesmo nas pancadas e nos terremotos. Na verdade, eu passei a acreditar nisso com mais verdade depois que perdi meu bebê, em 2013. Eu passei a escrever aqui no blog como uma espécie de tábua de salvação, desabafava todas as minhas dores e aprendizados. Era a minha tentativa de não me afundar naquela tempestade. E deu certo.

Depois disso veio a gravidez da Agnes e a vida aconteceu da maneira que tinha que ser. Tudo foi dando certo – a gravidez foi bem, pari, amamentei, me mudei. Também cresci. E no meio disso tudo, ainda lá na gestação, eu fui entrando em grupos, fui lendo muitos relatos, fui acompanhando militâncias absolutamente necessárias, mas que acabaram me podando um pouquinho. Pois é, esse é um assunto delicado. Eu, que gosto de ver um lado bom em tudo, que preciso disso inclusive para organizar meus pensamentos, pensei que talvez eu estivesse romantizando a parada toda, coisa que a gente bem sabe que não faz muito bem, nem enquanto pessoas, menos ainda enquanto coletivo. Será que eu estava fazendo isso, meu Deus? Será que estava contribuindo para a propagação de uma coisa que, ao mesmo tempo, eu não concordava? No meio disso, comecei a perceber que as vezes algumas pessoas esperavam que eu falasse das dificuldades, do peso, dos problemas, mas quando eu via, estava dizendo que ela até que dormia bem prum bebê de 3 meses, que estava tudo bem na amamentação e que o pai dela adorava dar os seus banhos. E por que e falava isso? Porque era assim que eu estava vendo. Eu li tanto que as noites iam ser em claro, que quando percebi que nos ajustamos num ritmo de sono que dava certo pra nós duas, achei que estava sendo um sucesso. Eu respondia que ela dormia bem porque pra mim era o que era. Só depois de muitos meses me dei conta de que, na verdade, ela ainda acordava 3 vezes em várias noites, mas pra mim ela dormia bem. Mas o que as pessoas ouviam era: ela dorme a noite inteira, descanso 8 horas seguidas, sou foda, minha filha é um prodígio. Por que eu podia falar do que aprendi de bom com uma perda gestacional, mas não era entendida quando falava do que estava dando certo na maternidade real (real no sentido de que estava acontecendo mesmo, comigo, agora)?

Era como se eu não pudesse falar das belezas enquanto tinha tanta gente no meio da lama, sabe como? Eu comecei a me calar, porque não queria que me entendessem mal, porque queria também ouvir, porque não queria tirar o lugar de fala de quem está em outra vibe. Tentei, inclusive, me “adequar” e falar mais do que geralmente é escondido, mas me sentia mal. E olha, do alo dos meus 27 anos, vou falar uma das poucas certezas que eu tenho na vida: todas as vezes em que tentei me adequar, me ferrei totalmente. Na verdade, quanto mais eu falava do meu cansaço, mais cansada eu ficava, literalmente. Cheguei a conversar com o Cleber sobre isso. Amor, qual é o limite entre o desabafo e uma reclamação sem fim? Pensei muito sobre isso, depois volto pra falar desse assunto. E aí eu me calei. Nem sabia mais qual era a minha voz, ou o meu lugar, ou a minha turma. Puerpério é fogo, eu já disse. E pra mim também pegou nesse sentido.

Demorou pra eu perceber que, muitas vezes, a reação de quem está fora não tem a ver comigo, mas com a própria pessoa. Que a gente é espelho. Se você vê, está em você, é o que dizem. E isso também serve pra mim, para o que eu via. Mas este também é assunto pra outra hora. Demorou pra eu perceber que a minha forma de falar não estava anulando as outras, era só mais um jeito, que mesmo que eu concordasse com elas, não saberia falar da mesma forma, apenas porque não é a minha voz, não porque acho errado. E que tem lugar pra todo mundo nesse mundão.

Hoje eu acho que já me desvencilhei um pouco dessas amarras todas. Acho que tem lugar pra todo mundo e que cada um tem que fazer o que se sente bem. Essa sou eu, afinal. Estou tentando recuperar o meu ritmo de escrita e a forma como compartilho o que sinto. E queria muito falar disso aqui, porque a escrita tem poderes curativos em mim, então, é isso. Só queria mesmo dizer, pra mim mesma, que eu estou voltando pra mim, tentando achar o meu lugar aqui de novo. E que, dessa vez, é pra ficar.

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Ainda sobre medo

Esses dias eu falei que a pequena está numa fase de sentir medo. Hoje eu voltei pra falar sobre este tema, mas dessa vez focado em nós, as mães.

Como mãe, qual é o seu maior medo?

Confesso que pensei um pouco quando dei de cara com esse tema, não é um assunto que eu pense muito, na verdade. Conheço pessoas que usam muito essa expressão, dita pra criança, no caso: “não faz isso que eu tenho medo”. Não sei se vocês já ouviram, mas pra mim não faz muito sentido. Não deixar a pessoa viver determinada experiência por um medo que não pertence a ela. Eu sei que o nosso instinto é o de proteger, e se sentimos medo é claro que queremos evitar – inclusive queremos que todas as pessoas evitem, de preferência, que dirá nossos filhos. Mas ainda assim não é uma abordagem que eu uso, não gosto, não concordo.

Mas voltando ao assunto.

Para começar com o mais “clichê”, eu tenho medo da minha filha ficar doente. Ou de eu ficar doente e não poder ficar perto dela. Céus, isso realmente me dá calafrios!

Estava aqui pensando que, muito provavelmente, os maiores medos a gente sente quando não é mãe. Medo do que a gente ainda não sabe, não faz ideia do que vai ser. Medo de não ter bebê na barriga antes do primeiro ultrassom. Medo de perder. Medo de alguma intercorrência. Medo do parto. Medo de não dar conta. Não que toda mulher sinta todos esses medos, mas sei que são frequentes nas rodas maternas.

Pra mim, no comecinho, assim que tive a Agnes, havia o medo de ficar sem ela. Eu deixava as pessoas segurarem ela no colo, mas eu mesma não descansava, estava sempre ali do lado, pronta para intervir ao menor sinal de incômodo dela (puerpério, amigas, ele não brinca em serviço!).

Mas acho que uma das coisas que mais me traz esse sentimento é o de eu fazer alguma coisa com ela que a machuque. No sentido psicológico, emocional mesmo, porque fisicamente é claro que eu jamais faria nada assim. Tenho medo que a nossa relação se perca em algum lugar do caminho, que não nos entendamos. Veja bem, não é medo dela ir pra longe, sabem? Eu sei que ela vai crescer, vai sair, vai dormir fora, vai viajar, morar sozinha, etc etc etc. O medo é de que a gente não se entenda. Pausa para respirar. Realmente parei aqui escrevendo, porque me dei conta que mesmo que eu não saiba como será o futuro, o agora tem sido muito generoso. Nós nos entendemos muito bem, na minha opinião. Talvez o meu medo fosse do desconhecido, mas agora que estou aqui vivendo e sendo a mãe dela todos os dias, percebo que as coisas não são tão dramáticas assim. Que bom, né.

Acho que o medo tem muito disso, do não saber. As coisas tendem a ser mais assustadoras quando são hipotéticas. Os medos referentes a gestação, parto e amamentação, por exemplo, eu mandei embora lindamente com informação, livros, blogs, grupos e tudo mais. Não sei se funcionou porque eu esclareci tudo que me incomodava, ou se não tive mais tempo de pensar em nada, de tanto que pesquisei, haha. O fato é que o melhor caminho para enfrentar medos que ainda estão no campo da teoria é ler, conversar com pessoas, se inteirar do assunto. Na vida real, o negócio é mesmo ir um dia de cada vez, porque nada é garantido. Ir lidando com o que for à medida que as coisas forem acontecendo, porque já acontece tanta coisa todo dia mesmo, né, sofrer por antecipação não é uma boa ideia para adicionar à lista de pendências. Respira, inspira e, se pirar, a gente vê como resolve a bagunça depois.

Aliás, é focando nesse pensamento e aura zen que eu estou tentando me apegar quando penso na possibilidade de ter outro bebê. Como darei conta? Como dar atenção pra Agnes? Quando dormir? O que é dormir? São muitas questões. Um dia de cada vez, eu sei. Ouvi dizer que tudo vai se resolvendo quando tiver de ser. Oremos.

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“Medo do medo que dá”

Agnes está na fase do medo.

Não sei se todos os bebês passam por isso, se é uma regra com poucas exceções, ou se depende mesmo de cada pessoinha.  O fato é que ela está passando por isso.

O maior medo dela, eu acho, é de barulhos estranhos. E a gente mora num prédio barulhento, sempre tem uma reforma rolando em algum lugar.  Ela nunca ligou muito pra isso, ou só prestava atenção quando surgia um som diferente, mas depois começou a ficar meio paralisada, pedir colo, chorar. As vezes agarra na gente e não larga enquanto a gente não acolhe e explica o que é. Agora ela já fala “tô com medo, mamãe”, com aqueles olhinhos meio arregalados. E todo barulho que começa, furadeira, martelada, máquina de lavar do vizinho, gente conversando no hall, qualquer coisa, ela quer saber o que é (mesmo já sabendo, mesmo que eu tenha acabado de dizer). Acho que tem a ver com o que ela não está vendo, porque os barulhos aqui de casa (máquina, liquidificador, panela de pressão, etc) não causam o mesmo impacto.

O que a gente tem feito é conversar, dar colo. Não tem como ser muito diferente, né. Falamos o que é o som do barulho, que é em outra casa, que nós estamos com ela e tudo mais. Geralmente ela repete o que dizemos e se acalma.

Não sei muito bem porque acontece isso. Não do ponto de vista psicológico, quero dizer. O que é que está rolando na cabecinha dela. Não passamos por nenhum acontecimento diferente envolvendo barulhos. Estamos no mesmo condomínio (por enquanto). Enfim, tudo normal, só que nem tanto. Vou dar uma pesquisada para ver se descubro.

Mais algum bebê também teve essa fase do medo? Me contem como foi.
E vamos torcer para que passe logo.

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