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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Sobre o que eu preciso falar

Hoje eu tirei o dia pra desabafar.

Quando eu comecei a escrever no blog, eu tinha o único intuito de ter um lugar para desaguar meus pensamentos sobre maternidade – um tema que eu já amava mesmo ainda nem sendo tentante. Eu queria poder escrever as coisas que eu acreditava, que eu queria, que eu ansiava. Enfim, é pra isso que as pessoas fazem blogs pessoais, não é?

E, bem, eu sou uma pessoa que acredita, sabe. De verdade, eu acredito. Eu acredito nas pessoas, eu acredito em Deus, eu acredito no amor. Eu acredito. Acredito, inclusive, que a gente pode ver a vida de um jeito mais suave, mesmo nas pancadas e nos terremotos. Na verdade, eu passei a acreditar nisso com mais verdade depois que perdi meu bebê, em 2013. Eu passei a escrever aqui no blog como uma espécie de tábua de salvação, desabafava todas as minhas dores e aprendizados. Era a minha tentativa de não me afundar naquela tempestade. E deu certo.

Depois disso veio a gravidez da Agnes e a vida aconteceu da maneira que tinha que ser. Tudo foi dando certo – a gravidez foi bem, pari, amamentei, me mudei. Também cresci. E no meio disso tudo, ainda lá na gestação, eu fui entrando em grupos, fui lendo muitos relatos, fui acompanhando militâncias absolutamente necessárias, mas que acabaram me podando um pouquinho. Pois é, esse é um assunto delicado. Eu, que gosto de ver um lado bom em tudo, que preciso disso inclusive para organizar meus pensamentos, pensei que talvez eu estivesse romantizando a parada toda, coisa que a gente bem sabe que não faz muito bem, nem enquanto pessoas, menos ainda enquanto coletivo. Será que eu estava fazendo isso, meu Deus? Será que estava contribuindo para a propagação de uma coisa que, ao mesmo tempo, eu não concordava? No meio disso, comecei a perceber que as vezes algumas pessoas esperavam que eu falasse das dificuldades, do peso, dos problemas, mas quando eu via, estava dizendo que ela até que dormia bem prum bebê de 3 meses, que estava tudo bem na amamentação e que o pai dela adorava dar os seus banhos. E por que e falava isso? Porque era assim que eu estava vendo. Eu li tanto que as noites iam ser em claro, que quando percebi que nos ajustamos num ritmo de sono que dava certo pra nós duas, achei que estava sendo um sucesso. Eu respondia que ela dormia bem porque pra mim era o que era. Só depois de muitos meses me dei conta de que, na verdade, ela ainda acordava 3 vezes em várias noites, mas pra mim ela dormia bem. Mas o que as pessoas ouviam era: ela dorme a noite inteira, descanso 8 horas seguidas, sou foda, minha filha é um prodígio. Por que eu podia falar do que aprendi de bom com uma perda gestacional, mas não era entendida quando falava do que estava dando certo na maternidade real (real no sentido de que estava acontecendo mesmo, comigo, agora)?

Era como se eu não pudesse falar das belezas enquanto tinha tanta gente no meio da lama, sabe como? Eu comecei a me calar, porque não queria que me entendessem mal, porque queria também ouvir, porque não queria tirar o lugar de fala de quem está em outra vibe. Tentei, inclusive, me “adequar” e falar mais do que geralmente é escondido, mas me sentia mal. E olha, do alo dos meus 27 anos, vou falar uma das poucas certezas que eu tenho na vida: todas as vezes em que tentei me adequar, me ferrei totalmente. Na verdade, quanto mais eu falava do meu cansaço, mais cansada eu ficava, literalmente. Cheguei a conversar com o Cleber sobre isso. Amor, qual é o limite entre o desabafo e uma reclamação sem fim? Pensei muito sobre isso, depois volto pra falar desse assunto. E aí eu me calei. Nem sabia mais qual era a minha voz, ou o meu lugar, ou a minha turma. Puerpério é fogo, eu já disse. E pra mim também pegou nesse sentido.

Demorou pra eu perceber que, muitas vezes, a reação de quem está fora não tem a ver comigo, mas com a própria pessoa. Que a gente é espelho. Se você vê, está em você, é o que dizem. E isso também serve pra mim, para o que eu via. Mas este também é assunto pra outra hora. Demorou pra eu perceber que a minha forma de falar não estava anulando as outras, era só mais um jeito, que mesmo que eu concordasse com elas, não saberia falar da mesma forma, apenas porque não é a minha voz, não porque acho errado. E que tem lugar pra todo mundo nesse mundão.

Hoje eu acho que já me desvencilhei um pouco dessas amarras todas. Acho que tem lugar pra todo mundo e que cada um tem que fazer o que se sente bem. Essa sou eu, afinal. Estou tentando recuperar o meu ritmo de escrita e a forma como compartilho o que sinto. E queria muito falar disso aqui, porque a escrita tem poderes curativos em mim, então, é isso. Só queria mesmo dizer, pra mim mesma, que eu estou voltando pra mim, tentando achar o meu lugar aqui de novo. E que, dessa vez, é pra ficar.

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Gestação: caminho para dentro

Que eu sou uma pessoa intensa, que gosta de remexer no que está sentindo, buscar novas visões e entender bem o que se passa aqui dentro não é nenhuma novidade pra quem me conhece ou me lê. Isso acontece por uma série de motivos que, se eu fosse explicar direitinho, daria um (ok, mais de um) texto a parte. O fato é que eu sou mesmo assim e tudo bem, gosto disso. Só não sabia que isso mudaria um pouco quando eu engravidasse.

Na verdade, é meio complicado tentar explicar, porque como ainda estou no meio do processo, não sei em que pé estamos ou o que aprenderei com tudo isso. A sensação que eu tenho é que passou um vendaval surpresa por essas bandas e que ainda estou perdida. Percebo que há muita coisa para ser arrumada, limpa e organizada, mas é difícil saber por onde começar, tamanha bagunça do local. Aliás, isso aqui faz parte do começo da organização. Escrever, pra mim, é arrumar a casa, colocar cada coisa em seu lugar.
E não que seja uma coisa muito grave ou um problema enorme. Mas viver o novo, mesmo que seja cotidiano, faz a visão ficar mais apurada mesmo, não tem jeito. A prática é bem diferente da teoria, isso eu constato todo dia. E sim, isso mexe com o que a gente já sabe sobre nós mesmos. Ou melhor, com o que achamos que sabemos. Estar grávida é exatamente esse bagunçar de certezas. Ou é a maternidade, no geral, que é? Também não sei se isso acontece com todas as mulheres e só algumas é que decidem dar ouvidos a esse barulhinho de inquietação e ir investigar, ou se tem mulher que é mesmo super prática e bem resolvida. Fato é que eu tentei ignorar e colocar outras coisas em cima, mas não deu.

Lá atrás, quando comecei a estudar sobre gestação, parto e nascimento, fui criando uma espécie de base, que foi crescendo e se transformando claramente no que eu queria e desejava. Que demais!, eu pensava. Pude decidir isso assim tão cedo, imagina só, tem gente que só se dá conta do que realmente quer com 30 semanas pra lá, que bom que vou ter mais tempo pra me organizar.
ha-ha-ha.
Que tolinha que eu fui, achando que já estava assim tudo pronto, que a vida organiza a estrada dessa forma tão certinha pra gente só chegar e passar. Claro, por eu já ter muita informação e realmente já saber o que queria, muita coisa ficou mais fácil, sim. Já sabia desde o começo o que priorizar, aonde ir, com quem falar, quanto ter. Ter tudo encaminhado foi mesmo uma mão na roda, não posso reclamar. Mas eis que eu engravido e descubro, no meio do processo, que existem outras questões a serem abordadas. Questões que eu não encontrei em nenhum blog ou livro, pelo simples fato de serem só minhas. E que essas questões poderiam interferir, mesmo que indiretamente a princípio, nas decisões anteriores. E que só quem pode escolher alguma coisa sou eu, porque né?! empoderamento tem dessas coisas – e que ótimo que tem! Só que nem sempre é fácil escolher, esse é o ponto. Nem sempre é possível mudar uma rota assim, quando já se está pra lá do meio da linha de partida (e de chegada também). Nem sempre é fácil quando existe um prazo. E aqui está a minha principal questão: nem sempre é fácil quando existem outras pessoas envolvidas. Não só você. Não só você, seu bebê na barriga e seu marido. Outras pessoas. Ao mesmo tempo em que eu tenho plena consciência de que toda essa escolha está numa esfera muito pessoal e que não posso deixar de fazer, o que quer que seja, por causa da opinião de terceiros, também sei que bater de frente com o que se apresenta como obstáculo nem sempre é a melhor solução. É preciso saber dosar as coisas, e é nisso que consiste a bagunça que tenho que arrumar.

Na realidade, tudo isso tem muito mais a ver com assuntos pessoais e bem menos com o parto em si, ou com a gestação toda. Nem só de processos fisiológicos, nutrientes e semanas se faz um bebê. Ou melhor, nem só de processos fisiológicos, nutrientes e bebê se faz uma mãe. Ou melhor, nem só de processos fisiológicos, bebê e maternidade se faz uma nova mulher. Ah, acho que deu pra entender. Existem outras coisas. Existe aquilo que você acha que já está super bem resolvido, mas que é só numa situação dessas – com muito hormônio e alguma reflexão envolvidos – é que realmente vêm à tona e você percebe que não, não está super bem resolvido coisa nenhuma. No máximo estava pré-resolvido, com alguma decoração em volta, disfarçando e fazendo as vezes solução. Só aí você se dá conta da poeira que mora debaixo do tapete e o tamanho da faxina que terá que fazer, se quiser realmente viver num lugar limpo e parar de ter problemas respiratórios de uma vez por todas.

Quando você tem aquele click e de repente sabe de onde vem aquele tal barulhinho que não te deixava em paz, quando os acontecimentos são nomeados, eles passam a realmente existir, não é mais uma sensação ou uma ideia da sua cabeça. Você sabe pro que está olhando. E sabe, pelo menos a princípio, o que deve ser feito. E aí você chega em outro abismo: o saber o que fazer e a ação propriamente dita. Não sei se conseguirei construir essa ponte a tempo, porque realmente existem fatores externos que não sou eu quem comando. Isso me dá um certo desconforto, mas é preciso começar.
Posso deixar pra amanhã, pra depois que o bebê nascer? Claro que posso, a decisão é mesmo só minha. E poderia até ser mais fácil desse jeito. Mas quero ver é juntar fácil e maternidade na mesma frase – é quase um erro de concordância. Quero ver é dormir tranquila numa bagunça dessa.
Não faço ideia do que vai acontecer logo ali adiante. Mas pra saber só mesmo indo, não é? Então eu vou.

                                    
O caminho das pedras vai dar no mar.
Né?

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12 semanas e o encontro com a própria sombra

Ei, gente linda! Demorei, mas voltei o//
E aí, como vocês estão? As festas foram boas? Tudo certinho?
A minha viagem foi ótima, descansei um monte, super necessário. Foi bem legal a distribuição daquele mundo de presentes, e os das crianças lá da roça, muita emoção: elas amaram! E as meninas nem queriam abrir o pacote, achando lindo o embrulho. Valeu a pena meus dias dedicados a isso 🙂
Daí que marido e eu íamos voltar de Minas mesmo, mas num dia acordei e cismei que queria ir pra Aracaju também, ver meu irmão e tal. Entrei na internet e adivinhem? Achamos uma passagem que não valia um rim, iupii!! Isso mais as milhas do meu lindo pai, possibilitaram que subíssemos com eles de carro até Sergipe. Ficamos 3 dias lá. No dia 01, 01:30 da manhã (sim, logo depois da virada!! rs) voamos de volta pra casa.
Meus pais chegaram ontem (05/01) e minha afilhada linda veio junto, vai passar uns dias aqui com a gente.

Nosso paraíso familiar – e esse céu lidimais das Minas Gerais.

Mas agora vamos falar da gestação \o/
Pelo primeiro ultrassom que fiz (com 5 semanas e 5 dias), sexta-feira entramos na 12º semana! Uau, até que passou rápido, né?!
Os sintomas deram uma boa acentuada. Quer dizer, durante a viagem (a ida mesmo, de carro), não foi fácil comer em qualquer ponto de parada. Ainda bem que compramos bastante coisa pra ir comendo no caminho, foi o que me salvou.
E nessa semana até consegui passar o café, um verdadeiro milagre, visto que antes eu não podia nem sentir o cheiro de longe. Mas ainda não estou podendo pensar muito em sorvete da kibon (não falem o nome tablito, ainda mais o de massa – sim, é o meu preferido – porque meu estômago revira na hora. Não tá fácil ser eu, haha). Ainda é difícil comer carne todos os dias (a não ser peixe). No mais tá tudo bem.

Vacilei e não deixei marcado ainda em dezembro o ultrassom morfológico do 1º tri. Pense numa dificuldade pra encontrar vaga e/ou um lugar que não me arranque os olhos da cara? Meu convênio ainda não cobre o morfológico, só acaba a carência em fevereiro, e nos lugares que liguei perguntando custava uns 600,00! Eu não sei vocês, mas eu não pago 600,00 num exame nem aqui nem na China! Ou então, quando achava um que eu pudesse pagar, não tinham vagas para as datas que eu podia. Consegui, depois de muita labuta, uma vaguinha semana que vem, dia 14, já nas vésperas de fazer 14 semanas (ou seja, a data limite!).

Nesse primeiro trimestre, me senti um recém-nascido, completamente. Muitas sensações, o tempo todo. Muita incapacidade de transmitir ao mundo o tanto que se passa aqui dentro. Muito choro quando a coisa aperta e quando a coisa afrouxa também. Um pouco de dificuldade de lidar com a comida – e às vezes, sentir fome sem conseguir comer (e daí, então, fazer a única coisa que resta: chorar!). Ou seja, se é assim pra nós, adultas, imaginem pros bichinhos que acabaram de chegar nesse mundão? Tenhamos paciência com nossos recém-nascidos. Eles só precisam de amor e muita paciência – experiência própria!

E aí, quando a gente acha que está tudo bem, que está ficando tudo mais brando, já imaginando as alegrias do segundo trimestre, ela aparece pra me assombrar. Ela, a temida, a horrorosa, a coisa-ruim… a sombra! A nossa própria sombra. Aquela, que todas temos, e que só se revela quando estamos sensíveis e desprevenidas.
De vez em quando aquele medinho básico de passar pela mesma coisa duas vezes bate aqui na porta, mas eu vejo logo de quem se trata e ignoro; normal, fazia parte do script. Eu estava bem, levando numa boa essa gestação.
Mas nesses últimos dias a coisa pegou. Acho que ela entrou pela janela, enquanto eu dormia, só pode ter sido isso. Durante uns dois dias (sexta e sábado, eu acho), mais ou menos pela hora do almoço, a coisa começou a pegar e eu ficava com medo. Ontem não sei o que aconteceu, só sei que acordei com uma dor no corpo horrorosa, coisa péssima mesmo, do nada. E com a cabeça pesada. Achei que ia gripar, ou coisa parecida. Quando almocei, botei tudo pra fora imediatamente. Vomitei um monte e, estranhamente, me senti um pouco melhor, menos pesada. Mas o corpo doeu o dia todo, sem trégua. Consegui comer pouquíssimo. E junto com tudo isso o medão bateu. “E se tiver acontecendo alguma coisa errada?”, “e se já tiver acontecido?”, “não quero saber o que está acontecendo porque minha médica tá viajando e quero o apoio dela pra qualquer coisa”, “quero fazer um ultrassom imediatamente!”. Um inferno, minhas amigas! Não sei como marido me aguentou. Mas assim, não dura o tempo todo-todo minuto. É um intensivão e depois passa. E depois volta. E depois passa.

Conversando com marido, percebi que esse medo sempre vem na mesma hora. Adivinhem qual? A hora em que eu soube, pelo ultra, que bolota já tinha ido embora. Sombra, minhas caras, sombra. E também sei que tá chegando a “data-limite” que se instaurou na minha cabeça: 14 semanas (e não sei quantos dias). Porque foi quando as coisas começaram a parar de evoluir da outra vez.
Vejam bem, eu não acho que um raio caia duas vezes de maneira tão igual no mesmo lugar. Se fosse pra acontecer algo ruim (todas bate na madeira 50 vezes) teria que ser diferente, não é? Estou me agarrando nisso. Mas a minha insegurança se reside no fato de que, da outra vez, mesmo estando tão ligada na gravidez e me sentindo conectada com bolota, tudo aconteceu lentamente aqui dentro e eu não me dei conta. Não me culpo por isso, era pra acontecer, eu sabendo ou não. Mas e o medo de não sentir nada de novo? Entendem qual é exatamente o meu medo? Claro que, depois de passado o fato, eu puxei pela memória e percebi umas coisas que saíram dos trilhos, disfarçadamente, naqueles dias prévios. Mas assim, não foi nada que me fizesse ficar com a pulga atrás da orelha, eu estava toda zen naquela época, rs. Então, quando percebo, já estou procurando qualquer sinal de sintoma de que algo não vai bem. Durante a viagem, lá em Aracaju, senti umas dores de cabeça (que pode ter sido por fome alimentação fora de hora, ou sono, ou a falta do meu óculos de leitura que não uso há tempos, porque quebrou), mas já senti um frio na barriga. Hoje eu acordei achando que meus peitos diminuíram, que minha barriga tá pequena, que um monte de coisas (aqueles sintomas de ontem sumiram em algum estágio do meu sono, acordei bem!). Até chorei. Minha mãe achou que eu tinha que ir no médico, contar dessa angústia, mas médico de plantão em ps eu prefiro não arriscar. Nessas horas eu sinto falta da Casa Angela, que era um lugar que eu poderia correr nesses momentos (eu estava deixando pra ir lá, ou decidir se iria, mais pra frente). E assim, até tem aquela clínica que eu faço ultra sem precisar agendar, mas queria um lugar melhor, com uma imagem mais bacana, sabem? Por isso não fui lá fazer o morfológico. E não quero correr pra lá a cada medinho que eu venha a sentir, pra verificar se tá tudo certo. Não vou usar isso de muleta, não faz bem nem pra mim e muito menos pro baby. Estou ocupando minha mente, tomando meu homeopático para acalmar o coração (tinha deixado de lado nessas férias) e seguindo em frente. Agora à tarde já estou bem melhor, posso até dizer que já sem o mesmo medo de cedo. Vou tentar levar assim até terça que vem e caso a coisa aperte demais, eu vejo o que faço. Mas já entendi duas coisas: a primeira é que todos os sentimentos passam, sendo bons ou não. A segunda: medo não salva ninguém. Independente do que eu faça, o que tiver que acontecer, vai acontecer. Porque isso não está nas minhas mãos. E de alguma forma, isso me deixa mais calma.

“minha primeira vez na praia”

“mamãe colocou a mão na minha frente, mas estou ali ó, estão vendo?”

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Pra gente se desprender

Eu preciso escrever um post sobre o livro O Poder do Discurso Materno, da Laura Gutman, me lembrem. Mas antes vou falar de outra coisa. Que é pra deixar registrado e seguir adiante, do jeito que tem que ser.

Logo que eu me descobri grávida, senti muita vontade de não contar pra ninguém, como disse aqui. Não era exatamente um casulo, vontade de ficar isolada. Só de me manter em silêncio sobre isso, guardar esse segredo pra mim. Como se eu sentisse que o bebê precisasse desse tempo sem muitas energias voltadas pra ele. Mas, aos poucos, comecei a perceber que eu também estava com medo (o que não anula o outro sentimento que acabei de comentar, eles coexistiam, apenas). Medo de dar errado. Medo de me jogar e quebrar a cabeça no asfalto. Medo de me entregar. Eu estava curtindo os sintomas e as mudanças todas, mas ainda não era uma coisa total, confesso. Os enjoos iam se intensificando – porque sim, muitas vezes o enjoo tem fundo emocional. Foi o jeito do meu corpo me dizer que estava sendo diferente dessa vez (pelo menos agora no começo, eu ainda não ouso dizer que vai ser tudo lindo), que estava tudo bem lá dentro. Coincidentemente, depois da minha consulta com a Cátia, os enjoos diminuíram 90%, acho que agora é só sintoma normal mesmo, rs.

Mas enfim. Como comentei no post sobre as primeiras semanas, estava meio chorona. Daí comecei a achar que tanto choro só podia ser por isso também, mais uma face do medo. Nem era tanto, eu realmente estou mais sensível, mas normal, eu choro fácil mesmo. Mas enfim, coloquei na cabeça que estava demais, me incomodei. Como eu sempre disse: não queria transferir para esta gestação os receios da outra.

Certo dia, no banho, minha ficha caiu. Eu ainda pensava constantemente na bolota. (Aliás, lembram desse post? Eu já sabia que estava grávida nesse dia). Eu ainda me prendia a ela. E sabe o que eu fiz? Comecei a conversar com ela (acho que nunca contei aqui com todas as letras, mas apesar de não termos ficado sabendo o sexo do bebê, tínhamos uma clara sensação de ser uma menina). Falei que a amo muito, e sempre vai ser assim. Que o lugar que ela ocupa em mim, aqui dentro do peito, não vai ser de mais ninguém, é um quarto na casa só dela. Que eu estava com um pouquinho de medo, mas que eu precisava me libertar para viver essa nova etapa da minha vida – e ela a dela, seja lá onde estiver. Que ela podia ir, porque eu também estava indo. Era a hora. E que não ficasse com medo também, pois daria tudo certo. Seremos sempre uma da outra, mas agora de uma forma diferente, como diz a música num outro nível de vínculo. E tudo bem ser diferente. Que tinha uma outra vida dentro de mim, e que eu amo as duas, mas que eu precisava me dedicar um pouquinho à essa, agora. Essa vida que está crescendo aqui, irmx dela, precisa do meu amor tanto quanto ela precisou, até falei que não precisava de ciúmes, rs – e é bem estranho, mas eu sinto que são pessoas completamente diferentes, ou seja, são amores diferentes, exclusivos.
Conversei, expliquei, chorei. E aos poucos foi mesmo passando. Como se eu tivesse nos libertado do que quer que estivesse nos prendendo uma à outra. Ficou o amor, mas se foi uma espécie de peso que ainda existia.

E aí segui em frente. Acho que já faz uns 15 ou 20 dias, mais ou menos.
Ainda um dia de cada vez, mas realmente o que eu sentia antes, no comecinho, não sinto mais.

E ontem, escutando o novo disco do Jeneci, prestei atenção na letra de uma música. Eu estava pensando em outra coisa, então a princípio nem me liguei com nada. Mas a música me pegou, a melodia é divina. Ouvi de novo. E comecei a chorar. É muito o que aconteceu e que eu acabei de contar aqui. Então resolvi escrever esse post, pra registrar tudo, deixar a letra e a música pra vocês também e dizer, de novo, que a gente se desprendeu (Pra gente se desprender, é o nome da música). Acho que foi quando eu percebi que realmente tinha acontecido. Já ouvi a música de novo, mas não me fez mal, foi só um insight daquele momento. Quem tiver um tempinho, ouça a linda voz da Laura Lavieri cantando, faz diferença. Mas vou deixar a letra também.

Eu sinto o tempo pairando em outro tempo
Correndo bem lento nas asas de um beija-flor
Que espera a flor acordar enquanto o dia não vem
Geleiras vão desabar mudando a cor do mar
Imenso que leva abraços e esperas
Minutos são eras a cada passo pro fim
Se o universo girar pra gente se desprender
Te encontro em outro lugar em paz
Ou não ou nunca mais

Agora é hora da gente se esquecer
Que o tempo e o vento não vão parar de bater
E a cada ponto final a história vai repetir
A gente é mais que um plural e a vida é muito mais
Que a gente espera temendo a toda queda
Deixa a geleira cair e o beija-flor descansar
Um novo agora virá
Escute o som do mar

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O não saber

Eu queria descobrir a próxima gestação só com umas 20 semanas. Não que se tiver de acontecer alguma coisa ruim (bate na madeira 50 vezes) será antes disso, mas perece que a marca das 17 semanas não me larga, por mais que eu procure não pensar nisso, por mais que eu nem tenha um positivo em mãos ainda.
Eu queria que alguém me garantisse que daria tudo certo da próxima vez.

Em contrapartida, eu gosto do não saber. Pois é só dessa forma que posso me entregar. É chato saber exatamente o que, quando, como e porquê as coisas acontecem, pelo menos eu acho. O não saber permite que eu me conecte mais comigo mesma (ou tente, pelo menos), que eu tente entender de onde vem esse tanto de vozes, quais estão vindo do instinto, do coração, e quais aparecem para me confundir, ou, mais provavelmente, autoenganar por medo do sofrimento.

Seria bom ter pelo menos uma garantia, por menor que fosse? Seria lindo, seria demais, seria tudo! Mas não tenho. Não existe garantia. Tudo pode acontecer, o tempo todo, com todo mundo. Não que estejamos todos condenados. Mas também não estamos imunes.

Penso que tudo isso pode ser só o prenúncio do que é a vida com filhos. Não estou falando de fatalidades aqui, não sou tão pessimista, muito pelo contrário, vivo vendo o lado bom das coisas. Mas também não dá pra pensar que só dentro da barriga coisas ruins acontecem (que é o meu atual medo). Não é o lugar mais seguro? Quando querem proteger do mundo, algumas mães dizem que queriam que os filhos voltassem pra barriga. Então também não posso pensar: nasceu, cabô. Não dá pra pensar que aqui fora as coisas serão tão diferentes assim. Acho que o medo não vai nos abandonar. O medo da febre, o medo da convulsão, o medo da gripe virar outra coisa mais séria. O medo de não comer e ficar doente. O medo de comer demais e ficar doente. O medo de machucar. O medo de não saber entender o choro. O medo de deixar cair. O medo de fazer mal mesmo tendo certeza que está fazendo o bem. Medo do desconhecido.

A questão, penso, não é a garantia ou não, o medo grande ou não. A questão é seguir em frente dando o nosso melhor. Sempre. A minha vontade de ter um filho é infinitamente maior do que o medo que sinto, não tem nem medida de comparação. Hoje eu sinto medo, claro, porque passei por um baque grande, porque “eu nunca pensei que uma coisa dessa fosse acontecer comigo”, e aconteceu, porque temo que aconteça novamente. Mas não dá pra parar a vida. Não dá pra deixar que isso me conduza. Assim como não dá pra evitar que o bebê chore, só pelo receio de não saber interpretar, ou que ele tenha qualquer outra experiência, só por um sentimento que nos paralisa. É simplesmente incoerente e sem nenhum sentido. Simplesmente não dá. Os dias continuam a passar, coisas continuam a acontecer. Não é o meu medo que protegerá a minha gestação e, depois, a integridade física e psicológica do meu filho. Eu não acredito nisso. Haverá cuidados, haverá amor, haverá afeto. Todo do mundo que eu puder dar.

Eu amei a bolota desde sempre, me conectei com ela de uma forma ímpar, e isso não impediu que ela se fosse. E eu não me arrependo de ter me entregado daquela maneira. Sei que é meio pesado afirmar isso, mas estou escrevendo pra mim mesma, para que eu enxergue esse fato e acalme meu coração. Sessão de autoanálise aberta, é isso que esse texto é pra mim. Prosseguindo. Eu não me arrependo e não vou fazer diferente da próxima vez. Eu acredito no amor, acredito na conexão, acredito nos instintos e no que sinto. Nos últimos dias, confesso, tentei fugir disso. Tentei não me conectar, tentei não ouvir, não falar e muito menos ver. Por medo de quebrar a cara de novo. Mas me diz, e se eu quebrar? Vai valer alguma coisa ter demandado tanta energia para tentar ser o que não sou? Não. Também tive medo de estar errada quanto ao que eu senti esses dias (porque foi assim: quanto mais tentei me fazer de desentendida, mais escancarado ficava). Mas eu preciso entender que eu não estava errada da outra vez. Ela existiu de verdade e todo amor que dedicamos à ela foi real e também necessário. O amor, a entrega, a conexão saudáveis e naturais nunca serão ruins ou prejudiciais. O medo, sim. Sei que o medo também é instinto de sobrevivência, mas nesse meu caso, não. Me escondi atrás dele, o usei como escudo. Mas foi só pra ver que não funciona pra mim. Eu preciso me entregar. Para tudo que está por vir, para a vida que, sinto, vai chegar, na hora que tiver que chegar. Acho que a palavra do momento é: confiar. Confiar que meu instinto está funcionando direitinho. Que se ele falhar haverá tempo para buscar outras alternativas. Que estou minimamente preparada (nunca estamos completamente, nem quero estar, porque é na caminhada que as coisas acontecem, e não antes de começar) para o que tiver de ser.

Preciso confiar que vou conseguir e continuar andando ao lado do não saber. Ele me acompanhará por longos anos, precisamos saber respeitar um ao outro; parada é que não dá pra ficar. Mesmo porque o estar parado é uma ilusão. Ou a gente vai pelas próprias pernas, ou somos levados pela correnteza. Eu prefiro ir, detesto receber ordens. Não há garantias. Há vida. Há mais.

foto totalmente desconfigurada, (pelo Blogger, porque no meu computador tá normal), na verdade a cor dela é diferente e está parecendo estragada, desculpem por isso. Mas é ela que eu quero aqui, pra me lembrar de fechar os olhos, respirar, e ir. 

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Talvez, talvez…

Atenção: post altamente abstrato. Estou tentando organizar as ideias e acho que não tem coisa com coisa, mas tô postando assim mesmo, rs. Agradeço a compreensão de todxs. 

Eu acho que sempre fui uma pessoa que confia. Confio nas pessoas, confio em Deus, confio em mim. Quer dizer, essa confiança toda foi e está sendo construída ao longo dessa minha estrada, mas de uma forma geral podemos dizer que sou confiante.

História para ilustrar: 
Em 2010, fomos todos (família unida, lembram? rs) ao shopping e meu pai aproveitou para comprar umas roupas, pois estava precisando. Ele é a pessoa que mais economiza, sempre quer tudo o mais barato possível. Nesse dia, ele se permitiu entrar numa loja em que nunca tinha comprado nada e gastar umas centenas de dinheiros. Estava clima pré-copa do mundo e o shopping, juntamente com o cartão Visa (isso não é um publipost, hahaha), fizeram uma promoção: a cada tantos reais em compras, você ganhava um cupom para concorrer a uma viagem à África do Sul para assistir um jogo do Brasil, com acompanhante. Meu pai, que adora um sorteio, foi lá e depositou seus cupons, olhou pra minha mãe e falou “nós vamos pra África!”; rimos todos daquela remota e longínqua possibilidade e a vida seguiu. Uns dias depois (não me lembro se uma semana ou duas) meu pai foi viajar, lá pra nossa roça, em Minas, onde mal tem sinal de televisão, quanto mais de celular, e deixou seu aparelho em casa. Uma tarde qualquer, eu estava aqui em casa, bem gripada, meio zonza até, o celular dele toca. Atendi. A moça do outro lado da linha diz: “(…) é sobre o sorteio da viagem, do shopping Eldorado, ele ganhou!!! (…)”. Gente, vocês não têm ideia. Eu pulava na sala, toda feliz, toda serelepe. Disse que ele estava viajando e ela pediu pra ele voltar logo, pois tinham que acertar tudo. Liguei pra minha mãe, que estava trabalhando, dei a notícia, ao que ela solta “mas será que é verdade? Será que não é golpe?”. Várias pessoas pensaram isso. Me senti meio ingênua, mas tinha certeza que era verdade. Esperei uns minutos, entrei no site do shopping e lá estava: o nome completo do meu pai como ganhador. Ele realmente voltou mais cedo para acertar tudo (nem passaporte eles tinham ainda) e quando ele foi assinar os papeis na administração do shopping, a mulher (a mesma que ligou) falou que eu fui a única pessoa que acreditou de primeira e comemorou, todas as outras acharam que era trote ou pegadinha. Resumindo: meus pais foram pra África do Sul, ficaram uma semana por lá. Assistiram ao jogo do Brasil (o último que ganhamos, ainda bem, rs), visitaram vinícolas, o Cabo da Boa Esperança, vários passeios, jantares, hotel legal, com absolutamente tudo pago. 
E algumas pessoas se espantam mais com o fato de eu ter acreditado de primeira do que na viagem que eles fizeram, hahaha
Enfim. Tudo isso pra falar que estou insegura comigo mesma.
pausa pra vocês rirem da minha cara, por ter enrolado tanto para dizer isso, super me sentindo demais pelos meus dotes confiancísticos e depois falar isso assim na cara dura.
despausa. 
prosseguimos. 
Talvez aquela crise que eu disse uns posts atrás não tenha ido embora totalmente. Talvez tenha ido embora a parte profissional e no lugar esteja a parte gestacional. Talvez eu seja a própria crise em carne e osso e ela nunca me abandonará #dramamodeon
Esse ciclo está sendo diferente. Eu disse que não queria voltar a tentar (nem evitar), porque foi isso que senti que deveria fazer naquele momento, a vontade realmente estava gritando aqui dentro, mas pode ser que isso mude daqui um ou dois ciclos e tudo bem, nada é muito definitivo na (minha) vida. 
Tá, mas não é sobre isso também que eu quero falar agora. Sinceramente, já faz uns três dias que estou diante da tela em branco esperando um melhor jeito de elaborar, e nada.
Tive várias sensações (referentes a um futura gestação, no caso) desde o início do ciclo. Várias. Fortes, fracas, felizes, de medo. Anotei quase todas para não esquecer e fazer um “estudo detalhado” depois. Tem sido um processo bem solitário, na verdade, ninguém sabe disso. Geralmente o Cleber sabe essas coisas, mas não contei dessa vez (o que não significa que ele não possa ter reparado em algo). Sei lá, é uma coisa minha, não quero muita interferência de fora agora.
Mas agora nesse final tá meio puxado. 
Talvez eu não tenha cumprido ao pé da letra a parte do “sem interferências de fora” e li mais do que deveria (o que não significa que informação me atrapalha, tenho aprendido realmente muuita coisa ótima e válida, que vale post depois; estou falando da minha autoconfiança mesmo). 
O fato é que comecei a “duvidar” das coisas todas que senti, é isso. Pode ser que eu esteja precipitada e tenha entendido tudo errado. Pode ser que seja tudo coisa da minha cabeça. Pode ser que eu seja mesmo muito ingênua e acredite até em Papai Noel. E sim, duvidar do que eu sinto, pra mim, é uma coisa grave.
Na verdade, o fato de ter perdido um bebê me deixou com o pé atrás nesse lance de gestação. 
(É isso! Insights assim só me chegam quando estou escrevendo. Enfim.)
Fico pensando como vai ser na próxima vez. Quero tanto um filho, que acho que nem consigo mensurar direito. Em contrapartida, acredito que tudo tem a hora certa para acontecer, mas que temos que fazer nossa parte, porque né?! nada cai do céu. 
Tenho medo de ter outra perda? Sim, um baita medo. 
Só que maior do que esse é o medo de não entender mais o que eu sinto. Medo de me iludir. 
Na verdade, eu não contei pra ninguém tudo que vem acontecendo também para evitar que me mandem relaxar e pra eu parar de ser ansiosa. Sabe, o que eu sinto agora pode até ser uma certa ansiedade, mas não é essa minha questão. Ansiosa eu sempre fui, só que hoje a uso mais a meu favor, não deixo que ela se transforme num stress (pelo menos tento). E, independente do que aconteça, maternidade sempre estará no meu topo de interesses.
Meus pensamentos estão bagunçados. Talvez ainda demore muito pro meu bebê chegar. Talvez eu me sinta culpada por não estar exatamente aonde eu achei que deveria estar (seja lá o que isso signifique). Talvez eu ainda tenha que aprender muita coisa, comer muito arroz com feijão para que as coisas aconteçam. Talvez eu deva fazer mais. Pensar menos. E veja bem, isso pode até não ser de todo ruim, e não deve ser mesmo. Só que eu ainda estou muito perto pra saber. Talvez daqui um tempo eu veja isso como só uma fase da espera pela espera. 
Só sei que agora, neste instante, tudo que eu queria era ter um pouco mais tranquilidade de novo. E encontrar algum sentido nessa minha bagunça.
Até lá, só me resta ir – quem sabe eu não (re)encontre a minha confiança pelo caminho e a pegue de volta pra mim?

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“Mas posso ter ainda algum motivo para querer cair no vendaval

Eu sou assim, assim, assim

Você assim, assim… assim”

Eu sou toda ao contrário.
Sempre assumi esse meu lado e aprendi a lidar com com ele desde muito cedo. E é assim por um único e simples motivo: não consigo ser de outra forma. Parece discurso pronto, eu sei, mas aqui no meu caso é literal. Me sinto desconfortável, como se estivesse dentro de uma armadura que não me cabe (por ser grande ou pequena demais) e indo contra algum grande princípio interno misterioso.
Não, as coisas não são sempre do meu jeito, eu vivo em sociedade e não numa utopia infinita, sei que a banda não toca exatamente assim. Já tentei várias coisas, de vários jeitos, e justamente por já ter tentado sei que não são a minha praia. Aí eu tinha sempre duas opções: ou seguia em frente sofrendo e, algumas vezes, tendo uns sintomas psicossomáticos que me deixavam de cama (nos casos mais extremos), ou mandava tudo às favas e partia pra outra.
Ok, vamos à prática: na verdade sempre foram dos dois jeitos: a insistência no que não me cabia -> o sofrimento -> mandar às favas e partir pra próxima. A próxima era sempre algo que não me cabia, de novo, mas eu insistia que tinha que caber. O ciclo se repetia incansavelmente, parece que eu não aprendia. Era como se só fosse possível viver daquele jeito, eu que era a errada, a torta, não era possível que eu não conseguia seguir uma porradumaregra; daí tentava me enquadrar e me estrepava. Mas nunca obtinha um sucesso nisso. Nunca obtinha sucesso porque eu não conseguia achar um mínimo de felicidade ou satisfação no que eu fazia. E, pra mim, isso é essencial.
Chegou uma hora que eu cansei. Mandei às favas (com o empurrão inicial necessário dado pelo meu marido lindo e tão doido quanto eu) várias coisas de uma vez e decidi que me dedicaria ao que realmente me fizesse bem e fim de papo. Eu ainda ia ter que descobrir o que seria essa coisa, mas e daí, né?! Só detalhes, rs.
Tranquei duas faculdades, pedi demissão, voltei pra casa dos meus pais – não necessariamente nesta ordem e ao mesmo tempo.
Ia continuar pobre, sem residência própria, vivendo com menos, tendo que lidar com gente que não entendeu minha escolha e aprendendo diariamente (no estilo um dia de cada vez) a não me importar muito com isso.

Esse último aprendizado está em processo. E, algumas vezes, minha cabeça entra no modo antigo e tenho umas crises. Se querem saber a real, estou saindo de uma exatamente agora. Um coisa foi puxando outra e quando vi já estava bem enrolada e não conseguia sair. Foram dias bem difíceis. Entrei numa espécie de crise de identidade, pensando que as minhas escolhas estavam equivocadas, que sou toda errada, que não levo jeito é pra coisa nenhuma e que o melhor seria se eu não saísse nunca mais de casa. Ou do meu quarto. Ou da minha cama. Não conseguia pensar em uma mísera coisa pra fazer e, se possível, transformar em trabalho, tudo estava fora de foco; nem escrever estava dando certo – o que é sinal vermelho mesmo, porque escrever é a única coisa que eu sei fazer.

Mas voltando um pouquinho ali em cima, onde eu disse que ainda teria que descobrir algo para me dedicar.
Quando eu chutei o balde, lá no ano passado (depois de trancar a segunda facul, mais precisamente), eu disse pra mim mesma que ia me descobrir. Sem um projeto específico ou um plano traçado. Seria uma coisa minha, no meu tempo. Aí aconteceu uma coisa: eu mergulhei de vez no mundo da maternagem. Mas pra mim era como se fosse um hobby. Paralelo a isso eu fazia várias outras coisas: ia ao cinema sozinha, lia trocentos livros, saía com o marido, ia a shows com amigos, fazia novos amigos, escrevia aos montes, tentava fotografar (ou ser fotografada), fazia umas loucuras, tinha umas crises com o meu passado, tentava elaborar tudo, chorava, ria, dançava, fazia autoanálise. Resumindo, eu vivi o que achava que realmente me cabia. No final do ano ainda trabalhei. Mas sempre, inevitavelmente, eu estava lendo e pesquisando assuntos relacionados a parto, empoderamento, criação com apego, disciplina positiva, etc etc etc. Aliás, foi lendo um monte dessas coisas que me resolvi com coisas minhas que ainda estavam em aberto. Não tinha como negar que isso me fazia muito bem, eu realmente adoro esse mundo e tinha sido uma delícia me encontrar ali.

E aqui cabe dizer: eu sempre quis ser mãe. Sempre. Desde muito pequena. Brinquei de boneca até uns 11 anos, eu acho. Sempre, sempre, sempre me vi gestando, amamentando, cuidando, educando, e por aí vai. É um desejo muito forte. Na mesma moeda, temos o seguinte fato: eu nunca liguei pra carreira profissional. Isso eu descobri na prática, depois de todas as topadas que levei (e que citei lá no começo). Não me importo com status, com salário x no fim do mês, com planos e metas para subir de cargo, com ficar rica, nem ficar o dia inteiro no mesmo lugar, presa, sem poder sair. Porque pra mim pesava mais a “prisão” do que o dinheiro que entrava na minha conta (essa é uma discussão bem complexa, vou me limitar a isso, por enquanto; lembrando que não estou julgando ninguém, nem dizendo que dá pra pagar as contas com sonhos, mas realmente não vou entrar nisso agora).

Sem que eu me desse conta, fui me dedicando cada vez mais a aprender sobre tudo que eu ainda não sabia, sobre o que eu sentia e achava ser errado, descobrindo que errado mesmo é ir contra a nossa própria natureza. Tudo isso com leituras no mundo materno. Ser mãe era (é) o meu grande projeto e eu estava empenhada. Porque é assim, né?! Quando a gente gosta de verdade rola to-du-ma dedicação e uma alegria (e algum cansaço, é verdade – mas até isso muda de lugar na lista de prioridade quando a coisa em questão nos faz bem), mas a gente sempre quer mais. Aí eu engravidei e achei que finalmente poderia passar para a próxima fase: a prática. Tivemos que dar um pause nesta parte, porque né?!, vocês sabem… a experiência que eu ganhei primeiro foi outra, que eu nem queria, mas que talvez precisasse. E depois do luto, e depois de elaborar, e depois de voltar a ficar contente de novo… a crise chegou!

Comecei a pensar que eu deveria ter alguma ocupação fixa que não tivesse nada a ver com maternidade, que perdi tempo, que passei toda minha vida fazendo absolutamente nada, que tava dando tudo errado nessa joça de plano de viver do meu jeito… Tá, vou parar por aqui. Eu disse que foram dias difíceis. Não chegou a ser uma depressão, nem ficava chorando pelos cantos, mas essas ideias me acompanhavam em todo lugar e eu não conseguia me livrar delas (e quase larguei mão da maternidade agora pra tentar outras doideiras). Ainda não sei como consegui, na verdade. Acho que foi passando aos poucos – e também recobrei a sanidade depois de uma conversa noturna com marido.
O fato é que eu comecei a olhar pra fora e me culpar por não ter a grama tão verde quanto a do vizinho. Comecei a ouvir “conselho” de quem mal sabe da minha história. Quanto mais eu olhava, mais eu tentava achar uma solução baseada no que eu via, no que seria supostamente ideal, e menos eu olhava para o que realmente estava me afligindo e para as minhas particularidades. E então, depois que percebi a enrascada em que havia me metido, pude concluir, agora com mais essa experiência como exemplo: não dá para buscar lá fora as respostas que a gente só encontra dentro.

Eu sou muitas dentro do mesmo corpo. A maternidade é o meu maior projeto, mas não é o único. Quero ser mãe em tempo integral, mas não pra sempre. Ainda cabe fotografia, ainda cabe literatura, ainda cabe escrita, ainda cabe dança, ainda cabe viagem, ainda cabe arte, ainda cabe uma vida mais saudável e mais sustentável. Entre tantas outras coisas que compõem a minha vida e que ainda vão chegar e eu ainda nem sei. Eu escolhi me dedicar a maternidade (começando pela teoria) primeiro. Aprendo milhares de coisas que me agregam muito, diariamente, e vou seguir assim, ganhando meu tempo com isso. Consigo conciliar outras coisas? Sim, elas existem, mas são consequência e continuarão a ser até que eu decida mudar as coisas de lugar. Não perdi tempo me dedicando ao que me coloca em movimento. Inclusive, por estar muito bem resolvida neste meu lado tão importante, agora estou agregando outras marcas ao meu caminho, aos poucos, enquanto aquela tal de parte prática não chega. Só sei que continuarei as fazendo dançar juntas, ora mais uma, ora mais outra, talvez chegue o tempo em que seja todas juntas, mas cada uma com seu papel.

Tomei as rédeas da minha vida de volta pra mim. Para ser ao contrário, para ser torta e para ser feliz. Eu sou assim. Mesmo que não faça nenhum sentido, não tem problema. Eu quero é sentir.

Foto repetida. Arquivo pessoal.

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Dia estranho, mente inquieta…

Essa semana estou me sentindo bem melhor do que na semana passada, fisicamente falando.
Quer dizer, emocionalmente também, porque até consegui escrever um texto, e depois outro logo em sequência – a coisa está andando, mesmo devagar, mas está. O plano era ter vindo postar ontem a continuação dos aprendizados, porque são coisas que eu realmente não quero deixar passar em branco, mas os planos sempre mudam e acabei não vindo.

E hoje o dia foi particularmente estranho.
Sinto uma saudade absurda do meu bebê, da minha barriga, da gestação. Procuro, com todas as forças, não pensar em que semana eu estaria agora, ou qualquer coisa assim, mas é claro que não dá sempre certo e eu penso um pouquinho, sim. Não me martirizando ou lamentando eternamente, é mais uma… saudade mesmo, entendem? Não tem outra palavra que se enquadre melhor aqui. Antes de engravidar, eu sempre dizia que sentia saudade do que ainda não tinha chegado. Agora, então, é uma saudade real. Doi muito.
E muitas vezes é inevitável pensar, porque tinham coisas que já eram muito automáticas, já faziam parte do meu dia-a-dia: na hora de comer (eu sempre dizia “estamos com fome!!”), na hora do banho, em cada coisinha eu incluía o baby também, era sempre “nós” – e, da noite pro dia, ter que medir as palavras não é fácil. O Cleber também sente falta, ele sempre passava a mão na minha barriga quando estávamos deitados, conversava, dava “tchau” e – a parte que sinto uma baita falta – sempre dizia: “Amo vocês!”. Agora, todo dia quando ele diz que me ama, antes de ir trabalhar, eu fico esperando o plural, e ele nunca chega (porque claro que ele se controla, para não me deixar triste). São dessas pequenas coisas que sinto falta. O cotidiano, o que já me era natural.

Apesar de, neste momento, estar numa vibe mais pra baixo, me mantive bem durante boa parte da semana. Mas confesso que muitas vezes eu sinto um vazio, um “e agora?”, quando penso nos próximos dias e meses. Porque não é simplesmente “ah, tenta de novo”. E o que eu vou fazer até lá? Essa semana ocupei bastante a minha mente, pensei até em retomar umas ideias doidas antigas, quem sabe um projeto novo, não sei. Tenho pensado muito em trabalhar ou fazer um curso, pelo menos temporariamente. Porque com a mente ocupada eu não dou margem à tristeza excessiva e aí faz de conta que o tempo tá passando mais rápido, né? Mas hoje quebrei a cabeça por horas e horas e não soube o que fazer, o que decidir, me senti péssima… (até que, agora há pouco, conversei com a Nana linda e surgiu umas ideias, né querida? Obrigado, de verdade!). Não sei ainda o que vai rolar ao certo, mas sei que vai ter que rolar!

Minha mente está inquieta, meu coração aos “trancos e barrancos” (como diria meu pessoal lá de Minas), e estamos todos – eu, minha mente, meu coração – tentando achar uma solução que agrade todos e que seja para breve.

Espero que o Sr. Tempo colabore.
Prometo vir contar quando descobrir alguma coisa.

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A semana mais difícil (parte I)

Hoje é sábado, faz um dia cinza em São Paulo, e até um friozinho também.
Mas é um dia lindo, maravilhoso, tudo de bom. Não vou me esquecer dele tão cedo.

Corta!!
Vamos começar do começo.

Parte I – a montanha russa de sensações

Oficialmente, essa deve ter sido – se não a mais – uma das semanas mais estressantes da minha vida inteira. Não foi fácil, não foi divertido, não foi legal.
Porque não basta ser uma pessoa intensa, é preciso que essa intensidade seja possuída pelo ritmo ragatanga agora que estou em estado interessante e enlouqueça de vez. Meus hormônios decidiram, assim numa reunião de última hora e sem aviso prévio, que essa seria a semana ideal para surtar a mamãe aqui. Eles montaram uma montanha russa de responsa em algum lugar entre a minha cabeça e meus pés, e começaram a diversão (eu já contei que tenho medo e pavor de altura?)
E como eu disse no post de segunda, já estava pensando em muitas coisas novas, que ainda precisavam ser um pouquinho mais sentidas. E tudo indica, percebi, que as sombras (aquelas da Gutman) chegam antes do bebê nascer. Como um baby blues adiantado. E sabe do que mais? Até pensei que podia ser uma boa, porque melhor tomar consciência e elaborar tudo agora e deixar só um restinho, ou nada, para janeiro, do que ter que dividir tempo entre minha Bolota e a bendita sombra. Encarei como exercício de autoconhecimento mesmo – e estou em processo de reflexão e elaboração.
Pois bem. Somado a isso, temos problemas de cunho mais sociais, digamos. Estatuto do Nasciturno. Manifestações tomando proporções estratosféricas em São Paulo, e a polícia tendo lapsos de memória (oi, ironia) e tendo certeza absolta que voltamos uns anos no calendário e caímos direto na Ditadura Militar. Vocês não tem ideia do que sucedeu-se em mim: me tornei uma rede de eletricidade. Era muita energia. E muita raiva. E muita raiva. Não tava dando pra conversar muito tempo sobre esses assuntos sem que eu não me estressasse. E para não entrar em contato com nada disso? Só se eu fosse pra Marte. Mas se eu fosse, minhas sombras iam junto, gente linda. Não tinha pra onde correr, não.

E o que o ser gravídico faz quando muita coisa acontece, dentro e fora dela? Chora, minhas amigas.
Chora porque sentimentos antigos voltam à tona. Chora porque tem uns problemas acontecendo, com você, e só de pensar na pessoa você já tem vontade de chorar. Chora porque esse mundo tá todo errado e você está fabricando uma nova pessoa nesse exato instante, e tem medo do que pode acontecer. Porque quando você vira fábrica de pessoas, os problemas do mundo tendem a ganhar uma nova ótica, e você só se dá conta disso quando já está chorando pela coisa. E chora.
A Luíza, mãe da Bebê da Cabeça Quadrada e do Menino que não Sabia Chorar, escreveu lindamente aqui sobre isso.
(ok, essa é a parte que eu paro de falar porque já chorei, apesar de achar que faltaram algumas coisas, senão o post fica só sobre isso – e corre o risco d’eu chorar de novo. Sigamos)

Então. Quinta-feira, 13 de junho. Acordei não muito bem. E as horas foram passando e a minha animação acabando. Eu ainda não posso falar claramente aqui o porquê, desculpem, mas eu chorei. Sozinha em casa, sem ninguém pra ver, eu chorei muito. Sentia um peso no peito. Não tinha muito o que fazer. Foi o dia mais difícil de todos. Coincidentemente, ou não, foi o dia que o bicho pegou pra valer aqui em Sampa. Quer dizer, ainda ia pegar. Do-la-do de onde o Cleber trabalha. Ele trabalha na República, muito pertinho mesmo de onde o pessoal começou a se reunir. Graças a Deus eles foram liberados mais cedo, mas fiquei um pouco tensa mesmo assim. Aliás, na hora em que ele saiu do trabalho eu já estava mais calma, não estava mais chorando. Porque resolvi tomar um banho, para acalmar. Passar um óleo com calma, lavar os cabelos.
Não foi na quinta, foi na terça, mas cabe aqui então vou contar: tive uma conversa muito linda com a Bolota. Disse pra ela desculpar mamãe, que nada do que eu estava sentindo era sua culpa; expliquei o que era, contei mais umas coisas legais. Tudo fazendo massagem na barriga, no banho. Foi lindo e forte.
Na quinta eu rezei. Pedi à Deus e ao meu anjo da guarda que me acalmassem, porque podia fazer mal pro bebê. Pedi ajuda. Com muita fé e muita vontade. E quando o banho acabou, tudo tinha passado como num passe de mágica. A água levou embora as minhas dores.

Por volta das 16 e pouco, fui ao banheiro e vi que havia ali, no papel que tinha acabado de usar, um leve sangramento. O tempo deve ter parado, ou foi meu coração, não sei. Só sei que me assustei. Não era muito. Na verdade, era bem pouco, e eu não tinha dor alguma, então raciocinei que não devia ser algo de gravidade extrema. Fiquei esperando pra ver, sentadinha, descansando. No fim do dia não tinha mais nada, por isso decidi que não iria ao hospital, mesmo porque já era noite (e a coisa tava feia na cidade).


(continua…)

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