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Me deixa

É complicado ser um boa mãe quando estou cansada. Com sono. De tpm. Considerando que na tpm eu fico cansada e com sono durante todo o tempo, posso dizer que é muito mais difícil ser uma boa mãe nesse período.

Por boa mãe, estou considerando estar com a cabeça mais arejada, sorrir mais, sentar pra brincar no chão, ter disposição de ir lá fora sem antes achar que é muito longe percorrer os 5 metros que nos separam da área externa do prédio, propor novas atividades, não deixar a tevê ligada por horas seguidas, levantar da cama de manhã com energia…

Ok, quase nunca sou uma boa mãe, então, confesso.

É só que na tpm isso se intensifica um bocado. E soma-se a isso o fato de eu precisar ficar sozinha e com vontades baixíssimas de interagir e ser sociável. Ai, que preguiça.

Mas, como nem tudo é só ruim, essa também é uma boa oportunidade de exercitar os ensinamentos sobre limites. Não que seja didático ou ilustrado com canetinhas hidrocor. É só que em alguns momentos eu realmente tenho que priorizar o meu descanso, para o bem geral desta família – e da minha sanidade mental. E aí eu falo que olha, agora a mamãe precisa descansar, você pode brincar com aquela boneca ou com as pecinhas de montar. Ou que, não, agora o mamá está muito cansado e precisa ficar aqui quietinho, mas pode sentar aqui no meu colo, se quiser. Ou então só sair da sala e entrar pra tomar um banho, sem falar nada pra ninguém, e deixar que a vida se resolva sozinha nos 10 minutos que me permiti ficar ali trancada deixando a água cair na minha cabeça.

Nem sempre é fácil ou bem aceito assim, logo de cara. Mas fácil nunca foi mesmo, nem ninguém me disse que seria. Então, se for pra ser desafiador, me deixa pelo menos comer meu chocolate e ficar sozinha por alguns minutos de vez em quando. Juro que depois de um tempo a aceitação passa a vir mais rápido.

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O meu tipo de mãe

Esses dias vi algumas queridas escrevendo sobre o “tipo” de mães que elas eram e achei bem legal. Porque, né, é sempre bom recordar que não existe modelo perfeito, o ideal morre pra nascer a realidade e nem sempre a realidade é o que ouvimos ou vemos ou acreditamos ser até o dia que chega a nossa vez. Então, para me lembrar disso e incrementar essa corrente divertida, também vou brincar, vamos lá.

Eu sou a mãe que não tem rotina definida com a filha.
Que liberou a tevê sem culpa depois dos dois anos (porque antes era com um pouquinho de culpa, na verdade, rs), mas alguns desenhos seguem sem o conhecimento da pequena. Que assiste série com o marido enquanto ela brinca pela sala.
Eu sou a mãe que quer um quintal e mora num apartamento de 35 m². Que tem que sair pra respirar, porque ficar o dia inteiro aqui dentro enlouquece.
Eu sou a mãe que ainda não colocou a filha na escola, mas que também não faz mil e uma atividades lúdico-pedagógicas-sustentáveis. E tampouco sigo disponível para brincadeiras o dia inteiro, porque de vez em quando a prioridade sou eu. E que bom que existem os avós pra dividir a atenção e salvar o fim do dia.
Eu sou a mãe que leva a pequena pra brincar lá fora num pedacinho de grama e terra e aproveita pra ficar descalça também, porque é o jeito que eu me sinto bem e mais presente. Que deixa a filha pintar com guache no corpo (seu e dela), que larga tudo pra dar colo quando a coisa aperta e que tenta se lembrar de respirar fundo pra não gritar. Mas que já gritou também.
Eu sou a mãe que levou a filha de 2 anos numa pré-estreia de cinema, numa sessão que começava meia noite, porque sabia que seria melhor ficarmos juntos (pai, mãe e bebê). E foi incrível porque ela correu todo o tempo em que estávamos lá fora e dormiu assim que o filme começou. Porque eu sou a mãe que tenta conciliar as demandas da pequena com as próprias vontades. Tem sido assim e a gente até que tem encontrado algum equilíbrio e leveza pelo caminho.
Eu sou a mãe que de vez em quando cisma que tá fazendo tudo errado e tem vontade de mudar de casa, de cidade, de estado. Que chora quando ela dorme pensando que podia ter sido melhor. E que no dia seguinte se entrega um pouquinho mais, e assim descobre que a balança é muito difícil de se manter equilibrada, puta merda.
Eu sou a mãe que leu todas as teorias antes de engravidar e que guardou a maioria delas na gaveta depois que pariu, porque foi percebendo que a coisa mais eficaz é investir na relação, e isso a gente faz no cotidiano e os livros não dão conta da complexidade e imensidão que é uma vida com uma pessoinha ao lado. (e quem disse isso é a mãe que está se descobrindo escritora e tá aqui praticamente falando mal dos livros, vão vendo a loucura dessa mãe).

E tanto mais. Céus. Eu sou a mãe que descobriu que tem muitos interesses e paixões, para além do mundo infantil, que sempre fez (e faz) tanto sentido pra mim. E que ainda não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, como encaixar tudo dentro de uma mesma vida. Mas que segue tentando. Ressignificando. Cuidando de quem é. Porque é disso que a travessia é feita. Pelo menos é o que ela acha.

E você, como se vê na maternidade?

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Sobre o que eu preciso falar

Hoje eu tirei o dia pra desabafar.

Quando eu comecei a escrever no blog, eu tinha o único intuito de ter um lugar para desaguar meus pensamentos sobre maternidade – um tema que eu já amava mesmo ainda nem sendo tentante. Eu queria poder escrever as coisas que eu acreditava, que eu queria, que eu ansiava. Enfim, é pra isso que as pessoas fazem blogs pessoais, não é?

E, bem, eu sou uma pessoa que acredita, sabe. De verdade, eu acredito. Eu acredito nas pessoas, eu acredito em Deus, eu acredito no amor. Eu acredito. Acredito, inclusive, que a gente pode ver a vida de um jeito mais suave, mesmo nas pancadas e nos terremotos. Na verdade, eu passei a acreditar nisso com mais verdade depois que perdi meu bebê, em 2013. Eu passei a escrever aqui no blog como uma espécie de tábua de salvação, desabafava todas as minhas dores e aprendizados. Era a minha tentativa de não me afundar naquela tempestade. E deu certo.

Depois disso veio a gravidez da Agnes e a vida aconteceu da maneira que tinha que ser. Tudo foi dando certo – a gravidez foi bem, pari, amamentei, me mudei. Também cresci. E no meio disso tudo, ainda lá na gestação, eu fui entrando em grupos, fui lendo muitos relatos, fui acompanhando militâncias absolutamente necessárias, mas que acabaram me podando um pouquinho. Pois é, esse é um assunto delicado. Eu, que gosto de ver um lado bom em tudo, que preciso disso inclusive para organizar meus pensamentos, pensei que talvez eu estivesse romantizando a parada toda, coisa que a gente bem sabe que não faz muito bem, nem enquanto pessoas, menos ainda enquanto coletivo. Será que eu estava fazendo isso, meu Deus? Será que estava contribuindo para a propagação de uma coisa que, ao mesmo tempo, eu não concordava? No meio disso, comecei a perceber que as vezes algumas pessoas esperavam que eu falasse das dificuldades, do peso, dos problemas, mas quando eu via, estava dizendo que ela até que dormia bem prum bebê de 3 meses, que estava tudo bem na amamentação e que o pai dela adorava dar os seus banhos. E por que e falava isso? Porque era assim que eu estava vendo. Eu li tanto que as noites iam ser em claro, que quando percebi que nos ajustamos num ritmo de sono que dava certo pra nós duas, achei que estava sendo um sucesso. Eu respondia que ela dormia bem porque pra mim era o que era. Só depois de muitos meses me dei conta de que, na verdade, ela ainda acordava 3 vezes em várias noites, mas pra mim ela dormia bem. Mas o que as pessoas ouviam era: ela dorme a noite inteira, descanso 8 horas seguidas, sou foda, minha filha é um prodígio. Por que eu podia falar do que aprendi de bom com uma perda gestacional, mas não era entendida quando falava do que estava dando certo na maternidade real (real no sentido de que estava acontecendo mesmo, comigo, agora)?

Era como se eu não pudesse falar das belezas enquanto tinha tanta gente no meio da lama, sabe como? Eu comecei a me calar, porque não queria que me entendessem mal, porque queria também ouvir, porque não queria tirar o lugar de fala de quem está em outra vibe. Tentei, inclusive, me “adequar” e falar mais do que geralmente é escondido, mas me sentia mal. E olha, do alo dos meus 27 anos, vou falar uma das poucas certezas que eu tenho na vida: todas as vezes em que tentei me adequar, me ferrei totalmente. Na verdade, quanto mais eu falava do meu cansaço, mais cansada eu ficava, literalmente. Cheguei a conversar com o Cleber sobre isso. Amor, qual é o limite entre o desabafo e uma reclamação sem fim? Pensei muito sobre isso, depois volto pra falar desse assunto. E aí eu me calei. Nem sabia mais qual era a minha voz, ou o meu lugar, ou a minha turma. Puerpério é fogo, eu já disse. E pra mim também pegou nesse sentido.

Demorou pra eu perceber que, muitas vezes, a reação de quem está fora não tem a ver comigo, mas com a própria pessoa. Que a gente é espelho. Se você vê, está em você, é o que dizem. E isso também serve pra mim, para o que eu via. Mas este também é assunto pra outra hora. Demorou pra eu perceber que a minha forma de falar não estava anulando as outras, era só mais um jeito, que mesmo que eu concordasse com elas, não saberia falar da mesma forma, apenas porque não é a minha voz, não porque acho errado. E que tem lugar pra todo mundo nesse mundão.

Hoje eu acho que já me desvencilhei um pouco dessas amarras todas. Acho que tem lugar pra todo mundo e que cada um tem que fazer o que se sente bem. Essa sou eu, afinal. Estou tentando recuperar o meu ritmo de escrita e a forma como compartilho o que sinto. E queria muito falar disso aqui, porque a escrita tem poderes curativos em mim, então, é isso. Só queria mesmo dizer, pra mim mesma, que eu estou voltando pra mim, tentando achar o meu lugar aqui de novo. E que, dessa vez, é pra ficar.

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só mais 5 minutinhos

Ontem não postei nenhum texto aqui, pulei descaradamente um dia do desafio do BEDA. Eu poderia dizer muitas coisas sobre isso, mas a verdade é uma só: eu tenho sono.

Eu não sou o tipo de pessoa que passa a noite em claro e segue a vida normalmente na manhã seguinte. Estou muito longe de ser essa pessoa. Não fui uma adolescente que virava a noite na balada e ia pro cursinho direto. Ou aquelas pessoas que vão emendando uma atividade na outra, sem descanso, só tomando energético ou café ou qualquer coisa assim, cochilando em pé no metrô ou dormindo só três horas por noite. Eu preciso dormir. Eu preciso dormir uma quantidade de horas suficientes para repor minhas energias. Mesmo que não sejam 12 horas maravilhosas numa cama king size de hotel, com lençóis de 300 fios egípcios. Mas eu preciso dormir.

O que acontece quando eu não durmo é: dor de cabeça, tontura, fraqueza, raciocínio lento, irritação, corpo pesado, choro fácil, tristeza. Além daquela sensação básica de olhos cheios de areia e olheiras de panda, mais conhecida como sono mesmo.

Essa era uma das minhas principais preocupações antes da Agnes nascer. Como conseguir descansar com um recém nascido em casa, porque a falta de sono afeta direta e imediatamente o meu dia. Bem, devo dizer que não foi nada fácil no começo, mas foi melhor do que eu esperava. Fiquei 3 dias praticamente sem dormir, por conta do trabalho de parto, e quando ela nasceu, depois de algumas horas, eu tive 2 episódios de “apagão”: entrei num sono tão profundo que nada conseguia me acordar, nem o choro dela, nem o Cleber me chamando, nem colocando ela pra mamar. Nada. Acabou minha bateria. Capotei. Depois fui descobrindo que o corpo se adapta a novas realidades. Deve ser o instinto de sobrevivência, rs. O fato é que ganhei novos padrões. Eu dormia 2 horas seguidas e achava que estava super descansada, haha. O tempo foi passando e, pela graça das deusas, ela foi se apegando ao nosso ritmo de sono e eu passei a dormir muito melhor, e por mais horas. Cama compartilhada e amamentar deitada também me salvaram, devo dizer. Chegou um tempo que eu nem sabia quantas vezes ela acordava, ou se ela acordava, eu descansava e estava feliz da vida.

Mas é claro que existem os episódios atípicos, né. Febre, gripes, saltos de desenvolvimento mudam tudo por aqui. Essa semana foi o combo da mudança de casa, eu escrevendo de madrugada (até quase 2hr) e acordando cedinho (6 hrs) pra cumprir uns horários externos. Passei o dia ontem lenta, guardando as energias para não me estressar e descontar na pequena. Pra piorar, ela dormiu num horário impossível de eu deitar junto pra dar uma descansada também, bem na hora que chegou o moço que iria instalar o fogão, e ficamos sozinhas o dia todo. Além disso, ela está demandando muito, querendo minha presença física, muito colo, inclusive durante o sono, do mesmo jeito de quando era mais bebezinha,e de noite quer ficar colada em mim, o que me impede de descansar totalmente (agora, por exemplo, está dormindo no colo enquanto escrevo – a diferença da fase de bebê para esta é uma só: o peso. Meus braços que o digam, haha) . Está puxado. Não tive forças pra pensar em nada pra escrever ontem.

Hoje está um pouquinho melhor, apesar de ainda ter sono para colocar em dia. Mesmo assim recorri ao tema para desabafar um pouquinho. Também ajuda a aliviar. Agora deixa eu ir, porque pelo horário ainda consigo fechar os olhos uns minutos antes dela acordar. Tomara que dê certo.

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Sempre tem um motivo

Na outra gestação, muitas pessoas detestaram o nome que daríamos ao bebê, caso fosse uma menina. Foi um stress à parte, que tirou a paz, mas que passou, amém. Dessa vez, não posso negar que fiquei com um tiquim de receio ao pronunciar o nome da bebéia pra todo mundo. Não pelo nome em si, poderia ser qualquer um, o mais comum, o mais usado, mas gato escaldado, sabe como é, pensava que poderia vir um baldão de água fria na minha cabeça de novo.
Aos poucos fomos falando o nome e as pessoas… gostaram! Uau, isso é uma baita novidade pra mim, preciso dizer. 99% das pessoas gostaram mesmo do nominho dela! Claro que tem gente que não entende de primeira, que fala é um nome forte (sim, é pra ser forte mesmo), mas nada chega perto do que foi na outra vez. Se alguém achou péssimo, disfarçou bem (e que continuem disfarçando. obrigada, de nada). Em geral a resposta foi muito positiva.

Que legal né gente? Todo mundo gostando, todo mundo achando fofo, já chamando de Agnes, perguntando por ela, quanto sorriso, quanta alegria! E para ser sincera, até então eu não tive grandes problemas com pitacos ou intromissões, estava tudo tranquilo quanto a isso aqui por essas bandas. Pensei que fosse Deus dizendo que eu não ia precisar me estressar de novo. Tá vendo, Marina, as coisas não são tão ruins como você acha. Tenha fé nas pessoas, mulher! Acredite!

Hahahahahahahahahahaha.

Eu sou muito engraçada mesmo.
Pra ter achado uma coisa dessas, outra explicação não há de ter.

A realidade, minhas amigas, foi que eu entendi errado. Não era Deus falando “as coisas não são tão ruins como você acha”. E sim que podem ser piores que, se eu tive uma trégua no começo, é porque viria outra coisa pra eu colocar no currículo. Acompanhem:

Quando eu contei aqui que era uma menina, comentei que tinha uma pessoa que “disse que sempre acertava o sexo dos bebês”, e que ela tinha dito que era menino. Pois bem. Semana passada eu encontrei essa senhora e, papo vai papo vem, ela diz:
– (apontando pra minha barriga) tá crescendo mesmo, né?!
– é, estamos crescendo, sim. (essa é a lógica da coisa, minha senhora. barrigas com bebê dentro crescem, aceite isso).
– e é um menino!
– não, é uma menina.
– NÃO! É um menino, sim!!!
Uma outra moça que estava junto, prevendo a repetição das duas últimas frases para sempre, interrompeu:
– Você já fez o ultrassom?
– Já fiz, sim.
– E mostrou que era menina? Ah, fulana, então você errou!
– Sicrana! Como assim eu errei? Não acredito!
Aí virou um bafão – mais da parte das duas do que minha, diga-se de passagem. Eu realmente não aguentava mais o papo e disse que em breve faria outro exame, onde tudo seria esclarecido. Aí ela foi me contar de uma moça que o ultrassom mostrou ser menina, fez o enxoval todo rosinha, e ela (a vidente) insistia que era menino e pimba! Era um menino mesmo! Eu disse que não estava fazendo enxoval por cor, porque não gosto disso, e disse que se for menino ótimo também, que venha com saúde. No fim ela ainda me mandou repetir mesmo o exame, “pra ver direitinho, né”, porque essa história tava meio estranha.
(obs: sem contar que ela achou que eu estava no começo do terceiro mês ainda, por isso o erro do exame; quando eu disse que já estou entrando no quinto a véia endoidou).

Foram bem umas duas horas de conversa que, independente de pra onde eu quisesse desviar, ela trazia o assunto de volta. Sem contar o relato do parto do filho, daqueles bem frank, que ela fez questão de me contar, frisando o quanto um parto é sofrido (não, eu não havia comentado nada sobre parto), e do mingau que a mãe dela fez pro neto, ainda recém nascido, com poucos dias, “porque ele não quis peito nem mamadeira”. Sabe cara de alface? Era a minha. Tô craque nela, posso até dar curso de como fazê-la, inclusive.

#chatiada por ter que fazer essa cara daqui até a eternidade, em todos os assuntos referentes a maternidade. Cazuza, amigo, te entendo.

E aí depois, quando contei essa história para algumas pessoas, o que ouvi não foram risadas ou uma história engraçada/legal para contar (teve quem riu, mas como sempre, esses seres são cada vez mais raros no meu mundo), mas uma carinha de “é, talvez ela esteja certa, hein?!”. “Mas você fez o exame quando o bebê era bem pequenininho, né, não dava pra ver direito”, me disseram. “Fiz com 17 semanas, que dizem ser um bom tamanho para ver com mais clareza”. Ainda aquele ar de “mas e se…?”. Caras desconfiadas. Cara de alface. Assim caminha a humanidade.

E o que eu tenho a dizer de tudo isso? – vocês podem estar se perguntando.
Tenho a dizer que numa próxima gestação não vou contar o sexo nem o nome pra ninguém. Só quando nascer. Que seria melhor eu nem anunciar minha gestação, na verdade. Que o ideal mesmo seria que eu me mudasse para o Tibet, ou fundasse uma comunidade hippie-índia-isolada-no meio do mato ou e cima da montanha. Porque não é fácil, minha gente. As pessoas acham que a grávida é um ser completamente irracional e burro, que não pode tomar nenhuma atitude ou decisão sem com consentimento de terceiros, que anda com uma placa por aí “me deem conselhos, dicas, mandingas para conseguir ser mãe, salvem meu filho de mim!”. Só pode ser isso. Não importa o motivo, você sempre pode estar errada. E não se preocupem em não perceber, porque vão te dizer com todas as letras.

Falando sério. Semana que vem é dia de morfológica. Posso descobrir que a Agnes é hômi? Claro que posso, e não vejo problema algum nisso (e venho aqui contar assim que possível, óbvio). Ela pode ser o que ela quiser. Nascer homem ou mulher não determina muita coisa, no fim das contas. Sempre acreditamos nisso e o fato de eu ter decidido fazer o exame para saber o sexo se deu unicamente por motivos meus, não por preferência, receio, pressão externa, muito menos cor de enxoval. Caso ela seja ele, mudarei o nome, porque não acho legal Agnos, hahaha (mas guardarei o nome para uma próxima oportunidade), e aí é vida que segue. Se duas máquinas de ultrassons anteriores erraram. Se dois médicos diferentes, em duas clínicas diferentes erraram, não tem problema, juro que nem vou processar ninguém. Também não acho que a criança nascerá complexada porque a chamamos até aqui por um nome que não o dela. Não estou com nem um pingo de preocupação em relação a essas coisas, sério mesmo. (Outra coisa, pessoas que dizem ter uma visão além do alcance, um dom, uma missão existe muito ao meu redor. Não sei se é uma coisa geral, mas aqui eu tenho várias. E eu não posso dizer que não acredito nelas, porque muitas vezes elas estão certas, sim. Não zombo nem duvido das crenças de ninguém, também tenho as minhas, muitas são parecidas com essas, inclusive.)
Sabe o que é chato de verdade? Sabe o que me irrita, que me deixa puta da vida? O fuzuê que fazem em torno disso. Tanto faz se for de um jeito gritado como verdade, ou uma coisa mais velada, do tipo “vou ficar na minha, mas saiba que eu sei mais da sua vida do que você”. Mas é sempre a mesma coisa. Sempre aquele ar meio Kiko (do Chaves), lembram? “Tenho um pirulo e não te do-ooouu!”.

Calma, pessoal. Sendo menino ou sendo menina será meu do mesmo jeito. Será um bebê do mesmo jeito. Precisará de colo, de fraldas e de leite do mesmíssimo jeito. De respeito, de amor e de paz idem. Tudo isso está garantido, fiquem calmos. E com certeza quem veio me encher o saco vai querer vir pegar no colo do mesmo jeito – mas aí já não posso garantir nada. Não achem que me fizeram um favor e não esperem que eu faça um publipost divulgando seus serviços de esperteza. Ninguém irá deter poder algum, nem decidirá absolutamente nada sobre essa pessoinha que estou fabricando. Até porque, até onde eu estudei na escola, não é a visão de alguém que determina o sexo de um bebê, ou sejE, não foi você que descobriu nada. Ok? Estamos entendidos? Então acho que o papo está encerrado.

E da próxima vez que me perguntarem se eu tenho certeza do sexo, vou responder:
– Não, porque é filho do David Bowie.

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