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8 semanas

E então sexta-feira completei 8 semanas.
Pra já abrir com chave de ouro #soquenao, resolvi que aquele era um bom dia para realizar todos os infinitos exames de sangue que a médica havia passado. Eu já contei aqui que a médica havia proposto que eu fizesse uns exames investigativos e eu topei. Só não contei que, ao todo, contando os exames já do pré-natal AND investigativos eram 27 exames. Vin-te-e-se-te. Meu convênio encrencou com 3 e só fiz 24 (ainda bem que só 1 era dos especiais, os outros 2 eu já tinha feito da outra vez, depois pego outra guai com a médica). Mesmo assim, minha gente, 24 tipos diferentes de exame de sangue não é brincadeira, não (e sim, só contei quantos eram depois que tudo passou, ainda bem). Como sempre, marido entrou comigo e pedi pra colher deitada. Coloquei o fone (a enfermeira achou genial, haha), estiquei o braço, olhei pro outro lado e comecei a cantarolar, concentrada em me manter distante.
A música acabou, o exame não. Aí eu me toquei que a coisa era séria, porque nunca dura tudo isso. Mais metade da outra música, aí acabou – ou seja, foi uns 5 minutos diretão. Mas o Cleber teve que ficar pressionando meu braço por eternos 2 cronometrados minutos e eu não podia mexer o braço, por mais não sei quanto tempo. Ok, eu estava mesmo meio tonta, tudo que eu queria era ficar deitada. Nos deixaram sozinhos no quarto e fui melhorando. Lentamente me levantei e fui fazer o desjejum, pra depois ainda colher urina.
Posso falar? Tudo que eu queria naquela hora era a minha mãe. Mas, como não dava, fui pra casa da minha prima e passei o dia lá. Só que eu ainda estava meio lenta, meio zonza, fraca e nem consegui me alimentar do jeito que deveria, mas à noite o Cleber preparou uma janta delícia.
À tarde, minha prima saiu e fiquei sozinha lá na casa dela. Ainda estava me sentindo fraca.
De repente, comecei a pensar que, se eu estava mal daquele jeito era porque o bebê não estava bem, porque (vai vendo a neura), como eu já disse outras vezes, a gestação me deixa mais forte pra essas coisas e eu passo por elas com menos “traumas”. Liguei pro Cleber e desabafei minha maluquice meu medo. Aí ele disse:
– Amor, foi um exame mais demorado, você tirou muito sangue.
– Ah é, né, amor? Pensando assim, eu até que fui forte, porque nem deu sensação de desmaio e depois ainda consegui descer bem as escadas do laboratório.
– Pois é, claro que você foi forte.
– Mas eu ainda tenho medo.
– Amor, deixa eu te contar, porque você não viu: a enfermeira tirou OITO ampolas de sangue. Quatro daquelas grandes e quatro das de tamanho normal. Depois ela orientou que você não mexesse o braço e eu tinha mesmo que pressionar, porque senão ia vazar tudo; e a agulha foi maior também. Foi sério.
– Ah, então eu tô ótima, sou muito forte, a maioral, super hiper mãezona
hahahaha

Só que no sábado eu ainda não estava 100%, provavelmente porque precisava comer mais (sim, não me matem, isso já estava sendo resolvido) e, à tarde, tive uma diarreia. Fui a banheiro, comecei a sentir um calor, minha barriga começou a doer muito. Na hora me veio na cabeça só uma coisa: fudeu, tá acontecendo de novo. Fiquei arrasada, achando que tava perdendo o baby, que tinha dado tudo errado. Demorou pra eu voltar a mim e perceber que tinha sido só pela diarreia mesmo. Domingo eu ainda estava neurótica, querendo ir ao médico. Só que não fui porque pronto socorro em fim de semana é triste, e como não tive sangramento em nenhum momento, nem nada mais, fiquei por aqui mesmo.

Decidi que vou fazer um ultra antes de viajar (vou viajar pras festas de fim de ano na semana que vem), só pra ir desencanada e tranquila mesmo. Só o fato de não ter ido hoje mesmo fazer já indica que estou mais tranquila. Realmente, acordei bem melhor – tirando os gases que resolveram dar às caras.

Barriga segue crescendo aos pouquinhos, mas ainda não tá completamente dura, acho que é normal.
Enjoos melhoraram consideravelmente. Ainda tem sonolência. Meu cabelo tem oscilado entre muito vassoura ou muito comercial de shampoo. Sem fome exagerada.

Ah, os resultados dos exames já começaram a sair, aos poucos, e até onde eu vi, está tudo bem, graças a Deus. Quando souber de tudo, volto pra contar. E conto sobre o ultra também.

Por enquanto, é isso. Rumo a mais uma semana. Que seja mais tranquila do que o meu fim de semana 🙂

juro, às vezes parece estar menor, mas o baby é aparecido pra foto, só pode. 
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Arquivado em acontece comigo, conversando, diálogos, exame, primeiro trimestre

Alguém vai acertar

Aos poucos estamos espalhando pra família a notícia que tem bebê sendo fabricado pela minha pessoa. Semana passada foi a vez do meu irmão saber. Minha mãe que contou, por telefone (ele mora em Aracaju), mas eu estava do lado. Quando ela passou o telefone pra mim, ele disse:
– Ah, por isso que a Nena (filha dele, minha afilhada) me disse esses dias:
– Papai, a minha priminha está chegando.
– Mas filha, nós não te explicamos que ela não estava pronta ainda pra vir, que ia se preparar mais(…)? (se referindo à minha perda, que ela sempre afirmou que era uma menina e estava super apegada já, foi difícil pra ela quando soube da notícia).
– Não papai, ela está chegando, sim.

Morri de amores, né? Eu acho que a gente nasce sabendo um monte de coisas e vamos esquecendo no caminho, rs. A sensibilidade infantil me encanta muito.

Mesmo assim, decidimos não contar naquele mesmo dia pra ela, queria esperar mais um pouquinho, pelo menos até fazer um ultra, sei lá, ainda estava meio receosa. Mas aí nesse domingo conversamos e ele perguntou se já podia falar pra ela, e eu deixei.

Hoje falei com ele novamente, e eis que ele me contou o diálogo:
– Nena, a madrinha tá grávida.
– Eu já sabia, papai.
– Como você sabia?
– Dos meus pensamentos.

PLOFT!!!

Bônus: ele passou o telefone pra ela, que me perguntou:
– Você já sabe o nome da minha priminha?

ps: minha mãe já “pitacou” que acha que é um menino. Helena me vem com essa de nome de menina. As duas super acertam sempre essas coisas de bebê, como puderam perceber (não sei se já contei da minha mãe, mas ela sempre sabe quando tem alguém grávida próximo a nós).

O que eu sei:
Uma delas vai acertar 😛

Nena ❤

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Arquivado em diálogos, pitacos, sabedoria infantil

Pai e mãe em sintonia

Que há uns anos eu estou completamente imersa no mundo materno-bebezístico de forma muita ativa não é novidade pra ninguém, muito menos pra vocês. Aprendendo muito sobre diversas teorias e sobre mim também, o que acho fundamental: que todo aprendizado traga um pouquinho mais de autoconhecimento. E isso acontece há todo momento.

Mas e o pai, onde fica nessa história? Porque essa criança será criada pelos dois, certo? E as opiniões dele, onde entram, alguém já perguntou quais são?
Para mim, é muito importante que estejamos, marido e eu, em sintonia em algumas questões da educação e do cuidado com os pequenos. Obviamente, em alguns casos teremos opiniões divergentes, e isso é muito saudável, mas acho que em alguns princípios básicos, ou que atitudes tomaremos em determinadas situações, por exemplo, é bem legal que estejamos do mesmo lado.
E agora que Bolota tá aqui na barriga comecei a pensar nisso com mais frequência. Mas antes que eu decidisse conversar mais com ele a respeito disso, algumas coisas aconteceram, sem nenhum planejamento.

Uma manhã qualquer, no início de junho:

– Amor, tô achando meus peitos tão pequenos ainda. 
(aquelas que com 10 semanas já queria ter o peito cheio de leite)
– Tá nada, já tá crescendo.
– Mas eu tenho medo, às vezes…
– Mas o leite não desce quando o neném tá mamando? 
– … (cara de surpresa) co… como você…?… eu te disse isso já?
– Foi o que aquela sua amiga disse, não foi? Que peito é fábrica, não é depósito de leite.
– Que amiga, amor?
– Aquela do MamatracaAnne, eu acho.
– Mas eu nem te mandei a coluna dessa semana pra ler…
– …
– Você leu?
– Li, ué.

Na cena seguinte, temos uma mulher pulando no pescoço do seu – já atrasado – marido e o enchendo de beijos, achando lindo que ele tenha lido, no trabalho, algo sobre amamentação, sem que ela tivesse pedido.

Pausa para um adendo: marido chama todas as blogueiras que eu acompanho de “minhas amigas”. Mesmo que eu nunca as tenha visto na vida real, ou ao menos falado com elas. Mesmo que elas nem saibam da minha existência. Despausa.

E assim eu soube que ele também procura ler sobre assuntos relevantes. Sobre esse e outros temas que, agora mais do nunca, faz parte totalmente das nossas vidas. É interesse dele tanto quanto é meu.

Domingo passado tivemos uma longa conversa sobre outras questões que eu já vinha pensando a respeito, e queria saber a opinião dele. E eu nem precisei tocar no assunto, surgiu naturalmente mesmo, enquanto almoçávamos no shopping. Falamos muito sobre alimentação infantil, sobre como os hábitos alimentares são construídos na infância, o exemplo dos pais, como é importante comer comida mesmo (e não industrializados), que muita coisa hoje em dia é feito mais por preguiça dos adultos do que pela capacidade da criança, sobre o tempo de introduzir cada coisa, sobre como foi com a gente e o que achamos disso. 
Me senti tão bem por compartilhar meus pensamentos com ele e também ouvir os que ele têm. Foi uma troca muito positiva. E confesso que também senti um certo alívio, porque alimentação infantil é tema importante pra mim, e eu já sei que enfrentaremos certa  chatice implicância de alguns familiares em coisas específicas, então foi muito bom saber que ele está comigo nessa. E outra, às vezes, só lendo e lendo e vendo vídeos, a gente tem uma visão da coisa (qualquer que seja ela) e é bem fácil começar a idealizar e fantasiar, apesar que estou sempre atenta à isso, para não cair nessa armadilha, sempre tento trazer pra minha realidade e avaliar se é uma possibilidade, ou não; e quando eu ouvi, partindo dele, sem que eu falasse nada, coisas que eu também acredito e sempre leio a respeito, fiquei bem surpresa (porque não pensei que fossemos ter essa conversa agora) e bem feliz (por ver que são coisas possíveis, sim, dentro do nosso contexto e rotina).
Fora outras coisas que já percebi, em pequenas conversas ou atitudes, que temos a mesma linha de pensamento, dentro desse mundo fascinante que é a maternidade e a paternidade ativas. Sobre limites ou sobre escola, por exemplo. E toda vez eu fico com o coração tranquilo, preciso confessar.
Acho legal isso, porque na minha opinião de – ainda – leiga, é preciso coerência entre os cuidadores para educar uma pessoa, né?! Porque tarefa fácil a gente sabe que não é, então melhor que os pais estejam caminhando pelo mesmo caminho, mesmo que em alguns momentos os passos, ou a forma de chegar, seja um pouco diferente. Mas o caminho, acredito, é importante que seja o mesmo.

Nós dois, caminhando juntos, em Porto Seguro, BA.
créditos: Rodrigo Zapico (o link leva direto pra mais fotos do ensaio, no site dele)

O que vocês pensam sobre isso?
Com as que já tem seus pequenos, rola uma sintonia também, ou o pai não concorda muito com o seu ponto de vista – ou atitude – em alguma coisa? Como lidam com a questão?

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Arquivado em autoconhecimento, diálogos, escolhas, estive pensando, ser mãe, ser pai, sintonia