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Relato de parto

Desde o começo da gravidez eu repito sempre uma mesma frase: o tempo da Agnes é muito precioso. Sempre senti isso, em diversos momentos. E sempre senti que era um tempo diferente. Diferente do padrão, diferente do meu tempo. Esse era só dela. E não teve momento mais propício do que o seu nascimento para me mostrar que sim, esse meu sentimento estava certo.
A Janie, minha doula, me disse em um dos nossos encontros que a gente só sabe mesmo quando começou o trabalho de parto depois que ele acaba. Do tipo “ah, aquela dorzinha que eu senti quando estava em tal lugar, já era o início”. Achei engraçado no dia, e depois vi que é desse jeitinho mesmo que acontece.
 
Na madrugada de domingo (dia 13 de julho), por volta de umas 03:00 da manhã, comecei a sentir umas cólicas no pé da barriga e na lombar. O dia anterior tinha sido agitado, de certa forma, marido e eu fizemos caminhada duas vezes no dia, eu estava super bem disposta – na noite de sábado, inclusive, já sentia umas fisgadas fortes e o início de uma dorzinha, mas como tinha me movimentado bastante, atribuí a isso.
Como eu só sentia as cólicas e não a barriga dura como nas contrações, fiquei observando (depois percebi que a barriga ficava dura, sim, mas não doía nada-nada, só em baixo mesmo). Eram leves e não duravam muito, mas percebi que o negócio estava vindo com uma certa regularidade. Era como se viesse uma onda que ia crescendo, chegava num ponto e ia caindo até acabar. Quando eu vi que não estava passando, mandei mensagem pra Janie, pra avisar que tinha algo rolando. Ela falou pra eu tentar descansar ao máximo, porque não sabíamos quanto ia demorar até engatar mesmo e coisa e tal. Ok. Só que quem disse que eu conseguia dormir? Fiquei deitada, mas rolou no máximo uns cochilos só. Só aqui entre a gente: nesse momento me veio a mente que meu outro “parto” tinha começado bem daquele jeito, de madrugada, eu sozinha sentindo dores que eu achava que eram só o início (e naquele caso terminou rápido), tive um medinho, sim, e usei esse tempo acordada para mandá-lo embora. Meus pais foram pra missa (saem 5 e pouco da madrugada pra ir a missa) e eu levantei pra andar um pouco e tomar um banho. A essa altura, eu já tinha acordado o Cleber e contado a novidade. Lembrei que, além de descansar, seria bom eu me alimentar também, e como estava mesmo com fome, liguei pros meus pais passarem na feira e trazer frutas pra fazer vitamina. Em algum momento eu cronometrei as dores – que sim, estavam bem suportáveis, eu nem precisava de uma posição específica para passar por elas, então estava tranquila quanto a isso, só o que me fez contar foi perceber que elas vinham com regularidade – e para minha surpresa, estava numa média geral de 3 ou 4 minutos (não todas, algumas vinham com mais espaço, mas a média foi essa) e durando uns 20 e poucos ou 30 segundos. Ou seja, minha gente, tinha algo acontecendo, sim.
 
Meus pais chegaram empolgadíssimos da rua, já no clima de “a Marina está em trabalho de parto, que legaaal!!!” e isso me deu uma travada. Porque assim, o negócio tava só começando, eu não queria alarde. Na verdade, esse foi um ponto complicado do TP: lidar com a ansiedade e animação deles versus a minha vontade de me isolar, feito bicho mesmo, pra parir minha filha no meio do mato. Não sei o quanto isso empacou o processo como um todo, mas sei que não foi como eu imaginava. Enfim. Falei pra eles que aquilo ainda nem era trabalho de parto, expliquei o que são pródromos, e que eu não queria que ninguém soubesse ainda, pra não causar mais ansiedade fora de hora na família.
 
A Janie resolveu vir aqui ver pessoalmente como eu estava, já que os intervalos estavam curtinhos, mas eu não tinha nenhum outro sinal. Tomei outro banho enquanto ela não chegava. Ela chegou, conversamos um pouco e percebemos que tinha espaçado mais. Ela viu que eram curtas. O negócio é que já era quase hora do almoço e eu ainda não tinha dormido. Precisava descansar, pra ter energia. Depois de um tempo ela foi embora e voltaria quando a coisa andasse; ficamos em contato.
 
Os intervalos entre as contrações continuaram espaçados no restante da tarde, aí sim parecia o começo de tudo. Eu estava meio nervosa porque queria ficar sozinha e não estava rolando. À tarde eu fui pro quarto com o Cleber e conseguimos dormir (tanto que nem vimos o jogo da final da Copa, rs). E comecei a perder um tiquinho de tampão. Até então eu meio que sabia que não tinha dilatação ainda, sei lá, pra mim só começaria de fato quando viesse o tampão (vai entender, rs). Foi bem pouquinho mesmo, mas já vi que a roda estava girando.
 
Na madrugada de segunda foi a mesma coisa da anterior: dores e eu acordada a maior parte do tempo. Quando amanheceu, estavam mais fortes, e perdi mais tampão. Tomei café da manhã em pé, porque sentada incomodava um bocado. Não sei explicar direito, mas pra mim ainda faltava muito até ela chegar (e agora percebo que faltava mesmo, mas não taaanto assim, hehe). As dores vinham sempre iguais, desde o começo, e como já começou com intervalos pequenos, depois é que espaçaram, não sabia ao certo quando considerar trabalho de parto ou não. Até porque eu não estava fazendo “nada”. Só tomava banho e seguia a “ordem” de descansar. Eu estava muito tranquila quanto a dor e tudo mais.
 
Meu pai foi trabalhar e finalmente ficamos sozinhos em casa. Tomei mais um banho (domingo foram 3, rs) e depois pedi pro Cleber fazer uma massagem nas minhas costas – de tanto cair água quente, pelos banhos que tomei, a pele estava sensível, eu queria algo que aliviasse. Sentei na bola de pilates pra ele fazer a massagem (foi a única vez que usei a bola) e ele massageou com o óleo que eu usava na gravidez pra dormir melhor (hahaha, era o único que tinha). Foi uma delícia!! Aí aconteceu o que? Comecei a sentir sono (óbvio, rs). Coloquei um dvd do Arnaldo Antunes (porque eu simplesmente não fiz uma playlist pro parto, apesar de ter começado diversas vezes) e deitei no sofá. Não deu pra dormir muito, porque as contrações ficaram meio diferentes, eu não queria mais conversar como se não tivesse acontecendo nada. Eu estava concentrada. E o mais engraçado é que eu ainda comentei que o óleo tinha me deixado numa vibe muito louca, as coisas estavam diferentes pra mim – eu muito calma e achando tudo muito legal (quase uma bêbada, haha). A Janie ligou e o Cleber falou com ela como eu estava. Pouco tempo depois ela chegou aqui. Decidimos juntos irmos na Casa Angela dar uma avaliada, porque o meu quadro não era “como os outros”: eu tinha contrações desde o dia anterior, intervalos relativamente curtos, mas que não estabilizavam (apesar de terem espaçado bem no domingo a tarde) e eu passava por elas deitada, na minha, e conversava normal (apesar de me sentir nessa outra vibe depois da massagem, ainda não era exatamente a partolândia). Estava tranquilíssima. E foi importante a presença dela aqui nessa hora, nos ajudando nessa decisão de ir logo, me lembrando que cada corpo é um, que cada história é uma, e também me ajudando a pegar as coisas que faltavam na mala, hehe. Ligamos pro meu pai, que chegou aqui rapidinho, e nos levou até lá.
 
Chegando lá, fomos atendidos pela enfermeira Marina (xará! rs), que me examinou. Pressão, pulso e temperatura ok. A altura da barriga estava 34cm mas a Agnes estava super baixa já. Aí ela fez um exame de toque: 5 pra 6 cm de dilatação, colo médio ainda. Já tinha passado da metade. Aí era hora de fazer o cardiotoco. Sério, essa foi uma das partes que eu não gostei. Aquele tum-tum-tum do coraçãozinho dela foi me dando um negócio e eu fui ficando nervosa. Chorei. A Janie e o Cleber foram uns lindos nessa hora, conversando comigo e me acalmado. Sei lá, acho que veio um fantasma da gravidez anterior, querendo ou não foi ali que eu não ouvi o coração e soube que a bolota tinha ido embora, acho que me veio isso, eu tinha medo dos batimentos da Agnes irem caindo até sumir, nossa, não foi legal. Quando eu saí da sala, minha mãe já estava chegando lá (eu disse que eles estavam animados, rs). Devia ser quase 14:00. Meus pais saíram pra comer e comprar lanche pra Janie. Nós ficamos e nos instalamos na sala de parto, comemos um lanche também. Não tinha nenhuma outra parturiente na Casa, só eu, então pude escolher o quarto. Nessa hora foi meio estranho, sei lá, eu não sabia muito bem o que fazer, com tantos aparatos a minha disposição. Vinham algumas dores, me apoiei na banheira, pra ver se seria melhor. Brincamos com a câmera um pouquinho. Na verdade, minha amiga tinha se disponibilizado a fotografar e estava a caminho, mas como eu também tenho câmera, levei também. E saímos pra dar uma caminhada ao redor da Casa e na rua. Eu andava normal e quando vinha a dor eu dava umas respiradas, às vezes parava pra sentir e deixar vir.
 

 

 

 

 

 
Meus pais chegaram e ficamos por ali conversando, uma animação, ele querendo saber se eu ficaria ou iria embora, em que pé estava, etc – e por dentro eu achando aquilo tudo forçado demais. Daí a Marina veio e disse que como eu estava super bem e tudo mais, poderia ir pra casa ou dar uma volta em outro lugar se quisesse; ou não, eu poderia escolher. Nessa hora a Lilian chegou (minha amiga que ia fotografar),mas nem cheguei a falar com ela direito. Como eu já estava ~meio assim~ ali no meio de todo mundo, falei que para decidir eu precisava ficar sozinha. Entrei rápido e fui direto pro quarto. Deitei na cama e… comecei a chorar. Nem sei direito porquê eu estava chorando, mas deixei vir. Acho que uma parte minha “não acreditava” que a hora estava mesmo se aproximando, que eu estava prestes a conhecer a minha filha, que eu tanto desejei e já amava. E aí descobri que sim, no parto vêm mesmo coisas da nossa história que estavam guardadas, da nossa personalidade, tudo é muito forte. E só pra situar quem me lê, vou usar a frase que eu costumo usar em outros momentos: apesar de eu ser leonina, não gosto de ter os holofotes em mim. Ou não desse jeito escancarado, pelo menos. Quando eu era criança, por exemplo, era infinitamente mais tímida do que sou hoje, nunca fui de turma grande ou esportes coletivos, sempre detestei ter alguém olhando o que quer que eu estivesse fazendo, ou me falando o que deveria ser feito. Isso tudo é parte de mim, mas eu cresci e arrumei um jeito de lidar com isso… até aquele momento. Naquela tarde de segunda-feira, eu só queria ficar sozinha, quieta, sem aquela agitação. Eu precisava me concentrar, poxa! Não dava pra ser toda sintonia e intuição com a Agnes com tanta expectativa em cima de mim. Enquanto estivesse sendo daquele jeito, não daria muito certo. Eu me sentia fugindo dos outros, ao invés de estar indo ao encontro de mim mesma. Aí eu vi que aquele parto animado, com músicas, risadas, gente falando o tempo inteiro, como a gente vê em alguns vídeos (lindos e emocionantes, por sinal) não seria o meu. O meu parto real me trouxe um outro olhar. E eu precisava aceitá-lo e acolhe-lo.
 
Pois bem. A Marina veio ver como eu estava. Sentou ao meu lado e me olhou de um jeito muito acolhedor. Eu perguntei se poderia ficar lá, porque precisava de espaço, de tranquilidade. Ela disse que sim, claro que eu podia ficar. Conversamos um pouco e depois combinamos que se ficasse na mesma até a manhã seguinte, veríamos o que seria feito. Adorei ter tido essa minha escolha respeitada. E antes eu achava que “travaria” se chegasse lá antes da hora, tinha planos de ficar em casa atééé o máximo que eu conseguisse e chegar lá parindo, vi que o que planejamos pode simplesmente não acontecer, tudo é uma caixinha de surpresas. A Janie também veio me ver e contei sobre a decisão – vimos que o ímpeto dela de me levar pra Casa Angela foi mesmo de me deixar “sozinha”, visto que quando mais engatou foi quando Cleber e eu ficamos a sós. Ela foi lá fora dizer isso aos meus pais (eu acho) e todo mundo foi embora. Ela ficou lá fora e eu fiquei no quarto com o Cleber, num momento muito nosso.
 
Teve a troca de plantão e a Carina e a Rose que estariam com a gente na madrugada. A Rose teve a ideia de nos mudar de quarto, nos levar pra um que tinha duas camas (uma tipo hospital e outra cama comum mesmo), porque segundo ela “tinha mais cara de hotel e menos de hospital”, haha, disse que nos sentiríamos mais confortáveis, o Cleber poderia dormir também, etc e tal. Foi só então – umas 20:00 – que eu descobri que minha amiga não havia ido embora com meus pais (como eu pensei que tivesse acontecido), estava lá fora conversando com a Janie. Então ela entrou, conversamos e ficamos todos juntos.
Quando estávamos jantando, tomei um pouquinho de chá de canela (só pelos filhos mesmo que eu tomo chá). A Carina veio dizer que poderia demorar ainda a engrenar (tudo isso baseado no meu comportamento, não fui examinada de novo), que podia ficar cansativo pra Janie e pra Lilian e que elas poderiam ir embora se quisessem. Como, teoricamente, eu não estava fazendo nada (nem bola, nem chuveiro, nem nada para auxiliar a aliviar as dores ou engrenar de vez) e a Janie tem uma filhinha que ainda mama, falei que ela poderia ir sem problemas. Ela foi. A Lilian ficou mais um pouco. Foi uma linda de tudo, respeitou meu silêncio e ficou lá, esperando meu tempo. Não rolou fotos nesse momento, eu sei lá o que eu estava esperando, nem lembrei de pedir pra ela fotografar o momento como estava mesmo, eu lá deitada – fui uma gestante em TP preguiçosa, percebem? Só descansei, haha – a gente conversando e tudo mais. Como diria o célebre Chicó “num sei, só sei que foi assim”.
Estava uma noite fria e tínhamos esquecido de levar um cobertor pro Cleber (eles pedem pro acompanhante levar). Como íamos ligar pro meu pai levar isso pra gente (e blusas de frio também), perguntamos se ela queria ir descansar, porque eu estava ficando com pena dela lá sentada sem muito conforto e a gente deitado nas camas, rs. Ela aceitou e assim foi; isso por volta de umas 23:00, se não me engano. A Carina veio e me fez uma massagem ótima no corpo todo. Depois, como sempre, a ordem era tentar dormir – e como sempre, não rolou de forma muito eficiente.
 
Meia noite eu fui ao banheiro e o papel higiênico tinha acabado. O Cleber estava me esperando na porta e falei pra ele ir pedir um. Enquanto eu esperava, percebi que estava pingando. “Ué, mas eu já acabei de fazer xixi, gente, que coisa”. E saquei que poderia ser uma ruptura alta de bolsa. Contei pra ele e fomos falar pras meninas, avaliar se era bolsa mesmo ou não. A Carina veio me examinar, ouviu o coraçãozinho da Agnes pelo sonar, estava ok, depois fez um teste numa fitinha pra ver se era líquido mesmo – e era. Aí ela perguntou se podia fazer um toque, já dizendo que poderia estar na mesma, pra eu não me frustrar e tal. Mas estava com 7 cm, fiquei super feliz em saber isso, nem me toquei que tinha sido uma evolução “lenta”, eu só pensei que estava chegando perto. Ela me disse que como era bolsa rota eu teria mais 18 horas até a pequena nascer, senão teriam que me transferir, e disse tudo que podíamos fazer pra ajudar. Eu preferi esperar mais um pouco pra ver como ia evoluir depois dessa novidade, se nada acontecesse até amanhecer eu tomaria um shake que prometia fazer milagre, rs. Falei pro Cleber dormir, porque precisava dele descansado. Como não queria ficar sozinha, liguei pra Janie e ela chegou em meia hora, foi ótimo tê-la ali comigo. Da 01 da manhã até umas 03:00, as dores começaram a se intensificar. Eu respirava fundo, mandando ar pra pequena, e depois de um tempo já falava uns “aaai” baixinho.

 

 

Fui ao banheiro de novo, já andando meio torta, e quando voltei pro quarto, não deitei mais (era umas 3:30 – eu sei graças ao horário das fotos na câmera, hehe). Me apoiava na parede quando vinha a dor, que já estavam mais longas e intensas. Chamamos a Carina e lembro que a Janie disse pra ela “acho que tem neném querendo chegar”. Depois de auscultar de novo, dessa vez por mais tempo (era pra ter feito outro cardiotoco, mas eu não quis, pra não ficar nervosa), ela sugeriu que eu fosse pro chuveiro, até foi ligar antes pra ficar tudo quentinho. Tava frio demais e eu não queria nem pensar em chuveiro, em ficar lá em pé. Deitei de novo e aí tirei a roupa que eu tava, pra colocar uma camisola da Casa depois. Eu me sentia indo pra outro lugar. O Cleber foi acordando, me lembro de segurar a mão dele nessa hora, do nosso olhar. Acho que minha ficha só caiu aí que sim, ela ia nascer e estava muito perto. Quando vi, estava chorando. Não de tristeza, de emoção mesmo. Me lembro de me sentir bem por não estar sozinha, por estar com eles ali, daquele jeito.
Como eu não quis ir pro chuveiro, tiveram a ideia de irmos pra banheira, no outro quarto. Eu tinha a sensação que se levantasse, a Agnes ia nascer ali mesmo, então relutei um pouquinho em ir. “Tô tão bem aqui mesmo”, eu falava. “Mas a água é ótima, Má, você vai gostar”. Fomos. Aquele corredor nunca foi tão grande, céus!
E quando eu entrei na água… nossa! Que paraíso!!! Aí sim, aquilo que era vida, haha.
 

Não sei certinho o que aconteceu depois que entrei na banheira.
Sei que consegui achar uma posição confortável, a água era realmente muito gostosa e eu me sentia muito bem ali.
Não sei quanto depois, sei que foi pouco, senti o primeiro puxo. Uau, estava acontecendo mesmo!

 

 

Difícil explicar com precisão esses momentos.
Os primeiros puxos vieram e eu não sabia muito bem o que fazer. É uma força diferente de tudo que eu já tinha sentido antes. Só que, na verdade, a única coisa que eu tinha que fazer era deixar vir, não bloquear, não travar meu corpo. Dali pra frente ele agiria sozinho.
Mas ainda demorou umas duas forças ainda pra eu sacar isso de vez. É algo tão intenso e tão involuntário que eu fiquei meio assustada, se é que foi essa a palavra mesmo. Você tá lá, relaxando na banheira, de repente – e eu disse de repente mesmo – sem nenhum aviso prévio, seu corpo assume o comando e simplesmente faz força – é mais rápido do que o seu pensamento. Surreal! Mesmo se você tentasse não poderia parar aquilo. A natureza é muito perfeita mesmo. Lindo!
Não sei quantas contrações demoraram. Sei que, quando apontou a cabecinha (mas ainda não tinha saído totalmente), ela ainda estava dentro da bolsa – e eu vi! Lembrei do sonho que eu tive, em que ela nascia empelicada. Era muita emoção! Mas a bolsa rompeu quando saiu a cabeça. Essa é aquela famosa hora em que eu achei que fosse rachar, haha. Foi o único momento do expulsivo que doeu, porque nos outros momentos não era exatamente uma dor, é a força, uma pressão forte mesmo.
A cabecinha dela saiu e ainda demorou uns minutos até vir outra contração. A Janie gravou o expulsivo e ontem eu assisti de novo e vi: quase 4 minutos. Foi o tempo que a cabecinha dela ficou na água. Vinha uma contração mas parecia que não era suficiente. Eu chamava por ela, conversava, e em certo momento eu falei assim “ela me responde”. Só lembrei disso vendo o vídeo, muito amor!
Ajudei como pude a manter a força quando ela vinha. Acho que chegou a passar pela minha cabeça que eu queria que fosse suave, que eu precisava respirar pra não lacerar, lembrei das minhas conversas com a Maíra, mas naquele momento tudo que meu corpo falava era que eu precisava fazer força. E eu fiz. Toda a tranquilidade do trabalho de parto deu lugar a uma intensidade sem tamanho quando entrei naquela banheira, e parece que só fez crescer; eu gritava. Era a mãe leoa nascendo também. Eu vocalizava, chamava por ela… e no tempo que ela escolheu, senti seu corpinho escorregando pelo meu, e voltando pra mim. O momento mais forte e mais inesquecível da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Saiu da água já chorando forte, coloquei deitadinha no meu peito, falei com ela… e ela parou de chorar. Ficamos ali nos namorando por um tempo, o Cleber junto da gente – como esteve o tempo todo, aliás. Um momento único.

 

 

 

 

 

Aí a Carina falou que era bom eu sair da banheira, pra esperar a dequitação da placenta. Meu único receio de parir na banheira sempre foi esse momento: a saída com o bebê no colo, ainda ligado a mim pelo cordão. Mas a ocitocina e o coquetel de hormônios naturais dominam e não tem como passar mal. Elas encostaram a cama lá do ladinho e me ajudaram a levantar e me sentar na cama. Pra ajudar a placenta a sair – e também porque era um desejo e um direito nosso – coloquei a Agnes pra mamar. E parece que ela estava só esperando por isso, porque pegou direitinho e sugou lindamente. Ficamos assim por quase 2 horas, eu acho. Enquanto mamava, recebeu a dose injetável de vitamina K (a única intervenção que teve, não tinha como ser oral). Eu não olhei e ela nem chorou.
E nada de placenta. Quer dizer, ela descolou da parede do útero e ficou parada no canal. Com a Agnes no meu colo (eu não parava de olhar pra ela), não conseguia me concentrar para expulsá-la. Como o cordão já havia parado de pulsar, o Cleber veio cortar, e foi lindo. Aí enquanto a Rose a limpava, media cabecinha, pesava e vestia, me concentrei na dona placenta. Fiquei com um pouco de medo porque doeu. E tive que me lembrar dos exercícios com o epi-no (e com a ajuda do Cleber), e ela finalmente saiu.
Como tinha bastante sangue na água, achamos que tinha lacerado, até porque a Agnes nasceu com uma mãozinha no rosto e outra no ombro. Quando me examinaram, não tinha nada. Quer dizer, tinha um cortezinho muito pequeno (disseram que era como se tivesse soltado uma pelezinha só, igual quando batemos o dedo, sabe como?) que obviamente não precisou de sutura nem me incomodou em nada depois.

Ah, voltando um pouquinho… assim que eu fui pra banheira, a Janie mandou mensagem avisando meus pais que estava chegando a hora – até porque a Lilian estava descansando lá. Minha mãe disse que foi tomar banho e, antes de saírem de casa, chegou outra mensagem dizendo que já tinha nascido. Ou seja, essas fotos aí de cima quem clicou foi a Janie. E foi mesmo muito rápido: 3:30 eu ainda estava no outro quarto, e ela nasceu 4:30! Pelo horário dos registros, foram uns 30 minutos de expulsivo (contando de quando eu senti os puxos). Não imaginei que fosse ser tão rápido.
Eles chegaram e depois que a placenta saiu, a Lilian entrou pra fotografar a Janie fazendo os carimbos com a placenta – ficaram lindos! Aí ela fotografou a Agnes, a gente com a equipe, enfim, o depois. Gostei muito.
Depois de tudo meus pais entraram no quarto, todo emocionados, e ficaram lá babando a neta (e impressionados que eu não tinha levado nenhum ponto, rs.

E sim, meus amigos, o que eu falava estava mesmo certo: o tempo da Agnes é só dela. É tranquilo, mas também é muito intenso. Forte e suave. É precioso. Como a minha menina é.

 

 

E foi isso. Um parto que está reverberando em mim até hoje, me trouxe muitos sentimentos e lições, com certeza vou levar um tempo pra digerir tudo ainda.

Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo nesse caminho.
As minhas doulas lindas: Maira e Janie, por todo apoio, informação, ouvidos, palavras, massagens e abraços. Vocês foram muito importantes, obrigada.
A toda equipe da Casa Angela, muitíssimo obrigada pelo acolhimento. Por respeitarem meu plano de parto, meu espaço, meu silêncio, minhas vontades. Todo mundo que faz parte e contribui pra Casa ser o que é, as enfermeiras que me assistiram, as meninas da cozinha (jesus, que comida ótima!), obrigada.
A minha obstetra Catia Chuba, que me incentivou a buscar o empoderamento durante todo o pré-natal, obrigada.
Aos meus pais e a minha família, pela paciência, disposição e todo apoio, obrigada.
A Lilian, que se disponibilizou a fazer o registro do parto e esteve ali o tempo todo, muitíssimo obrigada.
Aos amigos que se fizeram presentes e estiveram comigo durante a gestação, obrigada.
E por último, mas não menos importante, quero agradecer muito ao meu parceiro de vida, Cleber, por ser quem é, por ter se empoderado, estudado e bancado tudo isso comigo, não me deixando sozinha em nenhum momento. Por confiar em mim. Pelas palavras. Pela presença. Pelos abraços. Enfim, é muita coisa. Por tudo. Obrigada.

Ufa, que bom que consegui terminar o relato. Ficou grande, mas tinha de ser assim.
Beijo!

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Sobre o Epi-no

Então que estamos com 32 semanas e 4 dias e começamos ontem a usar o epi-no.

Para quem não conhece, ou tem dúvidas, o Epi-no é um dispositivo para exercícios da musculatura do assoalho pélvico. Indicado para as gestantes com o intuito de fortalecer e aumentar a flexibilidade da musculatura vaginal e do períneo. Também é usado no pós parto. 

“Características e Benefícios:
Epi-No consiste em um balão em silicone, conectado a um medidor de pressão através de um tubo em silicone, com bomba em elastômero termoplástico e válvula de liberação de ar. O medidor de pressão permite o monitoramento do desempenho do treinamento (biofeedback); 
– O Epi-No deve ser utilizado sob indicação de um médico;
– Desenvolvido com o auxílio de ginecologistas, fisioterapeutas e pacientes;
– Através do estiramento e do fortalecimento gradual da musculatura e tecidos, todo o assoalho pélvico se tornará mais forte e elástico. Isso reduz a chance de episiotomia (corte na região entre o ânus e a vagina) durante o parto.* 
– Como o períneo permanecerá ileso, a musculatura e tecidos podem recuperar-se mais facilmente após o parto;
– Auxilia na extensibilidade do períneo no pré-parto;
– Comodidade: a mulher escolhe o melhor horário, local e tipo de exercício a ser realizado, de acordo com sua rotina e disponibilidade;
– Parto menos estressante para a mãe e o bebê;
– Programa de treinamento pós parto.
fonte aqui.
* Retirei essas informações do site do aparelho, mas quero ressaltar que estou usando este dispositivo com o intuito de me preparar e me ajudar a prevenir uma laceração (quando a musculatura do períneo se rompe de forma natural, sem incisões) de qualquer grau, visto que a episiotomia é uma prática usada de rotina pela maioria dos médicos, sem a mínima necessidade – NUNCA é necessário, vale repetir exaustivamente, como diz a Melania Amorim, médica obstetra, professora, PhD (e muito mais, o currículo da mulher é imenso) que há 12 anos não realiza uma única episio sequer. A episio eu nego – e já registrei no meu plano de parto – e os profissionais que me assistirão no parto não a realizam.


Pois então. Começamos ontem a usar o dito cujo.
A minha obstetra disse que geralmente recomenda começar o uso com 34 semanas de gestação (no site do aparelho diz “3 semanas antes do parto”, mas como eu não sei que dia vai ser o parto, não dá pra seguir essa dica, rs). Até me passou o cartão de uma fisioterapeuta que aluga o aparelho e que dá todas as instruções pro uso. Porque sim, só pode ser feito depois de uma boa orientação e “treinamento” com um profissional, já que se trata de um aparelho sério, que você precisa colocar no local exato e usar do jeito exato também, para não se machucar. 
Como eu dizia, a Cátia recomenda começar com 34 semanas. Porém, a minha doula (tenho uma doula pré-parto, provavelmente não será ela que estará comigo no dia, mas essa é outra história) recomenda com 32 semanas. Ela é fera no assunto educação perineal, estuda sempre, está atualizada e super apta a dar esse treinamento. Ela me disse que recomenda o início com essa idade gestacional porque no começo a gente precisa mesmo de um tempo para se adaptar. Cada dia a gente vai adaptando um pouquinho, no tempo de cada um, até chegar num ponto confortável (leia-se: achar posição ideal sua e do marido, que tem que manter o braço firme por um tempo, melhor horário, etc) e aí sim a coisa fluir da forma como tem que ser. Esses ajustes podem durar uma semana, então quando chega 33/34 semanas, o casal já está no ponto de começar pra valer, digamos assim. Com isso, escolhi começar com 32 semanas mesmo e achei ótimo. 
Como o aparelho é caro para ser comprado aqui no Brasil, a maioria das gestantes aluga um. Ou com profissionais, ou com uma gestante/mamãe que tenha optado por comprar o seu e depois passa a alugar para terceiros. Ele é usado com preservativo (não lubrificado, igual aos que os médicos usam pra ultra transvaginal), super higiênico, sem risco de contaminação. Eu aluguei o meu. O da minha doula já estava alugado, mas consegui um com uma moça de um grupo do face.
Como eu mencionei ali em cima, é uma consulta que o marido precisa estar presente. É bem difícil fazer sozinha, até por conta da barriga grande e tudo mais. Vou contar em detalhes como foi a consulta, até para ajudar quem não conhece ou está buscando mais informações sobre isso (eu achei muito pouca coisa quando procurei).
Chegamos lá ontem prontos para aprender juntos mais essa novidade. Eu não criei grandes expectativas, pra não atrapalhar o processo, mas tinha receio de ser super dolorido e bem chato de fazer. Primeiro a gente conversou, demos risadas, relaxamos. Depois de uns bons minutos de papo, ela começou a nos explicar como o aparelho funciona, da massagem que é feita antes, etc e tal. Depois disso, deitei na cama, apoiada numa almofada retangular (que coisa ótima essa almofada, dá um bom suporte mesmo) e ela e o Cleber sentaram num nível mais baixo que a cama (sim, do mesmo jeito de quando você é examinada pelo gineco, rs). Fez a massagem perineal – usamos óleo de gergelim aquecido, que tem ações terapêuticas na musculatura, além, claro, de ajudar na lubrificação – ensinando passo-a-passo pra ele como se fazia, o tempo e tudo mais. Ainda ganhei elogio porque minha musculatura está ótima (dos elogios que a gente nunca achou que fosse receber, e ainda ficar feliz por ele, rs). Depois foi a vez do marido fazer, pra ver se tinha aprendido. Até aí tudo fácil, eu só precisava ficar lá deitada/apoiada e relaxar. A massagem não doeu nada em mim, mas ele disse que “dá uma forçada” nos dedos, rs. Quando acabou, era a hora de colocar o epi-no. Coloca-se o preservativo no “balão azul” e se introduz até um ponto específico (que eu não sei qual é porque não vi, rs). A função do marido é ficar segurando por essa mangueirinha pra ele não sair do lugar e desandar tudo – pois a medida que ele vai inflando, o períneo faz a pressão pra expulsar, por isso eu disse da firmeza no braço. A minha função é ir apertando a bombinha pra ele ir crescendo e crescendo. Eu apertava um pouco, via como era a sensação, daí apertava de novo e assim por diante. E posso falar? É uma sensação mutcho doida. Dá pra sentir a musculatura se abrindo mesmo, bem legal. Tem horas que a gente aperta e parece que chegou no limite, incomoda. Daí ela me lembrava de relaxar, respirar (do jeito que vou respirar no expulsivo, olha que treinamento legal!), visualizar a pequena nascendo, e depois eu apertava de novo e assim fomos. Chega um momento em que você sabe que realmente chegou no seu limite por aquele dia. Quando chega nesse ponto, conta-se 10 minutos, marido firme e forte lá segurando o aparelho, e você relaxando. Deu uma sensação de bastante ardor nessa hora, que ela disse que é a versão minimizada do círculo de fogo, rs. Só que isso foi passando devagar a medida em que eu ia respirando e me soltando. Aliás, a questão é justamente essa: conseguir relaxar os músculos mesmo com dor, e não tensionar ainda mais, como fazemos meio inconscientemente nessas horas. Com o músculo relaxado, dá pra inflar mais e você não sente dor. Ela disse que se eu quisesse podia apertar mais. Apertei pra ver qual era e vi que conseguia mais um pouquinho. Quando, por fim, acabou os 10 minutos, era hora da “expulsão”, que basicamente acontece sozinha, pois o músculo faz isso por você. Marido foi soltando a força bem devagar e suave, e o balão foi saindo. Eu sentia uma ardência, mas menos do que senti antes, uma sensação que deve mesmo ser parecida com um baby nascendo, rs. E fim.
Depois marido mediu a circunferência pra ver quanto tinha dado e anotamos num papel. A intenção é ir anotando dia-a-dia pra ver a evolução. O intuito é chegar a 30cm, tamanho médio da cabeça do bebê. 
A minha ontem deu 20cm, até que não fui tão mal assim na primeira vez, rs. 
Ah, eu tinha receio também de como seria o “depois”, se eu andaria feito uma pata me sentiria incomodada ou com dor para andar, ou algo assim. Pelo menos aqui não rolou isso, foi tranquilo, ainda bem.
Então, em resumo, o que eu posso dizer é: claro que incomoda um pouco, não quero romantizar e falar que é tão bom quanto comer brigadeiro. Ainda mais na primeira vez, porque é uma sensação completamente nova, você está alongando, trabalhando, sentindo músculos que até então não tinham sido estimulados dessa forma tão específica. Dor, dor mesmo eu não senti. Mas também fiz no meu ritmo, pra ver como era, sentindo tudo. Não dá pra ir inflando como se tivesse enchendo uma bexiga ou um colchão inflável, rs.
Achei ótimo ter essa oportunidade, adorei. A gente vai criando uma consciência corporal incrível, que eu considero muito importante, tanto pro parto, como pra vida. O corpo é nosso e conhecê-lo ainda melhor ajuda no nosso empoderamento, com certeza. Essa foi a impressão que eu tive, pelo menos. (E por falar em consciência corporal, recomendo fortemente a leitura do livro Quando o corpo consente. Perfeito!).
Agora é seguir fazendo todos os dias, até a pequena dar ponto de nascer.

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O meu agradecimento

Gente, como eu faço para agradecer o carinho imenso que recebi de vocês, sem ser repetitiva?
Ainda não sei a resposta, então vai do jeito tradicional mesmo: MUITO OBRIGADO pela força. Vocês são incríveis, fui muito feliz quando resolvi criar esse blog, porque o vínculo fica verdadeiro mesmo, e nesses momentos difíceis tudo que  agente precisa é de apoio.

Ainda está difícil, mas já não está impossível.
O nome desse blog, mais do que nunca, faz todo sentido. Porque o “só até amanhã de manhã ” é uma variação de “um dia de cada vez”. É assim que estamos, vivendo um dia de cada vez. Um passinho na frente do outro, sem pressa, sem projetar nada no futuro, porque ainda é muito cedo. Porque ainda existe um medo do futuro, mas não estou focando nisso agora.
Hoje voltamos à rotina normal. A notícia chegou na quinta, o fato se consumou na madrugada de sexta (sim, no dia do meu aniversário) e nesses dois dias (mais o final de semana) não fiquei sozinha nem um minuto sequer. Hoje todos voltaram a trabalhar, inclusive o Cleber, então estou sozinha em casa.
E até que estou reagindo bem. Ainda não chorei (hoje, quero dizer) e estou fazendo repouso total.
Aliás, da parte fisiológica, está tudo caminhando também. Estou sangrando ainda, obviamente, mas dentro do esperado. Não fiz curetagem, nem fui ao hospital.

Estou sentindo vontade de escrever como tudo se deu, como meu corpo trabalhou. Mas não sei se é legal tantos detalhes, pelas recém-gestantes que me leem, mas realmente sinto que preciso disso. Então, se eu escrever, coloco um aviso no começo pra quem não se sentir à vontade de ler, não se preocupem.
Estou me apegando muito na minha fé. Rezei muito pelo bebê (não, não é mais bolota, não vou mais usar o nome, nem consigo falar mais), e também para entender o porquê disso tudo.
Tenho muita coisa pra desabafar, pra elaborar, mas vou escrevendo aos poucos.

No sábado, a minha doula veio me ver, me doular. Foi muito importante pra mim. Depois ela escreveu uma mensagem na página dela. E eu compartilhei na minha time line com mais algumas palavras. Como não quero perder as palavras dela, vou copiar aqui, pra ficar guardadinho.

“Hoje doulei… doulei uma perda. 
Hoje acalantei uma mãe e QUE MÃE. Apesar de não ter concretizado nas mãos sua maternidade, é MÃE e dessa maternagem, mesmo que breve, nasce uma mulher ao quadrado, uma fortaleza que me encanta, que me mostra que não viemos aqui só a passeio, mostra que nesse tabuleiro vc pode andar uma casa ou pode andar várias e nesse caso, a perdi de vista! meu eterno amor!”


e aqui em baixo o que eu escrevi pra ela e pra todo mundo que me mandou força, que fica como agradecimento à vocês também.

Desde quinta-feira, tenho repetido muito a frase “eu não sei de onde vem a força, só sei que ela tá chegando em mim”. Mas a verdade é que eu estava anestesiada demais para me dar conta. Além da força que veio de dentro de mim mesma, da força dos meus anjos me protegendo, também recebi muita força de todas as pessoas queridas da minha vida. Cada palavra de carinho que recebi aqui, nos meus dois blogs e nos meus e-mails me pegavam no colo. Cada abraço e cada palavra do meu marido, que está sendo espetacular, e cada gesto de amor da família e dos amigos, também não me deixaram cair. À todos e a cada um de vocês que estão me amparando, muito obrigado!

Pra quem não sabe, DOULA é a mulher que dá suporte emocional e psicológico às mães (e pais) durante a gestação e principalmente na hora do parto. Vários estudos comprovam os benefícios de sua presença, mas eu não preciso de nenhum pra saber da sua importância. Eu busquei a minha com menos de 8 semanas de gestação (o que é considerado bem cedo), e não me arrependo nem um minuto sequer disso. Ela foi fundamental no meu empoderamento nesse curto, porém intenso, caminho que percorri até aqui. Ela esteve comigo em cada momento que precisei. E ontem ainda veio aqui em casa, almoçar e passar um tempo comigo. Ela veio me doular. É um apoio que não tem preço. (E esse link que compartilhei são as palavras dela à respeito de ontem).

Isadora Canto, aprendi muito com você. As coisas que conversávamos nos nossos encontros foi fundamental para que eu não fraquejasse, mesmo quando achei que já estivesse em pedaços. Obrigado por tudo, por cada sorriso, por cada esclarecimento, por cada abraço e por essas palavras lindas sobre mim. Muito obrigado! ♥

imagem que a Isa Canto postou na mensagem.

Obrigado, mais uma vez, por todo carinho.
Sigamos um dia de cada vez, sempre. E que eu saiba ter discernimento para lidar com tudo isso.
Amém.

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Doula: empoderamento com amor

A palavra doula vem do grego e significa: mulher que serve.

Durante a gestação, ela tem o papel fundamental de preparar o casal para o trabalho de parto e o parto em si. Conversas, massagens, posições para lidar com a dor e para ter o bebê, dicas de profissionais alinhados às suas expectativas, desmitificação dos mitos que rondam a gravidez e o parto e mais um monte de coisas. 
Isso tudo era o que eu lia nos blogs, nos relatos, nos sites.
Sabia também que muitas mulheres só a procuram lá pela metade da gestação, ou no final mesmo.

Mas se eu comecei a pesquisar sobre parto natural e humanizado bem mais de um ano antes de começar a tentar engravidar, e mergulhei nesse mundo totalmente, então não é surpresa o fato de que, logo depois de confirmar o positivo, eu já marcasse logo uma conversa com aquela que viria a ser a minha doula.
E como assim “viria a ser”, alguém pode pensar, você já não tinha escolhido? Explico (o meu ponto de vista). Se com a equipe médica você tem que ter uma afinidade e uma confiança, com a doula é ainda mais, eu acho. Você estará escolhendo aquela pessoa para te dar suporte emocional em um dos momentos – se não o mais – mais fortes e marcantes da sua vida. Tem de ser aquela relação construída, recíproca. É preciso (muita) confiança, empatia, simpatia. E a gente sabe que isso não acontece com todo mundo. Mesmo que você saiba que aquela é uma profissional-dos-sonhos, se não acontecer aquele feeling, não vai rolar. Tem que ser natural. Sempre acreditei muito nisso.
Aliás, é principalmente para isso o primeiro encontro.
E para ele eu fui ciente dessas coisas. Apesar que é bem difícil eu me enganar assim, ainda mais em alguns casos específicos, se me permitem dizer. Já sentia que daria certo, mas também não podia cantar vitória antes do tempo.

E não me enganei mesmo.
Quando comecei a pensar em quem poderia ser, super levei em conta esses meus pensamentos.
E assim como acontece muito (também em outras áreas) na minha vida, acabei chegando na pessoa certa. Porque sim, eu pesquiso muito, muito, muito. Mas também me deixo ir levando. Não fico muito só na teoria, só na razão. Em algum momento dentro das minhas buscas, me deixo a ir a lugares, links e pessoas que não estavam tão à mostra no início, mas que – depois eu descubro – se tornam essenciais no meu caminho. E assim, meio “no faro”, cheguei até à Isadora Canto.
Muito provavelmente vocês já a conhecem. Ela canta músicas muito lindas (vide CD Vida de Bebê – e parece que tem um novo vindo por aí), tem o Projeto Acalanto, que dizem ser lindo e intenso – e eu vou fazer mais pra frente, o Materna em Canto,  o coral de mães. Isso eu já conhecia, porque quem está nesse mundo materno já escutou, pelo menos uma vez, sua voz (linda, diga-se de passagem).

Mas eu não sabia que ela era doula.
E descobrir isso acendeu aquela luzinha em mim. Por vários motivos – daqueles que a gente sente, não explica. E ainda com o bônus de que eu sou uma pessoa extremamente musical. Música é fundamental na minha vida. E aí pronto, já estava sentido. Só precisaria encontrá-la.

O nosso primeiro encontro foi mês passado, pouco depois da minha primeira consulta na Casa Angela.
Ela atende num lugar lindo, delícia, super aconchegante, que é a Casa Curumim. 
Conversamos por mais de uma hora, eu acho. Foi muito bom! Uma salinha pequena, mas aconchegante, com sofá e almofadas lindas. A conversa fluiu, tanto que nem percebi o tempo passar.
Saí de lá com aquela sensação de quero mais, sabem?
Depois, acertamos alguns detalhes da parte financeira. Achei o preço super justo. Não sou de pedir desconto para alguns profissionais (e doula com certeza, está entre eles), porque gosto de valorizar. É uma profissão de extrema dedicação e entrega, penso muito nisso. E o valor do todo é, com certeza, bem maior que o preço. É a minha postura, não julgo outras. Mas também nunca estive não estou em épocas de vacas gordas (como dizem alguns lá em Minas, rs), então ajustamos alguns pontos, ela super flexibilizou as condições e vivemos felizes para sempre, rs.

O segundo encontro foi hoje. Dessa vez, em outra sala. Com tatame, ambas sentadas em futtons no chão, e almofadas coloridas. Mais conversa. E como conversamos.
E o que eu achava antes, confirmei mais uma vez hoje. A relação que será construída ao longo (no meu caso) de toda gestação, é de muita confiança. É como se fosse uma super amiga, daquelas que você pode contar tudo. Vários pontos da vida são abertos ali, talvez algum assunto mais delicado. Não: com certeza os assuntos delicados virão.
Hoje a Isa me pediu pra contar um pouco da minha história de vida. Ela disse que, na hora do parto, quando estamos lá na Partolândia, no lugar mais interno – e mais longe de tudo e de todos – que vamos chegar, muita coisa do nosso passado pode vir à tona. Porque a gente vai fundo mesmo. E se ela souber da minha história, se falarmos dela algumas vezes, com certeza ela conduzirá melhor lá na frente.
E aí não pode ser aquela coisa morna-entrevista-de-emprego, né?! Falei de tudo, num apanhado geral, mas incluindo os pontos que mais me marcaram. Algumas coisas que mexem comigo até hoje, mesmo tendo acontecido há muitos anos. E posso falar? Foi tão bom!! Saber que é importante falar quem eu sou e que tem alguém ali disposta a me ouvir integralmente, com certeza ajuda a fortalecer a minha autoconfiança.
Depois ainda vimos um vídeo, falamos mais um pouquinho, e terminou – por hoje (mas sim, ela está disponível 24 horas por dia, se eu precisar de alguma coisa).

E se eu puder te dizer uma coisa, eu digo: tenha uma doula.
E agora eu acrescento mais uma definição àquela lá do início do texto. Doula, palavra que vem do amor e significa: empoderamento. Palavra que, mesmo vindo do outro, significa autoconhecimento.

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A história da pequena bolota

“Era uma vez uma fonte de luz. Uma fonte de luz cheia de vida, cheia de ginga, cheia de energia boa. Que vivia num lugar lindo, paradisíaco.
Certo dia, olhando outros seres que viviam em outro plano do planeta, ela viu uma pessoa. Uma mulher. Uma mulher bem decidida a produzir, criar, cuidar e amar um outro mundinho, a partir de si mesma.
Era bonito vê-la buscando tanta informação. E achava também meio divertido o fato de ela ler tanto sobre datas e métodos mundanos para produzir esse mundinho – mesmo que ela não os praticasse ativamente -como se isso lhe desse mais certeza da capacidade inata que o seu corpo possui para tal função. “Humanos e suas manias de controle”, era o que pensava, rindo, a pequena luz. Depois de muito observar, e sabendo que iria ser muito bem cuidada e muito amada por aquela família, resolveu – rapidamente – fazer parte daquilo tudo e ser o tal mundinho que o casal tanto queria. “Mas essa mulher vai precisar entender que não é sobre todas as variáveis que se pode ter controle. É preciso deixar o mistério acontecer sozinho”. Pensou isso e mergulhou no oceano que a levaria até o ventre da mulher, onde ela seria magicamente transformada numa pequenina – mas não menos forte – bolota.
Bolota tem uma presença forte. A mulher que a recebeu tem uma predisposição inata a perceber logo alguma mudança que ocorre em seu organismo (mesmo achando algumas vezes que ele pode falhar). E logo de cara, bem rápido, ela sentiu a presença de bolota. 
Pelos cálculos humanos – e segundo o que uma outra mulher, de jaleco branco, disse – bolota tinha a “idade gestacional” (que nome engraçado, pensava bolota dentro da barriga) de 6 semanas, no dia da consulta. No dia seguinte, a mulher foi a um outro consultório para tentar marcar uma teleconferência com bolota. Descobriu, ali naquela pequena recepção, que poderia entrar imediatamente para realizar a teleconferência, pois bolota já estava na linha aguardando – e o moço que faria a ligação também. Com um convite desses, a mulher não teve como recusar. Aceitou de pronto. Quando deitou para começarem a teleconferência, o moço diz pra mulher: “ainda não dá pra ver o embrião (e aqui uma pausa que durou até o natal daquele ano, tão longa que foi), você está de 4 semanas”. Enquanto a mulher-mamãe ficava muito confusa com essa informação, querendo saber se estava tudo bem, e enquanto o moço assegurava que “sim, está tudo bem, e olha só, está implantado no útero, certinho, volte daqui umas 2 semanas para fazermos de novo”, a pequena bolota apenas ria dentro da sua casinha aquática. “Eu estou aqui, não estou?! Porque eles tem que ser mais apegados a números do que ao fato de que estou bem? Tss tss, ainda tenho muito a ensinar à essa minha mamãe”.” Fim do primeiro episódio da novela: A vida de Bolota.
E aí, meninas, o que acharam da minha história? Completamente baseada em fatos reais, juro. O tal exame “surpresa” aconteceu na quinta-feira. E eu não sei mais se estou com 7 semanas (que eu faria ontem), ou se essa semana vou entrar na 5°. A sensação de “voltar no tempo”, assim bem literalmente, que me acometeu quando ouvi as palavras qua-tro-se-ma-nas foi surreal, vocês não imaginam o quanto. Deu até um medinho de algo estar errado, mas já passou.
Posso ter ovulado mais tarde e, por isso, estar de 4 semanas? Sim, posso. Meus ciclos sem o AC estavam em mais de 30 dias (o último tinha sido 34). Mas em abril eu nem menstruei. E depois, fiquei pensando: Meu Deus, como eu descobri tudo cedo então, né?! Se as contas do ultra estiverem certas, descobri com 3 semanas!! Que teste de farmácia poderoso esse, hahaha E o meu feeling apuradíssimo também, tenho que dizer.
Bom, não sei. Não sei se faço outra ultra antes da próxima consulta, ou se espero pra ver o que cada médica (a EO da Casa Angela e a outra médica que vou passar em paralelo) tem a dizer sobre isso. 
O que eu já tirei desse primeiro impasse foi: meu corpo realmente é poderoso, tô confiando nele! E essa minha mini bolota já apronta, né?! Como não amar, minha gente?
E enquanto bolota decide de são 7 ou se são 4 semanas, hoje eu fui ter a primeira conversa com a mulher que será a minha doula (quer dizer, agora já é! rs)! Linda, gente! A conversa durou pouco mais de 1 hora. Falamos de tanta coisa, foi muito bom!!! Como ainda estou muito no comecinho da gestação, não vamos entrar de cabeça nos atendimentos ainda. O próximo será mês que vem, e seguirá assim até a 20° semana, mais ou menos, que passará a ser quinzenal. E depois semanal. Estou feliz por tê-la comigo, vou me sentir muito mais segura durante toda a caminhada, tenho certeza.
E por aí, como andam as coisas? 
Volto em breve com mais papo – inclusive como (não) foi o dia da Mães por aqui.
E para cenas dos próximos capítulos da  minha novela, é só aguardar mesmo. 

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