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Gestação: caminho para dentro

Que eu sou uma pessoa intensa, que gosta de remexer no que está sentindo, buscar novas visões e entender bem o que se passa aqui dentro não é nenhuma novidade pra quem me conhece ou me lê. Isso acontece por uma série de motivos que, se eu fosse explicar direitinho, daria um (ok, mais de um) texto a parte. O fato é que eu sou mesmo assim e tudo bem, gosto disso. Só não sabia que isso mudaria um pouco quando eu engravidasse.

Na verdade, é meio complicado tentar explicar, porque como ainda estou no meio do processo, não sei em que pé estamos ou o que aprenderei com tudo isso. A sensação que eu tenho é que passou um vendaval surpresa por essas bandas e que ainda estou perdida. Percebo que há muita coisa para ser arrumada, limpa e organizada, mas é difícil saber por onde começar, tamanha bagunça do local. Aliás, isso aqui faz parte do começo da organização. Escrever, pra mim, é arrumar a casa, colocar cada coisa em seu lugar.
E não que seja uma coisa muito grave ou um problema enorme. Mas viver o novo, mesmo que seja cotidiano, faz a visão ficar mais apurada mesmo, não tem jeito. A prática é bem diferente da teoria, isso eu constato todo dia. E sim, isso mexe com o que a gente já sabe sobre nós mesmos. Ou melhor, com o que achamos que sabemos. Estar grávida é exatamente esse bagunçar de certezas. Ou é a maternidade, no geral, que é? Também não sei se isso acontece com todas as mulheres e só algumas é que decidem dar ouvidos a esse barulhinho de inquietação e ir investigar, ou se tem mulher que é mesmo super prática e bem resolvida. Fato é que eu tentei ignorar e colocar outras coisas em cima, mas não deu.

Lá atrás, quando comecei a estudar sobre gestação, parto e nascimento, fui criando uma espécie de base, que foi crescendo e se transformando claramente no que eu queria e desejava. Que demais!, eu pensava. Pude decidir isso assim tão cedo, imagina só, tem gente que só se dá conta do que realmente quer com 30 semanas pra lá, que bom que vou ter mais tempo pra me organizar.
ha-ha-ha.
Que tolinha que eu fui, achando que já estava assim tudo pronto, que a vida organiza a estrada dessa forma tão certinha pra gente só chegar e passar. Claro, por eu já ter muita informação e realmente já saber o que queria, muita coisa ficou mais fácil, sim. Já sabia desde o começo o que priorizar, aonde ir, com quem falar, quanto ter. Ter tudo encaminhado foi mesmo uma mão na roda, não posso reclamar. Mas eis que eu engravido e descubro, no meio do processo, que existem outras questões a serem abordadas. Questões que eu não encontrei em nenhum blog ou livro, pelo simples fato de serem só minhas. E que essas questões poderiam interferir, mesmo que indiretamente a princípio, nas decisões anteriores. E que só quem pode escolher alguma coisa sou eu, porque né?! empoderamento tem dessas coisas – e que ótimo que tem! Só que nem sempre é fácil escolher, esse é o ponto. Nem sempre é possível mudar uma rota assim, quando já se está pra lá do meio da linha de partida (e de chegada também). Nem sempre é fácil quando existe um prazo. E aqui está a minha principal questão: nem sempre é fácil quando existem outras pessoas envolvidas. Não só você. Não só você, seu bebê na barriga e seu marido. Outras pessoas. Ao mesmo tempo em que eu tenho plena consciência de que toda essa escolha está numa esfera muito pessoal e que não posso deixar de fazer, o que quer que seja, por causa da opinião de terceiros, também sei que bater de frente com o que se apresenta como obstáculo nem sempre é a melhor solução. É preciso saber dosar as coisas, e é nisso que consiste a bagunça que tenho que arrumar.

Na realidade, tudo isso tem muito mais a ver com assuntos pessoais e bem menos com o parto em si, ou com a gestação toda. Nem só de processos fisiológicos, nutrientes e semanas se faz um bebê. Ou melhor, nem só de processos fisiológicos, nutrientes e bebê se faz uma mãe. Ou melhor, nem só de processos fisiológicos, bebê e maternidade se faz uma nova mulher. Ah, acho que deu pra entender. Existem outras coisas. Existe aquilo que você acha que já está super bem resolvido, mas que é só numa situação dessas – com muito hormônio e alguma reflexão envolvidos – é que realmente vêm à tona e você percebe que não, não está super bem resolvido coisa nenhuma. No máximo estava pré-resolvido, com alguma decoração em volta, disfarçando e fazendo as vezes solução. Só aí você se dá conta da poeira que mora debaixo do tapete e o tamanho da faxina que terá que fazer, se quiser realmente viver num lugar limpo e parar de ter problemas respiratórios de uma vez por todas.

Quando você tem aquele click e de repente sabe de onde vem aquele tal barulhinho que não te deixava em paz, quando os acontecimentos são nomeados, eles passam a realmente existir, não é mais uma sensação ou uma ideia da sua cabeça. Você sabe pro que está olhando. E sabe, pelo menos a princípio, o que deve ser feito. E aí você chega em outro abismo: o saber o que fazer e a ação propriamente dita. Não sei se conseguirei construir essa ponte a tempo, porque realmente existem fatores externos que não sou eu quem comando. Isso me dá um certo desconforto, mas é preciso começar.
Posso deixar pra amanhã, pra depois que o bebê nascer? Claro que posso, a decisão é mesmo só minha. E poderia até ser mais fácil desse jeito. Mas quero ver é juntar fácil e maternidade na mesma frase – é quase um erro de concordância. Quero ver é dormir tranquila numa bagunça dessa.
Não faço ideia do que vai acontecer logo ali adiante. Mas pra saber só mesmo indo, não é? Então eu vou.

                                    
O caminho das pedras vai dar no mar.
Né?

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Dois dedinhos de prosa

Oi, gente linda! Dei uma sumidinha, né? As coisas estão meio agitadas do lado de cá. Mas resolvi passar aqui hoje para, como diria minha mãe, colocar a fofoca em dia, rs.

E como não começar parabenizando a Carol pelo nascimento do Thomas? Já faz uma semana, mas nunca é tarde para dar os parabéns. Ele é uma delicinha de bebê e chegou nesse mundão através de um parto natural, que a mami-Carol já contou aqui, e foi como deve ser: com muito respeito e rodeado de amor. Me emocionei de verdade, Carol! Parabéns pelo filhote lindo e bochechudo, rs ❤ (e eu também quero minhas fotos de parto com a Carla, ela arrasa, né?! 🙂 )

E por falar em respeito ao parto…
Ontem foi dia de Projeta Brasil, o dia em que a rede Cinemark passa só filmes nacionais a 3,00. E qual era um dos filmes escolhidos esse ano? Sim, senhoras e senhores, ele, o lindo, o emocionante, o inigualável, tudo de bom… O Renascimento do Parto!!! \o/
Ele já tinha saído de cartaz aqui em Sampa há um tempinho. Eu queria muito ter levado minha mãe e uma amiga minha para ver, mas logo depois da estreia teve a minha perda, repouso e, depois, minha mãe falava que não estava em nenhuma vibe de ver filme parto (acho que nem eu, na verdade). Acabamos não indo. Agora, quando vi que ele foi selecionado, corri para contar pras duas e já deixar marcado.

E pois bem, dia 11/11 chegou e lá fomos nós! Um calor do inferno nessa cidade e a gente andando no deserto do saara debaixo do sol rachando até chegar ao shopping, mas tudo por uma boa causa, né? E nada que um bom sorvete não tenha apaziguado depois 😛
Já comprei logo um saco de pipoca bem grande, porque eu sabia que seria necessário (pra ter o que fazer quando passasse as cenas de cesária e as de violência obstétrica – olhar compenetradamente para o saco de pipoca e tentar colocar o maior número delas na boca de uma vez, hahaha).
Foi uma delícia assistir de novo. Sentei no meio das duas, para acompanhar as reações, rs. Minha amiga ficou calada o filme todo (quer dizer, no início ela tentou me perguntar uma coisa, mas deixamos para esclarecer as dúvidas no final), bem concentrada. Já minha mãe, ficou horrorizada principalmente com as cenas do tratamento que os recém-nascidos recebem ali na sala de parto, ficava dizendo “que horror! eles são muito brutos! isso é um absurdo!”. Ela ficou bem indignada mesmo. Eu também sinto vontade de chorar quando vejo, confesso. Mas dessa vez o que me emocionou mesmo foram as cenas felizes dos partos respeitosos. Gente, como é lindo ver um bebê nascendo e sendo recebido com amor, com respeito, com carinho, como deve ser sempre. Mexeu muito comigo essa parte (mais uma vez) e faltou uma gotinha pra eu me desabar a chorar. E o mais gostoso foi, no fim do filme, ouvir minha mãe dizer: “ah não! mais do que nunca a gente vai lutar pelo seu parto, vai ser lindo!”, “eu estava pensando, acho que você deveria ter o parto na água. é lindo e bem menos traumático pro bebê. acho mesmo que deveria ser na água!”, entre outras coisas.
O caminho todo da volta foi animadíssimo, regado a muita conversa e esclarecimento de algumas dúvidas. Não tem como negar, o filme é forte, mexe com a gente meeesmo e você sai do cinema toda ocitocinada, com vontade de mudar o mundo, de fazer alguma coisa… e de parir logo! haha. Elas me agradeceram por eu ter insistido em levá-las e adoraram a produção. E quando sair em dvd, certamente vou comprar também. Como bem disse minha mami: quando sair o dvd eu quero, vamos mostrar pra todo mundo, fazer um trabalho mesmo com as pessoas. Linda, sim ou com certeza? 😀

Mudando totalmente de assunto…
esses dias eu andei pesquisando (ainda mais) um pouco sobre as fraldas de pano modernas. Lindas, econômicas, ecológicas, fáceis de usar, tudo de bom! Sério, eu acho a coisa mais fofa do mundo, rs! Já decidi que usarei no meu futuro baby, sim, com toda certeza, e daqui a pouco já quero começar o estoque, porque não quero fralda descartável (acho que no comecinho devo usar as wiona, que são biodegradáveis e meio carinhas, mas um pacote ou dois eu compro, pra suprir os primeiros dias de cansaço, e depois partimos pras de pano mesmo). Na verdade, até pensei em revender algumas, porque eu estava pensando que seria muito bom trabalhar com alguma coisa referente a maternidade. Mas ainda não sei, foi só uma vaga ideia que passou aqui pela caixola, nada mais.

E é isso, chega de falar porque senão isso aqui fica gigante, haha. Tudo bem com vocês? Estou ausente aqui no blog, mas passo diariamente no cantinho de todo mundo e costumo dar às caras com maior frequência lá na página do face. Se precisarem de algo, estou por aqui 🙂

Voltarei em breve (mas não sei quando, rs) com mais trololó.
Beijo, todo mundo!

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Arquivado em ativismo, conversando, empoderamento, filme, renascimento do parto

Quando você se pega pensando…

… “quer saber? Eu não preciso de médico X, Y ou Z me acompanhando. Nem me certificar de que terei a quantia necessária pra hospital + equipe. Nem fazer acompanhamento com o profissional que eu escolher desde ontem, pra garantir alguma coisa. Quer saber de novo? Talvez eu não precise de nada. Pode acontecer em qualquer lugar, e vai ser lindo. O negócio é comigo. Porque o trabalho será entre meu bebê e eu. E nós estaremos preparados.”

É sinal de que está empoderada?

Porque é exatamente assim que me sinto!! \o/

Arquivo pessoal

(volto com um post completo sobre esse pensamento muito em breve, aguardem)

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Arquivado em coisa linda, confiança, empoderamento, sentimento