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Sobre escola, o tempo de cada um e expectativas superadas com sucesso

São onze da manhã e eu tô aqui com saudade da minha pequena moça. Mãe é bicho estranho mesmo. Passa o dia inteiro com a cria e reza um terço inteiro pra conseguir uma folga, ir fazer outra coisa, ter um tempo em silêncio pelo amor de deus. Aí a quiança começa a ir pra escola e na segunda semana tá a mesma mãe com saudade apertada, sendo que deixou a pessoinha no portão há três horas atrás.

Vai entender.

Mas sim, é oficial. Agnes está na creche. Depois de exatamente um ano na fila, saiu a vaga na CEI aqui perto de casa (que eu queria que fosse mais perto pra levá-la a pé, mas é inviável com mochila, ladeiras etc) (ok, eu volto a pé sozinha e já é um exercício pra começar o dia).

Ano passado a gente até tentou que ela fosse pra uma escolinha. Compramos material, uniforme, mochila quase do tamanho dela, lancheira… pacote completo. Menos de dois meses depois estávamos na secretaria pra cancelar tudo, porque ela realmente não estava bem. Não estava feliz, pra ser bem sincera. Era visível em seu rostinho que não estava se sentindo bem naquele espaço. Chorava quando eu dizia que era hora de tomar banho pra ir escola, na trajeto até lá, na porta e entrando. Depois eu até recebia foto dela no whatsapp (“olha, mãe, ela ficou bem”), mas como eu dizia: não é porque não está chorando que está tudo bem. Tem todo o contexto envolvido. Ela não interagia, comia muito pouco, tinha a expressão do rosto de quem não estava bem ali. E saía de lá irritadíssima, brigava muito comigo e com o pai, batia, chorava… estava mesmo liberando seus sentimentos com a gente, que era onde ela tinha segurança. E nós, que a conhecemos muito bem, vimos que sua vitalidade estava caindo e voltamos atrás. Melhor decisão. 90% da irritação passou já no dia seguinte, foi visível o quanto ela gostou da novidade.

Tudo bem, ficou o aprendizado que cada coisa tem o seu tempo e aquele não era o dela. Eu até gostava das tardes escrevendo em cafés e indo ao cinema, mas é óbvio que não estava disposta a pagar um preço tão alto por uma cena ideal. Voltamos para a companhia uma da outra em tempo integral. Quer dizer, ela voltou pra companhia dos pais em tempo integral, não só da mãe. Já que temos esse privilégio de trabalhar de casa, que usemos a nosso favor, né.

Eu sabia que esse ano a colocaria na escola, mas não fazia ideia de onde seria. Não havia possibilidade de pagar as escolas que eu gostava mais, não consegui bolsa em uma super querida do coração. E pra pagar de novo algo que a gente podia mas que não fazia bem pra ela, que era mais espaço fechado e nenhuma grama, tudo tão padrão e igual e com apostilas… de novo, não, obrigada.

Em janeiro recebemos a ligação da creche pública e aceitamos prontamente. Está longe de ser daquele jeito que eu sonhava, ou de ter o espaço físico que a gente curte mais, mas gostamos do que vimos, sim. O mais interessante foi perceber que, mesmo antes de conhecer, a própria Agnes estava curtindo bem mais aquela escola do que a anterior. A começar pelo nome, que começa com “estrela”. Ela adora céu, estrela, nuvem, sol… Disse que a próxima escola vai ser de lua e sol, hahaha.

Essa é a parte que eu digo que estou adorando a praticidade da escola pública. Sem frescura de material, sem alfabetização na educação infantil, alimentação toda deles (que é ok, mas tudo bem). Simples e funcional, sabe assim? Minha única insegurança era sobre o horário, já que para creche a carga é de 10 horas por dia. Meu Deus. A gente mal dá conta de meio período longe uma da outra, imagina o dia todo, como é que vai ser isso? O máximo que consigo, pra enxugar esse horário, é levá-la no último minuto (haha) e buscar no primeiro instante.

Semana passada foi o começo. Deixei ela lá, que chorou um pouco, e voltei quase chorando também. Mas quando fui buscar estava tudo bem, ela estava animada, me contou tudo, foi uma alegria só. Foram três dias saindo às onze da manhã, e dois dias saindo às duas da tarde, pra ter a adaptação do sono – que era outro fator que me “preocupava”, porque em casa ela já não dormia a tarde há tempos e pra dormir longe dos pais é bem difícil. E querem saber? Ela dormiu e dormiu rápido. Eu disse pra professora que ela gosta de companhia pra dormir, aí ela sentou do lado dela e fim, dormiu.

Hoje será o primeiro dia que a buscaria no horário “oficial”, sem adaptação. Vamos ver como estará. Mas ela sabe que horas eu vou e isso já nos acalma. Todos esses dias, quando nos despedimos, ela chora, mas depois de dois minutos não está chorando mais (eu vejo porque muitas vezes sou eu que levo a mochila na salinha dela, já que todos os dias a #menas aqui chegou atrasada e eles já estavam no refeitório, hahaha. Mas o bom é que eu vejo que está tudo bem e saio mais tranquila também).

Enfim. Ano novo, rotina nova.

Que seja bom pra gente. Que ela seja muito feliz. É só isso que esse meu coração de mãe deseja pra ela.

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O meu tipo de mãe

Esses dias vi algumas queridas escrevendo sobre o “tipo” de mães que elas eram e achei bem legal. Porque, né, é sempre bom recordar que não existe modelo perfeito, o ideal morre pra nascer a realidade e nem sempre a realidade é o que ouvimos ou vemos ou acreditamos ser até o dia que chega a nossa vez. Então, para me lembrar disso e incrementar essa corrente divertida, também vou brincar, vamos lá.

Eu sou a mãe que não tem rotina definida com a filha.
Que liberou a tevê sem culpa depois dos dois anos (porque antes era com um pouquinho de culpa, na verdade, rs), mas alguns desenhos seguem sem o conhecimento da pequena. Que assiste série com o marido enquanto ela brinca pela sala.
Eu sou a mãe que quer um quintal e mora num apartamento de 35 m². Que tem que sair pra respirar, porque ficar o dia inteiro aqui dentro enlouquece.
Eu sou a mãe que ainda não colocou a filha na escola, mas que também não faz mil e uma atividades lúdico-pedagógicas-sustentáveis. E tampouco sigo disponível para brincadeiras o dia inteiro, porque de vez em quando a prioridade sou eu. E que bom que existem os avós pra dividir a atenção e salvar o fim do dia.
Eu sou a mãe que leva a pequena pra brincar lá fora num pedacinho de grama e terra e aproveita pra ficar descalça também, porque é o jeito que eu me sinto bem e mais presente. Que deixa a filha pintar com guache no corpo (seu e dela), que larga tudo pra dar colo quando a coisa aperta e que tenta se lembrar de respirar fundo pra não gritar. Mas que já gritou também.
Eu sou a mãe que levou a filha de 2 anos numa pré-estreia de cinema, numa sessão que começava meia noite, porque sabia que seria melhor ficarmos juntos (pai, mãe e bebê). E foi incrível porque ela correu todo o tempo em que estávamos lá fora e dormiu assim que o filme começou. Porque eu sou a mãe que tenta conciliar as demandas da pequena com as próprias vontades. Tem sido assim e a gente até que tem encontrado algum equilíbrio e leveza pelo caminho.
Eu sou a mãe que de vez em quando cisma que tá fazendo tudo errado e tem vontade de mudar de casa, de cidade, de estado. Que chora quando ela dorme pensando que podia ter sido melhor. E que no dia seguinte se entrega um pouquinho mais, e assim descobre que a balança é muito difícil de se manter equilibrada, puta merda.
Eu sou a mãe que leu todas as teorias antes de engravidar e que guardou a maioria delas na gaveta depois que pariu, porque foi percebendo que a coisa mais eficaz é investir na relação, e isso a gente faz no cotidiano e os livros não dão conta da complexidade e imensidão que é uma vida com uma pessoinha ao lado. (e quem disse isso é a mãe que está se descobrindo escritora e tá aqui praticamente falando mal dos livros, vão vendo a loucura dessa mãe).

E tanto mais. Céus. Eu sou a mãe que descobriu que tem muitos interesses e paixões, para além do mundo infantil, que sempre fez (e faz) tanto sentido pra mim. E que ainda não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, como encaixar tudo dentro de uma mesma vida. Mas que segue tentando. Ressignificando. Cuidando de quem é. Porque é disso que a travessia é feita. Pelo menos é o que ela acha.

E você, como se vê na maternidade?

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Da calma para as curvas inesperadas

Teve uns dias aí pra trás que a Agnes não queria comer fruta no café da manhã. Fazemos essa refeição juntos, nós três, e ela queria comer pão com manteiga ou requeijão, tal qual estávamos fazendo. Agora que ela não reage mais ao leite de vaca, tenho liberado algumas coisas, como um pouquinho de requeijão. Ela adora! Enfim. Ela queria isso e era isso que ela comia. Ignorava solenemente o mamão, a banana, a ameixa ou o que quer que estivesse na mesa, só tinha olhos pro pão com requeijão.

Nessas horas, meus pensamentos voam longe. “Lógico que ela não quer fruta, os pais dela não estão comendo fruta no café da manhã! Preciso mudar minha alimentação também. Céus, ela comia tão bem de manhã, nunca mais vai querer fruta, pão não é assim tão nutritivo, sou um péssimo exemplo…” e assim seguia por tempo indeterminado. Eu realmente acredito que a minha cabeça tem uma vida própria, à parte dos afazeres do dia, só assim pra explicar esses surtos de vozes sem fim, hahaha.

Não briguei com ela, nem disse nada sobre esse comportamento. Fiz o que costumamos fazer nessas horas, em relação à alimentação: deixei que ela seguisse tendo (alguma) autonomia, mas segui oferecendo frutas todos os dias no café da manhã. Mesmo já tendo certeza que ela iria querer o bendito pão todos os dias daqui até 98 anos de idade.

E então, uns dias depois, eu ainda estava colocando a mesa e perguntei a ela: Filha, o que você quer comer? Já esperando a tal resposta. E ela disse: Mamão. Eu téo (quero) mamão, mãe. Fui pra cozinha quase descrente, mas segui firme no pedido. Cortei o mamão, coloquei no pratinho e dei a ela. Ela sentou em sua cadeira e apenas comeu todos os pedacinhos, sem nem lembrar de pão (naquele dia, rs).

E aí eu penso. Por que a gente sofre tanto, né? Como se tudo fosse assim tão definitivo, tão certo. Por que não confiar e seguir vivendo um dia de cada vez? A gente acha que nunca mais vai dormir, que eles nunca vão comer, que vão comer tudo errado. É tanta coisa que a gente pensa e já vai tendo certeza, sem se dar conta de que eles, esses pequenos danadinhos, estão experimentando o mundo, não querem saber nada de futuro ou de certezas absolutas. Só querem experimentar e viver. É claro que precisamos seguir no caminho que escolhemos e que achamos melhor, mais saudável e possível para nós e nossa família, mas quando surgir uma curva inesperada, dias difíceis e fora do que consideramos ideal, não é preciso sair correndo desesperada em busca de solução. Não assim no primeiro segundo, pelo menos.

Tenho visto, na prática, que é muito mais proveitoso esperar um bocadinho, não sair falando aquelas “profecias auto-realizadoras” (meu filho não come! ela é terrível! fulana odeia dormir!) e apenas observar o que realmente nossos pequenos estão fazendo. Principalmente porque eles mudam muito, o tempo todo. Não dá mesmo pra ser muito definitivo nessa fase da vida. Além do mais, pode ser que sejam só uns dias fora da rotina. As vezes a gente precisa mesmo variar, não é?

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Notícias do lado de cá

Então eu sumi, né gente?
Tanta coisa aconteceu que eu nem sei por onde começar os registros e devaneios… Fiquei aqui pensando em assuntos que cabiam num post, aquela coisa bem organizada e leanda, mas como nunca começo – o tempo tá complicado aqui – vamos fazer um apanhado geral de como andam as coisas por essas bandas de cá o//

– 25 semanas e 5 dias de gestação. CÉUS! Esse timer aí do lado me diz que, exatamente hoje, faltam 100 dias para a minha DPP. Gente, 100 dias é amanhã! Onde eu estava que não vi esse tempo passar? rs. Não estou ansiosa em relação as compras e arrumações que ainda faltam, vai dar tempo de tudo, com certeza. E outra, o essencial ela já tem: mamãe (ou seja, muito colo e leite), papai e fraldinhas lindas para usar. Mas fico pensando que daqui a pouquinho ela vai estar desse nosso lado do mundo, tudo vai ser tão novo, tão intenso, e juro pra vocês: às vezes parece que a ficha ainda não caiu (oi, lerdeza, haha).

– Quer dizer, se eu tivesse escrito isso no fim de semana talvez eu estivesse ansiosa, sim. No sábado saímos, minha mãe, marido e eu, para darmos um up no enxoval da pequena. Compramos roupinhas, cobertor, meias, toalha, uma lindeza sem fim. Aí fiquei pensando em tudo que ainda falta e nossa! a minha constatação é de que: o mundo capitalista vai engolir todos nós. Você vai entrando na onda, vendo tudo que supostamente vai precisar, vendo quanto custa cada item e quando vê já está doidinha com esse mar de coisas. A sensação que eu tive, no sábado, foi de que não daria tempo de conseguir tudo. E isso porque eu já sei de muita coisa que não quero, pelo menos por enquanto. Se eu fosse seguir uma lista pronta, estava ferrada – e falida! Mas já passou, já voltei a mim e tá tudo bem de novo, hehe.

                                             
parte das peças da pequena: por um mundo infantil bem colorido e confortável \o/

mas pra não dizer que é tudo unissex, temos umas peças beeem menininha 😛
fraldas de pano: a coleção tá crescendo 😀

– Por falar em enxoval e preocupações, lembrei dazamiga tudo linda e empoderada que estão totalmente alheias a essas coisas de consumo, focadas no parto, no corpo, no ato lindo de gestar, parir e amamentar. Divas! Eu, que sou uma pessoa bem bagunçada, estou vivendo um pouco dos dois lados, hahaha. Na verdade é assim, não estou com os dois pés enterrados nas compras, por motivos de 1) não tenho paciência de comprar tudo só pra falar que comprei, ainda mais com alguns pensamentos que tenho, 2) sim, estou pensando super no parto; meu foco, inclusive financeiro, sempre foi esse, desde o começo, e 3) não tenho verba nem espaço para tudo isso (em outras palavras, minha casa não é depósito, rs). Mas preciso dizer também que pensar nas coisinhas dela está sendo uma parte bem gostosa da gestação, sem contar que é uma fase né?! Quero viver tudo, pacote completo. No começo eu não estava nem aí, achando cedo demais pra qualquer coisa. Mas agora as coisas estão fluindo e tá muito bom. No momento estou num dilema pra saber qual carrinho comprar, visto que não quero um duro (Cleber e eu sempre achamos os carrinhos e bebês confortos duros demais, veja só que paradoxo, rs), mas também não pode ser mais caro do que o meu parto, né?! Quanto mais eu pesquiso, mais confusa fico, porque são trocentas mil opções, então estou aceitando indicações 🙂

– Sobre os meus sentimentos em relação ao parto, muita coisa tá mudando e pretendo escrever um post só sobre isso, até pra me ajudar a ver tudo em perspectiva. O que já digo desde já é: está tudo lindo e decidido, só que mais ou menos. Algumas mudanças estão começando a acontecer, e com certeza isso é um reflexo da mudança que também ocorre aqui dentro. Percebi que algumas coisas estavam meio automáticas e não estavam me agradando mais – e ainda bem que estou sempre atenta a alguns sinais, porque deixar as coisas rolarem em vão, ao sabor do vento, não é muito a minha praia, preciso eu mesma trilhar o meu caminho. Ou seja, hora de rever alguns pontos. Pra que deixar tudo como está se podemos melhorar, não é  mesmo? E já descobri, agora mais do que nunca: a busca por um parto respeitoso e natural passa dentro do caminho do autoconhecimento. Não é fácil, mas vale muito a pena.

– Fisicamente está tudo bem. Tô fazendo os exercícios duas vezes por semana, ou melhor, alguns dias eu faltei, mas tô persistindo. A barriga deu uma crescidinha e já sinto o pesinho dela mais pra cima também. Minha pele está fazendo com que eu me sinta com 13 anos, esses hormônios estão mesmo uma loucura, mas é o que tem pra hoje, então vambora. Dei uma derrapada na alimentação esses dias, mas já tô voltando pros eixos, ou pelo menos tentando, porque a balança já sentiu um pouquinho disso, haha. Devo repetir os exames do segundo tri em breve, dedos cruzados para estar tudo em ordem 🙂

– Tá tudo lindo com a Agnes, graças a Deus. Ela se mexe bastante e, pasmem, em alguns momentos já dá pra ver só de olhar pra barriga, sem precisar colocar a mão. Eita menina animada! rs. Fica especialmente feliz depois que eu como e bem animada a noite também. Como pode, né?! Tão pequenininhos, esses bebês, ainda em desenvolvimento, e já tão amados e serelepes. É uma delícia interagir com ela, muito amor por essa fase em que estamos! ❤

Olhem só como estamos crescendo *–*

Ufa, acho que por enquanto é isso. Vou tentar escrever com mais frequência de novo, porque me faz bem.
Sorry por não ter respondido os últimos comentários, as coisas andaram conturbadas (e se der, depois eu conto o que houve). Mas vamos voltar ao normal, ieba!!

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21 semanas com algumas novidades

Hoje completamos 21 semanas de bebê sendo fabricado na barriga \o/
Se chegarmos até 42 semanas, estamos bem na metade, né?! Como é só ela que sabe a data, me contento em apenas me preparar ao máximo possível e deixar tudo arrumadinho (ou quase isso, rs). O resto vai ser na emoção mesmo, rs.
Mas não, ainda não temos tudo arrumado. Na verdade, quase nada! haha. Na minha cabeça ainda estava cedo, vê se pode! Agora acho que já posso começar a me mexer, rs. As mudanças no quarto acontecerão aos poucos, ainda não defini exatamente onde ela vai dormir e o enxoval ainda precisa engordar um bocado. Mas também prefiro que tudo se ajeite assim, no seu tempo. Já estamos conversando e decidindo alguns detalhes… Tô curtindo essa preparação.

E finalmente começarei meus exercícios tão sonhados!! #todascomemora que agora não serei assim tão menas, haha. Mas falando sério, fiz um repouso maior nessa gestação, tanto pela minha perda anterior, quanto por sentir que precisava ficar mais quietinha mesmo. Há umas semanas atrás me peguei querendo muito fazer algum exercício, mexer mais esse corpinho, mas aí foi difícil achar uma vaga, num lugar que eu pudesse pagar. Porque tudo pra gestante é mais caro, né?! rs. Eu sempre frequento a rede Sesc e ano passado fazia yoga e hidro lá, mas com tanto repouso que fiz na outra gestação, acabei perdendo a vaga (mas eram cursos “normais”, sem ser direcionado às gestantes especificamente). Como é muito concorrido, achei que não fosse conseguir dessa vez, já tinha até tentado, inclusive, e estava mesmo tudo esgotado. Mas aí, resolvi tentar mais uma vez e descobri um Programa de Gestantes, duas vezes por semana. Num dia é voltado pro yoga, algumas coisinhas básicas de pilates, alongamentos, respiração, etc. Em outro dia, exercícios na água. Tudo que eu queria! rs. Começo hoje, depois volto pra contar como está sendo.

Outra novidade…
ontem passei em consulta na Casa Angela. Sim, voltei às origens, rs. Até então eu não tinha ido, porque como me dou realmente bem com a minha médica, estava deixando as coisas rolarem. Na consulta de fevereiro conversei com ela, falamos muito sobre parto, e resolvi que iria voltar lá, pelo menos para ver o que meu coração me dizia. Como eu quero um parto com o mínimo de intervenções possíveis, num local acolhedor, com pessoas do bem ao meu redor, a Casa Angela é um lugar bem indicado mesmo. Não tem clima de hospital, é realmente uma “casa”. E como moro dentro do limite deles, mesmo não sendo no mesmo bairro, o atendimento pré-natal, parto e pós parto pra mim sai de graça. Ou seja, uma ótima pedida, rs.
Adorei a consulta, como sempre. Foi com uma EO que eu ainda não conhecia (acho que ela não trabalhava lá ainda, “na minha época”), super gente boa. Acho que a consulta durou mais de uma hora, foi bem completinha. Conversamos bastante e fiquei bem satisfeita. E na hora de ouvir os batimentos da mocinha, quem disse que ela parava quieta? haha. Começávamos a ouvir e ela mudava de lugar, uma danadinha mesmo, hehe. Mas sim, com a gente está tudo ótimo, graças a Deus.
E agora seguiremos com dois pré-natais, rs. A casa de parto está como plano A, por enquanto, mas se no final eu sentir que quero a Cátia comigo, por qualquer motivo meu, iremos pro hospital, sem problemas. Mas isso ainda veremos, na hora certa. Estou me sentindo bem tranquila com as duas opções, por me darem a segurança e o respeito que eu preciso.

Ah, sobre o último post, valeu mesmo a força, gente! Eu sou meio revoltada com gente que se mete além da conta onde não deve, apesar de sempre fazer minha cara de paisagem do windows, haha. Mas escrever sempre me relaxa, e acabei fazendo isso aqui no blog. Só vocês mesmo pra me aguentarem e ainda rirem comigo, rs. Estou numa boa agora, amém.
Semana que vem é dia de morfológica, aí volto pra contar se a Agnes continua sendo Agnes, se passou a ser AgnOs, ou se colocou uma plaquinha de “volte mais tarde, estamos em reunião decidindo alguns detalhes técnicos”, hahaha.

E claro, vamos a foto do dia (relevam a cara de sono da pessoa, ok? obrigada, rs).

21 semanas de amor bem crescente 🙂

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A base que construiremos juntos

Escrevi um texto sobre algumas escolhas que fiz e os motivos que me levaram a não realizar um chá de bebê. Na verdade, aquele era um texto mais sobre o chá de bebê, sobre um recorte do meu mundo, sobre o fato de eu conhecer os meus convidados e, por isso, optar por não fazer essa festinha, e menos – bem menos – sobre o meu poder de decisão de certas coisas na maternidade.
Simplesmente porque não podemos prever tudo. Ou quase nada.

Eu quero muito amamentar. Acho importantíssimo, em vários aspectos, e quero que faça parte da minha nova rotina logo após o nascimento da pequena. Quero me dedicar, me esforçar e me entregar, pois sei que não é fácil no começo. Por esse motivo, não quero estar aberta a ter estoques de substitutos ao meu seio na minha casa, desde já. Pode acontecer alguma coisa séria – fisiológica ou psicológica – que mude meus planos e me faça recorrer às fórmulas? Com certeza pode. Pode acontecer de um tudo. (Claro que vou chorar ou ficar chateada por precisar recorrer a algo que eu não queria, mas saberei que fiz e fui até onde pude). Diante disso, e depois de orientação dos profissionais competentes, faço as compras necessárias e adapto meus planos à nova realidade. Mas agora, não. Agora eu estou lendo muito, tanto a teoria quanto os mais diferentes relatos, exatamente pra ver que em cada casa – ou melhor, com cada filho – é diferente, e (tentar) preparar minha mente pra isso. Agora eu estou indo atrás de informações de onde tem bancos de leite próximos a mim e também pessoas capacitadas para me orientar diante de alguma dificuldade. E muito em breve passarei pro papel uma lista com alguns telefones, ou e-mails, de pessoas que sei que me darão real apoio (e não pitacos), que são a favor da amamentação e que me darão forças para seguir em frente. Agora estou me preparando ao máximo para bancar a minha escolha.

E esse foi só um exemplo. O mesmo pode-se aplicar para o não uso do berço, para as fraldas de pano e assim por diante. São escolhas iniciais, que eu fiz porque tenho valores semelhantes aos propostos, que tomei depois de um certo tempo pesquisando, pensando e conversando, e também por achar que vai facilitar meu dia-dia como mãe, por que não? 😉
Mas tudo isso ainda está no plano das ideias, eu só vou saber o que acontecerá de verdade em julho (ou agosto) e nos meses seguintes, depois que a Agnes nascer e eu ver como vai ficar a nossa rotina juntas. São apenas um norte, para que eu não me sinta perdida – e porque algumas decisões práticas, como o caso das fraldas, tem que ser resolvidas (compradas) desde já.
(obs: isso também não quer dizer que mudarei de ideia e de prática a cada manhã, vamos com calma. É só que eu entendo que existem surpresas no caminho, coisas que não esperávamos (não falo de algo específico, realmente não sei a que me refiro; é isso que caracteriza a surpresa), e que podem mudar um pouquinho os passos da dança).

Eu não sei como será minha vida depois que ela chegar. Nunca fui mãe, estou diante do desconhecido mesmo. Por mais que eu tenha alguma experiência prática com bebês, sei que é muito mais. Pressinto que vai me transformar numa pessoa nova – é o que dizem por aí. Imagino que não será muito fácil, mas que será absolutamente importante para todos nós; que será lindo, claro, dentre outras tantas coisas que ainda não parei pra pensar.

Estou muito aberta a aprender com tudo que vier. Viver a maternagem integralmente é uma espécie de sonho de consumo que estou realizando. Viver a maternagem integralmente, e não projetar um tipo desenhado de sucesso em cima dos pequeninos ombros da minha filha, que fique claro – disso eu quero passar longe.
Na minha visão é um ato valiosíssimo: gerar, gestar, parir, alimentar, amar, ensinar valores, cuidar, acalentar, mostrar limites, apresentar o mundo… aprender ou reaprender a voltar o nosso olhar para o belo, enxergar o mundo de uma maneira diferente, perceber novas nuances e emoções também está no pacote, porque toda relação é via de mão dupla e esses pequenos tem um tipo de saber que é só deles. E estou aqui, inteira, para viver cada um desses dias.

Hoje o Pedro Fonseca escreveu uma carta pro seu filho, sempre linda, que me fez pensar. Nisso e em outras coisas também.

Eu estou seguindo o meu coração e completamente ciente de que essa pessoa que hoje depende de mim para crescer e sobreviver, daqui a pouco vai estar aqui no mundão, no meu colo e segurando minha mão, até que possa dar seus próprios passos e trilhar seu próprio caminho. Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é pra já. Até lá, me esforçarei ao máximo para preservar sua essência e respeitar suas particularidades, fazendo as melhores escolhas que eu puder fazer por nós, mantendo o que nos é fundamental, como família e como pessoas, porque uma boa base é essencial para se construir o que quer que queiramos construir.
Então saiba, filha, que construiremos juntos a sua base. O caminho trilhado a partir daí será seu. Só seu.

Uma pessoa completamente nova – e paradoxalmente já pronta – entrará na minha vida em breve.
Para que eu possa cuidar e também para me ensinar. Para que eu possa levar, mas pronta para me mostrar a melhor direção.
Para fazer parte do meu caminho, para construir e trilhar o dela. Do jeito que melhor lhe parecer.
Não tem como não ser especial.
Não tem como ser muito planejado. Amém.

Mais uma vez, Steve Hanks ilustrando minhas palavras, só porque eu acho uma lindeza só.

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Sobre escolhas. Ou, porque não farei chá de bebê

Uma das perguntas que a gente mais ouve quando fica grávida é: e aí, vai fazer chá de bebê? A minha resposta, como dá pra saber só de ler o título da postagem, é não. “Ah, mas faz chá de fraldas, você vai precisar bastante”, podem dizer. A reposta, sinto dizer, também é não. E então que achei legal escrever um pouco mais sobre isso.

Primeira coisa que acho bom pontuar: não tenho nada contra chás de bebê. Sério. Podem me chamar pros seus chás, inclusive, rs. A única coisa que não suporto são aquelas brincadeiras que pra mim são chatas, tipo pintar barriga (e a cara e todo resto) com batom, pagar mico se errar qual o presente, sair na rua toda horrorosa, etc, mas até aí tudo bem, porque se eu fosse fazer um chá não teriam brincadeiras desse tipo. E se você teve um chá assim e amou, tudo bem também, eu estou falando exclusivamente de mim agora; e apesar de ser do signo de leão, com ascendente em leão, não gosto muito de estar no centro das atenções, essa é que é a verdade, então essa nunca foi uma opção de festa pra mim. 
Dito isso, vamos falar um pouco sobre escolhas. 
Eu adoro que sejamos pessoas livres para decidir o melhor caminho para nossas vidas (tudo bem que, muitas vezes, diante de muitos assuntos sérios, não podemos efetivamente escolher, mas conversamos sobre isso outro dia, hoje quero que o assunto seja mais leve mesmo). 
E eu já fiz algumas sobre como vou exercer a minha maternagem. Minhas escolhas foram feitas depois de muitas pesquisas e leituras, por afinidade de valores e por ver que se encaixavam bem com o que eu acredito e, também, pela forma como levo a vida. Acontece que muitas delas se chocam totalmente com o senso comum. Com o que é amplamente falado pelas nossas tias, vizinhas, desconhecidas e listas de internet como “essenciais” e “necessários” para todos os bebês e suas mães. Ou seja, com o que é usado pela esmagadora maioria das pessoas. 
No começo da gravidez eu ainda não tinha descartado completamente a ideia de fazer um chá pro baby. Nem tava pensando muito nisso na verdade, estava deixando as coisas rolarem. Até que um dia marido chega do trabalho contando que suas colegas disseram que faria um chá de bebê pra mim. Ele disse que não (porque ele é contra essa coisa de festa “só pra ganhar presente”, haha), mas elas disseram que fariam mesmo assim. Eu falei “ah, amor, deixa fazer, tem nada não” e emendei “mas fala pra elas que não precisa levar isso, nem aquilo, muito menos aquilo outro”. Aí eu parei, pensei e completei: “é, melhor não fazer nada mesmo, né?!” e caímos os dois na risada. E foi aí que caiu minha ficha: não dá pra fazer um chá de bebê, que é uma festa para se ganhar coisas*, essencialmente, e colocar uma lista enorme de itens vetados, proibidos, e poucos (diante da gama dos proibidos) permitidos. Isso não é legal, isso não é bacana. 
Dando uma olhada por cima aqui na internet, apenas para fins de sanar minha curiosidade, vi umas duas listas de presentes nos chás de bebê. Não cheguei a contar, mas acho que dá pra dizer que pelo menos metade da lista seria vetada por mim, outra parte pode deixar que eu mesma compro (lixeira pro quarto, lençol avulso… sério que tem isso também? desculpem, mas acho completamente desnecessário pedir esse tipo de coisa) e sobraria bem pouco para os convidados trazerem. Não é justo. Nem com as pessoas, nem comigo. Porque quem fez as escolhas fui eu, então sou eu quem tem que bancá-las. 
Outra coisa, além de ser chato essa coisa de “traz isso, nem pensar em trazer aquilo”, eu teria que explicar essas minhas escolhas para pessoas que, infelizmente, não estão abertas às minhas respostas. Iam achar que é frescura, ou que é moda, ou dizer aquela frase que eu amo #sóquenão: “você diz que não quer agora, deixa nascer pra você ver”. Vocês já sabem a minha opinião sobre o pitaco, então nem vou comentar. 
Não se trata de expectativas desmedidas ou “seguir moda”, como gostam de falar, até porque ninguém tem que seguir ninguém, as pessoas apenas se identificam, ou não. E o mais importante, pra mim: o fato de ter escolhido essas coisas não quer dizer que condeno todas as outras. Cada um com seu cada qual, já dizia o poeta, rs. Precisa haver diversidade para que possamos escolher, não é mesmo? Eu apenas não quero ir pelo caminho mais comum, mais óbvio, mais usado, porque eu sou assim mesmo, não tem jeito. Se não der certo a gente reajusta as coisas, mas só quem poderá tomar essa atitude sou eu, depois de vivenciar as experiências que optei viver, e não agora. Não tenho motivos para comprar nada disso antes dela nascer e antes de saber realmente como as coisas vão funcionar por aqui. 
Mas que raios de escolhas a mulher fez, meu pai, pra não querer nada da bendita lista? Alguém pode estar se perguntando. Daria para fazer um post sobre cada coisa – e pode ser que aconteça, qualquer hora dessas, num humilde blog perto de você. Por hora vou listar aqui, de modo bem simples mesmo, o que eu não vou comprar pro enxoval da minha pequena moça:
– Mamadeiras (céus! nas listas tem tantos tipos que eu nunca ia conseguir decorar);
– consequentemente, excluímos também os tipos variados de bicos para mamadeira, bem como aquecedor, escorredor, pinça, escova e não sei mais o quê para mamadeiras;
– chupetas;
– nada que tente substituir o peito e o leite materno;
– kit berço pra juntar pó e nos fazer espirrar (porque não teremos berço, rá!);
– mil opções de travesseiros para mil coisas diferentes;
– babá eletrônica (não há nenhuma necessidade, visto que dormiremos no mesmo quarto);
– absolutamente nada de personagens (bebês não precisam de personagens. fim.);
– cremes antiassaduras;
– lenços umedecidos;
– fraldas descartáveis (sim, pirilim, o enxoval de fraldas de pano modernas já está sendo feito, e falo sobre isso muito em breve. Ou seja, chá de fraldas é dispensável aqui).
Ufa, acho que é isso. Eu conheço muitas, muitas pessoas que fazem uso desses itens, que acham indispensáveis, ou que não sabem que existem outras formas de agir, de tanto que essas ideias já estão impregnadas no nosso subconsciente. E tudo bem, é a vida delas. Mas aqui, na nossa vida, por escolha minha (e do marido), não teremos. Se eu tivesse mais pessoas que compartilhassem da mesma opinião que eu (oi, amigas virtuais, quero todas vocês do lado de cá!) ao meu redor, com certeza poderia fazer um chá de bençãos, ou um chá da mãe hippie (hahaha acabei de inventar essa!). Mas eu não posso introduzir essas ideias assim do nada na cabeça alheia, pedir que todos achem legal e fim de papo. Estou aberta para conversar e trocar experiências sempre, mas pedir que todos dancem no meu ritmo, quando claramente ninguém ainda nem ouviu a música, não é pra mim. 
arquivo pessoal
*festa essencialmente feita para ganhar presentes, apesar de muita gente fazer para reunir os queridos e comemorar a chegada do bebê, eu sei. Aliás, quem sabe eu não faça um lanche qualquer, sem nome nem nada, só pra juntar os amigos mesmo? 
ps: se as colegas de marido ainda quiserem fazer o tal chá pra mim no mês de maio, terei que dizer sim que não precisam comprar certas coisas.
ps2: caso alguém não saiba das minhas intenções e me presenteie com um dos itens que não acho essenciais (principalmente mamadeira ou fralda descartável) não vou fazer cara feia nem dar sermão em ninguém. Mas me reservo o direito de colocar no fundo da gaveta ou, se perceber que não vou mesmo usar, doar a quem precisa. 

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Minha bela novidade

A frase que vem norteando minha mente e meu coração nessa gestação é: siga seu coração. Mais do nunca, isso tem feito muito sentido pra mim, desde o começo. Desde que eu soube eu aquele seria “o” mês. Desde que eu soube que meus pés inchados não eram calor, mesmo que ainda não houvesse tempo hábil para sintomas. Desde que eu confirmei e não quis espalhar a notícia logo de cara, porque precisava de um tempo só nosso, particular.

Mas às vezes, diante de uma situação nova ou não planejada, eu tento buscar uma explicação mais elaborada para estar sendo daquele jeito. Porque não é fácil tomar uma decisão e simplesmente dizer a quem quer que seja “tô fazendo isso porque eu senti que deveria”. Soa lindo em alguns momentos, mas em outros, nem tanto. Então, para não causar taquicardia nos outros, nem me desgastar com opiniões que não me apeteciam, eu tinha outras cartas na manga. Tentei não criar falsas expectativas naquele que seria “o” mês, nem sequer comentei com ninguém. Falei que o calor estava inchando meus pés (e me deixando tonta, e com moleza). Falei que precisava de um tempo pra mim antes que soltar a notícia. Nesse não menti. Eu disse, não é sempre que preciso inventar alternativas. Teve gente que acreditou ser só pelo fato do que aconteceu antes – e foi, também – mas não ia ser algo só nesse nível, não pra mim (até porque, se fosse isso, eu só soltaria a notícia sexta passada, quando completei 17 semanas). Eu não queria todas as energias voltadas pra nós naquele momento, senti mesmo que esse serzinho precisava de tempo para se desenvolver do jeito que a natureza mandou.
A verdade é que essas respostas sempre foram pros outros. Eu sempre senti o que deveria ser feito (troque o sentir por instinto, se quiser; aqui eles têm o mesmo significado), o que se passava aqui dentro, mesmo que não fizesse sentido algum pra mais ninguém. E agora, nesta gestação, isso tem se acentuado um tantinho mais.

E quando eu não entendo muito bem – às vezes por estar com os ouvidos no que se passa lá fora, ao invés de aqui dentro – eu paro. Para ouvir, para sentir, e daí então pensar e decidir o que fazer.
Aconteceu há pouco tempo.
Eu comecei a sentir um comichão de ansiedade para saber se quem me habita agora é um menino ou uma menina. Não havia tido, até então, grandes pressentimentos. Uma coisa completamente nova pra mim, devo dizer. Mas não era por isso a vontade de saber logo. Eu só queria. Não havia um motivo aparente, e me custou um pouco de tempo entender o que se passava. O ultrassom morfológico será lá pro fim de março, mais ou menos, mas eu sabia que até lá eu já queria saber. Não queria admitir e pedir uma guia extra pra médica, tanto que saí da última consulta sem guia nenhum.
Mas os dias foram passando e a vontade, que oscilava em alguns dias, começou a vir com mais frequência. E vinha muitas e muitas vezes quando eu estava a conversar com a barriga. Teve um dia que eu simplesmente senti. Quase ouvi o “plim” do instinto quando me dei conta. Estava na hora. Como numa conversa só nossa, eu entendi que podia dar mais esse passo para frente, que já podia conhecer um pouquinho mais de quem era essa pessoa, que se manteve quietinha durante todas essas semanas, e que eu respeitei. Vi que não precisava me sentir menas “culpada” por fazer um exame só pra constatar algo que podia muito bem esperar, aos olhos dos outros. Mas aos nossos, não. A nossa relação vem sendo construída lentamente, com um passo de cada vez. O próximo passo chegou e era agora. Não era em março, nem no momento do parto, assim como não foi nas primeiras semanas, diante da possibilidade de fazer uma sexagem fetal. Me despindo do que a minha razão me dizia (que seria um ultra “desnecessário”), ou do que alguns enxergavam (só ansiedade, nada mais), eu segui em frente. Mandei um e-mail pra médica, que na mesma semana deixou uma guia na recepção pra mim. E então eu marquei o exame.

E o exame foi ontem, às 13:00.
Sem planejar, nem me dar conta, foi na 17° semana. O número que marca minhas gestações.

Não fiz muuuitas brincadeiras de adivinhar o sexo, não. A maioria deu que seria um menino, inclusive a tabela chinesa e a calculadora dos batimentos cardíacos fetais. A grande maioria das amigas companheiras de luta, aqui da blogosfera, achavam ser menina.
Uma mulher que diz sempre acertar o sexo dos bebês na barriga, me disse há uma semana atrás que era menino. Outras pessoas também cogitaram o mesmo. Minha mãe também palpitou isso, apesar de nos últimos dias me perguntar que nome eu daria se fosse menina, disse pra eu pensar. Minha afilhada e minha cunhadinha, juntamente com uma prima de Minas, disseram ser menina.
Cleber não tinha nenhum pressentimento também, e estava tão tranquilo que se fosse pra saber o sexo só no parto, assim seria. Mas não deixou de me acompanhar no exame – e de ficar todo bobo com a novidade.
Eu, apesar de não ter tido nenhum pressentimento forte, passei as primeiras semanas achando ser uma coisa, depois mudei pra outra, e por fim fiquei confusa. Sonhei com ambos os sexos. Eram só achismos. Mas aconteceu um fato engraçado: diante da minha incapacidade de escolher o nome de um dos sexos, eu travei. E fiquei triste por isso, de verdade. Não sosseguei enquanto não coloquei tudo em seu devido lugar. Isso foi há umas duas semanas atrás e, depois de tudo acertado, fiquei mais aliviada e também com uma luzinha acesa na caixola.

E provavelmente esse deve ter sido o maior texto que vocês já leram para anunciar esse tipo de notícia.
Uma das notícias mais lindas de my life.
Que me fez ficar toda emocionada na sala do exame.
E depois sair ligando pra todo mundo. Além de abraçar marido a cada 5 minutos.
Mas que também me fez sentir #menasmãe, porque não consegui identificar direito o que o médico mostrava. E depois sentir raiva daquela imagem ser tão ruim (não, a culpa não foi da minha emoção, cof cof) e com receio dele ter me falado errado.
Ok, sobre bipolaridade na gestação a gente conversa depois.
Agora vocês só tem que saber:

I’ve got sunshine on a cloudy day
When it’s cold outside
I’ve got the month of May
I guess you’ll say
What can make me feel this way
My girl (my girl, my girl)
Talking about my girl (my girl)

                            

E aqui fica uma foto de nós duas, com esse vestido que eu adoro mas que já não fecha mais em mim, mas quem se importa, né?! Importante é que minha menina está bem acomodada em sua casinha.
Ah, sim, o anúncio do nome da bela moça vem em sequência, aguentem só mais um pouquinho aí que eu juro que conto – e esse recado é pro mundo virtual and pro real também, contarei para todos tão logo acertar uns detalhes aqui com meu excelentíssimo marido.

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Sobre a expectativa que eu não tenho

Eu não nutro expectativas em relação ao bebê que cresce aqui na minha barriga.
Existe amor, certa ansiedade para conhecê-lo aqui fora na hora certa – que só ele mesmo pra saber, algum medo do desconhecido e também alguma curiosidade. Nestas semanas em que estamos juntos, já estabelecemos alguma conexão, que vem se fortalecendo pouco a pouco, no nosso próprio ritmo nesse momento. E acho que isso só tende a crescer. Essa conexão eu nutro com muita alegria e com muito cuidado, faço questão. Mas expectativa sobre algum comportamento qualquer, não tenho.
Sei que essa é uma afirmação curiosa, ainda mais vinda de uma gestante, mas é a verdade mesmo.

Segundo o dicionário, a palavra expectativa significa: 
1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.”

Ou seja, só pela descrição já podemos concluir que não é um bom negócio criar expectativas em relação a um bebê. Nem a ninguém, convenhamos. E não dá certo por um motivo que muitas vezes nos esquecemos: criando expectativas, estarei levando em conta apenas o meu desejo. E tudo que eu não quero é anular ou reprimir os desejos, as preferências e as necessidades do meu filho. Não podemos nos esquecer de que é uma relação que estará se estabelecendo – e toda relação é via de mão dupla. É uma troca.

Não tem como eu determinar, hoje e  desde já, qual ritual de sono seguirei, ou quantos minutos meu bebê poderá mamar, ou criar fantasias de como espero que ele reaja diante de tanta novidade que acontecerá em sua vida – em qualquer estágio dela. E não tem jeito por uma razão até simples: eu ainda não sei quem será esta pessoa que cresce aqui dentro. Não sei se será brava, como eu fui, ou bem calmo, como o pai. Provavelmente uma mistura de nós dois e com outras muitas características únicas, novinhas em folha, prontas para serem usadas e descobertas. Se chorará com facilidade, ou se terá o riso solto sempre. Muito menos como lidará ou interpretará o que a vida lhe oferecer. Como criar expectativas assim?

Não sei, mas na minha opinião, se preocupar muito com “prazos e metas” deve ser muito desgastante, tanto pra mãe, quanto pra criança. Pensar que o filho tem que dormir a noite toda aos 3 meses, chorar só de fome ou frio, comer toda a comida do prato, andar até um ano, ler aos 4 anos, não fazer birra em público, nem gritar, estudar na melhor escola, falar 8 línguas, passar no vestibular. É muita pressão para uma pessoa de meio metro de altura (e pra qualquer outra também). Isso é criar expectativas que serão, em sua maioria, frustradas, essa é a verdade. Porque a expectativa geralmente é idealizada. E não vivemos nesse mundo, não é mesmo? Além do mais, partindo da ideia de que não existe um certo e um errado absolutos – e sim as necessidades de cada família e suas histórias de vida- não tem muita lógica se prender a isso, que, vamos combinar, vem muito mais de fora, da observação da grama do vizinho, do que das particularidades de cada criança.

Partindo desse pressuposto, também não dá para criar expectativas sobre como eu reagirei frente a tanta mudança. Ser mãe é o meu maior projeto, quero isso desde muito tempo, e estou simplesmente adorando que eu já esteja na fase de execução, mas não tenho a ilusão de que saberei lidar com tudo o tempo todo. Isso é quase impossível, eu diria. O que faço (há bastante tempo, aliás) é ler, me informar, me inteirar sobre esse fantástico mundo que me será apresentado daqui uns meses. Leio mil coisas por dia, a fim de estar um pouco mais segura e mais consciente das minhas escolhas, até porque, sei que virão “pitacos” de todos os cantos. Teorias e experiências de outras mães foram e estão sendo minhas maiores fontes de pesquisa e referência até agora. Mas daqui a pouco isso vai mudar e vai ser a minha vez de entrar em campo. Porque por mais que eu tenha experiência prática em algumas coisas, como trocar fralda, dar banho, colocar roupinha, dar comida, por pra dormir, o exercício da maternidade é diferente. Diferente de quando é com um sobrinho ou um vizinho. Eu simplesmente amo esse mundo e escolhi me dedicar a ele integralmente quando acontecesse comigo (pelo menos até quando eu sentir que é a hora de mudar). Só que isso não significa que eu não terei dificuldades pelo caminho. Não tenho essa fantasia.

Na verdade, estou mais interessada em conhecer essa pessoinha que eu já amo tanto. Saber de suas preferências, de seus desgostos. Se vai gostar de dormir com o bracinho pra cima, ou espalhado na cama. Se vai ter cócegas. Se vai se irritar com pessoas desconhecidas, ou mostrará o sorriso banguela até pra quem passar de cara fechada na rua. Se vai chorar num cantinho, ou ir logo dizer na cara de quem seja que não gostou do que ouviu ou viveu.
Eu fico pensando na beleza que é descobrir o mundo, ter a capacidade de se encantar com todas as coisas que, para nós adultos, já passam batidas. Quero estar perto quando isso acontecer. Penso como deve ser difícil ter que se comunicar só com o choro, não entender a maioria das coisas que as pessoas te dizem, mas mesmo assim sorrir pra elas. Quero estar disponível para ajudá-lo a lidar com as coisas que nos irritam, ajudar a entender que tem coisa que é difícil mesmo, mas com o apoio e um cafuné de quem amamos, as coisas costumam ficar um pouquinho mais leves. E sempre pode existir um lado positivo, mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.

Por fim, penso o quão sortuda e abençoada eu sou, por ter a oportunidade de ver todo esse mundo novo bem debaixo do meu teto, daqui uns meses. Do equilíbrio para sentar, aos desengonçados e animados primeiros passos. Os meus e os dele. Nós vamos aprender juntos, dia após dia. 
O prazer da descoberta, como uma relação, será uma via de mão dupla.

Imagem daqui

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Sei lá, coisa de mãe

(post escrito há mais ou menos uns 10 dias atrás)

Sinceramente, estou gostando de manter essa gestação mais resguardada agora no comecinho. Ainda não contamos para muita gente, praticamente a família inteira ainda não sabe, e só algumas poucas amigas já estão cientes. Não tive um motivo específico para isso. Até achei que seria bem difícil manter segredo por enquanto. Mas, passados os primeirinhos dias, gostei da coisa. Ainda nem fui ao médico, nem fiz um ultrassom, nada. Já está marcada a consulta, mas só pro fim do mês. Então decidi que só vou contar quando fizer o primeiro ultra. E vai ser aos poucos.

Esperar as 17 semanas para abrir o jogo não está em cogitação, não estou guardando isso pra mim por causa disso (só um pouquinho, talvez). Quero menos olhares, conversas, planos e expectativas em cima dessa gestação agora. Sei lá, coisa de mãe. Em contrapartida, não estou num casulo, como da primeira vez. Não é vontade de ficar quietinha no meu canto. Estou super bem disposta (apesar dos enjoos), querendo sair, caminhar, fazer coisas. Só estou deixando esse bebezinho chegar de mansinho, sem alarde, no tempo dele. Deixa ele conhecer e se entender com o lugar onde será sua casinha por umas 40 semanas, sem que depositemos nele uma ideia de perfeição que não existe. Não estou tentando entender como tudo será, tô deixando-o quietinho, mas amparado, cuidado, amado.

Talvez eu tenha aprendido a viver mesmo um dia de cada vez. Está sendo natural, uma coisa que simplesmente aconteceu. Mesmo com todos os sintomas que marcam presença em mim diariamente, não penso o tempo inteiro que estou grávida, que tem mesmo uma explosão de vida acontecendo aqui dentro, agora, literalmente. Não quero ficar controlando isso. Não estou nem lendo aqueles textos informativos sobre o que acontece em cada semana. Vai mudar o que? Se eu não me conectar comigo, respirar fundo, deixar as coisas acontecerem, de nada adiantará, não estaria colocando em prática o que entendi (ou que acho que entendi) depois de tudo. O milagre acontece em silêncio, sozinho. A minha parte já fiz e o que me cabe, agora, é pouco diante da grandeza do ato. Preciso de um pouco de humildade para entender que não está em minhas mãos. Preciso abrir o caminho para o que está por vir. O caminho, a mente e o coração.

Dizem que as maiores mudanças acontecem de dentro pra fora. Nunca acreditei tanto nisso. E quando acontecem dentro, inundam também o que está fora. Mas só se tivermos paciência de esperar o copo encher.


o caminho das pedras vai dar no mar . . .

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