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E aqui estamos nós…

… 38 semanas e 3 dias depois, esperando a pequena Agnes dar o ar de sua graça nessas bandas de cá do mundo.

– arrumar todas as roupas: checked
– arrumar as malas (e desfazer e arrumar de novo – adoro arrumar malas!!): checked
– mudar os móveis do quarto de lugar 50 vezes até decidir como ficar: checked
– receber duas amigas em casa: checked
– entrar no meu casulo e ficar isolada do mundo todo: checked
– ir respirar na Praça do Por do Sol (um dos meus lugares favoritos nessa cidade): checked
– passar a manhã no parque: checked
– andar pela Vila Madalena conversando com o Cleber, depois de irmos numa sorveteria, como adoramos fazer: checked
– Show do Jeneci e show da Tulipa no sesc – com o combo de ter amigos por perto: checked
– arrumar as lembrancinhas para as visitas: checked
– namorar e aproveitar o marido: checked
– dormir tarde e acordar tarde durante a semana: checked
– comer pastel de feira delícia: checked
– ler algo que não seja sobre maternagem: checked
Ainda não fui ao cinema, mas acho que é porque não tô com muita paciência pros filmes que estão em cartaz. Então fico com os filminhos em casa mesmo.

E é isso. Acho que as coisas que me propus a fazer nessa reta final eu já fiz e/ou estou fazendo, na medida que a vontade vai surgindo e o tempo colaborando. O que não fiz foi porque simplesmente não estava a fim, simples assim.
Agora talvez esteja querendo aparecer uma pontinha de ansiedade. Na verdade é um sentimento meio doido porque, como eu já disse, realmente tô adorando essas prenhice toda, haha. Só que agora estamos a termo, né, então é aquela coisa “ah, sim, ela pode chegar até os primeiros dias de agosto, tem tempo ainda”. Pausa pra lembrar do outro lado da moeda. “Mas se ela quiser chegar agora, hoje, tudo bem também, pode vir”. Ou seja. É uma expectativa gostosa – até o momento, pelo menos. Eu prefiro usar o termo frio na barriga, que é mesmo o que tá rolando, porque falar ansiedade traz uma conotação quase ruim. Explico.

Hoje em dia, com todo esse papo de vizinha pitaqueira de que “passou da hora”, “conheço um  caso em que a mãe esperou demais e (…)” e tudo isso que a gente já conhece bem, temos que bater firme na tecla de estender a data provável, esperar todas as semanas possíveis, etc e tal. E preparar nossa cabeça pra isso também. Pode demorar, sim. Pode ser depois do esperado, sim. E tudo bem.
Eu me preparei pra esse momento, acho que por isso tô tranquila agora. Porque confio no meu corpo, no tempo da Agnes, na fisiologia do parto. Só que a coisa tá virando uma faca de dois gumes, porque se eu comento que estou sentindo uma colicazinha, ou que ela está mais baixa, já querem minar isso em mim, achando que estou ansiosamente louca pra chegar logo. Acho ótimo não apressarem as coisas, medicalizar tudo, claro que sim. Por outro lado, é quase como se só fosse aceitável um sintoma de pródromos depois das 40 semanas. Só que não, né. Se a gente fala tanto de respeitar o tempo da natureza, de que ela pode vir quando ela quiser… pode ser agora, sim, ora pois. Deixa a menina decidir sozinha, que coisa chata!
Confesso que, por uns dias, eu nem queria sentir nada, só pra não ouvir essas coisas.
Calma, gente! Tá tudo certo aqui.
Eu entendo que, em geral, as gestantes são muito ansiosas, ainda mais agora no final. E acho que não estão acostumados a encontrar alguém que fala em voz alta, assim como eu, que sim, tô gostando disso, tá legal, não tenho urgência. Mas poxa, é o meu momento; não é hora de falar o que querem ouvir, ou fazer cara de alface, ou algo do gênero. Eu nunca imaginei que estaria assim a essa altura do campeonato, não tem como programar. Mas é o que tá rolando.

E sim, “já” estou sentindo alguns sinais. Se compartilho isso é porque acho lindo esse funcionamento todo, porque estou conectada comigo e sinto meu corpo trabalhando. Não quer dizer que eu anunciei que estou parindo nos próximos 30 minutos. Aliás, recordando aqui, eu “senti” que iria engravidar antes mesmo de ovular. Se eu dissesse, lá no começo de outubro, que sentia que ia vir outro bebê, to-do mundo falaria que eu estava surtando e que tinha que controlar a ansiedade. Mas eu sentia. E esperei o tempo certo das coisas rolarem. Portanto, se eu digo hoje que eu sinto que a Agnes está perto de chegar, não quer dizer nem que tô marcando minha eletiva, nem que já tô no expulsivo. Só quer dizer que alguns sinais ela já me envia, mas o dia exato, como sempre, é ela que sabe. E tudo bem.
Eu quero que ela chegue, claro que quero – tô doida pra ver seu rostinho, sentir seu cheirinho e todos esses clichês super verdadeiros na vida de uma mãe. Estou aqui fazendo minha parte. Sentindo, achando lindo, curiosa. Demorou, mas eu aprendi a viver um dia de cada vez. Tô fazendo isso agora – e está sendo ótimo!

Solzinho de inverno na pança na nossa manhã no parque, semana passada.

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Sobre a expectativa que eu não tenho

Eu não nutro expectativas em relação ao bebê que cresce aqui na minha barriga.
Existe amor, certa ansiedade para conhecê-lo aqui fora na hora certa – que só ele mesmo pra saber, algum medo do desconhecido e também alguma curiosidade. Nestas semanas em que estamos juntos, já estabelecemos alguma conexão, que vem se fortalecendo pouco a pouco, no nosso próprio ritmo nesse momento. E acho que isso só tende a crescer. Essa conexão eu nutro com muita alegria e com muito cuidado, faço questão. Mas expectativa sobre algum comportamento qualquer, não tenho.
Sei que essa é uma afirmação curiosa, ainda mais vinda de uma gestante, mas é a verdade mesmo.

Segundo o dicionário, a palavra expectativa significa: 
1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.”

Ou seja, só pela descrição já podemos concluir que não é um bom negócio criar expectativas em relação a um bebê. Nem a ninguém, convenhamos. E não dá certo por um motivo que muitas vezes nos esquecemos: criando expectativas, estarei levando em conta apenas o meu desejo. E tudo que eu não quero é anular ou reprimir os desejos, as preferências e as necessidades do meu filho. Não podemos nos esquecer de que é uma relação que estará se estabelecendo – e toda relação é via de mão dupla. É uma troca.

Não tem como eu determinar, hoje e  desde já, qual ritual de sono seguirei, ou quantos minutos meu bebê poderá mamar, ou criar fantasias de como espero que ele reaja diante de tanta novidade que acontecerá em sua vida – em qualquer estágio dela. E não tem jeito por uma razão até simples: eu ainda não sei quem será esta pessoa que cresce aqui dentro. Não sei se será brava, como eu fui, ou bem calmo, como o pai. Provavelmente uma mistura de nós dois e com outras muitas características únicas, novinhas em folha, prontas para serem usadas e descobertas. Se chorará com facilidade, ou se terá o riso solto sempre. Muito menos como lidará ou interpretará o que a vida lhe oferecer. Como criar expectativas assim?

Não sei, mas na minha opinião, se preocupar muito com “prazos e metas” deve ser muito desgastante, tanto pra mãe, quanto pra criança. Pensar que o filho tem que dormir a noite toda aos 3 meses, chorar só de fome ou frio, comer toda a comida do prato, andar até um ano, ler aos 4 anos, não fazer birra em público, nem gritar, estudar na melhor escola, falar 8 línguas, passar no vestibular. É muita pressão para uma pessoa de meio metro de altura (e pra qualquer outra também). Isso é criar expectativas que serão, em sua maioria, frustradas, essa é a verdade. Porque a expectativa geralmente é idealizada. E não vivemos nesse mundo, não é mesmo? Além do mais, partindo da ideia de que não existe um certo e um errado absolutos – e sim as necessidades de cada família e suas histórias de vida- não tem muita lógica se prender a isso, que, vamos combinar, vem muito mais de fora, da observação da grama do vizinho, do que das particularidades de cada criança.

Partindo desse pressuposto, também não dá para criar expectativas sobre como eu reagirei frente a tanta mudança. Ser mãe é o meu maior projeto, quero isso desde muito tempo, e estou simplesmente adorando que eu já esteja na fase de execução, mas não tenho a ilusão de que saberei lidar com tudo o tempo todo. Isso é quase impossível, eu diria. O que faço (há bastante tempo, aliás) é ler, me informar, me inteirar sobre esse fantástico mundo que me será apresentado daqui uns meses. Leio mil coisas por dia, a fim de estar um pouco mais segura e mais consciente das minhas escolhas, até porque, sei que virão “pitacos” de todos os cantos. Teorias e experiências de outras mães foram e estão sendo minhas maiores fontes de pesquisa e referência até agora. Mas daqui a pouco isso vai mudar e vai ser a minha vez de entrar em campo. Porque por mais que eu tenha experiência prática em algumas coisas, como trocar fralda, dar banho, colocar roupinha, dar comida, por pra dormir, o exercício da maternidade é diferente. Diferente de quando é com um sobrinho ou um vizinho. Eu simplesmente amo esse mundo e escolhi me dedicar a ele integralmente quando acontecesse comigo (pelo menos até quando eu sentir que é a hora de mudar). Só que isso não significa que eu não terei dificuldades pelo caminho. Não tenho essa fantasia.

Na verdade, estou mais interessada em conhecer essa pessoinha que eu já amo tanto. Saber de suas preferências, de seus desgostos. Se vai gostar de dormir com o bracinho pra cima, ou espalhado na cama. Se vai ter cócegas. Se vai se irritar com pessoas desconhecidas, ou mostrará o sorriso banguela até pra quem passar de cara fechada na rua. Se vai chorar num cantinho, ou ir logo dizer na cara de quem seja que não gostou do que ouviu ou viveu.
Eu fico pensando na beleza que é descobrir o mundo, ter a capacidade de se encantar com todas as coisas que, para nós adultos, já passam batidas. Quero estar perto quando isso acontecer. Penso como deve ser difícil ter que se comunicar só com o choro, não entender a maioria das coisas que as pessoas te dizem, mas mesmo assim sorrir pra elas. Quero estar disponível para ajudá-lo a lidar com as coisas que nos irritam, ajudar a entender que tem coisa que é difícil mesmo, mas com o apoio e um cafuné de quem amamos, as coisas costumam ficar um pouquinho mais leves. E sempre pode existir um lado positivo, mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.

Por fim, penso o quão sortuda e abençoada eu sou, por ter a oportunidade de ver todo esse mundo novo bem debaixo do meu teto, daqui uns meses. Do equilíbrio para sentar, aos desengonçados e animados primeiros passos. Os meus e os dele. Nós vamos aprender juntos, dia após dia. 
O prazer da descoberta, como uma relação, será uma via de mão dupla.

Imagem daqui

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