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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Então é Natal . . .

Então eu sumi, né gente? Muito batido essa coisa de dizer que a culpa é da correria do final do ano… mas é a mais pura verdade. Acabei me desligando um pouco da internet porque o ritmo aqui desse lado estava bem intenso.

O fato é que eu adoro esse clima de Natal. Adoro as luzes na cidade e na minha árvore de natal. Adoro essa sensação de recomeço, de família junta, de confraternização entre quem a gente gosta, de férias, entre tantas outras coisas. A Dani escreveu um texto ótimo, dizendo que não acha legal deixar tudo pro outro ano, que sempre pode ser tempo de começar algo novo (entre outras coisas), e eu concordo super com ela! Começo e termino coisas o tempo todo, quando eu bem quero, ou não. Mesmo assim gosto muito do final do ano, da sensação de ter mais um ano todo em branco pela frente, pronto para ser pintado com as cores que eu quiser e que a vida me trouxer.

Eu cresci no interior de Minas Gerais e, numa fase bem difícil da nossa vida, as vacas não eram magras, eram anoréxicas! Meus pais cresceram na roça, literalmente, lá no meio do mato. Somos de origem simples mesmo. E, como já deu pra perceber por aqui, somos bem família. Então, pra nós, Natal significa exatamente isso: família junta. Ceia, sim, simples ou mais farta, família reunida, orações, abraços e, no fim, troca de presentes. Lá na minha infância, quando as coisas eram mais difíceis, meus pais conseguiram, não sei como, não deixar que meu irmão e eu sofrêssemos ou achássemos o fim da picada toda falta de grana. Tudo era simples, mas pra gente era normal ser daquele jeito. Não que a gente tivesse a ilusão de que dinheiro nascia em árvore, de uma certa forma eles deixavam claro que não era uma boa hora, mas o que eles valorizavam não era isso. Valores, não coisas. Se a gente ia a pé ao supermercado, era porque era legal, não porque não tinha verba pra passagem de todo mundo (nossa, são tantas histórias que ficaram gravadas pra mim como uma lembrança boa, não como um martírio, qualquer dia eu conto mais disso). Nós sabíamos que não dava pra ter tudo, e pra ser bem sincera, o consumo não era uma coisa presente no meu cotidiano, eu não ficava pedindo coisas freneticamente. Sim, a minha infância foi preservada e acho meus pais foda por isso (me refiro ao ano todo, não só ao natal).
Somos todos católicos (apesar de hoje eu ter uma relação muito particular com Deus), então sempre soube do porquê dessa comemoração, nunca foi coisa de papai noel e presentes. Eu sabia que tinha papai noel e essa lenda toda, mas não era o foco. Como bem disse minha mãe ontem quando relembrávamos isso: “você nunca deu muita bola pro papai noel” e acho que justamente pelo jeito que eles conduziram tudo. Não tinha essa coisa de se comportar pra ganhar presente, nunca teve. Não consigo me lembrar se em todos os natais eu ganhei presente, mas em todos estávamos juntos, vezes na família materna, vezes na paterna. Dos presentes que eu me lembro, só os abríamos exatamente no dia 25 de manhã. E era um presente só, nada de excessos. Hoje, que ficamos todos acordados até altas horas, é um pouco diferente, a troca acontece na noite do dia 24, mas só nesse dia, nunca antes (assim como até hoje eu só como ovo de páscoa no domingo de páscoa, nunca antes!! Não abro de jeito nenhum!) – e sempre depois que já rolou oração, ceia, conversas, risadas, enfim, o que realmente interessa (e hoje, se ganho mais de um presente é porque vêm de pessoas diferentes). O espírito natalino continua vivo em nós!

Mas por que eu tô contando tudo isso? Porque o que eu estive fazendo enquanto me ausentei, basicamente, foi comprando e embalando presentes. Muitos! Se eu chegasse aqui e escrevesse só isso não ia caber no contexto, não ia fazer sentido pro que vivemos desde sempre, partindo do pressuposto que eu moro na cidade mais consumista do país, em que o sentido de muita coisa já se perdeu em meio a tantos pacotes, ainda mais para as crianças. É tanto consumismo nessa época do ano que eu até me assusto. Mentira, eu me assusto o ano todo. Eu estava ali no meio em muitos momentos, vi de perto a loucura que é, mas tão em outra vibe, tão em conexão com as minhas origens, com o que eu cresci aprendendo, que não fui contaminada, ainda bem!

Estamos indo hoje (daqui a pouco, pra ser exata) viajar pra Minas, pra cidade onde a minha família materna mora. Meus parentes daqui, do lado paterno, também estão indo, porque temos uma rocinha lá (onde meu pai nasceu e cresceu, como eu disse ali em cima). Ou seja, vai ser um Natal animado, cheio de gente e de casas para visitar, de saudade pra apaziguar e de histórias pra contar depois. Para os sobrinhos que ainda são crianças, minha mãe sempre leva uma lembrancinha. Fomos à 25 de março comprar e, pasmem!, nem estava tão cheia assim (mas foi mais no início do mês). Pechinchamos um monte e deu pra levar tudo à vista e sem dar valor às vitrines e “modas” de itens caríssimos, nem personagens (detesto brinquedos de personagens). Como faz tempo que não vamos lá (não conseguimos ir esse ano nem uma vez, muito ruim), acabou que deu pra comprar também algum mimo para alguns adultos. Providenciamos papel de presente e embalei um por um, o que foi uma delícia, quase uma terapia, pra ser bem sincera. Antes do Ano Novo meus pais vão continuar a viagem até Aracaju, passar uns dias com meu irmão e sua família. Gente, foi tão gostoso escolher uma lembrancinha pra cada um, pensar no que cada um gosta! Eu adoro presentear, quando posso, mais pela escolha, pelo processo, do que pelo valor monetário em si. E quando já estava quase tudo prontinho, embalado, com nome, minha vó paterna (que já está lá na roça) liga e nos dá mais uma incumbência. Tem uma “vizinha” lá que tem, nada mais, nada menos, do que 9 filhos (o mais velho com 17 e a mais nova com 1 ano) e ainda cria mais dois sobrinhos, cujo a mãe foi embora e os deixou pra trás. 11 crianças crescendo na roça, assim como na época dos meus pais, super simples e humildes. Minha vó ligou pedindo pra gente comprar “uma coisinha” pra eles, pois nunca ganharam presentes de Natal (nem sei se em outra época). Nas palavras dela, podia ser só umas caixas de bombom, pra gente dividir entre eles quando chegássemos lá, nem era pra ser uma pra cada um. Quisemos fazer um pouquinho mais e ligamos perguntando nome e idade de cada um. Depois, minha mãe e eu íamos pensando, juntas, o que achávamos que eles gostariam de ganhar. Tudo simples, mas bem bonitinho, pensado neles mesmo. Meus dotes para empacotadora de presentes foram utilizados de novo e embalei tudinho com muito carinho.

E agora já está tudo pronto! Pra não dizer que foi tudo lindo, divino e maravilhoso, aconteceram algumas coisas, vindas de algumas pessoas, que me deixaram bem nervosa, estressada mesmo. Tô (ainda mais) sensível, choro à toa. Mas como eu estava ocupada embalando carinho e amor, e ainda cuidando do meu filhote, que não para de crescer, nem dei muita confiança, porque não vale a pena. Nessa última semana minha mãe já estava de férias e foi muito gostoso tê-la comigo, em tempo integral, nos últimos preparativos. Conversamos um monte, rimos um monte. É disso que eu me lembro quando penso nessas últimas semanas: conversas, risadas, descobertas, cumplicidade, amor, carinho, fortalecimento de vínculos, troca. Ou seja, seria muito mais correto eu afirmar que foi isso que me afastou da internet nesses últimos dias, não os presentes. Até aprendi outras coisas (parte do que me irritou), com pessoas que têm discursos floreados sobre esse clima todo, mas que na real são vazios, na prática só agridem verbalmente os outros.
Quis contar por esse ponto de vista dessa vez, porque foi a primeira vez na vida que compramos tanta coisa (mas não é exagero, é um presente só pra cada pessoa, e ainda ficou muita gente de fora). Mesmo assim, não nos sentimos parte do natal dos pacotes, tudo isso aqui dentro das sacolas são só um mero detalhe (e na parte prática, não tem nada que nos endividou ou que custou um carro). Está valendo a pena. Pacotes são só consequência, não o que realmente importa. Tudo que está em volta disso e tudo que acontece até chegar o momento de abri-los, vale infinitamente mais do que qualquer coisa. Na vida, não só no Natal.
Esse assunto rende tanto, isso aqui é só um resumo do resumo, queria escrever muito mais sobre muitas coisas que permeiam essa data, do meu ponto de vista, porque realmente muita coisa me irritou e muita coisa me conquistou, mas as malas já estão aqui na sala e precisamos sair.

Em tempo: com 9 semanas eu fiz um ultrassom e vi meu pinguinho de gente, todo serelepe se remexendo dentro da mamãe, com batimentos cardíacos a 174 por minuto. Vovó estava junto e se derreteu! Gente, pensem numa mãe completamente apaixonada? Eu. Nesse deu 9 semanas e 2 dias, ou seja, hoje eu estaria com 10 semanas e 2 dias, mas ainda conto pelo primeiro ultra, então hoje é o dia que completamos 10 semanas. De qualquer forma, estamos aqui crescendo e ficando fortes juntinhos. Meus exames deram tudo ok, tirando uma leve alteração na bactéria da listeriose, que é contraída principalmente através de laticínios não pasteurizados (depois escrevo mais sobre isso aqui, é bom saber sobre). Porra, fiquei arrasada!! Sou super chata com comida, não como nada de origem estranha, ou em locais em que não confio! Agora, então, tô quase neurótica. Mas a médica disse que está leve, que eu não preciso me preocupar, pois não está acima do que causa danos ao baby, tá leve, e já estou tomando remédio. De resto, tudo lindo, amém! Enjoos ainda aparecem, ainda mais se fico nervosa (hoje vomitei pela primeira vez). Muito sono, principalmente à tarde. E barriga crescendo (vou ficar devendo foto dessa vez)! Estou bem disposta, apesar da correria.

Quero desejar a todo mundo um Natal cheio de luz e de abraços verdadeiros e um Ano Novo com muitos bebês e recheado de amor! Estaremos juntos ano que vem, se Deus quiser, com muita história boa pra contar. Quero escrever um texto sobre esse ano, tudo que ganhei com ele, apesar dos momentos de tormenta, não sei se aqui ou no outro blog, mas talvez ele só venha ano que vem, porque meu acesso à internet vai ficar limitado nos próximos dias. Por isso já estou desejando meus melhores votos a cada um de vocês que vem aqui, que estiveram comigo em todos os momentos, e que ainda têm paciência de ler meus mega textos (rs).

Abraço de urso em cada uma!
E até ano que vem!

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Graças a minha base, não desabei

Tem gente que não entende o porquê de eu e o Cleber morarmos na mesma casa que os meus pais. Como se, casando, fossemos obrigados a nos afastar deles. Aqui não funciona assim. Somos uma família sempre unida, sempre fomos. Até o meu irmão, que mora há mais de 2 mil quilômetros de distância, se faz presente sempre. Temos a nossa independência e a nossa privacidade como casal, sim, à despeito de qualquer coisa que possam pensar.

Me lembro da época em que estávamos planejando o casamento. Para ir contratar o fotógrafo, por exemplo, fomos todos. Nós quatro para a reunião, conhecer o profissional que viria a eternizar um dos dias mais importantes da minha vida. Depois de assinar o contrato, ainda fomos à sorveteria que tinha em frente, comemorar mais uma conquista, rumo ao sonho maior. Foi assim em vários momentos. E quando eu “descobri” que não teria verba para contratar a decoradora dos meus sonhos – e nem nenhuma outra – todos se encarregaram de juntar as fotos que eu tinha de referência, fazer mil viagens à 25 de março, ir no Ceasa no dia anterior da cerimônia, e arrumar todo o salão, desde os arranjos de flores, até os docinhos na mesa – e ainda lembraram da lembrancinha dos padrinhos, que eu tinha me esquecido. Tudo isso enquanto eu curtia o meu dia de noiva, com hidro, massagem e tudo que eu tinha direito. Não me preocupei com absolutamente nada neste dia.

Hoje, 08 de agosto de 2013, tive o maior “baque” da minha vida até hoje. Sem muitas delongas, descobrimos que a vida que viria preencher nossas vidas, não vem mais. Não aquela vida. Não agora. Acabou.
O Cleber é um companheiro maravilhoso – sou muitíssimo abençoada por tê-lo em minha vida. Desde o comecinho, ele esteve presente em todas as consultas e exames. E quando eu precisava fazer jejum para algum exame, ele fazia junto, algumas vezes sem que eu nem notasse. Hoje não foi diferente. Ele estava comigo no consultório médico. Ficamos apreensivos com algo que havia se alterado e, mesmo tendo que ir trabalhar, desviou sua rota quando pedi, e me acompanhou num exame de emergência. Ele estava comigo naquela salinha à meia luz, quando vimos que, agora, eu só tenho um coração batendo dentro de mim, de novo. Eu chorei. O chão parece que se abriu sob meus pés. Ele me abraçou forte – porque também precisava de um abraço. Foi muito difícil. Foi absurdamente difícil. Pude chorar mais uns minutos, e depois começamos a tomar algumas providências. Enquanto eu falava com a minha mãe, ele falava com o meu pai que, como estava saindo pro almoço, pegou o carro e foi diretamente onde estávamos, nos buscar. Enquanto esperávamos sua chegada, eu observava as pessoas andando na rua, e era como se tudo tivesse em câmera lenta. Abracei meu marido mais muitas vezes. Ouvi suas palavras de carinho e de amor. Nos unimos ainda mais. Quando meu pai chegou, ao invés de irmos para o consultório da médica – que já tinha sido avisada – passamos no trabalho da minha mãe, que já nos esperava. Todos juntos. Sempre.

A minha doula e amiga, Isadora Canto, também se fez presente em suas palavras de consolo pelo telefone e internet. Está sendo fundamental tê-la, também, comigo agora.

E hoje à tarde, no carro, vendo nós quatro juntos, inventando algum motivo pra sorrir, eu percebi. Nada é mais valioso que isso. Nada é mais valioso do que ter as pessoas mais importantes da sua vida com você, nos momentos exatos em que mais precisa. Seja realizando seu sonho de ter muitas flores amarelas em sua festa de casamento. Seja largando seus dias de trabalho “apenas” para estar ao meu lado num momento de perda. Multiplicam a minha alegria e dividem a minha tristeza.

Está sendo muito difícil. Imensamente, eu diria. Mais do que posso mensurar em palavras. Mas hoje, se estou passando por isso mais firme (leia-se: chorando menos) do que nunca imaginei que ficaria, é também por eles. Minha família. A razão de eu ser quem sou.

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Dia dos avós

Hoje, 26 de julho, comemora-se o dia dos avós.
Eu tive a sorte de conhecer e conviver com os meus 4 avós. Não morávamos na mesma cidade, mas sempre nos víamos quando eu morava em Minas. Os pais do meu pai moravam na roça – a gente não consegue usar outra palavra, nem sítio, nem fazenda: é roça mesmo -, a mesma casa onde meu pai nasceu, diga-se de passagem, rs, e os pais da minha mãe numa cidadezinha há uns 180 km, mais ou menos (e também perto da roça). Então vários fins de semana da minha infância foram com eles, vários mesmo – e mais as férias escolares, óbvio. Sem contar quando ficavam uns dias lá em casa também. Foi uma delícia conviver com eles sempre por perto; aquelas coisas que só eles faziam: arriar o cavalo pra eu andar (ai que saudade de andar à cavalo!), bolo, biscoitos em variadas formas (minha avó fazia em formas de bichos só pra mim, rs), fogão de lenha, as histórias do meu avô materno. São muitas lembranças, uma memória afetiva muito forte.
Em 2006, sofri minha primeira grande perda: meu avô paterno foi morar em outro plano. Foi bem difícil mesmo, pra todo mundo, ele era uma pessoa realmente incrível! Minha avó, então, veio morar aqui em Sampa, na casa da minha tia, e hoje alterna entre idas e vindas, da roça pra cá, de cá pra roça, dependendo das demandas que surgirem por lá. E também é ótimo tê-la aqui pertinho, a 30 minutos de distância, de carro. Meus avós maternos continuam na mesma casinha, na mesma cidade, e hoje eu os vejo bem menos, uma vez por ano. Meu avô perdeu a visão há uns anos, mas tem uma saúde ótima, e minha avó bambeia de vez em quando, mas a véia é dura na queda (e está boa o suficiente para inventar uns nomes bem ~diferentes~ para Bolota, haha).

E por falar em avós, eu não poderia deixar de falar dos avós de Bolota, meus pais.
(Quer dizer, também tem os pais do Cleber, que são ótimos também, claro. Eles são avós há quase dois anos e Bolota será o segundinh@. Mas hoje eu quero falar dos meus pais mesmo).

Meus pais também serão avós pela segunda vez. A primeira aconteceu há exatamente 5 anos atrás. Exatamente, minha afilhada nasceu no dia dos avós, olha que coisa mais legal, rs! Hoje ela comemora mais um ano de vida – e parece que foi semana passada que estávamos lá em Aracaju pro nascimento dela – e, só pra começar a ilustrar o quanto meus pais babam por um neto, meu pai pegou um avião ontem à noite, “só” para passar o aniversário com ela, e também porque todo ano tem uma festinha na escola em homenagem ao dia dos avós e, como eles nunca estão presentes, ela estava triste e disse que não ia participar. Pode isso? Derreteu o coração de todos nós do vovô (minha mãe só não foi por causa do trabalho) e hoje ele já ligou duas vezes só pra contar como andam as comemorações por lá ^^

Eles são o tipo de avós que… fazem tudo que a neta quer. Hahaha. Óbvio! Minha mãe diz que é ótimo, porque ela já criou dois, e agora pode mimar os netos à vontade. Mas assim, eu preciso dizer que minha mãe é uma das melhores pessoas que eu conheço para lidar com crianças. Ela tem uma super paciência (mega mesmo), senta no chão, brinca, canta, conta histórias. Sabe lidar com os pequenos como ninguém. Então assim, eles podem até fazer a maior parte das vontades das crianças, mas elas também fazem as vontades dos avós, entendem? Se estão correndo sem rumo, aprontando demais, ou entediados, logo minha mãe inventa uma brincadeira ou outra atividade para canalizar aquela energia toda para uma coisa legal. E eu não sei exatamente como ela faz isso, mas, como por um milagre, as crianças ficam bem calmas, mesmo os mais agitados. Acho isso incrível! (e preciso aprender, haha)
Meu pai já é de “mimar” mais, não gosta de ver chorando, logo quer saber o que pode fazer, dá várias guloseimas, deixa brincar com o celular e com a impressora (e acha lindo, haha), leva pra passear… essas coisas de avô, rs.

Eu fico muito feliz por saber que Bolota vai crescer perto deles. Logo teremos uma casa só nossa, se Deus quiser, mas meus pais serão muito presentes do mesmo jeito, tenho certeza.
E claro que eu já sei que alguns contratempos vão surgir, porque nós temos algumas diferenças nas questões de criação, mas já falo algumas coisas aqui em casa, para não os pegar desprevenidos, digamos assim, rs (mas esse também nem é o assunto agora, vamos focar na parte boa, rs). E eles são os avós, né?, já fizeram a parte difícil do processo, agora querem curtir, rs.

Minha mãe e Helena (foto de dezembro de 2012)

Meu pai com a netinha – o sorriso ~natural~ deve ser de família, rs.
(foto também de dezembro)

E vocês, têm boas lembranças dos seus avós?

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O pai da Bolota

Esse é mais um post da série: “a incapacidade marinística de controlar os dedos e fazer resumo”
Contém altas doses de açúcar. Diabéticos de plantão: leiam com moderação. (e perdoem a minha pieguisse. A meu favor posso dizer que são os hormônios… ou o amor).

Nos conhecemos há quase 5 anos atrás.
E quando eu paro pra pensar na nossa história, não tem como não ter aquela sensação de que tudo, realmente, acontece na hora certa. Não dá nem pra perguntar por onde ele andava antes que não nos cruzamos. Estávamos muito mais perto um do outro do que eu podia imaginar. Estudamos na mesma escola – e no mesmo turno – desde a quinta série. Ele era uma série a mais que eu e pasmem: eu nunca o tinha notado lá. Ele sim, lembra-se de mim. Mas eu não. Enfim. Os anos passaram, ele terminou o ensino médio e, no meu último ano, a minha prima (que era do 1° ano, na época), começou a namorar o irmão dele. Ou seja, primeiro conheci o irmão. Isso foi em 2007. Em setembro de 2008, depois de passar um bom tempo (desde o ano anterior) só cuidando de mim, e por eu estar sempre com a minha prima, e ele sempre com o irmão (e trabalhavam no mesmo lugar, na época), acabamos, enfim, nos encontrando. Dias depois estávamos nós quatro juntos e o então único casal dali, dois tratantes, simplesmente saíram andando e nos deixaram sozinhos. Bom, se era assim, fomos andar um pouco e acabamos entrando num museu.

Pausa pra explicar uma coisa: estávamos na cidade de Embu das Artes (SP), que é um pólo cultural, famoso pelos móveis, pelo artesanato lindo e com uma das feiras de artesanato mais famosas do país, que acontece todo domingo e lota de gente; mas durante a semana é uma cidade vazia e muito calma, delícia andar por aquelas ruazinhas, e tem um Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, pequeno, mas símbolo da cidade. Despausa. 

O museu!

Entramos no museu e, papo vai papo vem, nos beijamos encostados numa janela, lá no 1° andar, com um jardim lindo ao fundo. Era uma terça-feira e acho que só tinha a gente lá dentro. Bom, resumindo, não nos desgrudamos mais. Foi no dia 09 de setembro. Em janeiro de 2009, eu precisava ir à Aracaju batizar minha sobrinha. Ele foi comigo. De São Paulo à Sergipe de ô-n-i-b-u-s, nada menos do que 36 horas de viagem. Dizemos que essa foi nossa primeira prova de fogo, porque realmente não é fácil enfrentar o cansaço da viagem sem matar o outro e ainda manter uma relação, e depois ficamos lá, convivendo diariamente, por uns 20 dias direto. Tínhamos 4 meses de namoro e, ainda lá, começamos, naturalmente, a fazer planos sobre um futuro casamento (!!). Foi tudo muito natural. Quanto mais nos conhecíamos, mais íamos nos sintonizando. Em setembro do mesmo ano ficamos noivos. E em setembro de 2011 nos casamos. (Só o bebê não vai nascer em setembro, rs).
Ele sempre soube do meu desejo de ser mãe, mas ambos sabíamos que ainda não era o momento. Muita coisa aconteceu e de uma forma incrível a nossa parceria só fez aumentar, mesmo nos momentos mais difíceis. Construímos uma base bem sólida pra nossa relação, eu acho, com muito respeito, muio diálogo e muito amor. E estamos sempre nos cuidando (vide o nome desse blog, que é baseado numa frase nossa, e nas nossas alianças de casamento está escrito “Por todo o nosso sempre”). Ele é um cara incrível, que respeita muito a minha forma de ser, sem me julgar nunca e sempre me apoiando. É certamente a pessoa mais tranquila que eu conheço, que nunca (eu disse nunca) altera a voz ou grita. Se ele está muito puto com alguma coisa (ou comigo), a voz é a mesma, só um pouco mais dura. Me ensinou isso também. E eu era muito ansiosa e frequentemente ciumenta e a segurança que eu adquiri ao lado dele fez com que eu me tornasse uma pessoa muito mais calma, que não pensa mais em ciúmes e que se ama muito mais, também.

Nós dois, no nosso ensaio pré-casório, em frente ao museu onde tudo começou. Foto de Vini Brandini, fotógrafo incrível.
Para ver outras fotos desse ensaio, o caminho é por aqui

Dito tudo isso, não seria muita novidade dizer que ele já tem se mostrado um pai maravilhoso.
Ele sempre foi super cuidadoso e carinhoso com crianças, mas não é de mimar. Ele tem uma irmã de 8 anos, ou seja, tem experiência no ramo e uma segurança que me acalma, confesso.
Quando ele soube do positivo, que já esperávamos, ele disse que “ficou sem chão”. Porque é bem racional e a notícia o abalou um pouco, pensando em tanta coisa que ia acontecer e que ele tinha que fazer, rs. Mas obviamente estava muito feliz!
Desde que comecei minhas leituras dentro do mundo do parto natural humanizado, leio muita coisa pra ele. Ia falando sempre o que aprendia, aos poucos, porque com alguém eu precisava conversar. E também pra ele ir se inteirando e saber das minhas preferências. No final do ano, coloquei pra ele assistir o documentário “Violência Obstétrica: a voz das brasileiras”. Peguei pesado, né? haha Mas assistimos tudo e ele ficou chocado com a situação. Mais do que nunca me apoiou e disse que faria de tudo para eu que tivesse meu parto do jeito que sempre quis. Mas também não sou tão má assim, também mostro pra ele os vídeos engraçados do Minha Mãe que Disse, pra ele entender porque eu não saio dessa blogosfera linda. Sempre o inseri em tudo, não de hoje, porque se o objetivo é formarmos uma família, a presença dele não é um detalhe.
Enfim. Eu disse ali em cima que ele sempre me apoia e tal. E agora mais uma coisa: ele banca as minhas escolhas também. Também são dele, grande parte delas. Quando fomos à casa da mãe dele logo depois do positivo, num momento em que estavam sozinhos (porque eu estava brincando com a minha cunhadinha no outro quarto), eles entraram no assunto de parto e ele contou que a minha decisão era pelo natural total, sem nenhuma intervenção, dentro do possível. E antes que ela falasse alguma coisa, ele disse “e não quero que ninguém vá falar nada pra ela sobre mudar de ideia” (nota da autora: eu só soube disso depois – e eu disse que ele não mima ninguém, haha). No trabalho foi a mesma coisa, umas colegas – adeptas da cesárea – perguntaram e ele falou, elas não falaram muita coisa diretamente, mas ele também disse algo sobre “respeitar as escolhas dos outros, pois cada um tem suas”. Ou seja, nem sei porque tenho medo do povo tentar se intrometer na criação do bebê, certamente ele não vai deixar.
Quando eu tenho medo de alguma coisa não dar certo, ele sempre me olha e me acalma muito. (e sim, quando necessário, me dá umas broncas também, rs).
Que ele esteve comigo durante o exame de sangue eu já contei. E cuida da minha alimentação. Quer dizer, da nossa: pensa muito na Bolota. Tem um super cuidado conosco.
E o que eu acho o grau máximo da lindeza: ele já conversa com a barriga. Desde o comecinho. Aliás, antes de eu fazer o teste, quando estava só desconfiada, um dia de manhã, naquele estágio que estamos quase despertos, mas ainda dormindo, ele esticou o braço e fez um carinho muito lindo na minha barriga. Foi uma certeza a mais que eu tive.
E agora é assim: ele alisa, faz carinho, deita a cabeça na barriga e começa a conversar. E o detalhe: muitas vezes nem me deixa ouvir, o papo é deles mesmo, hahaha.

E eu já estava com vontade de registrar isso aqui, e hoje resolvi colocar em prática, mesmo não sendo um data específica. Com o único intuito de registro mesmo, pra eu não me esquecer dos detalhes e para lermos juntos com Bolota no futuro. E também porque a escrita é a minha maior forma de expressão, então daqui a pouco ele vai estar lendo isso aqui também. E eu preciso dizer:

Amor, eu agradeço muito a Deus por ter feito tudo exatamente do jeitinho que foi. Obrigado por ser você, o meu amor. Pensei em escrever esse post em alguma data especial ou coisa assim, mas hoje me lembrei que não podemos adiar as nossas vontades esperando um momento ideal. Quem faz isso somos nós. E sempre é tempo de dizer o que se sente. Apesar que eu vivo te dizendo essas mesmas coisas de outras maneiras, mas você bem sabe que eu sou repetitiva. Enfim. Você tem sido incrível! Amo a nossa parceria, as nossas conversas antes de dormir – e a qualquer hora -, as nossas ideias diferentes e meio subversivas e os nossos planos que sempre insistimos em mudar. A Bolota veio para nos ensinar muita coisa, além de várias outras que ela vai fazer nessa vida. Que bom que estaremos sempre por perto, né?! Já passamos por tanta coisa juntos… tanto aprendizado, tanto amor. Nem parece que cabe tudo dentro de 5 anos (o que me faz ter mais certeza que nosso caso é mais antigo, apesar de conservarmos algumas manias de namoradinhos adolescentes). E ainda tem tanto pela frente… Só posso prometer que eu vou te amar muito, até amanhã de manhã; depois você se vira pra me conquistar de novo.
Da sua sempre,
Marina

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Sobre a primeira decisão sobre o parto e como tudo acontece na hora certa

Assim que eu descobri os positivos, mandei um e-mail pra médica. E o e-mail voltou imediatamente com uma notificação informando que ela estava (está ainda) viajando. E mesmo a Ana Cris dizendo para eu não ter pressa, porque estava tudo bem comigo (passei em consulta e fiz exames em fevereiro), e que eu só precisava começar a tomar o ácido fólico, ainda fiquei pensando que ainda estava muito longe da data de retorno da médica e queria agir, de alguma forma, antes disso.

Eu disse aqui que as coisas ainda não estavam 100% a favor do valor que eu teria que desembolsar (com a equipe que eu queria e com o hospital) e que isso me preocupava demais, sim. Naquele dia eu ainda não sabia que já estava grávida. Na verdade, eu nunca pensei que conseguiria de primeira, sério mesmo. Achei que daria tempo de juntar mais umas moedas, rs. E no último post eu comentei que, assim que eu contei à minha mãe que ela iria ser avó de novo (meu irmão já tem um filha), a primeira coisa que ela me perguntou foi: e o parto, vai ser aquele preço mesmo? Hahahaha, mães são ótimas! E eu, que sempre mostrei meu ponto de vista totalmente a favor do parto natural e sempre conversei abertamente com ela, explicando tudo, falei: então, mãe, tem a Casa de Parto, que é bem mais em conta etc e tal. E começamos a conversar sobre isso. Sim, somos as pessoas que, antes mesmo de saber com quantas semanas eu estou, já engatamos no assunto parto, rs.  Para ser sincera, eu nem tinha pensado em nada disso ainda, mas parece que o fato dela ter me perguntado abriu uma janela na minha mente e as coisas foram acontecendo. Foi uma luz!

Eu simplesmente abri o site da Casa Angela e comecei a explicar e ler pra ela o que era uma casa de parto, como funcionava, onde era. Tudo que eu consegui adiantar, expliquei. E à medida que eu ia dizendo, me familiarizava mais com a ideia. Porque sim, minha gente, eu ainda não tinha uma plena certeza se eu realmente gostaria de parir naquele local. Mas parecia que eu também estava lendo pra mim, sabem?!, foi realmente muito bom. Ela adorou a ideia e me incentivou a marcar uma visita. No dia seguinte, liguei e perguntei se teria a conversa de acolhimento naquela quarta, já que seria feriado, e a moça me disse que sim. Pensem como fiquei animada? Eu, que queria sentir que já estava agindo, iria começar no dia seguinte.
Pois bem, no dia seguinte estávamos lá: meu pai, minha mãe, marido e eu (eu disse que onde vai um, vai todos, haha). Mas pensem, meus pais estavam super curiosos pra saber o que era, afinal de contas, uma casa de parto. E eu sou daquelas que explica, mas prefiro mostrar. Então, vamo todo conhecer o lugar!
E lá funciona assim: toda quarta-feira, às 09:30 da manhã, tem um acolhimento para todas as pessoas que querem conhecer a casa. Antes da primeira consulta ali, é preciso passar por isso. 
Chegamos e ficamos ali na sala de espera uns minutos, ainda tinham poucas pessoas. Preenchi uma ficha de cadastro básica e, depois de um tempo, fomos chamados para começar a conversa. Numa sala bem ampla, com cadeiras em círculo, a Anke, coordenadora, e a Marina (!), obstetriz, sentaram-se também e começamos a conversar. Cada um se apresentou, dizendo como conheceu a casa, de quantas semanas gestacionais estava (ou se era acompanhante), idade, de onde vinha. Foi bem legal. Falei que tinha descoberto a gestação naquela semana e que já estava no mundo das pesquisas há mais de um ano (nesse momento, todos me olham com cara de: ela é louca mesmo, rs), falei das minhas vontades. Meus pais se empolgaram falando também (haha) e o Cleber disse que tudo que ele sabe sobre parto natural, aprendeu comigo (owwn, #todasachafofo!!!). Eu era a única em começo de gestação, todas as outras mulheres estavam entre 5 e 7 meses.
Depois, elas explicaram que só pode ter parto lá quem é de baixíssimo risco, e que quando chega às 37/38 semanas, a equipe analisa seus exames e vê se tem a possibilidade de você permanecer ali. Se não, é o caso de ir para o hospital mesmo. Disseram que o tempo de cada mãe e de cada bebê é respeitado e que não há intervenções desnecessárias. Mas se, durante o trabalho de parto, houver a iminência de uma complicação, eles transferem a gestante para um hospital que já estará pré-estabelecido entre as partes. 
Terminada a conversa, descemos para conhecer as dependências da casa. Duas salas de espera bem aconchegantes, cozinha, a garagem, onde estava a ambulância própria que eles possuem, sala onde acontecem as consultas (que não entramos, pois estava ocupada naquele momento) e finalmente, o corredor que mais nos interessava: das salas de parto. São 4 salas. Duas com banheira (sim, também tem a opção de parto na água), bolas, banquetas, a cama, cavalinho, barra, tudo aquilo que é necessário para um parto natural. Tem um corredor onde ficam só os chuveiros. A sala de reanimação neonatal, com uma incubadora, caso ocorra alguma emergência. Tem o alojamento conjunto, com camas de verdade, e não macas, e os bercinhos (daqueles de acrílico de hospital mesmo) ficam “disfarçados” dentro de um tipo de suporte de madeira, com mosqueteiros na cor nude e colchas de retalho. Coisa mais linda, gente! Tudo muito aconchegante mesmo. Tem também uma salinha de amamentação, onde você pode ir caso tenha alguma dificuldade em casa para receber orientação, ou para doar leite também. Dá pra ver as fotos das instalações aqui.
Depois disso, tomamos um belo lanche, conversando e interagindo mais. Descobri que lá tem oficinas para produzir o próprio sling (nessa hora eu vibrei de felicidade, rs), para produzir aqueles kits de algodão, cotonete, a própria almofada de amamentação, etc. Fora os cursos de preparação pro parto, fisioterapeutas, psicólogos. Enfim, tem muita coisa disponível. 
E vocês acham que acabou? Deixei a parte que, literalmente, quase me fez chorar, por último. No fim da conversa, a Anke entrou no assunto valores. Disse que, para as pessoas da “área de abrangência” da casa, eles atendem todo o pré-natal, parto e pós parto, de graça. Para as outras pessoas, é cobrado um pequeno valor, porque sabemos que a casa recebe doações de algumas fundações, mas nada do governo. E aí ela diz a coisa que nunca na minha vida pensei ouvir: meu bairro É SIM área de abrangência da Casa Angela!!! GENTE!! Vocês tem ideia do que significa isso? claro que sim, porque acabei de explicar! Eu não conseguia acreditar que teria todo atendimento gratuito, dava vontade de sair pulando de alegria! Demorou pra cair minha ficha, na verdade. Eu, que estava super hiper preocupada com essa questão, fui novamente surpreendida pela vida. 
E aí eu fico pensando: as coisas realmente acontecem quando tem que acontecer, né?! Tudo orquestrado para ser no tempo certo. Porque se eu não tivesse voltado a morar com os meus pais, teria que pagar, sim, o valor cobrado. Porque se a médica não tivesse viajado, talvez eu não teria ido conhecer a casa agora no começo. Porque se eu tivesse esperado ter todo o dinheiro, iria demorar uma vida toda  muito para conseguir o total, e eu não teria começado a tentar agora, e o bebê, talvez, não viesse de primeira. Deus é muito bom mesmo, minha gente! Tô muito feliz!
Saí de lá com a consulta marcada para a próxima quarta. E já estou contando os dias para chegar logo, e para chegar mais rápido ainda o dia do ultrassom.
Rezando muito para as coisas continuarem se acertando no tempo certo, amém.

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É!!!

“Pelo nosso amor em movimento
Pode ser
E é”

Música da diva Tulipa Ruiz, que eu sempre soube que seria a música que eu usaria 
para dar a notícia mais esperada da minha vida. Tem tudo a ver com a gente.
Só não sabia que seria assim tão rápido, rs.
E eu confirmei o que o meu coração me disse baixinho dia desses: aquela sensação que eu sentia no corpo, feito borboletas no estômago, era mesmo um pressentimento.
Vejam a foto vocês mesmas:
dá pra ver o resultado, né?! tá mais nítido ao vivo (fiz dois testes) mas como essa é a foto da foto, ficou assim, rs.
Precisava muito contar pra vocês.
Volto ainda essa semana para dar mais detalhes de tudo, prometo!
Por enquanto estamos, marido e eu, curtindo essa novidade e contando pra família.
Beijo meninas! de nós três ^^

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