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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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Carta do dia: sobre sua irmã, você e os mistérios que cada uma carrega

Filha,
hoje a mamãe vai te contar duas histórias. Uma que já aconteceu e uma que está acontecendo. 

Antes de você vir morar aqui na minha barriga, outra pessoa veio. Era a sua irmã. Seu pai e eu tínhamos uma clara sensação de que era uma menina, e a ela daríamos o nome de Valentina. Era um nome lindo, forte e soava muito bem aos nossos ouvidos. Nós estávamos muito felizes e só esperando a data certa de saber se era mesmo ela quem estava aqui. Sua avó materna também amava o nome, disse até que ia sugerir esse, caso não tivéssemos falado antes.
Mas aí aconteceu uma coisa estranha. Não gostaram do nome que escolhemos. Em nossa empolgação inicial, não conseguíamos (eu) segurar a língua dentro da boca e falávamos até para quem não tinha perguntado que, se fosse menina, seria a Valentina. Era aí que acontecia: as pessoas ficavam meio estranhas quando ouviam esse nome, filha. Alguns detestaram, na verdade. Nos chamaram de corajosos (como se fosse ruim ser corajoso, veja só o mundo doido em que vivemos), loucos, e mais tanta coisa que nem vale a pena repetir aqui. A mamãe ficou muito nervosa quando isso aconteceu. Triste. Ao invés de ficarem felizes com a chegada dela, usavam suas energias para (tentarem, em vão) me fazer mudar de ideia. Para tentar me mostrar algo que não existia, que criaram em suas próprias cabeças. Declararam o fracasso dela na escola, de tanto que sofreria por carregar tal nome. Temiam que fosse uma menina “valentona”, “respondona”, “agressiva”. E a culpa seria nossa, minha e do seu pai, por termos escolhido esse nome pra ela.
Nós fomos irredutíveis, filha, não mudamos de ideia nem por um segundo sequer. Fiquei nervosa, fiquei chateada com a insistência das pessoas que me falaram isso, mas não mudamos. 
Primeiro, porque era esse o nome dela mesmo, a gente sabia. 
Segundo, porque – você vai ver – seu pai e eu temos uma forma só nossa de levar a vida, e não costumamos mudar de ideia por causa de terceiros. 
Terceiro, e muito importante: ser valente era também o que a gente desejava pra ela, assim como desejamos muito para você. Estou te contando essa história para registrar, filha: é preciso ser valente. Enfrentar as dificuldades, mesmo as que venham em forma de alguma rejeição dos mais próximos. Lutar para que nossos sonhos passem pro plano da realização. Assumir verdadeiramente suas escolhas, seus amores e seu caminho com consciência e peito aberto, mesmo que sejam coisas completamente fora dos padrões (ainda bem que existe o fora do padrão, você vai aprender isso mais adiante). Isso é para os valentes, meu bem. Ser valente é ser corajoso, acima de tudo. Sua irmã me ensinou um pouco sobre isso, e sinto que você vai me ensinar um tanto mais também. 

Sua irmã não veio. E sabe o que mais? Não chegamos a saber se era mesmo ela. Nunca saberemos, na verdade. Dia desses me dei conta que poderia muito bem ser um menino. Pode ter sido, pode não ter, simples assim. O mistério vai ficar no ar e na nossa história, e por mim tudo bem. Assim como permanece mistério a causa que a fez ir embora, como saiu tão rápido de mim sem ninguém ver, entre tantos outros.

Mistério. A vida da gente é cheia de mistérios, filha. Isso é uma das coisas mais lindas e incríveis que existe. A natureza é fascinante e carrega esses mistérios com todo cuidado que lhe cabe, para que assim permaneçam, a despeito de tudo que a mente humana seja capaz de produzir para tentar desvendá-los. Como parte da natureza que somos, também guardamos os nossos – e muitas vezes queremos trazê-los à luz da razão, mesmo que não seja esse o intuito da coisa toda: somos parte disso tudo, não uma peça a parte do quebra-cabeça. 

Com você não é diferente, filha. Você já tem seus próprios mistérios. Me traz experiências que ainda não tenho como explicar, e sentimentos igualmente singulares. Por exemplo, nunca tive pressentimento algum sobre o seu gênero. Não que seja uma coisa decisiva, mas como aconteceu da outra vez e como eu sou toda cheia de pressentimentos, me surpreendi quando me dei conta que dessa vez ele simplesmente não existia. Muitas pessoas disseram que era um menino, poucas que seria uma menina. Com 17 semanas e 3 dias, seu pai e eu entramos numa salinha escura e o médico nos disse que era uma menina que morava aqui na minha barriga: você, filha! Pouco tempo depois fiz outro exame, em outro laboratório, e a médica disse a mesma coisa: menina! Depois ainda teve o morfológico, que é um exame necessário mesmo, e na primeira imagem que surgiu na tela, a médica disse que era uma menina, sem que a gente precisasse perguntar nada. Três exames de imagem, feitos por médicos diferentes, em locais completamente diferentes. 
Mas não seria mistério se a história não continuasse. Existe, ainda, as pessoas que insinuam que essas imagens não condizem com a realidade, que você é um menino. Chegam até mim histórias de gente que pensava estar esperando um sexo, e veio outro. De gente que passou por isso, que é uma probabilidade real de acontecer. A primeira pessoa que me disse isso não é íntima da minha vida e falou de um jeito que eu não gostei, fiquei muito brava. Mas parece que tem mais gente jogando nesse time, então eu resolvi refletir: e se for mesmo um menino? E se não for, por que essas pessoas, que tem uma super sensibilidade a mais, disseram tal coisa? Se for um menino, vai ser completamente impressionante o fato de três exames modernos de imagem não terem visto o que era pra ver, considerando que não foram exames precoces. Vai ser uma história e tanto, fico até imaginando. Se realmente for menina, não sei o que essas tais pessoas me dirão. Por que sentiram ser menino? Qual a resposta dessa charada? Por que isso está acontecendo comigo?

Mistérios.

E sabe o que mais, filha? Por mais que as chances sejam de 50% para ambos os lados, quem carrega essa resposta e também o porquê desse mistério, é só você. O que eu sinto é que você traz consigo essa coisa só sua, de não entregar tudo assim de mão beijada, meio que não ligando muito para o que os outros esperam ou dizem, meio que brincando com isso, até porque não é tudo que podemos controlar, afinal de contas. Nem cientificamente, nem mediunicamente. Em julho – ou melhor, quando você quiser – saberemos parte da resposta com alguma certeza. Te chamamos de Agnes, de nossa pequena, nossa menina, pequena moça. Porque foi assim que você se mostrou até agora, então estou entendendo que é assim que você quer e que tem que ser. Se em algum momento daqui por diante, seja em um próximo exame, seja no seu nascimento, ou em qualquer momento da vida, você se mostrar uma pessoa do gênero masculino, por mim tudo certo – e pro seu pai também. 
É muito importante pra mim deixar isso claro e é esse o segundo e relevante motivo de registrar todas essas palavras: eu aceito os mistérios que cercam a minha vida, não luto contra. Tento aprender com cada um deles. E aceito os que você me traz também, sempre, porque vindo de você, não tem como não ser enriquecedor.

Enquanto o mundo corre lá fora, você tem o seu próprio ritmo aqui dentro, minha querida. Um ritmo que eu descubro um tantinho a cada dia, e que sempre me surpreende. E a forma como ele funciona é tão importante pra você, que está me mostrando desde já. Então não se apresse, não. As coisas são como devem ser, não precisamos complicar nada, muito menos lutar contra uma essência que é tão nossa. 

Você e a sua irmã são os meus mistérios particulares, que eu amo ter e que não param de me ensinar. A ser mais valente, a respeitar os tempos da vida, a aceitar o que não controlamos, a lidar com o que sempre tive dificuldade; e ainda entender que, sim, tudo bem as coisas estarem acontecendo desse jeitinho, algum motivo – ou mistério – sempre há de ter, e é muito bom (e dá um certo friozinho na barriga) fazer parte disso tudo. Obrigada, filha. Muito obrigada mesmo.


um beijinho e um chamego,
mamãe.

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Então é Natal . . .

Então eu sumi, né gente? Muito batido essa coisa de dizer que a culpa é da correria do final do ano… mas é a mais pura verdade. Acabei me desligando um pouco da internet porque o ritmo aqui desse lado estava bem intenso.

O fato é que eu adoro esse clima de Natal. Adoro as luzes na cidade e na minha árvore de natal. Adoro essa sensação de recomeço, de família junta, de confraternização entre quem a gente gosta, de férias, entre tantas outras coisas. A Dani escreveu um texto ótimo, dizendo que não acha legal deixar tudo pro outro ano, que sempre pode ser tempo de começar algo novo (entre outras coisas), e eu concordo super com ela! Começo e termino coisas o tempo todo, quando eu bem quero, ou não. Mesmo assim gosto muito do final do ano, da sensação de ter mais um ano todo em branco pela frente, pronto para ser pintado com as cores que eu quiser e que a vida me trouxer.

Eu cresci no interior de Minas Gerais e, numa fase bem difícil da nossa vida, as vacas não eram magras, eram anoréxicas! Meus pais cresceram na roça, literalmente, lá no meio do mato. Somos de origem simples mesmo. E, como já deu pra perceber por aqui, somos bem família. Então, pra nós, Natal significa exatamente isso: família junta. Ceia, sim, simples ou mais farta, família reunida, orações, abraços e, no fim, troca de presentes. Lá na minha infância, quando as coisas eram mais difíceis, meus pais conseguiram, não sei como, não deixar que meu irmão e eu sofrêssemos ou achássemos o fim da picada toda falta de grana. Tudo era simples, mas pra gente era normal ser daquele jeito. Não que a gente tivesse a ilusão de que dinheiro nascia em árvore, de uma certa forma eles deixavam claro que não era uma boa hora, mas o que eles valorizavam não era isso. Valores, não coisas. Se a gente ia a pé ao supermercado, era porque era legal, não porque não tinha verba pra passagem de todo mundo (nossa, são tantas histórias que ficaram gravadas pra mim como uma lembrança boa, não como um martírio, qualquer dia eu conto mais disso). Nós sabíamos que não dava pra ter tudo, e pra ser bem sincera, o consumo não era uma coisa presente no meu cotidiano, eu não ficava pedindo coisas freneticamente. Sim, a minha infância foi preservada e acho meus pais foda por isso (me refiro ao ano todo, não só ao natal).
Somos todos católicos (apesar de hoje eu ter uma relação muito particular com Deus), então sempre soube do porquê dessa comemoração, nunca foi coisa de papai noel e presentes. Eu sabia que tinha papai noel e essa lenda toda, mas não era o foco. Como bem disse minha mãe ontem quando relembrávamos isso: “você nunca deu muita bola pro papai noel” e acho que justamente pelo jeito que eles conduziram tudo. Não tinha essa coisa de se comportar pra ganhar presente, nunca teve. Não consigo me lembrar se em todos os natais eu ganhei presente, mas em todos estávamos juntos, vezes na família materna, vezes na paterna. Dos presentes que eu me lembro, só os abríamos exatamente no dia 25 de manhã. E era um presente só, nada de excessos. Hoje, que ficamos todos acordados até altas horas, é um pouco diferente, a troca acontece na noite do dia 24, mas só nesse dia, nunca antes (assim como até hoje eu só como ovo de páscoa no domingo de páscoa, nunca antes!! Não abro de jeito nenhum!) – e sempre depois que já rolou oração, ceia, conversas, risadas, enfim, o que realmente interessa (e hoje, se ganho mais de um presente é porque vêm de pessoas diferentes). O espírito natalino continua vivo em nós!

Mas por que eu tô contando tudo isso? Porque o que eu estive fazendo enquanto me ausentei, basicamente, foi comprando e embalando presentes. Muitos! Se eu chegasse aqui e escrevesse só isso não ia caber no contexto, não ia fazer sentido pro que vivemos desde sempre, partindo do pressuposto que eu moro na cidade mais consumista do país, em que o sentido de muita coisa já se perdeu em meio a tantos pacotes, ainda mais para as crianças. É tanto consumismo nessa época do ano que eu até me assusto. Mentira, eu me assusto o ano todo. Eu estava ali no meio em muitos momentos, vi de perto a loucura que é, mas tão em outra vibe, tão em conexão com as minhas origens, com o que eu cresci aprendendo, que não fui contaminada, ainda bem!

Estamos indo hoje (daqui a pouco, pra ser exata) viajar pra Minas, pra cidade onde a minha família materna mora. Meus parentes daqui, do lado paterno, também estão indo, porque temos uma rocinha lá (onde meu pai nasceu e cresceu, como eu disse ali em cima). Ou seja, vai ser um Natal animado, cheio de gente e de casas para visitar, de saudade pra apaziguar e de histórias pra contar depois. Para os sobrinhos que ainda são crianças, minha mãe sempre leva uma lembrancinha. Fomos à 25 de março comprar e, pasmem!, nem estava tão cheia assim (mas foi mais no início do mês). Pechinchamos um monte e deu pra levar tudo à vista e sem dar valor às vitrines e “modas” de itens caríssimos, nem personagens (detesto brinquedos de personagens). Como faz tempo que não vamos lá (não conseguimos ir esse ano nem uma vez, muito ruim), acabou que deu pra comprar também algum mimo para alguns adultos. Providenciamos papel de presente e embalei um por um, o que foi uma delícia, quase uma terapia, pra ser bem sincera. Antes do Ano Novo meus pais vão continuar a viagem até Aracaju, passar uns dias com meu irmão e sua família. Gente, foi tão gostoso escolher uma lembrancinha pra cada um, pensar no que cada um gosta! Eu adoro presentear, quando posso, mais pela escolha, pelo processo, do que pelo valor monetário em si. E quando já estava quase tudo prontinho, embalado, com nome, minha vó paterna (que já está lá na roça) liga e nos dá mais uma incumbência. Tem uma “vizinha” lá que tem, nada mais, nada menos, do que 9 filhos (o mais velho com 17 e a mais nova com 1 ano) e ainda cria mais dois sobrinhos, cujo a mãe foi embora e os deixou pra trás. 11 crianças crescendo na roça, assim como na época dos meus pais, super simples e humildes. Minha vó ligou pedindo pra gente comprar “uma coisinha” pra eles, pois nunca ganharam presentes de Natal (nem sei se em outra época). Nas palavras dela, podia ser só umas caixas de bombom, pra gente dividir entre eles quando chegássemos lá, nem era pra ser uma pra cada um. Quisemos fazer um pouquinho mais e ligamos perguntando nome e idade de cada um. Depois, minha mãe e eu íamos pensando, juntas, o que achávamos que eles gostariam de ganhar. Tudo simples, mas bem bonitinho, pensado neles mesmo. Meus dotes para empacotadora de presentes foram utilizados de novo e embalei tudinho com muito carinho.

E agora já está tudo pronto! Pra não dizer que foi tudo lindo, divino e maravilhoso, aconteceram algumas coisas, vindas de algumas pessoas, que me deixaram bem nervosa, estressada mesmo. Tô (ainda mais) sensível, choro à toa. Mas como eu estava ocupada embalando carinho e amor, e ainda cuidando do meu filhote, que não para de crescer, nem dei muita confiança, porque não vale a pena. Nessa última semana minha mãe já estava de férias e foi muito gostoso tê-la comigo, em tempo integral, nos últimos preparativos. Conversamos um monte, rimos um monte. É disso que eu me lembro quando penso nessas últimas semanas: conversas, risadas, descobertas, cumplicidade, amor, carinho, fortalecimento de vínculos, troca. Ou seja, seria muito mais correto eu afirmar que foi isso que me afastou da internet nesses últimos dias, não os presentes. Até aprendi outras coisas (parte do que me irritou), com pessoas que têm discursos floreados sobre esse clima todo, mas que na real são vazios, na prática só agridem verbalmente os outros.
Quis contar por esse ponto de vista dessa vez, porque foi a primeira vez na vida que compramos tanta coisa (mas não é exagero, é um presente só pra cada pessoa, e ainda ficou muita gente de fora). Mesmo assim, não nos sentimos parte do natal dos pacotes, tudo isso aqui dentro das sacolas são só um mero detalhe (e na parte prática, não tem nada que nos endividou ou que custou um carro). Está valendo a pena. Pacotes são só consequência, não o que realmente importa. Tudo que está em volta disso e tudo que acontece até chegar o momento de abri-los, vale infinitamente mais do que qualquer coisa. Na vida, não só no Natal.
Esse assunto rende tanto, isso aqui é só um resumo do resumo, queria escrever muito mais sobre muitas coisas que permeiam essa data, do meu ponto de vista, porque realmente muita coisa me irritou e muita coisa me conquistou, mas as malas já estão aqui na sala e precisamos sair.

Em tempo: com 9 semanas eu fiz um ultrassom e vi meu pinguinho de gente, todo serelepe se remexendo dentro da mamãe, com batimentos cardíacos a 174 por minuto. Vovó estava junto e se derreteu! Gente, pensem numa mãe completamente apaixonada? Eu. Nesse deu 9 semanas e 2 dias, ou seja, hoje eu estaria com 10 semanas e 2 dias, mas ainda conto pelo primeiro ultra, então hoje é o dia que completamos 10 semanas. De qualquer forma, estamos aqui crescendo e ficando fortes juntinhos. Meus exames deram tudo ok, tirando uma leve alteração na bactéria da listeriose, que é contraída principalmente através de laticínios não pasteurizados (depois escrevo mais sobre isso aqui, é bom saber sobre). Porra, fiquei arrasada!! Sou super chata com comida, não como nada de origem estranha, ou em locais em que não confio! Agora, então, tô quase neurótica. Mas a médica disse que está leve, que eu não preciso me preocupar, pois não está acima do que causa danos ao baby, tá leve, e já estou tomando remédio. De resto, tudo lindo, amém! Enjoos ainda aparecem, ainda mais se fico nervosa (hoje vomitei pela primeira vez). Muito sono, principalmente à tarde. E barriga crescendo (vou ficar devendo foto dessa vez)! Estou bem disposta, apesar da correria.

Quero desejar a todo mundo um Natal cheio de luz e de abraços verdadeiros e um Ano Novo com muitos bebês e recheado de amor! Estaremos juntos ano que vem, se Deus quiser, com muita história boa pra contar. Quero escrever um texto sobre esse ano, tudo que ganhei com ele, apesar dos momentos de tormenta, não sei se aqui ou no outro blog, mas talvez ele só venha ano que vem, porque meu acesso à internet vai ficar limitado nos próximos dias. Por isso já estou desejando meus melhores votos a cada um de vocês que vem aqui, que estiveram comigo em todos os momentos, e que ainda têm paciência de ler meus mega textos (rs).

Abraço de urso em cada uma!
E até ano que vem!

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Crônica de uma gestação anunciada

Foi dia 06 de outubro  (08DC) que senti algo diferente pela primeira vez. Sonhei com um bebê lindo, com os olhos mais lindos ainda. Depois senti medo de estar totalmente iludida, mas ainda era bom. Nos dois dias seguintes tive uma sensação bem real no meu corpo, uma coisa bem nova. Os dias foram passando e continuei sentindo coisinhas esporádicas, aqui e ali.

Eu tinha um pressentimento forte que ficaria grávida em breve. Na verdade, algumas vezes eu sentia como se já estivesse, mesmo que ainda não tivesse ovulado. Até perguntei no grupo das Tentantes Empoderadas se existe ovulação precoce (e a minha sempre foi tardia), porque eu tinha quase uma certeza mesmo.
Desde o dia 15 (17DC) eu já sentia meus seios diferentes. Doíam, estavam um pouco maiores. Deve ter sido por essa data a ovulação, mas pra mim já era a dor do resultado dela, rs. Uns dias depois doía tanto que parecia queimar, de tão intenso.

Dia 17 eu acordei com a certeza de que estava grávida. Era uma coisa muito doida. Fiquei toda feliz, de verdade. Tomei banho, cuidei da casa, escrevi, fiz todos os afazeres… feliz. Eu nunca tinha sentido isso antes, da outra vez não foi assim, essa certeza toda. Achava que isso era lenda urbana, rs. Tanto é que mais tarde eu voltei pra Terra e fiquei achando que estava surtada, que não podia ser real, que tudo isso ia acabar em um ciclo menor.

Depois ainda teve o dia em que passei mal na rua, voltei pra casa e dormi a tarde toda. Meus pés resolveram que era ok inchar depois de uma caminhadinha. Uma lerdeza sem fim. E a queimação, de vez em quando, nos seios.

Dia 21 eu senti uma cólica e fiquei arrasada. Achei que já tava chegando o dia, que o ciclo ia acabar justamente quando eu estivesse na Bahia, porque essas cólicas só vêm quando está mesmo pra descer. Dois dias depois fui com o Cleber comprar um biquíni e me senti péssima. Eu estava muito inchada, me sentindo feia, e ainda as benditas cólicas. Só que, quando eu cheguei em casa e fui experimentar minhas comprinhas de novo, senti uma baita diferença na minha barriga. Não dá pra explicar. Não que estivesse diferente de horas atrás, quando estava no provador do shopping, eu é que não tinha reparado mesmo, pensando demais nos outros sintomas.

Dia 25 (27DC) chegou e era o dia de ir pra Bahia. Mesma coisa dos outros dias, minha barriga estava mesmo diferente. Ainda por cima, ao acordar, me lembrei que sonhei com a minha mãe dizendo que eu estava grávida, sim, já até podia fazer o teste. Motivo de sobra pra eu ter mais uma pontinha de esperança. Lanchamos no aeroporto, porque eu estava com muita fome. No voo, não foi tão tranquilo. Eu tenho um pouco de medo de voar, minha pressão deve ter baixado, me senti fraca. Foi bem ruim. 
Lá não teve grandes mudanças. Não teve grandes mudanças se eu não mencionar que estava a Dona Redonda, toda inchada, literalmente da cabeça (rosto) aos pés. No domingo eu não almocei direito porque o peixe não desceu bem e, mais tarde, quando estávamos no Museu Náutico, senti uma baita tontura e fui lá pra fora tomar um ar. A Nana até comentou:

– Ih, dona Má, esses enjoos, essa tontura, sei não hein! Ai ai… – Nem me fale… ai ai!

Não sei como consegui subir (e principalmente descer!!) aquela escada até chegar lá em cima no Farol, rs. 
Na volta pra casa, quando o avião decolou, eu simplesmente comecei a chorar. Assim, sem mais nem menos. Chorei por uns 10 minutos, pensando zilhões de coisas ao mesmo tempo. Marido foi um lindo e me acolheu, mesmo sem entender direito o que se passava.

A semana transcorreu mais ou menos do mesmo jeito. No dia 02/11 (teoricamente o 35DC) fiz um teste, mas não com a primeira urina do dia, e a segunda linha apareceu, mas tão tão tão fraca que eu não consegui pular de alegria. Marido também viu e não quis comemorar. Mostrei pra Nana e ela achou que era positivo, sim. Mostrei pra Dani, a mesma coisa. Ficaram muito animadas! Por mais que tivesse sentido um mês inteiro que algo iria acontecer, eu não conseguia comemorar. Esperei o dia seguinte e fiz outro teste, dessa vez com a primeira urina do dia. A mesma coisa. Tão clara que parecia alucinação. Uma alucinação coletiva, porque todo mundo viu de novo, inclusive a Ju, super entendida de linhas claras, haha. Acabou minha paciência e fomos ao pronto socorro fazer um beta. Chegando ao hospital, quem eu encontro? A Isa, minha doula!! “Nada acontece por acaso”, foi o que o Cleber disse. Não senti uma vertigem sequer de tirar sangue (mas fiz todos os meus procedimentos de segurança). Nessa hora eu já estava acreditando mesmo no positivo, porque só não passei mal com isso na outra gravidez. Duas eternas horas depois, o resultado saiu. Super baixinho, mas já era positivo! Fiquei tão feliz!! Nos abraçamos (depois de sair do hospital), a Dani me ligou para comemorarmos, me disse umas coisas lindas, foi uma festa só.
Chegando em casa, contei pros meus pais e pedi segredo (o que meu pai cumpriu até o último feriado, um marco pra ele, que não esconde nada das irmãs, rs). Meu irmão só soube essa semana. Os pais do Cleber nem devem saber ainda, eu acho, mas contaremos em breve. Poucas amigas sabem. E agora aqui no blog. As coisas estão acontecendo cada uma no seu tempo. E tá sendo muito gostoso. Ainda tento viver um dia de cada vez, ainda bate um medinho, mas vamos sempre em frente, que é onde as coisas acontecem.

Já tinha uma micro pessoa passeando em Salvador. Ou, as bochechas gigantes da mamãe.

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Grande encontro

O encontro mais maravilhoso do ano aconteceu nesse último fim de semana: conheci, pessoalmente, a amada, salve-salve: Nana, a Louca do Bebê \o/
Gente, cêis num tem noção do quanto foi lindo, mágico, purpurinas por todos os lados. Quer dizer, vão ter noção, sim, agorinha mesmo, porque vamos contar tudinho (postando ao mesmo tempo, para não sermos influenciadas pelo texto uma da outra, né amiga? haha).

Das coisas que bolota me ensinou: a amizade transcende o mundo virtual.
Tudo isso aqui que a gente chama de blogosfera e redes sociais são muito reais, sim, e pode nos trazer surpresas deliciosas.
A Nana acompanha a minha história desde o começo, foi inspirada nela, inclusive, que criei esse puxadinho aqui. Nos aproximamos bastante, conversamos muito, nossos papos são sempre construtivos pra mim. Ela é uma boa amiga, daquelas que a gente pode contar sempre, na alegria e na tristeza, e eu confio muito nela. E então, lá em agosto, quando soube do ocorrido, ela me ligou e, dentre outras coisas, convidou Cleber e eu para irmos passar uns dias em sua casa. Gente, que coisa mais linda essa! Fiquei emocionada quando ela me fez o convite, de verdade. Um gesto tão lindo de amizade, de confiança, de tanta coisa. Na época, tudo o que eu queria, realmente, era viajar, espairecer, respirar outros ares, mas não dava para ser de imediato, pois meu repouso não permitiu – o que não me impediu de não só aceitar o convite, como ficar pensando sempre nisso. Depois de algum tempo, decidimos ir agora em outubro. Dia 28, segunda, foi dia do funcionário público (leia-se: ponto facultativo) e, apesar de não ser um efetivamente, marido trabalha prestando serviço pro Estado, então teria essa folguinha. Compramos as passagens de avião, acertamos tudo com ela, e aí foi só esperar o dia chegar. E vou contar uma coisa pra vocês: fazia um tempinho que eu não sentia uma ansiedade assim por uma viagem. Ficava pensando mil coisas, como seriam nossos dias e tal. E foi tudo melhor do que o imaginado, se me permitem dizer.

Chegamos em Salvador na sexta à noite, e ela estava lá, nos esperando no desembarque. “Ela existe mesmo!” foi a frase que saiu de nossas bocas assim que nos abraçamos. Pense numa pessoa feliz por estar ali? Eu! \o/ Comemos um cachorro quente delícia já em sua casa e ficamos, nós três (o marido dela está viajando) conversando até altas horas, já era madrugada quando fomos todos dormir.
Aqui devo dizer que a Nana é uma super mega blaster anfitriã. Nos recebeu muitíssimo bem, fez com que nos sentíssemos realmente em casa. E uma guia turística de primeira, também. Fizemos um roteiro intenso, digamos assim, conhecemos praticamente tudo nos 2 dias e meio que ficamos lá.
Por ordem cronológica: Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, com direito a rezar juntas e amarrar fitinhas na grade juntas. Almoço num lugar super gostosinho que esqueci o nome, com vista pro mar – ou, o dia em que comi moqueca de camarão pela primeira vez e amei. Sorvete da Ribeira – delicioso mesmo, preciso dizer. Mercado Modelo, que eu acabei nem voltando depois para falir o meu bolso comprando tudo que achasse pela frente fazer mais comprinhas; ou seja, mais um motivo pra voltar depois, hehe. Elevador Lacerda. Pelourinho, lindo, animado, colorido, com uma energia incrível. Fundação Casa de Jorge Amado – apenas amei esse lugar. Teve uma visita numa galeria de fotografia no Pelourinho também, bem linda. Pôr do Sol no Solar do Unhão, maravilhoso, com show de jazz depois, muuuito bom. Isso no primeiro dia. No domingo, Dique do Tororó, sentados na grama e depois indo atrás de um saco de pipoca, que eu não descansei enquanto não comi, haha. Depois andamos pela praia da Barra, lotada, almoçamos num outro restaurante com vista pro mar (pense como tava ficando chato? rs), fomos ao Museu Náutico que tem no Farol, muito legal, e também subimos lá em cima e assistimos um pôr do sol de aplaudir (literalmente) depois – ou, o dia em que eu morri de medo de descer aquela escadaria porque tenho medo de altura e os degraus são pequenos, haha. À noite, ida estratégica ao bairro Rio Vermelho para comer acarajé a abará, também pela primeira vez (e gostei mais de acarajé, a quem interessar possa, rs). Tudo isso com aulas de história e conhecimentos gerais, porque a baiana em questão sabe tudo, minha gente. Na segunda ela tinha que ir trabalhar, então marido e eu fomos à praia e almoçamos sozinhos. À tarde, aeroporto, e casa.

E eu não sei como, mas fizemos tudo isso sem correria, nem confusão. Simplesmente os dias foram fluindo. Deve ser efeito da Bahia, o tempo rende por lá. Porque nesses intervalos ainda teve cafés da manhã conversando tranquilamente – sobre parto, escolhas, empoderamento, rá! rs. Boas noites de sono. Filme, beijinho (que minha mãe fez e levei pra ela), abraços, histórias, músicas no carro, muitas risadas. Ai, tanta coisa. Foi tãããooo bom! Escrevendo esse texto e editando as fotos deu uma saudade danada.

E sim, gente, ela é real. Linda, elegante, inteligente, boa pessoa… Tá, falando assim parece que não é real, mas juro que é, haha. Fizemos fotos das nossas pernocas pra dividir especialmente com vocês (marido foi nosso fotógrafo oficial). Sabe tudo isso que ela é no blog, no face, no e-mail? Querida, atenciosa, bem humorada, e mais todas as coisas que a gente já sabe? Então. Existe mesmo, numa pessoa de carne, osso e dedicação. Resumindo muito resumidamente: é daquelas pessoas que a gente quer ter sempre por perto, sério mesmo. Não queria falar demais, pra não ficar puxando o saco, rs, mas é que realmente foi um presente conhecê-la “no mundo real”.

E só umas palavrinhas pra ela, antes das fotos…

Nana,
não tenho palavras para agradecer os dias lindos que você nos proporcionou aí em sua casa. Eu ainda não sei descrever (mas quando souber vai nascer outro texto, aguarde) o bem que essa viagem me fez. Sei que foi grande, que foi importante, que mudou alguma coisa de lugar aqui dentro – ou melhor, colocou alguma coisa em seu devido lugar aqui dentro. Você pode nem saber, mas aprendi muito nesses dias aí na Bahia. Poder te conhecer de pertinho me fez te admirar ainda mais, saiba disso (ainda mais que era fim de ciclo, e o jeito que você lidou com isso só me fez pensar que você está no caminho certo, já deu certo!, porque tudo isso é parte do caminho, e você o está trilhando lindamente). E me fez entender e gostar ainda mais dessa coisa de ser quem a gente é. Com controle, com entrega, com ansiedade, com sentimento – e tô falando de nós duas em todos os itens, cada uma à sua maneira. Não é fácil, mas vale a pena, ô se vale!
E em caso de incêndio ou ansiedade exacerbada, é só lembrar: continue a nadar, continue a nadar…

Obrigada, mais uma vez, por tudo. 
Nossa amizade agora está no mundo real, ainda bem.
Já estamos com saudade e queremos voltar em breve (o Cleber te adorou (quem não, né?), também amou tudo e está animado para uma próxima vez, rs).

Beijo e abraço apertado,
Má e Cleber

Igreja do Bonfim

Pernocas das moças

Amarrando fitinhas juntas

 Sorvete delícia da Ribeira

 Lá no alto do Elevador Lacerda
Comprinhas e outras coisas mais na Casa Jorge Amado 

Pôr do Sol no Solar do Unhão 

Andando no Dique do Tororó
nem tava cheia…

Lá no alto do Farol

Segunda linda na praia

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Talvez, talvez…

Atenção: post altamente abstrato. Estou tentando organizar as ideias e acho que não tem coisa com coisa, mas tô postando assim mesmo, rs. Agradeço a compreensão de todxs. 

Eu acho que sempre fui uma pessoa que confia. Confio nas pessoas, confio em Deus, confio em mim. Quer dizer, essa confiança toda foi e está sendo construída ao longo dessa minha estrada, mas de uma forma geral podemos dizer que sou confiante.

História para ilustrar: 
Em 2010, fomos todos (família unida, lembram? rs) ao shopping e meu pai aproveitou para comprar umas roupas, pois estava precisando. Ele é a pessoa que mais economiza, sempre quer tudo o mais barato possível. Nesse dia, ele se permitiu entrar numa loja em que nunca tinha comprado nada e gastar umas centenas de dinheiros. Estava clima pré-copa do mundo e o shopping, juntamente com o cartão Visa (isso não é um publipost, hahaha), fizeram uma promoção: a cada tantos reais em compras, você ganhava um cupom para concorrer a uma viagem à África do Sul para assistir um jogo do Brasil, com acompanhante. Meu pai, que adora um sorteio, foi lá e depositou seus cupons, olhou pra minha mãe e falou “nós vamos pra África!”; rimos todos daquela remota e longínqua possibilidade e a vida seguiu. Uns dias depois (não me lembro se uma semana ou duas) meu pai foi viajar, lá pra nossa roça, em Minas, onde mal tem sinal de televisão, quanto mais de celular, e deixou seu aparelho em casa. Uma tarde qualquer, eu estava aqui em casa, bem gripada, meio zonza até, o celular dele toca. Atendi. A moça do outro lado da linha diz: “(…) é sobre o sorteio da viagem, do shopping Eldorado, ele ganhou!!! (…)”. Gente, vocês não têm ideia. Eu pulava na sala, toda feliz, toda serelepe. Disse que ele estava viajando e ela pediu pra ele voltar logo, pois tinham que acertar tudo. Liguei pra minha mãe, que estava trabalhando, dei a notícia, ao que ela solta “mas será que é verdade? Será que não é golpe?”. Várias pessoas pensaram isso. Me senti meio ingênua, mas tinha certeza que era verdade. Esperei uns minutos, entrei no site do shopping e lá estava: o nome completo do meu pai como ganhador. Ele realmente voltou mais cedo para acertar tudo (nem passaporte eles tinham ainda) e quando ele foi assinar os papeis na administração do shopping, a mulher (a mesma que ligou) falou que eu fui a única pessoa que acreditou de primeira e comemorou, todas as outras acharam que era trote ou pegadinha. Resumindo: meus pais foram pra África do Sul, ficaram uma semana por lá. Assistiram ao jogo do Brasil (o último que ganhamos, ainda bem, rs), visitaram vinícolas, o Cabo da Boa Esperança, vários passeios, jantares, hotel legal, com absolutamente tudo pago. 
E algumas pessoas se espantam mais com o fato de eu ter acreditado de primeira do que na viagem que eles fizeram, hahaha
Enfim. Tudo isso pra falar que estou insegura comigo mesma.
pausa pra vocês rirem da minha cara, por ter enrolado tanto para dizer isso, super me sentindo demais pelos meus dotes confiancísticos e depois falar isso assim na cara dura.
despausa. 
prosseguimos. 
Talvez aquela crise que eu disse uns posts atrás não tenha ido embora totalmente. Talvez tenha ido embora a parte profissional e no lugar esteja a parte gestacional. Talvez eu seja a própria crise em carne e osso e ela nunca me abandonará #dramamodeon
Esse ciclo está sendo diferente. Eu disse que não queria voltar a tentar (nem evitar), porque foi isso que senti que deveria fazer naquele momento, a vontade realmente estava gritando aqui dentro, mas pode ser que isso mude daqui um ou dois ciclos e tudo bem, nada é muito definitivo na (minha) vida. 
Tá, mas não é sobre isso também que eu quero falar agora. Sinceramente, já faz uns três dias que estou diante da tela em branco esperando um melhor jeito de elaborar, e nada.
Tive várias sensações (referentes a um futura gestação, no caso) desde o início do ciclo. Várias. Fortes, fracas, felizes, de medo. Anotei quase todas para não esquecer e fazer um “estudo detalhado” depois. Tem sido um processo bem solitário, na verdade, ninguém sabe disso. Geralmente o Cleber sabe essas coisas, mas não contei dessa vez (o que não significa que ele não possa ter reparado em algo). Sei lá, é uma coisa minha, não quero muita interferência de fora agora.
Mas agora nesse final tá meio puxado. 
Talvez eu não tenha cumprido ao pé da letra a parte do “sem interferências de fora” e li mais do que deveria (o que não significa que informação me atrapalha, tenho aprendido realmente muuita coisa ótima e válida, que vale post depois; estou falando da minha autoconfiança mesmo). 
O fato é que comecei a “duvidar” das coisas todas que senti, é isso. Pode ser que eu esteja precipitada e tenha entendido tudo errado. Pode ser que seja tudo coisa da minha cabeça. Pode ser que eu seja mesmo muito ingênua e acredite até em Papai Noel. E sim, duvidar do que eu sinto, pra mim, é uma coisa grave.
Na verdade, o fato de ter perdido um bebê me deixou com o pé atrás nesse lance de gestação. 
(É isso! Insights assim só me chegam quando estou escrevendo. Enfim.)
Fico pensando como vai ser na próxima vez. Quero tanto um filho, que acho que nem consigo mensurar direito. Em contrapartida, acredito que tudo tem a hora certa para acontecer, mas que temos que fazer nossa parte, porque né?! nada cai do céu. 
Tenho medo de ter outra perda? Sim, um baita medo. 
Só que maior do que esse é o medo de não entender mais o que eu sinto. Medo de me iludir. 
Na verdade, eu não contei pra ninguém tudo que vem acontecendo também para evitar que me mandem relaxar e pra eu parar de ser ansiosa. Sabe, o que eu sinto agora pode até ser uma certa ansiedade, mas não é essa minha questão. Ansiosa eu sempre fui, só que hoje a uso mais a meu favor, não deixo que ela se transforme num stress (pelo menos tento). E, independente do que aconteça, maternidade sempre estará no meu topo de interesses.
Meus pensamentos estão bagunçados. Talvez ainda demore muito pro meu bebê chegar. Talvez eu me sinta culpada por não estar exatamente aonde eu achei que deveria estar (seja lá o que isso signifique). Talvez eu ainda tenha que aprender muita coisa, comer muito arroz com feijão para que as coisas aconteçam. Talvez eu deva fazer mais. Pensar menos. E veja bem, isso pode até não ser de todo ruim, e não deve ser mesmo. Só que eu ainda estou muito perto pra saber. Talvez daqui um tempo eu veja isso como só uma fase da espera pela espera. 
Só sei que agora, neste instante, tudo que eu queria era ter um pouco mais tranquilidade de novo. E encontrar algum sentido nessa minha bagunça.
Até lá, só me resta ir – quem sabe eu não (re)encontre a minha confiança pelo caminho e a pegue de volta pra mim?

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O lado bom

Tá limpo, não tem mais nada mesmo (…)

Essa foi a primeira frase da médica ultrassonografista, ao ver a imagem do meu útero na tela ontem, quando finalmente fui fazer o ultrassom para me certificar que estava mesmo tudo bem comigo, fisicamente. A mesma médica, inclusive, que me deu a notícia que eu nunca quis ouvir, há 25 dias. Ela usou o mesmo tom de voz baixo, calmo e, dessa vez, até admirado, pelo que via.
E agora eu posso escrever sobre como eu estou impressionada com o poder de funcionamento do corpo feminino. Aliás, este é – se não o maior – um dos maiores aprendizados de toda essa história, e eu quero dividir alguns pensamentos com vocês.

Pode parecer contraditório, mas ter acontecido tudo do jeitinho que foi  – fisiologicamente falando – me deu muita força.
Explico: o “único” medo que eu tinha em relação ao parto, era que o TP (trabalho de parto) não progredisse e eu precisasse de alguma intervenção; porque foi exatamente por isso – medo de intervenções, soro, acessos na veia, sem que haja real necessidade (e não por rotina hospitalar e formação inadequada dos profissionais, pra dizer o mínimo), sem que ninguém ao menos escute o que eu digo – que eu comecei a minha busca por um atendimento mais humanizado durante a gestação e o parto, muito antes de decidir quando viraria tentante. Na época, eu só queria um profissional que entendesse e respeitasse a minha sensibilidade, eu só queria saber se existia uma alternativa ou se eu seria obrigada a sofrer por horas a fio em um dos momentos mais importantes da minha vida. Mas aí eu me apaixonei pelo tema e hoje sou uma amante-(quase)-ativista da humanização do parto e nascimento, apoiadora convicta de que as mulheres se empoderem de todas as formas que couberem em suas vidas (e que eventualmente permitam-se ultrapassar seus próprios limites também). Tanto me envolvi com o assunto e tanto me senti segura pelas informações que obtive, que em dado momento esqueci da minha sensibilidade – eu já pensava na coisa toda em níveis sociais, não só nessa minha particularidade.

Bom, claro que me “lembrei” da minha sensibilidade no momento em que precisei fazer os primeiros exames do pré-natal, como vocês podem imaginar, porque é uma furação que não acaba mais (ok, é só uma vez, mas são muitos exames, então demora. 1 vez ou 10, a tortura pra mim é a mesma). Não bastando que eu me lembrasse desse “detalhe”, comecei a ouvir algumas vezes, quando eu dizia que teria parto natural: “mas você tem que aceitar que você pode precisar de intervenções”, “você tá com essa ideia fixa na cabeça, e se você precisar?”, “não dá para controlar tudo, bla-bla-bla” e todo leque de variações dessa especulação. Sem contar que quem dizia isso geralmente não se referia às mesmas necessidades que eu, quando sentia medo de ter que passar por isso de qualquer jeito; eu me referia a situações reais extremas, em que o uso de alguma intervenção intravenosa resguardasse a minha saúde e a saúde do meu bebê em primeiro lugar. Só mesmo se eu precisasse de um antibiótico, ou alguma situação em que a ocitocina sintética fosse inevitável – cesárea nem entrava nessa lista, porque nesse caso não haverá o que questionar: vão me abrir pra salvar meu filho e fim de papo (mas sim, claro que tenho medo de ter que passar por uma cirurgia, mas essa é outra história). As outras pessoas se referiam a qualquer outro motivo (como acelerar o processo pra acabar logo, ou sei lá o que). E ouvir isso, vindo assim de certas pessoas, não me ajudava em nada a encontrar um meio de lidar com o medo, só me irritava e me fazia pensar ainda mais no que eu temia, e eu sabia que só temer não adiantava, porque se eu me travasse, podia ser pior.
Eu tinha medo de sentir medo. Porque se eu sentisse medo, podia travar o processo do parto e eu teria que encarar uma intervenção que eu não aguentava nem pensar – e então me apavorava: como eu ia conseguir ser protagonista ativa na hora do meu parto, se quando estou com algo na veia fico com o braço literalmente paralisado, suando frio e tenho que me manter quieta? E então sentia mais medo. E era um ciclo sem fim. Eu precisava encontrar uma forma de saber lidar com isso e, definitivamente, ouvir aquelas frases, vinda de qualquer pessoa que fosse, não estava no pacote.
Aliás, por isso escrevi aquele texto, pra ver se encontrava um jeito de lidar com eles, caso eu não tivesse mesmo pra onde fugir (inclusive, na última consulta que tive na Casa Angela, tirei todas as dúvidas que eu tinha).

Percebam, o meu medo mesmo era do desconhecido. Não tinha como alguém me assegurar que eu não ia precisar de nenhuma intervenção no parto – isso não existe! E por ter aversão a algumas coisas, eu ficava com muito medo de ter que lidar com elas, sem ter pra onde fugir. Parando agora pra pensar, entendo as mulheres que dizem ter medo da dor ou de qualquer outra coisa no parto. Ninguém pode nos dar certeza de nada.

Pois bem, e o que me aconteceu? No mesmo dia em que eu tirei todas as minhas dúvidas sobre possíveis intervenções com a EO, mil baldes de água gelada caíram na minha cabeça. Quando a médica do ultrassom disse que eu deveria ir pro hospital dar prosseguimento e “acabar logo com aquilo” (nas palavras dela), minha cabeça ficou metade paralisada, metade desesperada. Na dúvida, desabei a chorar e inundei qualquer vestígio de consciência que me restou. Não sei se ficou claro no meu relato, mas eu realmente passei a acreditar que eu precisaria de alguma intervenção. Comecei a tentar me preparar, tentar ficar forte, porque eu precisaria ficar no hospital, iam me furar e eu não tinha como me livrar disso. Eu me sentia tão anestesiada, tão sem forças, que eu queria muito que alguém fizesse aquilo por mim; em algum momento devo ter desejado dormir e que tudo estivesse acabado quando eu abrisse os olhos novamente. Imagina, como eu iria encarar um monte de sangue sem desmaiar? O que eu tinha que fazer? O que iria acontecer em sequência? E se eu fizesse algo errado, e se desse tudo errado? Será que não dava para alguém fazer isso pra mim? E tudo isso eu pensava e sentia num curto espaço de tempo, entre o laboratório em que fiz o exame e o consultório da Betina, minha GO.
Eu não me sentia capaz de lidar com aquilo – essa é a grande verdade e só agora consigo elaborar dessa maneira. Eu não me sentia pronta para lidar com aquele desconhecido que se apresentava, sem cerimônia, bem à minha frente. Parando agora pra pensar, entendo as mulheres que querem logo de cara uma cesárea eletiva. Não ver era tudo que eu queria. (e antes que as mulheres que escolheram cesárea eletiva digam, não estou afirmando aqui que todas vocês optaram pela cirurgia pelos mesmos medos que eu senti, nem estou comparando a minha perda com o nascimento dos seus filhos, por favor!, cada uma sabe da sua história – o que eu disse é que eu consegui, por um momento, entender o medo que, porventura, alguma de vocês possa ter sentido, justo eu, que nunca entendi isso. Empatia, e não ataque). O fato é que, no meu caso, não existia “escolha”: induzido ou natural, ia acontecer pela mesma via de nascimento.

Mas tinha sido também por isso que eu havia me cercado dos profissionais mais humanizados, de todos os lados. Para os momentos de medo, para quando eu me esquecesse que sim, eu acredito que a natureza sabe trabalhar se a deixarmos fazer isso. Eu realmente acredito nisso, e super defendo esta ideia, mas passar por uma situação que te tira do eixo faz com que você esqueça até do seu nome. Sentei de frente pra Betina e, à medida que fomos conversando, fui recobrando alguma consciência. Ela me disse que eu podia confiar, que o meu corpo ia agir, mas que se fosse afetivamente muito pesado pra mim, podíamos ir pro hospital induzir. Disse que a escolha era minha e que eu não precisava decidir nada naquele momento, podia pensar um pouco antes, em casa, e tudo bem. Acho que nesse momento o empoderamento que eu tinha conquistado começou a se mexer em algum canto da minha mente. A situação era comigo. O corpo era meu. A escolha não poderia ser de mais ninguém. Por mais medo que eu sentisse – e eu sentia! – do que estava por vir, eu peguei a minha crença na natureza e fui embora pra casa.

Aqui cabe dizer que a minha mãe era uma das pessoas que mais dizia aquelas frases que eu tanto detestava, que eu podia precisar de intervenção, etc. Eu ficava doida de irritação quando a ouvia dizer aquilo. E no consultório ela perguntou pra Betina o que ela indicava (natural ou induzido), ao que ela responde “natural” sem nem pestanejar. Minha mãe acatou aquilo e não tocou mais no assunto. Mais tarde, quando chegamos em casa, ela só me disse: “eu sei que a escolha é sua e você quer natural, mas se quiser, posso fazer um chá que ajuda” – e essa foi a única intervenção que ela me ofereceu: um chá.

Eu comecei a sentir as dores, resolvi encarar tudo como um trabalho de parto e simplesmente senti. Senti as dores. Senti medo. Senti tudo. Acho que isso é se entregar, no fim das contas. Quando eu comecei a me sentir travada, com medo de ver o feto e passar mal, comecei a rezar com muita fé, pedindo a Deus que me desse força para o que viesse. Eu não queria me sentir travada, porque sabia que podia parar o processo e piorar tudo. As dores vinham cada vez mais fortes e eu fazia de tudo para que elas fossem embora rápido. Eu não sabia quanto tempo duraria. Eu não sabia o que ia acontecer. Não tinham regras, nem métodos, nada. Naquela madrugada eu estive o mais perto que já cheguei do abismo do desconhecido, literalmente. Então, me preparei mentalmente para o caso de demorar (eu sempre cresço as coisas, para me sentir mais preparada), ainda mais que eu sabia que podia demorar dias até o meu corpo expelir, nem me dei conta de que, se eu estava com as dores naquela intensidade, não teria como demorar muito mesmo. Tanto que ele expeliu e eu nem percebi que era aquilo. Foi tão rápido que eu nem tive tempo de travar. Minha pressão começou a cair, eu fui me deitar, acabei dormindo por quase duas horas e, só quando acordei, conversando com o Cleber e minha mãe, nos demos conta de que já tinha acontecido mesmo.
Esperamos, então, que eu tivesse um sangramento enorme, ou coisa assim, porque a Betina tinha dito que seria mais do que uma menstruação, por exemplo. Mais uma vez, cresci aquela informação na minha cabeça e esperei “o pior”. Não aconteceu. Não do jeito que eu esperei, pelo menos. Sangrei por uns 10 dias seguidos – depois ficou mais alguns escapes no meio do caminho, mas não foi a abundância que eu achei que seria. Usei aqueles absorventes noturnos e nem chegou a vazar, ou precisar trocar a cada hora. Senti umas cólicas também, mas tudo dentro do esperado. Mantive repouso por duas semanas inteiras, sendo que nos dias úteis eu não coloquei o pé fora de casa, levei a sério mesmo.

E a cada dia que passava, e para cada pessoa que eu contava, eu sentia algo dentro de mim, algo bom, quando eu focava que o meu corpo tinha feito todo o trabalho sozinho. Eu me apeguei muito a isso. Eu esperei, eu confiei, eu me entreguei  – e o meu corpo agiu! Senti medo? Muito! Mas eu aprendi, na prática, que se não tem mesmo onde se esconder, não há nada que possamos fazer, a não ser encarar o que vier. Eu me sentia numa estrada completamente escura, não sabia onde seria meu próximo passo nem o que encontraria adiante. Mas eu sabia que ficar parada não me faria chegar. A minha vontade de ver a luz novamente foi maior que o medo. E no caminho escuro e incerto que tive que passar, o único feixe de luz (ou consciência) que eu dispunha era a minha fé e as pessoas que eu amo – naquela noite, especificamente, a minha mãe.

E ontem (sábado), quando a médica me confirmou que estava tudo bem comigo, concluí, definitivamente, o meu maior aprendizado: o nosso corpo é perfeito. O meu útero está do tamanho normal já, a médica mal acreditou quando viu. Está limpo também, sem mais nada dentro.
A minha vontade é de contar essa descoberta para todo mundo. Eu sei que o que eu passei foi muito triste (e ontem chorei de novo, vendo o ultrassom do bebê – claro que ainda dói) e realmente não desejo isso para ninguém, nunca. Mas foi também a minha bolota que me trouxe essa consciência toda do poder que eu tenho guardado no meu corpo – e eu enxergo isso como o lado bom do que parece ser inteiro ruim.

– Se antes eu tinha medo de travar e dar tudo errado – hoje eu não tenho mais.
O meu corpo me deu um presente e tanto, me mostrou o que é seguir um comando seu (porque sim, quando você está imersa naquele momento, tudo que seu corpo pedir, você fará. Eu sentia tanto calor que só me restou tirar toda a roupa – e foi depois disso que aconteceu) e que ele funciona perfeitamente bem, apesar de qualquer medo que eu sinta.
– Se antes eu ficava brava com os medos da minha mãe (ou de qualquer outra pessoa) – hoje eu não fico mais. Meus pais foram incríveis! Respeitaram as minhas escolhas o tempo todo e ainda me deram todo suporte necessário para passar por isso.

– Se antes eu era super a favor do atendimento humanizado – hoje eu não quero outra coisa na vida! Reafirmou a minha certeza. Quero que todas as mulheres tenham a oportunidade de saber o que é ter a sua calma devolvida por uma médica, o que é receber um abraço apertado de um profissional num momento ruim, ou ter realmente a oportunidade de escolher o que quer que seja que será feito com o seu corpo, com todas as dúvidas realmente esclarecidas e segura de que será amparada no que decidir.
– Se antes eu admirava o meu marido – hoje eu quero me casar com ele de novo, a cada dia. Porque apesar de não o ter citado muito aqui, ele está presente em cada linha desse texto, segurando minha mão, me abraçando e, quando eu só pensava se daria conta de tudo, ele perguntou pra Betina quando é que podíamos tentar de novo – foi ali que eu me lembrei (ainda vagamente naquele instante), também, que aconteça o que acontecer, vai passar, e a vida continua.

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No capítulo de hoje…

Ontem meus pais fizeram uma teleconferência comigo de novo. Dessa vez, a mamãe não estava tão nervosa e com medo quanto daquela outra; acho que ela já sabia que tava tudo bem. Também, com o tanto de repouso que anda fazendo…
Desde o nosso último encontro eu cresci bastante e aprendi um monte de coisas. Aqui, debaixo d’água, nesse lugar quentinho e confortável, é tudo muito propício para novos aprendizados. Ou seja, estava doida(o) para mostrar tudo a eles.
Nos primeiros minutos, a moça que fazia a transmissão já avisou pra eles: o bebê tá todo embolado!
Pff! Ela não entende nada mesmo! Eu já queria começar em grande estilo, mostrando que consigo colocar meus pezinhos lá na cabeça. Meus pais só não babaram mais por falta de saliva extra. Não conseguiam tirar os olhos da tela, esses dois bobinhos. 
A moça colocou o som do meu coraçãozinho logo em seguida, e o som de batidas rápidas e fortes tomou conta da sala. Estava em 166 BPM. Eu tava animada(o) mesmo.
O nome da tal teleconferência, dessa vez, era: ultrassom morfológico do 1° trimestre. A moça tinha que verificar muitas coisas no meu corpinho, ver se estava tudo nos conformes. Ela viu tudinho: o ossinho do meu nariz, uma tal de translucência nucal, localização do coração, do estômago, veias e válvulas do meu coraçãozinho, cérebro, meu rostinho, todos os membros, cordão umbilical. E ainda as veias da mamãe que traz sangue aqui pro meu mundinho, e também o colo do útero e não sei mais o que. Foi bastante coisa, muitas medições e números. E estava tudo muito bem, obrigado! Para o alívio e felicidade dos meus pais.
Foi ótimo porque pude mostrar pra eles o quanto estou feliz aqui dentro. Eu não parava de me mexer nem um minutinho sequer, hihi. Mexia meus bracinhos e perninhas a todo instante, estava divertido! A moça ficou impressionada. 
E quando ela quis que eu ficasse toda reta(o) pra medir meu cumprimento, quem disse que eu queria? Ela tentou de tudo, até pediu pra mamãe tossir. Nessa hora, resolvi colaborar, mas mesmo assim acho que ela fez uma medição meia-boca, mas tá valendo. E eu também já estava ficando cansada(o) daquela minha exposição toda, queria sossego! Mamãe e papai gravaram tudo em dvd e meus avós amararam poder me ver também.

À noite, ainda no sábado, veio um monte de gente jantar na nossa casa, pelo aniversário do meu vovô, que foi semana passada (mas ele tava viajando, o danadinho). Eram todos da família, foi muito animado! Todos queriam ver a barriguinha da mamãe, onde eu estou guardada(o). Mil perguntas pra ela: se estava bem, se já tinha algo do enxoval, como está os cuidados com o corpo (quem perguntou isso foi uma tia da mamãe, que tem umas dicas boas de massagens e tal, ela adora!). E, como sempre, ficaram especulando se eu sou menino ou menina. 
Nessa família que eu escolhi, algumas pessoas sempre sabem quem são os bebês que ainda vão chegar. Às vezes, bem no comecinho mesmo. Acho que eles conversam com os anjinhos do bebê, só pode, né?!
Não sei se alguém já sabe o que eu sou, porque parece que ainda paira uma certa dúvida no ar. Ou então, só estão disfarçando. 
A prima da mamãe resolveu fazer umas simpatias com ela então, de brincadeirinha. Elas se empolgaram tanto que fizeram nove! Ia ser oito, mas aí deu empate e elas resolveram desempatar. Tá pensando que eu entrego tudo de bandeja? Não, não! Tem que ter um mistério pra ficar mais legal!
No fim das contas, ninguém tem muita certeza ainda, apesar da maioria arriscar dizer que posso ser uma menina. Mas ao mesmo tempo, levantam a hipótese de que eu seja menino… Hehe, tô me divertindo com essa coisa de deixar todo mundo confuso. 

Meus pais estão tentando deixar meu possível nome pré-definido. Eles sabem que têm que ouvir o nome que eu disser, que eu já tenho; e parece que estão bem perto mesmo. Algumas pessoas andam estranhando o nome feminino e a mamãe fica nervosa. Mas isso, acho melhor ela contar numa outra hora…

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Mais um capítulo da novela: "A vida de Bolota"

“No capítulo de hoje, a pequena Bolota decidiu que queria ensinar a mamãe algumas coisinhas desde já, para que ela esteja bem treinada acostumada quando a pequena resolver dar o ar de sua graça nesse mundão de meu Deus.

“Já que a mamãe fala tanto em empatia, que é importante se colocar no lugar no outro, acho que ela vai gostar de saber – ou melhor, relembrar – como é ser um recém-nascido”, foi o que decidiu a pequenina.
Começou aos pouquinhos, fazendo sua linda (cof, cof) mãe sentir fome fora de hora, só para bular os horários já estabelecidos (e mandar o “de 3 em 3 horas” às favas). Não era raro os dias em que a mulher podia ser encontrada saindo da cozinha com um prato de comida em mãos, antes de meio dia.
Depois, achou de bom tom lhe mostrar que, se ela achava que era chorona – e céus!, ela é sim! – isso ainda podia ser aumentado em alguns níveis. Porque uma coisa é chorar por qualquer motivo; outra, bem diferente, é chorar sem saber o motivo. E querer um colinho, um carinho, um aconchego nessas horas. Papai que o diga – ele também está incluso no treinamento da Bolota.

Mas hoje, 20 de maio, segunda-feira, foi o dia de aumentar a intensidade desse capítulo.
À noite, mamãe demorou bastante para dormir. De madrugada, acordou duas vezes – quase seguidas – para ir ao banheiro e, depois, beber água. (o primeiro, três horas depois de pesar o sono; a segunda vez, uma hora depois).
O relógio despertou no mesmo horário de sempre. 
Com um sono fora do comum, como se tivesse ficado as 24 horas direto na Virada Cultural (que ela nem foi), levantou – afinal, o café da manhã com papai é sagrado. 
Ele saiu. Ela ficou em casa, decidida a dormir mais. 
A cabeça doía. Mas não conseguiu voltar ao sono, estava tão cansada que até dormir estava difícil. De repente, começou a sentir uma dor horrível no estômago.”Só pode ser pelo suco que tomei no café da manhã”, pensou mamãe. E parece que era isso mesmo. Bolota odiou o suco e mandou seu recado.
A dor persistiu mesmo depois de copos d’água e bolachinhas de água e sal (ok, não era enjoo, mas mamãe acha que tudo se resolve assim). 
Deitou na cama, fingindo que ia ler um livro. A dor foi passando e a sono foi chegando. Conseguiu dormir. Durante o sono, sentiu uma proximidade muito grande com Bolota, uma presença mesmo. 
Acordou. Uma vontade incontrolável de ir ao banheiro. A soneca só durou 30 minutos.
A cabeça continuou doendo. O estômago idem. 
Resolveu almoçar. Passou.
Recebeu uma notícia que mudou todos os seus já poucos planos. Chorou. Ligou pro papai chorando. A voz do papai sempre a acalma.
Queria colo. Como não tinha, tomou sorvete (porque se a coisa não se resolve com água e bolachinha, resolve-se com sorvete, com certeza).
E estendeu-se a tarde. Mamãe comendo, querendo dormir, mas tendo que se levantar para ir ao banheiro. 
Desejando que papai chegue logo, e que a noite chegue logo, porque os benefícios da cama compartilhada ela já conhece bem.
E nesse looping sem fim – comer (em livre demanda), dormir, ir ao banheiro – mamãe relembrou, enfim, como é a vidinha de um recém-nascido. 

E dizem que com três meses passa.”

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A história da pequena bolota

“Era uma vez uma fonte de luz. Uma fonte de luz cheia de vida, cheia de ginga, cheia de energia boa. Que vivia num lugar lindo, paradisíaco.
Certo dia, olhando outros seres que viviam em outro plano do planeta, ela viu uma pessoa. Uma mulher. Uma mulher bem decidida a produzir, criar, cuidar e amar um outro mundinho, a partir de si mesma.
Era bonito vê-la buscando tanta informação. E achava também meio divertido o fato de ela ler tanto sobre datas e métodos mundanos para produzir esse mundinho – mesmo que ela não os praticasse ativamente -como se isso lhe desse mais certeza da capacidade inata que o seu corpo possui para tal função. “Humanos e suas manias de controle”, era o que pensava, rindo, a pequena luz. Depois de muito observar, e sabendo que iria ser muito bem cuidada e muito amada por aquela família, resolveu – rapidamente – fazer parte daquilo tudo e ser o tal mundinho que o casal tanto queria. “Mas essa mulher vai precisar entender que não é sobre todas as variáveis que se pode ter controle. É preciso deixar o mistério acontecer sozinho”. Pensou isso e mergulhou no oceano que a levaria até o ventre da mulher, onde ela seria magicamente transformada numa pequenina – mas não menos forte – bolota.
Bolota tem uma presença forte. A mulher que a recebeu tem uma predisposição inata a perceber logo alguma mudança que ocorre em seu organismo (mesmo achando algumas vezes que ele pode falhar). E logo de cara, bem rápido, ela sentiu a presença de bolota. 
Pelos cálculos humanos – e segundo o que uma outra mulher, de jaleco branco, disse – bolota tinha a “idade gestacional” (que nome engraçado, pensava bolota dentro da barriga) de 6 semanas, no dia da consulta. No dia seguinte, a mulher foi a um outro consultório para tentar marcar uma teleconferência com bolota. Descobriu, ali naquela pequena recepção, que poderia entrar imediatamente para realizar a teleconferência, pois bolota já estava na linha aguardando – e o moço que faria a ligação também. Com um convite desses, a mulher não teve como recusar. Aceitou de pronto. Quando deitou para começarem a teleconferência, o moço diz pra mulher: “ainda não dá pra ver o embrião (e aqui uma pausa que durou até o natal daquele ano, tão longa que foi), você está de 4 semanas”. Enquanto a mulher-mamãe ficava muito confusa com essa informação, querendo saber se estava tudo bem, e enquanto o moço assegurava que “sim, está tudo bem, e olha só, está implantado no útero, certinho, volte daqui umas 2 semanas para fazermos de novo”, a pequena bolota apenas ria dentro da sua casinha aquática. “Eu estou aqui, não estou?! Porque eles tem que ser mais apegados a números do que ao fato de que estou bem? Tss tss, ainda tenho muito a ensinar à essa minha mamãe”.” Fim do primeiro episódio da novela: A vida de Bolota.
E aí, meninas, o que acharam da minha história? Completamente baseada em fatos reais, juro. O tal exame “surpresa” aconteceu na quinta-feira. E eu não sei mais se estou com 7 semanas (que eu faria ontem), ou se essa semana vou entrar na 5°. A sensação de “voltar no tempo”, assim bem literalmente, que me acometeu quando ouvi as palavras qua-tro-se-ma-nas foi surreal, vocês não imaginam o quanto. Deu até um medinho de algo estar errado, mas já passou.
Posso ter ovulado mais tarde e, por isso, estar de 4 semanas? Sim, posso. Meus ciclos sem o AC estavam em mais de 30 dias (o último tinha sido 34). Mas em abril eu nem menstruei. E depois, fiquei pensando: Meu Deus, como eu descobri tudo cedo então, né?! Se as contas do ultra estiverem certas, descobri com 3 semanas!! Que teste de farmácia poderoso esse, hahaha E o meu feeling apuradíssimo também, tenho que dizer.
Bom, não sei. Não sei se faço outra ultra antes da próxima consulta, ou se espero pra ver o que cada médica (a EO da Casa Angela e a outra médica que vou passar em paralelo) tem a dizer sobre isso. 
O que eu já tirei desse primeiro impasse foi: meu corpo realmente é poderoso, tô confiando nele! E essa minha mini bolota já apronta, né?! Como não amar, minha gente?
E enquanto bolota decide de são 7 ou se são 4 semanas, hoje eu fui ter a primeira conversa com a mulher que será a minha doula (quer dizer, agora já é! rs)! Linda, gente! A conversa durou pouco mais de 1 hora. Falamos de tanta coisa, foi muito bom!!! Como ainda estou muito no comecinho da gestação, não vamos entrar de cabeça nos atendimentos ainda. O próximo será mês que vem, e seguirá assim até a 20° semana, mais ou menos, que passará a ser quinzenal. E depois semanal. Estou feliz por tê-la comigo, vou me sentir muito mais segura durante toda a caminhada, tenho certeza.
E por aí, como andam as coisas? 
Volto em breve com mais papo – inclusive como (não) foi o dia da Mães por aqui.
E para cenas dos próximos capítulos da  minha novela, é só aguardar mesmo. 

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