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Utilidade pública – para quem vai parir em breve

Eu estava aqui começando um próximo texto pra esse bloguinho, quando dou uma pausa para ler o post fresquinho que a Gabi Sallit – aquela linda de tudo que escreve no Dadadá – acabou de publicar. Como eu acho que é de utilidade pública e que informação nunca é demais, resolvi vir aqui rapidinho dar essa dica e compartilhar o link com vocês.

A gente sabe o quanto é importante – fundamental, eu diria – que nós e nossos bebês tenhamos um atendimento respeitoso na hora do parto. Que ter uma doula é importante. Que o atendimento humanizado e respeitoso deveria ser regra, não exceção. Por outro lado, também sabemos que nem todo mundo pode pagar uma equipe particular e terão seus partos com equipe plantonista. Mais ainda, em alguns lugares desse nosso país enorme, alguns profissionais de saúde nunca ouviram falar em humanização do parto – e tem os que já ouviram falar, mas não praticam, por qualquer motivo que seja.
Mas isso não significa que esteja tudo perdido, minha gente! Nananinanão!!

Aqui nesse post, a Gabi, que é advogada, explica como você pode estabelecer um diálogo com o hospital que vai te atender no parto. Atitudes que você pode tomar para resguardar os seus direitos, como ter acompanhante e ter um plano de parto.
E hoje ela publicou (agora há pouco, na verdade, rs) um modelo de Notificação Extrajudicial para Protocolo de Plano de Parto – para você entregar para a Direção do hospital – de preferência meses antes da sua DPP – junto com o seu modelo de plano de parto, o documento que registra todos os procedimentos que você autoriza, ou não, que façam com você e seu filho, as suas vontades e o que você não quer de jeito nenhum.

Os posts estão SUPER bem explicadinhos, até eu que não entendo lhufas de Direito, notificações etc entendi e achei demais. Ou seja, vale muito a pena ler, se informar, se informar, se informar, sempre.

Como a própria Gabi diz: Quanto mais preparadas estamos, menos chance de sofrer violência obstétrica”.


Resolvi compartilhar isso aqui porque acho que quanto mais gente souber, quanto mais mulheres lutarem por seus direitos, mais o cenário tende a mudar, mais as instituições terão que se adequar às evidências científicas e teremos todas o parto e o atendimento que merecemos.
Espero ter ajudado!

ps que não tem a ver com o post, rs: agradeci lá na fanpage, mas como não sei se todas viram, fica aqui também o meu agradecimento por tanto carinho que recebi no post passado. Vocês são incríveis, gente, sério! ❤
Amanhã eu volto com mais trololó. Beijo! 🙂

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O lado bom

Tá limpo, não tem mais nada mesmo (…)

Essa foi a primeira frase da médica ultrassonografista, ao ver a imagem do meu útero na tela ontem, quando finalmente fui fazer o ultrassom para me certificar que estava mesmo tudo bem comigo, fisicamente. A mesma médica, inclusive, que me deu a notícia que eu nunca quis ouvir, há 25 dias. Ela usou o mesmo tom de voz baixo, calmo e, dessa vez, até admirado, pelo que via.
E agora eu posso escrever sobre como eu estou impressionada com o poder de funcionamento do corpo feminino. Aliás, este é – se não o maior – um dos maiores aprendizados de toda essa história, e eu quero dividir alguns pensamentos com vocês.

Pode parecer contraditório, mas ter acontecido tudo do jeitinho que foi  – fisiologicamente falando – me deu muita força.
Explico: o “único” medo que eu tinha em relação ao parto, era que o TP (trabalho de parto) não progredisse e eu precisasse de alguma intervenção; porque foi exatamente por isso – medo de intervenções, soro, acessos na veia, sem que haja real necessidade (e não por rotina hospitalar e formação inadequada dos profissionais, pra dizer o mínimo), sem que ninguém ao menos escute o que eu digo – que eu comecei a minha busca por um atendimento mais humanizado durante a gestação e o parto, muito antes de decidir quando viraria tentante. Na época, eu só queria um profissional que entendesse e respeitasse a minha sensibilidade, eu só queria saber se existia uma alternativa ou se eu seria obrigada a sofrer por horas a fio em um dos momentos mais importantes da minha vida. Mas aí eu me apaixonei pelo tema e hoje sou uma amante-(quase)-ativista da humanização do parto e nascimento, apoiadora convicta de que as mulheres se empoderem de todas as formas que couberem em suas vidas (e que eventualmente permitam-se ultrapassar seus próprios limites também). Tanto me envolvi com o assunto e tanto me senti segura pelas informações que obtive, que em dado momento esqueci da minha sensibilidade – eu já pensava na coisa toda em níveis sociais, não só nessa minha particularidade.

Bom, claro que me “lembrei” da minha sensibilidade no momento em que precisei fazer os primeiros exames do pré-natal, como vocês podem imaginar, porque é uma furação que não acaba mais (ok, é só uma vez, mas são muitos exames, então demora. 1 vez ou 10, a tortura pra mim é a mesma). Não bastando que eu me lembrasse desse “detalhe”, comecei a ouvir algumas vezes, quando eu dizia que teria parto natural: “mas você tem que aceitar que você pode precisar de intervenções”, “você tá com essa ideia fixa na cabeça, e se você precisar?”, “não dá para controlar tudo, bla-bla-bla” e todo leque de variações dessa especulação. Sem contar que quem dizia isso geralmente não se referia às mesmas necessidades que eu, quando sentia medo de ter que passar por isso de qualquer jeito; eu me referia a situações reais extremas, em que o uso de alguma intervenção intravenosa resguardasse a minha saúde e a saúde do meu bebê em primeiro lugar. Só mesmo se eu precisasse de um antibiótico, ou alguma situação em que a ocitocina sintética fosse inevitável – cesárea nem entrava nessa lista, porque nesse caso não haverá o que questionar: vão me abrir pra salvar meu filho e fim de papo (mas sim, claro que tenho medo de ter que passar por uma cirurgia, mas essa é outra história). As outras pessoas se referiam a qualquer outro motivo (como acelerar o processo pra acabar logo, ou sei lá o que). E ouvir isso, vindo assim de certas pessoas, não me ajudava em nada a encontrar um meio de lidar com o medo, só me irritava e me fazia pensar ainda mais no que eu temia, e eu sabia que só temer não adiantava, porque se eu me travasse, podia ser pior.
Eu tinha medo de sentir medo. Porque se eu sentisse medo, podia travar o processo do parto e eu teria que encarar uma intervenção que eu não aguentava nem pensar – e então me apavorava: como eu ia conseguir ser protagonista ativa na hora do meu parto, se quando estou com algo na veia fico com o braço literalmente paralisado, suando frio e tenho que me manter quieta? E então sentia mais medo. E era um ciclo sem fim. Eu precisava encontrar uma forma de saber lidar com isso e, definitivamente, ouvir aquelas frases, vinda de qualquer pessoa que fosse, não estava no pacote.
Aliás, por isso escrevi aquele texto, pra ver se encontrava um jeito de lidar com eles, caso eu não tivesse mesmo pra onde fugir (inclusive, na última consulta que tive na Casa Angela, tirei todas as dúvidas que eu tinha).

Percebam, o meu medo mesmo era do desconhecido. Não tinha como alguém me assegurar que eu não ia precisar de nenhuma intervenção no parto – isso não existe! E por ter aversão a algumas coisas, eu ficava com muito medo de ter que lidar com elas, sem ter pra onde fugir. Parando agora pra pensar, entendo as mulheres que dizem ter medo da dor ou de qualquer outra coisa no parto. Ninguém pode nos dar certeza de nada.

Pois bem, e o que me aconteceu? No mesmo dia em que eu tirei todas as minhas dúvidas sobre possíveis intervenções com a EO, mil baldes de água gelada caíram na minha cabeça. Quando a médica do ultrassom disse que eu deveria ir pro hospital dar prosseguimento e “acabar logo com aquilo” (nas palavras dela), minha cabeça ficou metade paralisada, metade desesperada. Na dúvida, desabei a chorar e inundei qualquer vestígio de consciência que me restou. Não sei se ficou claro no meu relato, mas eu realmente passei a acreditar que eu precisaria de alguma intervenção. Comecei a tentar me preparar, tentar ficar forte, porque eu precisaria ficar no hospital, iam me furar e eu não tinha como me livrar disso. Eu me sentia tão anestesiada, tão sem forças, que eu queria muito que alguém fizesse aquilo por mim; em algum momento devo ter desejado dormir e que tudo estivesse acabado quando eu abrisse os olhos novamente. Imagina, como eu iria encarar um monte de sangue sem desmaiar? O que eu tinha que fazer? O que iria acontecer em sequência? E se eu fizesse algo errado, e se desse tudo errado? Será que não dava para alguém fazer isso pra mim? E tudo isso eu pensava e sentia num curto espaço de tempo, entre o laboratório em que fiz o exame e o consultório da Betina, minha GO.
Eu não me sentia capaz de lidar com aquilo – essa é a grande verdade e só agora consigo elaborar dessa maneira. Eu não me sentia pronta para lidar com aquele desconhecido que se apresentava, sem cerimônia, bem à minha frente. Parando agora pra pensar, entendo as mulheres que querem logo de cara uma cesárea eletiva. Não ver era tudo que eu queria. (e antes que as mulheres que escolheram cesárea eletiva digam, não estou afirmando aqui que todas vocês optaram pela cirurgia pelos mesmos medos que eu senti, nem estou comparando a minha perda com o nascimento dos seus filhos, por favor!, cada uma sabe da sua história – o que eu disse é que eu consegui, por um momento, entender o medo que, porventura, alguma de vocês possa ter sentido, justo eu, que nunca entendi isso. Empatia, e não ataque). O fato é que, no meu caso, não existia “escolha”: induzido ou natural, ia acontecer pela mesma via de nascimento.

Mas tinha sido também por isso que eu havia me cercado dos profissionais mais humanizados, de todos os lados. Para os momentos de medo, para quando eu me esquecesse que sim, eu acredito que a natureza sabe trabalhar se a deixarmos fazer isso. Eu realmente acredito nisso, e super defendo esta ideia, mas passar por uma situação que te tira do eixo faz com que você esqueça até do seu nome. Sentei de frente pra Betina e, à medida que fomos conversando, fui recobrando alguma consciência. Ela me disse que eu podia confiar, que o meu corpo ia agir, mas que se fosse afetivamente muito pesado pra mim, podíamos ir pro hospital induzir. Disse que a escolha era minha e que eu não precisava decidir nada naquele momento, podia pensar um pouco antes, em casa, e tudo bem. Acho que nesse momento o empoderamento que eu tinha conquistado começou a se mexer em algum canto da minha mente. A situação era comigo. O corpo era meu. A escolha não poderia ser de mais ninguém. Por mais medo que eu sentisse – e eu sentia! – do que estava por vir, eu peguei a minha crença na natureza e fui embora pra casa.

Aqui cabe dizer que a minha mãe era uma das pessoas que mais dizia aquelas frases que eu tanto detestava, que eu podia precisar de intervenção, etc. Eu ficava doida de irritação quando a ouvia dizer aquilo. E no consultório ela perguntou pra Betina o que ela indicava (natural ou induzido), ao que ela responde “natural” sem nem pestanejar. Minha mãe acatou aquilo e não tocou mais no assunto. Mais tarde, quando chegamos em casa, ela só me disse: “eu sei que a escolha é sua e você quer natural, mas se quiser, posso fazer um chá que ajuda” – e essa foi a única intervenção que ela me ofereceu: um chá.

Eu comecei a sentir as dores, resolvi encarar tudo como um trabalho de parto e simplesmente senti. Senti as dores. Senti medo. Senti tudo. Acho que isso é se entregar, no fim das contas. Quando eu comecei a me sentir travada, com medo de ver o feto e passar mal, comecei a rezar com muita fé, pedindo a Deus que me desse força para o que viesse. Eu não queria me sentir travada, porque sabia que podia parar o processo e piorar tudo. As dores vinham cada vez mais fortes e eu fazia de tudo para que elas fossem embora rápido. Eu não sabia quanto tempo duraria. Eu não sabia o que ia acontecer. Não tinham regras, nem métodos, nada. Naquela madrugada eu estive o mais perto que já cheguei do abismo do desconhecido, literalmente. Então, me preparei mentalmente para o caso de demorar (eu sempre cresço as coisas, para me sentir mais preparada), ainda mais que eu sabia que podia demorar dias até o meu corpo expelir, nem me dei conta de que, se eu estava com as dores naquela intensidade, não teria como demorar muito mesmo. Tanto que ele expeliu e eu nem percebi que era aquilo. Foi tão rápido que eu nem tive tempo de travar. Minha pressão começou a cair, eu fui me deitar, acabei dormindo por quase duas horas e, só quando acordei, conversando com o Cleber e minha mãe, nos demos conta de que já tinha acontecido mesmo.
Esperamos, então, que eu tivesse um sangramento enorme, ou coisa assim, porque a Betina tinha dito que seria mais do que uma menstruação, por exemplo. Mais uma vez, cresci aquela informação na minha cabeça e esperei “o pior”. Não aconteceu. Não do jeito que eu esperei, pelo menos. Sangrei por uns 10 dias seguidos – depois ficou mais alguns escapes no meio do caminho, mas não foi a abundância que eu achei que seria. Usei aqueles absorventes noturnos e nem chegou a vazar, ou precisar trocar a cada hora. Senti umas cólicas também, mas tudo dentro do esperado. Mantive repouso por duas semanas inteiras, sendo que nos dias úteis eu não coloquei o pé fora de casa, levei a sério mesmo.

E a cada dia que passava, e para cada pessoa que eu contava, eu sentia algo dentro de mim, algo bom, quando eu focava que o meu corpo tinha feito todo o trabalho sozinho. Eu me apeguei muito a isso. Eu esperei, eu confiei, eu me entreguei  – e o meu corpo agiu! Senti medo? Muito! Mas eu aprendi, na prática, que se não tem mesmo onde se esconder, não há nada que possamos fazer, a não ser encarar o que vier. Eu me sentia numa estrada completamente escura, não sabia onde seria meu próximo passo nem o que encontraria adiante. Mas eu sabia que ficar parada não me faria chegar. A minha vontade de ver a luz novamente foi maior que o medo. E no caminho escuro e incerto que tive que passar, o único feixe de luz (ou consciência) que eu dispunha era a minha fé e as pessoas que eu amo – naquela noite, especificamente, a minha mãe.

E ontem (sábado), quando a médica me confirmou que estava tudo bem comigo, concluí, definitivamente, o meu maior aprendizado: o nosso corpo é perfeito. O meu útero está do tamanho normal já, a médica mal acreditou quando viu. Está limpo também, sem mais nada dentro.
A minha vontade é de contar essa descoberta para todo mundo. Eu sei que o que eu passei foi muito triste (e ontem chorei de novo, vendo o ultrassom do bebê – claro que ainda dói) e realmente não desejo isso para ninguém, nunca. Mas foi também a minha bolota que me trouxe essa consciência toda do poder que eu tenho guardado no meu corpo – e eu enxergo isso como o lado bom do que parece ser inteiro ruim.

– Se antes eu tinha medo de travar e dar tudo errado – hoje eu não tenho mais.
O meu corpo me deu um presente e tanto, me mostrou o que é seguir um comando seu (porque sim, quando você está imersa naquele momento, tudo que seu corpo pedir, você fará. Eu sentia tanto calor que só me restou tirar toda a roupa – e foi depois disso que aconteceu) e que ele funciona perfeitamente bem, apesar de qualquer medo que eu sinta.
– Se antes eu ficava brava com os medos da minha mãe (ou de qualquer outra pessoa) – hoje eu não fico mais. Meus pais foram incríveis! Respeitaram as minhas escolhas o tempo todo e ainda me deram todo suporte necessário para passar por isso.

– Se antes eu era super a favor do atendimento humanizado – hoje eu não quero outra coisa na vida! Reafirmou a minha certeza. Quero que todas as mulheres tenham a oportunidade de saber o que é ter a sua calma devolvida por uma médica, o que é receber um abraço apertado de um profissional num momento ruim, ou ter realmente a oportunidade de escolher o que quer que seja que será feito com o seu corpo, com todas as dúvidas realmente esclarecidas e segura de que será amparada no que decidir.
– Se antes eu admirava o meu marido – hoje eu quero me casar com ele de novo, a cada dia. Porque apesar de não o ter citado muito aqui, ele está presente em cada linha desse texto, segurando minha mão, me abraçando e, quando eu só pensava se daria conta de tudo, ele perguntou pra Betina quando é que podíamos tentar de novo – foi ali que eu me lembrei (ainda vagamente naquele instante), também, que aconteça o que acontecer, vai passar, e a vida continua.

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O Renascimento do Parto – O filme

A Folha de São Paulo organizou uma pré-estreia do filme O Renascimento do Parto, juntamente com o Espaço Itau de Cinema – Frei Caneca, ontem, dia 05 de agosto.
Eu havia visto esta notícia na internet, mas nem planejava ir. Como a estreia para o público está marcada para o dia 09, que é o dia do meu aniversário, e como eu não contribuí com o valor que dava direito à ingressos da pré-estreia para benfeitores e convidados (que é hoje, dia 06), já havia decidido que era nesse dia que eu iria, como um presente. Mas aí a minha prima viu a notícia também e me chamou para ir com ela. Claro que topei, na hora! Adoro uma mudança de planos. Ela nem sabia ao certo como seria, não conseguiu ver o trailer, mas eu contei pra ela como era, falei que eu tinha contribuído para ajudar o filme a chegar nas telas de cinema, e então nos animamos ainda  mais. Combinei também com o Cleber – que trabalha lá perto – e fomos.
O evento – com um debate logo após a exibição do filme, com a presença do diretor do filme Eduardo Chauvet, da produtora e roteirista Erica de Paula, da pediatra e neonatologista Ana Paula Caldas e da ginecologista e obstetra Carla Andreucci Polido – foi gratuito. Os ingressos seriam distribuídos a partir das 19:00, por ordem de chegada. Sabendo disso, e sabendo que provavelmente iria estar bem cheio, combinamos de chegar cedo, para garantir um lugar na fila.
Pois bem, chegamos, minha prima e eu, às 18:00. Ainda não tinha ninguém esperando, então descemos para comer alguma coisa.Quando voltamos, meia hora depois, já tinha uma ou duas pessoas, mas de forma meio aleatória ali pelo lugar. Perguntamos para atendente onde seria a fila e a iniciamos. Sim, fomos exatamente as primeiríssimas da fila! Ingresso garantido nós teríamos. Algumas pessoas foram se juntando e, alguns poucos minutos depois, já tinha muita gente. Parece que combinaram de chegar todos juntos. O Cleber chegou um pouco depois e se juntou a nós. A fila foi crescendo, o tempo foi passando e já era possível sentir um misto de animação e ansiedade no ar – ou seria em mim?
Com ingressos em mãos, esperamos mais uma horinha e finalmente havia chegado a hora de assistir, na íntegra, aquele filme que eu havia esperado tanto para ver.

Não vou fazer spoiler (pelo menos vou tentar). Até porque eu sei que muitos aqui verão o filme na pré-estreia de suas cidades, ou na estreia, ou em qualquer outro dia. O que eu preciso dizer é: o filme é sensacional! É forte, é intenso, é lindo, é emocionante. Muitos sentimentos juntos. Intensidade. Sinestesia.
Comprei um pacote grande de pipoca e suco de maracujá, e foi ótimo, rs.
Para as pessoas mais sensíveis com cenas de cirurgia e intervenções, como eu, é imprescindível que não se vá sozinha. Eu fui com duas pessoas mesmo porque sabia que seria complicado nessas partes. E eu vi muito pouco disso, porque fechava o olho e comia pipoca quando a coisa ficava mais difícil pra mim – tanto que algumas legendas eu nem li. Eu via algumas cenas e, instintivamente, colocava a mão na barriga, querendo proteger o meu bebê de toda e qualquer coisa que possa nos fazer mal, que nos afaste do processo natural de nascer.
O mais impressionante foi que eu não chorei.
Sempre chorava, pelo menos um pouquinho, quando via o vídeo promocional. Fui preparada para sair com os olhos vermelhos e o rosto inchado. Mas não aconteceu. O que não significa que eu não tenha me emocionado, muito pelo contrário. Fiquei estarrecida em muitos momentos. Chocada com algumas cenas, muito comovida com várias falas das pessoas que deram seus depoimentos. Sem contar os profissionais brilhantes que falam muitas verdades também. Mas as lágrimas não chegaram a cair. Foi tão intenso pra mim que, quando acabou, eu mal consegui me mexer na cadeira, minha cabeça pulsava de vontade de ver logo uma mudança, e ao longo do filme eu fui sentindo um calor enorme. Ainda bem que teve o debate depois, assim não precisei levantar.

Para mim, que estou envolvida até o pescoço com assuntos de humanização e respeito ao parto e nascimento, não foi exatamente uma surpresa. Claro que a gente já sabe muita coisa que foi dita ali. Mas ver um panorama bem amplo da situação, todos os fatos juntos, bem grande numa tela inteira de cinema, é muito forte. É inevitável o pensamento de que é preciso mudar, urgentemente, o cenário obstétrico brasileiro atual. Nunca vou deixar de me chocar com alguns casos. Não dá para lutar, por qualquer causa que seja, com indiferença. É por achar que muita coisa é normal e aceitável que chegamos onde chegamos. E partindo do pressuposto de que todas as pessoas nascem, este é, sim, um assunto de toda a sociedade.
Não é um problema com uma causa só. Como bem disse a parteira Ana Cristina Duarte, não existe um lobo mau da história, o problema é multifatorial. Ou seja, é preciso trabalhar em várias frentes para conseguirmos um bom resultado a longo prazo – porque nada vai mudar da noite pro dia, não sejamos ingênuos.

Sobre o debate, foi rápido, cerca de 40 minutos, mediado pela repórter especial da Folha, Claudia Collucci. Ela fez perguntas para a mesa, e depois abriu para a público também. Na minha opinião, foi bem rico, apesar do pouco tempo. A obstetra Carla Andreucci é muito esclarecedora (e adora falar, rs). A Ana Paula Cladas também; me senti privilegiada por estar ali, participando daquilo tudo.
Além delas, estavam na sala, também, o doutor Jorge Kuhn, a Ana Cris Duarte e mais um monte de gente linda do movimento da humanização. Agora imaginem, quando eu vi o doutor Jorge na fila, foi quase como se eu tivesse visto um artista, fiquei muito feliz, rs. Porque eu sei da importância de cada um deles dentro do movimento, respeito muito tudo que eles dizem, confio muito, admiro demais.
Algumas pessoas falaram, e foi bem legal também ver as dúvidas serem respondidas ali na hora. Um médico obstetra (que faz parto há 40 anos, como ele disse) também falou, falando o lado dele, mas também que é um caso complexo, etc. A Ana Cris falou lindamente depois, a respeito do que ele falou, e nossa, todas as pessoas deveriam ter a oportunidade de ouvir essa mulher, ela é muito clara e muito direta. Foi aplaudida no final. E aí acabou o tempo.
Infelizmente estávamos de ônibus, e já estava tarde, então tivemos que ir embora rápido, nem deu tempo de dar um abraço nela e cumprimentar as outras pessoas.

Foi uma experiência muito enriquecedora. Uma aula mesmo.
E ainda pretendo ver o filme mais uma vez, com a minha mãe.

E se eu puder dizer apenas uma coisa às gestantes, eu diria: informe-se! Você tem direitos e eles devem ser respeitados em qualquer lugar, seja no SUS, ou na rede particular. Leia, frequente grupos, cerque-se de pessoas com informação de qualidade. Empodere-se. O corpo é seu. O parto é seu.

E não deixem de ver o filme – que foi selecionado para o 6º Los Angeles Brazilian Film Festival também já foi confirmado a ser exibido DocBrazil Festival – China 2013. Ele vai abrir muitas portas, acredite.

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O plano B – agora vai!

Essa manhã fui na consulta com a médica obstetra que, teoricamente, será meu plano B.

Não sei se já escrevi aqui detalhadamente sobre isso (oi, amnésia e lerdeza gravídica), então vou falar de novo: a Casa de Parto pede que eu tenha um pré-natal também com um GO, porque lá só tem enfermeiras e obstetrizes. Pro caso de precisar de um exame que só o médico pode pedir, alguma outra avaliação e um acompanhamento mais completo também. Ok, super entendo e acho que é isso mesmo, agora vamos às minhas questões.
Primeira coisa: eu não tenho plano de saúde há quase um ano; e não, não vou fazer um por agora.
Segunda coisa: é fundamental, pra mim, que o GO seja completamente pró-humanização, que respeite a fisiologia do parto, o tempo de cada mulher e de cada bebê e que não me enquadre em rotinas e números. Nesse ponto eu sou taxativa: sem meio termo, eu não quero contar com a sorte!

Em fevereiro, fui conhecer a Dra. Catia Chuba, uma médica antroposófica ótima, linda, simpática, com a pele tudo de bom. Amei muito, óbvio! Me consultei normal, conversamos muito e fiquei de voltar quando recebesse o positivo. O positivo chegou no mesmo dia em que ela embarcou numa viagem internacional. Com a ausência dela e a minha vontade de começar já um pré-natal, fui conhecer a Casa Angela e por lá fiquei. Quando a Catia voltou, antes de me consultar com ela, resolvi perguntar se ela estaria disponível na minha DPP. E ela disse que não. À essa altura eu já tinha feito mil planos, e saber que ela não estaria disponível me deixou bem chateada.
Conversei com a minha doula e ela me acalmou, dizendo que ainda tínhamos muito tempo e que conseguiríamos um médico ótimo pra mim. Então, fiquei esses três meses sem médico e tudo bem – eu sabia que ia aparecer na hora certa.
A Camila, minha EO, vendo que eu queria profissionais bem específicos, me indicou alguns nomes, e eu pesquisei a “reputação” de todos com a doula, rs. Dentre esses nomes, estava um, de uma profissional que eu já tinha ouvido falar muito bem, mas que, por falta de informação mesmo, não me lembrei antes: Betina Bittar. A Isa me confirmou que ela é mesmo uma linda e tudo de ótimo, e lá fui eu, marcar a consulta. Só consegui uma vaga pra quase um mês depois. E o dia foi hoje.

Um frio danado, uma garoa fina chegando com um ventinho e lá fomos nós, marido, Bolota e eu rumo à consulta com ela. Chegamos na hora exata. Uma vilazinha linda já me deixou previamente apaixonada. A casa onde é o consultório, muito aconchegante: tapetes fofinhos, sofá e futtons no chão e lanterna japonesa – tudo isso é a sala de espera. Sala essa que eu nem usufruí, pois antes mesmo que eu me sentasse, a própria Betina apareceu, nos deu um abraço e disse que já ia nos atender – era só o tempo da secretária fazer a minha ficha. Subindo pro consultório, mais uma dose de lindeza: o lugar é muito lindo, gente! Tem cantinho pra criança, com uma almofadas coloridas lindas, tem tapete muito fofo embaixo da mesa (e ela anda só de meia pelo ambiente, morri de amor), tem objetos de decoração lindos e livros de homeopatia. Pra resumir, tem um clima de paz. E me diz, do que mais uma gestante precisa?

Ela tem uma voz calma e sorri com olhos. Não costumo ver muitas pessoas por aí que sorriem com os olhos. Conversamos, contei que já estou em pré-natal na Casa, mostrei todos os exames. Ela disse que estamos ótimos, baby e eu. Pediu mesmo pra eu repetir o exame de glicose, em outro laboratório, pois ela já teve casos de resultados alterados nesse laboratório, e disse que caso eu precise fazer mesmo o exame pra ver a questão da diabetes gestacional, vai ser outro “menos pior” que o da curva glicêmica.
Acho que a médica do ultrassom me falou as semanas errado da primeira vez, porque vou entrar na 13° no final dessa, e não hoje, como achei. Mas, definitivamente, não tô ligando muito pra isso, não. Hoje ou amanhã, não importa. Importa é que Bolota e eu estejamos bem e saudáveis. Fim.
Ela me liberou do repouso, suspendeu o ácido fólico e disse que posso voltar pro yoga, yes!
E me deu já um guia pro morfológico do segundo trimestre, porque vou intercalar as consultas com ela e com a Casa, então só voltarei em setembro. “Mas vai demorar tudo isso pra eu saber o sexo do bebê?”, haha mãe ansiosa, a gente vê por aqui. Ela perguntou se eu queria outra guia pra antes, mas eu não quis e marido muito menos. Se eu quiser saber antes, peço lá na Casa e tá tudo certo.

Outra novidade: parece que meu peso diminuiu do mês passado pra esse. “O queee? Mas como assim? Comendo tanto e ainda de repouso, como conseguiu essa proeza?”, alguns perguntam, incrédulos (lê-se: eu)! Vamos reformular a frase, então: eu detesto ter que me pesar com muita roupa! Lá na Casa Angela, essa é uma coisa que eu não gosto: a balança é no corredor, ou seja, sem chance de pesar com pouca – ou nenhuma – roupa. Hoje, mesmo com a minha blusa bem grossinha (só tirei a parte de baixo pra ser examinada, por causa do frio), meu peso tá lindo, leve e solto, igual ao primeiro mês que me consultei na Casa, acho. Ou seja: mais um motivo pra eu não me preocupar com a quantidade que estou comendo. Tudo indo pro seu devido lugar!

E é isso! Continuarei passando com ela, até o final. Lá pro fim do ano, eu sei que eu vou saber se chuto o balde, transformo o plano B em plano A e fico só com ela, ou se fico na Casa mesmo e a deixo de sobreaviso para qualquer eventualidade. Por enquanto, estou apenas curtindo a calma que senti quando saí de lá. Eu estava mesmo precisando dessa segurança e dessa paz!

tô tão zen… parece até que vi o mar. 
Foto: Rodrigo Zapico; arquivo pessoal.

No mais, é aquele velho lema que eu sempre tento colocar em prática: Confie, na hora certa, tudo se acerta!
(tem funcionado – então eu recomendo!)

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Sobre a primeira decisão sobre o parto e como tudo acontece na hora certa

Assim que eu descobri os positivos, mandei um e-mail pra médica. E o e-mail voltou imediatamente com uma notificação informando que ela estava (está ainda) viajando. E mesmo a Ana Cris dizendo para eu não ter pressa, porque estava tudo bem comigo (passei em consulta e fiz exames em fevereiro), e que eu só precisava começar a tomar o ácido fólico, ainda fiquei pensando que ainda estava muito longe da data de retorno da médica e queria agir, de alguma forma, antes disso.

Eu disse aqui que as coisas ainda não estavam 100% a favor do valor que eu teria que desembolsar (com a equipe que eu queria e com o hospital) e que isso me preocupava demais, sim. Naquele dia eu ainda não sabia que já estava grávida. Na verdade, eu nunca pensei que conseguiria de primeira, sério mesmo. Achei que daria tempo de juntar mais umas moedas, rs. E no último post eu comentei que, assim que eu contei à minha mãe que ela iria ser avó de novo (meu irmão já tem um filha), a primeira coisa que ela me perguntou foi: e o parto, vai ser aquele preço mesmo? Hahahaha, mães são ótimas! E eu, que sempre mostrei meu ponto de vista totalmente a favor do parto natural e sempre conversei abertamente com ela, explicando tudo, falei: então, mãe, tem a Casa de Parto, que é bem mais em conta etc e tal. E começamos a conversar sobre isso. Sim, somos as pessoas que, antes mesmo de saber com quantas semanas eu estou, já engatamos no assunto parto, rs.  Para ser sincera, eu nem tinha pensado em nada disso ainda, mas parece que o fato dela ter me perguntado abriu uma janela na minha mente e as coisas foram acontecendo. Foi uma luz!

Eu simplesmente abri o site da Casa Angela e comecei a explicar e ler pra ela o que era uma casa de parto, como funcionava, onde era. Tudo que eu consegui adiantar, expliquei. E à medida que eu ia dizendo, me familiarizava mais com a ideia. Porque sim, minha gente, eu ainda não tinha uma plena certeza se eu realmente gostaria de parir naquele local. Mas parecia que eu também estava lendo pra mim, sabem?!, foi realmente muito bom. Ela adorou a ideia e me incentivou a marcar uma visita. No dia seguinte, liguei e perguntei se teria a conversa de acolhimento naquela quarta, já que seria feriado, e a moça me disse que sim. Pensem como fiquei animada? Eu, que queria sentir que já estava agindo, iria começar no dia seguinte.
Pois bem, no dia seguinte estávamos lá: meu pai, minha mãe, marido e eu (eu disse que onde vai um, vai todos, haha). Mas pensem, meus pais estavam super curiosos pra saber o que era, afinal de contas, uma casa de parto. E eu sou daquelas que explica, mas prefiro mostrar. Então, vamo todo conhecer o lugar!
E lá funciona assim: toda quarta-feira, às 09:30 da manhã, tem um acolhimento para todas as pessoas que querem conhecer a casa. Antes da primeira consulta ali, é preciso passar por isso. 
Chegamos e ficamos ali na sala de espera uns minutos, ainda tinham poucas pessoas. Preenchi uma ficha de cadastro básica e, depois de um tempo, fomos chamados para começar a conversa. Numa sala bem ampla, com cadeiras em círculo, a Anke, coordenadora, e a Marina (!), obstetriz, sentaram-se também e começamos a conversar. Cada um se apresentou, dizendo como conheceu a casa, de quantas semanas gestacionais estava (ou se era acompanhante), idade, de onde vinha. Foi bem legal. Falei que tinha descoberto a gestação naquela semana e que já estava no mundo das pesquisas há mais de um ano (nesse momento, todos me olham com cara de: ela é louca mesmo, rs), falei das minhas vontades. Meus pais se empolgaram falando também (haha) e o Cleber disse que tudo que ele sabe sobre parto natural, aprendeu comigo (owwn, #todasachafofo!!!). Eu era a única em começo de gestação, todas as outras mulheres estavam entre 5 e 7 meses.
Depois, elas explicaram que só pode ter parto lá quem é de baixíssimo risco, e que quando chega às 37/38 semanas, a equipe analisa seus exames e vê se tem a possibilidade de você permanecer ali. Se não, é o caso de ir para o hospital mesmo. Disseram que o tempo de cada mãe e de cada bebê é respeitado e que não há intervenções desnecessárias. Mas se, durante o trabalho de parto, houver a iminência de uma complicação, eles transferem a gestante para um hospital que já estará pré-estabelecido entre as partes. 
Terminada a conversa, descemos para conhecer as dependências da casa. Duas salas de espera bem aconchegantes, cozinha, a garagem, onde estava a ambulância própria que eles possuem, sala onde acontecem as consultas (que não entramos, pois estava ocupada naquele momento) e finalmente, o corredor que mais nos interessava: das salas de parto. São 4 salas. Duas com banheira (sim, também tem a opção de parto na água), bolas, banquetas, a cama, cavalinho, barra, tudo aquilo que é necessário para um parto natural. Tem um corredor onde ficam só os chuveiros. A sala de reanimação neonatal, com uma incubadora, caso ocorra alguma emergência. Tem o alojamento conjunto, com camas de verdade, e não macas, e os bercinhos (daqueles de acrílico de hospital mesmo) ficam “disfarçados” dentro de um tipo de suporte de madeira, com mosqueteiros na cor nude e colchas de retalho. Coisa mais linda, gente! Tudo muito aconchegante mesmo. Tem também uma salinha de amamentação, onde você pode ir caso tenha alguma dificuldade em casa para receber orientação, ou para doar leite também. Dá pra ver as fotos das instalações aqui.
Depois disso, tomamos um belo lanche, conversando e interagindo mais. Descobri que lá tem oficinas para produzir o próprio sling (nessa hora eu vibrei de felicidade, rs), para produzir aqueles kits de algodão, cotonete, a própria almofada de amamentação, etc. Fora os cursos de preparação pro parto, fisioterapeutas, psicólogos. Enfim, tem muita coisa disponível. 
E vocês acham que acabou? Deixei a parte que, literalmente, quase me fez chorar, por último. No fim da conversa, a Anke entrou no assunto valores. Disse que, para as pessoas da “área de abrangência” da casa, eles atendem todo o pré-natal, parto e pós parto, de graça. Para as outras pessoas, é cobrado um pequeno valor, porque sabemos que a casa recebe doações de algumas fundações, mas nada do governo. E aí ela diz a coisa que nunca na minha vida pensei ouvir: meu bairro É SIM área de abrangência da Casa Angela!!! GENTE!! Vocês tem ideia do que significa isso? claro que sim, porque acabei de explicar! Eu não conseguia acreditar que teria todo atendimento gratuito, dava vontade de sair pulando de alegria! Demorou pra cair minha ficha, na verdade. Eu, que estava super hiper preocupada com essa questão, fui novamente surpreendida pela vida. 
E aí eu fico pensando: as coisas realmente acontecem quando tem que acontecer, né?! Tudo orquestrado para ser no tempo certo. Porque se eu não tivesse voltado a morar com os meus pais, teria que pagar, sim, o valor cobrado. Porque se a médica não tivesse viajado, talvez eu não teria ido conhecer a casa agora no começo. Porque se eu tivesse esperado ter todo o dinheiro, iria demorar uma vida toda  muito para conseguir o total, e eu não teria começado a tentar agora, e o bebê, talvez, não viesse de primeira. Deus é muito bom mesmo, minha gente! Tô muito feliz!
Saí de lá com a consulta marcada para a próxima quarta. E já estou contando os dias para chegar logo, e para chegar mais rápido ainda o dia do ultrassom.
Rezando muito para as coisas continuarem se acertando no tempo certo, amém.

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Ajudando a parir a mudança que quero ver no mundo

Acabei de fazer minha contribuição para que o filme O Renascimento do Parto chegue logo às telas de cinema. Não foi um valor muito alto, e na verdade até pensei em não doar, porque as coisas aqui estão um tanto quanto apertadas. Mas o motivo é maior. Eu acredito no alcance que esse filme terá na vida das pessoas. Eu quero que cada vez mais e mais gente perceba que os valores foram invertidos no nosso país e que as consequências desse ato podem ser bem piores do que supõe a nossa vã filosofia. De pouco em pouco nós já alcançamos muita gente. E vamos alcançar cada vez mais, eu tenho certeza disso. Por isso eu doei.

Estou bem sensível essa semana, meu sinal clássico de tpm. E tenho pensado muito sobre o nascimento do meu futuro baby. A realidade é que eu não sei se terei toda a condição financeira para pagar a equipe que eu já chamo de minha. Claro também que já tenho uma segunda opção igualmente humanizada e mais acessível para o caso de eu precisar, que é a Casa de Parto. Mas sabe quando bate um medinho?
Vou ser especialmente sincera com vocês: não existe, hoje, algo que eu queira mais do que ter o meu filho. E não quero adiar ainda mais a sua chegada por conta da minha pobreza  angústia em ter em mãos, antes de qualquer coisa, toda a quantia necessária  para que as coisas saiam da forma como eu gostaria que saísse. Ele é quem sabe a melhor hora de vir, mas eu já o espero e quero muito.
Não, eu não estou depositando “toda a minha felicidade” no ombros ainda inexistentes dele. Eu sou muito feliz agora. Sou muito feliz com o meu marido (eu diria muito feliz, nesse caso, rs), e sou bem feliz comigo mesma. Nunca consegui esperar tal ou qual acontecimento para viver a felicidade. Esse é um sentimento que me acompanha no caminho, e não na chegada. Dizendo em outras palavras, eu me sinto bem na minha própria pele; sofro um bocado, choooro pra caramba, mas sou feliz. E também não acho que “só falta o bebê para minha família ficar completa”. Meu marido e eu não completamos um ao outro, nós somamos. Somos duas pessoas inteiras que fazem a escolha diária de viver juntas, uma parceria-amor que só nos faz bem. Então não é com o nosso filho que vamos pensar em “complemento”. Ele vem somar ainda mais às nossas vidas. Mas eu o espero muito. Nós o esperamos muito, isso é um fato. Eu já tenho sentimentos e vontades dentro de mim que sei que são destinados à ele (para eles, porque queremos mais de um filho, rs). Essa é a parte difícil, porque por vezes esses sentimentos se afloram de uma tal forma e eu não tenho algo externo para canalizá-los. Não sei o que fazer com tudo isso ainda, então eu apenas os sinto aqui dentro e os guardo de novo, ou escrevo para amenizar essa espécie de saudade do que ainda não veio.
Eu não consigo explicar de uma forma sólida, desculpem, mas eu sinto de uma forma muito forte que ele (só para ilustrar, gente, não faço a mínima ideia de se é menino ou menina, rs) está perto. Pode ser que não esteja perto de vir morar na minha barriga, isso eu não tenho como saber com certeza, mas tomara que seja logo. Eu o sinto perto de nós mesmo, quase como uma presença. Mas também não é que eu ache que ele está aqui no meio de nós, por exemplo, como uma alma visitante ou perdida. Também não é isso. Mas eu o sinto. É um tipo de pressentimento que de vai acontecer. E eu digo que ele pode vir quando quiser, estamos nos preparando constantemente para a sua chegada e faremos de tudo para que sua vida aqui conosco seja a mais linda e respeitosa possível, cheia de amor e de carinho.
E então eu penso no parto. Que é sua primeira transição nessa vida, e eu acredito completamente que essa passagem deva acontecer da maneira mais natural possível, dentro do tempo que a natureza entender como certo e suficiente. Amor nós garantimos que não irá faltar. Mas a dúvida iminente que insiste em se instalar na minha cabeça, sobre condição financeira suficiente para proporcionar o melhor na hora de seu nascimento, me dá um certo medo, confesso. Porque depois nós podemos arrumar nossas malas e ir morar na roça, se for o caso, desde que estejamos juntos e felizes. Mas eu não aceito nada menos que o melhor para todos nós durante todas as horas em que estivermos nos preparando e para o parto propriamente dito.

Para isso eu luto e estudo e converso com a minha família há bem mais de um ano. E se eu puder, vou falar para quem mais quiser ouvir também. Porque, sinceramente, eu não aguento mais ouvir que sorinho é natural, que cesárea é normal. Natural é o que for mais confortável para o bem-estar da mulher e do bebê, quando vão entender isso? Se ela quiser analgesia, que assim seja, esse é um direito adquirido e deve ser respeitado. Mas que seja também respeitado o direito de parir em casa, por exemplo, se assim for o desejo dela. Eu não aguento mais esse descaso com o recém-nascido e com a mulher, e também com o homem.
É preciso mais amor, mais empatia, mais alma.

E é também por isso que eu doei para que o filme chegue logo. Precisamos conscientizar as pessoas, precisamos de políticas públicas que atendam toda a demanda de nascimentos no país da forma como tem que ser: com a mulher como protagonista. Precisamos de pessoas, e não de números. Precisamos de ocitocina natural, e não sintética. É preciso renascer. E eu quero ajudar parir essa mudança.

Adoro Arnaldo Antunes, e ainda mais essa música dele, que já é a minha música do parto. 

(acabou virando um baita texto, mas eu não planejei, apenas abri a página e fui escrevendo conforme fui sentindo. Então não sei se está na melhor ordem, ou totalmente coerente, mas é o que eu precisava exteriorizar nesse momento).

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Eu quero isso para mim também!

Ei, meninas! E aí, como andam as coisas com vocês? Me contem tudo, haha

Estava aqui pensando no que postar, estudando e reunindo umas referências para um projeto que está em fase gestacional, quando me deparei com esse vídeo aqui embaixo. E é incrível como eu me emociono com esses vídeos, e também com a forma com que a meninas do Além d’Olhar captam esse momento tão único e tão especial. Ainda estou com os olhos marejados! É um assunto forte, mexe muito comigo, muito mesmo!

Fiquei com vontade de compartilhar isso aqui, porque a naturalidade e a maravilha que é parir um filho naturalmente, de forma respeitosa e humana, deve ser compartilhada sempre. Porque mostra como é lindo receber seu filho no tempo dele, com as pessoas que te amam, te apoiam e, acima de tudo, te respeitam e acreditam na sua capacidade. Independente se em casa, no hospital ou na casa de parto, desde que seja a mulher e o bebê os protagonistas pelo parto. A natureza é perfeita. E eu quero isso para mim também!

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E como eu estou muito apaixonada por esse tema, não vou me contentar com um vídeo só (alguém me segura que hoje estou animada, rs)! Assistam esse aqui embaixo também, do nascimento do Theo. Me diz se não dá vontade de parir agora mesmo?
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Desde que eu comecei a pesquisar sobre formas de parir e de nascer, que começou por causa da minha sensibilidade, me deparei com o incrível universo da humanização do parto. Me apaixonei completamente. Se antes eu queria apenas saber se era possível dar à luz sem agulhas em mim (meu grande trauma), hoje eu sou uma grande defensora do assunto e, depois de muita leitura, vídeos assistidos e informações reunidas, me sinto muito mais tranquila para ter meu bebê do que há um ano e meio atrás, sem sombra de dúvidas. Informação é mesmo imprescindível!
Por isso eu também quero usar esse meu cantinho aqui para divulgar vídeos (como hoje), ou apenas expor o meu ponto de vista sobre o assunto. Vai que ajuda mais gente, né?! Vale pelo registro das minhas ideias, dúvidas e convicções também. 
E me digam: vocês também choram assistindo esses vídeos, ou lendo relatos de parto, ou sou só eu mesmo? 
Beijo, gente! Boa semana pra nós!
Aviso 1: Post não patrocinado, eu sou mesmo apaixonada pelo Além d’Olhar, rs! 
Aviso 2: não consegui colocar os vídeos num tamanho maior, desculpem!

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Relato de um dia ruim e uma nova esperança

continuação do post anterior, também está no meu outro blog, mas com uma ou outra alteração. aqui está mais completo. 
Era final de janeiro de 2012. Tudo para ser um dia de semana qualquer, mas já começou diferente. Eu sempre me levanto primeiro que o Cleber para adiantar o café da manhã e preparar as coisas. As crises de epilepsia dele se dão principalmente por cansaço mental, privação de sono, e o levantar brusco pela manhã. Pressa matutina você não encontra nesta casa, mesmo que estejamos muito atrasados.
Pois bem, naquela manhã, não me levantei, me lembro de que estava com muito sono. Ele foi tomar banho, voltou e eu mal o vi, confesso. Sei que, de repente, meu pai saindo do banho me chama e diz “Mara, o Cleber tá tendo uma crise, você não viu? Ouvi do banheiro”. Levantei num pulo só, tropeçando no edredom, tentando acordar e quando chego na sala o vejo tendo a crise deitado no sofá. Claro que me senti culpada por não ter visto nem ouvido nada. E ainda bem que ele percebeu que não estava bem e sentou no sofá, senão podia ter sido pior. Esperamos passar, ele recobrar a consciência e descansar um pouco e fomos ao hospital (já percebemos que no hospital eles exageram muito na medicação e preferimos não ir algumas vezes, confesso, mas era dia de semana e ele precisava de um atestado médico).
O hospital, particular, o mais perto de casa que atende nosso convênio, estava muito cheio. Fiquei com ele no quarto do soro, ele deitado e eu sentada ao seu lado. Era um quarto separado por biombos, não víamos os outros três ou quatro pacientes que também estavam ali. Ele dormia e eu lia. Muito calor no dia, e lá dentro também. E o hospital cheio. Um burburinho o tempo todo, pacientes gritando, enfermeiros entrando e saindo. Estávamos no primeiro leito, bem de frente pra porta, e a cortina não ficava fechada o tempo todo, então não tínhamos privacidade. Ele descansava e eu tentava não ouvir o que falavam pelos corredores para evitar que eu ficasse ruim. Percebi que chegaram uns estagiários novos, e alguém estava apresentando o hospital a eles, como uma visita monitorada. Não gostei. As horas passando, e eu sem comer nada. Mal tinha tomado café da manhã e já tinha passado bastante da hora do almoço. Pois bem, o soro dele acabou e ninguém vinha retirar, e eu comecei a ficar muito incomodada com aquilo, com a demora e com o que eu estava vendo voltar pela mangueirinha também. Levantei e fui atrás de alguém que pudesse nos atender. Levantei e tive uma tontura. Para todo lugar que eu olhava, só via agulhas, fios, soros, rostos sofrendo… e enfermeiros rindo, conversando entre si como que alheios ao que se passava em volta. Minha pressão começou a baixar, eu tinha certeza. Falei pro enfermeiro que estava ali “a medicação do meu marido acabou e ninguém vai lá tirar. Chama alguém, por favor”. Deixei-o lá e fui até a lanchonete do hospital tomar um ar e comprar uma água, nem avisei o Cleber. Não deu muito certo. Pra chegar lá era preciso passar por mais pessoas, e pela recepção cheia e quente. Quando peguei a água e tentei abrir, não consegui. Só me lembro que eu falei “não tô conseguindo abrir a água” e a lembrança seguinte já é a de me colocarem numa cadeira de rodas. Desfaleci por alguns breves minutos. E a cena seguinte foi até engraçada: eu entrando no hospital de cadeira de rodas e meu marido saindo, tinha acabado de receber alta.
Entrei na sala do médico e ele já falou: “você tá muito pálida, vai tomar soro e fazer um exame pra ver se tem anemia, tô preocupado”.
Parêntese: óbvio que eu estava pálida, tinha acabado de desmaiar, né!!!  Fecha parêntese.
Tentei explicar meu caso pra ele, que eu sempre fico sensível e passo mal em situações assim blábláblá. Mas ele nem me olhava, só falou “tá, mas você tá pálida, vai tomar soro pra hidratar e fazer exame”. “Mas, doutor, eu fico pior com o soro, porque sofro muito na hora que vão colocar”. Acho que falei mesmo para as paredes, porque a enfermeira me levou da sala.
Enfim, fato é que me levaram pro mesmo quarto em que eu estava como acompanhante.
Precisavam me colocar no soro e recolher material pra o exame. Eu não queria.
Aqui cabe dizer que quando acontece isso comigo, eu só preciso de repouso. Não preciso de mais situações que piorem o meu estado. Mas eu estava muito fraca e qualquer coisa que eu falasse, nem respondiam. 
Meu marido estava na sala do médico, pegando o atestado e finalizando as coisas dele, e também estava um fraco, obviamente, quando chegou para ficar comigo. 
Eu estava ficando mais nervosa, acho que só não desmaiei de novo porque já estava deitada. Não conseguiam achar minha veia. Eu falava “moça, não fala nada, eu não posso ouvir, só faz que eu não vou olhar”. Ela falava. E eu chorava. Para piorar um pouquinho mais, chegou uma outra enfermeira para conversar com ela sobre o que iam fazer depois do expediente, no fim de semana. Conversar!!!! Ela se distraiu e errou a mão (não posso escrever o que houve, porque não tá dando certo, mas em outras palavras ela arrebentou meu braço). Ela terminou o que foi fazer e eu continuei chorando. Não tinha coragem de mexer o braço, nem de olhar para qualquer outro lugar que não fosse o teto.
Minha sogra chegou para ficar comigo enquanto o Cleber ia almoçar (já eram umas 16:00, eu acho). Ela chegou, me acalmou um pouco, e viu que meu braço não estava muito bonito (acreditem, eu não tinha olhado pra ele de jeito algum). Foi lá e pediu pra enfermeira um algodão com água e limpou tudo direitinho., porque nem isso elas fizeram, me deixaram suja mesmo. Me deu água, e ficamos conversando um pouco. Eu dizia: “como vai ser quando eu tiver um filho, Edi? Vou desmaiar na hora do parto?”, e ela “Não, Má, fica calma, na hora a gente ganha uma força que não sabe de onde veio” e me acalmava, conversava outras coisas pra eu melhorar logo.
Saí de lá no finalzinho da tarde, com um grande hematoma no braço esquerdo, exames comprovando que a minha saúde estava ótima e um peso imenso no peito. Durante alguns dias ainda fiquei muito triste por ter sido tratada daquela maneira, sem o mínimo de respeito. E a pergunta que rondava minha cabeça nos últimos meses se tornou uma certeza: eu não poderia contar com a sorte e esperar que profissionais que, até então, eu nunca havia visto me atendessem quando chegasse o momento de colocar uma vida nesse mundo. Iria ser com uma equipe que eu confiasse plenamente, que tratariam o parto – que é um ato fisiológico, e não médico – de forma respeitosa e humana.
Naquela época, eu ainda sabia pouco sobre o assunto, mas já havia visto o vídeo lindo da Sabrina. Foi o primeiro vídeo que eu vi sem tampar os olhos em nenhum momento e achei um bom sinal. Fiquei feliz com o que vi. Havia, em algum lugar não tão longe de mim, pessoas capacitadas que entendiam que as vontades das mulheres devem ser respeitadas. Pessoas que entendem que a natureza é perfeita, e se podemos gestar, com certeza podemos parir também. O nosso corpo sabe o que fazer. Intervenções acontecem em alguns casos somente, e não “por rotina”, pra ir mais rápido; e mesmo se precisar intervir, o respeito vai existir em todo processo. Pessoas que sabem que a mãe é a protagonista, e não os médicos. Senti uma esperança de ser ouvida, finalmente.
Então eu comecei a pesquisar mais, ler mais, aprender mais. Algumas palavras, que antes não me eram familiares, hoje eu já entendo melhor. Parto natural, parto humanizado, doulas, intervenções de rotina (ocitocina sintética, episiotomia, etc, etc), parto domiciliar, cesárea eletiva. Como funciona ou não funciona com os convênios médicos, com os grandes hospitais particulares, no SUS. Medicina baseada em evidências. Taxas de cesáreas no Brasil. Mulheres empoderadas. E muito mais coisas. As peças foram se encaixando lentamente na minha cabeça e até hoje eu leio muito, claro, nunca vou parar de ler. Porque eu entendi que, para ter o meu maior desejo realizado, além de vencer essa minha sensibilidade, terei que lutar contra um sistema inteiro que domina o nosso país. Um sistema que está mais interessado em manter as agendas dos médicos livres aos fins de semana e feriados, e seus bolsos com mais dinheiro (fazendo os índices de cesárea chegar a mais de 90% em alguns hospitais particulares, quando a OMS recomenda até 15%), do que respeitar a fisiologia do parto, a ordem e o tempo natural de cada uma. Um sistema que já tomou muitas decisões por mim – e eu não posso permitir que a minha voz seja abafada dessa maneira.
Acho que aqui cabe dizer que eu não tenho medo da dor. Entendo-a como parte do processo de trazer a esse mundo um amor que ainda desconheço, mas sei que é incondicional. Sei que há modos de lidar com ela, e que quando eu as estiver sentindo e não me lembrar que escrevi isto, terei ao meu lado quem me lembre e não me faça desistir. 
Além do medo de cair nas mãos de um médico cesarista, eu tenho medo da violência obstétrica, que existe, que acontece com muitas mulheres. Infelizmente, é um quadro real no nosso país. Eu tenho medo disso porque eu já sofri violência psicológica em hospitais também, e doeu. Nem preciso de muita imaginação para saber que, se eu sofro isso hoje, grávida então a coisa vai piorar, porque ficamos mais sensíveis e tudo mais. Tenho medo de pessoas passando por cima de valores básicos, inutilizando aquela mãe – que só precisa ser ouvida, acalmada, encorajada, respeitada – como se seu corpo fosse objeto de estudo naquele momento.
Quer dizer, eu tinha medo. Não tenho mais.
Agora, um ano depois do que relatei ali no início, depois de tanta busca – interna e externa – me sinto mais segura. Sei também que terei que fazer alguns esforços financeiros para que eu tenha ao meu lado os profissionais que escolhi, mas todo esforço será recompensado, se Deus quiser. A minha sensibilidade vai ser superada também. Porque as pessoas que estarão comigo durante todo o tempo serão escolhidas a dedo. Pessoas de bem, que acreditarão na minha força e na perfeição da natureza. Porque hoje acredito mais em mim.
Não tenho mais medo, porque percebi que não estou sozinha nessa. Sou grata a Deus por ter descoberto tudo isso ainda antes de ter um filho. Muitas mulheres só se dão conta depois que tudo passa. E a força que todas temos, juntas, para superar e mudar esse quadro, é imensa.
Ainda há muito a aprender, e a maioria desses aprendizados virão mesmo com alguma prática.
Esta história está apenas começando…

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