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Ainda sobre medo

Esses dias eu falei que a pequena está numa fase de sentir medo. Hoje eu voltei pra falar sobre este tema, mas dessa vez focado em nós, as mães.

Como mãe, qual é o seu maior medo?

Confesso que pensei um pouco quando dei de cara com esse tema, não é um assunto que eu pense muito, na verdade. Conheço pessoas que usam muito essa expressão, dita pra criança, no caso: “não faz isso que eu tenho medo”. Não sei se vocês já ouviram, mas pra mim não faz muito sentido. Não deixar a pessoa viver determinada experiência por um medo que não pertence a ela. Eu sei que o nosso instinto é o de proteger, e se sentimos medo é claro que queremos evitar – inclusive queremos que todas as pessoas evitem, de preferência, que dirá nossos filhos. Mas ainda assim não é uma abordagem que eu uso, não gosto, não concordo.

Mas voltando ao assunto.

Para começar com o mais “clichê”, eu tenho medo da minha filha ficar doente. Ou de eu ficar doente e não poder ficar perto dela. Céus, isso realmente me dá calafrios!

Estava aqui pensando que, muito provavelmente, os maiores medos a gente sente quando não é mãe. Medo do que a gente ainda não sabe, não faz ideia do que vai ser. Medo de não ter bebê na barriga antes do primeiro ultrassom. Medo de perder. Medo de alguma intercorrência. Medo do parto. Medo de não dar conta. Não que toda mulher sinta todos esses medos, mas sei que são frequentes nas rodas maternas.

Pra mim, no comecinho, assim que tive a Agnes, havia o medo de ficar sem ela. Eu deixava as pessoas segurarem ela no colo, mas eu mesma não descansava, estava sempre ali do lado, pronta para intervir ao menor sinal de incômodo dela (puerpério, amigas, ele não brinca em serviço!).

Mas acho que uma das coisas que mais me traz esse sentimento é o de eu fazer alguma coisa com ela que a machuque. No sentido psicológico, emocional mesmo, porque fisicamente é claro que eu jamais faria nada assim. Tenho medo que a nossa relação se perca em algum lugar do caminho, que não nos entendamos. Veja bem, não é medo dela ir pra longe, sabem? Eu sei que ela vai crescer, vai sair, vai dormir fora, vai viajar, morar sozinha, etc etc etc. O medo é de que a gente não se entenda. Pausa para respirar. Realmente parei aqui escrevendo, porque me dei conta que mesmo que eu não saiba como será o futuro, o agora tem sido muito generoso. Nós nos entendemos muito bem, na minha opinião. Talvez o meu medo fosse do desconhecido, mas agora que estou aqui vivendo e sendo a mãe dela todos os dias, percebo que as coisas não são tão dramáticas assim. Que bom, né.

Acho que o medo tem muito disso, do não saber. As coisas tendem a ser mais assustadoras quando são hipotéticas. Os medos referentes a gestação, parto e amamentação, por exemplo, eu mandei embora lindamente com informação, livros, blogs, grupos e tudo mais. Não sei se funcionou porque eu esclareci tudo que me incomodava, ou se não tive mais tempo de pensar em nada, de tanto que pesquisei, haha. O fato é que o melhor caminho para enfrentar medos que ainda estão no campo da teoria é ler, conversar com pessoas, se inteirar do assunto. Na vida real, o negócio é mesmo ir um dia de cada vez, porque nada é garantido. Ir lidando com o que for à medida que as coisas forem acontecendo, porque já acontece tanta coisa todo dia mesmo, né, sofrer por antecipação não é uma boa ideia para adicionar à lista de pendências. Respira, inspira e, se pirar, a gente vê como resolve a bagunça depois.

Aliás, é focando nesse pensamento e aura zen que eu estou tentando me apegar quando penso na possibilidade de ter outro bebê. Como darei conta? Como dar atenção pra Agnes? Quando dormir? O que é dormir? São muitas questões. Um dia de cada vez, eu sei. Ouvi dizer que tudo vai se resolvendo quando tiver de ser. Oremos.

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“Medo do medo que dá”

Agnes está na fase do medo.

Não sei se todos os bebês passam por isso, se é uma regra com poucas exceções, ou se depende mesmo de cada pessoinha.  O fato é que ela está passando por isso.

O maior medo dela, eu acho, é de barulhos estranhos. E a gente mora num prédio barulhento, sempre tem uma reforma rolando em algum lugar.  Ela nunca ligou muito pra isso, ou só prestava atenção quando surgia um som diferente, mas depois começou a ficar meio paralisada, pedir colo, chorar. As vezes agarra na gente e não larga enquanto a gente não acolhe e explica o que é. Agora ela já fala “tô com medo, mamãe”, com aqueles olhinhos meio arregalados. E todo barulho que começa, furadeira, martelada, máquina de lavar do vizinho, gente conversando no hall, qualquer coisa, ela quer saber o que é (mesmo já sabendo, mesmo que eu tenha acabado de dizer). Acho que tem a ver com o que ela não está vendo, porque os barulhos aqui de casa (máquina, liquidificador, panela de pressão, etc) não causam o mesmo impacto.

O que a gente tem feito é conversar, dar colo. Não tem como ser muito diferente, né. Falamos o que é o som do barulho, que é em outra casa, que nós estamos com ela e tudo mais. Geralmente ela repete o que dizemos e se acalma.

Não sei muito bem porque acontece isso. Não do ponto de vista psicológico, quero dizer. O que é que está rolando na cabecinha dela. Não passamos por nenhum acontecimento diferente envolvendo barulhos. Estamos no mesmo condomínio (por enquanto). Enfim, tudo normal, só que nem tanto. Vou dar uma pesquisada para ver se descubro.

Mais algum bebê também teve essa fase do medo? Me contem como foi.
E vamos torcer para que passe logo.

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Pra gente se desprender

Eu preciso escrever um post sobre o livro O Poder do Discurso Materno, da Laura Gutman, me lembrem. Mas antes vou falar de outra coisa. Que é pra deixar registrado e seguir adiante, do jeito que tem que ser.

Logo que eu me descobri grávida, senti muita vontade de não contar pra ninguém, como disse aqui. Não era exatamente um casulo, vontade de ficar isolada. Só de me manter em silêncio sobre isso, guardar esse segredo pra mim. Como se eu sentisse que o bebê precisasse desse tempo sem muitas energias voltadas pra ele. Mas, aos poucos, comecei a perceber que eu também estava com medo (o que não anula o outro sentimento que acabei de comentar, eles coexistiam, apenas). Medo de dar errado. Medo de me jogar e quebrar a cabeça no asfalto. Medo de me entregar. Eu estava curtindo os sintomas e as mudanças todas, mas ainda não era uma coisa total, confesso. Os enjoos iam se intensificando – porque sim, muitas vezes o enjoo tem fundo emocional. Foi o jeito do meu corpo me dizer que estava sendo diferente dessa vez (pelo menos agora no começo, eu ainda não ouso dizer que vai ser tudo lindo), que estava tudo bem lá dentro. Coincidentemente, depois da minha consulta com a Cátia, os enjoos diminuíram 90%, acho que agora é só sintoma normal mesmo, rs.

Mas enfim. Como comentei no post sobre as primeiras semanas, estava meio chorona. Daí comecei a achar que tanto choro só podia ser por isso também, mais uma face do medo. Nem era tanto, eu realmente estou mais sensível, mas normal, eu choro fácil mesmo. Mas enfim, coloquei na cabeça que estava demais, me incomodei. Como eu sempre disse: não queria transferir para esta gestação os receios da outra.

Certo dia, no banho, minha ficha caiu. Eu ainda pensava constantemente na bolota. (Aliás, lembram desse post? Eu já sabia que estava grávida nesse dia). Eu ainda me prendia a ela. E sabe o que eu fiz? Comecei a conversar com ela (acho que nunca contei aqui com todas as letras, mas apesar de não termos ficado sabendo o sexo do bebê, tínhamos uma clara sensação de ser uma menina). Falei que a amo muito, e sempre vai ser assim. Que o lugar que ela ocupa em mim, aqui dentro do peito, não vai ser de mais ninguém, é um quarto na casa só dela. Que eu estava com um pouquinho de medo, mas que eu precisava me libertar para viver essa nova etapa da minha vida – e ela a dela, seja lá onde estiver. Que ela podia ir, porque eu também estava indo. Era a hora. E que não ficasse com medo também, pois daria tudo certo. Seremos sempre uma da outra, mas agora de uma forma diferente, como diz a música num outro nível de vínculo. E tudo bem ser diferente. Que tinha uma outra vida dentro de mim, e que eu amo as duas, mas que eu precisava me dedicar um pouquinho à essa, agora. Essa vida que está crescendo aqui, irmx dela, precisa do meu amor tanto quanto ela precisou, até falei que não precisava de ciúmes, rs – e é bem estranho, mas eu sinto que são pessoas completamente diferentes, ou seja, são amores diferentes, exclusivos.
Conversei, expliquei, chorei. E aos poucos foi mesmo passando. Como se eu tivesse nos libertado do que quer que estivesse nos prendendo uma à outra. Ficou o amor, mas se foi uma espécie de peso que ainda existia.

E aí segui em frente. Acho que já faz uns 15 ou 20 dias, mais ou menos.
Ainda um dia de cada vez, mas realmente o que eu sentia antes, no comecinho, não sinto mais.

E ontem, escutando o novo disco do Jeneci, prestei atenção na letra de uma música. Eu estava pensando em outra coisa, então a princípio nem me liguei com nada. Mas a música me pegou, a melodia é divina. Ouvi de novo. E comecei a chorar. É muito o que aconteceu e que eu acabei de contar aqui. Então resolvi escrever esse post, pra registrar tudo, deixar a letra e a música pra vocês também e dizer, de novo, que a gente se desprendeu (Pra gente se desprender, é o nome da música). Acho que foi quando eu percebi que realmente tinha acontecido. Já ouvi a música de novo, mas não me fez mal, foi só um insight daquele momento. Quem tiver um tempinho, ouça a linda voz da Laura Lavieri cantando, faz diferença. Mas vou deixar a letra também.

Eu sinto o tempo pairando em outro tempo
Correndo bem lento nas asas de um beija-flor
Que espera a flor acordar enquanto o dia não vem
Geleiras vão desabar mudando a cor do mar
Imenso que leva abraços e esperas
Minutos são eras a cada passo pro fim
Se o universo girar pra gente se desprender
Te encontro em outro lugar em paz
Ou não ou nunca mais

Agora é hora da gente se esquecer
Que o tempo e o vento não vão parar de bater
E a cada ponto final a história vai repetir
A gente é mais que um plural e a vida é muito mais
Que a gente espera temendo a toda queda
Deixa a geleira cair e o beija-flor descansar
Um novo agora virá
Escute o som do mar

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O relato que eu não queria fazer, nunca – a noite

Segunda – e longa – parte do post sobre a minha perda (a primeira aqui), e que também foi revisado entre lágrimas. Mais uma vez, é favor perdoar erros ou repetições.
Este é um relato sincero e com detalhes de como aconteceu, comigo, a parte fisiológica do processo.
Sinta-se à vontade para não ler, por qualquer que seja o seu motivo. 

À noite – acredito que já era umas 22:00 (ou foi antes?) – minha mãe fez um chá de canela pra mim. Eu odeio chá, não tomo de jeito nenhum. Mas naquela circunstância eu encarei como remédio, como uma forma de fazer com que o processo fosse o mais natural possível. Ela fez meio forte, só consegui tomar uns dois ou três goles pequenos, deixei o resto da caneca de lado. As cólicas iam e vinham, sem muita frequência, e eram perfeitamente suportáveis, como se eu tivesse pra ficar menstruada mesmo.
Comecei a pensar no meu último encontro com a doula, em que conversamos sobre as fases do parto. “Pródromos: continue sua vida normalmente. Fase latente: a coisa vai começar a engrenar. Fase de transição: um dor atrás da outra, quando já está no fim da dilatação, é quando mais doi. Expulsivo: não doi”. Juro que me lembrei da Isa me falando isso. A Betina tinha dito que eu ia entrar em trabalho de parto – e foi assim que eu resolvi encarar as dores. Emocionalmente, não gosto de pensar (nem de falar) que foi um parto – pela idade gestacional, porque não foi cheio de ansiedade e alegria para ver o meu bebê, porque não tem bebê aqui agora. Mas fisiologicamente foi um parto – guardadas as devidas proporções, obviamente. E eu não usei em momento algum a palavra aborto – aqui nesse texto é a primeira vez – e nem pretendo usar, porque dá um peso muito maior pro que já é bem difícil.
Eu queria ir dormir, mas o Cleber estava vendo um filme (tentando preencher a mente) e eu não queria sair do lado dele, então fiquei no sofá também. Me aninhei no peito dele e cochilei.

09 de agosto de 2013.
Depois que o filme acabou fomos pra cama, já era pouco mais de meia noite, e as dores estavam começando a ficar mais fortes, bem incômodas mesmo, mas passavam. Eu estava com medo de sair o feto enquanto eu estava deitada e ter que olhar – tinha muito medo mesmo. Perguntei isso pra Betina, e ela disse que provavelmente sairia dentro da bolsa, então eu não veria nada, mas tinha uma pequena chance de estourar e eu ter que ver. Entendam, eu não estava desprezando o meu bebê, de forma alguma, mas na minha cabeça realmente não era mais a Bolota ali, ela tinha ido embora dali pra sempre. E eu não me sentia preparada o suficiente pra lidar com mais aquilo. Fora que eu tinha medo da quantidade de sangue, por causa da minha sensibilidade. Conversei com Deus, entreguei meu medo. Rezei para ter forças para aguentar o que viesse, do jeito que viesse; peguei no sono.

Acordei com uma dor forte e fui ao banheiro, achando que tinha começado. Nada. Mas meu intestino começou a funcionar. Voltei pra cama, para tentar dormir – era 1:30 da manhã. Cochilei, me revirei na cama quando a dor vinha forte. Fui ao banheiro de novo. 2:30 da manhã, vi no celular. E uma hora depois, a mesma coisa, banheiro. Voltei pra cama, devia ser algo depois das 3:30 e antes de 4:00. Não tinha sangue ainda, só um tipo de corrimento marrom, fraco, sei lá. Eu queria ficar o máximo na cama, perto do Cleber, dormir, esquecer. Mas a dor estava aumentando e eu começava a me perguntar se aquela não iria embora, parecia não ter fim. Levantei. Andei pela casa. De tanto ler relato de parto, cismei que queria tomar banho, porque a água quente ajuda a aliviar a dor. Era muita dor – na parte de baixo da barriga e um pouco na lombar. Fui no quarto da minha mãe, mas ela dormia e eu não quis insistir em chamá-la (acordar o Cleber nem passou pela minha cabeça, eu queria que ele estivesse descansado de manhã – vai saber o que ia nos esperar). Voltei pra sala, fiquei de cócoras, tentei mexer os quadris, ficar apoiada na mesa. Nada fazia a merda da dor passar, estava demais. Comecei a sentir calor. Acordei minha mãe, não dava mais pra ficar sozinha. Eu disse que queria tomar banho, e quando ela foi responder, virei as costas e entrei no banheiro, queria vomitar. Sentei no vaso, tirei a roupa inteira (nossa, que calor que eu sentia), senti uma dor profunda… e vomitei. Foi muito intenso. O corpo realmente sabe o que fazer, hoje eu vejo. Minha mãe entrou no banheiro pra ficar comigo. Enquanto estava com a cabeça pra frente – por causa do vômito – olhei entre minhas pernas e vi que tava descendo uma coisa que eu suponho que fosse o tampão, mas não tenho certeza. Era uma coisa como uma “liga”, ou uma “gosma” (desculpem as palavras, não sei como dizer isso usando termos mais leves); só sei que desceu e ficou lá, meio parado, como se tivesse empacado. Como que eu ia me limpar e tomar banho daquele jeito? “Mãe, tá descendo uma coisa”. Ela disse pra eu ficar lá sentada, então. Minha barriga já era outra, bem diferente do que um ou dois dias atrás. A gente tentava conversar alguma coisa, qualquer coisa, mas não dava. Ela ficou lá em pé, do meu lado, e eu sentada, sem a mínima coragem de levantar. A dor era perfurante. Me lembro de dizer, em algum momento: “parabéns pra mim”, ainda esboçamos um sorriso. Ela disse parabéns e eu disse que era um renascimento – precisava acreditar nisso. Nessa conversa – que eu ainda disse que “nem havia nascido ainda”, porque era umas 04:30 da manhã, e eu nasci 06:20 – a dor passou. Ficou uma espécie de peso, mas a dor cessou. Aí, quando eu não esperava nada, senti uma coisa assim: ploft!, literalmente. De dentro de mim, pra fora. Senti “uma coisa” (que eu ainda não sabia o que podia ser) passando pelo canal. Foi rápido e não doeu. Fiquei surpresa com aquilo e avisei minha mãe. Olhei rapidinho e vi, de novo, aquela gosminha, mas dessa vez com um pouco de sangue. Eu ainda queria tomar banho, achava que tava só começando, não tinha muita noção das coisas – mas sim, já era o “expulsivo”, e pelo tamanho que senti passando, era mesmo o feto indo embora, junto com a bolsa, mas não pensei mesmo nisso na hora. Pedi água e minha mãe foi buscar. Não sabia mais se sentia calor ou frio. Pedi uma bolachinha de água e sal, porque comecei a perceber que minha pressão dava sinais que estava caindo. Comi um pedacinho só. Eu precisava deitar, não estava nos planos desmaiar no banheiro, ainda mais naquelas circunstâncias. Minha mãe trouxe uma blusa de um pijama dela e eu disse que precisava mesmo sair dali. Decidi que não queria nem me limpar, pra não ter contato com nada, e nem olhar pro vaso quando levantasse (minha mãe disse que olhou, mas como a água estava escura, não conseguiu ver o tamanho, nem nada). Coloquei a calcinha (com absorvente) e fomos pra sala. Foi o tempo exato de eu não desmaiar (depois ela contou que eu fiquei bem branca). Deitei e coloquei as pernas pra cima, pra circulação voltar. Ela trouxe uma cobertinha pra me embrulhar – estava com frio e a dor tava começando a voltar – e eu coloquei uma parte dela embaixo de mim, pra proteger a capa do sofá de algum acidente. Fui me esquentando e relaxando. Depois de um tempinho, foi me dando sono – talvez pelo cansaço, ou por não ter dormido nada, não sei. Já devia ser algo em torno das 05 e pouco da manhã. Dormi no sofá. Minha mãe sentou e coloquei as pernas no colo dela, e ela também dormiu.

Acordei quase 07:00, eu acho. Fiquei deitada mais um tempo, meio dormindo, meio acordada. Mas me deu fome. E vontade de fazer xixi. Meu pai já tinha acordado e veio me dar um abraço pelo meu aniversário. Levantei devagarzinho e fui ao banheiro. Achei que estivesse bem suja de sangue, mas não estava. Tinha um sangramento, claro, mas algo dentro do normal, digamos assim. O Cleber levantou, super preocupado comigo. Me deu um longo abraço – pelo aniversário e por todo o resto – depois fomos tomar café da manhã. Disso eu lembro, pois eu queria especificamente pão “na chapa” e café com leite, e assim foi.

Passei o dia todo em casa. O sangramento não aumentou demais, mas ficou constante. Eu estava muito triste, mas não chorei o tempo todo. Fui andar lá embaixo um pouco com o Cleber, mas voltamos logo porque não estava tão bem assim. Não quis falar com ninguém no telefone, porque estava muito sensível mesmo, então todas as ligações que recebi pelo meu dia – de pessoas que sabiam, ou não, do ocorrido – foram atendidas pela minha mãe. À tarde, enquanto ela falava com a minha vó (mãe dela), que sabe um monte de receitas de chás, pra tudo (depois eu conto disso), chegou a encomenda que eu tinha feito de um gorrinho lindo de coruja, pra ajudar no parto do Raul. Ainda veio uns tsurus lindos, e uma cartinha escrita à mão (obrigado, Débora!). Minha mãe começou a chorar quando viu, teve que desligar o telefone. A abracei e disse que não precisava ficar assim – mas ela ainda não havia chorado nada, então deixei. Depois eu também chorei.
A Isa ia vir aqui em casa, mas teve que atender um parto de última hora. Me ligou perguntando se por mim tudo bem ela ir, se eu estava bem (fisicamente), e como eu disse que sim, ela foi. E ficou de vir no sábado.
À noite, minha tia, minha prima, com o marido (irmão do Cleber) e o filhinho deles, que fazia dois anos naquele dia, junto comigo, vieram pra cá. Foi difícil. Não pela presença deles, ou por ver um bebê-quase-criança. Mas era uma alegria que eu não sentia. Chorei no quarto, com o Cleber, pra que ninguém visse.

No sábado, dia 10, a Isa veio aqui me ver e foi ótimo. Conversamos, rimos um pouco. Ela almoçou aqui, ouviu alguns causos da família. Me fez super bem mesmo. Eu ainda estava com medo da coisa desandar, fisiologicamente. Não tinha mais dor, só umas cólicas leves de vez em quando, e o sangramento ora ficava pouco, ora aumentava. Eu tinha medo de ir no hospital e eles me internarem. Resolvi, então, ir na Casa Angela, assim eu aproveitava pra contar o ocorrido. A Isa teve que ir embora, e fomos todos – meus pais, Cleber e eu – na Casa. A Fran, mesma EO da última consulta, estava lá. Mediram minha pressão, ok. Temperatura, ok. Ela ficou muito triste por nós. Disse que eu podia sentir a minha dor, sim, e que na hora certa viria outro bebê, mas que um não iria substituir o outro, e outras coisas mais. Daí foi examinar meu sangramento, e disse que estava dentro do esperado mesmo. Disse até que podia vir mais, mas que meu corpo estava sendo perfeito. Me deu uma guia pra fazer um ultra quando o sangramento acabar.

E foi isso.
Muito triste. Muito intenso. Muito dolorido.
E não posso deixar de achar que foi até rápido também.

À noite, ainda fomos num restaurante, tentar espairecer – essa está sendo a meta de vida do Cleber, não me deixar cair. Senti uma tristeza lá, quase chorei mesmo, mas segurei. Foi coisa rápida a saída.
No domingo à tarde dei uma caída, sangrou um pouco mais, e fiquei um bom tempo deitada. Chorei mais um pouco.
À noite, entrei em parafuso, achando que eu era uma merda e que não tinha me despedido direito da Bolota, que eu tinha agido errado. O Cleber conversou comigo, disse que eu tinha feito tudo que podíamos, que eu tinha rezado por ela, e até me lembrou que eu esperei o tempo dela, pois não fui ao hospital induzir, que tudo aconteceu no tempo de Deus, no tempo da natureza. Chorei mais.

Ontem a rotina voltou ao normal. E nem chorei muito, só um pouquinho quando fui tentar escrever uma carta pra ela, mas não consegui terminar.
Hoje passei o dia escrevendo esse relato – tendo que parar pra secar as lágrimas, comer e espairecer um pouco com outras coisas. Acho que a palidez tá passando aos poucos.
Parece que tá tudo meio distante, meio vago, meio turvo.
E estamos indo assim, um passinho de cada vez, porque ainda não consigo olhar pro futuro.
Mas um dia eu hei de conseguir.

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O meu agradecimento

Gente, como eu faço para agradecer o carinho imenso que recebi de vocês, sem ser repetitiva?
Ainda não sei a resposta, então vai do jeito tradicional mesmo: MUITO OBRIGADO pela força. Vocês são incríveis, fui muito feliz quando resolvi criar esse blog, porque o vínculo fica verdadeiro mesmo, e nesses momentos difíceis tudo que  agente precisa é de apoio.

Ainda está difícil, mas já não está impossível.
O nome desse blog, mais do que nunca, faz todo sentido. Porque o “só até amanhã de manhã ” é uma variação de “um dia de cada vez”. É assim que estamos, vivendo um dia de cada vez. Um passinho na frente do outro, sem pressa, sem projetar nada no futuro, porque ainda é muito cedo. Porque ainda existe um medo do futuro, mas não estou focando nisso agora.
Hoje voltamos à rotina normal. A notícia chegou na quinta, o fato se consumou na madrugada de sexta (sim, no dia do meu aniversário) e nesses dois dias (mais o final de semana) não fiquei sozinha nem um minuto sequer. Hoje todos voltaram a trabalhar, inclusive o Cleber, então estou sozinha em casa.
E até que estou reagindo bem. Ainda não chorei (hoje, quero dizer) e estou fazendo repouso total.
Aliás, da parte fisiológica, está tudo caminhando também. Estou sangrando ainda, obviamente, mas dentro do esperado. Não fiz curetagem, nem fui ao hospital.

Estou sentindo vontade de escrever como tudo se deu, como meu corpo trabalhou. Mas não sei se é legal tantos detalhes, pelas recém-gestantes que me leem, mas realmente sinto que preciso disso. Então, se eu escrever, coloco um aviso no começo pra quem não se sentir à vontade de ler, não se preocupem.
Estou me apegando muito na minha fé. Rezei muito pelo bebê (não, não é mais bolota, não vou mais usar o nome, nem consigo falar mais), e também para entender o porquê disso tudo.
Tenho muita coisa pra desabafar, pra elaborar, mas vou escrevendo aos poucos.

No sábado, a minha doula veio me ver, me doular. Foi muito importante pra mim. Depois ela escreveu uma mensagem na página dela. E eu compartilhei na minha time line com mais algumas palavras. Como não quero perder as palavras dela, vou copiar aqui, pra ficar guardadinho.

“Hoje doulei… doulei uma perda. 
Hoje acalantei uma mãe e QUE MÃE. Apesar de não ter concretizado nas mãos sua maternidade, é MÃE e dessa maternagem, mesmo que breve, nasce uma mulher ao quadrado, uma fortaleza que me encanta, que me mostra que não viemos aqui só a passeio, mostra que nesse tabuleiro vc pode andar uma casa ou pode andar várias e nesse caso, a perdi de vista! meu eterno amor!”


e aqui em baixo o que eu escrevi pra ela e pra todo mundo que me mandou força, que fica como agradecimento à vocês também.

Desde quinta-feira, tenho repetido muito a frase “eu não sei de onde vem a força, só sei que ela tá chegando em mim”. Mas a verdade é que eu estava anestesiada demais para me dar conta. Além da força que veio de dentro de mim mesma, da força dos meus anjos me protegendo, também recebi muita força de todas as pessoas queridas da minha vida. Cada palavra de carinho que recebi aqui, nos meus dois blogs e nos meus e-mails me pegavam no colo. Cada abraço e cada palavra do meu marido, que está sendo espetacular, e cada gesto de amor da família e dos amigos, também não me deixaram cair. À todos e a cada um de vocês que estão me amparando, muito obrigado!

Pra quem não sabe, DOULA é a mulher que dá suporte emocional e psicológico às mães (e pais) durante a gestação e principalmente na hora do parto. Vários estudos comprovam os benefícios de sua presença, mas eu não preciso de nenhum pra saber da sua importância. Eu busquei a minha com menos de 8 semanas de gestação (o que é considerado bem cedo), e não me arrependo nem um minuto sequer disso. Ela foi fundamental no meu empoderamento nesse curto, porém intenso, caminho que percorri até aqui. Ela esteve comigo em cada momento que precisei. E ontem ainda veio aqui em casa, almoçar e passar um tempo comigo. Ela veio me doular. É um apoio que não tem preço. (E esse link que compartilhei são as palavras dela à respeito de ontem).

Isadora Canto, aprendi muito com você. As coisas que conversávamos nos nossos encontros foi fundamental para que eu não fraquejasse, mesmo quando achei que já estivesse em pedaços. Obrigado por tudo, por cada sorriso, por cada esclarecimento, por cada abraço e por essas palavras lindas sobre mim. Muito obrigado! ♥

imagem que a Isa Canto postou na mensagem.

Obrigado, mais uma vez, por todo carinho.
Sigamos um dia de cada vez, sempre. E que eu saiba ter discernimento para lidar com tudo isso.
Amém.

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O (velho) novo medo

Parece que a minha cabeça estava achando tudo calmo demais por essas bandas, tudo muito tranquilo, muito parado. Então, pra movimentar um pouco os neurônios, achou por bem que já estava na hora de eu ter um medo novo. Ou melhor, é um medo bem antigo, o mesmo que me fez correr atrás de tanta informação e mergulhar nesse mundo, mas ele apareceu de roupa nova, o danadinho.

Essa semana, me peguei pensando numa coisa: pode acontecer de eu precisar de intervenções durante o trabalho de parto, não tem jeito.
Mesmo eu tendo uma super mega equipe (Casa Angela + meu plano B + a doula), preciso aceitar o fato de que algum contratempo pode acontecer, sim. Eu já tive a fase de negação, já senti  ódio mortal raiva de quem colocasse isso como probabilidade, já negociei com a realidade, agora estou em fase de depressão e rumo à aceitação*.

Sou muito exigente quanto à equipe que me assistirá. Simplesmente preciso ter confiança total de que eles não vão indicar nada sem que tenha uma real necessidade, e isso me acalma muito. E essa exigência toda se dá não só porque eu quero um parto lindo e maravilhoso (no meu ponto de vista), mas também porque eu tenho total e completa aversão à acessos venosos. Eu fico paralisada, com o braço duro mesmo, pressão à níveis quase abaixo de zero; resumindo, é um completo tormento. E não é isso que eu quero no meu parto, claro que não. Já contei aqui o relato do dia em que fui pessimamente atendida num hospital perto da minha casa, em ocasião da última crise que meu marido teve de epilepsia e, de tanto ver cenas horríveis, somado à outros fatores (fome, calor infernal, descaso e a minha sensibilidade toda), desmaiei. Foi apenas o pior atendimento que já tive na vida, bem traumático mesmo. Eu sabia que estavam fazendo procedimentos em mim que não eram necessários, mas era como se eu fosse uma coisa, muda e amorfa. Saí de lá não só com um hematoma enorme no braço (por incompetência das enfermeiras, que acabaram com a minha veia e me deixaram toda suja), mas também com o coração apertado de medo e com a certeza de que não queria passar por coisa semelhante nunca mais na minha vida. E enquanto eu estava lá, chorando e olhando pra cima o tempo todo (pra não ver meu braço), eu só pensava no que poderia fazer para driblar esse sistema horrendo na hora do meu parto. Na época, acho que eu já lia alguma coisa, de vez em quando, sobre maternidade. Mas depois dessa, o aconteceu foi: eu mergulhei de cabeça nas pesquisas e, não me lembro como, cheguei nos partos humanizados, depois naturais, depois domiciliares, ou alguma ordem próxima a essa. Me joguei nos blogs também, e como vocês devem perceber, não saí mais desse mundo – e não tenho pretensão alguma de sair.

Nesse tempo todo, aprendi que é preciso acreditar na capacidade que o nosso corpo tem de parir. Que é fisiológico, a natureza trabalha pra isso desde todo o sempre, e se somos capazes de gestar, somos perfeitamente capazes de parir também. E que é claro que existem os casos em que cesáreas e intervenções são mesmo necessárias – e ainda bem que elas existem! -, mas que pode, sim, ser da forma mais natural possível. O caminho para isso é informação, informação, informação. Empoderamento. Eu me apeguei completamente à ideia de que eu consigo ter um parto sem intervenções desnecessárias, sem ocitocina sintética, sem anestesia, sem episiotomia. Não tenho medo da dor (post sobre isso em breve); tenho medo de ser desrespeitada. Todo esse tempo, com todos os vídeos que vi, os infinitos relatos que li, as informações que busquei, fui tendo uma espécie de certeza de que eu também conseguiria. Plantei essa semente na minha cabeça e a cultivei dia após dia, até que eu me “esquecesse” que um dia foi diferente. E, com isso, me dediquei a encontrar a equipe que entendesse e abraçasse a causa junto comigo. Por isso busquei uma doula antes mesmo de achar uma obstetra. Por isso estou indo na Casa de Parto, mas com um plano B igualmente humanizado, porque não quero depender da sorte em momento algum (e ainda há possibilidade do plano B virar plano A, post sobre isso também em breve, preciso elaborar melhor).

Aliás, no post passado, eu disse justamente o quanto estou ouvindo e confiando no meu corpo, na minha natureza; o quanto estou tranquila com tudo isso, e que essa calma e essa confiança tem me feito muito bem e me colocado ainda mais em sintonia com a Bolota.
Mas num papo com a minha mãe, e depois com a doula, caiu minha ficha: e se, mesmo cercada das pessoas mais feras do planeta, eu ainda precisar de alguma invasão no meu corpo? E se, mesmo com essa confiança toda que tenho em mim, eu realmente precisar passar por algo que eu não queira? Estou fazendo o que posso para minimizar essa probabilidade, mas preciso aceitar que pode acontecer, não é? Sim, preciso. Inclusive, para não esquecer de acrescentar isso no meu Plano de Parto (como eu quero que façam, que eu preciso estar deitada, sem olhar, de preferência ouvindo música, etc). No caso, os dois papos que citei serviram apenas para fazer a minha ficha cair, ainda não verbalizei (a não ser com o Cleber, ontem) o quanto isso mexeu comigo.

O que eu sei é que o psicológico influencia muito no trabalho de parto. Que pode dar uma estagnada no processo se eu estiver bloqueando inconscientemente. Por isso, quero por pra fora todos os medos e sombras que eu sentir no caminho, pra ver se ajuda. Talvez alguns apareçam só na hora, mas se outros já estão surgindo, não sou eu que vou jogar pra debaixo do tapete e deixar pra resolver só depois, né? Mesmo não sabendo o que fazer, ainda, só o fato de eu ter consciência da existência deles já me faz querer sair da inércia.
Também sei que a confiança na equipe e no ambiente é super importante pra eu conseguir me entregar à Partolândia, e já sei que não vou relaxar se não estiver segura em quem está comigo.
Lembrando que, como bem disse a Nana aqui, não dá pra se preparar totalmente para os imprevistos, porque, huum, veja bem… são imprevistos! Haha. E eu sei que sou perfeitamente capaz de lidar com o que não estava nos planos, mãs, diante do meu quadro de terror total, vou ter que elaborar uma aceitação aqui na caixola e deixar reservado, para usar em caso de necessidade.

Meu plano é discutir esse assunto com a EO da Casa Angela, com a Betina, com a doula, comigo, com o Cleber, com Deus, com quem mais quiser ouvir meus lamentos. Se eu souber – ouvindo da boca dos profissionais como eles costumam agir, e não só lendo na internet – quais situações eu não vou poder fugir de uma intervenção, eu trabalho isso na minha mente e fecho logo esse ciclo, pra daí focar, de novo e ainda mais, no “eu quero, eu posso, eu consigo”. Vou meditar e mentalizar (muito, muito, muito) que vai dar tudo mais que certo. Amém.

Amém?

* Baseado nos Cinco Estágios do Luto, do Modelo de Elisabeth Kübler-Ross.

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Um passinho à frente…

Eu sei que já contei aqui sobre a minha sensibilidade a sangue. Que comigo não rola assistir filme de ação ou terror, que dirá passar por alguma situação que envolva o dito cujo. E a coisa tende a piorar consideravelmente quando preciso tomar soro, ou fazer exames. É um tormento mesmo! Eu sofro antes, durante e depois.

E então a pessoa fica grávida e precisa, obviamente, passar por uma bateria de exames de sangue… e pensa: pra que que fui inventar isso?
Me consultei na Casa de Parto no início do mês e ainda não havia feito os tais exames. Até hoje.
Claro que estava deixando pra depois. “Não precisa pressa mesmo, já que a próxima consulta é só mês que vem” (rs). Mas não ia dar para fugir pra sempre.

Breve flash back:
no final do ano passado, fiquei meio adoentada. Tudo indica que tenha sido stress e cansaço: estafei mesmo.
O médico pediu um exame de sangue para vermos se podia ser anemia – porque eu sentia muita fraqueza. Fui num laboratório que tem meio perto da minha casa. Lá, fiz como sempre faço: avisei à enfermeira pra não dizer nada sobre o procedimento e fiquei olhando pro outro lado, concentrada na parede. Como uma nova tática, peguei o celular e liguei pro Cleber, que estava trabalhando, afim de distrair minha mente. Mas não teve jeito. Quando terminou o exame, minha pressão foi caindo, caindo… e antes que eu caísse junto, me levaram pra outra sala, onde tinha uma maca. Fiquei lá uns minutos, com meu pai (nunca, em hipótese alguma, posso fazer esse exame desacompanhada). Então a moça disse: “da próxima vez, pode pedir pra colher deitada, não tem problema, assim você não passa mal”. Aahh, que linda! Adorei! (porque geralmente o que os profissionais fazem é: mas nem dói nada, blablabla #aiqueodioqueeufico). Pronto, já sabia: da próxima vez que tiver que sofrer  passar por isso de novo, será aqui.
Fim do flash back.

Pois bem. Ontem o Cleber foi até lá fazer um orçamento prévio pra mim. E aí “caiu minha ficha”: não tem jeito, vou ter que fazer. E, mesmo lembrando que fui bem tratada nesse laboratório, fiquei com medo. Porque gente, a coisa é difícil. É acordar sabendo que vou passar mal dali alguns instantes. E em jejum. E como sofrimento pouco é bobagem – e pegando carona na chuva de hormônios de que dominam – sabe o que eu fiz? Chorei. Muito. Ontem à noite, “sofrendo por antecipação”, como diz minha mãe, tive uma crise de choro. Depois passou, claro. Mas acho que foi até importante lavar o medo um dia antes, rs…
Meu marido lindo, maravilhoso e cheiroso pegou meu iphone e colocou umas músicas novas. Era a nova tática nascendo…

Comecei meu jejum ontem, para já ir logo cedo hoje. Estava bem cheio lá, e pela primeira vez, usufruí meu direito de atendimento preferencial!!! Uhuull!!! Graças a isso, não demorou tanto para eu ser atendida.
Várias crianças saindo de lá com aquele adesivinho-curativo no braço, super naturais, e eu sofrendo por eles, haha. E pensava: é agora que eu desmaio e essas crianças ainda vão rir de mim aqui, que vergonha, rs!
É engraçado como percebemos o mundo através das nossas experiências, né: não consigo mesmo compreender como as pessoas – crianças e adultos – passam por isso sem sentir nada demais, até olham a coisa toda acontecendo, acham natural – ou não acham nada!! Não sei o que é isso! Assim como essas pessoas não compreendem o que eu sinto. Divagações à parte, voltemos ao caso…
A enfermeira me chamou, marido entrou comigo e, por sorte, antes que pedisse, ela me levou para uma sala onde já tinha maca. Era a sala infantil (que fofo! haha), que estavam usando devido ao grande número de pessoas. Pedi pra colher deitada, ela arrumou tudo pra mim e deitei. Peguei o celular, coloquei o fone, aumentei o som. Estiquei o braço, fechei os olhos, cantarolando baixinho e dei a mão pro Cleber. E esperei… de olhos fechados e cantando. Mas claro que sentia e percebia o que estava acontecendo. A mão, super gelada, suava um pouco até! Senti quando começou e vou dizer… não foi indolor, não. Mas me mantive firme. De repente (que pra mim foi depois de 30 horas), ela soltou aquela mangueirinha que amarram no nosso braço, o Cleber ficou segurando o algodão e, quando percebi, fiimm!!, já tinha acabado! Perceberam que eu não relatei queda de pressão? Gen-te!! Não passei mal!!! Fiquei deitada mais uns breves minutinhos só para me certificar. Levantei (com o braço duro-esticado, isso ainda não superei – meu braço fica imóvel por pelo menos uns 30 ou 40 minutos depois que acaba). E fomos embora! Simples assim. Tinha levado algo para beliscar e quebrar o jejum e vim comendo no carro, até chegar em casa e comer algo decentemente.
Mal acreditei que passei por isso! Assim, a mão da enfermeira não era das mais leves – e posso dizer que ainda agora sinto uma leve dorzinha, mas nada grave. O que importa, e eu mal acredito ainda, por isso me permitam repetir: eu não passei mal!!! 

Estou orgulhosa de mim! Para mim, que sei o quanto isso é uma dificuldade, foi um passo importante. Pequeno, eu sei. Mas “só por hoje” minha pressão não caiu, à despeito da tensão que eu senti por ter percebido tudo que a enfermeira estava fazendo, do jejum que eu estava e tudo mais…

E sabem o que eu fiz, ainda lá deitada, quando percebi que tinha conseguido? Agradeci minha Bolota.
Falei pro Cleber: o bebê está me deixando mais forte!
E foi isso mesmo que senti. Porque foi só por saber que é extremamente importante cuidar de mim – para então cuidar e dar toda saúde que eu puder ao baby – que eu passei por isso.
Quando o Cleber e eu ficamos de mãos dadas na hora do exame, era bem em cima da minha barriga que elas estavam repousadas. A Bolota também estava na corrente para me passar força. E deu certo!
Um passinho à frente! E pra mim ele vale muito!

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Medos e insights

Esse negócio de gravidez mexe mesmo com a gente, né?!
É muito sentimento junto e misturado.

Acho que nem preciso dizer que eu quero ser mãe desde sempre, que é um desejo bem antigo e real e todas essas coisas.
Além dessa vontade toda, me apeguei à blogosfera materna há muito tempo, de forma que já li tantas experiências sobre dificuldade com amamentação, noites sem dormir, desfralde, escolarização, vínculo, criação com apego, e tantas outras coisas que, de alguma forma, eu não temo muito isso na minha vida. Veja bem, não estou falando que tenho a ilusão ou a pretensão de me sair perfeitamente bem em todas essas tarefas, ou que não terei medo de nada, nunca. Aliás, realmente acredito que vou querer fugir para as montanhas em vários momentos, sem saber o que fazer. Mas o fato de saber que o lado B existe em todos os lares parece que me dá uma espécie de “acalmada”, não sei. E acho mais, acho que não tenho medo disso ainda. 

Porque, agora, estou ocupada tendo outros medos.
Medos que eu desconhecia, que não me lembro de ter lido aos montes nos blogs por aí.

O primeiro é: tenho medo de não estar grávida! Escrevendo agora até parece engraçado, mas não riam, meninas, a coisa é séria. Eu fico pensando: e se der tudo errado agora no comecinho? Contei pra todo mundo e vou ter que descontar depois, vai que eu nem tô grávida. Como se a ausência da monstra, a vontade de comer toda hora, o cansaço, os seios maiores e dois testes positivos não fossem motivos reais e suficientes para me deixar sossegada. Vai entender.

Tem também a variação desse medo (não basta ter um medo, ele tem que aparecer com várias caras), que eu tenho até receio de falar, mas vamos lá: tenho medo de acontecer alguma coisa que me faça perder o bebê. É muito ruim sentir isso, mas tem acontecido, sim.
E acho que isso se dá pelo fato de que eu ainda não fiz nenhum exame, não fui examinada, nada. E se depois de amanhã (primeira consulta) descobrir que aconteceu algo ruim?

E aí bagunça tudo: se eu sinto uma dorzinha na barriga, acho que alguma coisa ruim pode acontecer. Se eu não sinto nada, acho que já aconteceu. Alguém me interna pelamordedeus que a insanidade aqui tá demais da conta!

cara de quem é estranhamente doida não tá entendendo nada. 

E o segundo medo está relacionado à Casa de Parto, porque eles frisaram tanto a parte de que a qualquer sinal de complicação transferem a parturiente para o hospital, que agora tô com medo de acontecer isso comigo. Porque não basta ser baixo risco, tudo ainda tem que correr perfeitamente dentro do contorno pra ter meu parto lá. Acho que é medo do que não posso controlar, né?! Fiquei insegura esses dias, já até chorei pensando nisso, porque sinceramente: pra que hospital vão me levar? Não lutei e me informei tanto para, na hora H, me ver num hospital qualquer, sendo atendida por quem eu nunca vi. Ok, ok, eu sei que sou eu que escolherei o hospital, que tudo já estará acertado, mas gente, posso falar? Que hospital eu escolho? Como eu vou saber que serei bem assistida lá? Tempo pra resolver isso e sanar minhas dúvidas eu tenho, e vou ter uma doula comigo, com certeza. Também fico pensando que se pensar nisso demais pode acabar atrapalhando e tal, mas sei lá, tenho medo.

É normal? Sou uma pessoa muito estranha? não respondam.

Parece que estou mudando de assunto, mas acompanhem, por favor: escrever é a atividade que mais me faz bem, acho que agora posso afirmar isso! É quando eu coloco tudo em perspectiva, penso no que estou escrevendo, no que estou vivendo e, muitas e muitas vezes, tenho insights maravilhosos exatamente enquanto escrevo, coisas que eu ainda não havia pensado, coisas que ainda não tinha visto por tal ou qual prisma. E acabou de acontecer. Explico.

Devo confessar que, sobre os primeiros medos, eu achava que o meu temor em não estar grávida se devia ao fato de que eu ainda não tinha um vínculo com essa pessoa que já mora aqui dentro. Me senti mal quando pensei isso. Poxa, desejei essa gravidez por tanto tempo e, quando acontece, eu não me apego? Cheguei a sentir certa culpa (oi, sentimento materno, precisava chegar tão cedo?). Mas escrevendo agora, me dei conta de que, não só o vínculo existe, mas eu já amo essa pessoa mais que tudo. Amo a ponto de temer muito que algo aconteça à sua tão pequena vida. E que eu sou capaz de qualquer sacrifício para garantir o seu bem-estar, se preciso for. Claro que posso estreitar ainda mais esse laço: tenho usado o momento do banho e a hora de passar óleo ou creme no corpo para ir me conectando mais com o bebê, passar uma segurança e, porque não, me sentir mais segura também.

Sobre o segundo medo, me dei conta agorinha mesmo (juro, gente, é incrível isso) de que eu vou ter tempo para me empoderar ainda mais, né?!, e isso de alguma forma fez sentido aqui dentro. Percebi que eu, que sempre fui toda coração (mesmo!), me vi só pensando com a razão, querendo calcular tudo. Acabei de confirmar que realmente esse não é o meu caminho, não é assim que funciona para mim. Eu sempre fui instinto, sempre agi pelas vontades que vêm diretamente do coração. Não posso ser diferente agora.
Porque também não adianta me cercar de todos os lados e achar que, por isso, estou “salva”.O que tiver que acontecer, vai acontecer. É preciso saber se entregar; e eu espero não me esquecer disso.

Nota mental: NUNCA me esquecer de seguir o meu caminho e não me deixar “encucar” por coisas externas, que não posso controlar.

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O fim do anticoncepcional e as controvérsias da vida

Ano passado, véspera de Natal, marido e eu na fila de check-in do aeroporto rumo à casa do meu irmão, em Aracaju. Fila enorme, como vocês devem imaginar. Marido teve que sair para resolver alguma coisa e eu fiquei lá sozinha. Eu lá, com o carrinho com nossas malas, em meio à trocentas pessoas, um barulho sem fim, percebi que estava sentindo algo diferente. Não era cansaço, não era preguiça, não era vontade de calar a boca daquele cara atrás de mim que só falava asneira. Prestei atenção e percebi: não queria mais esperar, não podia mais esperar, não queria mais usar anticoncepcional. Eu queria um filho “agora”. Não sei porque raios eu senti aquilo naquele exato momento, mas senti. Era um sentimento mesmo, uma coisa forte, real. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu tinha certeza. (já havia sentido coisa parecida algumas vezes durante o ano, mas dessa vez foi diferente, uma força presente mesmo).

Quando marido voltou, percebeu meus olhos marejados e comentei por alto o que estava sentindo e a minha vontade (estava uma correria total, quase perdemos o voo), e ele concordou. Voei 3 horas pensando nisso. 
Eu usava o anticoncepcional Evra, que é um adesivo transdérmico (para quem não conhece é assim: são três adesivos,a troca é feita a cada uma semana. Depois do terceiro, tem a pausa de 7 dias, igual aos outros, que é quando desce, e daí começa tudo de novo). Eu ainda estava com o primeiro adesivo e, apesar da ideia tentadora, não arranquei-o de uma vez por todas e me joguei nas tentativas, até porque eu tinha medo de bagunçar o ciclo. Usei até o final, normal, esperei descer, mas não comprei uma nova cartela. Parei mesmo. 
Mas não me joguei nas tentativas.
Nós ainda tínhamos (temos) para sempre teremos umas contas para acertar, e ainda queríamos aumentar um pouco a poupança para conseguir pagar uma equipe bacana para nos acompanhar. 
Seguimos usando camisinha. Fui à médica, ela disse que estava tudo bem. 
Meus ciclos sempre foram totalmente regulares. Com o anti, eu sabia exatamente o dia e até mais ou menos o horário que viria, achava isso o máximo, rs. E agora está um tormento. No primeiro mês sem o adesivo, demorou simplesmente 39 dias para descer de novo. Para mim, que estava acostumada com 28 dias pontualmente, foi horrível, quase surtei. Fiz uns 4 testes, mas deram todos negativo. Do segundo pro terceiro (que foi a última vez), demorou 34 dias. E agora ainda não estou atrasada, não, mas já até espero que demore de novo.
Na viagem, tínhamos combinado que iríamos começar a tentar no mês de maio (não por um motivo específico, só para estipular uma data mesmo). Quando acertamos isso lá na praia, de frente pro mar, tudo parecia tão distante, tão longe. E a parte que eu tinha sentido que tinha que ser “agora”? Chorei, mas concordei no final, porque no fundo eu sabia que ia ser melhor assim.

Mas gente! Maio é mês que vem!
Mas não foi ontem mesmo que eu estava pensando em como eu poderia burlar o calendário para chegar logo no tal do mês? O tempo foi mais rápido que eu dessa vez e chegou antes da minha descoberta, rs…

E eis que semana passada, quando me dei conta disso tudo… travei.
quén, quén, quén, quéééénnnn…!!!

O que antes era uma ansiedade desmedida, agora é uma coisa que eu ainda não sei definir muito bem, mas se parece um pouquinho com medo.

Ah, claro, essa é a parte que eu conto que marido e eu adoramos fazer planos… para desfazê-los no final das contas. Não esperamos o mês das mães coisa nenhuma, paramos com a camisinha, assim como quem não quer nada, esse mês mesmo. Ou seja. Agora eu sou tentante, né?

Eu sou?

Não estou fazendo nada além daquilo que tem que ser feito, haha… melhor dizendo: não estou contando no calendário o período fértil, não estou medindo temperatura, não estou monitorando muco… nadica de nada mesmo. Até porque, não se esqueçam, ainda não caiu minha ficha que eu mudei de status.

Me diz, gente: haverá um mundo justo e sem controvérsias no universo pré-materno? (porque no materno já me disseram que não há mesmo). A pessoa passa a vida inteira querendo ser mãe, querendo começar as tentativas o mais rápido possível. Quando chega a hora, o que acontece? Um medo descabido, que nem pediu licença e já foi se instalando aqui. Ah, não… tá tudo errado! rs É um medo estranho de não dar certo, de dar certo e eu não dar conta, de ficar neurótica se demorar demais, de fazer tudo errado. Ah, tanta coisa. Tudo ao mesmo tempo. Tenho que dizer que não tô gostando muito disso, não, tô ficando confusa…

Acho que isso é ansiedade disfarçada de medo, na verdade, mas ainda estou averiguando…

Fica no ar muitas perguntas: isso é normal? Eu sou a única em todo Planeta Terra que sente uma coisa estranha assim? Haverá solução para o meu caso? Isso passa? Como? Tenho que fugir para as montanhas antes que a coisa se agrave? Quem vem aqui me dar um abraço? um dia deixarei de ser dramática nos meus textos? Aguardaremos os próximos capítulos.

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