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O meu tipo de mãe

Esses dias vi algumas queridas escrevendo sobre o “tipo” de mães que elas eram e achei bem legal. Porque, né, é sempre bom recordar que não existe modelo perfeito, o ideal morre pra nascer a realidade e nem sempre a realidade é o que ouvimos ou vemos ou acreditamos ser até o dia que chega a nossa vez. Então, para me lembrar disso e incrementar essa corrente divertida, também vou brincar, vamos lá.

Eu sou a mãe que não tem rotina definida com a filha.
Que liberou a tevê sem culpa depois dos dois anos (porque antes era com um pouquinho de culpa, na verdade, rs), mas alguns desenhos seguem sem o conhecimento da pequena. Que assiste série com o marido enquanto ela brinca pela sala.
Eu sou a mãe que quer um quintal e mora num apartamento de 35 m². Que tem que sair pra respirar, porque ficar o dia inteiro aqui dentro enlouquece.
Eu sou a mãe que ainda não colocou a filha na escola, mas que também não faz mil e uma atividades lúdico-pedagógicas-sustentáveis. E tampouco sigo disponível para brincadeiras o dia inteiro, porque de vez em quando a prioridade sou eu. E que bom que existem os avós pra dividir a atenção e salvar o fim do dia.
Eu sou a mãe que leva a pequena pra brincar lá fora num pedacinho de grama e terra e aproveita pra ficar descalça também, porque é o jeito que eu me sinto bem e mais presente. Que deixa a filha pintar com guache no corpo (seu e dela), que larga tudo pra dar colo quando a coisa aperta e que tenta se lembrar de respirar fundo pra não gritar. Mas que já gritou também.
Eu sou a mãe que levou a filha de 2 anos numa pré-estreia de cinema, numa sessão que começava meia noite, porque sabia que seria melhor ficarmos juntos (pai, mãe e bebê). E foi incrível porque ela correu todo o tempo em que estávamos lá fora e dormiu assim que o filme começou. Porque eu sou a mãe que tenta conciliar as demandas da pequena com as próprias vontades. Tem sido assim e a gente até que tem encontrado algum equilíbrio e leveza pelo caminho.
Eu sou a mãe que de vez em quando cisma que tá fazendo tudo errado e tem vontade de mudar de casa, de cidade, de estado. Que chora quando ela dorme pensando que podia ter sido melhor. E que no dia seguinte se entrega um pouquinho mais, e assim descobre que a balança é muito difícil de se manter equilibrada, puta merda.
Eu sou a mãe que leu todas as teorias antes de engravidar e que guardou a maioria delas na gaveta depois que pariu, porque foi percebendo que a coisa mais eficaz é investir na relação, e isso a gente faz no cotidiano e os livros não dão conta da complexidade e imensidão que é uma vida com uma pessoinha ao lado. (e quem disse isso é a mãe que está se descobrindo escritora e tá aqui praticamente falando mal dos livros, vão vendo a loucura dessa mãe).

E tanto mais. Céus. Eu sou a mãe que descobriu que tem muitos interesses e paixões, para além do mundo infantil, que sempre fez (e faz) tanto sentido pra mim. E que ainda não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, como encaixar tudo dentro de uma mesma vida. Mas que segue tentando. Ressignificando. Cuidando de quem é. Porque é disso que a travessia é feita. Pelo menos é o que ela acha.

E você, como se vê na maternidade?

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A base que construiremos juntos

Escrevi um texto sobre algumas escolhas que fiz e os motivos que me levaram a não realizar um chá de bebê. Na verdade, aquele era um texto mais sobre o chá de bebê, sobre um recorte do meu mundo, sobre o fato de eu conhecer os meus convidados e, por isso, optar por não fazer essa festinha, e menos – bem menos – sobre o meu poder de decisão de certas coisas na maternidade.
Simplesmente porque não podemos prever tudo. Ou quase nada.

Eu quero muito amamentar. Acho importantíssimo, em vários aspectos, e quero que faça parte da minha nova rotina logo após o nascimento da pequena. Quero me dedicar, me esforçar e me entregar, pois sei que não é fácil no começo. Por esse motivo, não quero estar aberta a ter estoques de substitutos ao meu seio na minha casa, desde já. Pode acontecer alguma coisa séria – fisiológica ou psicológica – que mude meus planos e me faça recorrer às fórmulas? Com certeza pode. Pode acontecer de um tudo. (Claro que vou chorar ou ficar chateada por precisar recorrer a algo que eu não queria, mas saberei que fiz e fui até onde pude). Diante disso, e depois de orientação dos profissionais competentes, faço as compras necessárias e adapto meus planos à nova realidade. Mas agora, não. Agora eu estou lendo muito, tanto a teoria quanto os mais diferentes relatos, exatamente pra ver que em cada casa – ou melhor, com cada filho – é diferente, e (tentar) preparar minha mente pra isso. Agora eu estou indo atrás de informações de onde tem bancos de leite próximos a mim e também pessoas capacitadas para me orientar diante de alguma dificuldade. E muito em breve passarei pro papel uma lista com alguns telefones, ou e-mails, de pessoas que sei que me darão real apoio (e não pitacos), que são a favor da amamentação e que me darão forças para seguir em frente. Agora estou me preparando ao máximo para bancar a minha escolha.

E esse foi só um exemplo. O mesmo pode-se aplicar para o não uso do berço, para as fraldas de pano e assim por diante. São escolhas iniciais, que eu fiz porque tenho valores semelhantes aos propostos, que tomei depois de um certo tempo pesquisando, pensando e conversando, e também por achar que vai facilitar meu dia-dia como mãe, por que não? 😉
Mas tudo isso ainda está no plano das ideias, eu só vou saber o que acontecerá de verdade em julho (ou agosto) e nos meses seguintes, depois que a Agnes nascer e eu ver como vai ficar a nossa rotina juntas. São apenas um norte, para que eu não me sinta perdida – e porque algumas decisões práticas, como o caso das fraldas, tem que ser resolvidas (compradas) desde já.
(obs: isso também não quer dizer que mudarei de ideia e de prática a cada manhã, vamos com calma. É só que eu entendo que existem surpresas no caminho, coisas que não esperávamos (não falo de algo específico, realmente não sei a que me refiro; é isso que caracteriza a surpresa), e que podem mudar um pouquinho os passos da dança).

Eu não sei como será minha vida depois que ela chegar. Nunca fui mãe, estou diante do desconhecido mesmo. Por mais que eu tenha alguma experiência prática com bebês, sei que é muito mais. Pressinto que vai me transformar numa pessoa nova – é o que dizem por aí. Imagino que não será muito fácil, mas que será absolutamente importante para todos nós; que será lindo, claro, dentre outras tantas coisas que ainda não parei pra pensar.

Estou muito aberta a aprender com tudo que vier. Viver a maternagem integralmente é uma espécie de sonho de consumo que estou realizando. Viver a maternagem integralmente, e não projetar um tipo desenhado de sucesso em cima dos pequeninos ombros da minha filha, que fique claro – disso eu quero passar longe.
Na minha visão é um ato valiosíssimo: gerar, gestar, parir, alimentar, amar, ensinar valores, cuidar, acalentar, mostrar limites, apresentar o mundo… aprender ou reaprender a voltar o nosso olhar para o belo, enxergar o mundo de uma maneira diferente, perceber novas nuances e emoções também está no pacote, porque toda relação é via de mão dupla e esses pequenos tem um tipo de saber que é só deles. E estou aqui, inteira, para viver cada um desses dias.

Hoje o Pedro Fonseca escreveu uma carta pro seu filho, sempre linda, que me fez pensar. Nisso e em outras coisas também.

Eu estou seguindo o meu coração e completamente ciente de que essa pessoa que hoje depende de mim para crescer e sobreviver, daqui a pouco vai estar aqui no mundão, no meu colo e segurando minha mão, até que possa dar seus próprios passos e trilhar seu próprio caminho. Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é pra já. Até lá, me esforçarei ao máximo para preservar sua essência e respeitar suas particularidades, fazendo as melhores escolhas que eu puder fazer por nós, mantendo o que nos é fundamental, como família e como pessoas, porque uma boa base é essencial para se construir o que quer que queiramos construir.
Então saiba, filha, que construiremos juntos a sua base. O caminho trilhado a partir daí será seu. Só seu.

Uma pessoa completamente nova – e paradoxalmente já pronta – entrará na minha vida em breve.
Para que eu possa cuidar e também para me ensinar. Para que eu possa levar, mas pronta para me mostrar a melhor direção.
Para fazer parte do meu caminho, para construir e trilhar o dela. Do jeito que melhor lhe parecer.
Não tem como não ser especial.
Não tem como ser muito planejado. Amém.

Mais uma vez, Steve Hanks ilustrando minhas palavras, só porque eu acho uma lindeza só.

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Sobre escolhas. Ou, porque não farei chá de bebê

Uma das perguntas que a gente mais ouve quando fica grávida é: e aí, vai fazer chá de bebê? A minha resposta, como dá pra saber só de ler o título da postagem, é não. “Ah, mas faz chá de fraldas, você vai precisar bastante”, podem dizer. A reposta, sinto dizer, também é não. E então que achei legal escrever um pouco mais sobre isso.

Primeira coisa que acho bom pontuar: não tenho nada contra chás de bebê. Sério. Podem me chamar pros seus chás, inclusive, rs. A única coisa que não suporto são aquelas brincadeiras que pra mim são chatas, tipo pintar barriga (e a cara e todo resto) com batom, pagar mico se errar qual o presente, sair na rua toda horrorosa, etc, mas até aí tudo bem, porque se eu fosse fazer um chá não teriam brincadeiras desse tipo. E se você teve um chá assim e amou, tudo bem também, eu estou falando exclusivamente de mim agora; e apesar de ser do signo de leão, com ascendente em leão, não gosto muito de estar no centro das atenções, essa é que é a verdade, então essa nunca foi uma opção de festa pra mim. 
Dito isso, vamos falar um pouco sobre escolhas. 
Eu adoro que sejamos pessoas livres para decidir o melhor caminho para nossas vidas (tudo bem que, muitas vezes, diante de muitos assuntos sérios, não podemos efetivamente escolher, mas conversamos sobre isso outro dia, hoje quero que o assunto seja mais leve mesmo). 
E eu já fiz algumas sobre como vou exercer a minha maternagem. Minhas escolhas foram feitas depois de muitas pesquisas e leituras, por afinidade de valores e por ver que se encaixavam bem com o que eu acredito e, também, pela forma como levo a vida. Acontece que muitas delas se chocam totalmente com o senso comum. Com o que é amplamente falado pelas nossas tias, vizinhas, desconhecidas e listas de internet como “essenciais” e “necessários” para todos os bebês e suas mães. Ou seja, com o que é usado pela esmagadora maioria das pessoas. 
No começo da gravidez eu ainda não tinha descartado completamente a ideia de fazer um chá pro baby. Nem tava pensando muito nisso na verdade, estava deixando as coisas rolarem. Até que um dia marido chega do trabalho contando que suas colegas disseram que faria um chá de bebê pra mim. Ele disse que não (porque ele é contra essa coisa de festa “só pra ganhar presente”, haha), mas elas disseram que fariam mesmo assim. Eu falei “ah, amor, deixa fazer, tem nada não” e emendei “mas fala pra elas que não precisa levar isso, nem aquilo, muito menos aquilo outro”. Aí eu parei, pensei e completei: “é, melhor não fazer nada mesmo, né?!” e caímos os dois na risada. E foi aí que caiu minha ficha: não dá pra fazer um chá de bebê, que é uma festa para se ganhar coisas*, essencialmente, e colocar uma lista enorme de itens vetados, proibidos, e poucos (diante da gama dos proibidos) permitidos. Isso não é legal, isso não é bacana. 
Dando uma olhada por cima aqui na internet, apenas para fins de sanar minha curiosidade, vi umas duas listas de presentes nos chás de bebê. Não cheguei a contar, mas acho que dá pra dizer que pelo menos metade da lista seria vetada por mim, outra parte pode deixar que eu mesma compro (lixeira pro quarto, lençol avulso… sério que tem isso também? desculpem, mas acho completamente desnecessário pedir esse tipo de coisa) e sobraria bem pouco para os convidados trazerem. Não é justo. Nem com as pessoas, nem comigo. Porque quem fez as escolhas fui eu, então sou eu quem tem que bancá-las. 
Outra coisa, além de ser chato essa coisa de “traz isso, nem pensar em trazer aquilo”, eu teria que explicar essas minhas escolhas para pessoas que, infelizmente, não estão abertas às minhas respostas. Iam achar que é frescura, ou que é moda, ou dizer aquela frase que eu amo #sóquenão: “você diz que não quer agora, deixa nascer pra você ver”. Vocês já sabem a minha opinião sobre o pitaco, então nem vou comentar. 
Não se trata de expectativas desmedidas ou “seguir moda”, como gostam de falar, até porque ninguém tem que seguir ninguém, as pessoas apenas se identificam, ou não. E o mais importante, pra mim: o fato de ter escolhido essas coisas não quer dizer que condeno todas as outras. Cada um com seu cada qual, já dizia o poeta, rs. Precisa haver diversidade para que possamos escolher, não é mesmo? Eu apenas não quero ir pelo caminho mais comum, mais óbvio, mais usado, porque eu sou assim mesmo, não tem jeito. Se não der certo a gente reajusta as coisas, mas só quem poderá tomar essa atitude sou eu, depois de vivenciar as experiências que optei viver, e não agora. Não tenho motivos para comprar nada disso antes dela nascer e antes de saber realmente como as coisas vão funcionar por aqui. 
Mas que raios de escolhas a mulher fez, meu pai, pra não querer nada da bendita lista? Alguém pode estar se perguntando. Daria para fazer um post sobre cada coisa – e pode ser que aconteça, qualquer hora dessas, num humilde blog perto de você. Por hora vou listar aqui, de modo bem simples mesmo, o que eu não vou comprar pro enxoval da minha pequena moça:
– Mamadeiras (céus! nas listas tem tantos tipos que eu nunca ia conseguir decorar);
– consequentemente, excluímos também os tipos variados de bicos para mamadeira, bem como aquecedor, escorredor, pinça, escova e não sei mais o quê para mamadeiras;
– chupetas;
– nada que tente substituir o peito e o leite materno;
– kit berço pra juntar pó e nos fazer espirrar (porque não teremos berço, rá!);
– mil opções de travesseiros para mil coisas diferentes;
– babá eletrônica (não há nenhuma necessidade, visto que dormiremos no mesmo quarto);
– absolutamente nada de personagens (bebês não precisam de personagens. fim.);
– cremes antiassaduras;
– lenços umedecidos;
– fraldas descartáveis (sim, pirilim, o enxoval de fraldas de pano modernas já está sendo feito, e falo sobre isso muito em breve. Ou seja, chá de fraldas é dispensável aqui).
Ufa, acho que é isso. Eu conheço muitas, muitas pessoas que fazem uso desses itens, que acham indispensáveis, ou que não sabem que existem outras formas de agir, de tanto que essas ideias já estão impregnadas no nosso subconsciente. E tudo bem, é a vida delas. Mas aqui, na nossa vida, por escolha minha (e do marido), não teremos. Se eu tivesse mais pessoas que compartilhassem da mesma opinião que eu (oi, amigas virtuais, quero todas vocês do lado de cá!) ao meu redor, com certeza poderia fazer um chá de bençãos, ou um chá da mãe hippie (hahaha acabei de inventar essa!). Mas eu não posso introduzir essas ideias assim do nada na cabeça alheia, pedir que todos achem legal e fim de papo. Estou aberta para conversar e trocar experiências sempre, mas pedir que todos dancem no meu ritmo, quando claramente ninguém ainda nem ouviu a música, não é pra mim. 
arquivo pessoal
*festa essencialmente feita para ganhar presentes, apesar de muita gente fazer para reunir os queridos e comemorar a chegada do bebê, eu sei. Aliás, quem sabe eu não faça um lanche qualquer, sem nome nem nada, só pra juntar os amigos mesmo? 
ps: se as colegas de marido ainda quiserem fazer o tal chá pra mim no mês de maio, terei que dizer sim que não precisam comprar certas coisas.
ps2: caso alguém não saiba das minhas intenções e me presenteie com um dos itens que não acho essenciais (principalmente mamadeira ou fralda descartável) não vou fazer cara feia nem dar sermão em ninguém. Mas me reservo o direito de colocar no fundo da gaveta ou, se perceber que não vou mesmo usar, doar a quem precisa. 

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Sobre a expectativa que eu não tenho

Eu não nutro expectativas em relação ao bebê que cresce aqui na minha barriga.
Existe amor, certa ansiedade para conhecê-lo aqui fora na hora certa – que só ele mesmo pra saber, algum medo do desconhecido e também alguma curiosidade. Nestas semanas em que estamos juntos, já estabelecemos alguma conexão, que vem se fortalecendo pouco a pouco, no nosso próprio ritmo nesse momento. E acho que isso só tende a crescer. Essa conexão eu nutro com muita alegria e com muito cuidado, faço questão. Mas expectativa sobre algum comportamento qualquer, não tenho.
Sei que essa é uma afirmação curiosa, ainda mais vinda de uma gestante, mas é a verdade mesmo.

Segundo o dicionário, a palavra expectativa significa: 
1 Situação de quem espera uma probabilidade ou uma realização em tempo anunciado ou conhecido2 Esperança, baseada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.”

Ou seja, só pela descrição já podemos concluir que não é um bom negócio criar expectativas em relação a um bebê. Nem a ninguém, convenhamos. E não dá certo por um motivo que muitas vezes nos esquecemos: criando expectativas, estarei levando em conta apenas o meu desejo. E tudo que eu não quero é anular ou reprimir os desejos, as preferências e as necessidades do meu filho. Não podemos nos esquecer de que é uma relação que estará se estabelecendo – e toda relação é via de mão dupla. É uma troca.

Não tem como eu determinar, hoje e  desde já, qual ritual de sono seguirei, ou quantos minutos meu bebê poderá mamar, ou criar fantasias de como espero que ele reaja diante de tanta novidade que acontecerá em sua vida – em qualquer estágio dela. E não tem jeito por uma razão até simples: eu ainda não sei quem será esta pessoa que cresce aqui dentro. Não sei se será brava, como eu fui, ou bem calmo, como o pai. Provavelmente uma mistura de nós dois e com outras muitas características únicas, novinhas em folha, prontas para serem usadas e descobertas. Se chorará com facilidade, ou se terá o riso solto sempre. Muito menos como lidará ou interpretará o que a vida lhe oferecer. Como criar expectativas assim?

Não sei, mas na minha opinião, se preocupar muito com “prazos e metas” deve ser muito desgastante, tanto pra mãe, quanto pra criança. Pensar que o filho tem que dormir a noite toda aos 3 meses, chorar só de fome ou frio, comer toda a comida do prato, andar até um ano, ler aos 4 anos, não fazer birra em público, nem gritar, estudar na melhor escola, falar 8 línguas, passar no vestibular. É muita pressão para uma pessoa de meio metro de altura (e pra qualquer outra também). Isso é criar expectativas que serão, em sua maioria, frustradas, essa é a verdade. Porque a expectativa geralmente é idealizada. E não vivemos nesse mundo, não é mesmo? Além do mais, partindo da ideia de que não existe um certo e um errado absolutos – e sim as necessidades de cada família e suas histórias de vida- não tem muita lógica se prender a isso, que, vamos combinar, vem muito mais de fora, da observação da grama do vizinho, do que das particularidades de cada criança.

Partindo desse pressuposto, também não dá para criar expectativas sobre como eu reagirei frente a tanta mudança. Ser mãe é o meu maior projeto, quero isso desde muito tempo, e estou simplesmente adorando que eu já esteja na fase de execução, mas não tenho a ilusão de que saberei lidar com tudo o tempo todo. Isso é quase impossível, eu diria. O que faço (há bastante tempo, aliás) é ler, me informar, me inteirar sobre esse fantástico mundo que me será apresentado daqui uns meses. Leio mil coisas por dia, a fim de estar um pouco mais segura e mais consciente das minhas escolhas, até porque, sei que virão “pitacos” de todos os cantos. Teorias e experiências de outras mães foram e estão sendo minhas maiores fontes de pesquisa e referência até agora. Mas daqui a pouco isso vai mudar e vai ser a minha vez de entrar em campo. Porque por mais que eu tenha experiência prática em algumas coisas, como trocar fralda, dar banho, colocar roupinha, dar comida, por pra dormir, o exercício da maternidade é diferente. Diferente de quando é com um sobrinho ou um vizinho. Eu simplesmente amo esse mundo e escolhi me dedicar a ele integralmente quando acontecesse comigo (pelo menos até quando eu sentir que é a hora de mudar). Só que isso não significa que eu não terei dificuldades pelo caminho. Não tenho essa fantasia.

Na verdade, estou mais interessada em conhecer essa pessoinha que eu já amo tanto. Saber de suas preferências, de seus desgostos. Se vai gostar de dormir com o bracinho pra cima, ou espalhado na cama. Se vai ter cócegas. Se vai se irritar com pessoas desconhecidas, ou mostrará o sorriso banguela até pra quem passar de cara fechada na rua. Se vai chorar num cantinho, ou ir logo dizer na cara de quem seja que não gostou do que ouviu ou viveu.
Eu fico pensando na beleza que é descobrir o mundo, ter a capacidade de se encantar com todas as coisas que, para nós adultos, já passam batidas. Quero estar perto quando isso acontecer. Penso como deve ser difícil ter que se comunicar só com o choro, não entender a maioria das coisas que as pessoas te dizem, mas mesmo assim sorrir pra elas. Quero estar disponível para ajudá-lo a lidar com as coisas que nos irritam, ajudar a entender que tem coisa que é difícil mesmo, mas com o apoio e um cafuné de quem amamos, as coisas costumam ficar um pouquinho mais leves. E sempre pode existir um lado positivo, mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.

Por fim, penso o quão sortuda e abençoada eu sou, por ter a oportunidade de ver todo esse mundo novo bem debaixo do meu teto, daqui uns meses. Do equilíbrio para sentar, aos desengonçados e animados primeiros passos. Os meus e os dele. Nós vamos aprender juntos, dia após dia. 
O prazer da descoberta, como uma relação, será uma via de mão dupla.

Imagem daqui

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A beleza do corpo feminino

Eu estava mesmo querendo falar sobre isso aqui, mas acabava deixando pra depois, ou esquecendo. Aí li esse texto lá no Vila Mamífera e simplesmente adorei. Então vai ser agora.

Esse assunto sempre chama a minha atenção. Corpo feminino. Beleza real x capas de revista photoshopadas – e a busca incessante de algumas mulheres por medidas e resultados que, ou chegam as custas de muito “sofrimento”, ou nunca chegarão. E o que chama a minha atenção é justamente isso: por que não gostamos do nosso corpo como ele é? Por que é tão difícil romper a barreira do que é dito ideal e nos orgulharmos com o que vemos no espelho? A resposta é complexa, eu sei, não estou banalizando a coisa toda. Sei que, se por um lado algumas mulheres realmente só fazem certas coisas para serem (ou tentarem ser) as mais magras da turma, por outro, outras tantas tem suas próprias questões na cabeça e lutam para não sucumbirem diante de tanta demanda. A sociedade ainda é muito machista, ainda temos revistas e sites divulgando fotos, aos quatro cantos, que beleza é corpo magro, mas nem tanto, tem que ter curvas, sem celulite, sem estria, em cima de um salto 15, com a depilação em dias e o cabelo todo trabalhado no esticamento. Mulher acima do peso é desleixada; deixar a unha por fazer, então, nem se fala. (nota da autora: não estou falando de saúde, que isso não se discute; estou falando sobre gente achar que só é bonita quem é ‘quinem’ a moça da revista).

O que eu tenho a dizer sobre isso: não tenho um pingo de paciência! 
Deve existir, em algum lugar, mulheres que realmente são assim “de nascença”, que se sentem ótimas sendo quem são. Mas não é a esmagadora maioria. Ou seja: pra mim, isso não é padrão de porra coisa nenhuma.

“O que é, afinal, um corpo bonito? Quem define o belo? Quem traça a linha entre a beleza e a feiúra?

Beleza verdadeira é beleza de gente de verdade. Gente que chora, ri, tropeça, se machuca e se recompõe. Gente que vê passar os dias, que luta, que se delicia. Gente que ama, que goza, que cresce e amadurece, que se olha no espelho e gosta de perceber em si cada marca deixada por tudo aquilo que se viveu.”

É isso que nos diz Renata Penna, no texto que linkei acima. E sim, eu concordo com ela.

Falando de mim, agora.
Até onde eu me lembro, sempre gostei do meu corpo. Sempre fui magra, apesar de hoje não ser mais tanto, rs. Mas não, não estou querendo dizer que só me gosto por ser magra. Estou dizendo que sempre fui mais ou menos do mesmo jeito, apesar de comer um monte de besteiras e ser meio sedentária . É genética, eu acho. Quer dizer, antes eu era muito magra e só comia besteiras e era sedentária. Hoje eu tenho um corpo com mais curvas, me alimento bem melhor e faço algum exercício, ainda sem muita regularidade. Não é uma relação direta, aqui nesse meu caso, e só tô explicando pra ficar tudo esclarecido entre nós. Quase fui modelo, mas não segui carreira porque não tinha saco pra essa coisa de emagrecer pra viver, rs. Segui anônima, sem dinheiro, mas do meu jeito. Fui crescendo e meu corpo foi mudando. Em algum momento, há uns 4 anos atrás, mais ou menos, eu dei uma engordadinha básica – e acredito que era inchaço, causado por um anticoncepcional que eu tomava, porque foi só trocar que emagreci. O fato é que eu já não tenho o corpo de antes, o metabolismo vai mudando mesmo, mas eu o adoro assim como é. O que não quer dizer que eu não enxergue defeitos. Tenho um monte de celulites (na minha visão são milhões delas, por todos os lados, e é sempre com isso que fico encucada quando vou a praia, haha), algumas estrias e tem dias que me acho péssima. Todo mundo tem seus dias ruins, não é? Apesar disso, me sinto muito confortável dentro do meu corpo.

Tanto que já até registrei.
Ano passado eu voei até a Cidade Maravilhosa para participar do projeto do fotógrafo Jorge Bispo, o Apartamento 302. Ele fotografou mais de 100 mulheres anônimas, reais, do jeito que são, sem nenhum photoshop, nuas. Foi uma das melhores experiências que eu já tive, se querem saber. E é uma maravilha ver todas as fotos. Mulheres de todos os tipos, de todas as cores, de todos os tamanhos. Todas belas. Todas possíveis (e sim, estamos em processo de edição e o livro desse projeto chega no mês que vem!).

Assim como este projeto que participei, existem alguns que são dedicados às mães. Porque o nosso corpo muda muito depois de gerar outra pessoa, e algumas vezes é difícil aceitarmos que nada será como antes, inclusive o nosso corpo.
Mesmo tendo gestado por apenas 4 meses, senti na pele que uma gravidez nos transforma. No meu caso, não ficou impresso do lado de fora, aos olhos alheios, o tanto de coisa que mudou – mas de certo ficou impresso lá dentro. O fato é que eu me sinto diferente, como se estivesse maior. Não sei explicar muito bem. Fico pensando como é depois dos 9 meses. Com certeza vou querer participar de um projeto para mães também.
Entendo que para algumas é difícil ver beleza, assim de imediato. Porque volta naquilo que eu disse lá em cima: não é isso que vemos por aí, né?

O que eu quero saber, de verdade, é: por que buscamos, lá fora, um olhar que deveria vir de dentro? Por que não fazemos as pazes com a nossa autoestima e não valorizamos o que nos faz bem?

Acho que me sinto “maior” porque tenho mais histórias vividas. Eu me surpreendi muito positivamente com o poder do meu corpo e da natureza depois de tudo que passei. Não tem como eu não me gostar ainda mais depois disso – mesmo que, a princípio, venha um certo estranhamento.
E também faz parte do autoconhecimento. Eu sei de cada detalhe do meu corpo. Das marcas que carrego e do espaço que ainda há para novas histórias. Não quero me envergonhar de quem sou, ou desejar ser outra pessoa.

O bonito é o que nos diferencia, é o que temos de particular. Que graça tem parecer uma Barbie, de plastico, sem opções? Ruim seria se ainda tivéssemos a mesma cara desde os 13 anos, mas com a maturidade, o pensamento e o conhecimento que temos hoje. Já pensou nisso? Mudam os caminhos, as oportunidades, as ideias. Mudamos por dentro. Por que permanecer igual por fora?
Acho que eu se eu fosse fotógrafa, com certeza iria voltar o meu olhar para as mulheres, todas elas, jovens, velhas, solteiras, mães. Todas.
Por experiência própria, é muito gostoso se deixar fotografar de forma natural – com ou sem roupa, não estamos nesse tema ainda, rs. Gosto de ter esse ponto de vista sobre mim mesma, é muito bom. Quem sabe alguma hora dessas as coisas não mudam pra mim e eu me arrisque, não é? Não faço ideia. Mas enquanto isso, te faço o convite: permita-se amar você inteira. Por dentro e por fora. Se puder, registre. Busque aí dentro o que faz seus olhos brilharem. E depois me conta o que achou.

Eu, no Apartamento 302. Arquivo pessoal.

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‘Complete a frase’

Oi, gente! Quanto carinho recebi no post passado, agradeço de coração mesmo! Pra mim é um assunto bem sério – e ainda pretendo escrever sobre isso, no momento mais oportuno – foi muito bom saber que não estou sozinha nesse mundão de meu Deus. Obrigada mesmo!

Então que a Morgana, aquela linda, me indicou pra participar de uma Tag. Nunca participei dessas coisas, e confesso que nem todas me atraem (#sousincera hahaha), mas a Morgana é sempre uma fofa e essa eu gostei mesmo, achei interessante as perguntas e tal. Enfim, vou responder \o/

As regras são:
– Colocar o link do blog que criou a tag: Segredos da Luma
– Colocar o link de quem indicou você: Dois corações cariocas (mais um!)

e tem a regra para indicar 6 blogs e avisar a cada um deles, mas não vou indicar ninguém, porque sou rebelde, hahaha.

Então vamos lá:

1 – O mundo seria mais feliz se essa crença de que o status, o consumo, o dinheiro são mais importantes do que o ser. Podemos ver hoje em diversos lugares: pessoas gastando todo seu tempo, reclamando a maior parte dele, para ter coisas (e as vezes achando que também podem ter pessoas). Quando, na verdade, precisamos de muito pouco material para viver. A felicidade é algo que vem de dentro de nós e se reflete no meio, não o contrário.

2 – Uma amizade verdadeira é realmente importante quando: existe confiança. Confiança para contar aquele segredo de infância. Pra dividir uma dor. Pra compartilhar aquela alegria repentina, as surpresas boas da vida e até o tédio. Confiança para se entregar mesmo, poder viver sem se preocupar em ter que se explicar para alguém.

3 – Paciência e tolerância são para mim: fundamentais. Eu costumava dizer que “a paciência é uma dádiva… que eu não tenho”. Mas hoje eu sou muito mais calma do que antes, tanto comigo quanto com os outros – o que não significa que eu não me estresse algumas vezes, dependendo do quanto a pessoa me irritar, rs. Tolerância é essencial, principalmente com as ideias opostas às nossas – é preciso entender que existem tantas visões no mundo quanto pessoas, ou seja, muitas (muuuitas!) serão diferentes da nossa, mas caberá direitinho na vida do outro – e sim, há espaço suficiente para todas elas abaixo do céu.

4 – Algo que me irrita profundamente: gente que projeta no outro a própria verdade e as próprias expectativas. Querer que o outro – o filho, o marido, a amiga, a moça da novela – tome as mesmas atitudes que você supostamente tomaria, e soltar faíscas de raiva e praguejar por todos os lados quando isso não acontece. Sim, isso me irrita profundamente.

5 – Acho que pessoas mais humildes são iguais a todas as outras, com os mesmos direitos e deveres, ninguém é menos ou mais do que o outro – mas essa é minha visão de mundo, sei que na prática as coisas são bem diferentes.

6 – Uma qualidade indispensável nas pessoas: respeito. Cada pessoa é um mundo diferente – e dentro dele cabem todas as qualidades e defeitos que lhe apetecerem. Até os conceitos de qualidade e defeito podem variar de pessoa pra pessoa. Mas a partir do momento em que se tem respeito – a si, ao próximo e ao desconhecido –  as coisas ficam realmente mais fáceis de lidar.

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BC: O que tem sido a melhor coisa da sua gravidez até agora?

{ A Lalah teve uma ideia danada de boa: que todas as gestantes amigas se unissem numa blogagem coletiva, para compartilharmos as dores e delícias dessa fase linda da nossa vida. É toda quarta, cada semana uma escolha um tema e assim vamos indo. Hoje é o primeiro dia e o tema é: o que tem sido a melhor coisa da sua gravidez até agora? }

Então vamos lá!
Primeiramente, queria dizer que eu não sou a pessoa mais eficiente para eleger alguma coisa como “melhor” na minha vida, sempre acho que tem mais de um: melhor filme, melhor banda, melhor livro… sempre me perco em tantas opções que tocaram a minha vida em determinado momento.
Fiquei pensando bastante sobre esse tema, relembrando coisas e tentando elencar algum fato. Foi um bom exercício.

Apesar de não ter chegado nem na metade do caminho ainda, muita coisa boa vem acontecendo por causa da gravidez. Entre elas: estou dando mais atenção à minha alimentação; as pessoas à minha volta, em geral, estão bem animadas com a chegada do bebê – os papos são sempre animados; estou exercitando a minha calma mais do que nunca, e ela tem vindo de um jeito bem natural; exercitando também o meu corpo – e isso veio bem antes do positivo, mas pensando totalmente nele; estou me sentindo ótima com o meu corpo; a minha libido subiu ainda mais; não tive nenhum tipo de enjoo…

Ai, é tanta coisa! Eu estou amando estar grávida! Eu quis isso a vida todinha, sem exagero. Estar nessa condição agora está sendo muito bom, percebendo cada mudança, com consciência do que se altera, sentindo cada novidade… me sinto privilegiada.

Mas duas coisas têm um lugar de destaque pra mim.
A minha conexão comigo mesma, com o Cleber e com o bebê. Eu podia usar a palavra sintonia (que eu adoro), ligação, sexto sentido, ou instinto. Pra falar bem a verdade, a palavra que eu uso mesmo e que se encaixa na minha vida é: sentir! É uma palavra que faz parte do meu vocabulário de sensações particulares. O fato é que isso está mais apurado agora, na minha visão. Eu ando sentindo muita coisa, e estou simplesmente adorando desvendar tudo que elas querem me dizer. É meio que assim: silenciar a mente e ouvir o coração – e ouvir o outro. Isso engloba uma série de assuntos meus, tanto fisicamente – sobre ouvir meu corpo e suas demandas -, quanto mentalmente. Mas tem sido fundamental também no fortalecimento do meu vínculo com o bebê e na sintonia com marido, ainda mais em assuntos relacionados à gravidez. Um elo maior e mais forte entre nós três: mais do nunca, somos uma família.

Outra coisa linda é essa rede que se chama blogosfera materna. Sério, gente, tudo isso aqui é super importante na minha vida hoje. Eu fiquei muito tempo frequentando esse lugar como anônima, sem deixar rastros por onde passava. Aprendi muita coisa, chorei, gargalhei, “conheci” muita gente. Mas, depois que virei tentante e criei esse meu puxadinho aqui, tudo ficou ainda mais legal! A troca que acontece é muito rica, e é engraçado esse carinho e bem-querer que tenho por tanta gente que, de outra forma, não sei se teria entrado na minha vida. Foi aqui na blogosfera que encontrei mais embasamento para os meus princípios, onde vi que eu não estou sozinha. Foi aqui que eu soube que era, sim, possível parir do jeito que eu sempre quis (quando eu ainda nem sonhava com humanização do parto, mas já desejava). E foi através dessa rede que cheguei até a segunda coisa que tem sido uma das melhores da minha gravidez:
meu pré-natal humanizado! Ser acolhida e abraçada pelos profissionais que escolhi para estarem comigo nesse caminho realmente não tem preço. Poder conversar numa consulta, sem pressa, olhando nos olhos da médica e sentir empatia, é incrível. Escolher ter uma doula que me acompanhe, com carinho e dedicação, me faz muito feliz. E tenho certeza que toda essa segurança que sinto com eles – e lutar tanto para tê-los comigo – me faz mais segura ainda pra viver a gestação de forma mais plena. E com certeza me ajuda na minha sintonia com o que realmente importa nisso tudo: Bolota, marido e eu.

Mas se é pra elencar apenas uma coisa, vou unir um pouquinho essas duas aí de cima e falar: estou amando muito todo esse Empoderamento que a gravidez está me trazendo. Com o instinto mais aflorado, indo em busca de informações válidas e sólidas, construindo um vínculo com meu bebê, aumentando a sintonia com o meu marido. Buscando soluções para ter comigo a equipe que eu desejo. Ouvindo mais o que vem dentro. Acreditando ainda mais no meu corpo, em mim. Isso tudo tem me dado mais força para sustentar minhas convicções quando a maioria é contrária a ela – o que não era muito fácil pra mim há anos atrás.
Fora toda essa coisa mágica de gerar uma pessoa inteirinha bem aqui na minha barriga. Isso traz um poder difícil de explicar – mas eu sei que vocês entendem! Estou mais segura, e me refiro também a vida fora da maternidade. Se antes eu me preocupava com o que não me acrescentava, hoje eu sei discernir melhor o que me rodeia (e os que me rodeiam, principalmente).

É a melhor coisa, pois ninguém pode tirar de mim, haja o que houver.

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A ficha que caiu, gente que não entende e a solução para evitar a fadiga

Semana passada, depois de uma conversa casual com uma pessoa bem próxima a mim, percebi uma coisa: eu sou a única pessoa que eu conheço, dentro de um perímetro curto de espaço, ou seja, na roda mais chegada mesmo, que tem certos princípios e opiniões dentro do mundo materno. 99.9% das outras pessoas se não pensam exatamente o contrário, estão bem perto disso, e eu sempre me senti meio isolada. Eu ia falar 100%, mas achei meio radical. E também não são todas que me enchem a paciência com discursos tortos, então relevei isso (marido não incluso na porcentagem, óbvio).
A única pessoa que eu conheço na minha vida fora do blog, quero dizer. Na verdade, o caminho contrário é exatamente inverso: aqui, com vocês, eu encontro uma identificação absurda. São muito mais pessoas que dividem os mesmos princípios que os meus, do que o contrário. Bem mais mesmo. E no começo, quando eu ainda não tinha meu próprio espaço aqui na blogosfera, cheguei até a me “assustar” com isso. Do tipo: jura que eu não estou errada em pensar X, ao invés de Y? Uma sensação de alívio e pertencimento, juntos.

Não que eu quisesse um reconhecimento, ou uma salva de palmas pelas minhas ideias. 
Mas eu preciso confessar uma coisa: já cheguei a pensar que, pelo menos de vez em quando, as minhas ideias seriam encaradas – quando eu deixo algo no ar, como quem não quer nada – como escolhas pessoais, apenas. E quem sabe daí poderia surgir uma conversa, uma curiosidade boa. Uma troca. Pelo menos por enquanto, não é bem isso que eu encontro. E depois que a ficha caiu, agora eu seguro a minha língua perto de algumas pessoas. Depois da conversa que mencionei no início do texto, percebi que não vale a pena. E veja só, eu nem estou dizendo que eu sou a chata que só fala de maternidade, não. Algumas vezes, o assunto nem é diretamente comigo, aliás, mas se eu solto uma micro opinião, ou se apenas pergunto a visão da pessoa sobre determinado assunto, a coisa fica feia demais. Tem também a versão “não levem o que ela fala a sério, deixa o bebê nascer que a gente conversa”. 
Às vezes, eu fico tão empolgada com as coisas que aprendo, que quero sair falando pra todo mundo, feito criança quando aprende alguma coisa nova na escola. Mas, em geral, eu recebo umas respostas tão broxantes que já cheguei a ficar mal mesmo, arrependida de ter começado a falar.

Eu não acho que todas as pessoas devam dançar conforme a mesma música (eu, por exemplo, não me imagino sendo uma exímia dançarina de tango; e é melhor eu nem tentar mesmo, porque né…). Já até falei disso lá na pracinhaEnfim. Gosto de deixar isso claro porque, quando eu falo das minhas opiniões, é com tanta convicção que isso pode ser confundido com outra coisa. Mas não é mesmo. 
Eu só fico feliz por ter me encontrado. Eu não me sentia confortável dentro dos conceitos do senso comum. Sentia-me incomodada em pensar que teria que agir de determinada maneira, quando o coração já me dizia exatamente o oposto. E, dentro desse incômodo, saí da inércia e fui em busca de informações válidas. De repente, não mais que de repente, descubro que muita coisa que, em mim, é instinto em estado bruto, é respaldado pela ciência. E que muito mais gente aplica isso em suas vidas. E tá todo mundo bem, saudável, feliz! O caminho foi exatamente esse: encontrei fora, tanto na teoria como na prática de muitas famílias, atitudes que eu sentia pulsar dentro de mim há muito tempo. 
A teoria, um abraço de pelúcia e meu pé grande.
E agora estou assim: no meu canto, com minhas leituras e a companhia da blogosfera. E com o meu instinto, que é a única razão que eu sei usar. Conversando com quem está interessado numa troca bacana. Quando Bolota nascer, vamos descobrir o que dá certo e o que não dá para a nossa família recém-nascida. Mas isso não impede que eu já tenha os meus próprios posicionamentos dentro da maternagem. Não tenho pressa e não tenho nada definido. A gente aprende é mesmo na prática.

Mas logo depois daquele papo, me peguei pensando: nossa!, jogo duro esse de ser a diferente. Porque muita gente fala que respeita a decisão do outro, é um discurso realmente lindo. Mas, quando todo mundo à sua volta pensa – e age – mais ou menos da mesma forma, a prática diminui e só ficam as palavras. E puta merda!, como a coisa aumenta quando o assunto é maternidade!

É inevitável pensar: se quando eu deixo solto algum pensamento no ar e tenho que ouvir tanta coisa de volta, como vai ser quando me virem colocar tudo em prática com o meu bebê-bolota? Como vai ser quando perceberem que eu pautarei as minhas atitudes levando em maior conta que aquele pacotinho redondo e macio no meu colo é uma pessoa, veja só que surpresa, e não um boneco? Que eu estarei interessada em cuidar, criar e amar, e não em adestrar ter um centro de treinamento intensivo dentro de casa? Não penso sofrendo, não. Ando meio sem tempo pra isso até.
Chega a ser engraçado tudo isso, tenho procurado rir mais das situações, pra ficar mais leve. Não vou me preocupar com o que não vale a pena. Até porque, questões existentes no outro, não é assunto meu – mesmo que respingue em mim; isso eu já entendi e deixa tudo mais leve.

Pensei (eu só penso, o tempo todo, em tudo, haha) em todas as indiretas – e as diretas ainda mais – que vão chegar (serão tentativas frustradas, já aviso, porque se eu já sou osso duro de roer, vocês ainda não conhecem o pai dessa criança). Sobretudo, pensei que eu não quero perder o meu precioso tempo gastando saliva à toa. Tenho muita preguiça disso. Meu foco estará em outro lugar, se é que me entendem. 
Mas como eu sou uma pessoa que gosta de ajudar os outros, matutei bem e cheguei numa conclusão genial (cof, cof). Vou compartilhar com vocês, é o seguinte: aos desavisados que não sabem dos meus posicionamentos e vierem proferir alguma asneira coisa infundada, ao invés de ficar brava, darei como presente um incrível, original, incomparável… Tamagotchi!!!
Google Imagens
Com uma mensagem carinhosa, numa letra bem bonita: “Cuide do seu bichinho virtual, que eu cuido do meu filho. Um beijo, mamãe”. 
Marido até disse que a pessoa vai poder escolher a cor! Somos muito legais mesmo, podem dizer.
Assim, evito maiores frustrações e ainda ajudo a diminuir a ansiedade da pessoa em tomar alguma atitude. (ou resolvo o problema de falta do que fazer, que só isso justifica (só que não) intromissão na vida alheia). Quer exercer as suas vontades em cima de outro ser? Que seja num virtual, então.

E com vocês, como é: tem gente linda, elegante e sincera que compartilha pensamentos, dores e delícias na vida fora dos blogs? Ou querem ir comigo comprar o estoque de tamagotchi? Tô querendo mesmo desvirtualizar vocês :))

Tem que rir, que a vida é curta e passa rápido!

ps: Oi, meu nome é Marina e preciso confessar: eu não sei escrever pouco. Era só pra falar da minha ideia de lembrancinha, mas eu sou uma matraca quando escrevo. Continuem me amando. Obrigado!

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Ajudando a parir a mudança que quero ver no mundo

Acabei de fazer minha contribuição para que o filme O Renascimento do Parto chegue logo às telas de cinema. Não foi um valor muito alto, e na verdade até pensei em não doar, porque as coisas aqui estão um tanto quanto apertadas. Mas o motivo é maior. Eu acredito no alcance que esse filme terá na vida das pessoas. Eu quero que cada vez mais e mais gente perceba que os valores foram invertidos no nosso país e que as consequências desse ato podem ser bem piores do que supõe a nossa vã filosofia. De pouco em pouco nós já alcançamos muita gente. E vamos alcançar cada vez mais, eu tenho certeza disso. Por isso eu doei.

Estou bem sensível essa semana, meu sinal clássico de tpm. E tenho pensado muito sobre o nascimento do meu futuro baby. A realidade é que eu não sei se terei toda a condição financeira para pagar a equipe que eu já chamo de minha. Claro também que já tenho uma segunda opção igualmente humanizada e mais acessível para o caso de eu precisar, que é a Casa de Parto. Mas sabe quando bate um medinho?
Vou ser especialmente sincera com vocês: não existe, hoje, algo que eu queira mais do que ter o meu filho. E não quero adiar ainda mais a sua chegada por conta da minha pobreza  angústia em ter em mãos, antes de qualquer coisa, toda a quantia necessária  para que as coisas saiam da forma como eu gostaria que saísse. Ele é quem sabe a melhor hora de vir, mas eu já o espero e quero muito.
Não, eu não estou depositando “toda a minha felicidade” no ombros ainda inexistentes dele. Eu sou muito feliz agora. Sou muito feliz com o meu marido (eu diria muito feliz, nesse caso, rs), e sou bem feliz comigo mesma. Nunca consegui esperar tal ou qual acontecimento para viver a felicidade. Esse é um sentimento que me acompanha no caminho, e não na chegada. Dizendo em outras palavras, eu me sinto bem na minha própria pele; sofro um bocado, choooro pra caramba, mas sou feliz. E também não acho que “só falta o bebê para minha família ficar completa”. Meu marido e eu não completamos um ao outro, nós somamos. Somos duas pessoas inteiras que fazem a escolha diária de viver juntas, uma parceria-amor que só nos faz bem. Então não é com o nosso filho que vamos pensar em “complemento”. Ele vem somar ainda mais às nossas vidas. Mas eu o espero muito. Nós o esperamos muito, isso é um fato. Eu já tenho sentimentos e vontades dentro de mim que sei que são destinados à ele (para eles, porque queremos mais de um filho, rs). Essa é a parte difícil, porque por vezes esses sentimentos se afloram de uma tal forma e eu não tenho algo externo para canalizá-los. Não sei o que fazer com tudo isso ainda, então eu apenas os sinto aqui dentro e os guardo de novo, ou escrevo para amenizar essa espécie de saudade do que ainda não veio.
Eu não consigo explicar de uma forma sólida, desculpem, mas eu sinto de uma forma muito forte que ele (só para ilustrar, gente, não faço a mínima ideia de se é menino ou menina, rs) está perto. Pode ser que não esteja perto de vir morar na minha barriga, isso eu não tenho como saber com certeza, mas tomara que seja logo. Eu o sinto perto de nós mesmo, quase como uma presença. Mas também não é que eu ache que ele está aqui no meio de nós, por exemplo, como uma alma visitante ou perdida. Também não é isso. Mas eu o sinto. É um tipo de pressentimento que de vai acontecer. E eu digo que ele pode vir quando quiser, estamos nos preparando constantemente para a sua chegada e faremos de tudo para que sua vida aqui conosco seja a mais linda e respeitosa possível, cheia de amor e de carinho.
E então eu penso no parto. Que é sua primeira transição nessa vida, e eu acredito completamente que essa passagem deva acontecer da maneira mais natural possível, dentro do tempo que a natureza entender como certo e suficiente. Amor nós garantimos que não irá faltar. Mas a dúvida iminente que insiste em se instalar na minha cabeça, sobre condição financeira suficiente para proporcionar o melhor na hora de seu nascimento, me dá um certo medo, confesso. Porque depois nós podemos arrumar nossas malas e ir morar na roça, se for o caso, desde que estejamos juntos e felizes. Mas eu não aceito nada menos que o melhor para todos nós durante todas as horas em que estivermos nos preparando e para o parto propriamente dito.

Para isso eu luto e estudo e converso com a minha família há bem mais de um ano. E se eu puder, vou falar para quem mais quiser ouvir também. Porque, sinceramente, eu não aguento mais ouvir que sorinho é natural, que cesárea é normal. Natural é o que for mais confortável para o bem-estar da mulher e do bebê, quando vão entender isso? Se ela quiser analgesia, que assim seja, esse é um direito adquirido e deve ser respeitado. Mas que seja também respeitado o direito de parir em casa, por exemplo, se assim for o desejo dela. Eu não aguento mais esse descaso com o recém-nascido e com a mulher, e também com o homem.
É preciso mais amor, mais empatia, mais alma.

E é também por isso que eu doei para que o filme chegue logo. Precisamos conscientizar as pessoas, precisamos de políticas públicas que atendam toda a demanda de nascimentos no país da forma como tem que ser: com a mulher como protagonista. Precisamos de pessoas, e não de números. Precisamos de ocitocina natural, e não sintética. É preciso renascer. E eu quero ajudar parir essa mudança.

Adoro Arnaldo Antunes, e ainda mais essa música dele, que já é a minha música do parto. 

(acabou virando um baita texto, mas eu não planejei, apenas abri a página e fui escrevendo conforme fui sentindo. Então não sei se está na melhor ordem, ou totalmente coerente, mas é o que eu precisava exteriorizar nesse momento).

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Mais empatia com os pequenos

Uma verdade sobre mim: eu fui apaixonada pela minha infância.

Nasci aqui em São Paulo, mas com apenas 3 meses minha família se mudou pruma cidade lá do norte de Minas. Fui criada livre, brincando na rua, descalça, ralando o joelho, andando de bicicleta. Assistia tevê o mínimo do meu tempo, eu era muito ocupada, rs. Além de estudar, eu dançava, pulava corda e amarelinha. Brincava de boneca, montando uma casa inteira pra mim, às vezes. Também tinha meu próprio restaurante, com “bifes” de folha, pedras e cascas de banana no menu; adorava quando minha mãe me dava punhadinhos pequenos de arroz, feijão, macarrão, pó de café e maizena (pra misturar com água e virar leite) e eu podia incrementar a brincadeira. Escolinha também estava na lista, assim como banco (meu pai trabalhava em um, rs) e várias outras infinitas brincadeiras que eu literalmente inventava, sozinha ou acompanhada. Brinquei até hoje os 12 anos, quando algumas meninas já não faziam isso por se autodenominarem “mocinhas”, rs 
Não que eu não tenha sofrido nenhuma dor ou trauma. Mas eu aproveitei muito aqueles anos, e como aproveitei. 
Depois que cresci continuei encantada pelo universo infantil. E, mais ainda, pela mente das crianças. Porque eu me lembro como foi a minha. Porque eu me lembro como eram algumas coisas. E não tinha coisa mais chata do que eu estar sentindo alguma coisa e um adulto achar que eu estava sentindo outra coisa, totalmente diferente. Existia momentos em que eu não sabia transmitir o que me apetecia, tinha dúvidas que não eram respondidas de forma esclarecedora. Confesso que não é pela fala que eu melhor me expresso, por isso também a paixão pela escrita. 
A insistência em tentar entender meus sentimentos e reações frente a alguma situação é uma característica minha, que trago desde essa época. E se eu sinto, pode ser que aconteça com mais alguém também, né?!
Então, quando eu estou lidando com uma criança, eu me pergunto: eu passei por algo parecido na minha infância? Como eu me senti? O tratamento que recebi me fez bem, ou fiquei com a sensação de que não entenderam nada? Não que todas as pessoas passem pelas mesmas coisas, mas essa prática pode, pelo menos, apontar uma luz para nortear as minhas ações e, assim, eu ajo com mais cuidado, pois diante de mim tem uma pessoinha que pode estar tão perdido quanto eu.

                            
Para ilustrar o post e ficar fofo, uma foto minha com a minha afilhada, há 4 anos atrás. E uma do Cleber, com o nosso sobrinho, há 1 mês atrás.
A verdade é que muitos adultos tem uma espécie de mania de achar que as crianças fazem determinadas coisas apenas para irrita-los, testar sua paciência, ou algo do tipo. Não que isso não ocorra em alguma situação específica da infância, claro. Mas francamente? Achar que todas as vezes o motivo é mais você do que seu filho é um tanto egoísta, eu acho. 
Se até nós, adultos, com uma mente perfeitamente capaz de entender coisas subjetivas e abstratas, muitas vezes sentimos algo que não sabemos explicar, porque exigir isso de uma mente ainda em formação, né?!  Algumas vezes, tudo que precisamos, adultos e crianças, é só de um pouco de empatia.

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