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Relato de parto

Desde o começo da gravidez eu repito sempre uma mesma frase: o tempo da Agnes é muito precioso. Sempre senti isso, em diversos momentos. E sempre senti que era um tempo diferente. Diferente do padrão, diferente do meu tempo. Esse era só dela. E não teve momento mais propício do que o seu nascimento para me mostrar que sim, esse meu sentimento estava certo.
A Janie, minha doula, me disse em um dos nossos encontros que a gente só sabe mesmo quando começou o trabalho de parto depois que ele acaba. Do tipo “ah, aquela dorzinha que eu senti quando estava em tal lugar, já era o início”. Achei engraçado no dia, e depois vi que é desse jeitinho mesmo que acontece.
 
Na madrugada de domingo (dia 13 de julho), por volta de umas 03:00 da manhã, comecei a sentir umas cólicas no pé da barriga e na lombar. O dia anterior tinha sido agitado, de certa forma, marido e eu fizemos caminhada duas vezes no dia, eu estava super bem disposta – na noite de sábado, inclusive, já sentia umas fisgadas fortes e o início de uma dorzinha, mas como tinha me movimentado bastante, atribuí a isso.
Como eu só sentia as cólicas e não a barriga dura como nas contrações, fiquei observando (depois percebi que a barriga ficava dura, sim, mas não doía nada-nada, só em baixo mesmo). Eram leves e não duravam muito, mas percebi que o negócio estava vindo com uma certa regularidade. Era como se viesse uma onda que ia crescendo, chegava num ponto e ia caindo até acabar. Quando eu vi que não estava passando, mandei mensagem pra Janie, pra avisar que tinha algo rolando. Ela falou pra eu tentar descansar ao máximo, porque não sabíamos quanto ia demorar até engatar mesmo e coisa e tal. Ok. Só que quem disse que eu conseguia dormir? Fiquei deitada, mas rolou no máximo uns cochilos só. Só aqui entre a gente: nesse momento me veio a mente que meu outro “parto” tinha começado bem daquele jeito, de madrugada, eu sozinha sentindo dores que eu achava que eram só o início (e naquele caso terminou rápido), tive um medinho, sim, e usei esse tempo acordada para mandá-lo embora. Meus pais foram pra missa (saem 5 e pouco da madrugada pra ir a missa) e eu levantei pra andar um pouco e tomar um banho. A essa altura, eu já tinha acordado o Cleber e contado a novidade. Lembrei que, além de descansar, seria bom eu me alimentar também, e como estava mesmo com fome, liguei pros meus pais passarem na feira e trazer frutas pra fazer vitamina. Em algum momento eu cronometrei as dores – que sim, estavam bem suportáveis, eu nem precisava de uma posição específica para passar por elas, então estava tranquila quanto a isso, só o que me fez contar foi perceber que elas vinham com regularidade – e para minha surpresa, estava numa média geral de 3 ou 4 minutos (não todas, algumas vinham com mais espaço, mas a média foi essa) e durando uns 20 e poucos ou 30 segundos. Ou seja, minha gente, tinha algo acontecendo, sim.
 
Meus pais chegaram empolgadíssimos da rua, já no clima de “a Marina está em trabalho de parto, que legaaal!!!” e isso me deu uma travada. Porque assim, o negócio tava só começando, eu não queria alarde. Na verdade, esse foi um ponto complicado do TP: lidar com a ansiedade e animação deles versus a minha vontade de me isolar, feito bicho mesmo, pra parir minha filha no meio do mato. Não sei o quanto isso empacou o processo como um todo, mas sei que não foi como eu imaginava. Enfim. Falei pra eles que aquilo ainda nem era trabalho de parto, expliquei o que são pródromos, e que eu não queria que ninguém soubesse ainda, pra não causar mais ansiedade fora de hora na família.
 
A Janie resolveu vir aqui ver pessoalmente como eu estava, já que os intervalos estavam curtinhos, mas eu não tinha nenhum outro sinal. Tomei outro banho enquanto ela não chegava. Ela chegou, conversamos um pouco e percebemos que tinha espaçado mais. Ela viu que eram curtas. O negócio é que já era quase hora do almoço e eu ainda não tinha dormido. Precisava descansar, pra ter energia. Depois de um tempo ela foi embora e voltaria quando a coisa andasse; ficamos em contato.
 
Os intervalos entre as contrações continuaram espaçados no restante da tarde, aí sim parecia o começo de tudo. Eu estava meio nervosa porque queria ficar sozinha e não estava rolando. À tarde eu fui pro quarto com o Cleber e conseguimos dormir (tanto que nem vimos o jogo da final da Copa, rs). E comecei a perder um tiquinho de tampão. Até então eu meio que sabia que não tinha dilatação ainda, sei lá, pra mim só começaria de fato quando viesse o tampão (vai entender, rs). Foi bem pouquinho mesmo, mas já vi que a roda estava girando.
 
Na madrugada de segunda foi a mesma coisa da anterior: dores e eu acordada a maior parte do tempo. Quando amanheceu, estavam mais fortes, e perdi mais tampão. Tomei café da manhã em pé, porque sentada incomodava um bocado. Não sei explicar direito, mas pra mim ainda faltava muito até ela chegar (e agora percebo que faltava mesmo, mas não taaanto assim, hehe). As dores vinham sempre iguais, desde o começo, e como já começou com intervalos pequenos, depois é que espaçaram, não sabia ao certo quando considerar trabalho de parto ou não. Até porque eu não estava fazendo “nada”. Só tomava banho e seguia a “ordem” de descansar. Eu estava muito tranquila quanto a dor e tudo mais.
 
Meu pai foi trabalhar e finalmente ficamos sozinhos em casa. Tomei mais um banho (domingo foram 3, rs) e depois pedi pro Cleber fazer uma massagem nas minhas costas – de tanto cair água quente, pelos banhos que tomei, a pele estava sensível, eu queria algo que aliviasse. Sentei na bola de pilates pra ele fazer a massagem (foi a única vez que usei a bola) e ele massageou com o óleo que eu usava na gravidez pra dormir melhor (hahaha, era o único que tinha). Foi uma delícia!! Aí aconteceu o que? Comecei a sentir sono (óbvio, rs). Coloquei um dvd do Arnaldo Antunes (porque eu simplesmente não fiz uma playlist pro parto, apesar de ter começado diversas vezes) e deitei no sofá. Não deu pra dormir muito, porque as contrações ficaram meio diferentes, eu não queria mais conversar como se não tivesse acontecendo nada. Eu estava concentrada. E o mais engraçado é que eu ainda comentei que o óleo tinha me deixado numa vibe muito louca, as coisas estavam diferentes pra mim – eu muito calma e achando tudo muito legal (quase uma bêbada, haha). A Janie ligou e o Cleber falou com ela como eu estava. Pouco tempo depois ela chegou aqui. Decidimos juntos irmos na Casa Angela dar uma avaliada, porque o meu quadro não era “como os outros”: eu tinha contrações desde o dia anterior, intervalos relativamente curtos, mas que não estabilizavam (apesar de terem espaçado bem no domingo a tarde) e eu passava por elas deitada, na minha, e conversava normal (apesar de me sentir nessa outra vibe depois da massagem, ainda não era exatamente a partolândia). Estava tranquilíssima. E foi importante a presença dela aqui nessa hora, nos ajudando nessa decisão de ir logo, me lembrando que cada corpo é um, que cada história é uma, e também me ajudando a pegar as coisas que faltavam na mala, hehe. Ligamos pro meu pai, que chegou aqui rapidinho, e nos levou até lá.
 
Chegando lá, fomos atendidos pela enfermeira Marina (xará! rs), que me examinou. Pressão, pulso e temperatura ok. A altura da barriga estava 34cm mas a Agnes estava super baixa já. Aí ela fez um exame de toque: 5 pra 6 cm de dilatação, colo médio ainda. Já tinha passado da metade. Aí era hora de fazer o cardiotoco. Sério, essa foi uma das partes que eu não gostei. Aquele tum-tum-tum do coraçãozinho dela foi me dando um negócio e eu fui ficando nervosa. Chorei. A Janie e o Cleber foram uns lindos nessa hora, conversando comigo e me acalmado. Sei lá, acho que veio um fantasma da gravidez anterior, querendo ou não foi ali que eu não ouvi o coração e soube que a bolota tinha ido embora, acho que me veio isso, eu tinha medo dos batimentos da Agnes irem caindo até sumir, nossa, não foi legal. Quando eu saí da sala, minha mãe já estava chegando lá (eu disse que eles estavam animados, rs). Devia ser quase 14:00. Meus pais saíram pra comer e comprar lanche pra Janie. Nós ficamos e nos instalamos na sala de parto, comemos um lanche também. Não tinha nenhuma outra parturiente na Casa, só eu, então pude escolher o quarto. Nessa hora foi meio estranho, sei lá, eu não sabia muito bem o que fazer, com tantos aparatos a minha disposição. Vinham algumas dores, me apoiei na banheira, pra ver se seria melhor. Brincamos com a câmera um pouquinho. Na verdade, minha amiga tinha se disponibilizado a fotografar e estava a caminho, mas como eu também tenho câmera, levei também. E saímos pra dar uma caminhada ao redor da Casa e na rua. Eu andava normal e quando vinha a dor eu dava umas respiradas, às vezes parava pra sentir e deixar vir.
 

 

 

 

 

 
Meus pais chegaram e ficamos por ali conversando, uma animação, ele querendo saber se eu ficaria ou iria embora, em que pé estava, etc – e por dentro eu achando aquilo tudo forçado demais. Daí a Marina veio e disse que como eu estava super bem e tudo mais, poderia ir pra casa ou dar uma volta em outro lugar se quisesse; ou não, eu poderia escolher. Nessa hora a Lilian chegou (minha amiga que ia fotografar),mas nem cheguei a falar com ela direito. Como eu já estava ~meio assim~ ali no meio de todo mundo, falei que para decidir eu precisava ficar sozinha. Entrei rápido e fui direto pro quarto. Deitei na cama e… comecei a chorar. Nem sei direito porquê eu estava chorando, mas deixei vir. Acho que uma parte minha “não acreditava” que a hora estava mesmo se aproximando, que eu estava prestes a conhecer a minha filha, que eu tanto desejei e já amava. E aí descobri que sim, no parto vêm mesmo coisas da nossa história que estavam guardadas, da nossa personalidade, tudo é muito forte. E só pra situar quem me lê, vou usar a frase que eu costumo usar em outros momentos: apesar de eu ser leonina, não gosto de ter os holofotes em mim. Ou não desse jeito escancarado, pelo menos. Quando eu era criança, por exemplo, era infinitamente mais tímida do que sou hoje, nunca fui de turma grande ou esportes coletivos, sempre detestei ter alguém olhando o que quer que eu estivesse fazendo, ou me falando o que deveria ser feito. Isso tudo é parte de mim, mas eu cresci e arrumei um jeito de lidar com isso… até aquele momento. Naquela tarde de segunda-feira, eu só queria ficar sozinha, quieta, sem aquela agitação. Eu precisava me concentrar, poxa! Não dava pra ser toda sintonia e intuição com a Agnes com tanta expectativa em cima de mim. Enquanto estivesse sendo daquele jeito, não daria muito certo. Eu me sentia fugindo dos outros, ao invés de estar indo ao encontro de mim mesma. Aí eu vi que aquele parto animado, com músicas, risadas, gente falando o tempo inteiro, como a gente vê em alguns vídeos (lindos e emocionantes, por sinal) não seria o meu. O meu parto real me trouxe um outro olhar. E eu precisava aceitá-lo e acolhe-lo.
 
Pois bem. A Marina veio ver como eu estava. Sentou ao meu lado e me olhou de um jeito muito acolhedor. Eu perguntei se poderia ficar lá, porque precisava de espaço, de tranquilidade. Ela disse que sim, claro que eu podia ficar. Conversamos um pouco e depois combinamos que se ficasse na mesma até a manhã seguinte, veríamos o que seria feito. Adorei ter tido essa minha escolha respeitada. E antes eu achava que “travaria” se chegasse lá antes da hora, tinha planos de ficar em casa atééé o máximo que eu conseguisse e chegar lá parindo, vi que o que planejamos pode simplesmente não acontecer, tudo é uma caixinha de surpresas. A Janie também veio me ver e contei sobre a decisão – vimos que o ímpeto dela de me levar pra Casa Angela foi mesmo de me deixar “sozinha”, visto que quando mais engatou foi quando Cleber e eu ficamos a sós. Ela foi lá fora dizer isso aos meus pais (eu acho) e todo mundo foi embora. Ela ficou lá fora e eu fiquei no quarto com o Cleber, num momento muito nosso.
 
Teve a troca de plantão e a Carina e a Rose que estariam com a gente na madrugada. A Rose teve a ideia de nos mudar de quarto, nos levar pra um que tinha duas camas (uma tipo hospital e outra cama comum mesmo), porque segundo ela “tinha mais cara de hotel e menos de hospital”, haha, disse que nos sentiríamos mais confortáveis, o Cleber poderia dormir também, etc e tal. Foi só então – umas 20:00 – que eu descobri que minha amiga não havia ido embora com meus pais (como eu pensei que tivesse acontecido), estava lá fora conversando com a Janie. Então ela entrou, conversamos e ficamos todos juntos.
Quando estávamos jantando, tomei um pouquinho de chá de canela (só pelos filhos mesmo que eu tomo chá). A Carina veio dizer que poderia demorar ainda a engrenar (tudo isso baseado no meu comportamento, não fui examinada de novo), que podia ficar cansativo pra Janie e pra Lilian e que elas poderiam ir embora se quisessem. Como, teoricamente, eu não estava fazendo nada (nem bola, nem chuveiro, nem nada para auxiliar a aliviar as dores ou engrenar de vez) e a Janie tem uma filhinha que ainda mama, falei que ela poderia ir sem problemas. Ela foi. A Lilian ficou mais um pouco. Foi uma linda de tudo, respeitou meu silêncio e ficou lá, esperando meu tempo. Não rolou fotos nesse momento, eu sei lá o que eu estava esperando, nem lembrei de pedir pra ela fotografar o momento como estava mesmo, eu lá deitada – fui uma gestante em TP preguiçosa, percebem? Só descansei, haha – a gente conversando e tudo mais. Como diria o célebre Chicó “num sei, só sei que foi assim”.
Estava uma noite fria e tínhamos esquecido de levar um cobertor pro Cleber (eles pedem pro acompanhante levar). Como íamos ligar pro meu pai levar isso pra gente (e blusas de frio também), perguntamos se ela queria ir descansar, porque eu estava ficando com pena dela lá sentada sem muito conforto e a gente deitado nas camas, rs. Ela aceitou e assim foi; isso por volta de umas 23:00, se não me engano. A Carina veio e me fez uma massagem ótima no corpo todo. Depois, como sempre, a ordem era tentar dormir – e como sempre, não rolou de forma muito eficiente.
 
Meia noite eu fui ao banheiro e o papel higiênico tinha acabado. O Cleber estava me esperando na porta e falei pra ele ir pedir um. Enquanto eu esperava, percebi que estava pingando. “Ué, mas eu já acabei de fazer xixi, gente, que coisa”. E saquei que poderia ser uma ruptura alta de bolsa. Contei pra ele e fomos falar pras meninas, avaliar se era bolsa mesmo ou não. A Carina veio me examinar, ouviu o coraçãozinho da Agnes pelo sonar, estava ok, depois fez um teste numa fitinha pra ver se era líquido mesmo – e era. Aí ela perguntou se podia fazer um toque, já dizendo que poderia estar na mesma, pra eu não me frustrar e tal. Mas estava com 7 cm, fiquei super feliz em saber isso, nem me toquei que tinha sido uma evolução “lenta”, eu só pensei que estava chegando perto. Ela me disse que como era bolsa rota eu teria mais 18 horas até a pequena nascer, senão teriam que me transferir, e disse tudo que podíamos fazer pra ajudar. Eu preferi esperar mais um pouco pra ver como ia evoluir depois dessa novidade, se nada acontecesse até amanhecer eu tomaria um shake que prometia fazer milagre, rs. Falei pro Cleber dormir, porque precisava dele descansado. Como não queria ficar sozinha, liguei pra Janie e ela chegou em meia hora, foi ótimo tê-la ali comigo. Da 01 da manhã até umas 03:00, as dores começaram a se intensificar. Eu respirava fundo, mandando ar pra pequena, e depois de um tempo já falava uns “aaai” baixinho.

 

 

Fui ao banheiro de novo, já andando meio torta, e quando voltei pro quarto, não deitei mais (era umas 3:30 – eu sei graças ao horário das fotos na câmera, hehe). Me apoiava na parede quando vinha a dor, que já estavam mais longas e intensas. Chamamos a Carina e lembro que a Janie disse pra ela “acho que tem neném querendo chegar”. Depois de auscultar de novo, dessa vez por mais tempo (era pra ter feito outro cardiotoco, mas eu não quis, pra não ficar nervosa), ela sugeriu que eu fosse pro chuveiro, até foi ligar antes pra ficar tudo quentinho. Tava frio demais e eu não queria nem pensar em chuveiro, em ficar lá em pé. Deitei de novo e aí tirei a roupa que eu tava, pra colocar uma camisola da Casa depois. Eu me sentia indo pra outro lugar. O Cleber foi acordando, me lembro de segurar a mão dele nessa hora, do nosso olhar. Acho que minha ficha só caiu aí que sim, ela ia nascer e estava muito perto. Quando vi, estava chorando. Não de tristeza, de emoção mesmo. Me lembro de me sentir bem por não estar sozinha, por estar com eles ali, daquele jeito.
Como eu não quis ir pro chuveiro, tiveram a ideia de irmos pra banheira, no outro quarto. Eu tinha a sensação que se levantasse, a Agnes ia nascer ali mesmo, então relutei um pouquinho em ir. “Tô tão bem aqui mesmo”, eu falava. “Mas a água é ótima, Má, você vai gostar”. Fomos. Aquele corredor nunca foi tão grande, céus!
E quando eu entrei na água… nossa! Que paraíso!!! Aí sim, aquilo que era vida, haha.
 

Não sei certinho o que aconteceu depois que entrei na banheira.
Sei que consegui achar uma posição confortável, a água era realmente muito gostosa e eu me sentia muito bem ali.
Não sei quanto depois, sei que foi pouco, senti o primeiro puxo. Uau, estava acontecendo mesmo!

 

 

Difícil explicar com precisão esses momentos.
Os primeiros puxos vieram e eu não sabia muito bem o que fazer. É uma força diferente de tudo que eu já tinha sentido antes. Só que, na verdade, a única coisa que eu tinha que fazer era deixar vir, não bloquear, não travar meu corpo. Dali pra frente ele agiria sozinho.
Mas ainda demorou umas duas forças ainda pra eu sacar isso de vez. É algo tão intenso e tão involuntário que eu fiquei meio assustada, se é que foi essa a palavra mesmo. Você tá lá, relaxando na banheira, de repente – e eu disse de repente mesmo – sem nenhum aviso prévio, seu corpo assume o comando e simplesmente faz força – é mais rápido do que o seu pensamento. Surreal! Mesmo se você tentasse não poderia parar aquilo. A natureza é muito perfeita mesmo. Lindo!
Não sei quantas contrações demoraram. Sei que, quando apontou a cabecinha (mas ainda não tinha saído totalmente), ela ainda estava dentro da bolsa – e eu vi! Lembrei do sonho que eu tive, em que ela nascia empelicada. Era muita emoção! Mas a bolsa rompeu quando saiu a cabeça. Essa é aquela famosa hora em que eu achei que fosse rachar, haha. Foi o único momento do expulsivo que doeu, porque nos outros momentos não era exatamente uma dor, é a força, uma pressão forte mesmo.
A cabecinha dela saiu e ainda demorou uns minutos até vir outra contração. A Janie gravou o expulsivo e ontem eu assisti de novo e vi: quase 4 minutos. Foi o tempo que a cabecinha dela ficou na água. Vinha uma contração mas parecia que não era suficiente. Eu chamava por ela, conversava, e em certo momento eu falei assim “ela me responde”. Só lembrei disso vendo o vídeo, muito amor!
Ajudei como pude a manter a força quando ela vinha. Acho que chegou a passar pela minha cabeça que eu queria que fosse suave, que eu precisava respirar pra não lacerar, lembrei das minhas conversas com a Maíra, mas naquele momento tudo que meu corpo falava era que eu precisava fazer força. E eu fiz. Toda a tranquilidade do trabalho de parto deu lugar a uma intensidade sem tamanho quando entrei naquela banheira, e parece que só fez crescer; eu gritava. Era a mãe leoa nascendo também. Eu vocalizava, chamava por ela… e no tempo que ela escolheu, senti seu corpinho escorregando pelo meu, e voltando pra mim. O momento mais forte e mais inesquecível da minha vida, sem sombra de dúvidas.
Saiu da água já chorando forte, coloquei deitadinha no meu peito, falei com ela… e ela parou de chorar. Ficamos ali nos namorando por um tempo, o Cleber junto da gente – como esteve o tempo todo, aliás. Um momento único.

 

 

 

 

 

Aí a Carina falou que era bom eu sair da banheira, pra esperar a dequitação da placenta. Meu único receio de parir na banheira sempre foi esse momento: a saída com o bebê no colo, ainda ligado a mim pelo cordão. Mas a ocitocina e o coquetel de hormônios naturais dominam e não tem como passar mal. Elas encostaram a cama lá do ladinho e me ajudaram a levantar e me sentar na cama. Pra ajudar a placenta a sair – e também porque era um desejo e um direito nosso – coloquei a Agnes pra mamar. E parece que ela estava só esperando por isso, porque pegou direitinho e sugou lindamente. Ficamos assim por quase 2 horas, eu acho. Enquanto mamava, recebeu a dose injetável de vitamina K (a única intervenção que teve, não tinha como ser oral). Eu não olhei e ela nem chorou.
E nada de placenta. Quer dizer, ela descolou da parede do útero e ficou parada no canal. Com a Agnes no meu colo (eu não parava de olhar pra ela), não conseguia me concentrar para expulsá-la. Como o cordão já havia parado de pulsar, o Cleber veio cortar, e foi lindo. Aí enquanto a Rose a limpava, media cabecinha, pesava e vestia, me concentrei na dona placenta. Fiquei com um pouco de medo porque doeu. E tive que me lembrar dos exercícios com o epi-no (e com a ajuda do Cleber), e ela finalmente saiu.
Como tinha bastante sangue na água, achamos que tinha lacerado, até porque a Agnes nasceu com uma mãozinha no rosto e outra no ombro. Quando me examinaram, não tinha nada. Quer dizer, tinha um cortezinho muito pequeno (disseram que era como se tivesse soltado uma pelezinha só, igual quando batemos o dedo, sabe como?) que obviamente não precisou de sutura nem me incomodou em nada depois.

Ah, voltando um pouquinho… assim que eu fui pra banheira, a Janie mandou mensagem avisando meus pais que estava chegando a hora – até porque a Lilian estava descansando lá. Minha mãe disse que foi tomar banho e, antes de saírem de casa, chegou outra mensagem dizendo que já tinha nascido. Ou seja, essas fotos aí de cima quem clicou foi a Janie. E foi mesmo muito rápido: 3:30 eu ainda estava no outro quarto, e ela nasceu 4:30! Pelo horário dos registros, foram uns 30 minutos de expulsivo (contando de quando eu senti os puxos). Não imaginei que fosse ser tão rápido.
Eles chegaram e depois que a placenta saiu, a Lilian entrou pra fotografar a Janie fazendo os carimbos com a placenta – ficaram lindos! Aí ela fotografou a Agnes, a gente com a equipe, enfim, o depois. Gostei muito.
Depois de tudo meus pais entraram no quarto, todo emocionados, e ficaram lá babando a neta (e impressionados que eu não tinha levado nenhum ponto, rs.

E sim, meus amigos, o que eu falava estava mesmo certo: o tempo da Agnes é só dela. É tranquilo, mas também é muito intenso. Forte e suave. É precioso. Como a minha menina é.

 

 

E foi isso. Um parto que está reverberando em mim até hoje, me trouxe muitos sentimentos e lições, com certeza vou levar um tempo pra digerir tudo ainda.

Eu gostaria de agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo nesse caminho.
As minhas doulas lindas: Maira e Janie, por todo apoio, informação, ouvidos, palavras, massagens e abraços. Vocês foram muito importantes, obrigada.
A toda equipe da Casa Angela, muitíssimo obrigada pelo acolhimento. Por respeitarem meu plano de parto, meu espaço, meu silêncio, minhas vontades. Todo mundo que faz parte e contribui pra Casa ser o que é, as enfermeiras que me assistiram, as meninas da cozinha (jesus, que comida ótima!), obrigada.
A minha obstetra Catia Chuba, que me incentivou a buscar o empoderamento durante todo o pré-natal, obrigada.
Aos meus pais e a minha família, pela paciência, disposição e todo apoio, obrigada.
A Lilian, que se disponibilizou a fazer o registro do parto e esteve ali o tempo todo, muitíssimo obrigada.
Aos amigos que se fizeram presentes e estiveram comigo durante a gestação, obrigada.
E por último, mas não menos importante, quero agradecer muito ao meu parceiro de vida, Cleber, por ser quem é, por ter se empoderado, estudado e bancado tudo isso comigo, não me deixando sozinha em nenhum momento. Por confiar em mim. Pelas palavras. Pela presença. Pelos abraços. Enfim, é muita coisa. Por tudo. Obrigada.

Ufa, que bom que consegui terminar o relato. Ficou grande, mas tinha de ser assim.
Beijo!

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Sobre o Epi-no

Então que estamos com 32 semanas e 4 dias e começamos ontem a usar o epi-no.

Para quem não conhece, ou tem dúvidas, o Epi-no é um dispositivo para exercícios da musculatura do assoalho pélvico. Indicado para as gestantes com o intuito de fortalecer e aumentar a flexibilidade da musculatura vaginal e do períneo. Também é usado no pós parto. 

“Características e Benefícios:
Epi-No consiste em um balão em silicone, conectado a um medidor de pressão através de um tubo em silicone, com bomba em elastômero termoplástico e válvula de liberação de ar. O medidor de pressão permite o monitoramento do desempenho do treinamento (biofeedback); 
– O Epi-No deve ser utilizado sob indicação de um médico;
– Desenvolvido com o auxílio de ginecologistas, fisioterapeutas e pacientes;
– Através do estiramento e do fortalecimento gradual da musculatura e tecidos, todo o assoalho pélvico se tornará mais forte e elástico. Isso reduz a chance de episiotomia (corte na região entre o ânus e a vagina) durante o parto.* 
– Como o períneo permanecerá ileso, a musculatura e tecidos podem recuperar-se mais facilmente após o parto;
– Auxilia na extensibilidade do períneo no pré-parto;
– Comodidade: a mulher escolhe o melhor horário, local e tipo de exercício a ser realizado, de acordo com sua rotina e disponibilidade;
– Parto menos estressante para a mãe e o bebê;
– Programa de treinamento pós parto.
fonte aqui.
* Retirei essas informações do site do aparelho, mas quero ressaltar que estou usando este dispositivo com o intuito de me preparar e me ajudar a prevenir uma laceração (quando a musculatura do períneo se rompe de forma natural, sem incisões) de qualquer grau, visto que a episiotomia é uma prática usada de rotina pela maioria dos médicos, sem a mínima necessidade – NUNCA é necessário, vale repetir exaustivamente, como diz a Melania Amorim, médica obstetra, professora, PhD (e muito mais, o currículo da mulher é imenso) que há 12 anos não realiza uma única episio sequer. A episio eu nego – e já registrei no meu plano de parto – e os profissionais que me assistirão no parto não a realizam.


Pois então. Começamos ontem a usar o dito cujo.
A minha obstetra disse que geralmente recomenda começar o uso com 34 semanas de gestação (no site do aparelho diz “3 semanas antes do parto”, mas como eu não sei que dia vai ser o parto, não dá pra seguir essa dica, rs). Até me passou o cartão de uma fisioterapeuta que aluga o aparelho e que dá todas as instruções pro uso. Porque sim, só pode ser feito depois de uma boa orientação e “treinamento” com um profissional, já que se trata de um aparelho sério, que você precisa colocar no local exato e usar do jeito exato também, para não se machucar. 
Como eu dizia, a Cátia recomenda começar com 34 semanas. Porém, a minha doula (tenho uma doula pré-parto, provavelmente não será ela que estará comigo no dia, mas essa é outra história) recomenda com 32 semanas. Ela é fera no assunto educação perineal, estuda sempre, está atualizada e super apta a dar esse treinamento. Ela me disse que recomenda o início com essa idade gestacional porque no começo a gente precisa mesmo de um tempo para se adaptar. Cada dia a gente vai adaptando um pouquinho, no tempo de cada um, até chegar num ponto confortável (leia-se: achar posição ideal sua e do marido, que tem que manter o braço firme por um tempo, melhor horário, etc) e aí sim a coisa fluir da forma como tem que ser. Esses ajustes podem durar uma semana, então quando chega 33/34 semanas, o casal já está no ponto de começar pra valer, digamos assim. Com isso, escolhi começar com 32 semanas mesmo e achei ótimo. 
Como o aparelho é caro para ser comprado aqui no Brasil, a maioria das gestantes aluga um. Ou com profissionais, ou com uma gestante/mamãe que tenha optado por comprar o seu e depois passa a alugar para terceiros. Ele é usado com preservativo (não lubrificado, igual aos que os médicos usam pra ultra transvaginal), super higiênico, sem risco de contaminação. Eu aluguei o meu. O da minha doula já estava alugado, mas consegui um com uma moça de um grupo do face.
Como eu mencionei ali em cima, é uma consulta que o marido precisa estar presente. É bem difícil fazer sozinha, até por conta da barriga grande e tudo mais. Vou contar em detalhes como foi a consulta, até para ajudar quem não conhece ou está buscando mais informações sobre isso (eu achei muito pouca coisa quando procurei).
Chegamos lá ontem prontos para aprender juntos mais essa novidade. Eu não criei grandes expectativas, pra não atrapalhar o processo, mas tinha receio de ser super dolorido e bem chato de fazer. Primeiro a gente conversou, demos risadas, relaxamos. Depois de uns bons minutos de papo, ela começou a nos explicar como o aparelho funciona, da massagem que é feita antes, etc e tal. Depois disso, deitei na cama, apoiada numa almofada retangular (que coisa ótima essa almofada, dá um bom suporte mesmo) e ela e o Cleber sentaram num nível mais baixo que a cama (sim, do mesmo jeito de quando você é examinada pelo gineco, rs). Fez a massagem perineal – usamos óleo de gergelim aquecido, que tem ações terapêuticas na musculatura, além, claro, de ajudar na lubrificação – ensinando passo-a-passo pra ele como se fazia, o tempo e tudo mais. Ainda ganhei elogio porque minha musculatura está ótima (dos elogios que a gente nunca achou que fosse receber, e ainda ficar feliz por ele, rs). Depois foi a vez do marido fazer, pra ver se tinha aprendido. Até aí tudo fácil, eu só precisava ficar lá deitada/apoiada e relaxar. A massagem não doeu nada em mim, mas ele disse que “dá uma forçada” nos dedos, rs. Quando acabou, era a hora de colocar o epi-no. Coloca-se o preservativo no “balão azul” e se introduz até um ponto específico (que eu não sei qual é porque não vi, rs). A função do marido é ficar segurando por essa mangueirinha pra ele não sair do lugar e desandar tudo – pois a medida que ele vai inflando, o períneo faz a pressão pra expulsar, por isso eu disse da firmeza no braço. A minha função é ir apertando a bombinha pra ele ir crescendo e crescendo. Eu apertava um pouco, via como era a sensação, daí apertava de novo e assim por diante. E posso falar? É uma sensação mutcho doida. Dá pra sentir a musculatura se abrindo mesmo, bem legal. Tem horas que a gente aperta e parece que chegou no limite, incomoda. Daí ela me lembrava de relaxar, respirar (do jeito que vou respirar no expulsivo, olha que treinamento legal!), visualizar a pequena nascendo, e depois eu apertava de novo e assim fomos. Chega um momento em que você sabe que realmente chegou no seu limite por aquele dia. Quando chega nesse ponto, conta-se 10 minutos, marido firme e forte lá segurando o aparelho, e você relaxando. Deu uma sensação de bastante ardor nessa hora, que ela disse que é a versão minimizada do círculo de fogo, rs. Só que isso foi passando devagar a medida em que eu ia respirando e me soltando. Aliás, a questão é justamente essa: conseguir relaxar os músculos mesmo com dor, e não tensionar ainda mais, como fazemos meio inconscientemente nessas horas. Com o músculo relaxado, dá pra inflar mais e você não sente dor. Ela disse que se eu quisesse podia apertar mais. Apertei pra ver qual era e vi que conseguia mais um pouquinho. Quando, por fim, acabou os 10 minutos, era hora da “expulsão”, que basicamente acontece sozinha, pois o músculo faz isso por você. Marido foi soltando a força bem devagar e suave, e o balão foi saindo. Eu sentia uma ardência, mas menos do que senti antes, uma sensação que deve mesmo ser parecida com um baby nascendo, rs. E fim.
Depois marido mediu a circunferência pra ver quanto tinha dado e anotamos num papel. A intenção é ir anotando dia-a-dia pra ver a evolução. O intuito é chegar a 30cm, tamanho médio da cabeça do bebê. 
A minha ontem deu 20cm, até que não fui tão mal assim na primeira vez, rs. 
Ah, eu tinha receio também de como seria o “depois”, se eu andaria feito uma pata me sentiria incomodada ou com dor para andar, ou algo assim. Pelo menos aqui não rolou isso, foi tranquilo, ainda bem.
Então, em resumo, o que eu posso dizer é: claro que incomoda um pouco, não quero romantizar e falar que é tão bom quanto comer brigadeiro. Ainda mais na primeira vez, porque é uma sensação completamente nova, você está alongando, trabalhando, sentindo músculos que até então não tinham sido estimulados dessa forma tão específica. Dor, dor mesmo eu não senti. Mas também fiz no meu ritmo, pra ver como era, sentindo tudo. Não dá pra ir inflando como se tivesse enchendo uma bexiga ou um colchão inflável, rs.
Achei ótimo ter essa oportunidade, adorei. A gente vai criando uma consciência corporal incrível, que eu considero muito importante, tanto pro parto, como pra vida. O corpo é nosso e conhecê-lo ainda melhor ajuda no nosso empoderamento, com certeza. Essa foi a impressão que eu tive, pelo menos. (E por falar em consciência corporal, recomendo fortemente a leitura do livro Quando o corpo consente. Perfeito!).
Agora é seguir fazendo todos os dias, até a pequena dar ponto de nascer.

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O Renascimento do Parto – O filme

A Folha de São Paulo organizou uma pré-estreia do filme O Renascimento do Parto, juntamente com o Espaço Itau de Cinema – Frei Caneca, ontem, dia 05 de agosto.
Eu havia visto esta notícia na internet, mas nem planejava ir. Como a estreia para o público está marcada para o dia 09, que é o dia do meu aniversário, e como eu não contribuí com o valor que dava direito à ingressos da pré-estreia para benfeitores e convidados (que é hoje, dia 06), já havia decidido que era nesse dia que eu iria, como um presente. Mas aí a minha prima viu a notícia também e me chamou para ir com ela. Claro que topei, na hora! Adoro uma mudança de planos. Ela nem sabia ao certo como seria, não conseguiu ver o trailer, mas eu contei pra ela como era, falei que eu tinha contribuído para ajudar o filme a chegar nas telas de cinema, e então nos animamos ainda  mais. Combinei também com o Cleber – que trabalha lá perto – e fomos.
O evento – com um debate logo após a exibição do filme, com a presença do diretor do filme Eduardo Chauvet, da produtora e roteirista Erica de Paula, da pediatra e neonatologista Ana Paula Caldas e da ginecologista e obstetra Carla Andreucci Polido – foi gratuito. Os ingressos seriam distribuídos a partir das 19:00, por ordem de chegada. Sabendo disso, e sabendo que provavelmente iria estar bem cheio, combinamos de chegar cedo, para garantir um lugar na fila.
Pois bem, chegamos, minha prima e eu, às 18:00. Ainda não tinha ninguém esperando, então descemos para comer alguma coisa.Quando voltamos, meia hora depois, já tinha uma ou duas pessoas, mas de forma meio aleatória ali pelo lugar. Perguntamos para atendente onde seria a fila e a iniciamos. Sim, fomos exatamente as primeiríssimas da fila! Ingresso garantido nós teríamos. Algumas pessoas foram se juntando e, alguns poucos minutos depois, já tinha muita gente. Parece que combinaram de chegar todos juntos. O Cleber chegou um pouco depois e se juntou a nós. A fila foi crescendo, o tempo foi passando e já era possível sentir um misto de animação e ansiedade no ar – ou seria em mim?
Com ingressos em mãos, esperamos mais uma horinha e finalmente havia chegado a hora de assistir, na íntegra, aquele filme que eu havia esperado tanto para ver.

Não vou fazer spoiler (pelo menos vou tentar). Até porque eu sei que muitos aqui verão o filme na pré-estreia de suas cidades, ou na estreia, ou em qualquer outro dia. O que eu preciso dizer é: o filme é sensacional! É forte, é intenso, é lindo, é emocionante. Muitos sentimentos juntos. Intensidade. Sinestesia.
Comprei um pacote grande de pipoca e suco de maracujá, e foi ótimo, rs.
Para as pessoas mais sensíveis com cenas de cirurgia e intervenções, como eu, é imprescindível que não se vá sozinha. Eu fui com duas pessoas mesmo porque sabia que seria complicado nessas partes. E eu vi muito pouco disso, porque fechava o olho e comia pipoca quando a coisa ficava mais difícil pra mim – tanto que algumas legendas eu nem li. Eu via algumas cenas e, instintivamente, colocava a mão na barriga, querendo proteger o meu bebê de toda e qualquer coisa que possa nos fazer mal, que nos afaste do processo natural de nascer.
O mais impressionante foi que eu não chorei.
Sempre chorava, pelo menos um pouquinho, quando via o vídeo promocional. Fui preparada para sair com os olhos vermelhos e o rosto inchado. Mas não aconteceu. O que não significa que eu não tenha me emocionado, muito pelo contrário. Fiquei estarrecida em muitos momentos. Chocada com algumas cenas, muito comovida com várias falas das pessoas que deram seus depoimentos. Sem contar os profissionais brilhantes que falam muitas verdades também. Mas as lágrimas não chegaram a cair. Foi tão intenso pra mim que, quando acabou, eu mal consegui me mexer na cadeira, minha cabeça pulsava de vontade de ver logo uma mudança, e ao longo do filme eu fui sentindo um calor enorme. Ainda bem que teve o debate depois, assim não precisei levantar.

Para mim, que estou envolvida até o pescoço com assuntos de humanização e respeito ao parto e nascimento, não foi exatamente uma surpresa. Claro que a gente já sabe muita coisa que foi dita ali. Mas ver um panorama bem amplo da situação, todos os fatos juntos, bem grande numa tela inteira de cinema, é muito forte. É inevitável o pensamento de que é preciso mudar, urgentemente, o cenário obstétrico brasileiro atual. Nunca vou deixar de me chocar com alguns casos. Não dá para lutar, por qualquer causa que seja, com indiferença. É por achar que muita coisa é normal e aceitável que chegamos onde chegamos. E partindo do pressuposto de que todas as pessoas nascem, este é, sim, um assunto de toda a sociedade.
Não é um problema com uma causa só. Como bem disse a parteira Ana Cristina Duarte, não existe um lobo mau da história, o problema é multifatorial. Ou seja, é preciso trabalhar em várias frentes para conseguirmos um bom resultado a longo prazo – porque nada vai mudar da noite pro dia, não sejamos ingênuos.

Sobre o debate, foi rápido, cerca de 40 minutos, mediado pela repórter especial da Folha, Claudia Collucci. Ela fez perguntas para a mesa, e depois abriu para a público também. Na minha opinião, foi bem rico, apesar do pouco tempo. A obstetra Carla Andreucci é muito esclarecedora (e adora falar, rs). A Ana Paula Cladas também; me senti privilegiada por estar ali, participando daquilo tudo.
Além delas, estavam na sala, também, o doutor Jorge Kuhn, a Ana Cris Duarte e mais um monte de gente linda do movimento da humanização. Agora imaginem, quando eu vi o doutor Jorge na fila, foi quase como se eu tivesse visto um artista, fiquei muito feliz, rs. Porque eu sei da importância de cada um deles dentro do movimento, respeito muito tudo que eles dizem, confio muito, admiro demais.
Algumas pessoas falaram, e foi bem legal também ver as dúvidas serem respondidas ali na hora. Um médico obstetra (que faz parto há 40 anos, como ele disse) também falou, falando o lado dele, mas também que é um caso complexo, etc. A Ana Cris falou lindamente depois, a respeito do que ele falou, e nossa, todas as pessoas deveriam ter a oportunidade de ouvir essa mulher, ela é muito clara e muito direta. Foi aplaudida no final. E aí acabou o tempo.
Infelizmente estávamos de ônibus, e já estava tarde, então tivemos que ir embora rápido, nem deu tempo de dar um abraço nela e cumprimentar as outras pessoas.

Foi uma experiência muito enriquecedora. Uma aula mesmo.
E ainda pretendo ver o filme mais uma vez, com a minha mãe.

E se eu puder dizer apenas uma coisa às gestantes, eu diria: informe-se! Você tem direitos e eles devem ser respeitados em qualquer lugar, seja no SUS, ou na rede particular. Leia, frequente grupos, cerque-se de pessoas com informação de qualidade. Empodere-se. O corpo é seu. O parto é seu.

E não deixem de ver o filme – que foi selecionado para o 6º Los Angeles Brazilian Film Festival também já foi confirmado a ser exibido DocBrazil Festival – China 2013. Ele vai abrir muitas portas, acredite.

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Sobre a primeira decisão sobre o parto e como tudo acontece na hora certa

Assim que eu descobri os positivos, mandei um e-mail pra médica. E o e-mail voltou imediatamente com uma notificação informando que ela estava (está ainda) viajando. E mesmo a Ana Cris dizendo para eu não ter pressa, porque estava tudo bem comigo (passei em consulta e fiz exames em fevereiro), e que eu só precisava começar a tomar o ácido fólico, ainda fiquei pensando que ainda estava muito longe da data de retorno da médica e queria agir, de alguma forma, antes disso.

Eu disse aqui que as coisas ainda não estavam 100% a favor do valor que eu teria que desembolsar (com a equipe que eu queria e com o hospital) e que isso me preocupava demais, sim. Naquele dia eu ainda não sabia que já estava grávida. Na verdade, eu nunca pensei que conseguiria de primeira, sério mesmo. Achei que daria tempo de juntar mais umas moedas, rs. E no último post eu comentei que, assim que eu contei à minha mãe que ela iria ser avó de novo (meu irmão já tem um filha), a primeira coisa que ela me perguntou foi: e o parto, vai ser aquele preço mesmo? Hahahaha, mães são ótimas! E eu, que sempre mostrei meu ponto de vista totalmente a favor do parto natural e sempre conversei abertamente com ela, explicando tudo, falei: então, mãe, tem a Casa de Parto, que é bem mais em conta etc e tal. E começamos a conversar sobre isso. Sim, somos as pessoas que, antes mesmo de saber com quantas semanas eu estou, já engatamos no assunto parto, rs.  Para ser sincera, eu nem tinha pensado em nada disso ainda, mas parece que o fato dela ter me perguntado abriu uma janela na minha mente e as coisas foram acontecendo. Foi uma luz!

Eu simplesmente abri o site da Casa Angela e comecei a explicar e ler pra ela o que era uma casa de parto, como funcionava, onde era. Tudo que eu consegui adiantar, expliquei. E à medida que eu ia dizendo, me familiarizava mais com a ideia. Porque sim, minha gente, eu ainda não tinha uma plena certeza se eu realmente gostaria de parir naquele local. Mas parecia que eu também estava lendo pra mim, sabem?!, foi realmente muito bom. Ela adorou a ideia e me incentivou a marcar uma visita. No dia seguinte, liguei e perguntei se teria a conversa de acolhimento naquela quarta, já que seria feriado, e a moça me disse que sim. Pensem como fiquei animada? Eu, que queria sentir que já estava agindo, iria começar no dia seguinte.
Pois bem, no dia seguinte estávamos lá: meu pai, minha mãe, marido e eu (eu disse que onde vai um, vai todos, haha). Mas pensem, meus pais estavam super curiosos pra saber o que era, afinal de contas, uma casa de parto. E eu sou daquelas que explica, mas prefiro mostrar. Então, vamo todo conhecer o lugar!
E lá funciona assim: toda quarta-feira, às 09:30 da manhã, tem um acolhimento para todas as pessoas que querem conhecer a casa. Antes da primeira consulta ali, é preciso passar por isso. 
Chegamos e ficamos ali na sala de espera uns minutos, ainda tinham poucas pessoas. Preenchi uma ficha de cadastro básica e, depois de um tempo, fomos chamados para começar a conversa. Numa sala bem ampla, com cadeiras em círculo, a Anke, coordenadora, e a Marina (!), obstetriz, sentaram-se também e começamos a conversar. Cada um se apresentou, dizendo como conheceu a casa, de quantas semanas gestacionais estava (ou se era acompanhante), idade, de onde vinha. Foi bem legal. Falei que tinha descoberto a gestação naquela semana e que já estava no mundo das pesquisas há mais de um ano (nesse momento, todos me olham com cara de: ela é louca mesmo, rs), falei das minhas vontades. Meus pais se empolgaram falando também (haha) e o Cleber disse que tudo que ele sabe sobre parto natural, aprendeu comigo (owwn, #todasachafofo!!!). Eu era a única em começo de gestação, todas as outras mulheres estavam entre 5 e 7 meses.
Depois, elas explicaram que só pode ter parto lá quem é de baixíssimo risco, e que quando chega às 37/38 semanas, a equipe analisa seus exames e vê se tem a possibilidade de você permanecer ali. Se não, é o caso de ir para o hospital mesmo. Disseram que o tempo de cada mãe e de cada bebê é respeitado e que não há intervenções desnecessárias. Mas se, durante o trabalho de parto, houver a iminência de uma complicação, eles transferem a gestante para um hospital que já estará pré-estabelecido entre as partes. 
Terminada a conversa, descemos para conhecer as dependências da casa. Duas salas de espera bem aconchegantes, cozinha, a garagem, onde estava a ambulância própria que eles possuem, sala onde acontecem as consultas (que não entramos, pois estava ocupada naquele momento) e finalmente, o corredor que mais nos interessava: das salas de parto. São 4 salas. Duas com banheira (sim, também tem a opção de parto na água), bolas, banquetas, a cama, cavalinho, barra, tudo aquilo que é necessário para um parto natural. Tem um corredor onde ficam só os chuveiros. A sala de reanimação neonatal, com uma incubadora, caso ocorra alguma emergência. Tem o alojamento conjunto, com camas de verdade, e não macas, e os bercinhos (daqueles de acrílico de hospital mesmo) ficam “disfarçados” dentro de um tipo de suporte de madeira, com mosqueteiros na cor nude e colchas de retalho. Coisa mais linda, gente! Tudo muito aconchegante mesmo. Tem também uma salinha de amamentação, onde você pode ir caso tenha alguma dificuldade em casa para receber orientação, ou para doar leite também. Dá pra ver as fotos das instalações aqui.
Depois disso, tomamos um belo lanche, conversando e interagindo mais. Descobri que lá tem oficinas para produzir o próprio sling (nessa hora eu vibrei de felicidade, rs), para produzir aqueles kits de algodão, cotonete, a própria almofada de amamentação, etc. Fora os cursos de preparação pro parto, fisioterapeutas, psicólogos. Enfim, tem muita coisa disponível. 
E vocês acham que acabou? Deixei a parte que, literalmente, quase me fez chorar, por último. No fim da conversa, a Anke entrou no assunto valores. Disse que, para as pessoas da “área de abrangência” da casa, eles atendem todo o pré-natal, parto e pós parto, de graça. Para as outras pessoas, é cobrado um pequeno valor, porque sabemos que a casa recebe doações de algumas fundações, mas nada do governo. E aí ela diz a coisa que nunca na minha vida pensei ouvir: meu bairro É SIM área de abrangência da Casa Angela!!! GENTE!! Vocês tem ideia do que significa isso? claro que sim, porque acabei de explicar! Eu não conseguia acreditar que teria todo atendimento gratuito, dava vontade de sair pulando de alegria! Demorou pra cair minha ficha, na verdade. Eu, que estava super hiper preocupada com essa questão, fui novamente surpreendida pela vida. 
E aí eu fico pensando: as coisas realmente acontecem quando tem que acontecer, né?! Tudo orquestrado para ser no tempo certo. Porque se eu não tivesse voltado a morar com os meus pais, teria que pagar, sim, o valor cobrado. Porque se a médica não tivesse viajado, talvez eu não teria ido conhecer a casa agora no começo. Porque se eu tivesse esperado ter todo o dinheiro, iria demorar uma vida toda  muito para conseguir o total, e eu não teria começado a tentar agora, e o bebê, talvez, não viesse de primeira. Deus é muito bom mesmo, minha gente! Tô muito feliz!
Saí de lá com a consulta marcada para a próxima quarta. E já estou contando os dias para chegar logo, e para chegar mais rápido ainda o dia do ultrassom.
Rezando muito para as coisas continuarem se acertando no tempo certo, amém.

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Ajudando a parir a mudança que quero ver no mundo

Acabei de fazer minha contribuição para que o filme O Renascimento do Parto chegue logo às telas de cinema. Não foi um valor muito alto, e na verdade até pensei em não doar, porque as coisas aqui estão um tanto quanto apertadas. Mas o motivo é maior. Eu acredito no alcance que esse filme terá na vida das pessoas. Eu quero que cada vez mais e mais gente perceba que os valores foram invertidos no nosso país e que as consequências desse ato podem ser bem piores do que supõe a nossa vã filosofia. De pouco em pouco nós já alcançamos muita gente. E vamos alcançar cada vez mais, eu tenho certeza disso. Por isso eu doei.

Estou bem sensível essa semana, meu sinal clássico de tpm. E tenho pensado muito sobre o nascimento do meu futuro baby. A realidade é que eu não sei se terei toda a condição financeira para pagar a equipe que eu já chamo de minha. Claro também que já tenho uma segunda opção igualmente humanizada e mais acessível para o caso de eu precisar, que é a Casa de Parto. Mas sabe quando bate um medinho?
Vou ser especialmente sincera com vocês: não existe, hoje, algo que eu queira mais do que ter o meu filho. E não quero adiar ainda mais a sua chegada por conta da minha pobreza  angústia em ter em mãos, antes de qualquer coisa, toda a quantia necessária  para que as coisas saiam da forma como eu gostaria que saísse. Ele é quem sabe a melhor hora de vir, mas eu já o espero e quero muito.
Não, eu não estou depositando “toda a minha felicidade” no ombros ainda inexistentes dele. Eu sou muito feliz agora. Sou muito feliz com o meu marido (eu diria muito feliz, nesse caso, rs), e sou bem feliz comigo mesma. Nunca consegui esperar tal ou qual acontecimento para viver a felicidade. Esse é um sentimento que me acompanha no caminho, e não na chegada. Dizendo em outras palavras, eu me sinto bem na minha própria pele; sofro um bocado, choooro pra caramba, mas sou feliz. E também não acho que “só falta o bebê para minha família ficar completa”. Meu marido e eu não completamos um ao outro, nós somamos. Somos duas pessoas inteiras que fazem a escolha diária de viver juntas, uma parceria-amor que só nos faz bem. Então não é com o nosso filho que vamos pensar em “complemento”. Ele vem somar ainda mais às nossas vidas. Mas eu o espero muito. Nós o esperamos muito, isso é um fato. Eu já tenho sentimentos e vontades dentro de mim que sei que são destinados à ele (para eles, porque queremos mais de um filho, rs). Essa é a parte difícil, porque por vezes esses sentimentos se afloram de uma tal forma e eu não tenho algo externo para canalizá-los. Não sei o que fazer com tudo isso ainda, então eu apenas os sinto aqui dentro e os guardo de novo, ou escrevo para amenizar essa espécie de saudade do que ainda não veio.
Eu não consigo explicar de uma forma sólida, desculpem, mas eu sinto de uma forma muito forte que ele (só para ilustrar, gente, não faço a mínima ideia de se é menino ou menina, rs) está perto. Pode ser que não esteja perto de vir morar na minha barriga, isso eu não tenho como saber com certeza, mas tomara que seja logo. Eu o sinto perto de nós mesmo, quase como uma presença. Mas também não é que eu ache que ele está aqui no meio de nós, por exemplo, como uma alma visitante ou perdida. Também não é isso. Mas eu o sinto. É um tipo de pressentimento que de vai acontecer. E eu digo que ele pode vir quando quiser, estamos nos preparando constantemente para a sua chegada e faremos de tudo para que sua vida aqui conosco seja a mais linda e respeitosa possível, cheia de amor e de carinho.
E então eu penso no parto. Que é sua primeira transição nessa vida, e eu acredito completamente que essa passagem deva acontecer da maneira mais natural possível, dentro do tempo que a natureza entender como certo e suficiente. Amor nós garantimos que não irá faltar. Mas a dúvida iminente que insiste em se instalar na minha cabeça, sobre condição financeira suficiente para proporcionar o melhor na hora de seu nascimento, me dá um certo medo, confesso. Porque depois nós podemos arrumar nossas malas e ir morar na roça, se for o caso, desde que estejamos juntos e felizes. Mas eu não aceito nada menos que o melhor para todos nós durante todas as horas em que estivermos nos preparando e para o parto propriamente dito.

Para isso eu luto e estudo e converso com a minha família há bem mais de um ano. E se eu puder, vou falar para quem mais quiser ouvir também. Porque, sinceramente, eu não aguento mais ouvir que sorinho é natural, que cesárea é normal. Natural é o que for mais confortável para o bem-estar da mulher e do bebê, quando vão entender isso? Se ela quiser analgesia, que assim seja, esse é um direito adquirido e deve ser respeitado. Mas que seja também respeitado o direito de parir em casa, por exemplo, se assim for o desejo dela. Eu não aguento mais esse descaso com o recém-nascido e com a mulher, e também com o homem.
É preciso mais amor, mais empatia, mais alma.

E é também por isso que eu doei para que o filme chegue logo. Precisamos conscientizar as pessoas, precisamos de políticas públicas que atendam toda a demanda de nascimentos no país da forma como tem que ser: com a mulher como protagonista. Precisamos de pessoas, e não de números. Precisamos de ocitocina natural, e não sintética. É preciso renascer. E eu quero ajudar parir essa mudança.

Adoro Arnaldo Antunes, e ainda mais essa música dele, que já é a minha música do parto. 

(acabou virando um baita texto, mas eu não planejei, apenas abri a página e fui escrevendo conforme fui sentindo. Então não sei se está na melhor ordem, ou totalmente coerente, mas é o que eu precisava exteriorizar nesse momento).

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Eu quero isso para mim também!

Ei, meninas! E aí, como andam as coisas com vocês? Me contem tudo, haha

Estava aqui pensando no que postar, estudando e reunindo umas referências para um projeto que está em fase gestacional, quando me deparei com esse vídeo aqui embaixo. E é incrível como eu me emociono com esses vídeos, e também com a forma com que a meninas do Além d’Olhar captam esse momento tão único e tão especial. Ainda estou com os olhos marejados! É um assunto forte, mexe muito comigo, muito mesmo!

Fiquei com vontade de compartilhar isso aqui, porque a naturalidade e a maravilha que é parir um filho naturalmente, de forma respeitosa e humana, deve ser compartilhada sempre. Porque mostra como é lindo receber seu filho no tempo dele, com as pessoas que te amam, te apoiam e, acima de tudo, te respeitam e acreditam na sua capacidade. Independente se em casa, no hospital ou na casa de parto, desde que seja a mulher e o bebê os protagonistas pelo parto. A natureza é perfeita. E eu quero isso para mim também!

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E como eu estou muito apaixonada por esse tema, não vou me contentar com um vídeo só (alguém me segura que hoje estou animada, rs)! Assistam esse aqui embaixo também, do nascimento do Theo. Me diz se não dá vontade de parir agora mesmo?
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Desde que eu comecei a pesquisar sobre formas de parir e de nascer, que começou por causa da minha sensibilidade, me deparei com o incrível universo da humanização do parto. Me apaixonei completamente. Se antes eu queria apenas saber se era possível dar à luz sem agulhas em mim (meu grande trauma), hoje eu sou uma grande defensora do assunto e, depois de muita leitura, vídeos assistidos e informações reunidas, me sinto muito mais tranquila para ter meu bebê do que há um ano e meio atrás, sem sombra de dúvidas. Informação é mesmo imprescindível!
Por isso eu também quero usar esse meu cantinho aqui para divulgar vídeos (como hoje), ou apenas expor o meu ponto de vista sobre o assunto. Vai que ajuda mais gente, né?! Vale pelo registro das minhas ideias, dúvidas e convicções também. 
E me digam: vocês também choram assistindo esses vídeos, ou lendo relatos de parto, ou sou só eu mesmo? 
Beijo, gente! Boa semana pra nós!
Aviso 1: Post não patrocinado, eu sou mesmo apaixonada pelo Além d’Olhar, rs! 
Aviso 2: não consegui colocar os vídeos num tamanho maior, desculpem!

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