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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Carta do dia: amor e gratidão

Filha,

meu coração está inundado de amor.
Fiz você dormir hoje e, depois que você pegou no sono, fiquei lá te olhando e aconteceu. Meu coração ficou inundado de amor e de gratidão. Por cada escolha da minha vida que me trouxe até aqui, por todos os nossos dias juntas, pela nossa parceria construída todos os dias. 

Sabe, filha, nos últimos meses a mamãe tem sentido vontade de fazer outras coisas, para além das demandas que a maternidade pede. Porque, como você sabe, eu sou uma pessoa inteira como você ou qualquer outro habitante desse nosso planetinha azul. E como pessoa inteira, eu tenho muitas áreas de interesse, digamos assim. Conciliar isso nem sempre é fluido e leve, mas sigo tentando fazer o caminho não ser tão pesado. Então, comecei a deixar você algumas horas com os seus avós pra sair com o papai; tenho trabalhado escrevendo quase todos os dias, estudado. Você tem ficado só com o papai também, para que eu consiga almoçar com amigas e andar de ônibus e metrô sozinha. 

E estivemos pensando em colocar você na escolinha. De vez em quando você pede, como se conhecesse muito bem o ambiente, mas até semana passada nunca nem tinha entrado em uma, rs. Fomos conhecer duas, mas não senti que era o lugar escolhido pra você passar suas tardes descobrindo novas coisas e fazendo outros tipos de laço. Fiquei incomodada, um nó se formou aqui no peito e eu até chorei. A gente (seu pai e eu) queria decidir um lugar e organizar mais a nossa rotina, mas ainda não rolou. E foi só depois que eu desabafei minhas neuras com ele e com outras pessoas foi que acalmei o coração e percebi: está tudo bem do jeito que está. Não preciso querer me encaixar num “jeito certo”, “mais recomendado” para seguir nossos dias. A gente tem escolhido como eles são há mais de dois anos, digamos que agora estamos pegando o jeito da coisa. Pode ser meio bagunçado, mas é o nosso jeito.

Sim, ainda queremos que você frequente uma escola, mas acho que acabou a pressa. Tudo acontece no tempo certo. E encontraremos uma que seja do tamanho ideal pra nós. 

Ah, não te contei. Hoje você dormiu sem mamar, abraçada com seu gatinho azul de pelúcia. E com carinho na barriga, como você gosta. Você tem mamado bem menos, e não foi a primeira vez que você dormiu assim; sinto que estamos em uma transição.

Já falei que meu coração está repleto de amor e gratidão? É só isso que estou sentindo agora. Quis te escrever para que você soubesse disso também (apesar de eu já ter dito no seu ouvido antes de sair do quarto, mas gosto de registrar assim, por escrito). 

Que bom que você veio, meu amor. Que bom que a nossa história está acontecendo de verdade. 

com amor, 
mamãe.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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O que eu aprendi ao não postar todos os dias em agosto

Eu queria ter conseguido postar aqui no blog todos os dias durante o mês de agosto. Queria fazer parte dessa brincadeira (BEDA), porque gosto muito de acompanhar também. Mas a verdade é que não rolou do jeito que eu pensei que fosse rolar.

E eu nem vou culpar a maternidade ou a falta de tempo. Tem tudo isso e mais, claro, mas não foi isso que percebi nesses dias que fiquei sem postar. O que eu percebi, ou melhor, confirmei, foi que a palavra escrita pra mim tem muita força. Eu escrevo para além de um passatempo, sabe? É uma espécie de caminho que eu escolhi trilhar. Então, mesmo tendo assuntos e sugestões e ideias (que eu tenho aqui anotado e ainda virarão texto, podem esperar), algumas vezes faltava uma espécie de vontade mesmo. Vontade para desenvolver aquele assunto, para falar da minha experiência, para falar com as pessoas sobre aquela coisa. E então eu não aparecia. Não quis preencher as lacunas com assuntos que não me interessavam no dia, ou que estivessem aqui só para dizer que postei. Eu quis ser leal ao que estava sentindo, entender mais, saber o que aquilo dizia a meu respeito.

Quer dizer, existe uma verdade no meio criativo/literário/algo do gênero, que diz que a gente não pode ficar esperando a inspiração chegar, que o hábito é o que realmente importa. Precisamos trabalhar todo dia, faça chuva ou faça sol, e é só então que a coisa flui com vontade e as coisas acontecem. Eu sei. Inclusive já comprovei isso outras vezes (muitas vezes). Mas, como eu disse ali em cima, a minha relação com a escrita é além de um trabalho. Por mais que exista o exercício e tudo mais, também existe um outro lado, o lado mais abstrato, que não obedece muitas regras. Que precisa transgredir algumas verdades para continuar respirando com tranquilidade. E tudo bem. Eu aprendi a aceitar essa dualidade, estou aprendendo.

Eu quero vir aqui compartilhar minhas histórias e ideias quando eu realmente tiver algo pra contar, e não para preencher um espaço com mais do mesmo. Precisa me fazer bem. Precisa fazer sentido do lugar de onde eu olho.

A vida acontece em várias frentes ao mesmo tempo e eu tenho tentado atender a tudo que consigo, mas um de cada vez. Tentando praticar mais o mindfulness e estar presente na vida. No fim das contas, meu computador queimou o HD, perdi absolutamente todas as minhas fotos, arquivos, programas e etc. Entendi que era preciso dar uma pausa mesmo. Que existiam outras prioridades. Hoje estou aqui escrevendo nele de novo, já reformado (e zerado), e é isso. Um passo de cada vez, vamos lá.

Estaremos juntas no caminho e eu prometo aparecer sempre. Sempre que tiver alguma coisa bem legal pra contar, pode deixar.

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Seja você o limite do seu filho

Uma coisa que eu aprendi quando a Agnes tinha 1 ano, numa consulta de rotina com uma pediatra que, infelizmente, só vimos essa única vez, mas que me ajudou muito. Não sei se já falei disso aqui, mas acho que sempre vale o reforço, né.

Por volta de 1 ano começa aquela fase em que o bebê está mais do que disposto a explorar tudo, mexer em tudo, destruir tudo. Pode começar antes, verdade, desde que vão aprendendo a se locomver sozinhos, mas com 1 ano digamos que eles já ganharam um pouco mais confiança. E, quando a gente vê, está falando “não” o dia inteiro. Não pode mexer no lixo! Não pode ir pra escada! Não pode sentar na mesa! Não pode colocar o dedo na tomada! Não pode comer farelo do chão! Entre tantos outros exemplos inspirados em casos reais.

Se você é como eu, que lê muita coisa pela internet afora, certamente sabe que falar “não” o tempo todo não só não adianta como faz com que o feitiço se volte contra você num futuro breve, porque uma vez que eles aprendem a falar o não, tudo é negado nesta vida, até o que estão querendo, hahaha. Existem muitos textos que falam para não usarmos essa palavra, para usar outras que tem melhores efeitos e etc e tal. A bem da verdade, eu até concordo, mas não segui muito, quando via já estava soltando alguns nãos pelo caminho, simplesmente acontecia. Mesmo que eu tentasse usar outras formas de falar, não me sentia muito eficiente em passar a mensagem, digamos assim.

E então chegou a consulta de 1 ano e fomos lá conhecer essa pediatra bem legal. Em determinado momento, Agnes desce do meu colo e começa explorar o ambiente, que é o jeito bacana de dizer que ela começou a mexer nas coisas tudo. Inclusive abriu uma porta de armário que tinha vários frascos de remédio bem ali, a dois dedinhos de distância. Eu, mais do que depressa, falei que não podia mexer. Fiz o não com o dedo, ela repetiu o gesto, riu e continuou. Foi aí que a médica disse que, nesta idade, o cérebro da criança ainda não processa a palavra falada da mesma forma que a gente, que somos muito mais eficazes quando mostramos com o nosso corpo o que pode e o que não pode. Até 3 anos, mais ou menos, eles entendem pelos gestos, pelo contato. A pequena seguiu abrindo o armário e ela me mostrou um outro jeito de lidar com a situação:

Ela, que estava atrás da pequena, se inclinou na direção da Agnes, colocou o braço na frente do seu corpinho e impediu que ela prosseguisse com o que estava fazendo. Ela não disse nada, nem foi rude, nada. Ela apenas colocou o seu braço a frente do seu corpinho (de um jeito mais “vertical”, do ombrinho pra cintura, e não só pela barriga. Deu pra visualizar?). Ela disse que esses limites físicos são muito importantes para a formação deles como indivíduos, por dois motivos. Primeiro para ela entender que existe uma ordem a ser seguida no ambiente, que ela precisa respeitar aquele espaço. E segundo, se fosse uma coisa que ela quisesse muito fazer, ela poderia tentar mais, descobrir outros jeitos, o que incentiva a perseverança e também a ultrapassar esses limites, quando é possível (isso, do ponto de vista de tudo que ela ainda passará na vida, é um aprendizado e tanto, né).

Cara, isso foi um divisor de águas na minha vida.
Ela fez umas duas vezes pra me mostrar e aí a Agnes ficou brava com aquele impedimento, óbvio. Abaixou no chão, chorou, deu uns gritos. A médica disse que era isso mesmo que aconteceria. Que eu poderia então me abaixar e acolher o choro dela. E é o que eu tenho feito desde então. E vou falar uma coisa pra vocês: é muito eficiente esse método. Claro que eles seguem testando os limites e fazendo coisas que não podem, até porque são muito bebês ainda, né, é o esperado para a idade e para o desenvolvimento deles enquanto pessoas mesmo, mas as famigeradas birras diminuem exponencialmente quando a gente age assim.

Sem contar que assim a gente age com mais presença também, realmente entra em contato com eles, e não apenas solta umas ordens no meio da ação esperando que eles nos entendam e parem imediatamente o que estão fazendo. Somos nós que estamos auxiliando o crescimento deles, e não eles que têm que fazer o que queremos nesses momentos-chave. Gosto de pensar nisso quando a coisa aperta por aqui, rs.

Bom, acho que é isso. Me contem se testarem e gostarem.
E por aí, como foi esse momento?

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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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Agnes e os livros

Eu sou uma leitora convicta e apaixonada desde bem pequena. Desde sempre pegava livrinhos na escola, adorava ganhá-los de presente e cuidava muito bem deles. A paixão foi crescendo junto comigo. Acho livro um presente que sempre vai cair bem, inclusive. Apesar de não ler muitos livros durante o ano, porque gosto de ler devagar e apenas um por vez, gosto de ter um sempre por perto. Ano passado eu não li quase nada e não gostei da experiência. Esse ano estou conseguindo manter um fluxo razoável, considerando que não tenho mais tanto tempo disponível assim.

Curiosidade: escrevendo esse post me lembrei que a primeira coisa que comprei pra Agnes foi um livro! Mesmo ainda não sabendo que estava grávida, Nana e eu compramos um livro do Jorge Amado ilustrado, para quando tivéssemos nossos rebentos. E elas chegaram pouco depois. Viu como dá sorte?

E bem, não posso dizer muito ainda, porque né, ela só tem dois 2 anos, esse é só o começo da sua longa e incrível vida. Mas, pelo menos por enquanto, posso dizer que ela gosta muito dos seus livrinhos.

Não me lembro exatamente quando foi que começamos a ler pra ela, só sei que desde o começo ela demonstra muito interesse e gosta muito de ouvir a gente ler. Fica prestando atenção, ajuda a virar as páginas, coisa mais linda. Depois ela foi “decorando” as histórias e falava algumas coisas junto com a gente, hahah. Ah, e não posso esquecer o principal: nunca uma história é lida apenas uma vez. No mínimo, duas.

Seus livros preferidos até hoje são, coincidentemente, 3 que vieram da coleção do Itaú.

Papai!, do Philippe Corentin.

E o dente ainda doía, da Ana Terra.

Tatu Balão, da Sonia Barros.

Ela adora esses livros! E devo confessar que eu também gosto muito. Teve uma época que só o Cleber podia ler pra ela o do Papai, por motivos óbvios, haha. E tinha vezes que líamos nós dois, fazendo quase um teatro completo, rs.

Os livros ajudam também nas viagens de carro, ou quando quero que ela desacelere um pouco. É uma ótima forma de me conectar com ela quando está muito agitada. Ela tem aqueles de texturas e figuras também, a gente brinca junto, mas na verdade começamos já com as histórias, depois que vieram os outros. E sempre que vou na livraria já vou direto pra sessão das crianças – de 5 a 8 anos, haha. Sou dessas!

É muito gostoso ter esse momento com ela – mesmo que as vezes ela chore porque não quero ler depois da sexta vez seguida. Espero que sigamos assim por um bom tempo.

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Pequena nota sobre um dia qualquer

A pequena acordou 1:30 da manhã e, ao invés de só mamar e dormir novamente, como sempre, despertou de vez. Ainda estávamos acordados, quase indo dormir, então foi um desencontro de energias total. Finalizamos o que estávamos fazendo e deitamos juntos, com as luzes todas apagadas, mas ela não dormia. Falava, cantava, subia em cima da gente, mamava, rolava pra lá e pra cá. Tive a impressão de passar a noite inteira em claro, mas sei que dormi em alguns momentos. Quando ela está agitada assim eu não descanso nada – imagina ela! Será que é salto? Acordei com ela fazendo as mesmas coisas do início da madrugada, me irritei. A vontade era de enterrar a cara no travesseiro, gritar, exigir que me desse uma trégua. Eu queria muito um tempo sozinha, sem ninguém me escalando ou falando sem parar. Levantei da cama de uma vez e entrei no banheiro. Queria silêncio. Ela ficou lá conversando com o pai, que ainda tentava dormir mais um pouco. Eu estava com cólica, dor nas costas, isso sem contar a cabeça pesada pela falta de sono. Entrei no banho. Deixei a água cair nas costas, me deixei ficar ali um tempinho. Depois fiz café, troquei sua fralda e seguimos conversando. Ela disse alguma coisa – não me lembro o que – e percebi que já não estava mais nervosa como quando levantei. Estava cansada, mas não irritada. Rimos juntas, comemos. E o dia seguiu assim – ora eu precisando de algum espaço, ora estando junto para o que estivesse acontecendo. A balança pesando bem menos pro meu lado, mas era o que tinha pra hoje. Chegamos ao fim do dia sem gritos. A noite chegou e eu estava bem. O que havia acontecido na madrugada tinha ido embora pelo ralo, naquele banho da manhã. Só o que restava era a gente seguindo nosso ritmo.

Me dei conta (de novo) de como é importante deixar os sentimentos virem e que, ainda mais importante, é deixá-los irem embora também. Não preciso me prender a isso o dia todo – seja lá o que for. Feliz por ter acolhido nós duas hoje. Não precisa ser totalmente do jeito que eu quero para ser satisfatório. Por hoje eu aprendi.

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Do que aprendo com a minha filha

Uma viagem serve para muitas coisas, inclusive pra gente observar ainda mais de perto o comportamento das pessoas. Com alguma sorte a gente aprende também.

Durante o trajeto de carro que fizemos de São Paulo até Sergipe (e depois de Sergipe a Minas, e de lá pra Sampa novamente), muitas vezes a Agnes ficava estressada e começava a chorar. Era calor demais, muito tempo sentada, muito tempo na mesma posição, confinada dentro de um espaço muito pequeno e com pouquíssimas possibilidades de se mexer e se entreter. Super normal ela se zangar, nem a gente aguentava tudo sorrindo e achando lindo, não há motivos para cobrar isso dela.

Quando parávamos o carro, algo mágico acontecia. Qualquer choro ou reclamação que ela pudesse estar demonstrando cessava imediatamente. Adorava sair do carro e queria logo ir pro chão esticar as pernas, leia-se: correr por todo lado, explorar o lugar, andar de um lado pro outro como se não houvesse amanhã. Ela sorria, andava, corria, conversava, brincava com a gente, mexia com as pessoas, tentava pegar tudo ao seu alcance. Muitas vezes a gente queria entrar e comer logo alguma coisa, mas sempre ficávamos mais um pouquinho lá fora pra ela curtir, ou então nos revezávamos nos cuidados. Os lanches dela acabavam sendo melhor aproveitados nos carro mesmo, porque lá fora o negócio era andar.

Era lindo de ver. Uma entrega, um desprendimento. Ela realmente estava vivendo o presente, como sabe fazer tão bem.

Do outro lado, não era raro acontecer de nós, adultos, descermos do carro e emendarmos uma conversa (ou um comentário solto que fosse) sobre como estávamos cansados, ou sobre como o trânsito estava ruim, ou sobre o quanto já estaríamos adiantados se não fosse aquele trecho lá atrás, onde aconteceu isso, isso e mais aquilo outro. A gente não se desligava.

Por sorte – e eu digo sorte porque não sei que outra palavra usar – percebi isso em tempo e reprogramei minha mente. Consegui curtir a viagem em sua totalidade, aproveitando todos os momentos realmente em tempo real, enquanto eu estava ali. Não me foquei no que deixei pra trás, nem nos problemas, nem no que ainda estava por vir, nem na chegada aos nossos destinos. Não pensei muito nem nas pessoas que nos esperavam, pra ser sincera – só mesmo o suficiente para mandar notícias de vez em quando, claro. Posso dizer que foi uma experiência ótima, que me trouxe uma sensação total de leveza. Leveza no sentido de não carregar os pesos que já tinham passado, de não prolongar o stress de 2 horas atrás, de não tentar prever a próxima parada. Apenas viver o presente, com o que quer que ele me traga.

Consegui. Estou tentando me manter assim ainda, mesmo já tendo retornado há dias. Parecia mais fácil lá na estrada, não sei porque. Aqui eu preciso “me lembrar” mais de ser assim, lá foi algo natural. Talvez aqui eu tenha mais distrações, não sei. Mas fica a pergunta: por que é tão difícil viver o presente? Por que a gente se prende ao que aconteceu lá atrás, ou sofre por antecipação por algo que ainda nem chegou, e se esquece de apenas olhar realmente para o que estamos vivendo agora? Quando é que a gente perde essa essência de só sair correndo quando podemos, ao invés de lamentar pelo tempo que ficamos sentados?

Observar minha pequena moça nessa viagem foi um aprendizado e tanto. Que bom tê-la por perto, para me fazer lembrar do que realmente importa, seja onde for.

 

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Carta do dia: obrigada

Filha,

quando você nasceu, eu dizia que você me puxava pro presente, me fazia estar no aqui-agora de forma inteira, crua, literal. Eu dizia isso principalmente quando você mamava. Você sugava forte, mamava muito e eu não conseguia fazer nada além de viver aquele momento. Eu não conseguia conseguia conversar com outras pessoas, ou olhar o celular ou ver tevê, nem fazer mais nada. Me dava tontura, minha vista embaçava. Pra mim, que sempre tive uma mente muito inquieta, que paro em frente um vitrine no shopping já olhando a do lado, aquilo foi uma novidade, ninguém me avisou que iria acontecer.

Hoje você completa 17 meses de vida e estou percebendo que ainda estou aprendendo isso. Você ainda é a pessoa que me faz parar tudo para “apenas” deitar contigo na hora certa pra dormir (a hora certa é a que você tem sono, só pra registrar, não trabalhamos com números exatos aqui em casa, como você sabe). Que me lembra que não adianta me descabelar por todas as coisas que eu não vou conseguir fazer antes da viagem. Produtivo mesmo é sentar e brincar com seus potinhos e livrinhos. Você puxa meu short e me lembra que precisamos viver bem o presente, senão seu sono desanda e seu apetite vai embora. Estende os bracinhos chamando mamãe para me dizer que uma boa soneca pertinho de mim ainda é uma ótima pedida para recuperar suas energias.

Que paciência você tem comigo, meu amor. Tem sido muito gratificante perceber tudo isso nesses dias tão doidões que estamos vivendo. Obrigada, mais uma vez, por tudo. É muito bom ter sua companhia nessa estrada.

Você é o meu descanso na loucura, meu respiro. Meu presente.
Feliz 1 ano e 5 meses, meu amor.

muitos beijos e abraços!

com amor,
mamãe.

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