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A timidez, a sapequice e a criança que eu fui

Depois do post das belezas e do encantamento pelos 2 anos e meio, vieram dias de alguns paradoxos pro aqui. Ah, maternidade. Nada é, tudo está.

A pequena anda tímida. Quer dizer, pensando bem, ela nunca foi a mais sociável dos bebês, de ir em colos alheios de cara, numa boa. Só mesmo com quem ela conhece bem. Mas agora, quando chegamos em ambientes com mais gente, quando as pessoas vem falar com ela, cumprimentar, brincar, ela abaixa a cabeça e põe a mão na boca. Fica um tempo assim, caladinha, por vezes se encolhendo um pouco. Pra se soltar, só depois de algum tempo, mais do que nunca.

É fase, será? É genético? É a personalidade dela? São os astros?

Eu fui uma criança bem tímida. Ainda hoje eu sou, apesar de já saber – e conseguir – domar e agir de outras formas. Mas a criança tímida que eu fui ainda existe aqui em algum lugar, sei que sim. E podem até dizer que isso nela é um reflexo meu. Sombras, ou algo assim. Em relação a isso, eu observo mais o meu sentimento quando a vejo assim. O que reverbera aqui dentro pode ser mais exagerado, o que nasce quando a vejo colocando as mãos na boca e enterrando o rosto no meu pescoço pode fazer reviver um monstrinho que vivia comigo lá atrás. É a minha história. E aí, pra não projetar os medos todos, ou seja, para não agir com ela baseada no que eu sentia há mil anos atrás, e não pelo presente, há que se ter muita análise e algum tempo mesmo. Fico repetindo isso pra mim, prestando atenção. Somos pessoas diferentes, com histórias diferentes, sentimentos diferentes. Mesmo que algumas reações sejam parecidas, não quer dizer que ela está sentindo a MESMA coisa que eu. Essas coisas básicas de uma pessoa que faz autoanálise a maior parte do tempo. Tô acostumada, rs. Acaba que pra mim é até melhor, me faz bem. Mas a verdade é que na maioria das vezes, quando acontece, não sei direito o que fazer. Não a forço falar com ninguém, mas não sei se tô acolhendo o tanto que “deveria”. Sinceramente, não sei.

E aí, quando chega em casa (e na casa dos avós, que é uma extensão da nossa, só que com mais “coisas permitidas”, se é que me entendem), a pessoinha pega fogo. Sobe, desce, pula, canta, conversa. Muito. Começou esses dias a ter mais enfrentamento dos limites. A gente fala não e ela fica parada, meio olhando de lado, calada, com aquela carinha de “estou te ouvindo, mas tô fingindo que não”, sabe assim? E continua fazendo. Ou então grita. Eu desligo a televisão pra refeição ou alguma outra coisa, ela vai e liga de novo, olhando pra mim. Olha, não é fácil. Essas coisas também fazem nascer sentimentos antigos, né. Dá vontade de dá uns gritos, de fazer a pessoinha entender que não é assim, que não dá pra ser tudo no seu tempo, que é preciso respeitar. Tanta coisa. Vários conceitos a gente quer que eles entendam num olhar – como muitas vezes foi com a gente. “Minha mãe olhava pra mim e eu já sabia que tinha ido longe demais”. Muitas vezes, é com a criança que um dia fomos que nos relacionamos, não com nossos filhos.

Tenho andando cansada esses dias. Emocionalmente cansada. E com uma intuição de que preciso alterar algumas coisinhas aqui na nossa rotina. Estar mais perto, brincar mais lá fora. Ficar mais tempo só nós duas.

Nada é, tudo está, repito de novo. Daqui a pouco os dias passam, as fases mudam e essa página já estará virada. Que eu saiba o que registrar nela, então. Pelo menos na maioria das linhas.

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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Sobre o que eu preciso falar

Hoje eu tirei o dia pra desabafar.

Quando eu comecei a escrever no blog, eu tinha o único intuito de ter um lugar para desaguar meus pensamentos sobre maternidade – um tema que eu já amava mesmo ainda nem sendo tentante. Eu queria poder escrever as coisas que eu acreditava, que eu queria, que eu ansiava. Enfim, é pra isso que as pessoas fazem blogs pessoais, não é?

E, bem, eu sou uma pessoa que acredita, sabe. De verdade, eu acredito. Eu acredito nas pessoas, eu acredito em Deus, eu acredito no amor. Eu acredito. Acredito, inclusive, que a gente pode ver a vida de um jeito mais suave, mesmo nas pancadas e nos terremotos. Na verdade, eu passei a acreditar nisso com mais verdade depois que perdi meu bebê, em 2013. Eu passei a escrever aqui no blog como uma espécie de tábua de salvação, desabafava todas as minhas dores e aprendizados. Era a minha tentativa de não me afundar naquela tempestade. E deu certo.

Depois disso veio a gravidez da Agnes e a vida aconteceu da maneira que tinha que ser. Tudo foi dando certo – a gravidez foi bem, pari, amamentei, me mudei. Também cresci. E no meio disso tudo, ainda lá na gestação, eu fui entrando em grupos, fui lendo muitos relatos, fui acompanhando militâncias absolutamente necessárias, mas que acabaram me podando um pouquinho. Pois é, esse é um assunto delicado. Eu, que gosto de ver um lado bom em tudo, que preciso disso inclusive para organizar meus pensamentos, pensei que talvez eu estivesse romantizando a parada toda, coisa que a gente bem sabe que não faz muito bem, nem enquanto pessoas, menos ainda enquanto coletivo. Será que eu estava fazendo isso, meu Deus? Será que estava contribuindo para a propagação de uma coisa que, ao mesmo tempo, eu não concordava? No meio disso, comecei a perceber que as vezes algumas pessoas esperavam que eu falasse das dificuldades, do peso, dos problemas, mas quando eu via, estava dizendo que ela até que dormia bem prum bebê de 3 meses, que estava tudo bem na amamentação e que o pai dela adorava dar os seus banhos. E por que e falava isso? Porque era assim que eu estava vendo. Eu li tanto que as noites iam ser em claro, que quando percebi que nos ajustamos num ritmo de sono que dava certo pra nós duas, achei que estava sendo um sucesso. Eu respondia que ela dormia bem porque pra mim era o que era. Só depois de muitos meses me dei conta de que, na verdade, ela ainda acordava 3 vezes em várias noites, mas pra mim ela dormia bem. Mas o que as pessoas ouviam era: ela dorme a noite inteira, descanso 8 horas seguidas, sou foda, minha filha é um prodígio. Por que eu podia falar do que aprendi de bom com uma perda gestacional, mas não era entendida quando falava do que estava dando certo na maternidade real (real no sentido de que estava acontecendo mesmo, comigo, agora)?

Era como se eu não pudesse falar das belezas enquanto tinha tanta gente no meio da lama, sabe como? Eu comecei a me calar, porque não queria que me entendessem mal, porque queria também ouvir, porque não queria tirar o lugar de fala de quem está em outra vibe. Tentei, inclusive, me “adequar” e falar mais do que geralmente é escondido, mas me sentia mal. E olha, do alo dos meus 27 anos, vou falar uma das poucas certezas que eu tenho na vida: todas as vezes em que tentei me adequar, me ferrei totalmente. Na verdade, quanto mais eu falava do meu cansaço, mais cansada eu ficava, literalmente. Cheguei a conversar com o Cleber sobre isso. Amor, qual é o limite entre o desabafo e uma reclamação sem fim? Pensei muito sobre isso, depois volto pra falar desse assunto. E aí eu me calei. Nem sabia mais qual era a minha voz, ou o meu lugar, ou a minha turma. Puerpério é fogo, eu já disse. E pra mim também pegou nesse sentido.

Demorou pra eu perceber que, muitas vezes, a reação de quem está fora não tem a ver comigo, mas com a própria pessoa. Que a gente é espelho. Se você vê, está em você, é o que dizem. E isso também serve pra mim, para o que eu via. Mas este também é assunto pra outra hora. Demorou pra eu perceber que a minha forma de falar não estava anulando as outras, era só mais um jeito, que mesmo que eu concordasse com elas, não saberia falar da mesma forma, apenas porque não é a minha voz, não porque acho errado. E que tem lugar pra todo mundo nesse mundão.

Hoje eu acho que já me desvencilhei um pouco dessas amarras todas. Acho que tem lugar pra todo mundo e que cada um tem que fazer o que se sente bem. Essa sou eu, afinal. Estou tentando recuperar o meu ritmo de escrita e a forma como compartilho o que sinto. E queria muito falar disso aqui, porque a escrita tem poderes curativos em mim, então, é isso. Só queria mesmo dizer, pra mim mesma, que eu estou voltando pra mim, tentando achar o meu lugar aqui de novo. E que, dessa vez, é pra ficar.

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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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Pequena nota sobre um dia qualquer

A pequena acordou 1:30 da manhã e, ao invés de só mamar e dormir novamente, como sempre, despertou de vez. Ainda estávamos acordados, quase indo dormir, então foi um desencontro de energias total. Finalizamos o que estávamos fazendo e deitamos juntos, com as luzes todas apagadas, mas ela não dormia. Falava, cantava, subia em cima da gente, mamava, rolava pra lá e pra cá. Tive a impressão de passar a noite inteira em claro, mas sei que dormi em alguns momentos. Quando ela está agitada assim eu não descanso nada – imagina ela! Será que é salto? Acordei com ela fazendo as mesmas coisas do início da madrugada, me irritei. A vontade era de enterrar a cara no travesseiro, gritar, exigir que me desse uma trégua. Eu queria muito um tempo sozinha, sem ninguém me escalando ou falando sem parar. Levantei da cama de uma vez e entrei no banheiro. Queria silêncio. Ela ficou lá conversando com o pai, que ainda tentava dormir mais um pouco. Eu estava com cólica, dor nas costas, isso sem contar a cabeça pesada pela falta de sono. Entrei no banho. Deixei a água cair nas costas, me deixei ficar ali um tempinho. Depois fiz café, troquei sua fralda e seguimos conversando. Ela disse alguma coisa – não me lembro o que – e percebi que já não estava mais nervosa como quando levantei. Estava cansada, mas não irritada. Rimos juntas, comemos. E o dia seguiu assim – ora eu precisando de algum espaço, ora estando junto para o que estivesse acontecendo. A balança pesando bem menos pro meu lado, mas era o que tinha pra hoje. Chegamos ao fim do dia sem gritos. A noite chegou e eu estava bem. O que havia acontecido na madrugada tinha ido embora pelo ralo, naquele banho da manhã. Só o que restava era a gente seguindo nosso ritmo.

Me dei conta (de novo) de como é importante deixar os sentimentos virem e que, ainda mais importante, é deixá-los irem embora também. Não preciso me prender a isso o dia todo – seja lá o que for. Feliz por ter acolhido nós duas hoje. Não precisa ser totalmente do jeito que eu quero para ser satisfatório. Por hoje eu aprendi.

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O segundo ano como mãe e a vida fora do binômio

Ainda no clima dos registros desse segundo ano de vida que está quase chegando, hoje quero falar um pouco sobre uma situação que, sinceramente, eu não havia me preparado muito. O fim do puerpério.

Veja bem, muito se fala sobre o pós parto. É uma fase delicada, em que o bebê está conhecendo o mundo, a mãe está conhecendo sua nova condição e ambos estão tão ligados um ao outro que é quase como se cordão ainda estivesse ali. Comigo foi assim, pelo menos. Tive um puerpério meio tenso do ponto de vista dos meus fantasmas e neuras. Do ponto de vista da fusão com a Agnes, entretanto, foi um período realmente intenso, mas que curti muito. Eu sabia que ia ser assim, eu realmente queria que fosse assim. Não senti muita vontade de ir a lugares sem ela, fazer as coisas de antes, nada disso. Eu estava tão mergulhada ali no nosso oceano que não concebia a ideia de fazer qualquer coisa sem a presença dela, simples assim. Com isso eu não sofri. Se havia vontade de sair, ver gente, eu ia com ela. Estava tudo muito bem resolvido na minha cabeça, estávamos felizes assim.

Aí o puerpério acabou. Mais ou menos quando ela fez 1 ano eu senti que estava acabando. E acho que todo esse segundo ano foi uma despedida disso. Sabe quando a gente vai na beira da piscina e fica só molhando os pés, sentindo a água aos pouquinhos, ainda decidindo se pula de vez ou se entra devagar? Essa fui eu nesse segundo ano. Não foi assim tão simples quanto eu achei que seria.

Eu nunca tinha ouvido falar de mãe que não sabe lidar com isso. O que eu vejo bastante é a vontade de voltar a ter tempo pra si, a trabalhar, a sair com amigos, namorar, viajar. Tudo em torno de um distanciamento muito esperado por aquela mulher, que muitas vezes se sente sufocada ou até mesmo presa na condição de puérpera. A minha maior dificuldade estava em justamente conseguir ter essas vontades. Porque eu fazia tudo que queria, só que com ela do meu lado. Unha, cabelo, cinema, encontros com amigos, show, viagem. Onde quer que eu fosse, lá estava minha pequena moça a tira colo. Só que aí o cenário foi mudando, as demandas foram diminuindo de um lado e aumentando do outro… Eu me via sozinha (quando ela estava com os avós ou só com o pai), por minutos que fossem, e a cabeça ainda estava nela. Demorou pra virar a chavinha aqui dentro e me permitir pensar só em mim, pra variar, rs.

Em janeiro comecei a fazer sessões de coaching e, além de todos os ganhos e descobertas que tive, foi incrível perceber o quanto aquelas duas horinhas semanais só pra falar de mim estavam me fazendo bem. O quanto eu estava precisando disso. Foi quando eu realmente relaxei e abracei essa nova fase. Hoje eu já estou mais adaptada a essa vida fora da fusão. Esses dias até fui numa sessão de cinema só com a minha prima, vejam só que avanço, rs.

Ah sim, com essa nova realidade surgem novos desafios, porque  nem sempre é tranquilo conseguir conciliar as minhas vontades com as demandas dela – mas com certeza já avançamos muito (não que haja um lugar a se chegar, mas né, deu pra entender o raciocínio, haha).

Estamos crescendo, filha, estamos sim. 

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Por onde andei

Tenho a sensação de que já aconteceu muita coisa desde a última vez em que estive aqui. Ou que já vinha acontecendo desde antes. O fato é que senti saudades daqui e resolvi aparecer. Pra contar da vida, pra falar de nós.

Quando a pequena completou 1 ano, bateu forte em mim o lance de me reinventar. De novo, né? Porque ser mãe, pra mim, já é se permitir viver o novo sempre. E eu realmente me joguei nisso, mergulhei fundo em todas as novidades que apareceram, pelo tempo que tinha de ser. Mas estava chegando a hora de voltar à superfície e respirar outros ares novamente. Ver como seria esta experiência, de andar em outros caminhos que não fossem aqueles traçados por peraltices ou questões de cunho maternal.

Eu sabia mais ou menos o que queria fazer, só não sabia como.

Posso dizer que desde a época que quero ser mãe, quero também uma outra coisa, que sempre amei fazer e que faço desde que aprendi, aos 4 anos: escrever. Aliás, esse é um dos motivos de eu ter criado o blog: a minha paixão pela palavra escrita. Logo, é compreensível e até esperado que uma das minhas profissões mais respondidas quando criança era “serei escritora”. Eu fazia livrinhos, ilustrava, criava as falas, tudo. Era mágico.

Depois, mais do que a possibilidade de criar histórias, a escrita se tornou um refúgio. Para mim, que sempre fui tímida, escrever sempre foi minha melhor forma de expressão. Os livrinhos em folha sulfite ficaram lá na infância, como uma brincadeira, mas o ato de registrar meus feitos, sentimentos e pontos de vista cresceram junto comigo. Em algum momento do caminho, isso acabou se tornando só mesmo mais uma característica minha, algo normal. Eu escrevo porque é a única coisa que eu sei fazer, ué. Escrevo porque é como me comunico melhor, como resolvo minhas pendências internas, como elaboro o quer que esteja me incomodando. Sempre foi assim, pensei que continuaria sendo.

Mas aquela vontade de escrever um livro ainda morava em alguma parte do coração, isso eu sabia muito bem. Sempre tive certeza de que, em algum momento, as coisas iam acontecer e ele ia surgir. Provavelmente seria sobre algumas memórias que eu juro desde bem pequena que tenho e que vão morar no papel. Não sou boa em inventar uma história assim do nada, essa parte eu deixaria pra quem sabe. Isso tudo como uma possibilidade distante, uma vontade longínqua. Por hora eu seguiria escrevendo meus posts e outras coisas em outros lugares não publicados e fim de papo.

Só que aí vem a maternidade e muda nossas certezas de lugar, não é mesmo?

Com a vontade de voltar a fazer algo por mim e só por mim, a vontade de escrever um livro gritou forte. Como assim, gente? Eu nem conheço ninguém que possa me assessorar, e como eu ia vender, e que editora vai me publicar? Foram algumas perguntas que eu cansei de ouvir, numa vozinha irritante dentro da minha cabeça, querendo me impedir de seguir em frente. No fim do ano passado eu coloquei todas elas no modo silencioso para ver o que conseguia fazer com o que havia sobrado em alto e bom som: a vontade. Comecei a esboçar algumas coisas, colocar algumas ideias na tela em branco, tudo muito abstrato, sem saber o que seria amanhã.

No início desse ano eu decidi que isso ia acontecer e era assunto encerrado. Comecei a escrever diariamente com o intuito de levar isso para além dos limites da minha casa (e dos meus olhos). Ainda não vou dizer sobre o que é exatamente, mas tem muita memória, muita maternidade, muita infância, muito aprendizado e tudo mais que tenho visto por aí nesses anos todos de vida. Deve ficar pronto em um ano, se as coisas andarem como imagino.

Só que para a minha completa surpresa, algo aconteceu no meio do caminho. Um dia, cansada e lidando com sentimentos chatos que surgiram no meio das palavras, e não querendo entrar em pensamentos como “estou com bloqueio criativo” ou coisa do gênero, porque eles não ajudam em nada, abri uma nova tela em branco e comecei a escrever outra coisa. Outra coisa, nada a ver com o que havia na janela ali do lado. Uma história que não era minha, apesar de ser. E continuei escrevendo. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro. E nos 30 e poucos dias seguintes a mesma coisa. Me apeguei na história e ela realmente aconteceu pra mim. Até hoje. Hoje eu acabei de escrever o meu primeiro livro de ficção. Um livro que não é sobre maternidade, não é sobre o meu universo, e que gostei muito de ter feito. Muito mesmo! Depois de pouco mais de 1 mês de trabalho. De madrugadas adentro, de sono, de bebê brincando longe com o pai e os avós, ou chorando querendo mamar, ou brincando na sala comigo inventando musiquinhas. 1 mês não sabendo o que aquilo ia virar, andando com a visão apenas até o próximo passo, e continuando mesmo assim. E as vezes achando que não ia dar muito certo, mas sem muito tempo de me ater nesses detalhes. Eu consegui. Um dia depois da Páscoa, celebro uma nova fase da minha vida, uma nova Marina que também divide espaço com as outras que já estão aqui.

Não sei o que vai ser desse meu pequenino filho que nasceu hoje. Não sei se vai ficar morando apenas na minha gaveta, ou se o jogo pro mundo em algum momento, tal qual uma mãe passarinha empurrando seu filhote do ninho para voar. Não sei se algum dia vou ganhar dinheiro com isso. Nem se alguém vai gostar. Por enquanto me basta o sentimento de saber que sou capaz de fazer o que eu quero. E que aquela menina que ainda ontem eu era, se orgulha da mulher que tenho me esforçado para me tornar.

Existe vida própria depois dos filhos, gente, e ela é linda!

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Estudo psicológico sobre as redes sociais

 

Pode ser que eu acorde um dia me sentindo péssima, com duas espinhas no rosto, cabelo teimando em permanecer pra cima e pés de galinha no canto dos olhos. Eu posso, então, lavar o rosto com água fria pra acordar, passar um BBcream, prender o cabelo e seguir meu dia normalmente, inclusive saindo de casa e mostrando a minha cara arrumada pra sociedade. Eu posso rir disso no fim do dia. Eu posso decidir passar no salão para fazer as unhas e me sentir um pouco melhor comigo mesma. Eu posso só ir vivendo mesmo e aceitar como um dia normal, que vai chegar ao fim. Porque afinal é só um dia comum, na minha vida comum. E tudo bem.

No meio disso tudo, lá no salão, eu resolvo tirar uma foto dos meus pés de unhas coloridas, porque eu adoro minhas unhas dos pés coloridas e porque, nossa, realmente faz tempo que não faço algo por mim, preciso registrar isso. E posto em alguma rede social.

A pessoa lá do outro lado, deslizando fotos no instagram ou no facebook, se depara com os meus pés coloridos e vai ter certeza que eu sou um sucesso de pessoa. Que eu sou organizada o suficiente para conseguir uma brecha no meu dia e ir fazer as unhas. Que minha casa está limpa e minhas roupas engomadas. Que alguém está cuidando da minha filha enquanto isso, e que eu tenho muita sorte por isso. Que eu só consigo esse horário porque não trabalho, assim fica tudo mais fácil. Eu sou um sucesso de pessoa. Ou, pode ser que me ache uma fútil, que paga manicure, mas não paga a feira orgânica. Que terceiriza a filha para fofocar no salão. Que posto foto colorida, quando o mundo anda tão cinza. Que é tudo mentira. Ilusão. Justo eu, que quero ser hippie, isso é tudo falácia mesmo, não dá mais para acreditar em ninguém hoje em dia nessa internet. Ou, numa terceira hipótese, a pessoa passa direto pela foto porque não chamou sua atenção e ela não perde tempo lendo legendas que não lhe interessam.

Para cada reação, posso quase garantir que o que vai prevalecer para essas reações não é o filtro que eu escolher pra foto ou a legenda. É o que a pessoa está sentindo no momento. É o dia que ela está tendo. É a bagagem que ela carrega.

Do ponto onde me encontro, é apenas uma foto de um momento que finalmente deu certo na minha semana. E o texto poderia acabar aqui, ou com alguma reflexão sobre como uma mesma coisa pode render muitos pontos de vista. A vida, essa maravilhosa. Mas eu ando meio angustiada com uma coisa. Ainda usando o exemplo acima, digamos que a pessoa não só projetou algo da vida dela nos meus pés coloridos, ela fez um post sobre essa projeção. Que gerou ainda mais projeções, que gerou revolta, e a história não tem fim. Como se, usando os defeitos ou erros de outra pessoa, eu conseguisse promover as minhas qualidades, ou anulasse os meus pecados. Sororidade, definitivamente, não é isso.

Agora eu paro pra pensar: que tipo de realidade as pessoas querem nas redes sociais? Porque assim, falando de verdade, não tem como a gente compartilhar tudo cem por cento 24 horas por dia. Que bom, né! Eu fico pensando em algumas pessoas que acham que o que se vê ali na timeline é o retrato fiel e a prova irrefutável do que quer que seja que ela pense sobre a vida do outro. Gente, isso não existe. Assim como não dá para julgar a pessoa por uma conversa que ouvimos no ônibus. Ou apontar o dedo pra birra que vemos no corredor do shopping. Eu sei que o julgamento existe, o que quero dizer é: tamo fazendo tudo errado!

Penso também no seguinte ponto: essa coisa fidedigna que tanto queremos, porque ela anda causando tanto alvoroço? Para além da discussão do mundo romantizado, quero dizer. Digo, eu sei que #precisamosfalar sobre um punhado de assuntos. E precisamos mesmo! Enquanto sociedade, a discussão precisa ser feita em muitos níveis, sobre tudo. Estamos quebrando muitos paradigmas assim, e é só o começo. Porém, o meu ponto é: para além disso, o que mais te incomoda? O quanto já mentiram pra você na sua vida toda? O quanto ser enganado já tirou a sua fé? Por que é tão importante se manter forte, quando tudo o que você precisa é de um abraço e um pedaço de bolo? Quando você deita a noite e relaxa dos assuntos mundanos, o que sente? Que dor é essa que ainda persiste e parece nunca ter fim? Como foi sua infância?

Não sei. Talvez fosse legal a gente ter aulas de autoconhecimento na escola. Eu sempre quero entender porque cada um sente o que sente. Pessoas são mundos inteiros, cheias de possibilidades e de respostas e de perguntas. Seria muito bom aprender sobre todas essas coisas desde cedo. Aprender a olhar para quem somos de forma inteira, não enviesada. Olhar para dentro, não para os estereótipos. Aprender a lidar com o que não é belo, e apreciar o que é. Entender que há muita coisa dentro de mim e que, veja só que surpresa, deve ter muita coisa dentro do outro também. É muito mais produtivo lidar com os próprios fantasmas, ao invés de jogar no colo alheio. Muitas vezes, a gente consegue isso justamente se relacionando com outras pessoas. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Aprender a nomear também é importante. Quando a gente aprender a ser gentil com quem somos, e a ter coragem para nos olharmos, talvez a gente consiga ter uma escuta mais atenta pro outro também. Porque no fim das contas, em uma infinidade de vezes, nós vemos as coisas mais como nós somos do que como elas são. E isso muda tudo.

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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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Divagações de um domingo 

Eu gostaria que entendessem que não existe essa coisa de menas mãe. Apenas não existe. O que existe é cada uma fazendo o que pode com o que tem no momento. O que não significa que tudo está justificado e que posso fazer qualquer coisa usando essa premissa como um escudo. Sempre é tempo de refletir, de pensar se as coisas estão caminhando de um jeito bacana, se posso aprender algo mais. E sempre podemos, essa é que é a verdade, mas cada um sabe do seu tempo, da sua disponibilidade.

Acho estranho quando vejo relatos do tipo: “não aguento mais ver fotos de mães que se dizem perfeitas!”, “unhas feitas, filhos penteados, casa limpa, etc etc etc”. A lista é grande. E não me incomodo porque posto esse tipo de foto (até porque só fiz a unha depois que a Agnes nasceu uma mísera vez, hahaha), mas porque eu percebo uma energia grande sendo direcionada prum lugar que não dará o mesmo retorno: a vida do outro. 

Gente, quando vamos entender que a internet é um recorte da vida, e não o todo? E que cada pessoa a usa de um jeito? E, mais importante, que a forma que a colega usa não tem nada a ver com a gente, e sim com ela? Claro que postamos pros outros também, para o bem ou para o mal, mas se formos levar tudo pro lado pessoal, a coisa fica complicada. 

Sem contar que quando elencamos as coisas que tornam uma mãe “perfeita”, geralmente não estamos falando da mãe, mas sim de um padrão. Padrão que alguém inventou e continuamos seguindo, muitas vezes no automático, sem nos darmos conta que nem tudo faz muito sentido, nem cabe na nossa vida, muito menos precisa ser feito. Tem que fazer assim, de jeito nenhum fazer assado. Como se todas estivéssemos nas mesmas condições sociais, com os mesmos horizontes, vivendo tudo de maneira exatamente igual. E aí é traçado uma linha em que todas devemos permanecer em cima, sob a pena de sermos carimbadas com o estigma da menas. Não, muito obrigada, mas dispenso esse peso. Não faz o menor sentido, inclusive.

Nos incomodar pela maneira que o outro vive, a ponto de querer que ela faça tudo diferente, não vai nos fazer melhor. Não é sobre a gente. Lembrando que a mudança é uma porta que só abre por dentro. A vivência da maternidade por vezes já é muito solitária. É preciso mais acolhimento. Menos desconfiança. Mais abraços e braços dados. Por uma maternagem mais leve.

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