Arquivo da categoria: renascimento do parto

Dois dedinhos de prosa

Oi, gente linda! Dei uma sumidinha, né? As coisas estão meio agitadas do lado de cá. Mas resolvi passar aqui hoje para, como diria minha mãe, colocar a fofoca em dia, rs.

E como não começar parabenizando a Carol pelo nascimento do Thomas? Já faz uma semana, mas nunca é tarde para dar os parabéns. Ele é uma delicinha de bebê e chegou nesse mundão através de um parto natural, que a mami-Carol já contou aqui, e foi como deve ser: com muito respeito e rodeado de amor. Me emocionei de verdade, Carol! Parabéns pelo filhote lindo e bochechudo, rs ❤ (e eu também quero minhas fotos de parto com a Carla, ela arrasa, né?! 🙂 )

E por falar em respeito ao parto…
Ontem foi dia de Projeta Brasil, o dia em que a rede Cinemark passa só filmes nacionais a 3,00. E qual era um dos filmes escolhidos esse ano? Sim, senhoras e senhores, ele, o lindo, o emocionante, o inigualável, tudo de bom… O Renascimento do Parto!!! \o/
Ele já tinha saído de cartaz aqui em Sampa há um tempinho. Eu queria muito ter levado minha mãe e uma amiga minha para ver, mas logo depois da estreia teve a minha perda, repouso e, depois, minha mãe falava que não estava em nenhuma vibe de ver filme parto (acho que nem eu, na verdade). Acabamos não indo. Agora, quando vi que ele foi selecionado, corri para contar pras duas e já deixar marcado.

E pois bem, dia 11/11 chegou e lá fomos nós! Um calor do inferno nessa cidade e a gente andando no deserto do saara debaixo do sol rachando até chegar ao shopping, mas tudo por uma boa causa, né? E nada que um bom sorvete não tenha apaziguado depois 😛
Já comprei logo um saco de pipoca bem grande, porque eu sabia que seria necessário (pra ter o que fazer quando passasse as cenas de cesária e as de violência obstétrica – olhar compenetradamente para o saco de pipoca e tentar colocar o maior número delas na boca de uma vez, hahaha).
Foi uma delícia assistir de novo. Sentei no meio das duas, para acompanhar as reações, rs. Minha amiga ficou calada o filme todo (quer dizer, no início ela tentou me perguntar uma coisa, mas deixamos para esclarecer as dúvidas no final), bem concentrada. Já minha mãe, ficou horrorizada principalmente com as cenas do tratamento que os recém-nascidos recebem ali na sala de parto, ficava dizendo “que horror! eles são muito brutos! isso é um absurdo!”. Ela ficou bem indignada mesmo. Eu também sinto vontade de chorar quando vejo, confesso. Mas dessa vez o que me emocionou mesmo foram as cenas felizes dos partos respeitosos. Gente, como é lindo ver um bebê nascendo e sendo recebido com amor, com respeito, com carinho, como deve ser sempre. Mexeu muito comigo essa parte (mais uma vez) e faltou uma gotinha pra eu me desabar a chorar. E o mais gostoso foi, no fim do filme, ouvir minha mãe dizer: “ah não! mais do que nunca a gente vai lutar pelo seu parto, vai ser lindo!”, “eu estava pensando, acho que você deveria ter o parto na água. é lindo e bem menos traumático pro bebê. acho mesmo que deveria ser na água!”, entre outras coisas.
O caminho todo da volta foi animadíssimo, regado a muita conversa e esclarecimento de algumas dúvidas. Não tem como negar, o filme é forte, mexe com a gente meeesmo e você sai do cinema toda ocitocinada, com vontade de mudar o mundo, de fazer alguma coisa… e de parir logo! haha. Elas me agradeceram por eu ter insistido em levá-las e adoraram a produção. E quando sair em dvd, certamente vou comprar também. Como bem disse minha mami: quando sair o dvd eu quero, vamos mostrar pra todo mundo, fazer um trabalho mesmo com as pessoas. Linda, sim ou com certeza? 😀

Mudando totalmente de assunto…
esses dias eu andei pesquisando (ainda mais) um pouco sobre as fraldas de pano modernas. Lindas, econômicas, ecológicas, fáceis de usar, tudo de bom! Sério, eu acho a coisa mais fofa do mundo, rs! Já decidi que usarei no meu futuro baby, sim, com toda certeza, e daqui a pouco já quero começar o estoque, porque não quero fralda descartável (acho que no comecinho devo usar as wiona, que são biodegradáveis e meio carinhas, mas um pacote ou dois eu compro, pra suprir os primeiros dias de cansaço, e depois partimos pras de pano mesmo). Na verdade, até pensei em revender algumas, porque eu estava pensando que seria muito bom trabalhar com alguma coisa referente a maternidade. Mas ainda não sei, foi só uma vaga ideia que passou aqui pela caixola, nada mais.

E é isso, chega de falar porque senão isso aqui fica gigante, haha. Tudo bem com vocês? Estou ausente aqui no blog, mas passo diariamente no cantinho de todo mundo e costumo dar às caras com maior frequência lá na página do face. Se precisarem de algo, estou por aqui 🙂

Voltarei em breve (mas não sei quando, rs) com mais trololó.
Beijo, todo mundo!

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O Renascimento do Parto – O filme

A Folha de São Paulo organizou uma pré-estreia do filme O Renascimento do Parto, juntamente com o Espaço Itau de Cinema – Frei Caneca, ontem, dia 05 de agosto.
Eu havia visto esta notícia na internet, mas nem planejava ir. Como a estreia para o público está marcada para o dia 09, que é o dia do meu aniversário, e como eu não contribuí com o valor que dava direito à ingressos da pré-estreia para benfeitores e convidados (que é hoje, dia 06), já havia decidido que era nesse dia que eu iria, como um presente. Mas aí a minha prima viu a notícia também e me chamou para ir com ela. Claro que topei, na hora! Adoro uma mudança de planos. Ela nem sabia ao certo como seria, não conseguiu ver o trailer, mas eu contei pra ela como era, falei que eu tinha contribuído para ajudar o filme a chegar nas telas de cinema, e então nos animamos ainda  mais. Combinei também com o Cleber – que trabalha lá perto – e fomos.
O evento – com um debate logo após a exibição do filme, com a presença do diretor do filme Eduardo Chauvet, da produtora e roteirista Erica de Paula, da pediatra e neonatologista Ana Paula Caldas e da ginecologista e obstetra Carla Andreucci Polido – foi gratuito. Os ingressos seriam distribuídos a partir das 19:00, por ordem de chegada. Sabendo disso, e sabendo que provavelmente iria estar bem cheio, combinamos de chegar cedo, para garantir um lugar na fila.
Pois bem, chegamos, minha prima e eu, às 18:00. Ainda não tinha ninguém esperando, então descemos para comer alguma coisa.Quando voltamos, meia hora depois, já tinha uma ou duas pessoas, mas de forma meio aleatória ali pelo lugar. Perguntamos para atendente onde seria a fila e a iniciamos. Sim, fomos exatamente as primeiríssimas da fila! Ingresso garantido nós teríamos. Algumas pessoas foram se juntando e, alguns poucos minutos depois, já tinha muita gente. Parece que combinaram de chegar todos juntos. O Cleber chegou um pouco depois e se juntou a nós. A fila foi crescendo, o tempo foi passando e já era possível sentir um misto de animação e ansiedade no ar – ou seria em mim?
Com ingressos em mãos, esperamos mais uma horinha e finalmente havia chegado a hora de assistir, na íntegra, aquele filme que eu havia esperado tanto para ver.

Não vou fazer spoiler (pelo menos vou tentar). Até porque eu sei que muitos aqui verão o filme na pré-estreia de suas cidades, ou na estreia, ou em qualquer outro dia. O que eu preciso dizer é: o filme é sensacional! É forte, é intenso, é lindo, é emocionante. Muitos sentimentos juntos. Intensidade. Sinestesia.
Comprei um pacote grande de pipoca e suco de maracujá, e foi ótimo, rs.
Para as pessoas mais sensíveis com cenas de cirurgia e intervenções, como eu, é imprescindível que não se vá sozinha. Eu fui com duas pessoas mesmo porque sabia que seria complicado nessas partes. E eu vi muito pouco disso, porque fechava o olho e comia pipoca quando a coisa ficava mais difícil pra mim – tanto que algumas legendas eu nem li. Eu via algumas cenas e, instintivamente, colocava a mão na barriga, querendo proteger o meu bebê de toda e qualquer coisa que possa nos fazer mal, que nos afaste do processo natural de nascer.
O mais impressionante foi que eu não chorei.
Sempre chorava, pelo menos um pouquinho, quando via o vídeo promocional. Fui preparada para sair com os olhos vermelhos e o rosto inchado. Mas não aconteceu. O que não significa que eu não tenha me emocionado, muito pelo contrário. Fiquei estarrecida em muitos momentos. Chocada com algumas cenas, muito comovida com várias falas das pessoas que deram seus depoimentos. Sem contar os profissionais brilhantes que falam muitas verdades também. Mas as lágrimas não chegaram a cair. Foi tão intenso pra mim que, quando acabou, eu mal consegui me mexer na cadeira, minha cabeça pulsava de vontade de ver logo uma mudança, e ao longo do filme eu fui sentindo um calor enorme. Ainda bem que teve o debate depois, assim não precisei levantar.

Para mim, que estou envolvida até o pescoço com assuntos de humanização e respeito ao parto e nascimento, não foi exatamente uma surpresa. Claro que a gente já sabe muita coisa que foi dita ali. Mas ver um panorama bem amplo da situação, todos os fatos juntos, bem grande numa tela inteira de cinema, é muito forte. É inevitável o pensamento de que é preciso mudar, urgentemente, o cenário obstétrico brasileiro atual. Nunca vou deixar de me chocar com alguns casos. Não dá para lutar, por qualquer causa que seja, com indiferença. É por achar que muita coisa é normal e aceitável que chegamos onde chegamos. E partindo do pressuposto de que todas as pessoas nascem, este é, sim, um assunto de toda a sociedade.
Não é um problema com uma causa só. Como bem disse a parteira Ana Cristina Duarte, não existe um lobo mau da história, o problema é multifatorial. Ou seja, é preciso trabalhar em várias frentes para conseguirmos um bom resultado a longo prazo – porque nada vai mudar da noite pro dia, não sejamos ingênuos.

Sobre o debate, foi rápido, cerca de 40 minutos, mediado pela repórter especial da Folha, Claudia Collucci. Ela fez perguntas para a mesa, e depois abriu para a público também. Na minha opinião, foi bem rico, apesar do pouco tempo. A obstetra Carla Andreucci é muito esclarecedora (e adora falar, rs). A Ana Paula Cladas também; me senti privilegiada por estar ali, participando daquilo tudo.
Além delas, estavam na sala, também, o doutor Jorge Kuhn, a Ana Cris Duarte e mais um monte de gente linda do movimento da humanização. Agora imaginem, quando eu vi o doutor Jorge na fila, foi quase como se eu tivesse visto um artista, fiquei muito feliz, rs. Porque eu sei da importância de cada um deles dentro do movimento, respeito muito tudo que eles dizem, confio muito, admiro demais.
Algumas pessoas falaram, e foi bem legal também ver as dúvidas serem respondidas ali na hora. Um médico obstetra (que faz parto há 40 anos, como ele disse) também falou, falando o lado dele, mas também que é um caso complexo, etc. A Ana Cris falou lindamente depois, a respeito do que ele falou, e nossa, todas as pessoas deveriam ter a oportunidade de ouvir essa mulher, ela é muito clara e muito direta. Foi aplaudida no final. E aí acabou o tempo.
Infelizmente estávamos de ônibus, e já estava tarde, então tivemos que ir embora rápido, nem deu tempo de dar um abraço nela e cumprimentar as outras pessoas.

Foi uma experiência muito enriquecedora. Uma aula mesmo.
E ainda pretendo ver o filme mais uma vez, com a minha mãe.

E se eu puder dizer apenas uma coisa às gestantes, eu diria: informe-se! Você tem direitos e eles devem ser respeitados em qualquer lugar, seja no SUS, ou na rede particular. Leia, frequente grupos, cerque-se de pessoas com informação de qualidade. Empodere-se. O corpo é seu. O parto é seu.

E não deixem de ver o filme – que foi selecionado para o 6º Los Angeles Brazilian Film Festival também já foi confirmado a ser exibido DocBrazil Festival – China 2013. Ele vai abrir muitas portas, acredite.

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Ajudando a parir a mudança que quero ver no mundo

Acabei de fazer minha contribuição para que o filme O Renascimento do Parto chegue logo às telas de cinema. Não foi um valor muito alto, e na verdade até pensei em não doar, porque as coisas aqui estão um tanto quanto apertadas. Mas o motivo é maior. Eu acredito no alcance que esse filme terá na vida das pessoas. Eu quero que cada vez mais e mais gente perceba que os valores foram invertidos no nosso país e que as consequências desse ato podem ser bem piores do que supõe a nossa vã filosofia. De pouco em pouco nós já alcançamos muita gente. E vamos alcançar cada vez mais, eu tenho certeza disso. Por isso eu doei.

Estou bem sensível essa semana, meu sinal clássico de tpm. E tenho pensado muito sobre o nascimento do meu futuro baby. A realidade é que eu não sei se terei toda a condição financeira para pagar a equipe que eu já chamo de minha. Claro também que já tenho uma segunda opção igualmente humanizada e mais acessível para o caso de eu precisar, que é a Casa de Parto. Mas sabe quando bate um medinho?
Vou ser especialmente sincera com vocês: não existe, hoje, algo que eu queira mais do que ter o meu filho. E não quero adiar ainda mais a sua chegada por conta da minha pobreza  angústia em ter em mãos, antes de qualquer coisa, toda a quantia necessária  para que as coisas saiam da forma como eu gostaria que saísse. Ele é quem sabe a melhor hora de vir, mas eu já o espero e quero muito.
Não, eu não estou depositando “toda a minha felicidade” no ombros ainda inexistentes dele. Eu sou muito feliz agora. Sou muito feliz com o meu marido (eu diria muito feliz, nesse caso, rs), e sou bem feliz comigo mesma. Nunca consegui esperar tal ou qual acontecimento para viver a felicidade. Esse é um sentimento que me acompanha no caminho, e não na chegada. Dizendo em outras palavras, eu me sinto bem na minha própria pele; sofro um bocado, choooro pra caramba, mas sou feliz. E também não acho que “só falta o bebê para minha família ficar completa”. Meu marido e eu não completamos um ao outro, nós somamos. Somos duas pessoas inteiras que fazem a escolha diária de viver juntas, uma parceria-amor que só nos faz bem. Então não é com o nosso filho que vamos pensar em “complemento”. Ele vem somar ainda mais às nossas vidas. Mas eu o espero muito. Nós o esperamos muito, isso é um fato. Eu já tenho sentimentos e vontades dentro de mim que sei que são destinados à ele (para eles, porque queremos mais de um filho, rs). Essa é a parte difícil, porque por vezes esses sentimentos se afloram de uma tal forma e eu não tenho algo externo para canalizá-los. Não sei o que fazer com tudo isso ainda, então eu apenas os sinto aqui dentro e os guardo de novo, ou escrevo para amenizar essa espécie de saudade do que ainda não veio.
Eu não consigo explicar de uma forma sólida, desculpem, mas eu sinto de uma forma muito forte que ele (só para ilustrar, gente, não faço a mínima ideia de se é menino ou menina, rs) está perto. Pode ser que não esteja perto de vir morar na minha barriga, isso eu não tenho como saber com certeza, mas tomara que seja logo. Eu o sinto perto de nós mesmo, quase como uma presença. Mas também não é que eu ache que ele está aqui no meio de nós, por exemplo, como uma alma visitante ou perdida. Também não é isso. Mas eu o sinto. É um tipo de pressentimento que de vai acontecer. E eu digo que ele pode vir quando quiser, estamos nos preparando constantemente para a sua chegada e faremos de tudo para que sua vida aqui conosco seja a mais linda e respeitosa possível, cheia de amor e de carinho.
E então eu penso no parto. Que é sua primeira transição nessa vida, e eu acredito completamente que essa passagem deva acontecer da maneira mais natural possível, dentro do tempo que a natureza entender como certo e suficiente. Amor nós garantimos que não irá faltar. Mas a dúvida iminente que insiste em se instalar na minha cabeça, sobre condição financeira suficiente para proporcionar o melhor na hora de seu nascimento, me dá um certo medo, confesso. Porque depois nós podemos arrumar nossas malas e ir morar na roça, se for o caso, desde que estejamos juntos e felizes. Mas eu não aceito nada menos que o melhor para todos nós durante todas as horas em que estivermos nos preparando e para o parto propriamente dito.

Para isso eu luto e estudo e converso com a minha família há bem mais de um ano. E se eu puder, vou falar para quem mais quiser ouvir também. Porque, sinceramente, eu não aguento mais ouvir que sorinho é natural, que cesárea é normal. Natural é o que for mais confortável para o bem-estar da mulher e do bebê, quando vão entender isso? Se ela quiser analgesia, que assim seja, esse é um direito adquirido e deve ser respeitado. Mas que seja também respeitado o direito de parir em casa, por exemplo, se assim for o desejo dela. Eu não aguento mais esse descaso com o recém-nascido e com a mulher, e também com o homem.
É preciso mais amor, mais empatia, mais alma.

E é também por isso que eu doei para que o filme chegue logo. Precisamos conscientizar as pessoas, precisamos de políticas públicas que atendam toda a demanda de nascimentos no país da forma como tem que ser: com a mulher como protagonista. Precisamos de pessoas, e não de números. Precisamos de ocitocina natural, e não sintética. É preciso renascer. E eu quero ajudar parir essa mudança.

Adoro Arnaldo Antunes, e ainda mais essa música dele, que já é a minha música do parto. 

(acabou virando um baita texto, mas eu não planejei, apenas abri a página e fui escrevendo conforme fui sentindo. Então não sei se está na melhor ordem, ou totalmente coerente, mas é o que eu precisava exteriorizar nesse momento).

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