Arquivo da categoria: Sem categoria

Vida nova

Quando você para de querer entender com a razão cada passo que é dado no seu caminho, você abre as portas e as janelas do peito para finalmente SENTIR e SER a tal da mudança que você tanto queria.

Aquela brisa em fim de tarde que traz vida e renovação.

Você aprende a respeitar o seu ritmo, o ritmo do seu corpo. A celebrar as pequenas conquistas. Navega com mais fluidez no rio da vida – e respeita os tempos de mergulho, de descanso e, principalmente, respeita as margens e os desenhos do rio.
E quando a noite chega, antes mesmo que você sinta medo do breu, só o que te salta aos olhos é um céu estrelado que te lembra de ser estrela, de ser sonho e de silenciar para ouvir tudo que está sendo dito pelo invisível.
Invisível. Aquilo que não podemos ver com os olhos físicos. Mas que a alma sabe. As maiores mudanças começam dentro, em silêncio. Feito semente plantada na terra. Feito sonho plantado no coração.
Feito uma vida que começa no útero.
Semente que cresce e que transforma, antes mesmo de poder ser vista e tocada, as paisagens e os passos dados “aqui fora”.

A primavera vem chegando, é tempo de florescer.
É tempo de celebrar a vida que vem pra colorir ainda mais essas terras.

13 semanas de uma pessoinha inteiramente nova sendo feita dentro da minha barriga.
Eu tô é feliz demais.
É mesmo bem mágico essa coisa de viver.

Anúncios

5 Comentários

Arquivado em Sem categoria

Das coisas que a gente fala

“Mamãe, hoje na escola ninguém queria jogar a bola pra mim”

“É, filha? E como você se sentiu com isso?”

“Acho que eu me senti sozinha”

Nos abraçamos em silêncio. Não era só a mãe da Agnes dando um conforto pra sua filha. Era a criança que eu fui abraçando um sentimento que ela reconhece tão bem. Éramos nós duas sendo abraçadas e sentindo que ainda bem que o tempo é vivo e faz a roda girar e ficar tudo bem.

Mas independente disso, é mesmo um baita presente poder olhar pra minha filha e ver que ela consegue falar o que sente. Dentro do possível pra ela e para os seus quatro anos – e as vezes demora uns dias pra ela soltar e dizer. Mas ela fala.

Como num dia que ela virou pra mim e disse:

“Mamãe, quero conversar com você. Por que você tá brigando tanto comigo?”

“Porque a mamãe anda muito cansada, filha. E quando eu tô cansada eu acabo brigando com mais facilidade. Mas me desculpa. Já percebi e estou melhorando essa parte, não é culpa sua”.

Esse diálogo aconteceu depois da sequência de fatos: eu cansada/estressada brigando ou me irritando com facilidade sem nem perceber as consequências -> Agnes absorvendo a energia e ficando mais sensível -> Agnes chorando na escola/querendo ficar só perto de mim e nervosa com o pai -> eu irritada com isso e o ciclo todo de novo -> minha ficha caindo que ela queria mais atenção dos pais, com presença inteira -> Cleber e eu alinhando isso e passando mais tempo juntos dela -> ida só nós três no parque sexta depois da escola, com muita conversa e atenção + fim de semana de boas -> ela me dizendo a frase do começo na segunda.

Ou seja.

Ela tem o tempo dela. Nós todos temos os nossos processos. E quando ela se sente segura, num ambiente calmo, ela fala com muita tranquilidade o que quer dizer. Nós, enquanto adultos cuidadores, precisamos mesmo é dar base, suporte, amparo. E deixar que eles cresçam e digam o que tiverem de falar, e sejam o que quiserem ser.

É um puta trampo educar e criar uma pessoa. Ainda mais porque temos os nossos próprios fantasmas para lidar ao mesmo tempo em que fazemos todo o resto. Mas é lindo de ver quando alguma tentativa dá certo – e dar certo significa apenas o momento, e não a vida toda resolvida, rs.

É mesmo um trabalho de formiguinha. Mas é muito bom – e nos faz muito bem – poder construir isso, essa base, plantar essa sementinha, dentro dela.

2 Comentários

Arquivado em Sem categoria

Carta do dia: bilhete poderoso

Filha,

hoje, no trabalho, a mamãe fez um desafio com algumas pessoas e combinamos de escrever um bilhete poderoso para nós mesmos. Queria te escrever um bilhete também, porque você tem quatro anos e ainda não sabe escrever, e porque já quero que você saiba. A gente escreve bilhetes para lembrar coisas importantes, para ter ao alcance dos olhos, vindo de fora, aquilo que a cabeça não pode esquecer, dentro. É um recurso, um suporte, uma espécie de forcinha extra. Algumas pessoas o escrevem quando querem lembrar compromissos da rotina. Eu escrevo para reforçar as prioridades da vida. Afeto, vínculo, cuidado, carinho. Comigo mesma, principalmente.

Pois bem, queria escrever um bilhete pra você hoje, até que você possa fazer isso por si mesma.

E o meu bilhete é esse: é seguro existir no mundo sendo exatamente quem você é. Seja. Só seja, meu amor. Que é pra isso que estamos aqui neste planeta.

com amor,
mamãe.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Carta do dia: 4 anos!

São Paulo, 15 de julho de manhã 2018

Filha,

a profundidade do seu olhar é a porta pro tamanho da sua força.
E ela é exatamente assim, linda e cheia de energia, vinda de mares distantes – e vai reverberar por centenas de anos, e além, como as tartarugas que você tanto gosta.

Hoje é o seu aniversário e o meu coração está inundado de amor e gratidão pelos seus 4 anos de vida.
Minha menina maravilhosa, que sabe bem o que quer, que tem muita amorosidade nos gestos e um jeito todo seu – da expressão ao caminhar – saiba que eu sou imensamente feliz de ser sua mãe, de ser sua amiga, de caminhar contigo por essa estrada.
Que o seu ano novo seja INCRÍVEL!
Te amo bem grande.

Com amor,
Mamãe

1 comentário

Arquivado em Sem categoria

Respirar fundo sempre ajuda

Agnes chorando de manhã antes de ir pra escola.
Queria dormir mais, ela diz. Cansaço pelo dia cheio de idas, vindas, encontros e brincadeiras, ontem.
Saindo de casa, mostro pra ela o céu azul quase sem nuvens. Digo que ela está cansada, mas que daqui a pouco tem soneca na escola. E que ela vai se divertir lá. Lembro que respirar fundo sempre ajuda. Que ela é uma menina forte e muito amada. Depois ela me pede pra cantar uma música e vai se acalmando.
Daqui a pouco tem mais choro de novo, eu sei. Não é sobre calar definitivamente. É sobre como a gente pode lidar com o que incomoda (dentro e fora) – principalmente antes das oito da manhã.

Faço isso pra ela.
E lembro a mim mesma também.

Respirar fundo sempre ajuda.

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Carta do dia: o difícil não é ruim

Filha,

tem rolado muita coisa no mundo. Muita revolução, muita luz entrando e mostrando, com aquela claridade desconcertante, feridas antigas, dores profundas, traumas e medos que andavam rondando a mente e as ruas e que agora parecem estar escancarados bem na nossa frente. E isso é muito difícil de lidar, mas pode ser um caminho de cura também, se assim quisermos. 

Calma, vou refazer a frase. É difícil de lidar e também um caminho de cura, porque as duas coisas são verdade, uma não anula a presença da outra. 

E por falar em difícil, preciso confessar que algumas vezes esse discurso do fácil x difícil (que eu mesma faço também, tudo é caminho e seguimos aprendendo) me irrita um pouco. É preciso entender que nem sempre difícil é ruim. Ok, as vezes é ruim mesmo e tudo bem, aceitemos. Tenho a vaga impressão de que aceitar torna o processo mais fluido. Fluido significa apenas que vamos tirar nossa mente controladora do caminho e aceitar que nem tudo é sobre a gente (oi, ego) e permitir que o nosso corpo, que a nossa vida, siga o fluxo dos acontecimentos que já estão arrombando a porta. Mas, sim, voltando. Achar que tudo que saia do fácil é ruim é uma armadilha da nossa zona de conforto, que prefere ficar reclamando sentada no sofá – mesmo que esse sofá esteja afundando em areia movediça. Vamos pensar juntas, filha. O que é fácil? Respirar é fácil e mesmo assim a gente consegue se desconectar disso – e, por vezes, fazemos até cursos, participamos de aulas e assistimos palestras sobre como respirar “certo”. Esse é um caminho, inclusive agradeço a muita gente que já me ajudou a voltar a respirar de forma mais livre e eficaz (não é engraçado usar uma palavra como eficaz, que remete a algo produtivo e quase mecânico, para falar de algo tão involuntário e natural como respirar?). Me dispor a aprender, e a praticar, tem algo de esforço, sim, porque estou saindo de um padrão estabelecido há muito tempo pela minha mente. Posso entender isso como difícil, ou como um processo que vou passar até que respirar pelo nariz e não pela boca esteja incorporado em todas as minhas células e eu não precise mais pensar sobre isso.

Percebe que fácil é tudo aquilo que fazemos sem pensar? Ou que pensar é sempre relacionado a esforço e dificuldade? A quem interessa que o mundo, a vida, seja assim? Fica a reflexão.

A transformação vem pela prática diária, pelos aprendizados, pela nossa vivência. Prática diária significa esforço, persistência, paciência, não julgamento, entre outras coisas. A isso costuma-se dar o nome de vida também (rs). Se olharmos para o que nos acontece apenas pela lente do difícil, então vai ser difícil. Se olharmos pela lente das possibilidades infinitas de autoconhecimento e oportunidades de aprendizado, assim será.

Porque, por acreditar, é.

E isso tem uma força enorme. O que não significa, de forma alguma, que não haverá dores em diferentes escalas, ou abismos. Algumas coisas são como são e fim. Como a gente escolhe atravessar esses momentos é o que fortalece, dentro de nós, os sentimentos todos. Falar em facilidade ou dificuldade, por si só, é muito raso diante de todas as camadas que compõem o ser humano e o mundão véio sem porteira em que vivemos.

Então, filha, preciso te dizer que sim. Tem rolado muita coisa no mundo. Parece retrocesso, parece loucura, parece o caos. Os monstros que antes moravam embaixo da nossa cama tem rosto, nome, sobrenome, cargo importante e estão por aí, pelas ruas, nas casas, na internet, tomando decisões de escala federal com base apenas na sujeira de seus umbigos. Mas tem rolado muito mais coisa no mundo, filha. Muito mais. As pessoas estão se unindo em escala mundial, estão abraçando sonhos, abraçando ideias e dando abraços coletivos no meio da rua. Estão reconhecendo semelhantes. Estão deixando sua voz sair. Estão aprendendo a ouvir e a ver o tamanho da força de suas intenções. Isso realmente não está na escala do fácil, filha. De aceitar. É como acender a luz do quarto mais escuro da nossa mente. Mas é que pra curar a gente precisa enxergar, precisar nomear, precisar pegar e sentir. E precisa querer também, porque parece que a cura só  acontece quando a gente procura por ela.

A história é construída todos os dias, filha. Todos os dias. 

O que está acontecendo é difícil de lidar, sim. Muito. A gente pode internalizar como algo ruim. Este é um lado da verdade e eu o reconheço. Mas reconheço também o poder enorme de transformação e de expansão que está acontecendo no exato agora. Não depois que toda dor passar. Ao mesmo tempo. 

O movimento está acontecendo e está cada vez mais claro e mais aparente. Vamos escolher resistir a ele, ou vamos tirar a bunda do sofá para aprender com ele? 

 

com amor,
mamãe

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Café de supermercado

Estou sentada num café. Já comi uma torta de frango com requeijão, tomei suco. Estou ouvindo música. Mas não está tudo bem. Tô aqui com o coração apertado num café de supermercado, a menos de 1 km da escola da minha filha, que hoje ficou chorando sentida, e eu acho que descobri o motivo, mas não é disso que vou falar agora. Vou falar que tá doendo em mim. Não está doendo mais em mim do que nela – eu odeio essa frase, uma tremenda falta de consideração com a dor do outro. Está doendo em mim E nela também. Provavelmente de tamanhos e intensidades diferentes, já que somos pessoas diferentes. Estou aqui porque não consegui ir embora. Porque quero sentir que estou mais perto, e dentro em breve vou lá buscá-la, porque sim. Eu tenho uma ferida muito feia e grande e doída a respeito desse assunto, da minha infância. Ainda vou escrever sobre isso. E tô achando muito simbólico eu estar aqui, como o meu irmão ficava do outro lado da rua da minha escola quando eu tinha 3 anos. Tem um dedo nessa minha ferida agora e tá doendo. Justo agora que pensei que estava sarando. Ta doendo pra caralho. Mas ela vai ser curada. Ah se vai! E aí quem sabe eu poderei ser uma mãe mais inteira também. Enquanto isso eu e minha pequena gigante vamos nos apoiando. É o que tem pra hoje. Que bom que a gente se tem 

E eu, que nem vim escrever post sobre a decisão de colocar a pequena na escolinha, nem post de adaptação, já venho com um desabafo desse. Mas logo eu volto e conto a história toda, ô se volto!

 

Deixe um comentário

Arquivado em Sem categoria

Me deixa

É complicado ser um boa mãe quando estou cansada. Com sono. De tpm. Considerando que na tpm eu fico cansada e com sono durante todo o tempo, posso dizer que é muito mais difícil ser uma boa mãe nesse período.

Por boa mãe, estou considerando estar com a cabeça mais arejada, sorrir mais, sentar pra brincar no chão, ter disposição de ir lá fora sem antes achar que é muito longe percorrer os 5 metros que nos separam da área externa do prédio, propor novas atividades, não deixar a tevê ligada por horas seguidas, levantar da cama de manhã com energia…

Ok, quase nunca sou uma boa mãe, então, confesso.

É só que na tpm isso se intensifica um bocado. E soma-se a isso o fato de eu precisar ficar sozinha e com vontades baixíssimas de interagir e ser sociável. Ai, que preguiça.

Mas, como nem tudo é só ruim, essa também é uma boa oportunidade de exercitar os ensinamentos sobre limites. Não que seja didático ou ilustrado com canetinhas hidrocor. É só que em alguns momentos eu realmente tenho que priorizar o meu descanso, para o bem geral desta família – e da minha sanidade mental. E aí eu falo que olha, agora a mamãe precisa descansar, você pode brincar com aquela boneca ou com as pecinhas de montar. Ou que, não, agora o mamá está muito cansado e precisa ficar aqui quietinho, mas pode sentar aqui no meu colo, se quiser. Ou então só sair da sala e entrar pra tomar um banho, sem falar nada pra ninguém, e deixar que a vida se resolva sozinha nos 10 minutos que me permiti ficar ali trancada deixando a água cair na minha cabeça.

Nem sempre é fácil ou bem aceito assim, logo de cara. Mas fácil nunca foi mesmo, nem ninguém me disse que seria. Então, se for pra ser desafiador, me deixa pelo menos comer meu chocolate e ficar sozinha por alguns minutos de vez em quando. Juro que depois de um tempo a aceitação passa a vir mais rápido.

1 comentário

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, como lidar?, desabafo, eu mãe, Sem categoria, vida real

Mãe e estudante

Então que, aos 27, quando ninguém mais achava que isso fosse acontecer nesta vida, eu voltei a estudar (quando contei pros meus pais, por exemplo, eles demoraram para processar a informação, hahah). Acabei de voltar, na verdade, comecei agora no segundo semestre.

Não sei direito como se deu, só sei que em algum momento eu me vi pesquisando uma faculdade, um curso, uma grade curricular, uma data de prova e, fim, estava a dois passos de começar essa etapa da vida de novo. Comecei a fazer Letras, na modalidade EaD, ou seja, a distância.

Escolhi que fosse desse jeito por dois motivos. Primeiro, porque eu preciso de flexibilidade de tempo e de horários, ainda é inviável pra mim, com a pequena aos 2, me ausentar todos os dias, mesmo que seja meio período. Pela web eu consigo ler os livros durante algum intervalo do dia e estudo geralmente de noite ou de manhã, momentos em que está com o pai. Eu me tranco no quarto e só saio depois de 1 ou 2 horas. Pouco se fosse em sala de aula, mas tem sido suficiente, por enquanto.
E o outro motivo é que eu realmente não sei lidar com salas de aulas, vide as duas outras faculdades que eu já tranquei. É um assinto longo e exaustivo, deixemos para uma outra oportunidade, mas basta dizer que é uma coisa que acontece e ainda bem que encontrei uma forma de driblar isso.

Sei que estou só começando, ainda tenho alguns bons semestres pela frente, mas estou  realmente animada e acho que vai ser muito bom. Me desejem sorte!

4 Comentários

Arquivado em Sem categoria

Tempo e maternidade

Desde que me tornei mãe, venho aprendendo que nem sempre é simples conciliar todas as demandas dentro de um mesmo dia. São os cuidados com o bebê, o trabalho, a casa, a vida social, nós mesmas. Várias coisas, muitos papeis, diversos afazeres. Por mais que exista o cuidado compartilhado com o pai, por exemplo, e mais o auxílio da boa e necessária rede de apoio – avós, tias, vizinhos etc – ainda parece que a conta não fecha. Não sei se é culpa do capitalismo, uma característica dos tempos atuais, de tantas distrações, da nossa geração ou se é o alinhamento planetário, o fato é que não é raro encontrar mães com dificuldade para lidar com todos os pratos que precisam e/ou queremos manter no ar.

Como conseguir ter tempo pra tudo?
Como conseguir conciliar a maternagem com as outras atividades do nosso dia-a-dia?

Muitas vezes me fiz essas perguntas. Muitas vezes deixei de fazer algumas coisas porque achava que não ia dar conta de mais uma tarefa. Aí então, quando a pequena fez 1 ano e o  (meu) puerpério foi chegando ao fim, fui olhando ao redor e percebendo que a nossa rotina precisava de uns ajustes. Eu digo que pra mim foi mais “complicado” me adaptar à vida assim mais dividida do que no pós parto imediato, porque naquela época tudo que eu precisava e queria fazer era me entregar e me conectar com a minha filha. Agora que já crescemos um pouquinho, temos necessidades diferentes e nem sempre consigo atender nós duas de forma totalmente satisfatória. Tive que aprender a conciliar mesmo. Ainda estou aprendendo.

Optamos por não colocá-la na escolinha por hora, o que significa que ela está com a gente o dia todo, todos os dias. Além do mais, agora meu marido tem mais compromissos profissionais fora de casa, o que quer dizer que ele só assume o comando durante poucas horas, comparado a antes. Meus pais trabalham o dia inteiro, só chegam a tardinha e, no mais, não tenho muita gente pertinho. Para chegar até minha prima ou minha sogra são uns 15km de casa, ou seja, não dá pra ser todo dia. Então eu me vi o dia todo com uma pequena pessoa em casa, querendo brincar o dia inteiro, e ainda tendo que cozinhar, manter a casa minimamente arrumada e com várias ideias para escrever e colocar em prática. E ai, como eu faço?

A primeira coisa que eu fiz foi observar nossos dias como estavam, pra ver o que podia ser melhorado, o que podia ser descartado e o que precisava ficar. Eu não funciono bem com rotinas fixas, então não temos uma, simples assim. É importante definir as prioridades. Não adianta querer abraçar tudo sozinha, porque é estafante demais, além de impossível. Nem sempre a casa vai estar linda, nem sempre vai ter variedade no almoço, nem sempre vamos brincar a tarde toda lá fora e nem sempre vou conseguir sentar pra escrever. Aceitar isso já tira um peso e tanto das costas.

Depois disso, passei a realmente fazer o que eu tinha e queria fazer sempre que possível – e fazer surgir esses momentos possíveis. Ou seja, quando ela dorme e quando está com os meus pais. Nesses momentos eu acabava me distraindo muito e ia procrastinando na internet, ou fazendo coisas em casa que podiam esperar e quando via, lá estava a pequena acordada ou me chamando, e eu ficava sem fazer o que tinha em mente. Decidi que a soneca da tarde é, em primeiro lugar, pra ler e estudar. Quando ela está brincando com os avós, eu escrevo e descanso um pouco. Dependendo da demanda, ela fica com o pai a noite para que eu escreva. E no sono da noite, é o nosso tempo de casal.

Quando passo o dia todo com ela sozinha, intercalo as atividades. Percebi que quando tentava fazer minhas coisas com ela acordada, ela se estressava pelo tempo que eu “me ausentava”. Só que se eu não faço nada, quem se estressa sou eu, rs. Então estamos fazendo assim. Depois do café da manhã a gente sai pra brincar lá fora. Voltamos, faço almoço, ela brinca por perto, comemos juntas; brincamos com algo em casa e depois ela dorme. Aí é o tempo pra mim. Quando ela acorda, lanchamos e eu tento seguir o que estava fazendo, geralmente ela está tranquila quando acorda e brinca sozinha. Depois dou atenção pra ela. E assim vamos, um pouquinho pra mim, um tanto pra ela.

Não tem fórmula mágica, sabe. Não tem dias perfeitos. Mas tem a gente seguindo juntas fazendo o melhor que podemos com o que temos no momento. E está tudo bem assim.

E por aí, como tem sido essa questão?

1 comentário

Arquivado em Sem categoria