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carta do dia: 6 meses de você

São Paulo, 11 de outubro de 2019

Liz,

você completou seis meses de vida e eu estou muito, mas muito mesmo, agradecida pela sua chegada.

Você é a calmaria mais determinada que eu conheço. E tenho cá pra mim que ver você se arrastar pelo chão ou pela cama até o seu objeto de desejo vai ser só o começo desta minha admiração. Você vai, filha. Se algum dia duvidar disso, se por acaso a vida te levar por caminhos estranhos ou se encontrar alguém que te diga o contrário, tome aqui este lembrete: você tem uma determinação muito marcante.  Fixa o olhar e vai. E consegue. E chora se te tiram do seu foco. E briga quando te impedem de chegar.

Isso me ensina muito.

Ver você crescendo tem sido um aprendizado atrás do outro.

E tem essa calma que é muito sua. Uma neném de boas, como eu e a Agnes gostamos de dizer. Nos observa, brinca com as coisas, se interessa pelo ambiente. Não é de chorar muito, mas não cala suas dores.

Uns dias antes de completar seis meses você chupou um rodela de laranja como se fizesse isso desde sempre. Chocante, rs. Até agora já comeu laranja, maçã, pêra, melancia, banana, cenoura, mandioca e couve. Estamos indo bem devagar, sem nenhuma pressa. É muito bonitinho de ver você interessada na comida e levando tudo pra boca – inclusive o prato, rs. Ainda está entendendo esse lance de beber água, mas é assim mesmo, experimentando a gente aprende.

Agora, enquanto escrevo, você está cochilando lá no quarto. Estamos sozinhas em casa. Você está resfriada, primeira vez. Nariz tapado, febrinha leve ontem a noite, resmungos, tosse. Mas está se recuperando. Meu peito voltou a até a vazar, de tanto mamá de ontem pra hoje, rs. Que bom. Nos nutrimos e nos fortalecemos em cuidado e presença. Tudo fica bem quando a gente fica junto e dá tempo pro corpo fazer o seu trabalho também.

Muito aprendizados, filha. Te agradeço por isso e por tanto mais que acordou junto com a sua chegada.

Vamos avante!

com amor,
mamãe

 

 

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Não atormente as mães

Esse não é um texto fofo.

Quem me acompanha desde o começo talvez ainda se lembre: a parte mais desafiadora do ser mãe, pra mim, é lidar com as outras pessoas. Isso me estressava muito. Porque todo mundo sabe mais que a mãe, se intromete, dá pitaco sem pedir com aquele risinho condescendente, e eu ainda tenho que sorrir e agradecer, porque “ah, eles só querem ajudar”, né?

Não. Assim simples. Não.

E quando eu me libertei de aceitar isso a coisa mudou muito, graças as deusas.

Ajudar não é colocar em prova a capacidade e intenção de uma mãe. Ajudar não é chegar falando demais e não ouvir nada. Ajudar não é fazer pela pessoa. Eu saio com a Liz na rua em dia frio pra buscar a Agnes na escola e ouço “tá muito frio pra ela, você é doida”. Sério, gente? Não me diga. Eu nunca saberia a temperatura se não me avisassem 😒. Isso com a bebê de touca, agasalho e cobertor.

Poderia fazer uma lista de frases inadequadas a noite inteira. Eu não me importo mais, apesar de não ter muita coragem de mandar pro inferno, sigo andando e deixo a pessoa falando sozinha, mas estou escrevendo porque quero falar uma coisa a essas pessoas: isso mexe com a mãe.

Uma mulher no puerpério é uma mulher fora do seu eixo habitual, se redescobrindo e tentando chegar ao fim do dia com os dentes escovados e de banho tomado. Ela pode estar leve, mas ela também pode estar perdida, insegura, aflita. Ouvir frases broxantes com tanta frequência mina o brilho da pessoa. Atrasa a vida. O pós parto seria um período bem mais suave se ouvíssemos coisas boas, elogios, incentivos sinceros, e se NOS ouvissem com mais empatia e menos soluções.

O que se fala importa, a maneira como se fala importa.

Por mais que você queira ajudar, presta atenção no seu dizer, porque se for muito cheio de certezas e opiniões atrapalha muito mais. Não seja a pessoa que atormenta as mãe. Deixa as mãe. Estou falando para quem está ao lado, mas tô falando da mãe que você vê andando na rua, no ônibus, na fila. Acredite: ela quer o melhor pro bebê infinitamente mais do que a sua boa vontade. Então não enche o saco. Leva um copo d’água, oferece um sorriso, manda marmita. Mas a boca, essa pode deixar quieta.

Estamos combinados?

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Meu contorno

A maternidade me dá contorno na vida.

Muito se fala nos limites que os pais precisam dar aos filhos. Particularmente, gosto da ideia de ser margem para que elas fluam livres, ao invés de muro de contenção.

Essa mesma ideia me veio esses dias, mas ao contrário: elas também me dão margem. Não me sinto limitada, apesar de não mais sair nos mesmos horários, nem andar na mesma velocidade de antes. Que bom. É um presente poder mudar o passo. Quem disse que só o meu jeito era o certo? Só porque sou adulta? Temos muito que aprender com as crianças. Reaprender, se pensarmos na nossa infância.

Minhas filhas me dão perspectiva.

Poder olhar de novo, mais devagar, com mais cuidado.
Tanto para o caminho de todo dia, as borboletas, pedrinhas, carros na rua, formigas, gravetos.
Também para o tempo. O valor de terminar de montar uma cabana antes de se arrumar pra escola – e respeitar esse tempo, segurar a língua para não apressar demais. Contemplar. O tempo da soneca no colo. Cafés da manhã e lanchinhos noturnos, ouvir com presença as palavras e as entrelinhas. Isso só é possível com os pés e o coração no tempo presente.

A agitação lá de fora, o “ter que” estar em vários lugares, dar conta de metas, isso não me permitia essa escuta antes. Aprendi com elas. Agora procuro reproduzir nos outros ambientes, com adultos, no trabalho, andando na rua. É um exercício legal. Gosto de andar por aí pensando que sou turista, não me identificando totalmente com o que vejo. É muito legal. Um jeito próprio de dançar com a vida, na música que tem despertado por aqui.

Com as meninas eu desço das minhas certezas, me abro para o que vier. É vida real intensa. Os caminhos estão sendo abertos na medida do fluir. Não penso mais no medo. Tenho margem pra seguir.

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5 meses de Liz

Cinco meses da fofolete mais fofolete dessa residência.

E acreditem: saiu 2 dentes nela um pouquinho antes de virar o quinto mês. Saiu os dois praticamente de uma vez e não deu muito trabalho, amém! Ela só estava coçando loucamente a gengiva, babando um pouquinho mais, mas até então eu nem estava me ligando muito. Não estava pronta para uma neném com dente aos 4 meses, hahah.

Vira e desvira numa boa, se locomove de barriga no chão e o tapete não é mais um limite aceitável – esses dias a peguei lambendo o chão. Céus, vê se pode uma coisa dessas, hahah. Agarra as coisas, quer pegar tudinho que vê pela frente. Tenho certeza que se eu deixasse, ela já avançaria no que é de comer – quer dizer, ela já avança, eu é que não a deixo concluir a missão, rs. Tudo a seu tempo, né. Deixa pelo menos aprender a sentar primeiro, antes de brincar com a comida 😉

Segue fofa, sorrindo, de boas. Fica mais agitada a noite e precisa me ter a vista, mas a preferência mesmo é o meu colo. Aí fica feliz da vida, rs. Gosta de dormir de bruços e se eu ajeito muito ela não gosta, dane-se as recomendações oficiais, né (é o que ela diz, no caso 😛 )

Tá pesando 8,450 kg e medindo 65cm. Roupinha de 6-9 ou 9-12 meses, dependendo do modelo.

Ela ama crianças e ri com muito mais facilidade pra elas do que pros adultos. Agnes é sua paixão, o priminho Beto também. Ela gargalha só de ver os dois brincando juntos, sério. É muito legal de ver, a pessoinha já querendo se enturmar com a galera dela, hahah

Enfim. Estamos indo bem. Muitas descobertas todo dia, os braços da mamãe doendo um bocado, mas nada que a mãe natureza sabiamente não suavize na memória diante dessas dobrinhas macias de apertar.

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4 meses de Liz

Segunda filha os posts de mêsversário vem um ‘cadim atrasados. Estamos na metade já, mas vamos que vamos que todo dia tem uma novidade com esses nenéns!

Quatro meses de baby Liz no mundão e eu sigo apaixonaaaada por ela.
Tá pesadinha, a pessoa. As consultas estão meio desencontradas de quando ela completa o mês, mas enfim. Com menos de 4 meses ela já estava com 7,235kg e 62cm. E já cresceu mai. Ou seja. Haja braço. E haja roupa, porque perde muitooo rápido. Essa é a hora em que agradeço não ter feito enxoval enorme até 1 ano. Comprei o básico do básico e vou adquirindo mais conforme precisa. Tem sido muito bom, porque não perde muita roupinha sem usar e o que tem está sendo muito bem aproveitado também.

A parte não tão boa foi que ela teve impetigo há umas duas semanas.
Começou com uma picadinha de mosquito, eu acho. E inflamou, cresceu. Pensei que ela tivesse alergia a picada, sei lá. Não fiz nada, só observei. Uns dois dias depois, outras bolinhas apareceram, como picadas também. Até que surgiu uma bolha no bracinho, perto do pulso. Aí eu soube que não era só picada, porque aquilo não era uma, definitivamente. Consegui encaixe no pediatra no mesmo dia, graças a Deus, e ele passou a receita do antibiótico e da pomada. Resolveu só com a pomada, ainda bem.

A parte linda demais é que ela aprendeu a virar de bruços e tem praticado com afinco desde então. De vez em quando já desvira, dependendo de como ela estiver. E se movimenta um pouco no estilo minhocando, como diz a Agnes, hahaha.
Pega tudo que vê, já tira meus óculos, agarra as coisas e se eu deixar ou der mole, lá está uma mãozinha redonda tentando colocar a mão dentro do nosso copo. E pula! A gente a segura em pé e ela meeexe essas perninhas, muito animada! – é tão bonitinho de ver, gente! Isso quer dizer que ela ainda é uma pessoinha bem tranquila, na maior parte do tempo, mas tem descoberto mais do mundo e está animada com isso, rs.
Se passamos o dia fora de casa, quando chega o fim da tarde/começo da noite, aí ela reclama. Choraminga, só quer o meu colo, as vezes chora. E é curioso, porque quando anoitece, ela não quer mais ficar sozinha. Prefere o colo, ou que fiquemos com ela muito perto. Durante o dia é mais de boas.

Mãozinha na boca o tempo inteiro também. Às vezes, só um dedo. Às vezes, todos, hahah. Já ri com barulhinho, mas ainda não é gargalhada. Coisa mais fofa dessa vida. E é apaixonaaada pela Agnes. Das coisas que eu mais amo: o carinho que ela faz quando a gente aproxima o rosto dela. Ela fica olhando, estica as mãozinhas e fica pegando, sentindo… não tem como não parar um pouquinho e só aproveitar esse momento, sabe? É bom demais.

Tem sido uma delícia ser mãe dela! Tô feliz que ela esteja aqui com a gente!

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5 ANOS!!!

São Paulo, 15 de julho de 2019

Agnes,

hoje você completa 5 anos de vida, meu amor. E você está radiante com isso. Falou dessa data por meses, eu acho. Contou nos dedos os dias que faltavam. Muito bonito de ver a alegria brilhando em seus olhinhos por estar comemorando 5 anos hoje.

Tem uma coisa fofa que eu descobri: você achava que aniversário era mais sobre o parabéns do que sobre o dia específico. Como tem sempre um bolinho, mesmo que seja comprado de padaria e sem nenhuma firula além do parabéns, você associou aniversário a cantar parabéns. Por isso, quando te contei, em junho, que dia 23 era o aniversário do vovô, você perguntou: eu posso ir, mamãe? Já sabendo que a reposta óbvia e clara seria sim, mas o prazer de ouvir era maior que tudo, rs. Aí te expliquei que aniversário é quando celebramos o dia em que a pessoa nasceu, mesmo que não tenha festa (rs). Esse ano, por exemplo, a sua festa será dia 21, já que o seu aniversário caiu numa segunda e eu não quis comemorar antes. Ficou pro domingo seguinte. Você entendeu e já amou esse conceito. Mas pediu café na cama no seu dia. Justo e atendido com muito amor. Tem sido incrível te ver sendo irmã mais velha, aliás. Preciso te dizer isso. Caramba, filha! Quanta mudança aconteceu em um ano! Na sua festa de 4 anos, a exatamente 1 ano atrás, eu descobria que estava grávida. De lá pra cá foi mudança atrás de mudança. Seu pai no emprego novo, nossa família sempre se reestruturando, sua formatura no CEI, início das aulas em um escola, depois troca de escola, nascimento da Liz, mudança de apartamento, um quarto só pra você, seu primeiro corte de cabelo. Sinceramente, não sei se lidei bem com todas elas, provavelmente não. Peço desculpas pelos possíveis transtornos, mas a essa altura da vida, enquanto lê essa carta, espero que você já saiba que o movimento de transformação é combustível importante pra mim, eu me jogo mesmo. Dá uma bagunçada geral na sala e na vida, mas é um processo que aprendi a amar, mesmo. Vale cada minuto de terapia que você faz, acredite, rs.

Você está linda, filha. É sabido que não devemos elogiar apenas a beleza das pessoas, mas a lindeza a qual me refiro a você é integral. Você é uma pessoa linda. Delicada e forte na mesma medida. Quer dizer, na verdade a delicadeza também é uma força, mas eu quis dizer mais sobre energia mesmo: de força de ação e de gestos sutis. Inteligente, generosa, acolhedora, esperta, criativa. Amo seu sorriso, seu cabelo, seu olhar. Amo suas carinhas, amo suas palhaçadas, seu carinho, seu cuidado e sua fala. Minha pequena artista, mestra do meu caminho que tenho uma honra imensa de ser mãe. Parir você naquela madrugada fria de 2014 foi a maior revolução da minha vida. É uma força absurda que me assustou no início, mas você é muito boa em me mostrar que ela é nossa. E mesmo assim isso é apenas uma parte da história, da sua história. Conto aqui o meu ponto de vista, mas ainda existe uma vastidão, filha. Nós somos imensos. Acesse quando quiser. Se aproprie do que é seu.

Você me diz coisas maravilhosas, e principalmente agora nos últimos dias… Eu ouço como se estivesse ouvindo uma lição importante do caminhar, porque é. Até anoto com data e contexto pra não esquecer. Gratidão por isso e por tanto mais que somos juntas.

Minha menina.

Hoje eu só agradeço, agradeço, agradeço.
Pela sua vida.
Por ser você.

Um beijo enorme,
mamãe.

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3 meses de Liz

Dá pra acreditar, gente?
Minha pituquinha fez 3 meses dia 29/06 e eu tô é boba com esse tempo e com o desenvolvimento dos bebês.

Mal nascem e já estão aí virando de lado, olhando as mãozinhas com curiosidade, tocando os pés, segurando coisinhas e “conversando” em suas próprias línguas. Não é impressionante?

Tá a coisa mais fofa dessa vida, somos apaixonados por ela.

Liz é tranquila.
É meio complicado de explicar. Não é tranquila o sentido de mansa, calminha. Ela tem uma puta energia, mas é tranquila. Será que dá pra entender? rs

Quando chora, chora alto; e se perde o timing, ou seja, se demoramos pra atender por algum motivo, aí chooora por mais tempo. Mas isso é de vez em quando. Em geral ela é tranquila mesmo. Sorri feliz pra gente, é vidrada na Agnes, se estica toda pra ver a gente passando, fica de boas na dela no carrinho, na cama, no colo. Aliás, as vezes ela quer cama ao invés de colo. E tem dormido bem no berço. Eu, hein, nunca pensei que ia falar isso de uma filha minha. Justo eu, que crio só no colo, colocando mal costume desde o primeiro dia, aí vem a pessoinha e PÁ!, curte ficar esparramada no colchão. Hahahahaha. Mas né, não sou eu que vou reclamar.

Está pesando 7,235 kg e medindo 62cm. Registro aqui porque o blog é quase um diário, gosto da ideia de voltar aqui depois e lembrar essas coisinhas.

No mais é isso.

Tenho mil posts pra escrever, mas não está rolando no meu tempo desejado, então esperemos, né, rs.

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Cama na sala

É isso mesmo. No feriado que teve semana passada, dia 20/06, dormimos todos na sala.
Cleber chegou do trabalho as onze da noite e colocou nosso colchão de casal na sala, ao lado do colchão de solteiro da Agnes, que já estava ali. Ela estava esperando por isso, animada. Quando arrumamos tudo, ela era pura felicidade. Corria pela casa, ria, dizia que estava muito feliz. “Eu tô tão feliz que a gente vai dormir na sala, mamãe! Eu tô tão feliiiz!!!” e corria, e ria mais.

“Esse era o meu sonho, mamãe. Meu sonho foi realizado”

Gente, que emoção. Juro que eu quase chorei. Que coisa mais bonita de ver uma pessoa genuinamente feliz. E foi tão simples, sabe. Dormimos na sala da nossa casa. Cleber, Agnes, Liz e eu. Não gastamos um centavo, não precisamos arquitetar nada. Estava tudo pronto e dado, a nós coube apenas acertar o ponto de vista e arrastar um pouco a mesa da sala. Lá estava. Nosso acampamento particular. Nossa diversão.

Ouvir a Agnes falando em sonho realizado foi um quentinho no coração muito gostoso. Quando é que ficamos tão felizes assim? Quando é que nos permitimos sair correndo de alegria comemorando algo que queríamos muito? Quando é que colocamos os sonhos tão longe de nós, que complicamos as coisas? Quero me lembrar disso. Quero aprender com ela. A pedir o que quero. A esperar pelo dia com entusiasmo e alguma ansiedade. A festejar a conquista. A querer o que o meu coração pede – e que tantas e tantas vezes é muito mais simples do que parece, mas que tem uma força imensa que acende o farol interno e ilumina tudo até chegar aos olhos.

Confesso que dormi melhor que muitas noites, acho que mudar o visual por uma noite ajudou a relaxar, foi ótimo. Além do mais, realizar sonhos me deu uma leveza danada. E sonho de filha é sonho de mãe também. Descobri esses dias.

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O fogo e a baleia

Meu primeiro puerpério foi punk.

Lembro de falar pro Cleber que eu não queria ter outro filho porque não queria passar por essa fase de novo. Forte.

Eram muitas sombras e as vozes da minha mente não me animavam muito. Apesar de eu estar realizando um sonho de uma vida, com uma bebê saudável e linda nos braços, tendo tido parto natural e estar tudo bem na amamentação, eu não estava muito bem. E era difícil admitir isso. Nem todo mundo quer ouvir sobre essas coisas.

Quatro longos anos se passaram e eu ainda não cogitava engravidar de novo. A Liz teve que esperar um bocado, e mesmo assim chegou de mansinho dentro de mim. Passei a gravidez sem saber direito como seria dar conta de duas, emocionalmente falando. Mas não fiz nenhum plano, eu teria que esperar pra ver.

E ela chegou.

Parece que junto dela nasceu um amor transcendental, de tão grande. Acho que não estava preparada pra isso, mas que bom que foi assim. A melhor surpresa da vida, sem dúvidas. E a melhor parte dessa história, se é que tem só uma: estou vivendo um puerpério muito mais leve. Todo o caminho percorrido até aqui, não ter jogado nada pra baixo do tapete mas sim descartado os excessos, ter buscado equilíbrio e serenidade foi maravilhoso.

Tem sido incrível olhar pra vida com mais amor com duas mestras tão generosas.

A Agnes é o fogo que iluminou e transmutou o caminho que me levou pro fundo do mar. A Liz é força profunda e tranquila de uma baleia que me diz que é seguro e muito bom viver nas profundezas. É o nosso lugar. E eu amo que seja exatamente assim.

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Irmã mais velha, uma construção

Esse post está iniciado nos rascunhos desde que a Liz completou 2 meses. Pois bem, já comemoramos o quarto mêsversário e ainda não escrevi, rs.

Talvez seja uma questão de título. Pensando melhor sobre o que eu ia dizer, cheguei a conclusão de que não é exatamente “Irmã mais velha, uma construção”, e sim: pais de duas, uma construção. Porque as questões que tem aparecido por aqui são muito mais desse âmbito do que da Agnes propriamente dita.

A pergunta que eu mais ouço é: e aí, Má, a Agnes está com muito ciúme?
E a minha resposta é uma só: ela sentiu a chegada da irmã, sim. Ficou mais sensível, sim. Mas isso está muito mais direcionado para o Cleber e pra mim do que para a Liz, exatamente.

Com a Liz ela é amor, brincadeira, encantamento. Apaixonada por essa neném que chegou. Quando ela chegou na Casa Angela para nos ver, umas cinco horas depois do nascimento da irmã, Cleber e eu estávamos preparados para dar colo pra ela, mimar, aconchegar. Estávamos com saudade da Agnes. E qual foi a cena que aconteceu? A Liz estava dormindo no bercinho. Ela entrou e mal olhou pra nossa cara, foi direto lá pra ver o “pacotinho de neném”, e ainda quis saber por que ela não estava no meu colo, quase que levei uma bronca, hahahaha. Naquele dia ela já segurou a irmãzinha, passou a tarde inteira lá com a gente, brincou, esteve junto, foi muito gostoso.

Logo ela assimilou que aquela pessoinha precisava de mais atenção para tudo. E quando eu ia trocar, dar banho, essas coisas operacionais, ela entendia. O que não fez muito sentido, por assim dizer, foi a questão: por que  mamãe não está mais ao meu lado todo o tempo? Isso na minha interpretação, né. Ela ficou mais chorosa, ainda me queria perto na hora de dormir e não aceitava o pai, quis vestir as roupas da bebê. Mas sempre carinhosa com a Liz, sempre conversando e dando beijinho. Até que um dia ela falou: eu acho que vocês dão mais atenção pra ela do que pra mim. E lá vamos nós explicar, de novo, pela centésima vez, que a atenção chega diferente pra elas por conta da idade, que ela também já foi desse tamanhozinho, que era uma fase. Depois tivemos os dias em que validei o sentimento dela: “filha, você está com ciúme? Tudo bem sentir isso, eu te entendo” e seguiam os discursos todos de novo.

Não é que tenha sido uma surpresa, sabe. Cleber e eu conhecemos bem a nossa filha. Sabíamos que essas coisas estavam por vir. Acho que está sendo até melhorzinho do que pensamos. Existe também o fato de que num período de 03 meses aconteceram muitas coisa: nos mudamos de apartamento, ela ganhou uma quarto só pra si (no anterior era um quarto só, dormíamos todos juntos, então ainda teve essa adaptação: dormir no próprio quarto. Sim, ela ainda vem ora nossa cama e isso é normal). Além disso, começou uma escola nova com muito mais alunos, e daí veio a greve e tinha aula alguns poucos dias da semana. Aí pedimos sua transferência para uma escola mais perto de casa achando que demoraria meses, por motivo de: escola pública fila imprevisível, e a vaga saiu bem rápido. Ela começou na escola nova, de novo, 2 dias antes da Liz nascer. E o Cleber trabalhando fora numa escala 12×36 (dia sim, dia não). Ou seja. Só de escrever isso aqui agora já cansei e tive vontade de chorar, imagina ela, né? Foi uma mudança substancial no modo como ela vivia, em pouquíssimo tempo. Muito natural que tenha choro, sensibilidade, vontade de grudar na mãe.

Por falar em grudar na mãe, me lembro que já no fim da gestação eu não deitava mais com ela pra dormir, por conta da minha barriga, preferia ficar sentada. Aí veio o pós parto e ais repouso. E a Liz no colo o tempo todo. Um dia eu consegui deixar a neném no carrinho e deitei com ela pra fazê-la dormir. E ela disse: mamããee, você já pode deitar comigo! Tô tão feliiz!! A gente se abraçou  e aproveitou esse momento.

Mas claro que eu também chorei.

Não é mesmo fácil. Durante o primeiro mês e parte do segundo eu a fiz dormir com a Liz no colo. Tinha dias que era eu entrar no quarto e a Liz chorava muito, não se acalmava de nenhum jeito. Aí eu precisava sair do quarto, acalmar, andar pela casa, ligar chuveiro, ficar na bola. Acalmava. Voltava pro quarto e tudo de novo. Bagunçou bastante o horário do sono da Agnes. Não rolou isso de “manter a rotina dela igual”. Pois se nada mais era igual, como querer que os horários ficassem, né? Só teve umas duas vezes que ela disse, nesses momentos de choro a noite “queria que a Liz voltasse pra sua barriga”, hahaha. Quase que eu respondo: eu também, filha. Tem que rir pra não desesperar. Mas é porque a Agnes não curte muito barulho mesmo. Com certeza a hora do sono foi a que mais sentimos aqui.

O desafio é continuar brincando com ela. Puerpério é caverninha. E por mais que este esteja mais suave e iluminado, ainda é tempo de conexão máxima com o recém nascido, né. Eu não tenho mais o mesmo pique e a mesma vontade de sentar no chão pra brincar, inventar historinhas, ser didática e lúdica o tempo todo. Por um lado é bom porque ela tem aprendido a brincar sozinha de faz de conta, com os bichinhos e bonecas. Por outro lado, sim, é claro que tem momentos  que ela quer brincar especificamente comigo e eu não tô a fim. Estamos aprendendo a ceder, a respeitar nossos limites, a lidar com esses desconfortos… um dia de cada vez, aquele lema máximo das fases mais complicadinhas.

Todo mundo fala que quando nasce um bebê o mais velho cresce e é muito verdade. Impressionante. A Agnes cresceu, literalmente. Perdeu roupas, o cabelo cresceu, até engordou um pouquinho. Ver isso diretamente de dentro do pós parto ampliou tudo. Mas aí a gente fica achando que na cabecinha deles o crescimento foi ainda maior e, bem, não é assim, haha. Ela continua sendo uma criança de cinco anos (quatro quando a irmã chegou), mas não raro eu preciso voltar a me lembrar disso e dizer a mim mesma que cinco não é oito, rs. Espero que não esteja sendo tão traumático pra ela, rs.

Agora, a Liz com quatro meses, tá muuuito bonitinho de ver as duas brincando. A Liz é enlouquecida pela Agnes. Ela passa e a Liz fica vidrada. As vezes já começa a rir, e a Agnes nem tinha falado com ela, hahaha. E faz umas semanas que a Agnes descobriu que quando a Liz chora no carrinho, por exemplo, se ela começa a pular, a Liz para pra ficar olhando. Isso virou a sensação, haha. E a mãe faz o que? Agradece, né, manas. Que é bom demais ver essa interação das duas? É sim. Mas ter alguém pra distrair a bebê com disposição é bãããããooo demais da conta. Hahahah. Ter uma mais velha dá uma outra leveza pra maternagem, tô achando surreal.

Existem os desafios, existe a fase de adaptação de todos nós, existe um desconforto natural que as mudanças trazem. Mas ainda continuo enxergando o saldo muito positivo. Amo olhar a gente na sala de casa numa manhã de sábado, todo mundo de preguiça. Ou indo pro parque andar na grama, ou até na correria pra chegar a tempo na escola. Essa fase é intensa mas está deixando boas lembranças. Vou gostar de ter essas memórias quando o tempo passar.

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