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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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Carta do dia: venha no seu tempo, mas venha

Filha,
há alguns dias tenho sentido meu corpo me enviando uns sinais. Pequenas cólicas, contrações ainda sem dor, mas já mais fortes. Pequenas ondas no pé da barriga que me lembram que você está perto.
Ainda não está nada ritmado, nem nada perto disso. Ainda não é trabalho de parto. Mas a sua chegada já começou a ser anunciada. O seu tempo é mesmo muito precioso, não é meu amor? E bem diferente do meu, devo dizer. Isso causa uma pequena confusão em mim algumas vezes, preciso dizer. Porque é o seu tempo dentro do meu corpo, assim, juntinho e muito misturado, então é natural que eu me confunda vez ou outra. Ainda estou aprendendo com você. E espero poder te ensinar também. 
Eu estou entregue ao que está por vir, meu bem. Já tive medo, já quis controlar, já chorei. Acho que superei. Estou tentando me entregar. Sentir você. O que me diz, o que espera de mim, o que está acontecendo aí. 

Me desculpe se eu choro demais, mas é que tudo o que acontece dentro de mim já está começando a transbordar. Ok, talvez esteja mais para um encanamento furado, eu confesso, e por isso te peço desculpas hoje. Não quero nunca que você pense que você causou isso de uma forma ruim. É só que ser sua casa mexeu demais com as minhas lembranças e histórias. Algumas coisas eu tive que mudar de lugar, outras jogar fora. Para outras, o que aconteceu foi a descoberta mesmo. O desvendar. Você está trazendo mais luz pra minha vida, filha. E tá iluminando tudo, a começar pelo meu coração, que eu pensava já conhecer. Imagina! Ainda tenho muito trabalho pela frente. 

Confesso que estou doida para sentir as dores. Estou desejando mesmo. Porque sei que não será em vão, não será ruim. São nossos corpos trabalhando em sintonia para que possamos nos dar a luz, ao mesmo tempo. Vou sorrir quando você disser que é pra valer, que já está a caminho. 
Estou sentindo vontade de ter aqui fora. É uma delícia sem precedentes te ter aqui dentro, um segredo só meu, só eu sei como é te ter aqui, parte de mim. Mas não posso te prender para sempre. A liberdade é uma das coisas mais belas do nosso mundo, quero que você venha aqui ver com seus próprios olhinhos. Quero que você veja tudo que a natureza é capaz de produzir, todo o segredo que guarda em cada feito, mas nos dá tudo de presente, para que possamos aproveitar do jeito que melhor nos for. Quero que você sinta o vento no rosto numa viagem de carro, e andando a cavalo, e correndo no parque, e pedalando uma bicicleta. Quero que respire profundamente diante de uma bela paisagem. Quero que escute o som do mar. Que ouça o silêncio do seu coração. Quero que sinta o gosto da vida aqui fora, linda e plena, que você construirá em cada passo. Que você seja capaz de enxergar as coisas boas do mundo, apesar do que nos dói. Que dance. Que suje. Que bagunce para depois arrumar (pode ser uma boa terapia). Que vá. Que volte. Que erre. Que gargalhe. Não deixe de chorar. Que cultive o frio na barriga. E que tenha em quem se aquecer. 
Quero aprender enquanto te ensino. E te ver construindo e inventando suas próprias verdades, enquanto eu refaço as minhas. Nós vamos viver muitas coisas juntas, filha. Mais do que já estamos vivendo – muito mais. O parto será apenas uma porta para o que nos espera. 
Seu pai e eu estamos te esperando. Pode vir no seu tempo, mas venha. Porque nós te amamos muito. E o amor não conta as horas, mas também tem pressa.


com muito amor,
mamãe.

                    


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E aqui estamos nós…

… 38 semanas e 3 dias depois, esperando a pequena Agnes dar o ar de sua graça nessas bandas de cá do mundo.

– arrumar todas as roupas: checked
– arrumar as malas (e desfazer e arrumar de novo – adoro arrumar malas!!): checked
– mudar os móveis do quarto de lugar 50 vezes até decidir como ficar: checked
– receber duas amigas em casa: checked
– entrar no meu casulo e ficar isolada do mundo todo: checked
– ir respirar na Praça do Por do Sol (um dos meus lugares favoritos nessa cidade): checked
– passar a manhã no parque: checked
– andar pela Vila Madalena conversando com o Cleber, depois de irmos numa sorveteria, como adoramos fazer: checked
– Show do Jeneci e show da Tulipa no sesc – com o combo de ter amigos por perto: checked
– arrumar as lembrancinhas para as visitas: checked
– namorar e aproveitar o marido: checked
– dormir tarde e acordar tarde durante a semana: checked
– comer pastel de feira delícia: checked
– ler algo que não seja sobre maternagem: checked
Ainda não fui ao cinema, mas acho que é porque não tô com muita paciência pros filmes que estão em cartaz. Então fico com os filminhos em casa mesmo.

E é isso. Acho que as coisas que me propus a fazer nessa reta final eu já fiz e/ou estou fazendo, na medida que a vontade vai surgindo e o tempo colaborando. O que não fiz foi porque simplesmente não estava a fim, simples assim.
Agora talvez esteja querendo aparecer uma pontinha de ansiedade. Na verdade é um sentimento meio doido porque, como eu já disse, realmente tô adorando essas prenhice toda, haha. Só que agora estamos a termo, né, então é aquela coisa “ah, sim, ela pode chegar até os primeiros dias de agosto, tem tempo ainda”. Pausa pra lembrar do outro lado da moeda. “Mas se ela quiser chegar agora, hoje, tudo bem também, pode vir”. Ou seja. É uma expectativa gostosa – até o momento, pelo menos. Eu prefiro usar o termo frio na barriga, que é mesmo o que tá rolando, porque falar ansiedade traz uma conotação quase ruim. Explico.

Hoje em dia, com todo esse papo de vizinha pitaqueira de que “passou da hora”, “conheço um  caso em que a mãe esperou demais e (…)” e tudo isso que a gente já conhece bem, temos que bater firme na tecla de estender a data provável, esperar todas as semanas possíveis, etc e tal. E preparar nossa cabeça pra isso também. Pode demorar, sim. Pode ser depois do esperado, sim. E tudo bem.
Eu me preparei pra esse momento, acho que por isso tô tranquila agora. Porque confio no meu corpo, no tempo da Agnes, na fisiologia do parto. Só que a coisa tá virando uma faca de dois gumes, porque se eu comento que estou sentindo uma colicazinha, ou que ela está mais baixa, já querem minar isso em mim, achando que estou ansiosamente louca pra chegar logo. Acho ótimo não apressarem as coisas, medicalizar tudo, claro que sim. Por outro lado, é quase como se só fosse aceitável um sintoma de pródromos depois das 40 semanas. Só que não, né. Se a gente fala tanto de respeitar o tempo da natureza, de que ela pode vir quando ela quiser… pode ser agora, sim, ora pois. Deixa a menina decidir sozinha, que coisa chata!
Confesso que, por uns dias, eu nem queria sentir nada, só pra não ouvir essas coisas.
Calma, gente! Tá tudo certo aqui.
Eu entendo que, em geral, as gestantes são muito ansiosas, ainda mais agora no final. E acho que não estão acostumados a encontrar alguém que fala em voz alta, assim como eu, que sim, tô gostando disso, tá legal, não tenho urgência. Mas poxa, é o meu momento; não é hora de falar o que querem ouvir, ou fazer cara de alface, ou algo do gênero. Eu nunca imaginei que estaria assim a essa altura do campeonato, não tem como programar. Mas é o que tá rolando.

E sim, “já” estou sentindo alguns sinais. Se compartilho isso é porque acho lindo esse funcionamento todo, porque estou conectada comigo e sinto meu corpo trabalhando. Não quer dizer que eu anunciei que estou parindo nos próximos 30 minutos. Aliás, recordando aqui, eu “senti” que iria engravidar antes mesmo de ovular. Se eu dissesse, lá no começo de outubro, que sentia que ia vir outro bebê, to-do mundo falaria que eu estava surtando e que tinha que controlar a ansiedade. Mas eu sentia. E esperei o tempo certo das coisas rolarem. Portanto, se eu digo hoje que eu sinto que a Agnes está perto de chegar, não quer dizer nem que tô marcando minha eletiva, nem que já tô no expulsivo. Só quer dizer que alguns sinais ela já me envia, mas o dia exato, como sempre, é ela que sabe. E tudo bem.
Eu quero que ela chegue, claro que quero – tô doida pra ver seu rostinho, sentir seu cheirinho e todos esses clichês super verdadeiros na vida de uma mãe. Estou aqui fazendo minha parte. Sentindo, achando lindo, curiosa. Demorou, mas eu aprendi a viver um dia de cada vez. Tô fazendo isso agora – e está sendo ótimo!

Solzinho de inverno na pança na nossa manhã no parque, semana passada.

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Uma gestação, muitos sentimentos

38 semanas de gestação. Não tem como negar que estejamos na reta final. Se nascer hoje ou se nascer de 42 semanas, tá perto. Sendo assim, esse me parece um bom momento para falar de como eu fui invadida por uma montanha russa de sentimentos e sensações nesses meses todos.

Se me perguntarem como foi ou como estou em relação a gestação em si, é mais fácil responder. Eu me sinto ótima, me sinto feliz, me sinto plena, sinto que estou realizando um sonho. De verdade. Até agora tive uma gestação muito tranquila, graças a Deus. Sem contratempos, sem alterações, sem aqueles sem-fins de sintomas incômodos – só alguns mesmo. Pra quem emendou uma gravidez na outra, sendo que a primeira não teve um final feliz, passar por isso assim, dessa forma calma, sem turbulências, foi um presente. Não estou dizendo que não tive medo. No começo, claro que senti. Me permiti guardar a notícia só para os mais chegados por um tempo tanto para preservar a nova vida e me vincular a ela no nosso tempo, como também para evitar mil especulações e comparações desnecessárias com o que tinha me acontecido 2 meses antes. Eu não precisava do medo das pessoas, já tinha o meu para aprender a lidar. Aprendi a não projetar uma experiência na outra e foi bem gostoso ir descobrindo o novo. Eu não tive uma conexão instantânea com a Agnes assim, logo de cara. Apesar de ter sentido muito cedo que ela já estava aqui, ela foi um mistério morando na minha barriga por um bom tempo. E eu acolhi esse sentimento. Aos poucos fomos sendo cada vez mais uma da outra e hoje eu amo tê-la aqui dentro e conhecer seus movimentos e respostas. Mas sim, sinto que isso é um grão de areia diante do que ainda está por vir.
Sem contar que adoro estar grávida, adoro os sintomas e ver o quanto o nosso corpo é mesmo perfeito e sabe o que faz. Adoro curtir a barriga e conversar com ela, fico toda emocionada pensando em como vai ser quando ela estiver aqui do lado de fora, em como ela vai nascer e essas coisas todas. Amo! Amo compartilhar tudo isso com o Cleber, ver como ele já está construindo uma relação com a Agnes desde agora, conversando e brincando, e o quanto ele se empenha para entender meus sentimentos e se inteirar de tudo o que diz respeito a hora do parto e aos cuidados dela.

Agora, se o assunto é o resto do mundo… Ou melhor, se o assunto é o que o resto do mundo tem despertado em mim, aí é outra conversa.
Por um lado, gosto das pessoas perguntando, se interessando pela pequena, todos animadíssimos com a sua chegada. Mostro roupinhas pra todo mundo que vem aqui em casa, conto do andamento da montagem do enxoval e do quarto, fazemos festa. Entendo que um bebê faz as pessoas ficarem mesmo muito animadas – até porque eu fico muito animada quando sei que tem um pra chegar. Realmente gosto dessa parte.
Porém, ao que tudo indica, algum duende travesso passou por aqui e levou toda minha (pouca) paciência embora. Acabou rápido e eu tentei me virar como deu. Foi difícil aguentar mimimi. Foi difícil fazer ouvidos moucos e cara de alface. Foi difícil lidar com fofoca. Ou até mesmo com conversa fiada em horas inoportunas. Foi difícil, não. Está difícil, porque ainda não acabou. Eu sofro, eu fico com raiva, eu quero enforcar dar na cara de quem for. Depois, choro (nossa, como eu choro!). Tô chata mesmo, não posso negar. É uma espécie de tpm misturada com salto de desenvolvimento – pense numa combinação que não deveria existir.
A boa notícia é que não foi assim durante 38 semanas sem parar, ufa! Claro que houveram folgas, muitos períodos felizes e ensolarados. Mas é que esses aqui que conto agora, os dias mais cinzentos, quando meus hormônios me dão um baile daqueles… esses são intensos.
Muitas coisas aconteceram – algumas que foram “despertadas” por causa da chegada da pequena (mas que não tem a ver com ela, necessariamente), outras que não tinham nada a ver com a gravidez – e mexeram muito comigo. Que me fizeram enxergar uma parte do mundo de um jeito diferente. Sombras minhas, fatos dos outros. Situações, constatações. Na verdade, é complicado escrever sobre isso, acho que por isso nunca mencionei diretamente por aqui. Porque o que é meu, não quero/posso/consigo compartilhar agora, não quero falar por enquanto, e isso nem indica um problema, veja bem, só quer dizer que o meu modo de elaborar o que me acontece se dá assim mesmo: internamente. E não posso expor diretamente o que veio de fora, porque é preciso preservar os envolvidos, mesmo que os mesmos tenham me chateado muito algumas vezes.
O que posso dizer é que muitas vezes eu quis ir pra uma casinha lá na marambaia, porque realmente não foi fácil ser eu. Com o tempo eu percebi que tinha que me preservar, também pela Agnes, que sente e vive tudo o que vem de mim. Eu precisei me cuidar. Eu precisei aprender a relaxar (e ainda estou em processo). Quando deu, evitei sim situações que eu sabia que iriam me irritar ou me chatear, simples assim. Algumas vezes eu só quis um pouco de paz mesmo, pra curtir o presente e viver a gravidez. Nem sempre fui compreendida, mas era isso ou muito stress pra minha pequena e pra mim. E claro que nem sempre deu certo também, mas a vida é isso aí, tentativas e erros e acertos. Não dá pra ensaiar antes. Foi um grande e intenso aprendizado – está sendo, não sei quando (ou se) vai acabar.

Teve um dia que ouvi algo assim: “na verdade, não são os outros que mudam e se intrometem mais, elas sempre foram assim e a gente ia contornando e relevando para evitar indisposições. O que muda é a nossa postura diante do mundo. É saber que agora não ficaremos calados quando quiserem tomar decisões em nosso lugar – porque afinal tem alguém ali que depende inteiramente da gente”. E é exatamente isso. Não foram os outros que mudaram, fui eu. Não vai dar mais para ser como antes, e nem quero também, não faz sentido.
E então, escrevendo esse texto, percebo que nesses 9 meses gestei não só a Agnes, mas também a mim. Não só a mãe que serei, que isso é principalmente dia a dia, mas também a mulher que quero ser. Ainda não sei inteiramente quem vai nascer – e sinto que será um expulsivo doloroso, se me permitem a comparação – mas tudo bem né, tenho um longo caminho para (re)descobrir.

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29 semanas, a ficha que cai… e outras coisinhas mais

Hoje é dia 04 de maio. Ou seja, temos o mês de maio todo pra viver. Depois todo o mês de junho.

Quando julho chegar, a pequena Agnes vai chegar também. Em qualquer dia do mês, no tempo dela.

2 meses para entrar “a termo”. DOIS meses.
O que eu falei nos últimos posts mesmo? Que o tempo tem voado, passado muito rápido, escorrido entre os dedos, como areia. Agora ninguém pode falar que eu estou exagerando.
Céus! O frio na barriga tá começando a aparecer por aqui. A ficha de que um bebê ~de verdade~ vai chegar demorou quase 30 semanas pra cair. Sim, lerdeza gravídica, eu sei, mas precisava de tanto? 
Estou mais introspectiva esses dias. Claro, ainda tem coisas a serem feitas, mas estou preferindo ficar mais na minha sempre que possível, curtindo a barriga e querendo guardar todas as sensações num potinho. É uma delícia estar grávida, estou amando, de verdade! Muito feliz em estar vivendo essa fase, do jeito que está sendo. A pequena mexendo, a barriga crescendo num ritmo tão perfeito, que é como se ela sempre estivesse aqui – tanto que até me assusto quando me vejo no espelho ou em fotos, rs. 
Hoje fui ao açougue com marido, caminhando. Coisa simples, mas não é do ladinho de casa, não, dá uns 15 minutos na ida e mais 15 na volta. Aí percebi que, por mais que eu ache que a barriga não esteja pesada, ela tá, sim. No meio do caminho comecei a sentir a diferença. Um leve incômodo na lombar, um pesinho no pé da barriga. Mas aguentei ir e voltar, normal, só decidimos que vamos sair logo pra comprar o que estiver faltando, coisas que eu estava deixando mais pro fim, mas como não quero forçar nada nem ir as compras me sentindo pesada, então que se resolva logo tudo. 
Também tenho sentido muito menos vontade de ir pros exercícios de gestante. Algo a ver com querer estar mais focada em mim e na Agnes, e não em “fazer social”, cara de alface e sorrir pros papos que rolam lá, duas vezes por semana, se é que me entendem. Tô pensando em comprar uma bola de pilates e seguir fazendo alguns exercícios e alongamentos aqui mesmo, além de caminhadas leves no condomínio. Coisa meio instintiva mesmo, sem grandes explicações de livros ou manuais, só mesmo intuição de mãe.
Só comecei a sentir as contrações de treinamento há poucas semanas. Ou sentia e não percebia, não sei. Só sei que agora elas aparecem por aqui, umas 2 ou 3 vezes por dia, dependendo do esforço que faço. Não consigo medir o tempo direito, acho que porque estão leves ainda, mas é curioso sentir isso, né?! A barriga endurece mas não dói nadinha de nada, rs. 
Ah, percebi que a Agnes tem mexido bem menos, hoje mesmo foi bem sutil, de vez em quando. Já tinha lido que seria normal a partir de agora, mas não deixei de me assustar. Fiquei meio encucada, mas acho que o espaço tá começando a ficar pequeno pra tanta animação que ela tinha.
A parte chatinha é que apareceu umas micro bolinhas na minha barriga, que coçam muito! Pensei que fosse sinal de que as estrias estivessem chegando, mas até agora nada. Depois percebi que tem no seio também, tipo umas manchas vermelhas (na barriga também fica vermelho), então tô achando que pode ser alergia de alguma coisa. Não comi nada de diferente esses dias e por via das dúvidas suspendi um creme anti-estrias que usava vez ou outra. No mais, tudo normal na rotina. Ainda não passou e de noite parece que coça mais, é péssimo. Mas tenho consulta com a Catia na próxima terça, daí vou ver com ela direitinho o que pode ser. Mas torcendo para não ser nada demais. 
Na prática, falta pouca coisa pra poder dizer que está tudo pronto pra chegada da pequena. Alguns poucos itens de enxoval dela e algumas coisas pra mim, que também tô nesse jogo né não?! Quase esqueci que também estava na lista, haha. Já compramos o bercinho estilo co-sleeper, mas ainda não chegou. Já comecei a fazer o enfeite de porta pra ela (aquele da nuvem com chuva colorida ❤ ). E estávamos prestes a sair pra comprar a cômoda, mas decidimos que vamos reformar, nós mesmos, uma que já temos em casa. Pais possuídos pelo espírito DYI, a gente vê por aqui, hahaha \o/. Nada muito elaborado, porque nunca fizemos isso, mas assim que ficar pronto eu mostro, com certeza. No mínimo, vai ser divertido, rs. 
Esse mês vai rolar um ensaio da pancinha, eeeee \o/ Se tudo der certo vai ser dia 17, tomara que esteja um dia bem bonito 🙂
E entrei em maio mudando o visual, cortei o cabelo curto de novo. Ele cresceu rápido e, como tenho bastante cabelo, estava pesado, sem corte. Resolvi isso ontem e agora me sinto bem melhor – adoro cortar a juba, hehe.
                               

E adivinhem com quem eu estive esse fim de semana? Sim, a Louca do Bebê mais querida da blogosfera! \o/ Eu já fui na Bahia, agora foi a vez dela vir em Sampa me ver, hahaha. Brincadeira, foi um encontro bem rápido dessa vez, mas valeu super pra matar a saudade, conversar e dar abraço barriga com barriga, rs. 
Adoro esses abraços, já rola sempre com a Dani, amiga amada, mas ainda não temos registros – vamos resolver isso em breve, né, Dani? – E agora foi com a Nana. Muito legal essa energia gravídica junta ❤
À propósito, ela está linda e Landinha está crescendo e aparecendo lindamente. 
Nana, amei te ver de novo, sempre muito bom conversar contigo. Certeza que no próximo encontro vamos slingar juntas, haha”
Barrigando em São Paulo
E é isso, meu povo. 
Essa semana tem doula, tem consulta, tem encontro com minha parceira de devaneios, conversas, equipe pré-natal e tudo mais, e com certeza deve ter mais alguma coisa que não estou lembrando, rs.
Passo aqui pra atualizar em breve.
Beijo e uma semana linda pra todo mundo o//

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A versão que ela gosta mais. Ou, temos um bebê interagindo agora!

Desde segunda (ou domingo a noite, se for pra ser exata), a pequena Agnes está muito quietinha aqui dentro. Praticamente não mexeu. Tipo, quase nada mesmo, apenas leves ondinhas, muuito raramente – na segunda passei o dia todo sem sentir na-da, só no fim da tarde deu um oi de longe, tipo aceno de miss, e fim. Ela não é uma bebê possuída pelo ritmo ragatanga que se mexe dia e noite sem parar, mas dá seus chutes e cambalhotas muito dos perceptíveis em sua piscina exclusiva, com a frequência que eu já conhecia muito bem. E aí com esse sumiço, a mãe, que é bicho encucado por natureza, já fica pensando como andam as coisas do lado de dentro da barriga e querendo saber detalhes do dia-a-dia da pequena. Mas como ainda não tem telefone na casinha dela, a gente fica com a boa e velha intuição e observação mesmo, né?!

Ontem a tarde me deu um estalo e lembrei que fazia tempo que não ouvíamos música juntas, sem fazer mais nada, só curtindo o presente. Dei um play na música que eu sei que ela gosta, fechei todas as outras abas do computador, deitei, fechei os olhos, e em menos de 1 minuto de música… tum! Alguém se manifesta. Depois de novo, e depois mais forte. Depois parou, e de alguma forma muito louca eu senti que ela tinha mudado de posição (não a senti mexer, só soube pela forma da barriga mesmo), e aí nos entregamos ao momento. Ficamos ali por uns 30 minutos, talvez um pouco menos, depois o interfone tocou e tive que ir atender o técnico da Net que tinha chegado (oi, vida real).
Mas sim, voltando ao assunto…
A música Debaixo D’água é velha conhecida no meio materno. Existem algumas versões dela, e eu particularmente adoro a versão do Arnaldo Antunes (que foi quem compôs a música, inclusive), no Acústico Mtv. Gosto do toque do teclado, das luzinhas… 
Mas aí, depois de grávida, ouvi novamente essa versão da Maria Bethânia e a pequena adorou!! Uma das primeiras vezes que eu a senti mexer foi ouvindo essa música, aliás. Dava pra notar uma diferença. Mas não é qualquer versão, minhas caras, porque filha minha é exigente desde o ventre. Não é só dar play em qualquer uma e pronto. Tem que ser uma versão específica, mais precisamente essa (não consegui colocar este vídeo específico aqui no post, blogger me trollando). Mas enfim, ela adora os tum-tum do comecinho. E a interpretação de Agora sempre me deixa com lágrimas nos olhos. E também ver os músicos tocando. E só o pedacinho do poema, no final, quando todo mundo já aplaudiu, também apetece minha menina.
E aí a mãe, que é bicho babão por natureza, faz o que? Ouve sempre, né?!
Foi muito gostoso “conversar” com ela ontem através dessa música – e das outras que ouvimos depois dessa. Foi um momento super especial, me fez bem e acho que ela curtiu também.

À noite ela ficou mais quietinha de novo. E assim permaneceu – acho que deve ter ido dormir o sono da beleza.
Hoje de manhã, o papai estava conversando com ela, fazendo carinho – aquele momento deles, que eu sou sempre excluída só expectadora. Dois segundos depois que ele tirou a mão… opa! algo se mexeu aqui! Uma ondinha de leve. Ele recolocou a mão e nada. Rimos e falamos que os bebês sempre fazem o que querem só quando querem mesmo. Ele voltou a conversar com ela, chamou… e dessa vez foi atendido. Ela ficava “respondendo” ao que ele falava, e eu não me aguentava de alegria! Acho que foi a primeira vez que ela se manifestou assim, tipo interagindo mesmo (tirando o episódio de ontem, hoje foi bem mais evidente). Depois ele foi tomar banho, eu fiquei deitada mais um tempo e a festa rolou solta aqui dentro. Ela fazia uns movimentos que pareciam umas ondas, ou cambalhotas talvez, mais fortes, tava muito engraçado. Parecia uma dancinha, rs.
Me diz, tem forma melhor de começar o dia?

E a mãe, que é bicho coração-mole-toda-vida, ficou rindo a toa. E agora quer dividir essas alegrias com todo mundo.

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Morfológico do 1º trimestre

Voltei, gente! \o/

Hoje foi o dia de encontrar, mais uma vez, meu baby-baby na telinha. E aquele frio na barriga de nervosinho que dá antes desses exames? Ontem à noite eu andava pra lá e pra cá, lavando louça onze da noite, hahaha. Mas nem era medo nem nada ruim, só uma coisinha boa mesmo, que fazia um tempo que eu não sentia.
Marido foi comigo, sempre bom a companhia dele.
O exame estava marcado para 11:30 e eu fui atendida uns 40 minutos depois. Pra que manter o horário, né, minha gente? Esses laboratórios me irritam, mas ok.

Entrei na sala, deitei e adivinhem só: senti minha barriga muito mais dura do que de costume. Tipo mais aparente, sabem? Não que ela não ficasse antes, não que eu não sentisse meu útero antes, sentia sim, sempre tive essa sensibilidade com meu corpo. Mas dessa vez foi diferente – e justamente numa sala de exame, rs. Eu nem precisava tocar nem olhar, sabia direitinho onde estava o útero, assim que deitei até comentei com marido. Coloquei a mão e foi muito louco, aquela parte durinha, toda aparente, dava mesmo pra ver abaixo do umbigo mais estufadinho. Foi tão gostoso, parecia que o bebê já estava esperando pelo exame, haha.

E dito e feito. O médico mal colocou o aparelho na pança e logo o baby apareceu na tela, todo lindo e grande. Como crescem, né gente? 81mm de pura gostosura, rs. Todo formadinho já, lindo de ver. Vimos tudo separadinho – e aquele monte de costelinhas, meu Deus? Como pode, né?! Coraçãozinho a todo vapor, TN normal (ao que tudo indica), medidas e circulação sanguínea também normais. Ele disse que minha placenta já está “bem formada”, pensa numa mãe que ficou se achando? haha. Tudo dentro do esperado e desejado, graças a Deus.

Pelas minhas contas (que são baseadas no primeiro ultrassom que fiz, com 5 semanas e 5 dias, visto que meus ciclos são maiores, ovulo “mais tarde” e, por isso, a idade gestacional não bate com a DUM), hoje estou com 13 semanas e 4 dias. Pelas medidas da anatomia do baby, o médico disse que são compatíveis com 14 semanas. Espichado que só vendo, rs. Continuo contando pelo primeiro ultra, porque a partir de agora cada bebê tem seu ritmo de crescimento e podem ocorrer pequenos erros mesmo.

Baby está sentado na barriga da mamãe, de boa na lagoa, e o médico não conseguiu pegar um bom ângulo para vermos um possível palpite do sexo. Eu perguntei, mas também não insisti. Engraçado que antes eu tava toda curiosa pra saber, agora nem tô mais, apesar de ainda pensar em quem será que me habita. Não sei se espero o próximo morfológico ou não, nem vou decidir isso pra já. Na outra gestação eu estava mesmo toda tranquilona, quase querendo esperar o nascimento, rs, mas nessa realmente não tô planejando, tô tranquila mesmo.
Muitos ultrassons podem mais agoniar do que tranquilizar, isso eu sei muito bem, por isso nem pretendo fazer milhões. Confio no meu corpo e na natureza. Conheço as evidências científicas sobre o assunto. E, também importante, confio na minha médica – que não vai me empurrar uma cesárea por bebê grande, circular de cordão ou qualquer baboseira que inventam toda hora. Se eu estiver nesse ritmo que estou hoje, toda calma e feliz, espero tranquilamente; se não, não. Vamos aguardar o próximo episódio…

Mas agora deixa eu postar uma foto do ultra, pra vocês comprovarem como eu ando comprometida com esse negócio de fabricar gente fofa.

e eu sempre acho que a imagem no papel é diferente da que vejo na telinha; o ao vivo é bem mais legal, né?! rsrs…


Ah, só para registrar: de ontem pra hoje tive um sonho muito delícia, com um bebê bochechudo e com dobrinhas todo grudado em mim. Não tem como não ficar toda bobinha, com um sorriso no rosto, né?!
Beijos e boa noite, gente linda. Nos falamos nos comentários o//

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Coisas boas

Meninas, como vocês são lindas, hein?! Esse meu puxadinho aqui só me enche de amor – e sim, vocês são responsáveis por isso. Obrigada pelo apoio no post de ontem.
Mas aí fiquei achando que, nessa gestação, tenho escrito muito sobre o medo e pouco sobre todo o resto. Na verdade, tenho escrito pouco sobre tudo, no quesito quantidade e frequência dos textos mesmo. Vamos ver se a gente muda isso de lugar.

Vai parecer contraditório, mas essa gestação está bem mais tranquila. Eu tenho (tive, vamos deixar no pasado, rs) os picos de medo, que aconteceram, de forma maior, umas duas vezes, mas no restante do tempo tem sido bem legal.

No começo, não quis contar pra ninguém porque precisava desse tempinho. Aos poucos, a família e alguns poucos amigos foram sabendo e ficaram todos super felizes. Mas assim, eu não saí ligando pras pessoas pra contar, foi tudo de uma forma natural, digamos assim. Tanto que grande parte da minha família de Minas só soube quando cheguei lá, agora pro Natal. E, não me perguntem como estou conseguindo, mas ainda não divulguei no meu perfil do face a notícia do ano. Fui deixando pra postar depois, depois… e até hoje não mencionei nada. Então tem gente que ainda nem sabe, ou só desconfia. Daqui a pouco vou compartilhar, até porque com a pança crescendo não tem jeito, haha. E nem é porque tô com medo ou coisa assim. Tá gostoso mesmo essa coisa mais nossa, mais íntima. Eu adoro as torcidas e os bons desejos que vem de todos os lados, adoro! Mas menos perguntas nesse primeiro trimestre foi fundamental. Eu me permiti sentir medo quando ele veio, assisti pela janela ele indo embora – como ontem ele foi, e assim seguimos com os outros sentimentos também.

Estou aprendendo, ainda mais, a confiar no meu corpo, que já o sei incrível e capaz. Constatar isso a cada coisinha que acontece é ainda melhor. Estou me conectando mais comigo, pra não precisar que aparatos externos me digam que está tudo bem. Como eu disse ontem, não quero correr prum ultra a cada suspiro que eu der. Pontadinhas, sensações, sonhos, pensamentos e, principalmente, a minha intuição, tudo me leva prum caminho de autoconhecimento que é só meu.

De uma certa forma, não existe uma ansiedade gigante de que o mundo saiba a revolução que está acontecendo aqui dentro. Eu estou mais calma e tá muito gostoso assim. Eu faço massagem na barriga, passo óleo, cremes, converso com a barriga. É tão bom! É ainda a mesma sensação de quando eu decidi não contar pra ninguém logo de cara. Um coisa meio doida, como se eu sentisse que o bebê precisasse mais do meu tempo dedicado a ele, olhando pra dentro (e, portanto, pra ele), do que contando pro mundo e olhando pra fora. Uma coisa nossa, no nosso atual ritmo. Vai chegar esse momento, de anunciar pra cidade toda (tá chegando, na verdade!), e vou aproveitar também, ô se vou! rs; curtir cada momento do jeito que eu sinto que tem que ser é delícia.

Uma das melhores partes é a minha disposição. Estou super bem disposta pra andar, fazer coisas e tudo mais. Acho que mais do que quando eu não estava grávida, mas essa parte a gente abafa, haha. Ainda não estou me exercitando regularmente, porque a Cátia disse que íamos avaliar isso na próxima consulta. Mas não vejo a hora de ser liberada oficialmente e voltar pras atividades. Nesse dezembro eu andei pra caramba (teve um dia que quase desmaiei no ônibus, por causa do calor imenso, mas mami estava comigo e me socorreu), lá em Minas fizemos um dia uma caminhada muito boa também, na nossa roça. Ar puro é outra coisa, né minha gente?

Marido tá um lindo, como sempre. Super paciente e carinhoso, além de bem presente sempre. Esse apoio e essa parceria são fundamentais pra mim. Os momentos dele com a barriga são muito fofos.
Já comprei algumas poucas coisinhas, mas essas vou deixar pra contar em outro post, que aí coloco fotos também. Minha mãe deu um macacãozinho lindo, todo pequenininho, uma fofura. Tenho pensado em algumas coisas do quartinho e já já eu começo a colocar a mão na massa.

E é isso, por enquanto. Em breve volto com mais novidades 🙂

nossa tradicional caminhada 

trilha com estilo 😛

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Crônica de uma gestação anunciada

Foi dia 06 de outubro  (08DC) que senti algo diferente pela primeira vez. Sonhei com um bebê lindo, com os olhos mais lindos ainda. Depois senti medo de estar totalmente iludida, mas ainda era bom. Nos dois dias seguintes tive uma sensação bem real no meu corpo, uma coisa bem nova. Os dias foram passando e continuei sentindo coisinhas esporádicas, aqui e ali.

Eu tinha um pressentimento forte que ficaria grávida em breve. Na verdade, algumas vezes eu sentia como se já estivesse, mesmo que ainda não tivesse ovulado. Até perguntei no grupo das Tentantes Empoderadas se existe ovulação precoce (e a minha sempre foi tardia), porque eu tinha quase uma certeza mesmo.
Desde o dia 15 (17DC) eu já sentia meus seios diferentes. Doíam, estavam um pouco maiores. Deve ter sido por essa data a ovulação, mas pra mim já era a dor do resultado dela, rs. Uns dias depois doía tanto que parecia queimar, de tão intenso.

Dia 17 eu acordei com a certeza de que estava grávida. Era uma coisa muito doida. Fiquei toda feliz, de verdade. Tomei banho, cuidei da casa, escrevi, fiz todos os afazeres… feliz. Eu nunca tinha sentido isso antes, da outra vez não foi assim, essa certeza toda. Achava que isso era lenda urbana, rs. Tanto é que mais tarde eu voltei pra Terra e fiquei achando que estava surtada, que não podia ser real, que tudo isso ia acabar em um ciclo menor.

Depois ainda teve o dia em que passei mal na rua, voltei pra casa e dormi a tarde toda. Meus pés resolveram que era ok inchar depois de uma caminhadinha. Uma lerdeza sem fim. E a queimação, de vez em quando, nos seios.

Dia 21 eu senti uma cólica e fiquei arrasada. Achei que já tava chegando o dia, que o ciclo ia acabar justamente quando eu estivesse na Bahia, porque essas cólicas só vêm quando está mesmo pra descer. Dois dias depois fui com o Cleber comprar um biquíni e me senti péssima. Eu estava muito inchada, me sentindo feia, e ainda as benditas cólicas. Só que, quando eu cheguei em casa e fui experimentar minhas comprinhas de novo, senti uma baita diferença na minha barriga. Não dá pra explicar. Não que estivesse diferente de horas atrás, quando estava no provador do shopping, eu é que não tinha reparado mesmo, pensando demais nos outros sintomas.

Dia 25 (27DC) chegou e era o dia de ir pra Bahia. Mesma coisa dos outros dias, minha barriga estava mesmo diferente. Ainda por cima, ao acordar, me lembrei que sonhei com a minha mãe dizendo que eu estava grávida, sim, já até podia fazer o teste. Motivo de sobra pra eu ter mais uma pontinha de esperança. Lanchamos no aeroporto, porque eu estava com muita fome. No voo, não foi tão tranquilo. Eu tenho um pouco de medo de voar, minha pressão deve ter baixado, me senti fraca. Foi bem ruim. 
Lá não teve grandes mudanças. Não teve grandes mudanças se eu não mencionar que estava a Dona Redonda, toda inchada, literalmente da cabeça (rosto) aos pés. No domingo eu não almocei direito porque o peixe não desceu bem e, mais tarde, quando estávamos no Museu Náutico, senti uma baita tontura e fui lá pra fora tomar um ar. A Nana até comentou:

– Ih, dona Má, esses enjoos, essa tontura, sei não hein! Ai ai… – Nem me fale… ai ai!

Não sei como consegui subir (e principalmente descer!!) aquela escada até chegar lá em cima no Farol, rs. 
Na volta pra casa, quando o avião decolou, eu simplesmente comecei a chorar. Assim, sem mais nem menos. Chorei por uns 10 minutos, pensando zilhões de coisas ao mesmo tempo. Marido foi um lindo e me acolheu, mesmo sem entender direito o que se passava.

A semana transcorreu mais ou menos do mesmo jeito. No dia 02/11 (teoricamente o 35DC) fiz um teste, mas não com a primeira urina do dia, e a segunda linha apareceu, mas tão tão tão fraca que eu não consegui pular de alegria. Marido também viu e não quis comemorar. Mostrei pra Nana e ela achou que era positivo, sim. Mostrei pra Dani, a mesma coisa. Ficaram muito animadas! Por mais que tivesse sentido um mês inteiro que algo iria acontecer, eu não conseguia comemorar. Esperei o dia seguinte e fiz outro teste, dessa vez com a primeira urina do dia. A mesma coisa. Tão clara que parecia alucinação. Uma alucinação coletiva, porque todo mundo viu de novo, inclusive a Ju, super entendida de linhas claras, haha. Acabou minha paciência e fomos ao pronto socorro fazer um beta. Chegando ao hospital, quem eu encontro? A Isa, minha doula!! “Nada acontece por acaso”, foi o que o Cleber disse. Não senti uma vertigem sequer de tirar sangue (mas fiz todos os meus procedimentos de segurança). Nessa hora eu já estava acreditando mesmo no positivo, porque só não passei mal com isso na outra gravidez. Duas eternas horas depois, o resultado saiu. Super baixinho, mas já era positivo! Fiquei tão feliz!! Nos abraçamos (depois de sair do hospital), a Dani me ligou para comemorarmos, me disse umas coisas lindas, foi uma festa só.
Chegando em casa, contei pros meus pais e pedi segredo (o que meu pai cumpriu até o último feriado, um marco pra ele, que não esconde nada das irmãs, rs). Meu irmão só soube essa semana. Os pais do Cleber nem devem saber ainda, eu acho, mas contaremos em breve. Poucas amigas sabem. E agora aqui no blog. As coisas estão acontecendo cada uma no seu tempo. E tá sendo muito gostoso. Ainda tento viver um dia de cada vez, ainda bate um medinho, mas vamos sempre em frente, que é onde as coisas acontecem.

Já tinha uma micro pessoa passeando em Salvador. Ou, as bochechas gigantes da mamãe.

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Talvez, talvez…

Atenção: post altamente abstrato. Estou tentando organizar as ideias e acho que não tem coisa com coisa, mas tô postando assim mesmo, rs. Agradeço a compreensão de todxs. 

Eu acho que sempre fui uma pessoa que confia. Confio nas pessoas, confio em Deus, confio em mim. Quer dizer, essa confiança toda foi e está sendo construída ao longo dessa minha estrada, mas de uma forma geral podemos dizer que sou confiante.

História para ilustrar: 
Em 2010, fomos todos (família unida, lembram? rs) ao shopping e meu pai aproveitou para comprar umas roupas, pois estava precisando. Ele é a pessoa que mais economiza, sempre quer tudo o mais barato possível. Nesse dia, ele se permitiu entrar numa loja em que nunca tinha comprado nada e gastar umas centenas de dinheiros. Estava clima pré-copa do mundo e o shopping, juntamente com o cartão Visa (isso não é um publipost, hahaha), fizeram uma promoção: a cada tantos reais em compras, você ganhava um cupom para concorrer a uma viagem à África do Sul para assistir um jogo do Brasil, com acompanhante. Meu pai, que adora um sorteio, foi lá e depositou seus cupons, olhou pra minha mãe e falou “nós vamos pra África!”; rimos todos daquela remota e longínqua possibilidade e a vida seguiu. Uns dias depois (não me lembro se uma semana ou duas) meu pai foi viajar, lá pra nossa roça, em Minas, onde mal tem sinal de televisão, quanto mais de celular, e deixou seu aparelho em casa. Uma tarde qualquer, eu estava aqui em casa, bem gripada, meio zonza até, o celular dele toca. Atendi. A moça do outro lado da linha diz: “(…) é sobre o sorteio da viagem, do shopping Eldorado, ele ganhou!!! (…)”. Gente, vocês não têm ideia. Eu pulava na sala, toda feliz, toda serelepe. Disse que ele estava viajando e ela pediu pra ele voltar logo, pois tinham que acertar tudo. Liguei pra minha mãe, que estava trabalhando, dei a notícia, ao que ela solta “mas será que é verdade? Será que não é golpe?”. Várias pessoas pensaram isso. Me senti meio ingênua, mas tinha certeza que era verdade. Esperei uns minutos, entrei no site do shopping e lá estava: o nome completo do meu pai como ganhador. Ele realmente voltou mais cedo para acertar tudo (nem passaporte eles tinham ainda) e quando ele foi assinar os papeis na administração do shopping, a mulher (a mesma que ligou) falou que eu fui a única pessoa que acreditou de primeira e comemorou, todas as outras acharam que era trote ou pegadinha. Resumindo: meus pais foram pra África do Sul, ficaram uma semana por lá. Assistiram ao jogo do Brasil (o último que ganhamos, ainda bem, rs), visitaram vinícolas, o Cabo da Boa Esperança, vários passeios, jantares, hotel legal, com absolutamente tudo pago. 
E algumas pessoas se espantam mais com o fato de eu ter acreditado de primeira do que na viagem que eles fizeram, hahaha
Enfim. Tudo isso pra falar que estou insegura comigo mesma.
pausa pra vocês rirem da minha cara, por ter enrolado tanto para dizer isso, super me sentindo demais pelos meus dotes confiancísticos e depois falar isso assim na cara dura.
despausa. 
prosseguimos. 
Talvez aquela crise que eu disse uns posts atrás não tenha ido embora totalmente. Talvez tenha ido embora a parte profissional e no lugar esteja a parte gestacional. Talvez eu seja a própria crise em carne e osso e ela nunca me abandonará #dramamodeon
Esse ciclo está sendo diferente. Eu disse que não queria voltar a tentar (nem evitar), porque foi isso que senti que deveria fazer naquele momento, a vontade realmente estava gritando aqui dentro, mas pode ser que isso mude daqui um ou dois ciclos e tudo bem, nada é muito definitivo na (minha) vida. 
Tá, mas não é sobre isso também que eu quero falar agora. Sinceramente, já faz uns três dias que estou diante da tela em branco esperando um melhor jeito de elaborar, e nada.
Tive várias sensações (referentes a um futura gestação, no caso) desde o início do ciclo. Várias. Fortes, fracas, felizes, de medo. Anotei quase todas para não esquecer e fazer um “estudo detalhado” depois. Tem sido um processo bem solitário, na verdade, ninguém sabe disso. Geralmente o Cleber sabe essas coisas, mas não contei dessa vez (o que não significa que ele não possa ter reparado em algo). Sei lá, é uma coisa minha, não quero muita interferência de fora agora.
Mas agora nesse final tá meio puxado. 
Talvez eu não tenha cumprido ao pé da letra a parte do “sem interferências de fora” e li mais do que deveria (o que não significa que informação me atrapalha, tenho aprendido realmente muuita coisa ótima e válida, que vale post depois; estou falando da minha autoconfiança mesmo). 
O fato é que comecei a “duvidar” das coisas todas que senti, é isso. Pode ser que eu esteja precipitada e tenha entendido tudo errado. Pode ser que seja tudo coisa da minha cabeça. Pode ser que eu seja mesmo muito ingênua e acredite até em Papai Noel. E sim, duvidar do que eu sinto, pra mim, é uma coisa grave.
Na verdade, o fato de ter perdido um bebê me deixou com o pé atrás nesse lance de gestação. 
(É isso! Insights assim só me chegam quando estou escrevendo. Enfim.)
Fico pensando como vai ser na próxima vez. Quero tanto um filho, que acho que nem consigo mensurar direito. Em contrapartida, acredito que tudo tem a hora certa para acontecer, mas que temos que fazer nossa parte, porque né?! nada cai do céu. 
Tenho medo de ter outra perda? Sim, um baita medo. 
Só que maior do que esse é o medo de não entender mais o que eu sinto. Medo de me iludir. 
Na verdade, eu não contei pra ninguém tudo que vem acontecendo também para evitar que me mandem relaxar e pra eu parar de ser ansiosa. Sabe, o que eu sinto agora pode até ser uma certa ansiedade, mas não é essa minha questão. Ansiosa eu sempre fui, só que hoje a uso mais a meu favor, não deixo que ela se transforme num stress (pelo menos tento). E, independente do que aconteça, maternidade sempre estará no meu topo de interesses.
Meus pensamentos estão bagunçados. Talvez ainda demore muito pro meu bebê chegar. Talvez eu me sinta culpada por não estar exatamente aonde eu achei que deveria estar (seja lá o que isso signifique). Talvez eu ainda tenha que aprender muita coisa, comer muito arroz com feijão para que as coisas aconteçam. Talvez eu deva fazer mais. Pensar menos. E veja bem, isso pode até não ser de todo ruim, e não deve ser mesmo. Só que eu ainda estou muito perto pra saber. Talvez daqui um tempo eu veja isso como só uma fase da espera pela espera. 
Só sei que agora, neste instante, tudo que eu queria era ter um pouco mais tranquilidade de novo. E encontrar algum sentido nessa minha bagunça.
Até lá, só me resta ir – quem sabe eu não (re)encontre a minha confiança pelo caminho e a pegue de volta pra mim?

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