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Breve relato de um desfralde (quase) relâmpago

Coisas acontecem, amigas.

Numa manhã de sábado, eu levantei cedo, me arrumei, comi umas bolachinhas, peguei minha bolsa e saí, rumo a uma aula experimental de yoga. Deixei Agnes e Cleber dormindo. Tudo isso antes das 8 da manhã. Andei até o metrô (quase 2 km), cheguei lá, fiz a aula, adorei, voltei comendo uma maçã, andei o mesmo tanto e, quando cheguei em casa, minha filha estava desfraldada.

Ok, quando eu cheguei, ainda não sabia do fato. Ela adorou que eu voltei, mamou, me contou que foi brincar no parquinho com o papai, o que comeu e tal. E aí me contaram que ela estava sem fralda. A manhã toda de calcinha. Deixamos o restante do dia, sucesso absoluto, sem escapes.

Nos animamos e mantemos o pacto de tirar a fralda de vez, não tinha como voltar atrás. Eu já tinha tentado antes, mas acho que nem ela e muito menos eu estávamos na vibe. Comprei um assento redutor recentemente, pra ver se ela animava, porque tinha medo antes de sentar no vaso sem nada e eu não gosto de penico, mas ela sempre dizia que queria a fralda e eu não insistia. Ou até ficava a manhã sem fralda, por exemplo, mas era como se fosse uma brincadeira, quando íamos sair, eu colocava a fralda e voltávamos à estaca zero. O Cleber tem uma abordagem mais direta, digamos assim, haha. Na troca daquela manhã tirou a fralda e conversou com ela, dizendo que iria ficar de calcinha, que não iria mais usar fralda e sim o banheiro, igual a gente blablabla. Ela até disse que queria a fralda, mas como ele conversou de novo e se manteve firme, ela aceitou e assim foi. Comprei umas calcinhas novas, porque ela tinha pouquinhas, e ela adorou a novidade.

Colocávamos a fralda só pra dormir a noite e tirava logo que acordava. No primeiro dia, a fralda acordou encharcada. Nos dias seguintes, não. Acontecia um ou outro escape durante o dia, lidamos tranquilamente e seguíamos o dia. Em casa, de calcinha. No parquinho, de calcinha. Pra sair, de calcinha. Soneca da tarde, de calcinha.

Mas depois de uma semana, mais ou menos, parecia que ela não estava mais tão satisfeita com essa nova dinâmica. Teve um dia que ficou sem fazer cocô, porque não queria ir ao banheiro. Ela dizia que queria, a gente tentava, mas ela não fazia. No dia seguinte, chorou querendo a fralda, que estava em cima da cama. E não estávamos tratando diferente, não demos bronca, nada. Durou uns três dias essa insatisfação até que, numa conversa, Cleber e eu chegamos a conclusão que ela estava ficando confusa por colocar a fralda de noite. Não estava funcionando. Como estava acordando sempre seca, resolvemos bancar a escolha e tirar de vez. Tiramos. E desde então, há quase duas semanas, só tivemos um xixi na cama (ontem, e acredito que porque fomos numa festa de aniversário e ela tomou muito líquido). Teve até um dia que ela me acordou 5:40 pedindo pra ir ao banheiro, tão linda, rs.

E essa é a breve história do desfralde total da Agnes, aos 2 anos e 7 meses.

Como eu disse, coisas acontecem. Eu já tinha tentado, mas sinceramente não tive firmeza nenhuma, ao menor sinal de resistência dela eu voltava atrás. E é claro que isso não ajuda muito, né. A segurança do pai foi um pontapé fundamental nesse processo.

Que bom que eu acordei cedo e saí de casa naquele sábado.

Quero ver agora qual vai ser o milagre que vai acontecer pra termos o desmame, mas vamos com calma, né. Um dia acontece (oremos! 😛 )

 

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Feliz dia, papai!

Meu bem,

hoje é Dia dos Pais e eu queria te agradecer.

Não agradecer por você fazer tudo que faz, como se fosse uma espécie de favor ou ajuda. Não esse tipo de agradecimento. Um agradecimento sincero e inteiro por estarmos juntos nessa vida, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nas alegrias e nos perrengues. E em toda a construção da nossa família, principalmente com a Agnes.

Tão bonito de ver vocês dois juntos. Como ela te chama e te abraça de manhã, como te espera quando sai pra trabalhar, como te chama na sua ausência e pergunta o tempo todo, como fica em cima de você quando volta. Ela confia muito em você, dá pra ver de longe. Confia que seus braços estarão ali para pegá-la nas brincadeiras doidas que vocês fazem, confia na sua palavra e na sua presença. Você faz as melhores receitas e sempre se lembra da blusa de frio, muito mais do que eu, aliás, que sou desligada com isso. Ela fica mais tranquila com você do que com qualquer outra pessoa quando não estou, e isso só prova o quanto a relação de vocês é forte e saudável. Isso me acalma e me enche de amor.

Você é um pai incrível, saiba disso.

Feliz todo dia, e obrigada por tudo.

beijos nossos ❤

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Meu segundo dia das mães

Era pra eu ter vindo postar ontem, mas ontem nem o computador eu liguei, acompanhei pouca coisa pelo celular e só. Tive uma semana intensa – de pensamentos, reflexões, revisões e decisões – e tudo que eu queria era ficar na minha, curtindo minha barriga e meu marido, ficando na paz.

Ontem acordei com um abraço gostoso do Cleber, me desejando um feliz dia das mães. Foi uma delícia, como se ele estivesse falando também pela Agnes – e acredito que tenha sido também, porque a sintonia deles é bem bonita de ver. Do lado de dentro, ela dava seus chutinhos, soquinhos e remexidinhas, me lembrando que a vida está acontecendo dentro de mim há meses, ficando cada vez maior e que daqui a pouco passaremos para um outro estágio: a prática, a vivência.

Por enquanto, a experiência que tenho é outra. A teoria.
Esse é o segundo ano consecutivo em que estou grávida no dia das mães. Ano passado eu estava com poucas semanas, nem barriga tinha, era tudo muito teórico mesmo. Naquela época, obviamente, eu pensava que esse ano estaria com a bolota aqui do lado de fora da pancinha. Mas as coisas mudaram de rumo e, ao invés de vir aqui pra fora, ela foi ainda mais pra dentro de mim, num nível diferente. Com ela eu aprendi que o tempo é um senhor de barba branca que gosta de nos pregar umas peças, mas que sempre ajeita tudo também. Que não temos controle algum sobre a vida, nem ao que nos acontece. Isso é assustador, sim, mas facilita quando a gente aceita essa verdade de coração aberto. Com ela eu aprendi que eu não preciso ver o amor pra saber o seu tamanho. Que o meu corpo funciona maravilhosamente bem – ainda mais quando eu deixo as coisas fluírem de acordo com o meu instinto e a minha natureza. Me ensinou a me ouvir ainda mais. Me mostrou o quanto eu e o Cleber podemos nos unir. E o quanto a minha família faz por mim também. Me ensinou a chorar e tomar decisões importantes ao mesmo tempo. A respeitar o tempo da natureza. Ela me ensinou a ressignificar a dor, o sofrimento, a saudade. E eu fiz o meu possível para retribuir tudo que ela foi e fez pra mim.
Não foi nenhum ensinamento fácil de viver, mas hoje eles já estão em mim, mesmo quando a pressa da rotina me faz esquecê-los, ou não colocá-los em prática.

Hoje eu sei que ela veio me preparar.

Porque com a sincronia e a sapequice que só os irmãos tem entre si (ainda mais quando querem “pregar peças” nas mães, rs), dois meses depois de todo acontecido, a pequena Agnes chegou. Chegou chegando, aliás, que desde o início eu soube que ela estava aqui. São gestações absurdamente diferentes. São pessoas diferentes. Ela está se revelando aos poucos, no seu tempo. E ao mesmo tempo em que temos uma forte ligação, sei que ainda temos muito a construir juntas. Aqui fora.

                           
Ganhei flores do meu pai ❤

Nesse segundo dia das mães, junto da Agnes, já tenho na bagagem o frio na barriga da espera pelos ultrassons. A força adquirida diante de um exame de sangue. A encarar minha própria sombra, pra tentar ser uma pessoa melhor; por mim, por ela. A pensar e repensar mil vezes uma decisão, só porque ela também está envolvida, e eu não quero nada menos do que o melhor pra ela. Já tenho a felicidade sem tamanho de ver a barriga crescer, crescer… até que todo mundo saiba de longe que tá chegando uma grávida, rs. De sentir o amor crescer na mesma – ou até em maior – proporção. E de sentir a vida nadando e se comunicando comigo através de movimentos – vezes sutis, vezes totalmente descarados. A capacidade de conversar com a barriga e saber que está sendo entendida. A fazer malabarismo com as contas pra caber tudo que falta. E ao mesmo tempo achar que não falta nada, só que ela esteja aqui logo. Ficar com um sorriso bobo por ver seu corpinho perfeito no ultrassom 3D – e comemorar a existência de dois rins, bexiga e estômago funcionando lindamente, quarto câmaras no coração, face fechada sem fissuras. Mas também se derreter com uma boquinha perfeita, igual a do pai. Já tenho a satisfação de imaginar um corpinho pequeno dentro de cada roupinha que eu comprei pensando nela. E adorar fazer suas coisinhas com minhas próprias mãos. Também trouxe a tona um Cleber ainda mais especial, de um jeito que ainda não tinha rolado, apenas porque é o jeito do pai dela. E estou encantada por imaginar nós 3 como família, vivendo a vida real, daqui uns meses. Não vejo a hora. Mas ainda a quero aqui dentro mais um pouquinho, rs.

                           
E também ganhei uma foto da minha pequena Agnes. Absolutamente apaixonada, apenas ❤

É tanta coisa pra falar. É tanta coisa que tenho sentido.
O terceiro trimestre chegou e já estou me sentindo em clima de reta final. Ainda falta tempo, eu sei.  O restante de maio e junho inteiro. Boa parte de julho, ninguém sabe quanto. Não estou sentindo que cheguei ao fim, com um ar nostálgico. Estou sentindo que entrei agora na última etapa, rumo a uma vida nova.
Uma nova etapa com ainda mais experiências para compartilhar. Vivências. Prática. O que eu acho que estou esperando e o que eu nunca poderia imaginar que fosse acontecer. Ainda mais amor na bagagem. Carregando as duas filhas ao mesmo tempo. Uma no colo, outra no coração. Porque eu sou mãe – e sempre vou querê-las perto de mim.

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A base que construiremos juntos

Escrevi um texto sobre algumas escolhas que fiz e os motivos que me levaram a não realizar um chá de bebê. Na verdade, aquele era um texto mais sobre o chá de bebê, sobre um recorte do meu mundo, sobre o fato de eu conhecer os meus convidados e, por isso, optar por não fazer essa festinha, e menos – bem menos – sobre o meu poder de decisão de certas coisas na maternidade.
Simplesmente porque não podemos prever tudo. Ou quase nada.

Eu quero muito amamentar. Acho importantíssimo, em vários aspectos, e quero que faça parte da minha nova rotina logo após o nascimento da pequena. Quero me dedicar, me esforçar e me entregar, pois sei que não é fácil no começo. Por esse motivo, não quero estar aberta a ter estoques de substitutos ao meu seio na minha casa, desde já. Pode acontecer alguma coisa séria – fisiológica ou psicológica – que mude meus planos e me faça recorrer às fórmulas? Com certeza pode. Pode acontecer de um tudo. (Claro que vou chorar ou ficar chateada por precisar recorrer a algo que eu não queria, mas saberei que fiz e fui até onde pude). Diante disso, e depois de orientação dos profissionais competentes, faço as compras necessárias e adapto meus planos à nova realidade. Mas agora, não. Agora eu estou lendo muito, tanto a teoria quanto os mais diferentes relatos, exatamente pra ver que em cada casa – ou melhor, com cada filho – é diferente, e (tentar) preparar minha mente pra isso. Agora eu estou indo atrás de informações de onde tem bancos de leite próximos a mim e também pessoas capacitadas para me orientar diante de alguma dificuldade. E muito em breve passarei pro papel uma lista com alguns telefones, ou e-mails, de pessoas que sei que me darão real apoio (e não pitacos), que são a favor da amamentação e que me darão forças para seguir em frente. Agora estou me preparando ao máximo para bancar a minha escolha.

E esse foi só um exemplo. O mesmo pode-se aplicar para o não uso do berço, para as fraldas de pano e assim por diante. São escolhas iniciais, que eu fiz porque tenho valores semelhantes aos propostos, que tomei depois de um certo tempo pesquisando, pensando e conversando, e também por achar que vai facilitar meu dia-dia como mãe, por que não? 😉
Mas tudo isso ainda está no plano das ideias, eu só vou saber o que acontecerá de verdade em julho (ou agosto) e nos meses seguintes, depois que a Agnes nascer e eu ver como vai ficar a nossa rotina juntas. São apenas um norte, para que eu não me sinta perdida – e porque algumas decisões práticas, como o caso das fraldas, tem que ser resolvidas (compradas) desde já.
(obs: isso também não quer dizer que mudarei de ideia e de prática a cada manhã, vamos com calma. É só que eu entendo que existem surpresas no caminho, coisas que não esperávamos (não falo de algo específico, realmente não sei a que me refiro; é isso que caracteriza a surpresa), e que podem mudar um pouquinho os passos da dança).

Eu não sei como será minha vida depois que ela chegar. Nunca fui mãe, estou diante do desconhecido mesmo. Por mais que eu tenha alguma experiência prática com bebês, sei que é muito mais. Pressinto que vai me transformar numa pessoa nova – é o que dizem por aí. Imagino que não será muito fácil, mas que será absolutamente importante para todos nós; que será lindo, claro, dentre outras tantas coisas que ainda não parei pra pensar.

Estou muito aberta a aprender com tudo que vier. Viver a maternagem integralmente é uma espécie de sonho de consumo que estou realizando. Viver a maternagem integralmente, e não projetar um tipo desenhado de sucesso em cima dos pequeninos ombros da minha filha, que fique claro – disso eu quero passar longe.
Na minha visão é um ato valiosíssimo: gerar, gestar, parir, alimentar, amar, ensinar valores, cuidar, acalentar, mostrar limites, apresentar o mundo… aprender ou reaprender a voltar o nosso olhar para o belo, enxergar o mundo de uma maneira diferente, perceber novas nuances e emoções também está no pacote, porque toda relação é via de mão dupla e esses pequenos tem um tipo de saber que é só deles. E estou aqui, inteira, para viver cada um desses dias.

Hoje o Pedro Fonseca escreveu uma carta pro seu filho, sempre linda, que me fez pensar. Nisso e em outras coisas também.

Eu estou seguindo o meu coração e completamente ciente de que essa pessoa que hoje depende de mim para crescer e sobreviver, daqui a pouco vai estar aqui no mundão, no meu colo e segurando minha mão, até que possa dar seus próprios passos e trilhar seu próprio caminho. Um de cada vez, que é pra gente ir se acostumando. Uma conquista e uma escolha por vez, porque nada é pra já. Até lá, me esforçarei ao máximo para preservar sua essência e respeitar suas particularidades, fazendo as melhores escolhas que eu puder fazer por nós, mantendo o que nos é fundamental, como família e como pessoas, porque uma boa base é essencial para se construir o que quer que queiramos construir.
Então saiba, filha, que construiremos juntos a sua base. O caminho trilhado a partir daí será seu. Só seu.

Uma pessoa completamente nova – e paradoxalmente já pronta – entrará na minha vida em breve.
Para que eu possa cuidar e também para me ensinar. Para que eu possa levar, mas pronta para me mostrar a melhor direção.
Para fazer parte do meu caminho, para construir e trilhar o dela. Do jeito que melhor lhe parecer.
Não tem como não ser especial.
Não tem como ser muito planejado. Amém.

Mais uma vez, Steve Hanks ilustrando minhas palavras, só porque eu acho uma lindeza só.

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BC: "Como os papais estão participando da gestação?"

Antes tarde do que mais tarde, né não? Demorei, mas cheguei!
Com esse frio glacial, eu estava sem coragem de sair debaixo das cobertas e meu cérebro – já lento – congelou de vez, confesso (e esqueci de deixar o post pronto antes), mas agora, depois de tomar um banho quente e comer uns bolinhos de chuva, me animei e cá estamos, para mais uma noite um dia-amor de blogagem coletiva!

A Loroca sugeriu que o tema  dessa semana fosse escrito pelos próprios papais em questão. Mas bem, o meu excelentíssimo marido não é muito chegado a escrever muitos textos (apesar de escrever versos lindos pra mim), ainda mais pra ser lido por tanta gente, então, gentilmente, ele deixou essa incumbência para a minha pessoa mesmo 😛

E eu posso dizer que ele já demonstra ser um pai e tanto!
O Cleber tem uma irmã de 8 anos. Ou seja, na adolescência ele convivia de (muito) perto com um bebê. E aprendeu a cuidar, né?! Claro que nessa época eu ainda não o conhecia, quando começamos a namorar ela tinha 4 aninhos.  Mas com 3 meses de namoro nós fomos pra Aracaju e lá, com a minha afilhada, que tinha 6 meses, já percebi que ele levava o maior jeito com criança. Me lembro que a gente chegou na casa (ele não conhecia pessoalmente ninguém ainda), sentamos no sofá e ela pulou imediatamente pro colo dele, foi muito fofo. E todas as vezes em que ela veio aqui, foi muito gostoso de ver eles brincando; nós dois sempre íamos com ela no parquinho aqui do condomínio e ela adorava que o “tio Quebe” a empurrasse no balanço. Com o nosso sobrinho (filho do irmão dele com a minha prima), é fofo de ver também. O Alberto adora o tio, sempre pergunta por ele (só que pra ele, o tio é “tio Tebe” – variações do bebezês, haha).
Apesar que é preciso dizer que ele não é aquela pessoa que acha tudo que as crianças fazem bonitinho ou coisa do tipo. Então ele fala sério, abaixa, explica e se mantem firme, sempre (o que eu acho ótimo, visto que o meu coração é um pouco mais mole, rs).

Agora, falando especificamente da nossa gestação.
Antes de eu engravidar, ele ficava pensando em qual seria o melhor momento para a chegada do bebê, financeiramente falando. Tanto que parei o anti em janeiro, mas só começamos a tentar em abril, porque ele queria mais esse tempinho pra acertarmos umas coisas. Fica pensando (e agindo) em como teremos toda a grana pra pagar o hospital e a médica, caso seja necessário, e já organizou um calendário das compras maiores pra chegada do bebê (ele é contador, gente, deixa ele, haha).

Logo que descobrimos o positivo, ele disse que “a ficha ainda estava caindo” (nas palavras dele), mas aos pouquinhos ele foi se familiarizando a novidade, digamos assim.
Foi comigo em todas as consultas na Casa de Parto até hoje. No primeiro ultrassom que fiz, que nem foi marcado nem nada, ele ficou meio assim porque eu não o esperei. Então vi que ele queria mesmo estar presente em todos os momentos que pudesse. E assim fizemos, nos dois outros utras que rolaram, ele foi e adorou! Fica todo bobo vendo Bolota se exibir na tela e ouvindo o coraçãozinho, rs.
Nos exames de sangue, ele não sai do meu lado nem um minuto, e sempre acaba fazendo o jejum junto comigo, porque eu como a última vez à noite e ele nunca toma o café da manhã, sempre me espera #todasmorredeamor.
E agora deu pra cuidar ainda mais da minha alimentação. Isso porque o exame da glicose deu ok, mas ele está empenhado! E está empenhado, inclusive, a não me deixar precisar fazer o exame horroroso da curva glicêmica. Então estamos inventando umas receitas aqui pra eu comer mais coisas que não sou muito fã e fica me lembrando de comer frutas.

Como eu já contei aqui num outro post, ele super defende as minhas ideias de parto humanizado – e como sabe que eu sou uma pessoa meio estressada com pitacos, cuida para que cheguem aos meus ouvidos cada vez menos. Claro que não dá pra blindar tudo, eu sei, mas as respostas que eu sempre quero dar e nunca tenho muita coragem, ele tem de sobra.
E eu adoro quando ele puxa algum assunto comigo relacionado a isso. Sobre aquele medo que falei aqui dia desses, ele super me incentiva a correr atrás do maior número de informações que eu puder, sempre.

Mas a parte mais linda, que eu deixei pro final e até já contei aqui antes, é o fato dele conversar com a minha barriga desde o comecinho. Altos papos ele tem com a Bolota, vocês precisam ver, rs. Eu não ouço a maioria deles, é papo só dos dois mesmo, só deixam eu ouvir quando estão me trollando, tipo “a mamãe é muito enrolada”, “o papai é mais legal”, ou coisa do tipo #todoscontramim, hahaha, mas é bem divertido. Faz carinho, beija e, nos poucos mal-estares que tive, conversa com o bebê, pra ele colaborar comigo, rs. Tem também os momentos em que ele me ajuda a passar os cremes – ainda mais nas costas, que eu não consigo espalhar direito e alguma massagem também 🙂

Enfim! Tenho certeza de que muito dessa calma que eu tenho hoje, em relação à gestação e tudo mais, vem da confiança que eu tenho no cara que divide a cama e os sonhos comigo, na segurança que ele me passa de que tudo vai dar certo e vamos dar conta, sim, do que vier pela frente.

Mamãe, Papai (sempre sério nas fotos, rs) e Bolota, disfarçada de luz do sol
Foto tirada por mim no último feriado.

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Pai e mãe em sintonia

Que há uns anos eu estou completamente imersa no mundo materno-bebezístico de forma muita ativa não é novidade pra ninguém, muito menos pra vocês. Aprendendo muito sobre diversas teorias e sobre mim também, o que acho fundamental: que todo aprendizado traga um pouquinho mais de autoconhecimento. E isso acontece há todo momento.

Mas e o pai, onde fica nessa história? Porque essa criança será criada pelos dois, certo? E as opiniões dele, onde entram, alguém já perguntou quais são?
Para mim, é muito importante que estejamos, marido e eu, em sintonia em algumas questões da educação e do cuidado com os pequenos. Obviamente, em alguns casos teremos opiniões divergentes, e isso é muito saudável, mas acho que em alguns princípios básicos, ou que atitudes tomaremos em determinadas situações, por exemplo, é bem legal que estejamos do mesmo lado.
E agora que Bolota tá aqui na barriga comecei a pensar nisso com mais frequência. Mas antes que eu decidisse conversar mais com ele a respeito disso, algumas coisas aconteceram, sem nenhum planejamento.

Uma manhã qualquer, no início de junho:

– Amor, tô achando meus peitos tão pequenos ainda. 
(aquelas que com 10 semanas já queria ter o peito cheio de leite)
– Tá nada, já tá crescendo.
– Mas eu tenho medo, às vezes…
– Mas o leite não desce quando o neném tá mamando? 
– … (cara de surpresa) co… como você…?… eu te disse isso já?
– Foi o que aquela sua amiga disse, não foi? Que peito é fábrica, não é depósito de leite.
– Que amiga, amor?
– Aquela do MamatracaAnne, eu acho.
– Mas eu nem te mandei a coluna dessa semana pra ler…
– …
– Você leu?
– Li, ué.

Na cena seguinte, temos uma mulher pulando no pescoço do seu – já atrasado – marido e o enchendo de beijos, achando lindo que ele tenha lido, no trabalho, algo sobre amamentação, sem que ela tivesse pedido.

Pausa para um adendo: marido chama todas as blogueiras que eu acompanho de “minhas amigas”. Mesmo que eu nunca as tenha visto na vida real, ou ao menos falado com elas. Mesmo que elas nem saibam da minha existência. Despausa.

E assim eu soube que ele também procura ler sobre assuntos relevantes. Sobre esse e outros temas que, agora mais do nunca, faz parte totalmente das nossas vidas. É interesse dele tanto quanto é meu.

Domingo passado tivemos uma longa conversa sobre outras questões que eu já vinha pensando a respeito, e queria saber a opinião dele. E eu nem precisei tocar no assunto, surgiu naturalmente mesmo, enquanto almoçávamos no shopping. Falamos muito sobre alimentação infantil, sobre como os hábitos alimentares são construídos na infância, o exemplo dos pais, como é importante comer comida mesmo (e não industrializados), que muita coisa hoje em dia é feito mais por preguiça dos adultos do que pela capacidade da criança, sobre o tempo de introduzir cada coisa, sobre como foi com a gente e o que achamos disso. 
Me senti tão bem por compartilhar meus pensamentos com ele e também ouvir os que ele têm. Foi uma troca muito positiva. E confesso que também senti um certo alívio, porque alimentação infantil é tema importante pra mim, e eu já sei que enfrentaremos certa  chatice implicância de alguns familiares em coisas específicas, então foi muito bom saber que ele está comigo nessa. E outra, às vezes, só lendo e lendo e vendo vídeos, a gente tem uma visão da coisa (qualquer que seja ela) e é bem fácil começar a idealizar e fantasiar, apesar que estou sempre atenta à isso, para não cair nessa armadilha, sempre tento trazer pra minha realidade e avaliar se é uma possibilidade, ou não; e quando eu ouvi, partindo dele, sem que eu falasse nada, coisas que eu também acredito e sempre leio a respeito, fiquei bem surpresa (porque não pensei que fossemos ter essa conversa agora) e bem feliz (por ver que são coisas possíveis, sim, dentro do nosso contexto e rotina).
Fora outras coisas que já percebi, em pequenas conversas ou atitudes, que temos a mesma linha de pensamento, dentro desse mundo fascinante que é a maternidade e a paternidade ativas. Sobre limites ou sobre escola, por exemplo. E toda vez eu fico com o coração tranquilo, preciso confessar.
Acho legal isso, porque na minha opinião de – ainda – leiga, é preciso coerência entre os cuidadores para educar uma pessoa, né?! Porque tarefa fácil a gente sabe que não é, então melhor que os pais estejam caminhando pelo mesmo caminho, mesmo que em alguns momentos os passos, ou a forma de chegar, seja um pouco diferente. Mas o caminho, acredito, é importante que seja o mesmo.

Nós dois, caminhando juntos, em Porto Seguro, BA.
créditos: Rodrigo Zapico (o link leva direto pra mais fotos do ensaio, no site dele)

O que vocês pensam sobre isso?
Com as que já tem seus pequenos, rola uma sintonia também, ou o pai não concorda muito com o seu ponto de vista – ou atitude – em alguma coisa? Como lidam com a questão?

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O pai da Bolota

Esse é mais um post da série: “a incapacidade marinística de controlar os dedos e fazer resumo”
Contém altas doses de açúcar. Diabéticos de plantão: leiam com moderação. (e perdoem a minha pieguisse. A meu favor posso dizer que são os hormônios… ou o amor).

Nos conhecemos há quase 5 anos atrás.
E quando eu paro pra pensar na nossa história, não tem como não ter aquela sensação de que tudo, realmente, acontece na hora certa. Não dá nem pra perguntar por onde ele andava antes que não nos cruzamos. Estávamos muito mais perto um do outro do que eu podia imaginar. Estudamos na mesma escola – e no mesmo turno – desde a quinta série. Ele era uma série a mais que eu e pasmem: eu nunca o tinha notado lá. Ele sim, lembra-se de mim. Mas eu não. Enfim. Os anos passaram, ele terminou o ensino médio e, no meu último ano, a minha prima (que era do 1° ano, na época), começou a namorar o irmão dele. Ou seja, primeiro conheci o irmão. Isso foi em 2007. Em setembro de 2008, depois de passar um bom tempo (desde o ano anterior) só cuidando de mim, e por eu estar sempre com a minha prima, e ele sempre com o irmão (e trabalhavam no mesmo lugar, na época), acabamos, enfim, nos encontrando. Dias depois estávamos nós quatro juntos e o então único casal dali, dois tratantes, simplesmente saíram andando e nos deixaram sozinhos. Bom, se era assim, fomos andar um pouco e acabamos entrando num museu.

Pausa pra explicar uma coisa: estávamos na cidade de Embu das Artes (SP), que é um pólo cultural, famoso pelos móveis, pelo artesanato lindo e com uma das feiras de artesanato mais famosas do país, que acontece todo domingo e lota de gente; mas durante a semana é uma cidade vazia e muito calma, delícia andar por aquelas ruazinhas, e tem um Museu de Arte Sacra dos Jesuítas, pequeno, mas símbolo da cidade. Despausa. 

O museu!

Entramos no museu e, papo vai papo vem, nos beijamos encostados numa janela, lá no 1° andar, com um jardim lindo ao fundo. Era uma terça-feira e acho que só tinha a gente lá dentro. Bom, resumindo, não nos desgrudamos mais. Foi no dia 09 de setembro. Em janeiro de 2009, eu precisava ir à Aracaju batizar minha sobrinha. Ele foi comigo. De São Paulo à Sergipe de ô-n-i-b-u-s, nada menos do que 36 horas de viagem. Dizemos que essa foi nossa primeira prova de fogo, porque realmente não é fácil enfrentar o cansaço da viagem sem matar o outro e ainda manter uma relação, e depois ficamos lá, convivendo diariamente, por uns 20 dias direto. Tínhamos 4 meses de namoro e, ainda lá, começamos, naturalmente, a fazer planos sobre um futuro casamento (!!). Foi tudo muito natural. Quanto mais nos conhecíamos, mais íamos nos sintonizando. Em setembro do mesmo ano ficamos noivos. E em setembro de 2011 nos casamos. (Só o bebê não vai nascer em setembro, rs).
Ele sempre soube do meu desejo de ser mãe, mas ambos sabíamos que ainda não era o momento. Muita coisa aconteceu e de uma forma incrível a nossa parceria só fez aumentar, mesmo nos momentos mais difíceis. Construímos uma base bem sólida pra nossa relação, eu acho, com muito respeito, muio diálogo e muito amor. E estamos sempre nos cuidando (vide o nome desse blog, que é baseado numa frase nossa, e nas nossas alianças de casamento está escrito “Por todo o nosso sempre”). Ele é um cara incrível, que respeita muito a minha forma de ser, sem me julgar nunca e sempre me apoiando. É certamente a pessoa mais tranquila que eu conheço, que nunca (eu disse nunca) altera a voz ou grita. Se ele está muito puto com alguma coisa (ou comigo), a voz é a mesma, só um pouco mais dura. Me ensinou isso também. E eu era muito ansiosa e frequentemente ciumenta e a segurança que eu adquiri ao lado dele fez com que eu me tornasse uma pessoa muito mais calma, que não pensa mais em ciúmes e que se ama muito mais, também.

Nós dois, no nosso ensaio pré-casório, em frente ao museu onde tudo começou. Foto de Vini Brandini, fotógrafo incrível.
Para ver outras fotos desse ensaio, o caminho é por aqui

Dito tudo isso, não seria muita novidade dizer que ele já tem se mostrado um pai maravilhoso.
Ele sempre foi super cuidadoso e carinhoso com crianças, mas não é de mimar. Ele tem uma irmã de 8 anos, ou seja, tem experiência no ramo e uma segurança que me acalma, confesso.
Quando ele soube do positivo, que já esperávamos, ele disse que “ficou sem chão”. Porque é bem racional e a notícia o abalou um pouco, pensando em tanta coisa que ia acontecer e que ele tinha que fazer, rs. Mas obviamente estava muito feliz!
Desde que comecei minhas leituras dentro do mundo do parto natural humanizado, leio muita coisa pra ele. Ia falando sempre o que aprendia, aos poucos, porque com alguém eu precisava conversar. E também pra ele ir se inteirando e saber das minhas preferências. No final do ano, coloquei pra ele assistir o documentário “Violência Obstétrica: a voz das brasileiras”. Peguei pesado, né? haha Mas assistimos tudo e ele ficou chocado com a situação. Mais do que nunca me apoiou e disse que faria de tudo para eu que tivesse meu parto do jeito que sempre quis. Mas também não sou tão má assim, também mostro pra ele os vídeos engraçados do Minha Mãe que Disse, pra ele entender porque eu não saio dessa blogosfera linda. Sempre o inseri em tudo, não de hoje, porque se o objetivo é formarmos uma família, a presença dele não é um detalhe.
Enfim. Eu disse ali em cima que ele sempre me apoia e tal. E agora mais uma coisa: ele banca as minhas escolhas também. Também são dele, grande parte delas. Quando fomos à casa da mãe dele logo depois do positivo, num momento em que estavam sozinhos (porque eu estava brincando com a minha cunhadinha no outro quarto), eles entraram no assunto de parto e ele contou que a minha decisão era pelo natural total, sem nenhuma intervenção, dentro do possível. E antes que ela falasse alguma coisa, ele disse “e não quero que ninguém vá falar nada pra ela sobre mudar de ideia” (nota da autora: eu só soube disso depois – e eu disse que ele não mima ninguém, haha). No trabalho foi a mesma coisa, umas colegas – adeptas da cesárea – perguntaram e ele falou, elas não falaram muita coisa diretamente, mas ele também disse algo sobre “respeitar as escolhas dos outros, pois cada um tem suas”. Ou seja, nem sei porque tenho medo do povo tentar se intrometer na criação do bebê, certamente ele não vai deixar.
Quando eu tenho medo de alguma coisa não dar certo, ele sempre me olha e me acalma muito. (e sim, quando necessário, me dá umas broncas também, rs).
Que ele esteve comigo durante o exame de sangue eu já contei. E cuida da minha alimentação. Quer dizer, da nossa: pensa muito na Bolota. Tem um super cuidado conosco.
E o que eu acho o grau máximo da lindeza: ele já conversa com a barriga. Desde o comecinho. Aliás, antes de eu fazer o teste, quando estava só desconfiada, um dia de manhã, naquele estágio que estamos quase despertos, mas ainda dormindo, ele esticou o braço e fez um carinho muito lindo na minha barriga. Foi uma certeza a mais que eu tive.
E agora é assim: ele alisa, faz carinho, deita a cabeça na barriga e começa a conversar. E o detalhe: muitas vezes nem me deixa ouvir, o papo é deles mesmo, hahaha.

E eu já estava com vontade de registrar isso aqui, e hoje resolvi colocar em prática, mesmo não sendo um data específica. Com o único intuito de registro mesmo, pra eu não me esquecer dos detalhes e para lermos juntos com Bolota no futuro. E também porque a escrita é a minha maior forma de expressão, então daqui a pouco ele vai estar lendo isso aqui também. E eu preciso dizer:

Amor, eu agradeço muito a Deus por ter feito tudo exatamente do jeitinho que foi. Obrigado por ser você, o meu amor. Pensei em escrever esse post em alguma data especial ou coisa assim, mas hoje me lembrei que não podemos adiar as nossas vontades esperando um momento ideal. Quem faz isso somos nós. E sempre é tempo de dizer o que se sente. Apesar que eu vivo te dizendo essas mesmas coisas de outras maneiras, mas você bem sabe que eu sou repetitiva. Enfim. Você tem sido incrível! Amo a nossa parceria, as nossas conversas antes de dormir – e a qualquer hora -, as nossas ideias diferentes e meio subversivas e os nossos planos que sempre insistimos em mudar. A Bolota veio para nos ensinar muita coisa, além de várias outras que ela vai fazer nessa vida. Que bom que estaremos sempre por perto, né?! Já passamos por tanta coisa juntos… tanto aprendizado, tanto amor. Nem parece que cabe tudo dentro de 5 anos (o que me faz ter mais certeza que nosso caso é mais antigo, apesar de conservarmos algumas manias de namoradinhos adolescentes). E ainda tem tanto pela frente… Só posso prometer que eu vou te amar muito, até amanhã de manhã; depois você se vira pra me conquistar de novo.
Da sua sempre,
Marina

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