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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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O não saber

Eu queria descobrir a próxima gestação só com umas 20 semanas. Não que se tiver de acontecer alguma coisa ruim (bate na madeira 50 vezes) será antes disso, mas perece que a marca das 17 semanas não me larga, por mais que eu procure não pensar nisso, por mais que eu nem tenha um positivo em mãos ainda.
Eu queria que alguém me garantisse que daria tudo certo da próxima vez.

Em contrapartida, eu gosto do não saber. Pois é só dessa forma que posso me entregar. É chato saber exatamente o que, quando, como e porquê as coisas acontecem, pelo menos eu acho. O não saber permite que eu me conecte mais comigo mesma (ou tente, pelo menos), que eu tente entender de onde vem esse tanto de vozes, quais estão vindo do instinto, do coração, e quais aparecem para me confundir, ou, mais provavelmente, autoenganar por medo do sofrimento.

Seria bom ter pelo menos uma garantia, por menor que fosse? Seria lindo, seria demais, seria tudo! Mas não tenho. Não existe garantia. Tudo pode acontecer, o tempo todo, com todo mundo. Não que estejamos todos condenados. Mas também não estamos imunes.

Penso que tudo isso pode ser só o prenúncio do que é a vida com filhos. Não estou falando de fatalidades aqui, não sou tão pessimista, muito pelo contrário, vivo vendo o lado bom das coisas. Mas também não dá pra pensar que só dentro da barriga coisas ruins acontecem (que é o meu atual medo). Não é o lugar mais seguro? Quando querem proteger do mundo, algumas mães dizem que queriam que os filhos voltassem pra barriga. Então também não posso pensar: nasceu, cabô. Não dá pra pensar que aqui fora as coisas serão tão diferentes assim. Acho que o medo não vai nos abandonar. O medo da febre, o medo da convulsão, o medo da gripe virar outra coisa mais séria. O medo de não comer e ficar doente. O medo de comer demais e ficar doente. O medo de machucar. O medo de não saber entender o choro. O medo de deixar cair. O medo de fazer mal mesmo tendo certeza que está fazendo o bem. Medo do desconhecido.

A questão, penso, não é a garantia ou não, o medo grande ou não. A questão é seguir em frente dando o nosso melhor. Sempre. A minha vontade de ter um filho é infinitamente maior do que o medo que sinto, não tem nem medida de comparação. Hoje eu sinto medo, claro, porque passei por um baque grande, porque “eu nunca pensei que uma coisa dessa fosse acontecer comigo”, e aconteceu, porque temo que aconteça novamente. Mas não dá pra parar a vida. Não dá pra deixar que isso me conduza. Assim como não dá pra evitar que o bebê chore, só pelo receio de não saber interpretar, ou que ele tenha qualquer outra experiência, só por um sentimento que nos paralisa. É simplesmente incoerente e sem nenhum sentido. Simplesmente não dá. Os dias continuam a passar, coisas continuam a acontecer. Não é o meu medo que protegerá a minha gestação e, depois, a integridade física e psicológica do meu filho. Eu não acredito nisso. Haverá cuidados, haverá amor, haverá afeto. Todo do mundo que eu puder dar.

Eu amei a bolota desde sempre, me conectei com ela de uma forma ímpar, e isso não impediu que ela se fosse. E eu não me arrependo de ter me entregado daquela maneira. Sei que é meio pesado afirmar isso, mas estou escrevendo pra mim mesma, para que eu enxergue esse fato e acalme meu coração. Sessão de autoanálise aberta, é isso que esse texto é pra mim. Prosseguindo. Eu não me arrependo e não vou fazer diferente da próxima vez. Eu acredito no amor, acredito na conexão, acredito nos instintos e no que sinto. Nos últimos dias, confesso, tentei fugir disso. Tentei não me conectar, tentei não ouvir, não falar e muito menos ver. Por medo de quebrar a cara de novo. Mas me diz, e se eu quebrar? Vai valer alguma coisa ter demandado tanta energia para tentar ser o que não sou? Não. Também tive medo de estar errada quanto ao que eu senti esses dias (porque foi assim: quanto mais tentei me fazer de desentendida, mais escancarado ficava). Mas eu preciso entender que eu não estava errada da outra vez. Ela existiu de verdade e todo amor que dedicamos à ela foi real e também necessário. O amor, a entrega, a conexão saudáveis e naturais nunca serão ruins ou prejudiciais. O medo, sim. Sei que o medo também é instinto de sobrevivência, mas nesse meu caso, não. Me escondi atrás dele, o usei como escudo. Mas foi só pra ver que não funciona pra mim. Eu preciso me entregar. Para tudo que está por vir, para a vida que, sinto, vai chegar, na hora que tiver que chegar. Acho que a palavra do momento é: confiar. Confiar que meu instinto está funcionando direitinho. Que se ele falhar haverá tempo para buscar outras alternativas. Que estou minimamente preparada (nunca estamos completamente, nem quero estar, porque é na caminhada que as coisas acontecem, e não antes de começar) para o que tiver de ser.

Preciso confiar que vou conseguir e continuar andando ao lado do não saber. Ele me acompanhará por longos anos, precisamos saber respeitar um ao outro; parada é que não dá pra ficar. Mesmo porque o estar parado é uma ilusão. Ou a gente vai pelas próprias pernas, ou somos levados pela correnteza. Eu prefiro ir, detesto receber ordens. Não há garantias. Há vida. Há mais.

foto totalmente desconfigurada, (pelo Blogger, porque no meu computador tá normal), na verdade a cor dela é diferente e está parecendo estragada, desculpem por isso. Mas é ela que eu quero aqui, pra me lembrar de fechar os olhos, respirar, e ir. 

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BC: O que tem sido a melhor coisa da sua gravidez até agora?

{ A Lalah teve uma ideia danada de boa: que todas as gestantes amigas se unissem numa blogagem coletiva, para compartilharmos as dores e delícias dessa fase linda da nossa vida. É toda quarta, cada semana uma escolha um tema e assim vamos indo. Hoje é o primeiro dia e o tema é: o que tem sido a melhor coisa da sua gravidez até agora? }

Então vamos lá!
Primeiramente, queria dizer que eu não sou a pessoa mais eficiente para eleger alguma coisa como “melhor” na minha vida, sempre acho que tem mais de um: melhor filme, melhor banda, melhor livro… sempre me perco em tantas opções que tocaram a minha vida em determinado momento.
Fiquei pensando bastante sobre esse tema, relembrando coisas e tentando elencar algum fato. Foi um bom exercício.

Apesar de não ter chegado nem na metade do caminho ainda, muita coisa boa vem acontecendo por causa da gravidez. Entre elas: estou dando mais atenção à minha alimentação; as pessoas à minha volta, em geral, estão bem animadas com a chegada do bebê – os papos são sempre animados; estou exercitando a minha calma mais do que nunca, e ela tem vindo de um jeito bem natural; exercitando também o meu corpo – e isso veio bem antes do positivo, mas pensando totalmente nele; estou me sentindo ótima com o meu corpo; a minha libido subiu ainda mais; não tive nenhum tipo de enjoo…

Ai, é tanta coisa! Eu estou amando estar grávida! Eu quis isso a vida todinha, sem exagero. Estar nessa condição agora está sendo muito bom, percebendo cada mudança, com consciência do que se altera, sentindo cada novidade… me sinto privilegiada.

Mas duas coisas têm um lugar de destaque pra mim.
A minha conexão comigo mesma, com o Cleber e com o bebê. Eu podia usar a palavra sintonia (que eu adoro), ligação, sexto sentido, ou instinto. Pra falar bem a verdade, a palavra que eu uso mesmo e que se encaixa na minha vida é: sentir! É uma palavra que faz parte do meu vocabulário de sensações particulares. O fato é que isso está mais apurado agora, na minha visão. Eu ando sentindo muita coisa, e estou simplesmente adorando desvendar tudo que elas querem me dizer. É meio que assim: silenciar a mente e ouvir o coração – e ouvir o outro. Isso engloba uma série de assuntos meus, tanto fisicamente – sobre ouvir meu corpo e suas demandas -, quanto mentalmente. Mas tem sido fundamental também no fortalecimento do meu vínculo com o bebê e na sintonia com marido, ainda mais em assuntos relacionados à gravidez. Um elo maior e mais forte entre nós três: mais do nunca, somos uma família.

Outra coisa linda é essa rede que se chama blogosfera materna. Sério, gente, tudo isso aqui é super importante na minha vida hoje. Eu fiquei muito tempo frequentando esse lugar como anônima, sem deixar rastros por onde passava. Aprendi muita coisa, chorei, gargalhei, “conheci” muita gente. Mas, depois que virei tentante e criei esse meu puxadinho aqui, tudo ficou ainda mais legal! A troca que acontece é muito rica, e é engraçado esse carinho e bem-querer que tenho por tanta gente que, de outra forma, não sei se teria entrado na minha vida. Foi aqui na blogosfera que encontrei mais embasamento para os meus princípios, onde vi que eu não estou sozinha. Foi aqui que eu soube que era, sim, possível parir do jeito que eu sempre quis (quando eu ainda nem sonhava com humanização do parto, mas já desejava). E foi através dessa rede que cheguei até a segunda coisa que tem sido uma das melhores da minha gravidez:
meu pré-natal humanizado! Ser acolhida e abraçada pelos profissionais que escolhi para estarem comigo nesse caminho realmente não tem preço. Poder conversar numa consulta, sem pressa, olhando nos olhos da médica e sentir empatia, é incrível. Escolher ter uma doula que me acompanhe, com carinho e dedicação, me faz muito feliz. E tenho certeza que toda essa segurança que sinto com eles – e lutar tanto para tê-los comigo – me faz mais segura ainda pra viver a gestação de forma mais plena. E com certeza me ajuda na minha sintonia com o que realmente importa nisso tudo: Bolota, marido e eu.

Mas se é pra elencar apenas uma coisa, vou unir um pouquinho essas duas aí de cima e falar: estou amando muito todo esse Empoderamento que a gravidez está me trazendo. Com o instinto mais aflorado, indo em busca de informações válidas e sólidas, construindo um vínculo com meu bebê, aumentando a sintonia com o meu marido. Buscando soluções para ter comigo a equipe que eu desejo. Ouvindo mais o que vem dentro. Acreditando ainda mais no meu corpo, em mim. Isso tudo tem me dado mais força para sustentar minhas convicções quando a maioria é contrária a ela – o que não era muito fácil pra mim há anos atrás.
Fora toda essa coisa mágica de gerar uma pessoa inteirinha bem aqui na minha barriga. Isso traz um poder difícil de explicar – mas eu sei que vocês entendem! Estou mais segura, e me refiro também a vida fora da maternidade. Se antes eu me preocupava com o que não me acrescentava, hoje eu sei discernir melhor o que me rodeia (e os que me rodeiam, principalmente).

É a melhor coisa, pois ninguém pode tirar de mim, haja o que houver.

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Pai e mãe em sintonia

Que há uns anos eu estou completamente imersa no mundo materno-bebezístico de forma muita ativa não é novidade pra ninguém, muito menos pra vocês. Aprendendo muito sobre diversas teorias e sobre mim também, o que acho fundamental: que todo aprendizado traga um pouquinho mais de autoconhecimento. E isso acontece há todo momento.

Mas e o pai, onde fica nessa história? Porque essa criança será criada pelos dois, certo? E as opiniões dele, onde entram, alguém já perguntou quais são?
Para mim, é muito importante que estejamos, marido e eu, em sintonia em algumas questões da educação e do cuidado com os pequenos. Obviamente, em alguns casos teremos opiniões divergentes, e isso é muito saudável, mas acho que em alguns princípios básicos, ou que atitudes tomaremos em determinadas situações, por exemplo, é bem legal que estejamos do mesmo lado.
E agora que Bolota tá aqui na barriga comecei a pensar nisso com mais frequência. Mas antes que eu decidisse conversar mais com ele a respeito disso, algumas coisas aconteceram, sem nenhum planejamento.

Uma manhã qualquer, no início de junho:

– Amor, tô achando meus peitos tão pequenos ainda. 
(aquelas que com 10 semanas já queria ter o peito cheio de leite)
– Tá nada, já tá crescendo.
– Mas eu tenho medo, às vezes…
– Mas o leite não desce quando o neném tá mamando? 
– … (cara de surpresa) co… como você…?… eu te disse isso já?
– Foi o que aquela sua amiga disse, não foi? Que peito é fábrica, não é depósito de leite.
– Que amiga, amor?
– Aquela do MamatracaAnne, eu acho.
– Mas eu nem te mandei a coluna dessa semana pra ler…
– …
– Você leu?
– Li, ué.

Na cena seguinte, temos uma mulher pulando no pescoço do seu – já atrasado – marido e o enchendo de beijos, achando lindo que ele tenha lido, no trabalho, algo sobre amamentação, sem que ela tivesse pedido.

Pausa para um adendo: marido chama todas as blogueiras que eu acompanho de “minhas amigas”. Mesmo que eu nunca as tenha visto na vida real, ou ao menos falado com elas. Mesmo que elas nem saibam da minha existência. Despausa.

E assim eu soube que ele também procura ler sobre assuntos relevantes. Sobre esse e outros temas que, agora mais do nunca, faz parte totalmente das nossas vidas. É interesse dele tanto quanto é meu.

Domingo passado tivemos uma longa conversa sobre outras questões que eu já vinha pensando a respeito, e queria saber a opinião dele. E eu nem precisei tocar no assunto, surgiu naturalmente mesmo, enquanto almoçávamos no shopping. Falamos muito sobre alimentação infantil, sobre como os hábitos alimentares são construídos na infância, o exemplo dos pais, como é importante comer comida mesmo (e não industrializados), que muita coisa hoje em dia é feito mais por preguiça dos adultos do que pela capacidade da criança, sobre o tempo de introduzir cada coisa, sobre como foi com a gente e o que achamos disso. 
Me senti tão bem por compartilhar meus pensamentos com ele e também ouvir os que ele têm. Foi uma troca muito positiva. E confesso que também senti um certo alívio, porque alimentação infantil é tema importante pra mim, e eu já sei que enfrentaremos certa  chatice implicância de alguns familiares em coisas específicas, então foi muito bom saber que ele está comigo nessa. E outra, às vezes, só lendo e lendo e vendo vídeos, a gente tem uma visão da coisa (qualquer que seja ela) e é bem fácil começar a idealizar e fantasiar, apesar que estou sempre atenta à isso, para não cair nessa armadilha, sempre tento trazer pra minha realidade e avaliar se é uma possibilidade, ou não; e quando eu ouvi, partindo dele, sem que eu falasse nada, coisas que eu também acredito e sempre leio a respeito, fiquei bem surpresa (porque não pensei que fossemos ter essa conversa agora) e bem feliz (por ver que são coisas possíveis, sim, dentro do nosso contexto e rotina).
Fora outras coisas que já percebi, em pequenas conversas ou atitudes, que temos a mesma linha de pensamento, dentro desse mundo fascinante que é a maternidade e a paternidade ativas. Sobre limites ou sobre escola, por exemplo. E toda vez eu fico com o coração tranquilo, preciso confessar.
Acho legal isso, porque na minha opinião de – ainda – leiga, é preciso coerência entre os cuidadores para educar uma pessoa, né?! Porque tarefa fácil a gente sabe que não é, então melhor que os pais estejam caminhando pelo mesmo caminho, mesmo que em alguns momentos os passos, ou a forma de chegar, seja um pouco diferente. Mas o caminho, acredito, é importante que seja o mesmo.

Nós dois, caminhando juntos, em Porto Seguro, BA.
créditos: Rodrigo Zapico (o link leva direto pra mais fotos do ensaio, no site dele)

O que vocês pensam sobre isso?
Com as que já tem seus pequenos, rola uma sintonia também, ou o pai não concorda muito com o seu ponto de vista – ou atitude – em alguma coisa? Como lidam com a questão?

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