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Breve relato de um desfralde (quase) relâmpago

Coisas acontecem, amigas.

Numa manhã de sábado, eu levantei cedo, me arrumei, comi umas bolachinhas, peguei minha bolsa e saí, rumo a uma aula experimental de yoga. Deixei Agnes e Cleber dormindo. Tudo isso antes das 8 da manhã. Andei até o metrô (quase 2 km), cheguei lá, fiz a aula, adorei, voltei comendo uma maçã, andei o mesmo tanto e, quando cheguei em casa, minha filha estava desfraldada.

Ok, quando eu cheguei, ainda não sabia do fato. Ela adorou que eu voltei, mamou, me contou que foi brincar no parquinho com o papai, o que comeu e tal. E aí me contaram que ela estava sem fralda. A manhã toda de calcinha. Deixamos o restante do dia, sucesso absoluto, sem escapes.

Nos animamos e mantemos o pacto de tirar a fralda de vez, não tinha como voltar atrás. Eu já tinha tentado antes, mas acho que nem ela e muito menos eu estávamos na vibe. Comprei um assento redutor recentemente, pra ver se ela animava, porque tinha medo antes de sentar no vaso sem nada e eu não gosto de penico, mas ela sempre dizia que queria a fralda e eu não insistia. Ou até ficava a manhã sem fralda, por exemplo, mas era como se fosse uma brincadeira, quando íamos sair, eu colocava a fralda e voltávamos à estaca zero. O Cleber tem uma abordagem mais direta, digamos assim, haha. Na troca daquela manhã tirou a fralda e conversou com ela, dizendo que iria ficar de calcinha, que não iria mais usar fralda e sim o banheiro, igual a gente blablabla. Ela até disse que queria a fralda, mas como ele conversou de novo e se manteve firme, ela aceitou e assim foi. Comprei umas calcinhas novas, porque ela tinha pouquinhas, e ela adorou a novidade.

Colocávamos a fralda só pra dormir a noite e tirava logo que acordava. No primeiro dia, a fralda acordou encharcada. Nos dias seguintes, não. Acontecia um ou outro escape durante o dia, lidamos tranquilamente e seguíamos o dia. Em casa, de calcinha. No parquinho, de calcinha. Pra sair, de calcinha. Soneca da tarde, de calcinha.

Mas depois de uma semana, mais ou menos, parecia que ela não estava mais tão satisfeita com essa nova dinâmica. Teve um dia que ficou sem fazer cocô, porque não queria ir ao banheiro. Ela dizia que queria, a gente tentava, mas ela não fazia. No dia seguinte, chorou querendo a fralda, que estava em cima da cama. E não estávamos tratando diferente, não demos bronca, nada. Durou uns três dias essa insatisfação até que, numa conversa, Cleber e eu chegamos a conclusão que ela estava ficando confusa por colocar a fralda de noite. Não estava funcionando. Como estava acordando sempre seca, resolvemos bancar a escolha e tirar de vez. Tiramos. E desde então, há quase duas semanas, só tivemos um xixi na cama (ontem, e acredito que porque fomos numa festa de aniversário e ela tomou muito líquido). Teve até um dia que ela me acordou 5:40 pedindo pra ir ao banheiro, tão linda, rs.

E essa é a breve história do desfralde total da Agnes, aos 2 anos e 7 meses.

Como eu disse, coisas acontecem. Eu já tinha tentado, mas sinceramente não tive firmeza nenhuma, ao menor sinal de resistência dela eu voltava atrás. E é claro que isso não ajuda muito, né. A segurança do pai foi um pontapé fundamental nesse processo.

Que bom que eu acordei cedo e saí de casa naquele sábado.

Quero ver agora qual vai ser o milagre que vai acontecer pra termos o desmame, mas vamos com calma, né. Um dia acontece (oremos! 😛 )

 

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Quarto compartilhado

Tô doida pra começar as mudanças no quarto, preparar o cantinho da Bolota… mas vou ter que esperar mais uns meses, porque a mudança de cenário vai ser grande, e só vamos realizá-la lá pra outubro ou novembro. Explico:

Antes mesmo de engravidar eu já tinha tomado uma decisão: não comprar berço pro bebê.
Dentro de tantas e tantas viagens na blogosfera, acabei cruzando com o quarto montessoriano e super me identifiquei. Um espaço realmente para a criança, em sua totalidade, e não para a comodidade do adulto.

Foto daqui

Na verdade, quando eu vejo berços em lojas, em fotos, em outras casas, acho lindo demais da conta, não tem jeito. É o cenário que está implantado na nossa mente, desde sempre. Mas pensando no dia-a-dia, comecei a não gostar muito da ideia. Detesto a ideia de “tem que ensinar o bebê a dormir no berço” e coisas afim. E, ao que tudo indica, bebês odeiam berços, haha. Sem contar que é um móvel caro, ninguém merece (o povo acha que só porque vamos ter um filho, estamos nadando em dinheiro, só pode), mesmo aqueles que viram caminhas depois, podendo ser usados por muito mais tempo… não sei, não conseguia pensar em um pro meu baby. E apesar da maioria dos quartos montessorianos que eu vejo serem de crianças de uns 2 anos ou mais, não fazia sentido algum comprar um berço já sabendo que iria me desfazer dele dali pouco tempo. Sem chance. Baby iria pro chão desde que nascesse e pronto.

Por outro lado, Bolota não terá, à princípio, um quarto inteiro pra chamar de seu. Moramos com meus pais, como vocês já sabem, e não tem um quarto disponível só pro baby aqui. Mesmo que tivesse, mesmo que fosse uma casa só minha e do marido, dormiríamos no mesmo quarto num primeiro momento, até pra facilitar a amamentação noturna. Entretanto, não acho que vai rolar cama compartilhada também, pelo menos não tão cedo. Porque o Cleber é bem espaçoso à noite, e precisa muito dormir bem, ainda mais por causa da epilepsia (que está controlada, amém!). Também não temos uma king size, e acho importante termos um bom espaço pra dormir, porque é uma coisa é gostar de dormir juntinho, outra é não ter opção, rs.

Minha dúvida, antes, era: mas se eu não quero berço, não vai rolar cama compartilhada e não tem espaço para um quarto montessoriano inteiro só pro bebê, como faz?
A resposta é muito simples, caras amigas: vamos todos dormir no chão!
Se tivesse um quarto a mais, aqui ou em outro lugar, faríamos um assim desde cedo, bem completo. Mas não temos, então vamos ter que adaptar tudo.

O primeiro impasse foi que eu não queria me desfazer da minha cama, que é nova e está em ótimo estado. E ela é box, sem chance de fazer com que ela chegasse ao nível do chão. Mas jamais, em hipótese alguma, eu dormiria lá no alto e meu bebê lá no baixo, no mesmo ambiente, não me sentiria bem assim. Depois de pensar em várias alternativas, vários planos mirabolantes, pensamos numa coisa bem mais simples: vamos trocar de cama com o meus pais! Às vezes, a resposta tá bem mais perto do que esperamos. A ideia, inclusive, veio da minha mãe – que no começo ficou meio em dúvida com essa ideia, achando que seria mais difícil eu, de barriga gigante e recém parida, dormindo no chão, mas agora já curte a ideia. Eles têm uma cama daquelas “tradicionais”, com cabeceira, etc. Vamos passar a nossa box pra eles, desmontar a deles, guardar a cabeceira e os pés e ficar só com o colchão e com o estrado. Êêê, todascomemora essa solução genial.
Mas e a cama da Bolota? Eu não queria um colchão direto no chão, porque fica mofado embaixo. Também não daria muito certo colocar sobre um tapete, porque a mamãe aqui é super alérgica. Pensamos em fazer um estrado de pallets ou mandar fazer uma base bem baixinha no marceneiro. Depois, navegando na internet (como sempre), cruzei com uma caminha infantil e fiquei apaixonada. Olha ela aí:

 Foto daqui

Atendia as minhas expectativas de ser baixíssima, mas não ficar diretamente no chão. E vai ficar mais ou menos na mesma altura que nós.
Ontem marido e eu fomos à Tok Stok ver a bendita ao vivo e à cores. Vai que era bem diferente do que eu imaginava, né?! Primeiramente, preciso dizer que adoro ir passear nessas lojas, mesmo não comprando um item sequer, haha. Era tanto quartinho infantil lindo que eu quase pirei, rs. Claro que tem uns bem forçados pro meu gosto, mas são tão pequeninos, os detalhes tão fofos…
Enfim! Acabei vendo mais umas duas caminhas que gostei também. Não têm essa “proteção” aí do lado, mas são lindas. Ao vivo é bem melhor que no site, nem se compara. Mas essa aí de cima, por enquanto, continua sendo a preferida.
Não vamos ficar como se fosse uma big cama, os espaços do baby e o nosso vão estar bem traçados – o que não impede que Bolota fique do nosso lado no meio da madruga, haha – mas acho que vai ficar bom de todo jeito.
Vamos pintar as paredes; na verdade, acasa toda, pra ficar novinha pra chegada do novo morador. O nosso armário dará lugar à outro, um pouco menor; e vamos comprar um pequenino, de duas portas, só pro baby. E na parede em que ficar a mini cama, vou fazer uns enfeites, uns móbiles, umas coisinhas decorativas só pra Bolota. Será o cantinho dela ^^

É isso!
Por enquanto apenas imaginando como ficará tudo daqui uns meses. E preciso decidir mesmo quais enfeites vou fazer, pra comprar os materiais e começar os trabalhos.

Estava aqui fazendo o post e pensando: mais fácil seria só comprar uma cama de solteiro e fazer uma extensão da minha. Mas pra quê simplificar quando podemos inovar os conceitos, não é mesmo? rs 😉
Não vejo a hora de mudar tudo!

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Um passinho à frente…

Eu sei que já contei aqui sobre a minha sensibilidade a sangue. Que comigo não rola assistir filme de ação ou terror, que dirá passar por alguma situação que envolva o dito cujo. E a coisa tende a piorar consideravelmente quando preciso tomar soro, ou fazer exames. É um tormento mesmo! Eu sofro antes, durante e depois.

E então a pessoa fica grávida e precisa, obviamente, passar por uma bateria de exames de sangue… e pensa: pra que que fui inventar isso?
Me consultei na Casa de Parto no início do mês e ainda não havia feito os tais exames. Até hoje.
Claro que estava deixando pra depois. “Não precisa pressa mesmo, já que a próxima consulta é só mês que vem” (rs). Mas não ia dar para fugir pra sempre.

Breve flash back:
no final do ano passado, fiquei meio adoentada. Tudo indica que tenha sido stress e cansaço: estafei mesmo.
O médico pediu um exame de sangue para vermos se podia ser anemia – porque eu sentia muita fraqueza. Fui num laboratório que tem meio perto da minha casa. Lá, fiz como sempre faço: avisei à enfermeira pra não dizer nada sobre o procedimento e fiquei olhando pro outro lado, concentrada na parede. Como uma nova tática, peguei o celular e liguei pro Cleber, que estava trabalhando, afim de distrair minha mente. Mas não teve jeito. Quando terminou o exame, minha pressão foi caindo, caindo… e antes que eu caísse junto, me levaram pra outra sala, onde tinha uma maca. Fiquei lá uns minutos, com meu pai (nunca, em hipótese alguma, posso fazer esse exame desacompanhada). Então a moça disse: “da próxima vez, pode pedir pra colher deitada, não tem problema, assim você não passa mal”. Aahh, que linda! Adorei! (porque geralmente o que os profissionais fazem é: mas nem dói nada, blablabla #aiqueodioqueeufico). Pronto, já sabia: da próxima vez que tiver que sofrer  passar por isso de novo, será aqui.
Fim do flash back.

Pois bem. Ontem o Cleber foi até lá fazer um orçamento prévio pra mim. E aí “caiu minha ficha”: não tem jeito, vou ter que fazer. E, mesmo lembrando que fui bem tratada nesse laboratório, fiquei com medo. Porque gente, a coisa é difícil. É acordar sabendo que vou passar mal dali alguns instantes. E em jejum. E como sofrimento pouco é bobagem – e pegando carona na chuva de hormônios de que dominam – sabe o que eu fiz? Chorei. Muito. Ontem à noite, “sofrendo por antecipação”, como diz minha mãe, tive uma crise de choro. Depois passou, claro. Mas acho que foi até importante lavar o medo um dia antes, rs…
Meu marido lindo, maravilhoso e cheiroso pegou meu iphone e colocou umas músicas novas. Era a nova tática nascendo…

Comecei meu jejum ontem, para já ir logo cedo hoje. Estava bem cheio lá, e pela primeira vez, usufruí meu direito de atendimento preferencial!!! Uhuull!!! Graças a isso, não demorou tanto para eu ser atendida.
Várias crianças saindo de lá com aquele adesivinho-curativo no braço, super naturais, e eu sofrendo por eles, haha. E pensava: é agora que eu desmaio e essas crianças ainda vão rir de mim aqui, que vergonha, rs!
É engraçado como percebemos o mundo através das nossas experiências, né: não consigo mesmo compreender como as pessoas – crianças e adultos – passam por isso sem sentir nada demais, até olham a coisa toda acontecendo, acham natural – ou não acham nada!! Não sei o que é isso! Assim como essas pessoas não compreendem o que eu sinto. Divagações à parte, voltemos ao caso…
A enfermeira me chamou, marido entrou comigo e, por sorte, antes que pedisse, ela me levou para uma sala onde já tinha maca. Era a sala infantil (que fofo! haha), que estavam usando devido ao grande número de pessoas. Pedi pra colher deitada, ela arrumou tudo pra mim e deitei. Peguei o celular, coloquei o fone, aumentei o som. Estiquei o braço, fechei os olhos, cantarolando baixinho e dei a mão pro Cleber. E esperei… de olhos fechados e cantando. Mas claro que sentia e percebia o que estava acontecendo. A mão, super gelada, suava um pouco até! Senti quando começou e vou dizer… não foi indolor, não. Mas me mantive firme. De repente (que pra mim foi depois de 30 horas), ela soltou aquela mangueirinha que amarram no nosso braço, o Cleber ficou segurando o algodão e, quando percebi, fiimm!!, já tinha acabado! Perceberam que eu não relatei queda de pressão? Gen-te!! Não passei mal!!! Fiquei deitada mais uns breves minutinhos só para me certificar. Levantei (com o braço duro-esticado, isso ainda não superei – meu braço fica imóvel por pelo menos uns 30 ou 40 minutos depois que acaba). E fomos embora! Simples assim. Tinha levado algo para beliscar e quebrar o jejum e vim comendo no carro, até chegar em casa e comer algo decentemente.
Mal acreditei que passei por isso! Assim, a mão da enfermeira não era das mais leves – e posso dizer que ainda agora sinto uma leve dorzinha, mas nada grave. O que importa, e eu mal acredito ainda, por isso me permitam repetir: eu não passei mal!!! 

Estou orgulhosa de mim! Para mim, que sei o quanto isso é uma dificuldade, foi um passo importante. Pequeno, eu sei. Mas “só por hoje” minha pressão não caiu, à despeito da tensão que eu senti por ter percebido tudo que a enfermeira estava fazendo, do jejum que eu estava e tudo mais…

E sabem o que eu fiz, ainda lá deitada, quando percebi que tinha conseguido? Agradeci minha Bolota.
Falei pro Cleber: o bebê está me deixando mais forte!
E foi isso mesmo que senti. Porque foi só por saber que é extremamente importante cuidar de mim – para então cuidar e dar toda saúde que eu puder ao baby – que eu passei por isso.
Quando o Cleber e eu ficamos de mãos dadas na hora do exame, era bem em cima da minha barriga que elas estavam repousadas. A Bolota também estava na corrente para me passar força. E deu certo!
Um passinho à frente! E pra mim ele vale muito!

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Sobre a primeira decisão sobre o parto e como tudo acontece na hora certa

Assim que eu descobri os positivos, mandei um e-mail pra médica. E o e-mail voltou imediatamente com uma notificação informando que ela estava (está ainda) viajando. E mesmo a Ana Cris dizendo para eu não ter pressa, porque estava tudo bem comigo (passei em consulta e fiz exames em fevereiro), e que eu só precisava começar a tomar o ácido fólico, ainda fiquei pensando que ainda estava muito longe da data de retorno da médica e queria agir, de alguma forma, antes disso.

Eu disse aqui que as coisas ainda não estavam 100% a favor do valor que eu teria que desembolsar (com a equipe que eu queria e com o hospital) e que isso me preocupava demais, sim. Naquele dia eu ainda não sabia que já estava grávida. Na verdade, eu nunca pensei que conseguiria de primeira, sério mesmo. Achei que daria tempo de juntar mais umas moedas, rs. E no último post eu comentei que, assim que eu contei à minha mãe que ela iria ser avó de novo (meu irmão já tem um filha), a primeira coisa que ela me perguntou foi: e o parto, vai ser aquele preço mesmo? Hahahaha, mães são ótimas! E eu, que sempre mostrei meu ponto de vista totalmente a favor do parto natural e sempre conversei abertamente com ela, explicando tudo, falei: então, mãe, tem a Casa de Parto, que é bem mais em conta etc e tal. E começamos a conversar sobre isso. Sim, somos as pessoas que, antes mesmo de saber com quantas semanas eu estou, já engatamos no assunto parto, rs.  Para ser sincera, eu nem tinha pensado em nada disso ainda, mas parece que o fato dela ter me perguntado abriu uma janela na minha mente e as coisas foram acontecendo. Foi uma luz!

Eu simplesmente abri o site da Casa Angela e comecei a explicar e ler pra ela o que era uma casa de parto, como funcionava, onde era. Tudo que eu consegui adiantar, expliquei. E à medida que eu ia dizendo, me familiarizava mais com a ideia. Porque sim, minha gente, eu ainda não tinha uma plena certeza se eu realmente gostaria de parir naquele local. Mas parecia que eu também estava lendo pra mim, sabem?!, foi realmente muito bom. Ela adorou a ideia e me incentivou a marcar uma visita. No dia seguinte, liguei e perguntei se teria a conversa de acolhimento naquela quarta, já que seria feriado, e a moça me disse que sim. Pensem como fiquei animada? Eu, que queria sentir que já estava agindo, iria começar no dia seguinte.
Pois bem, no dia seguinte estávamos lá: meu pai, minha mãe, marido e eu (eu disse que onde vai um, vai todos, haha). Mas pensem, meus pais estavam super curiosos pra saber o que era, afinal de contas, uma casa de parto. E eu sou daquelas que explica, mas prefiro mostrar. Então, vamo todo conhecer o lugar!
E lá funciona assim: toda quarta-feira, às 09:30 da manhã, tem um acolhimento para todas as pessoas que querem conhecer a casa. Antes da primeira consulta ali, é preciso passar por isso. 
Chegamos e ficamos ali na sala de espera uns minutos, ainda tinham poucas pessoas. Preenchi uma ficha de cadastro básica e, depois de um tempo, fomos chamados para começar a conversa. Numa sala bem ampla, com cadeiras em círculo, a Anke, coordenadora, e a Marina (!), obstetriz, sentaram-se também e começamos a conversar. Cada um se apresentou, dizendo como conheceu a casa, de quantas semanas gestacionais estava (ou se era acompanhante), idade, de onde vinha. Foi bem legal. Falei que tinha descoberto a gestação naquela semana e que já estava no mundo das pesquisas há mais de um ano (nesse momento, todos me olham com cara de: ela é louca mesmo, rs), falei das minhas vontades. Meus pais se empolgaram falando também (haha) e o Cleber disse que tudo que ele sabe sobre parto natural, aprendeu comigo (owwn, #todasachafofo!!!). Eu era a única em começo de gestação, todas as outras mulheres estavam entre 5 e 7 meses.
Depois, elas explicaram que só pode ter parto lá quem é de baixíssimo risco, e que quando chega às 37/38 semanas, a equipe analisa seus exames e vê se tem a possibilidade de você permanecer ali. Se não, é o caso de ir para o hospital mesmo. Disseram que o tempo de cada mãe e de cada bebê é respeitado e que não há intervenções desnecessárias. Mas se, durante o trabalho de parto, houver a iminência de uma complicação, eles transferem a gestante para um hospital que já estará pré-estabelecido entre as partes. 
Terminada a conversa, descemos para conhecer as dependências da casa. Duas salas de espera bem aconchegantes, cozinha, a garagem, onde estava a ambulância própria que eles possuem, sala onde acontecem as consultas (que não entramos, pois estava ocupada naquele momento) e finalmente, o corredor que mais nos interessava: das salas de parto. São 4 salas. Duas com banheira (sim, também tem a opção de parto na água), bolas, banquetas, a cama, cavalinho, barra, tudo aquilo que é necessário para um parto natural. Tem um corredor onde ficam só os chuveiros. A sala de reanimação neonatal, com uma incubadora, caso ocorra alguma emergência. Tem o alojamento conjunto, com camas de verdade, e não macas, e os bercinhos (daqueles de acrílico de hospital mesmo) ficam “disfarçados” dentro de um tipo de suporte de madeira, com mosqueteiros na cor nude e colchas de retalho. Coisa mais linda, gente! Tudo muito aconchegante mesmo. Tem também uma salinha de amamentação, onde você pode ir caso tenha alguma dificuldade em casa para receber orientação, ou para doar leite também. Dá pra ver as fotos das instalações aqui.
Depois disso, tomamos um belo lanche, conversando e interagindo mais. Descobri que lá tem oficinas para produzir o próprio sling (nessa hora eu vibrei de felicidade, rs), para produzir aqueles kits de algodão, cotonete, a própria almofada de amamentação, etc. Fora os cursos de preparação pro parto, fisioterapeutas, psicólogos. Enfim, tem muita coisa disponível. 
E vocês acham que acabou? Deixei a parte que, literalmente, quase me fez chorar, por último. No fim da conversa, a Anke entrou no assunto valores. Disse que, para as pessoas da “área de abrangência” da casa, eles atendem todo o pré-natal, parto e pós parto, de graça. Para as outras pessoas, é cobrado um pequeno valor, porque sabemos que a casa recebe doações de algumas fundações, mas nada do governo. E aí ela diz a coisa que nunca na minha vida pensei ouvir: meu bairro É SIM área de abrangência da Casa Angela!!! GENTE!! Vocês tem ideia do que significa isso? claro que sim, porque acabei de explicar! Eu não conseguia acreditar que teria todo atendimento gratuito, dava vontade de sair pulando de alegria! Demorou pra cair minha ficha, na verdade. Eu, que estava super hiper preocupada com essa questão, fui novamente surpreendida pela vida. 
E aí eu fico pensando: as coisas realmente acontecem quando tem que acontecer, né?! Tudo orquestrado para ser no tempo certo. Porque se eu não tivesse voltado a morar com os meus pais, teria que pagar, sim, o valor cobrado. Porque se a médica não tivesse viajado, talvez eu não teria ido conhecer a casa agora no começo. Porque se eu tivesse esperado ter todo o dinheiro, iria demorar uma vida toda  muito para conseguir o total, e eu não teria começado a tentar agora, e o bebê, talvez, não viesse de primeira. Deus é muito bom mesmo, minha gente! Tô muito feliz!
Saí de lá com a consulta marcada para a próxima quarta. E já estou contando os dias para chegar logo, e para chegar mais rápido ainda o dia do ultrassom.
Rezando muito para as coisas continuarem se acertando no tempo certo, amém.

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