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Morfológico do 1º trimestre

Voltei, gente! \o/

Hoje foi o dia de encontrar, mais uma vez, meu baby-baby na telinha. E aquele frio na barriga de nervosinho que dá antes desses exames? Ontem à noite eu andava pra lá e pra cá, lavando louça onze da noite, hahaha. Mas nem era medo nem nada ruim, só uma coisinha boa mesmo, que fazia um tempo que eu não sentia.
Marido foi comigo, sempre bom a companhia dele.
O exame estava marcado para 11:30 e eu fui atendida uns 40 minutos depois. Pra que manter o horário, né, minha gente? Esses laboratórios me irritam, mas ok.

Entrei na sala, deitei e adivinhem só: senti minha barriga muito mais dura do que de costume. Tipo mais aparente, sabem? Não que ela não ficasse antes, não que eu não sentisse meu útero antes, sentia sim, sempre tive essa sensibilidade com meu corpo. Mas dessa vez foi diferente – e justamente numa sala de exame, rs. Eu nem precisava tocar nem olhar, sabia direitinho onde estava o útero, assim que deitei até comentei com marido. Coloquei a mão e foi muito louco, aquela parte durinha, toda aparente, dava mesmo pra ver abaixo do umbigo mais estufadinho. Foi tão gostoso, parecia que o bebê já estava esperando pelo exame, haha.

E dito e feito. O médico mal colocou o aparelho na pança e logo o baby apareceu na tela, todo lindo e grande. Como crescem, né gente? 81mm de pura gostosura, rs. Todo formadinho já, lindo de ver. Vimos tudo separadinho – e aquele monte de costelinhas, meu Deus? Como pode, né?! Coraçãozinho a todo vapor, TN normal (ao que tudo indica), medidas e circulação sanguínea também normais. Ele disse que minha placenta já está “bem formada”, pensa numa mãe que ficou se achando? haha. Tudo dentro do esperado e desejado, graças a Deus.

Pelas minhas contas (que são baseadas no primeiro ultrassom que fiz, com 5 semanas e 5 dias, visto que meus ciclos são maiores, ovulo “mais tarde” e, por isso, a idade gestacional não bate com a DUM), hoje estou com 13 semanas e 4 dias. Pelas medidas da anatomia do baby, o médico disse que são compatíveis com 14 semanas. Espichado que só vendo, rs. Continuo contando pelo primeiro ultra, porque a partir de agora cada bebê tem seu ritmo de crescimento e podem ocorrer pequenos erros mesmo.

Baby está sentado na barriga da mamãe, de boa na lagoa, e o médico não conseguiu pegar um bom ângulo para vermos um possível palpite do sexo. Eu perguntei, mas também não insisti. Engraçado que antes eu tava toda curiosa pra saber, agora nem tô mais, apesar de ainda pensar em quem será que me habita. Não sei se espero o próximo morfológico ou não, nem vou decidir isso pra já. Na outra gestação eu estava mesmo toda tranquilona, quase querendo esperar o nascimento, rs, mas nessa realmente não tô planejando, tô tranquila mesmo.
Muitos ultrassons podem mais agoniar do que tranquilizar, isso eu sei muito bem, por isso nem pretendo fazer milhões. Confio no meu corpo e na natureza. Conheço as evidências científicas sobre o assunto. E, também importante, confio na minha médica – que não vai me empurrar uma cesárea por bebê grande, circular de cordão ou qualquer baboseira que inventam toda hora. Se eu estiver nesse ritmo que estou hoje, toda calma e feliz, espero tranquilamente; se não, não. Vamos aguardar o próximo episódio…

Mas agora deixa eu postar uma foto do ultra, pra vocês comprovarem como eu ando comprometida com esse negócio de fabricar gente fofa.

e eu sempre acho que a imagem no papel é diferente da que vejo na telinha; o ao vivo é bem mais legal, né?! rsrs…


Ah, só para registrar: de ontem pra hoje tive um sonho muito delícia, com um bebê bochechudo e com dobrinhas todo grudado em mim. Não tem como não ficar toda bobinha, com um sorriso no rosto, né?!
Beijos e boa noite, gente linda. Nos falamos nos comentários o//
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O relato que eu não queria fazer, nunca – o dia.

Post longo, que terá que ser dividido em duas partes (a segunda sai ainda hoje também), e que foi revisado entre lágrimas. Ou seja, é favor perdoar algum erro ou repetição.
Este é o relato de como eu descobri a perda do meu bebê.
Sinta-se à vontade para não ler, qualquer que seja o seu motivo. 

Quinta-feira, 08 de agosto de 2013.
Marido e eu saímos cedo, porque era dia de consulta pré-natal na Casa Angela. Desta vez, fomos atendidos pela Fran, uma EO que ainda não conhecíamos (pois seu plantão era à noite). Conversamos bastante, falei como me sentia – essas coisas todas de consulta – e chegou o momento de ouvir os batimentos cardíacos do bebê. Me deitei na cama/maca, levantei o vestido e esperei. Ela ainda disse “esse sonar é antigo, então faz um chiado”. E realmente fazia, como um radinho fora da estação. Ela procurou, procurou, procurou… e não conseguia ouvir o coração do bebê. Saiu sala, pegou outro sonar – mais novo, que eles usam durante o trabalho de parto – e foi tentar de novo. Tentou muito, em vários pontos da minha barriga, e nada. Conseguiu pegar a minha frequência cardíaca, mas nada do bebê. Ela conversou com ele, apalpou a minha barriga, como se fosse uma massagem, e tentou de novo. Nada. Absolutamente nenhum sinal. Eu, que já estava com medo, comecei a me apavorar. Ela ainda disse que ele poderia estar escondido, sei lá, mas eu sabia que com 17 semanas era difícil se esconder. Ela me deu uma guia de ultrassom pra eu fazer caso me sentisse muito angustiada, pois ainda faltava quase um mês pro morfológico do 2º tri. Saímos do consultório e, na sala de espera, demos de cara com duas famílias, com seus mini bebês fofinhos. Meu coração ficou apertado, senti um peso no peito. Bebi água e fomos embora.
Chegando no metrô, eu falo pro Cleber (que estava o tempo todo tentando me acalmar): “eu queria muito ir fazer esse exame agora, não vou aguentar esperar até sábado” (sábado seria o dia que ele poderia ir comigo). Ao que ele disse “tá bom vai, vamos lá fazer o exame, eu vou com você”. No caminho, eu disse pra ele: “a maternidade é mesmo um eterno cuspir pra cima e cair na testa; eu estava toda confiante, querendo fazer o mínimo de ultrassons, e agora tô aqui, indo fazer um toda ansiosa”.

Parece que demorou três anos até chamarem meu nome. Minha mão já suava, fria. Quando finalmente fui chamada, o Cleber entrou comigo, mas não ficou do meu lado, pela posição do aparelho e de onde estava a médica. E aí aconteceu o que, na minha visão, foi o mais duro de tudo. A médica colocou a imagem na tela e eu logo falei: “você tá vendo alguma coisa?”, e ela balançou a cabeça dizendo que não. Acho que posso afirmar que uma cratera se abriu no meu peito naquele instante. E eu perguntei aquilo porque, quando olhei a imagem, não foi o meu bebê que eu vi. Não era a minha Bolota ali, em preto e branco. Eu sabia que ela já tinha ido embora. A médica tirou o aparelho e colocou na minha barriga de novo, e eu realmente não conseguia identificar – literalmente – o que a imagem mostrava. Eu devo ter falado mais alguma coisa, mas era mais silêncio que tinha na sala. Eu ainda não chorava. Chamei pelo Cleber, precisava ouvir sua voz. Chegou um outro médico – devia ser especialista, não sei, e conversaram alguns minutos, e ele confirmou, em termos técnicos que não me lembro, o que tinha acontecido.
Acho que foi nesse momento que ela disse, com uma voz baixa e bem suave: “olha, o seu bebê parou de se desenvolver”. Hoje eu agradeço pelo jeito que ela disse, foi super delicada mesmo. Me mostrou o que ela e o médico disseram, que a cabecinha estava bem maior do que as perninhas, tanto que chamava até atenção. Por isso eu não conseguia identificar nada. Não tinha movimentos, não tinha barulho, não tinha batimentos cardíacos. Nada. Ainda perguntei se eu havia feito alguma coisa errada, e ela me me disse que não, que muito provavelmente era uma falha genética mesmo, e que a natureza é sábia. Não sei mais o que falamos. Aí eu perguntei “e agora?”, e ela disse pra eu ir no hospital. “Agora?”, “é, acabar logo com isso, né?”, foi o que ela me disse. Ainda me ajudou a levantar e aí eu desabei. Ainda sentada, chorei, muito. O Cleber veio me abraçar – o primeiro de muitos nesses dias. Deixaram que ficássemos ali uns minutos. Meu coração ardia de dor. Coloquei os óculos escuros mesmo a sala estando na penumbra e ainda consegui dizer que daria tudo certo.

Sentamos pra esperar o resultado, e eu chorava mais. Grudei no Cleber e só chorava. Depois eu soube que ele esteve à beira das lágrimas também, mas segurou firme, por mim. Preciso me lembrar de me casar com esse homem de novo. Ele dizia que me amava, que estava comigo, que não tinha sido minha culpa, que iria cuidar de mim sempre, que o tempo de Deus é o certo. Eu me lembro de agradecer todas essas palavras, balançar a cabeça que sim, eu acreditava nele, tentar afirmar que tinha que ser assim e falar que o nosso bebê tinha ido morar no céu.
O laudo chegou e eu não sabia o que fazer. O Cleber tentou ligar pro meu pai, desligado. Liguei pra minha mãe, chorando: “mãe, não tem mais bebê”, e ela ficou totalmente abalada – devo ter explicado mais ou menos o que houve, e ela disse que ia dar um jeito de achar meu pai, mas não precisou, porque nesse instante o Cleber conseguiu falar com ele, e ele disse que estava indo nos buscar.
Lembrei que não tinha plano de saúde e que não queria me internar em qualquer hospital. Falei que eu não tinha nem médico, e me lembrei que tinha, sim, a Betina. Fui sendo invadida por uma certeza de que eu precisava fazer alguma coisa, agir. Mas ainda chorava. O Cleber ligou pra Betina e conseguiu um encaixe pra mesma tarde – ela disse que tinha que me ver antes de falar o que era pra ser feito. Mandei uma mensagem pra Isa, ela me ligou, disse que iria onde eu estivesse, que ficaria comigo caso eu precisasse passar por um trabalho de parto no hospital, ou qualquer coisa assim. Minha mãe ligou de novo, eu contei que ia na Betina e ela disse que ia dar um jeito de chegar lá também. O Cleber avisou no trabalho que não iria mais e, quando disse o motivo, o chefe deu o dia seguinte de folga também. A gente ainda estava no laboratório, era por volta de 13: 30 da tarde. Eu olhava a rua, enxergava todo mundo em câmera lenta. Abraçava o Cleber, chorava mais. Eu não sabia o que ia acontecer. Eu não sentia fome. Eu tinha medo.

Aos poucos o choro cessou e fui ficando anestesiada. Eu só esperava o próximo passo – que naquele momento era esperar a chegada do meu pai. Ele chegou e decidimos que iríamos buscar minha mãe no trabalho, e depois ir direto pro consultório da médica. Quando finalmente chegamos, meu pai ficou no carro e subimos nós três pra consulta. A Betina viu o ultrassom, mas aí eu disparei a contar o dia e ela só leu a parte que o desenvolvimento do feto estava muito abaixo do normal, não leu tudo porque parou pra me ouvir. Ela achou que ainda tinha chances. Mas aí mostramos as últimas frases e ela entendeu. Pediu muitas desculpas pelo mal entendido. E disse que eu podia esperar, que meu corpo ia agir. Eu ainda estava na vibe do “tenho que agir agora” e pensei mesmo que teria que ir direto pro hospital, meio que me preparei pra isso. Minha mãe fez mil perguntas. A Betina disse que eu poderia escolher, que se eu esperasse meu corpo agiria, sim, mas que se fosse emocionalmente muito pesado pra mim, eu podia ir pro hospital induzir, e ainda disse que eu entraria em trabalho de parto, que ia doer bastante e que ia ficar sangrando mais que uma menstruação. Minha mãe perguntou o que ela achava melhor. E eu disse: “ela acha melhor esperar. Né?” “É, na minha opinião é melhor esperar”. Foi aí que me lembrei. Eu prezo pelo natural. Pelo fisiológico, pelo tempo da natureza. E foi por isso que eu havia escolhido aquela médica. Eu perguntei do chá de canela, ela confirmou que era bom, e que o de gengibre também. Disse que a decisão era minha, mas que eu podia pensar mais um pouco, em casa. Que se acontecesse em casa, talvez eu nem precisasse de hospital depois, mas que se sangrasse demais, eu tinha que ir. O meu medo era ter que olhar pro que ia sair de dentro de mim, essa é a verdade. Eu não fazia a mínima ideia de como seria. Eu não estava preparada.

Chegamos em casa, e aqui eu não sei mais o que escrever. Não me lembro. Lembro que eu não chorava, que sentia uma tristeza imensa. Não queria conversar sobre isso. Sentia umas cólicas leves. Devo ter comido alguma coisa, não faço ideia de quê. Só me lembro que eu estava sentada no sofá, o Cleber do meu lado, a tevê ligada.

(continua…)

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Arquivado em apoio, assunto delicado, Casa Angela, chorar, consulta, corpo, dor, escolhas, luto, o fim, perda, relato, ultrassom, um dia de cada vez

No capítulo de hoje…

Ontem meus pais fizeram uma teleconferência comigo de novo. Dessa vez, a mamãe não estava tão nervosa e com medo quanto daquela outra; acho que ela já sabia que tava tudo bem. Também, com o tanto de repouso que anda fazendo…
Desde o nosso último encontro eu cresci bastante e aprendi um monte de coisas. Aqui, debaixo d’água, nesse lugar quentinho e confortável, é tudo muito propício para novos aprendizados. Ou seja, estava doida(o) para mostrar tudo a eles.
Nos primeiros minutos, a moça que fazia a transmissão já avisou pra eles: o bebê tá todo embolado!
Pff! Ela não entende nada mesmo! Eu já queria começar em grande estilo, mostrando que consigo colocar meus pezinhos lá na cabeça. Meus pais só não babaram mais por falta de saliva extra. Não conseguiam tirar os olhos da tela, esses dois bobinhos. 
A moça colocou o som do meu coraçãozinho logo em seguida, e o som de batidas rápidas e fortes tomou conta da sala. Estava em 166 BPM. Eu tava animada(o) mesmo.
O nome da tal teleconferência, dessa vez, era: ultrassom morfológico do 1° trimestre. A moça tinha que verificar muitas coisas no meu corpinho, ver se estava tudo nos conformes. Ela viu tudinho: o ossinho do meu nariz, uma tal de translucência nucal, localização do coração, do estômago, veias e válvulas do meu coraçãozinho, cérebro, meu rostinho, todos os membros, cordão umbilical. E ainda as veias da mamãe que traz sangue aqui pro meu mundinho, e também o colo do útero e não sei mais o que. Foi bastante coisa, muitas medições e números. E estava tudo muito bem, obrigado! Para o alívio e felicidade dos meus pais.
Foi ótimo porque pude mostrar pra eles o quanto estou feliz aqui dentro. Eu não parava de me mexer nem um minutinho sequer, hihi. Mexia meus bracinhos e perninhas a todo instante, estava divertido! A moça ficou impressionada. 
E quando ela quis que eu ficasse toda reta(o) pra medir meu cumprimento, quem disse que eu queria? Ela tentou de tudo, até pediu pra mamãe tossir. Nessa hora, resolvi colaborar, mas mesmo assim acho que ela fez uma medição meia-boca, mas tá valendo. E eu também já estava ficando cansada(o) daquela minha exposição toda, queria sossego! Mamãe e papai gravaram tudo em dvd e meus avós amararam poder me ver também.

À noite, ainda no sábado, veio um monte de gente jantar na nossa casa, pelo aniversário do meu vovô, que foi semana passada (mas ele tava viajando, o danadinho). Eram todos da família, foi muito animado! Todos queriam ver a barriguinha da mamãe, onde eu estou guardada(o). Mil perguntas pra ela: se estava bem, se já tinha algo do enxoval, como está os cuidados com o corpo (quem perguntou isso foi uma tia da mamãe, que tem umas dicas boas de massagens e tal, ela adora!). E, como sempre, ficaram especulando se eu sou menino ou menina. 
Nessa família que eu escolhi, algumas pessoas sempre sabem quem são os bebês que ainda vão chegar. Às vezes, bem no comecinho mesmo. Acho que eles conversam com os anjinhos do bebê, só pode, né?!
Não sei se alguém já sabe o que eu sou, porque parece que ainda paira uma certa dúvida no ar. Ou então, só estão disfarçando. 
A prima da mamãe resolveu fazer umas simpatias com ela então, de brincadeirinha. Elas se empolgaram tanto que fizeram nove! Ia ser oito, mas aí deu empate e elas resolveram desempatar. Tá pensando que eu entrego tudo de bandeja? Não, não! Tem que ter um mistério pra ficar mais legal!
No fim das contas, ninguém tem muita certeza ainda, apesar da maioria arriscar dizer que posso ser uma menina. Mas ao mesmo tempo, levantam a hipótese de que eu seja menino… Hehe, tô me divertindo com essa coisa de deixar todo mundo confuso. 

Meus pais estão tentando deixar meu possível nome pré-definido. Eles sabem que têm que ouvir o nome que eu disser, que eu já tenho; e parece que estão bem perto mesmo. Algumas pessoas andam estranhando o nome feminino e a mamãe fica nervosa. Mas isso, acho melhor ela contar numa outra hora…

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O som mais lindo que já ouvi (a parte II)

(continuação desse post…)

Na sexta, dia 14 (ontem, rs), Cleber se arrumando pra ir trabalhar, resolvemos que seria bom ir ao médico, sim. Eu estava preocupada, queria ter certeza que estava tudo bem.

E então ele me levou em um hospital público (maternidade). Chegando lá, já odiei porque o Cleber não poderia subir comigo, nem na sala de espera!!! E bem, sentada ali com outras mães gestantes, pertinho da ala onde ficam as que já tiveram seus bebês, ouvindo chorinhos recém-nascidos, também ouvi muito absurdo (que rende um post à parte). E era um lugar quente.  E eu com fome. E pensando na banana que tinha na mochila, só que com o Cleber, lá embaixo. Ouvindo coisas ruins, dentro de um ambiente péssimo, minha pressão me deu um sinal de que, se eu ficasse ali mais uns minutos, ela iria cair. E eu sabia que se ela caísse, eles iam querem me jogar no soro. Levantei e desci, rumo a minha banana. Marido resolveu que iríamos em outro médico, já que não tinha nem sinal de que eu seria atendida nas próximas horas. Percebemos, porém, que minha carteirinha de gestante tinha ficado retida junto com a minha ficha, e sem ela eu não posso ficar. Como eu estava tomando um ar, ele foi ao resgate pra mim. A moça não quis dar a bendita carteirinha pra ele, que contou o que eu tinha tido (ninguém tinha perguntado, nem na triagem, pasmem), então ela disse que eu subisse que seria atendida imediatamente. Melhor que não tivesse subido. Quando eu entrei, sozinha, na sala do médico, já senti que não ia render boa coisa.
Segue o diálogo:

– Então, eu tive um sangramento ontem à noite, mas foi bem pouco e…
– Quantas semanas?
– pela DUM, 11. Pelo ultrassom, 9. Olha aqui o ultrassom.
– ah, você tá de 9 semanas (em tom de voz que não tinha ouvido o que eu havia acabado de falar)
– Tira a calcinha e deita ali.
como ele continuou escrevendo e nem sinal de levantar, permaneci sentada
– Por que será que aconteceu isso?
escrevendo… – Tira a calcinha e deita ali.
Lá vai eu pra trás do biombo, tiro a parte de baixo da roupa, descubro que não tem onde pendurar, e me deito segurando as calças.

Quando ele coloca as luvas, eu coloco meu pés naqueles estribos horríveis e vejo que quase na minha frente tem uma porta aberta. Ele coloca as luvas e enfia, sem a mínima cerimônia ou jeito, doi dedos bem dentro de mim. E gira. E dói. Bastante. Isso em pé mesmo. Tirou, viu que não tinha sangue algum, me mostrou os dedos e voltou pra sua mesa.
 – Não tem mais sangramento.
– Nossa, que bom! Mas por que será que aconteceu isso?
nenhuma resposta audível.
– Se sentir dor, toma paracetamol. Se voltar a ter sangramento, volta quando estiver acontecendo.
(Porra, paracetamol, cara? Cê tá de brincadeira comigo!!! Só faltou ele falar, próóximoo.) Lamentável!
Saí de lá com vontade de fazer um barraco naquele hospital de meia tigela. Mas marido me conteve. O foco era me manter calma.
Fomos a outro hospital, particular dessa vez. Depois de esperar pouco mais de uma hora pra ser atendida, finalmente chegou minha vez.
A médica me examinou direitinho e disse que realmente não tinha mais sangramento, mas que meu colo do útero estava bem sensível, quase como se tivesse um machucadinho. Até desenhou. Disse que não tinha vindo de dentro do útero, ou seja, não tinha comprometido o bebê. E que por isso eu não precisava fazer um ultrassom com urgência. Mas recomendou um super repouso. 
Gostei dela, foi satisfatória. Marido, que também estava preocupado, ouviu tudo junto comigo. 
Ele seguiu pro trabalho (já passava das 13:00) e eu vim pra casa. Fiquei pensando que eu queria, sim, ter feito um ultrassom, pra ver minha Bolotinha, ter certeza que estava tudo bem.
Então hoje nós dois tínhamos aula de yoga na Casa Angela. Era o que eu queria. Não a yoga, e sim a Casa.
Meu pai nos emprestou o carro e lá fomos nós a mais uma consulta (sem marcar). Cheguei, a minha EO não estava lá, então comecei a explicar o que aconteceu a outra, a Andreza, e não poderia ter sido melhor. Ela me explicou um monte de coisas, também desenhou pra mim. E me passou um pedido de ultrassom, para que eu ficasse calma, pra ter certeza que o baby estava mesmo bem e aproveitar pra confirmar de quantas semanas eu estava. 
Saímos de lá direto pra clínica. É uma clínica conveniada com a Casa (eu ia pagar menos, yes!), que não precisava marcar horário e estava funcionando hoje. Tudo que eu queria, de novo, rs.
Fiquei bem nervosa na ida, por causa do trânsito. Os carros decidiram que hoje era o dia de sijogar em cima de quem estivesse perto, daquele jeito horrível. Direção defensiva, nesse caso, nos salvou várias vezes.
Chegamos, enfim. Esperamos um pouquinho e fomos chamados.
Na espera, aquele medo de sempre. E se não tiver nada? (isso porque eu já tinha visto, vamos abafar essa parte). E se não tiver se desenvolvido? E se eu tiver feito mal pro bebê? Fui cortada de meus devaneios medísticos quando ouvi meu nome.
Falei que não sabia ao certo quantas eram as semanas, mas disse a DUM e contei do ultra das 4 semanas. Deitei, recebi gel gelado na pança. E esperamos. De repente, não mais que de repente, uma imagem tomou conta da sala – e de mim: a minha Bolota não é mais uma bolota, estava claro e nítido naquela imagem cinza. É agora uma pessoa. E a médica: “olha aqui o seu bebezinho”. E eu: “amor, olha como a Bolota cresceu”, e a médica achando que eu estava falando que era uma menina, haha. Explicamos e ela entendeu. “Vou colocar o som do coração”.
TUM TUM TUM TUM TUM TUM 
Xenti!!!
É o som mais lindo que eu já ouvi em toda minha vida! Música para os meus ouvidos.
E o meu sorriso já passando das orelhas.
A médica: – Olha aqui, duas perninhas, dois bracinhos. Tá vendo?
– Sim, tô vendo. E tá tudo bem com ele?
– Sim, tudo ótimo!
(quase dei um beijo nela)
E marido lá sentado, olhando pra tela, emocionado. Coisa mais linda.
– Vamos medir o tamanho do seu bebezinho, pra ver de quantas semanas está (pausa para medir). Sim, você está de 10 semanas (e 4 dias, tá escrito no laudo). Confirmado. E a data provável do parto então fica pra 11/01.

Oi, pessoal!, eu sou a Bolota! (a barriguinha é uma bolotinha sim ou com certeza?)
E aí depois de uns minutos, cabô exame. 
Esperamos a impressão do laudo. Os mais bobinhos da recepção. Marido até calado, de tanta emoção. E eu tagarela. Ambos de sorrisão no rosto. Os mais bobinhos, já falei?
Quando chegamos em casa, vi que tinha um pouquinho de nada de sangue, de novo. Medo. Mas alívio, porque tinha acabado de ver (e ouvir) que estava tudo bem com baby. E eu confirmei internamente: é o stress que faz isso comigo. Preciso, urgentemente, relaxar. A Andreza suspendeu a yoga, por enquanto. É repouso mesmo, nem namorar podemos. Estamos pensando aqui no que fazer para me manter em paz, calma. Eu queria viajar pra um lugar bem calmo, mas agora não dá mesmo. Tô pensando em fazer umas coisinhas pro baby. Para preencher mais meu tempo. Origami também. Só preciso que alguém compre as coisas pra mim, já que enfrentar a 25 de março não é uma opção. Ver filmes à tarde, relaxar mesmo. Eu vou conseguir. Conversando sempre com Bolota (não consigo arrumar outro nome, rs). Vou cantar pra ela, mostrar umas músicas que eu gosto e tal. Meditar em casa mesmo. 
O importante é que eu consiga.
E nós vamos conseguir 🙂

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