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O que eu aprendi ao não postar todos os dias em agosto

Eu queria ter conseguido postar aqui no blog todos os dias durante o mês de agosto. Queria fazer parte dessa brincadeira (BEDA), porque gosto muito de acompanhar também. Mas a verdade é que não rolou do jeito que eu pensei que fosse rolar.

E eu nem vou culpar a maternidade ou a falta de tempo. Tem tudo isso e mais, claro, mas não foi isso que percebi nesses dias que fiquei sem postar. O que eu percebi, ou melhor, confirmei, foi que a palavra escrita pra mim tem muita força. Eu escrevo para além de um passatempo, sabe? É uma espécie de caminho que eu escolhi trilhar. Então, mesmo tendo assuntos e sugestões e ideias (que eu tenho aqui anotado e ainda virarão texto, podem esperar), algumas vezes faltava uma espécie de vontade mesmo. Vontade para desenvolver aquele assunto, para falar da minha experiência, para falar com as pessoas sobre aquela coisa. E então eu não aparecia. Não quis preencher as lacunas com assuntos que não me interessavam no dia, ou que estivessem aqui só para dizer que postei. Eu quis ser leal ao que estava sentindo, entender mais, saber o que aquilo dizia a meu respeito.

Quer dizer, existe uma verdade no meio criativo/literário/algo do gênero, que diz que a gente não pode ficar esperando a inspiração chegar, que o hábito é o que realmente importa. Precisamos trabalhar todo dia, faça chuva ou faça sol, e é só então que a coisa flui com vontade e as coisas acontecem. Eu sei. Inclusive já comprovei isso outras vezes (muitas vezes). Mas, como eu disse ali em cima, a minha relação com a escrita é além de um trabalho. Por mais que exista o exercício e tudo mais, também existe um outro lado, o lado mais abstrato, que não obedece muitas regras. Que precisa transgredir algumas verdades para continuar respirando com tranquilidade. E tudo bem. Eu aprendi a aceitar essa dualidade, estou aprendendo.

Eu quero vir aqui compartilhar minhas histórias e ideias quando eu realmente tiver algo pra contar, e não para preencher um espaço com mais do mesmo. Precisa me fazer bem. Precisa fazer sentido do lugar de onde eu olho.

A vida acontece em várias frentes ao mesmo tempo e eu tenho tentado atender a tudo que consigo, mas um de cada vez. Tentando praticar mais o mindfulness e estar presente na vida. No fim das contas, meu computador queimou o HD, perdi absolutamente todas as minhas fotos, arquivos, programas e etc. Entendi que era preciso dar uma pausa mesmo. Que existiam outras prioridades. Hoje estou aqui escrevendo nele de novo, já reformado (e zerado), e é isso. Um passo de cada vez, vamos lá.

Estaremos juntas no caminho e eu prometo aparecer sempre. Sempre que tiver alguma coisa bem legal pra contar, pode deixar.

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só mais 5 minutinhos

Ontem não postei nenhum texto aqui, pulei descaradamente um dia do desafio do BEDA. Eu poderia dizer muitas coisas sobre isso, mas a verdade é uma só: eu tenho sono.

Eu não sou o tipo de pessoa que passa a noite em claro e segue a vida normalmente na manhã seguinte. Estou muito longe de ser essa pessoa. Não fui uma adolescente que virava a noite na balada e ia pro cursinho direto. Ou aquelas pessoas que vão emendando uma atividade na outra, sem descanso, só tomando energético ou café ou qualquer coisa assim, cochilando em pé no metrô ou dormindo só três horas por noite. Eu preciso dormir. Eu preciso dormir uma quantidade de horas suficientes para repor minhas energias. Mesmo que não sejam 12 horas maravilhosas numa cama king size de hotel, com lençóis de 300 fios egípcios. Mas eu preciso dormir.

O que acontece quando eu não durmo é: dor de cabeça, tontura, fraqueza, raciocínio lento, irritação, corpo pesado, choro fácil, tristeza. Além daquela sensação básica de olhos cheios de areia e olheiras de panda, mais conhecida como sono mesmo.

Essa era uma das minhas principais preocupações antes da Agnes nascer. Como conseguir descansar com um recém nascido em casa, porque a falta de sono afeta direta e imediatamente o meu dia. Bem, devo dizer que não foi nada fácil no começo, mas foi melhor do que eu esperava. Fiquei 3 dias praticamente sem dormir, por conta do trabalho de parto, e quando ela nasceu, depois de algumas horas, eu tive 2 episódios de “apagão”: entrei num sono tão profundo que nada conseguia me acordar, nem o choro dela, nem o Cleber me chamando, nem colocando ela pra mamar. Nada. Acabou minha bateria. Capotei. Depois fui descobrindo que o corpo se adapta a novas realidades. Deve ser o instinto de sobrevivência, rs. O fato é que ganhei novos padrões. Eu dormia 2 horas seguidas e achava que estava super descansada, haha. O tempo foi passando e, pela graça das deusas, ela foi se apegando ao nosso ritmo de sono e eu passei a dormir muito melhor, e por mais horas. Cama compartilhada e amamentar deitada também me salvaram, devo dizer. Chegou um tempo que eu nem sabia quantas vezes ela acordava, ou se ela acordava, eu descansava e estava feliz da vida.

Mas é claro que existem os episódios atípicos, né. Febre, gripes, saltos de desenvolvimento mudam tudo por aqui. Essa semana foi o combo da mudança de casa, eu escrevendo de madrugada (até quase 2hr) e acordando cedinho (6 hrs) pra cumprir uns horários externos. Passei o dia ontem lenta, guardando as energias para não me estressar e descontar na pequena. Pra piorar, ela dormiu num horário impossível de eu deitar junto pra dar uma descansada também, bem na hora que chegou o moço que iria instalar o fogão, e ficamos sozinhas o dia todo. Além disso, ela está demandando muito, querendo minha presença física, muito colo, inclusive durante o sono, do mesmo jeito de quando era mais bebezinha,e de noite quer ficar colada em mim, o que me impede de descansar totalmente (agora, por exemplo, está dormindo no colo enquanto escrevo – a diferença da fase de bebê para esta é uma só: o peso. Meus braços que o digam, haha) . Está puxado. Não tive forças pra pensar em nada pra escrever ontem.

Hoje está um pouquinho melhor, apesar de ainda ter sono para colocar em dia. Mesmo assim recorri ao tema para desabafar um pouquinho. Também ajuda a aliviar. Agora deixa eu ir, porque pelo horário ainda consigo fechar os olhos uns minutos antes dela acordar. Tomara que dê certo.

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Ainda sobre medo

Esses dias eu falei que a pequena está numa fase de sentir medo. Hoje eu voltei pra falar sobre este tema, mas dessa vez focado em nós, as mães.

Como mãe, qual é o seu maior medo?

Confesso que pensei um pouco quando dei de cara com esse tema, não é um assunto que eu pense muito, na verdade. Conheço pessoas que usam muito essa expressão, dita pra criança, no caso: “não faz isso que eu tenho medo”. Não sei se vocês já ouviram, mas pra mim não faz muito sentido. Não deixar a pessoa viver determinada experiência por um medo que não pertence a ela. Eu sei que o nosso instinto é o de proteger, e se sentimos medo é claro que queremos evitar – inclusive queremos que todas as pessoas evitem, de preferência, que dirá nossos filhos. Mas ainda assim não é uma abordagem que eu uso, não gosto, não concordo.

Mas voltando ao assunto.

Para começar com o mais “clichê”, eu tenho medo da minha filha ficar doente. Ou de eu ficar doente e não poder ficar perto dela. Céus, isso realmente me dá calafrios!

Estava aqui pensando que, muito provavelmente, os maiores medos a gente sente quando não é mãe. Medo do que a gente ainda não sabe, não faz ideia do que vai ser. Medo de não ter bebê na barriga antes do primeiro ultrassom. Medo de perder. Medo de alguma intercorrência. Medo do parto. Medo de não dar conta. Não que toda mulher sinta todos esses medos, mas sei que são frequentes nas rodas maternas.

Pra mim, no comecinho, assim que tive a Agnes, havia o medo de ficar sem ela. Eu deixava as pessoas segurarem ela no colo, mas eu mesma não descansava, estava sempre ali do lado, pronta para intervir ao menor sinal de incômodo dela (puerpério, amigas, ele não brinca em serviço!).

Mas acho que uma das coisas que mais me traz esse sentimento é o de eu fazer alguma coisa com ela que a machuque. No sentido psicológico, emocional mesmo, porque fisicamente é claro que eu jamais faria nada assim. Tenho medo que a nossa relação se perca em algum lugar do caminho, que não nos entendamos. Veja bem, não é medo dela ir pra longe, sabem? Eu sei que ela vai crescer, vai sair, vai dormir fora, vai viajar, morar sozinha, etc etc etc. O medo é de que a gente não se entenda. Pausa para respirar. Realmente parei aqui escrevendo, porque me dei conta que mesmo que eu não saiba como será o futuro, o agora tem sido muito generoso. Nós nos entendemos muito bem, na minha opinião. Talvez o meu medo fosse do desconhecido, mas agora que estou aqui vivendo e sendo a mãe dela todos os dias, percebo que as coisas não são tão dramáticas assim. Que bom, né.

Acho que o medo tem muito disso, do não saber. As coisas tendem a ser mais assustadoras quando são hipotéticas. Os medos referentes a gestação, parto e amamentação, por exemplo, eu mandei embora lindamente com informação, livros, blogs, grupos e tudo mais. Não sei se funcionou porque eu esclareci tudo que me incomodava, ou se não tive mais tempo de pensar em nada, de tanto que pesquisei, haha. O fato é que o melhor caminho para enfrentar medos que ainda estão no campo da teoria é ler, conversar com pessoas, se inteirar do assunto. Na vida real, o negócio é mesmo ir um dia de cada vez, porque nada é garantido. Ir lidando com o que for à medida que as coisas forem acontecendo, porque já acontece tanta coisa todo dia mesmo, né, sofrer por antecipação não é uma boa ideia para adicionar à lista de pendências. Respira, inspira e, se pirar, a gente vê como resolve a bagunça depois.

Aliás, é focando nesse pensamento e aura zen que eu estou tentando me apegar quando penso na possibilidade de ter outro bebê. Como darei conta? Como dar atenção pra Agnes? Quando dormir? O que é dormir? São muitas questões. Um dia de cada vez, eu sei. Ouvi dizer que tudo vai se resolvendo quando tiver de ser. Oremos.

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Carta do dia: vamos juntas

Filha,

estes dias você tem estado mais grudada em mim, principalmente quando estamos em casa. Quer dizer, você sempre foi o “meu grudinho”, mas foi ficando mais solta e mais tranquila com o passar dos meses. Agora parece que voltamos algumas casas. Você tem preferido meu colo, só dorme bem se estou por perto, fica ao meu lado quando faço as coisas da casa, senta no meu colo quando estou escrevendo. Você quer contato físico, proximidade, algo concreto pros seus olhinhos curiosos.

Algumas vezes é complicado, porque eu preciso de um tempo pra mim também. Conciliar nossas demandas, nesses dias em que você está assim, muitas vezes cansa. Hoje por exemplo, que era para eu ter conseguido escrever e fazer outras coisas, não fiz nada. São quase onze da noite e só agora conseguir sentar aqui sozinha. Você já dormiu e ficou lá na cama, mas já acordou uma vez me chamando, em menos de 1 hora (ontem não ficou, dormiu no meu colo e por aqui ficou por todo o tempo que estive acordada, inclusive jantando).

E eu te atendo, meu amor. Mesmo não sabendo exatamente o motivo, mesmo tendo medo de você sentir algo que é só meu, que você não precisa sentir. Mesmo precisando de espaço também. Eu te atendo. Você é tão bebê ainda. Está crescendo, está aprendendo a ser você, a lidar com o tanto que acontece dentro do seu corpinho. É natural que precise de mais amparo mesmo, eu sei. Completamente compreensível que precise de mim, de um corpo físico, de uma voz conhecida, de um cheiro, um ritmo e um cuidado que você conhece desde sempre, não é?

Ia me desculpar por me mostrar tão frágil pra você algumas vezes, mas acho que não vou. Porque esta sou eu, meu bem. Esta é a sua mãe. A pessoa que chora, que fica meio pra baixo as vezes, que também precisa de cuidados. Eu sou assim e você me conhece muito bem. Inclusive, eu não preciso entender com a razão o porquê você está assim. Não preciso porque, muitas vezes, eu não sei explicar nem o que eu mesma estou sentindo – e mesmo assim sei que preciso sentir e viver para entender e deixar passar, e dar mais um passo. Daqui a pouco já assimilamos tudo isso e estaremos andando em outro ritmo, você vai ver.

Obrigada por estar comigo nessa caminhada, filha. Aprendo muito com a sua presença, saiba disso.

com amor,
mamãe.

 

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O céu está mais limpo

A vida parece que está entrando nos eixos.

Desde que a gente se mudou para este apartamento, em dezembro de 2014, as coisas andam bem bagunçadas por aqui. Quer dizer. Parece que estávamos num momento total de transição, nos adaptando a sermos nós três, a sermos nós três sozinhos em casa, a ser casal de novo, a delimitar alguns espaços, a encontrar novas formas de trabalho e cumpri-las todos os dias. De onde eu olhava, só via uma montanha de bagunça, papeis e louça pra lavar.

Houve briga, houve lágrimas, houve medo. Se já é complicado se adaptar à vida de mãe, imagina somar a isso todo o combo que veio junto. (Só para ilustrar: marido saiu do trabalho para ser autônomo + bebê novo + puerpério + mudança de casa + lutos + falta de grana, sem contar as pendências do cotidiano). Foram tempos conturbados, preciso confessar. Mas, como tudo na vida, passou.

Entrei em 2016 com o sentimento que esse ano pegaria mais leve com a gente. E assim tem sido, até então. Não está tudo como uma brisa suave do campo. Temos agido muito, trabalhado bastante. Tem bastante movimento por aqui. Mas está bom. Eu estou sentindo a roda girar, sabe como? É por isso que não tenho do que reclamar. Se antes eu sentia que a  gente estava numa espécie de limbo, agora pegamos o ritmo novamente e estamos indo.

É tão bom ir!

Estou conseguindo escrever com mais frequência, estou aprendendo a fazer encadernação manual (me aguardem!), sendo mãe e, ainda por cima, vou voltar a estudar. Marido está trabalhando legal também. Estamos para mudar de apê de novo. Enfim, as coisas estão acontecendo, graças a Deus.

É difícil acreditar que tudo vai se acalmar quando estamos no meio da tempestade. A impressão que dá é a de que o céu nunca ficará limpo de novo, as nuvens seguirão pesadas por um longo longo tempo. Dei uma ou duas surtadas no meio do caminho. Mas aí eu aprendi a respirar. Comecei a colocar em prática aquela velha tática de ir vivendo um dia de cada vez. E de agradecer pelo que eu já tinha. Essa parte foi fundamental, na verdade. E aí, pouco a pouco, assim de um jeito meio tímido, as nuvens foram se dissipando e agora só chove de vez em quando aqui nas nossas cabeças. Já dá pra sair de casa e enfrentar a vida.

É o que temos feito nesse ano e eu tô feliz por isso.

E que este segundo semestre seja bom e seja alegre. Para todos nós.

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Pequena nota sobre um dia qualquer

A pequena acordou 1:30 da manhã e, ao invés de só mamar e dormir novamente, como sempre, despertou de vez. Ainda estávamos acordados, quase indo dormir, então foi um desencontro de energias total. Finalizamos o que estávamos fazendo e deitamos juntos, com as luzes todas apagadas, mas ela não dormia. Falava, cantava, subia em cima da gente, mamava, rolava pra lá e pra cá. Tive a impressão de passar a noite inteira em claro, mas sei que dormi em alguns momentos. Quando ela está agitada assim eu não descanso nada – imagina ela! Será que é salto? Acordei com ela fazendo as mesmas coisas do início da madrugada, me irritei. A vontade era de enterrar a cara no travesseiro, gritar, exigir que me desse uma trégua. Eu queria muito um tempo sozinha, sem ninguém me escalando ou falando sem parar. Levantei da cama de uma vez e entrei no banheiro. Queria silêncio. Ela ficou lá conversando com o pai, que ainda tentava dormir mais um pouco. Eu estava com cólica, dor nas costas, isso sem contar a cabeça pesada pela falta de sono. Entrei no banho. Deixei a água cair nas costas, me deixei ficar ali um tempinho. Depois fiz café, troquei sua fralda e seguimos conversando. Ela disse alguma coisa – não me lembro o que – e percebi que já não estava mais nervosa como quando levantei. Estava cansada, mas não irritada. Rimos juntas, comemos. E o dia seguiu assim – ora eu precisando de algum espaço, ora estando junto para o que estivesse acontecendo. A balança pesando bem menos pro meu lado, mas era o que tinha pra hoje. Chegamos ao fim do dia sem gritos. A noite chegou e eu estava bem. O que havia acontecido na madrugada tinha ido embora pelo ralo, naquele banho da manhã. Só o que restava era a gente seguindo nosso ritmo.

Me dei conta (de novo) de como é importante deixar os sentimentos virem e que, ainda mais importante, é deixá-los irem embora também. Não preciso me prender a isso o dia todo – seja lá o que for. Feliz por ter acolhido nós duas hoje. Não precisa ser totalmente do jeito que eu quero para ser satisfatório. Por hoje eu aprendi.

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Sobre o último ano


No dia 09 de agosto foi meu aniversário. 25 anos desde que minha mãe me pariu. 
1 ano que eu renasci. 
Foi no dia 09 do ano passado que a bolota, meu bebê-luz, saiu da minha barriga e foi morar no meu coração. Perto da hora em que eu nasci, ela se foi. Um renascimento e tanto. Naquele dia cinza eu fiquei o dia todo em casa, eu chorei, eu quis esquecer. No dia anterior, quando me deram a notícia, eu pensei que demoraria muito tempo até que eu estivesse pronta para gerar novamente. Eu também estava cinza, e não conseguia enxergar além. A partir dali, eu fiz a única coisa que eu poderia fazer: vivi um dia de cada vez. Pra mim, que sempre estava pensando na próxima meta, foi um super aprendizado. Foi um passo de cada vez, porque era até onde eu conseguia ver. Vivi meu luto, senti meu corpo me mostrando que a natureza é perfeita, escrevi minhas descobertas – ela me ensinou tanta coisa em 4 meses. Chorei. 
Aos poucos, alguma cor foi surgindo. Voltei a sair, sorrir. Viajei, conheci pessoas e lugares que ganharam um significado muito especial pra mim. 
Não quis mais bloquear uma certeza que nasceu no meu coração. Parecia loucura na época, mas era a única coisa a ser feita: eu sentia. 
E logo em seguida, a notícia – para mim, a confirmação: um novo agora estava surgindo, nova vida se anunciava aqui dentro.
Uma alegria. Um receio. Eu não queria projetar medos antigos no agora, mas foram inevitáveis alguns pensamentos. Mandei embora e me voltei pra mim. Me concentrei no aqui e, novamente, fui com calma. Me cerquei de boas pessoas, mas na maior parte do tempo quis ficar comigo mesma. Muita coisa estava acontecendo, eu precisava viver aquilo. Foram semanas de muita autoterapia e cuidados. E claro, muita, muita alegria também. 
No fim, eu estava entregue ao que viria, conectada com a minha filha e numa sintonia única com o meu parceiro. Construímos a base da nossa família ali, no final da gravidez. Não que o que tenha acontecido antes não tenha sido válido, mas aqueles dias foram de suma importância. 
Aliás, olhando agora, posso constatar o quanto crescemos juntos nesse ano. 
E como que para coroar esse crescimento, para fechar um ciclo e iniciar outro, no dia 15 de julho, às 4:30 da manhã, a Agnes chegou. Faltando menos de 1 mês pro primeiro ano do meu renascimento. Praticamente na mesma hora da irmã, ela nasceu. Quando ela veio pros meus braços, ali na água, eu perguntei que horas eram, e na hora me lembrei da bolota. Eu falei “nossa, 4:30 é um horário forte pra mim”. Eu não sei exatamente os minutos em que ela se foi, mas foi dentro das 4. E ali, com a Agnes se acalmando com a minha voz, com o amor transbordando naquele quarto, eu disse em pensamento: obrigada, minha fonte de luz, por esse momento. Obrigada por ter vindo e por permitir que a sua irmã viesse. 

Naquele 09 de agosto de 2013, se alguém me dissesse o que eu estaria vivendo hoje, eu não acreditaria. Ia achar que era até impossível. Eu não conseguia enxergar tão adiante assim, e ali, na minha frente, tudo ainda era muito nublado. Hoje eu sei. Sei que tudo acontece exatamente na hora em que tem que acontecer. Não há controle, por mais que achemos que temos algum. Hoje eu sei, pelo menos em partes, o porquê da bolota ter vindo tão rápido. E daqui do ponto onde estou agora, não há como existir tristeza. Só entendimento e aceitação. Ela veio, também, preparar o ninho para a pequena moça que dorme aqui ao meu lado nesse instante. Não seria a Agnes aqui comigo, nos arrebatando de encantamento e paixão a cada minuto da vidinha dela, se não tivesse tido alguém antes.

1 ano que eu renasci.
Obrigada, filha, por ter vindo, por trazer o meu renascimento e por permanecer aqui dentro.
Obrigada, Agnes, por ter chegado exatamente agora no meu primeiro ano de vida. Me dê sua mão. Você veio para me ensinar a caminhar. 

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Pra gente se desprender

Eu preciso escrever um post sobre o livro O Poder do Discurso Materno, da Laura Gutman, me lembrem. Mas antes vou falar de outra coisa. Que é pra deixar registrado e seguir adiante, do jeito que tem que ser.

Logo que eu me descobri grávida, senti muita vontade de não contar pra ninguém, como disse aqui. Não era exatamente um casulo, vontade de ficar isolada. Só de me manter em silêncio sobre isso, guardar esse segredo pra mim. Como se eu sentisse que o bebê precisasse desse tempo sem muitas energias voltadas pra ele. Mas, aos poucos, comecei a perceber que eu também estava com medo (o que não anula o outro sentimento que acabei de comentar, eles coexistiam, apenas). Medo de dar errado. Medo de me jogar e quebrar a cabeça no asfalto. Medo de me entregar. Eu estava curtindo os sintomas e as mudanças todas, mas ainda não era uma coisa total, confesso. Os enjoos iam se intensificando – porque sim, muitas vezes o enjoo tem fundo emocional. Foi o jeito do meu corpo me dizer que estava sendo diferente dessa vez (pelo menos agora no começo, eu ainda não ouso dizer que vai ser tudo lindo), que estava tudo bem lá dentro. Coincidentemente, depois da minha consulta com a Cátia, os enjoos diminuíram 90%, acho que agora é só sintoma normal mesmo, rs.

Mas enfim. Como comentei no post sobre as primeiras semanas, estava meio chorona. Daí comecei a achar que tanto choro só podia ser por isso também, mais uma face do medo. Nem era tanto, eu realmente estou mais sensível, mas normal, eu choro fácil mesmo. Mas enfim, coloquei na cabeça que estava demais, me incomodei. Como eu sempre disse: não queria transferir para esta gestação os receios da outra.

Certo dia, no banho, minha ficha caiu. Eu ainda pensava constantemente na bolota. (Aliás, lembram desse post? Eu já sabia que estava grávida nesse dia). Eu ainda me prendia a ela. E sabe o que eu fiz? Comecei a conversar com ela (acho que nunca contei aqui com todas as letras, mas apesar de não termos ficado sabendo o sexo do bebê, tínhamos uma clara sensação de ser uma menina). Falei que a amo muito, e sempre vai ser assim. Que o lugar que ela ocupa em mim, aqui dentro do peito, não vai ser de mais ninguém, é um quarto na casa só dela. Que eu estava com um pouquinho de medo, mas que eu precisava me libertar para viver essa nova etapa da minha vida – e ela a dela, seja lá onde estiver. Que ela podia ir, porque eu também estava indo. Era a hora. E que não ficasse com medo também, pois daria tudo certo. Seremos sempre uma da outra, mas agora de uma forma diferente, como diz a música num outro nível de vínculo. E tudo bem ser diferente. Que tinha uma outra vida dentro de mim, e que eu amo as duas, mas que eu precisava me dedicar um pouquinho à essa, agora. Essa vida que está crescendo aqui, irmx dela, precisa do meu amor tanto quanto ela precisou, até falei que não precisava de ciúmes, rs – e é bem estranho, mas eu sinto que são pessoas completamente diferentes, ou seja, são amores diferentes, exclusivos.
Conversei, expliquei, chorei. E aos poucos foi mesmo passando. Como se eu tivesse nos libertado do que quer que estivesse nos prendendo uma à outra. Ficou o amor, mas se foi uma espécie de peso que ainda existia.

E aí segui em frente. Acho que já faz uns 15 ou 20 dias, mais ou menos.
Ainda um dia de cada vez, mas realmente o que eu sentia antes, no comecinho, não sinto mais.

E ontem, escutando o novo disco do Jeneci, prestei atenção na letra de uma música. Eu estava pensando em outra coisa, então a princípio nem me liguei com nada. Mas a música me pegou, a melodia é divina. Ouvi de novo. E comecei a chorar. É muito o que aconteceu e que eu acabei de contar aqui. Então resolvi escrever esse post, pra registrar tudo, deixar a letra e a música pra vocês também e dizer, de novo, que a gente se desprendeu (Pra gente se desprender, é o nome da música). Acho que foi quando eu percebi que realmente tinha acontecido. Já ouvi a música de novo, mas não me fez mal, foi só um insight daquele momento. Quem tiver um tempinho, ouça a linda voz da Laura Lavieri cantando, faz diferença. Mas vou deixar a letra também.

Eu sinto o tempo pairando em outro tempo
Correndo bem lento nas asas de um beija-flor
Que espera a flor acordar enquanto o dia não vem
Geleiras vão desabar mudando a cor do mar
Imenso que leva abraços e esperas
Minutos são eras a cada passo pro fim
Se o universo girar pra gente se desprender
Te encontro em outro lugar em paz
Ou não ou nunca mais

Agora é hora da gente se esquecer
Que o tempo e o vento não vão parar de bater
E a cada ponto final a história vai repetir
A gente é mais que um plural e a vida é muito mais
Que a gente espera temendo a toda queda
Deixa a geleira cair e o beija-flor descansar
Um novo agora virá
Escute o som do mar

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9 de setembro

Há vinte quatro anos e 1 mês atrás, eu nasci. 

Há exatamente cinco anos atrás, eu beijava o meu marido pela primeira vez. 

Há dois anos e 1 mês atrás, ganhei um primo-sobrinho para dividir o dia de aniversário.
Há um mês atrás, eu renasci.
É, parece que o dia 9 de setembro gosta mesmo de mim. E eu adoro setembro, preciso dizer.
Um mês de renascimento. Quanta coisa aconteceu, quanta coisa eu senti. 
Seria muito óbvio se eu dissesse que muita coisa mudou nesse período. Mudanças que já vêm acontecendo há um tempo e só agora se consolidaram de fato. Ou não. O que sei é que elas estão acontecendo.
Se alguém me dissesse, há um mês atrás, que hoje eu estaria assim, com o coração muito mais leve do que naquele dia, eu mandaria a pessoa pra putaquepariu; mas ninguém disse, ainda bem – está sendo muito melhor descobrir isso assim, aos pouquinhos, enquanto vai acontecendo. 
Há uma semana fui completamente liberada do repouso e estou mesmo muito bem. Até dancei e pulei num show com amigos, no sábado (e também chorei, quando ouvi uma música muito marcante dos dias do passado, mas faz parte). Já podemos voltar às tentativas, inclusive, mas ainda não aconteceu. Ainda falta uma parte do ciclo, particular nossa, para ser vivida e encerrada.
Enquanto escrevo, me sinto realmente renascida. 
Talvez seja efeito do fim de semana, que foi lindo. Sábado e domingo felizes como há muito eu não tinha. Fundamental. Hoje o dia também foi ótimo. Para amanhã, tenho bons planos (e é meu aniversário de casamento!). Mas talvez não. Talvez seja realmente a sensação de que as coisas estão se transformando, de que a pausa, muito necessária, pela qual passei nos últimos tempos está finalmente se encerrando e novas coisas, cores e sabores chegarão aqui, muito em breve.
Ainda sinto uma saudadinha, um apertinho no coração quando me lembro, por um segundo, como eu poderia estar hoje (barrigamente falando). São pensamentos rápidos e não me atenho à eles. Minha bolota (<3) foi tão demais de incrível que, em algum lugar da minha consciência, eu já entendo que tinha mesmo que ser assim. A bagagem de aprendizado que ela me trouxe é imensa e estou vestindo cada um deles com muito carinho e com muito cuidado, pois são peças realmente muito importantes e muito raras – e quero que durem por muitos, muitos anos.
arquivo pessoal

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Dia estranho, mente inquieta…

Essa semana estou me sentindo bem melhor do que na semana passada, fisicamente falando.
Quer dizer, emocionalmente também, porque até consegui escrever um texto, e depois outro logo em sequência – a coisa está andando, mesmo devagar, mas está. O plano era ter vindo postar ontem a continuação dos aprendizados, porque são coisas que eu realmente não quero deixar passar em branco, mas os planos sempre mudam e acabei não vindo.

E hoje o dia foi particularmente estranho.
Sinto uma saudade absurda do meu bebê, da minha barriga, da gestação. Procuro, com todas as forças, não pensar em que semana eu estaria agora, ou qualquer coisa assim, mas é claro que não dá sempre certo e eu penso um pouquinho, sim. Não me martirizando ou lamentando eternamente, é mais uma… saudade mesmo, entendem? Não tem outra palavra que se enquadre melhor aqui. Antes de engravidar, eu sempre dizia que sentia saudade do que ainda não tinha chegado. Agora, então, é uma saudade real. Doi muito.
E muitas vezes é inevitável pensar, porque tinham coisas que já eram muito automáticas, já faziam parte do meu dia-a-dia: na hora de comer (eu sempre dizia “estamos com fome!!”), na hora do banho, em cada coisinha eu incluía o baby também, era sempre “nós” – e, da noite pro dia, ter que medir as palavras não é fácil. O Cleber também sente falta, ele sempre passava a mão na minha barriga quando estávamos deitados, conversava, dava “tchau” e – a parte que sinto uma baita falta – sempre dizia: “Amo vocês!”. Agora, todo dia quando ele diz que me ama, antes de ir trabalhar, eu fico esperando o plural, e ele nunca chega (porque claro que ele se controla, para não me deixar triste). São dessas pequenas coisas que sinto falta. O cotidiano, o que já me era natural.

Apesar de, neste momento, estar numa vibe mais pra baixo, me mantive bem durante boa parte da semana. Mas confesso que muitas vezes eu sinto um vazio, um “e agora?”, quando penso nos próximos dias e meses. Porque não é simplesmente “ah, tenta de novo”. E o que eu vou fazer até lá? Essa semana ocupei bastante a minha mente, pensei até em retomar umas ideias doidas antigas, quem sabe um projeto novo, não sei. Tenho pensado muito em trabalhar ou fazer um curso, pelo menos temporariamente. Porque com a mente ocupada eu não dou margem à tristeza excessiva e aí faz de conta que o tempo tá passando mais rápido, né? Mas hoje quebrei a cabeça por horas e horas e não soube o que fazer, o que decidir, me senti péssima… (até que, agora há pouco, conversei com a Nana linda e surgiu umas ideias, né querida? Obrigado, de verdade!). Não sei ainda o que vai rolar ao certo, mas sei que vai ter que rolar!

Minha mente está inquieta, meu coração aos “trancos e barrancos” (como diria meu pessoal lá de Minas), e estamos todos – eu, minha mente, meu coração – tentando achar uma solução que agrade todos e que seja para breve.

Espero que o Sr. Tempo colabore.
Prometo vir contar quando descobrir alguma coisa.

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