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Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

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Continue a nadar…

Nem sempre eu consigo ser a mãe que eu gostaria. Acho que acontece com todo mundo, né? Para vários papeis, aliás. Nem sempre conseguimos ser quem gostaríamos de ser. Como você lida com isso? Algumas vezes eu relaxo, algumas vezes eu choro, entro numa concha e só quero sair de lá quando tudo estiver resolvido. Como é que as coisas vão se resolver se eu não estou lá pra fazer isso? São questões. Ainda bem que logo eu me lembro disso e saio do limbo pra tentar me mexer, nem que seja um pouquinho.

Ficar pensando em tudo que gostaríamos que fosse nos tira do presente, que é o lugar onde tudo acontece. Essa manhã foi assim. Poxa, por que é tão difícil as vezes? Enquanto eu pensava nisso, minha casa continuava de cabeça pra baixo, a louça estava na pia, não tive paciência de ficar muito tempo brincando lá fora e ainda soltei uns dois gritos, que me fizeram chorar um pouco. Tudo isso porque eu não estava conseguindo fincar meus pés aqui nesse hoje e fazer o que eu pudesse para alterar o quadro.

Quando acontece isso, de eu perceber que estou numa espiral, deixo pra lá qualquer coisa que eu “tivesse” que fazer. Coloquei uma música e dancei e cantei com a pequena na sala. Não foi muito, sabe? Mas ajuda bastante a me dar um novo fôlego. Agora, sim, posso ir arrumar a zona, já tem um pouco mais de energia circulando pelo meu corpo, e não estagnada.

Existe os dias em que eu queria uma escola pra ela meio período, queria que ela dormisse, queria distância. Sim, é necessário, pra nós duas. Mas eu não posso me esquecer que a companhia dela me coloca em constante movimento, todo dia. Que as coisas que ela fala me fazem rir. Que o olhar que ela tem sobre a vida me traz uma leveza gostosa. Que foi por esse tempo presente que eu fiz muitas escolhas lá atrás. A realidade que tenho foi muito desejada. Não quero mudar tuuuudo, só alguns ajustes aqui ou acolá. E ter isso em mente me tranquiliza. Não é preciso mudar tudo, afinal.

Ufa.

Está tudo bem em rir da bagunça da minha casa. Tá tudo bem ficar no whats com o marido planejando uma mudança e deixando a filha mandar áudios pra ele. Tá tudo bem ir na página do meu próprio projeto ler umas mensagens que eu mesma escrevi, mas ao que tudo indica, já esqueci.  Ou fazer pipoca antes da faxina. E sentar pra ver desenho com a filha, mesmo que eu esteja na batalha pra diminuir a tevê. Nem sempre a maternidade vai fazer sentido. Mas aonde é que só existe isso? A gente pode mudar nossas próprias regras, nem que seja por um dia só. Na vida nada é, tudo está. As coisas não são tão definitivas quanto a gente pensa. Continuemos a nadar, e logo estaremos em outro lugar. Eu acredito nisso. Ser uma mãe possível é muito melhor do que viver sofrendo pelas expectativas não alcançadas. Sejamos.

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Me deixa

É complicado ser um boa mãe quando estou cansada. Com sono. De tpm. Considerando que na tpm eu fico cansada e com sono durante todo o tempo, posso dizer que é muito mais difícil ser uma boa mãe nesse período.

Por boa mãe, estou considerando estar com a cabeça mais arejada, sorrir mais, sentar pra brincar no chão, ter disposição de ir lá fora sem antes achar que é muito longe percorrer os 5 metros que nos separam da área externa do prédio, propor novas atividades, não deixar a tevê ligada por horas seguidas, levantar da cama de manhã com energia…

Ok, quase nunca sou uma boa mãe, então, confesso.

É só que na tpm isso se intensifica um bocado. E soma-se a isso o fato de eu precisar ficar sozinha e com vontades baixíssimas de interagir e ser sociável. Ai, que preguiça.

Mas, como nem tudo é só ruim, essa também é uma boa oportunidade de exercitar os ensinamentos sobre limites. Não que seja didático ou ilustrado com canetinhas hidrocor. É só que em alguns momentos eu realmente tenho que priorizar o meu descanso, para o bem geral desta família – e da minha sanidade mental. E aí eu falo que olha, agora a mamãe precisa descansar, você pode brincar com aquela boneca ou com as pecinhas de montar. Ou que, não, agora o mamá está muito cansado e precisa ficar aqui quietinho, mas pode sentar aqui no meu colo, se quiser. Ou então só sair da sala e entrar pra tomar um banho, sem falar nada pra ninguém, e deixar que a vida se resolva sozinha nos 10 minutos que me permiti ficar ali trancada deixando a água cair na minha cabeça.

Nem sempre é fácil ou bem aceito assim, logo de cara. Mas fácil nunca foi mesmo, nem ninguém me disse que seria. Então, se for pra ser desafiador, me deixa pelo menos comer meu chocolate e ficar sozinha por alguns minutos de vez em quando. Juro que depois de um tempo a aceitação passa a vir mais rápido.

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O meu tipo de mãe

Esses dias vi algumas queridas escrevendo sobre o “tipo” de mães que elas eram e achei bem legal. Porque, né, é sempre bom recordar que não existe modelo perfeito, o ideal morre pra nascer a realidade e nem sempre a realidade é o que ouvimos ou vemos ou acreditamos ser até o dia que chega a nossa vez. Então, para me lembrar disso e incrementar essa corrente divertida, também vou brincar, vamos lá.

Eu sou a mãe que não tem rotina definida com a filha.
Que liberou a tevê sem culpa depois dos dois anos (porque antes era com um pouquinho de culpa, na verdade, rs), mas alguns desenhos seguem sem o conhecimento da pequena. Que assiste série com o marido enquanto ela brinca pela sala.
Eu sou a mãe que quer um quintal e mora num apartamento de 35 m². Que tem que sair pra respirar, porque ficar o dia inteiro aqui dentro enlouquece.
Eu sou a mãe que ainda não colocou a filha na escola, mas que também não faz mil e uma atividades lúdico-pedagógicas-sustentáveis. E tampouco sigo disponível para brincadeiras o dia inteiro, porque de vez em quando a prioridade sou eu. E que bom que existem os avós pra dividir a atenção e salvar o fim do dia.
Eu sou a mãe que leva a pequena pra brincar lá fora num pedacinho de grama e terra e aproveita pra ficar descalça também, porque é o jeito que eu me sinto bem e mais presente. Que deixa a filha pintar com guache no corpo (seu e dela), que larga tudo pra dar colo quando a coisa aperta e que tenta se lembrar de respirar fundo pra não gritar. Mas que já gritou também.
Eu sou a mãe que levou a filha de 2 anos numa pré-estreia de cinema, numa sessão que começava meia noite, porque sabia que seria melhor ficarmos juntos (pai, mãe e bebê). E foi incrível porque ela correu todo o tempo em que estávamos lá fora e dormiu assim que o filme começou. Porque eu sou a mãe que tenta conciliar as demandas da pequena com as próprias vontades. Tem sido assim e a gente até que tem encontrado algum equilíbrio e leveza pelo caminho.
Eu sou a mãe que de vez em quando cisma que tá fazendo tudo errado e tem vontade de mudar de casa, de cidade, de estado. Que chora quando ela dorme pensando que podia ter sido melhor. E que no dia seguinte se entrega um pouquinho mais, e assim descobre que a balança é muito difícil de se manter equilibrada, puta merda.
Eu sou a mãe que leu todas as teorias antes de engravidar e que guardou a maioria delas na gaveta depois que pariu, porque foi percebendo que a coisa mais eficaz é investir na relação, e isso a gente faz no cotidiano e os livros não dão conta da complexidade e imensidão que é uma vida com uma pessoinha ao lado. (e quem disse isso é a mãe que está se descobrindo escritora e tá aqui praticamente falando mal dos livros, vão vendo a loucura dessa mãe).

E tanto mais. Céus. Eu sou a mãe que descobriu que tem muitos interesses e paixões, para além do mundo infantil, que sempre fez (e faz) tanto sentido pra mim. E que ainda não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, como encaixar tudo dentro de uma mesma vida. Mas que segue tentando. Ressignificando. Cuidando de quem é. Porque é disso que a travessia é feita. Pelo menos é o que ela acha.

E você, como se vê na maternidade?

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Aos 2 anos e 3 meses

Aos 2 anos e 3 meses, a criança está em pleno processo de transformação e crescimento. A busca por autonomia e pelo próprio espaço é constante e ininterrupta. O que fica bonito escrito assim, mas na prática significa que:

ela chora muito;
quer comer sozinha;
quer escolher as roupas que vão ser usadas no dia – as dela e as suas também;
quer colocar a roupa sozinha – inclusive e principalmente aquelas que ela ainda não consegue;
colocar o tênis sozinha;
calçar a meia sozinha;
chorar porque não consegue calçar a meia;
deitar no chão porque está chorando;
mudar de assunto imediatamente depois que você tenta argumentar e oferecer ajuda.
ela imita tudo que você faz;
repete conversas que você achava que ela não tinha ouvido;
canta, dança e interpreta.
e chora.
não podemos esquecer do choro.
que pode começar por qualquer motivo que você possa imaginar – e seguir pelos que você jamais pensaria.

É meio enlouquecedor, sabe. Ao mesmo tempo que achamos lindo todo esse desenvolvimento, também acontece de rolar umas surtadas de vez em quando.
A gente vai a extremos de amor e de loucura. No mesmo dia.
Até poque ela também abraça quando percebe que estou triste ou nervosa;
dá um bom dia muito fofo e de bem com a vida;
diz que vai meditar;
se alonga junto quando me vê fazendo isso.

Além de várias outros momentos.Para ilustrar, uma cena de dias atrás:

No café da manhã:
-Mamãe, eu téo (quero) tomer (comer) manteiga. Pode?
-Não, filha. Só na bolacha ou no pão.
-Eu vou comer no tarto (quarto).

Isso porque dias atrás eu apenas ouvi a porta do quarto fechando e, quando fui ver, a senhorita (de quinze anos, aparentemente) estava com o pote de manteiga lá, comendo de boas (ainda bem que foi muito pouco).

E esse é o breve resumo da nossa atual fase.

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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Para Cuidar de Mim

Queria contar que tô com um projetinho novo lá no instagram: o Para Cuidar de Mim.

Há tempos venho querendo fazer algo do tipo, mas nunca sabia muito bem por onde começar, pra onde ir. Depois de muito pensar, percebi que o negócio era falar sobre aquela coisa que a gente nem sempre faz com a frequência que gostaria: cuidar da gente mesmo.
Eu gosto de cuidar de mim. Gosto de me dar esse tempo, de me dar esse olhar, essa oportunidade.

Não falo de um coisa só. Falo do que anda fazendo sentido na minha caminhada. Dos meus processos de autoconhecimento, de respirar, de estar presente, de conviver bem com quem somos – e de um chocolatinho de vez em quando também, porque sim.

Vou deixar aqui o textinho que escrevi de apresentação e o convite para você vir conhecer e me fazer companhia, se quiser.

“Toda vez que eu vejo alguém dizer que está sem tempo pra nada, com a cabeça cheia, atolado em trabalho, tenho vontade de marcar uma horinha em sua agenda, só pra ela conseguir relaxar um pouco. Sim, eu sou essa pessoa que quer que ou outros descansem, que parem um pouquinho o ritmo frenético e olhem um pouco para si mesmos. Sabe assim, uma tarde tranquila, conversa fiada, ficar sentado na sorveteria vendo a vida lá fora? Gosto dessa ideia. Gosto de poder parar o tempo um pouquinho, tomar suas rédeas pra mim, pelo menos por duas horas numa semana bem corrida. Só não sigo em frente marcando o tal horário, porque aí seria mais uma coisa que ela teria que fazer, e não algo próprio, de dentro pra fora É tão importante a gente cuidar de quem somos. É tão importante ser gentil com o que sentimos, respeitar nosso corpo, nossos sentimentos. Inclusive, acho que é só assim que a gente consegue ser melhor pro mundo também. E o mundo anda precisando demais de calma, de respiro, de carinho, né? O Para Cuidar de Mim nasceu da minha vontade de espalhar a ideia do cuidado próprio por aí. Vou falar muito dos meus processos, das minhas memórias e dos caminhos que tenho andado, porque acredito que falando de como é aqui pode ser o começo de um diálogo entre a gente. O Para Cuidar de Mim é um projeto, em primeiro lugar, de autoajuda: as coisas que eu faço para me ajudar a estar bem na minha pele. Vai ter palavras-pensamentos e palavras-ações. Reflexões e também práticas cotidianas. Não é pra ter seguidores, só para ter companhia mesmo.”

Você pode acessar a página clicando aqui.

Ah, o Travessia segue normalmente. Sei que as postagens andam escassas, mas esse espaço ainda é o meu potinho de boas recordações e reflexões maternas. Estou sempre aqui, mesmo quando parece que não. Se precisarem de qualquer coisa ou só dar um oi, me escrevam: marina.matos03@gmail.com.

Vamos juntas?

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Seja você o limite do seu filho

Uma coisa que eu aprendi quando a Agnes tinha 1 ano, numa consulta de rotina com uma pediatra que, infelizmente, só vimos essa única vez, mas que me ajudou muito. Não sei se já falei disso aqui, mas acho que sempre vale o reforço, né.

Por volta de 1 ano começa aquela fase em que o bebê está mais do que disposto a explorar tudo, mexer em tudo, destruir tudo. Pode começar antes, verdade, desde que vão aprendendo a se locomver sozinhos, mas com 1 ano digamos que eles já ganharam um pouco mais confiança. E, quando a gente vê, está falando “não” o dia inteiro. Não pode mexer no lixo! Não pode ir pra escada! Não pode sentar na mesa! Não pode colocar o dedo na tomada! Não pode comer farelo do chão! Entre tantos outros exemplos inspirados em casos reais.

Se você é como eu, que lê muita coisa pela internet afora, certamente sabe que falar “não” o tempo todo não só não adianta como faz com que o feitiço se volte contra você num futuro breve, porque uma vez que eles aprendem a falar o não, tudo é negado nesta vida, até o que estão querendo, hahaha. Existem muitos textos que falam para não usarmos essa palavra, para usar outras que tem melhores efeitos e etc e tal. A bem da verdade, eu até concordo, mas não segui muito, quando via já estava soltando alguns nãos pelo caminho, simplesmente acontecia. Mesmo que eu tentasse usar outras formas de falar, não me sentia muito eficiente em passar a mensagem, digamos assim.

E então chegou a consulta de 1 ano e fomos lá conhecer essa pediatra bem legal. Em determinado momento, Agnes desce do meu colo e começa explorar o ambiente, que é o jeito bacana de dizer que ela começou a mexer nas coisas tudo. Inclusive abriu uma porta de armário que tinha vários frascos de remédio bem ali, a dois dedinhos de distância. Eu, mais do que depressa, falei que não podia mexer. Fiz o não com o dedo, ela repetiu o gesto, riu e continuou. Foi aí que a médica disse que, nesta idade, o cérebro da criança ainda não processa a palavra falada da mesma forma que a gente, que somos muito mais eficazes quando mostramos com o nosso corpo o que pode e o que não pode. Até 3 anos, mais ou menos, eles entendem pelos gestos, pelo contato. A pequena seguiu abrindo o armário e ela me mostrou um outro jeito de lidar com a situação:

Ela, que estava atrás da pequena, se inclinou na direção da Agnes, colocou o braço na frente do seu corpinho e impediu que ela prosseguisse com o que estava fazendo. Ela não disse nada, nem foi rude, nada. Ela apenas colocou o seu braço a frente do seu corpinho (de um jeito mais “vertical”, do ombrinho pra cintura, e não só pela barriga. Deu pra visualizar?). Ela disse que esses limites físicos são muito importantes para a formação deles como indivíduos, por dois motivos. Primeiro para ela entender que existe uma ordem a ser seguida no ambiente, que ela precisa respeitar aquele espaço. E segundo, se fosse uma coisa que ela quisesse muito fazer, ela poderia tentar mais, descobrir outros jeitos, o que incentiva a perseverança e também a ultrapassar esses limites, quando é possível (isso, do ponto de vista de tudo que ela ainda passará na vida, é um aprendizado e tanto, né).

Cara, isso foi um divisor de águas na minha vida.
Ela fez umas duas vezes pra me mostrar e aí a Agnes ficou brava com aquele impedimento, óbvio. Abaixou no chão, chorou, deu uns gritos. A médica disse que era isso mesmo que aconteceria. Que eu poderia então me abaixar e acolher o choro dela. E é o que eu tenho feito desde então. E vou falar uma coisa pra vocês: é muito eficiente esse método. Claro que eles seguem testando os limites e fazendo coisas que não podem, até porque são muito bebês ainda, né, é o esperado para a idade e para o desenvolvimento deles enquanto pessoas mesmo, mas as famigeradas birras diminuem exponencialmente quando a gente age assim.

Sem contar que assim a gente age com mais presença também, realmente entra em contato com eles, e não apenas solta umas ordens no meio da ação esperando que eles nos entendam e parem imediatamente o que estão fazendo. Somos nós que estamos auxiliando o crescimento deles, e não eles que têm que fazer o que queremos nesses momentos-chave. Gosto de pensar nisso quando a coisa aperta por aqui, rs.

Bom, acho que é isso. Me contem se testarem e gostarem.
E por aí, como foi esse momento?

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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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Ainda sobre medo

Esses dias eu falei que a pequena está numa fase de sentir medo. Hoje eu voltei pra falar sobre este tema, mas dessa vez focado em nós, as mães.

Como mãe, qual é o seu maior medo?

Confesso que pensei um pouco quando dei de cara com esse tema, não é um assunto que eu pense muito, na verdade. Conheço pessoas que usam muito essa expressão, dita pra criança, no caso: “não faz isso que eu tenho medo”. Não sei se vocês já ouviram, mas pra mim não faz muito sentido. Não deixar a pessoa viver determinada experiência por um medo que não pertence a ela. Eu sei que o nosso instinto é o de proteger, e se sentimos medo é claro que queremos evitar – inclusive queremos que todas as pessoas evitem, de preferência, que dirá nossos filhos. Mas ainda assim não é uma abordagem que eu uso, não gosto, não concordo.

Mas voltando ao assunto.

Para começar com o mais “clichê”, eu tenho medo da minha filha ficar doente. Ou de eu ficar doente e não poder ficar perto dela. Céus, isso realmente me dá calafrios!

Estava aqui pensando que, muito provavelmente, os maiores medos a gente sente quando não é mãe. Medo do que a gente ainda não sabe, não faz ideia do que vai ser. Medo de não ter bebê na barriga antes do primeiro ultrassom. Medo de perder. Medo de alguma intercorrência. Medo do parto. Medo de não dar conta. Não que toda mulher sinta todos esses medos, mas sei que são frequentes nas rodas maternas.

Pra mim, no comecinho, assim que tive a Agnes, havia o medo de ficar sem ela. Eu deixava as pessoas segurarem ela no colo, mas eu mesma não descansava, estava sempre ali do lado, pronta para intervir ao menor sinal de incômodo dela (puerpério, amigas, ele não brinca em serviço!).

Mas acho que uma das coisas que mais me traz esse sentimento é o de eu fazer alguma coisa com ela que a machuque. No sentido psicológico, emocional mesmo, porque fisicamente é claro que eu jamais faria nada assim. Tenho medo que a nossa relação se perca em algum lugar do caminho, que não nos entendamos. Veja bem, não é medo dela ir pra longe, sabem? Eu sei que ela vai crescer, vai sair, vai dormir fora, vai viajar, morar sozinha, etc etc etc. O medo é de que a gente não se entenda. Pausa para respirar. Realmente parei aqui escrevendo, porque me dei conta que mesmo que eu não saiba como será o futuro, o agora tem sido muito generoso. Nós nos entendemos muito bem, na minha opinião. Talvez o meu medo fosse do desconhecido, mas agora que estou aqui vivendo e sendo a mãe dela todos os dias, percebo que as coisas não são tão dramáticas assim. Que bom, né.

Acho que o medo tem muito disso, do não saber. As coisas tendem a ser mais assustadoras quando são hipotéticas. Os medos referentes a gestação, parto e amamentação, por exemplo, eu mandei embora lindamente com informação, livros, blogs, grupos e tudo mais. Não sei se funcionou porque eu esclareci tudo que me incomodava, ou se não tive mais tempo de pensar em nada, de tanto que pesquisei, haha. O fato é que o melhor caminho para enfrentar medos que ainda estão no campo da teoria é ler, conversar com pessoas, se inteirar do assunto. Na vida real, o negócio é mesmo ir um dia de cada vez, porque nada é garantido. Ir lidando com o que for à medida que as coisas forem acontecendo, porque já acontece tanta coisa todo dia mesmo, né, sofrer por antecipação não é uma boa ideia para adicionar à lista de pendências. Respira, inspira e, se pirar, a gente vê como resolve a bagunça depois.

Aliás, é focando nesse pensamento e aura zen que eu estou tentando me apegar quando penso na possibilidade de ter outro bebê. Como darei conta? Como dar atenção pra Agnes? Quando dormir? O que é dormir? São muitas questões. Um dia de cada vez, eu sei. Ouvi dizer que tudo vai se resolvendo quando tiver de ser. Oremos.

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