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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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Ainda sobre medo

Esses dias eu falei que a pequena está numa fase de sentir medo. Hoje eu voltei pra falar sobre este tema, mas dessa vez focado em nós, as mães.

Como mãe, qual é o seu maior medo?

Confesso que pensei um pouco quando dei de cara com esse tema, não é um assunto que eu pense muito, na verdade. Conheço pessoas que usam muito essa expressão, dita pra criança, no caso: “não faz isso que eu tenho medo”. Não sei se vocês já ouviram, mas pra mim não faz muito sentido. Não deixar a pessoa viver determinada experiência por um medo que não pertence a ela. Eu sei que o nosso instinto é o de proteger, e se sentimos medo é claro que queremos evitar – inclusive queremos que todas as pessoas evitem, de preferência, que dirá nossos filhos. Mas ainda assim não é uma abordagem que eu uso, não gosto, não concordo.

Mas voltando ao assunto.

Para começar com o mais “clichê”, eu tenho medo da minha filha ficar doente. Ou de eu ficar doente e não poder ficar perto dela. Céus, isso realmente me dá calafrios!

Estava aqui pensando que, muito provavelmente, os maiores medos a gente sente quando não é mãe. Medo do que a gente ainda não sabe, não faz ideia do que vai ser. Medo de não ter bebê na barriga antes do primeiro ultrassom. Medo de perder. Medo de alguma intercorrência. Medo do parto. Medo de não dar conta. Não que toda mulher sinta todos esses medos, mas sei que são frequentes nas rodas maternas.

Pra mim, no comecinho, assim que tive a Agnes, havia o medo de ficar sem ela. Eu deixava as pessoas segurarem ela no colo, mas eu mesma não descansava, estava sempre ali do lado, pronta para intervir ao menor sinal de incômodo dela (puerpério, amigas, ele não brinca em serviço!).

Mas acho que uma das coisas que mais me traz esse sentimento é o de eu fazer alguma coisa com ela que a machuque. No sentido psicológico, emocional mesmo, porque fisicamente é claro que eu jamais faria nada assim. Tenho medo que a nossa relação se perca em algum lugar do caminho, que não nos entendamos. Veja bem, não é medo dela ir pra longe, sabem? Eu sei que ela vai crescer, vai sair, vai dormir fora, vai viajar, morar sozinha, etc etc etc. O medo é de que a gente não se entenda. Pausa para respirar. Realmente parei aqui escrevendo, porque me dei conta que mesmo que eu não saiba como será o futuro, o agora tem sido muito generoso. Nós nos entendemos muito bem, na minha opinião. Talvez o meu medo fosse do desconhecido, mas agora que estou aqui vivendo e sendo a mãe dela todos os dias, percebo que as coisas não são tão dramáticas assim. Que bom, né.

Acho que o medo tem muito disso, do não saber. As coisas tendem a ser mais assustadoras quando são hipotéticas. Os medos referentes a gestação, parto e amamentação, por exemplo, eu mandei embora lindamente com informação, livros, blogs, grupos e tudo mais. Não sei se funcionou porque eu esclareci tudo que me incomodava, ou se não tive mais tempo de pensar em nada, de tanto que pesquisei, haha. O fato é que o melhor caminho para enfrentar medos que ainda estão no campo da teoria é ler, conversar com pessoas, se inteirar do assunto. Na vida real, o negócio é mesmo ir um dia de cada vez, porque nada é garantido. Ir lidando com o que for à medida que as coisas forem acontecendo, porque já acontece tanta coisa todo dia mesmo, né, sofrer por antecipação não é uma boa ideia para adicionar à lista de pendências. Respira, inspira e, se pirar, a gente vê como resolve a bagunça depois.

Aliás, é focando nesse pensamento e aura zen que eu estou tentando me apegar quando penso na possibilidade de ter outro bebê. Como darei conta? Como dar atenção pra Agnes? Quando dormir? O que é dormir? São muitas questões. Um dia de cada vez, eu sei. Ouvi dizer que tudo vai se resolvendo quando tiver de ser. Oremos.

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Receita amiga: “risotinho” salva-vidas

Sabe aquele dia que você passa horas fora de casa, volta bem na hora da comida e não tem nada pronto? Eu sei bem como é, não é raro acontecer aqui, já que sempre saímos e também porque sempre preferimos comida fresquinha, não temos o hábito de congelar (mas nada contra, só não temos o hábito mesmo).

Mas quando se tem um bebê, não dá pra chegar 19:0o em casa e ainda colocar o feijão no fogo, né. E aí, como faz? Depois de pensarmos em algumas soluções, um dia marido fez o que apelidamos carinhosamente de “risotinho da Agnes” (mas não é um risoto, hahaha). Fica pronto em 5 minutos, sem brincadeira. E foi isso que vim fazer aqui hoje, compartilhar essa receita salva-vidas com vocês.

Essas quantidades são pequenas porque geralmente fazemos só pra Agnes mesmo, tipo um prato único.

Ingredientes:

  • Um punhado de arroz (meça na mão mesmo);
  • meia cenoura, 1 pedaço de chuchu, 2 ou 3 vagens, 1 folha de couve (pode ser qualquer legume e verdura que você tiver na geladeira, use umas 2 ou 3 opções, pelo menos);
  • Azeite;
  • Temperos de sua preferência (sal, orégano, coentro, cebola, alho, etc);
  • carne, se quiser (bife mesmo);
  • 300ml de água

 

Modo de preparo:

Corte os legumes em pedaços bem pequenos.
Na panela de pressão, refogue a cebola e o alho e já pode acrescentar os outros temperos. Coloque a carne, em pedacinhos, e em seguida já acrescente os legumes e o arroz. Mexa um pouquinho e acrescente a água. Tampe a panela e, quando pegar pressão, conte 3 minutos. Sim, três minutos e está pronto.

Sirva para a pequena pessoa com fome e veja seu filho comer tudo – incluindo coisas que não dá muita bola normalmente. Só vantagens, hehe.

Fim!

Não disse que era rápido? Fica um prato com alguma variedade, pronto em 5 minutos. Rapidinho dá pra cortar e separar tudo. Panela de pressão salvadora, adoro!

À propósito, apelidamos de risotinho porque a água seca, mas ainda fica molhadinho, sabe? Por isso não pode colocar muita, para não ficar como uma sopa (a não ser que você queira uma sopa, haha).

Por aqui é sucesso!
Se fizerem, me contem como foi?
Espero que gostem!

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O céu está mais limpo

A vida parece que está entrando nos eixos.

Desde que a gente se mudou para este apartamento, em dezembro de 2014, as coisas andam bem bagunçadas por aqui. Quer dizer. Parece que estávamos num momento total de transição, nos adaptando a sermos nós três, a sermos nós três sozinhos em casa, a ser casal de novo, a delimitar alguns espaços, a encontrar novas formas de trabalho e cumpri-las todos os dias. De onde eu olhava, só via uma montanha de bagunça, papeis e louça pra lavar.

Houve briga, houve lágrimas, houve medo. Se já é complicado se adaptar à vida de mãe, imagina somar a isso todo o combo que veio junto. (Só para ilustrar: marido saiu do trabalho para ser autônomo + bebê novo + puerpério + mudança de casa + lutos + falta de grana, sem contar as pendências do cotidiano). Foram tempos conturbados, preciso confessar. Mas, como tudo na vida, passou.

Entrei em 2016 com o sentimento que esse ano pegaria mais leve com a gente. E assim tem sido, até então. Não está tudo como uma brisa suave do campo. Temos agido muito, trabalhado bastante. Tem bastante movimento por aqui. Mas está bom. Eu estou sentindo a roda girar, sabe como? É por isso que não tenho do que reclamar. Se antes eu sentia que a  gente estava numa espécie de limbo, agora pegamos o ritmo novamente e estamos indo.

É tão bom ir!

Estou conseguindo escrever com mais frequência, estou aprendendo a fazer encadernação manual (me aguardem!), sendo mãe e, ainda por cima, vou voltar a estudar. Marido está trabalhando legal também. Estamos para mudar de apê de novo. Enfim, as coisas estão acontecendo, graças a Deus.

É difícil acreditar que tudo vai se acalmar quando estamos no meio da tempestade. A impressão que dá é a de que o céu nunca ficará limpo de novo, as nuvens seguirão pesadas por um longo longo tempo. Dei uma ou duas surtadas no meio do caminho. Mas aí eu aprendi a respirar. Comecei a colocar em prática aquela velha tática de ir vivendo um dia de cada vez. E de agradecer pelo que eu já tinha. Essa parte foi fundamental, na verdade. E aí, pouco a pouco, assim de um jeito meio tímido, as nuvens foram se dissipando e agora só chove de vez em quando aqui nas nossas cabeças. Já dá pra sair de casa e enfrentar a vida.

É o que temos feito nesse ano e eu tô feliz por isso.

E que este segundo semestre seja bom e seja alegre. Para todos nós.

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Assim caminha a maternidade

Dois anos é uma data bem importante dentro da “maternidade teórica”. Assim como os seis meses, eu acho. É tanta coisa que sabemos que é melhor evitar antes dos dois anos que olha, melhor pregar a lista na porta da geladeira para não esquecer.

Ou você pode fazer como eu. Usar esses indicativos todos apenas como uma espécie de referência e ir adaptando à sua realidade. Tentando não extrapolar demais, mas também tentando não surtar no meio da rotina nossa de cada dia. Porque a verdade é que a gente já tem muita coisa pra pensar e pra fazer, não é mesmo?

Então, esse é o momento em que eu exponho publicamente as duas maiores teorias que eu ignorei solenemente para o bom andamento desta casa.

Telas: acho que até 1 ano a Agnes não assistiu tevê. Quer dizer. Não que ela não soubesse o que era aquilo, nunca tivesse visto uma ligada ou coisa assim. Só não parava ali pra ver. A gente assistia série com ela na sala, brincando, então sim, ela foi exposta às telas desde muito pequena, mas foi só por volta de 1 ano que passou a se interessar por alguma coisa que estivesse acontecendo ali. Em algum momento depois disso, um dia, muito cansada, eu coloquei um desenho pra ela ver no netflix. Ela gostou – gosta até hoje, e o desenho é Sid, o Cientista. Assistimos juntas os 5 primeiros minutos depois ela dispersou. Não temos tv a cabo, mas de vez em quando ela assiste Cultura. Hoje ela já reconhece alguns desenhos, mas o tempo é bem limitado, até porque eu percebo que quando a tevê fica ligada demais ela se irrita com mais facilidade. Na tevê ela assiste: Thomas e seus amigos, Moranguinho e Patrulha Canina, na Cultura. Na casa dos meus pais, onde tem tv a cabo, ela assiste Masha e o Urso. No netflix tem Sid. O celular ela só pega pra brincar que tá ligando pra alguém, pra ver foto – e brincar de tirar selfie, rs. Sem desenhos, por enquanto. Joguinho ela não sabe o que é. E assim vamos.

Açúcar: ai, meu calcanhar de aquiles. Queria muito que ela não tivesse consumido açúcar nesses primeiros 24 meses, mas não deu. E o motivo principal é que ela consome as mesmas comidas e bebidas que a gente, na esmagadora maioria das vezes, então em algum momento eu acabei deixando e assim seguimos. Até 1 ano tentei evitar ao máximo, se ela consumiu foi realmente muito pouco. Mas agora os sucos já são adoçados (aqui fazemos com água, não puro) e os bolos caseiros também. Mas bala, pirulito, docinhos, bolacha recheada e refrigerante estão fora do hábito, amém! (teve um dia que ela comeu uma única bolacha, na verdade, que uma menininha deu pra ela num evento que estávamos, rs). Por conta da restrição ao leite fica mais fácil barrar algumas coisas e as pessoas respeitam. É mais complicado quando estamos em família com outras crianças, imagino que a partir de agora vai ainda mais difícil de controlar, porque ela tá pedindo tudo que estamos comendo. Suco de caixinha, por exemplo, só se estamos na casa de alguém e não tiver outra opção. Picolé também já liberei desde o verão, açaí então, nem se fala (ela ama!).

A verdade é que eu vou fazendo o que a minha realidade permite. Meio óbvio, eu sei, mas é sempre bom lembrar (para nós mesmas), para evitar qualquer tipo de comparação com a coleguinha ao lado. Se algum dia eu acordo incomodada com algumas atitudes que estou tendo no momento, tento buscar formas de melhorar o que dá, do jeito que dá. Se não é possível ainda, é abraçar a imperfeição e seguir assim mesmo. Melhor minha filha ter uma mãe possível e presente do que uma mãe sempre frustrada. Porque o que ela vê é o que está acontecendo, literal e inteiramente, e não o que está dentro da minha imaginação e dos meus sonhos. Ou de algum manual (que não existe e nunca existirá, aleluia).

E assim caminha a maternidade, com os passos que eu posso dar e que não me canse ainda mais as pernas ou a vontade.

E por aí, como foram os primeiros 2 anos?

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Fast food de viagem

Pronto, agora acho que encerro a fase monotemática de viagem, rs.

Como manter uma alimentação razoavelmente adequada numa viagem de carro com um bebê de 1 ano? Aqui fizemos assim.

Para a ida (São Paulo – Aracaju) estávamos bem abastecidos.

Preparamos em casa muitos sucos naturais, congelamos em garrafinhas e levamos numa bolsa térmica. Salvou completamente nossa vida, Agnes não consumiu nenhuma caixinha durante o trajeto, yeah!

Também fizemos bolo, que foi bem bom no começo, mas logicamente não durou muito.

Além disso, levamos frutas – banana, maçã, pêra, laranja.

E biscoito de polvilho e cookies também.

Em relação a comida, tivemos o cuidado de parar sempre um pouco antes do meio dia, que é quando a comida está fresquinha e os lugares mais vazios. Funcionou bem, apesar da pequena ter comido pouco nessas horas, já que ficava mais interessada em sair correndo para explorar o lugar e esticar as pernas, rs. E preciso dizer que tivemos boas surpresas nessa parte, cada comida boa que achamos, principalmente onde a gente percebia que era negócio familiar, sabem. Muito bom, hehe…

Na(s) volta(s) não tínhamos mais tanta coisa no carro, mas sempre dava certo de achar um biscoito sem leite na estrada, suco feito na hora, ou coisa parecida.

Ah, picolé estava liberado também, porque né, viagem de carro, nordeste, sol de lascar… algum alívio precisava ter, além do ar condicionado, hahaha.

Sinceramente, foi bem mais tranquilo do que eu imaginei. Nada como viver a experiência pra saber, né.

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O causo da polenta

Pode parecer um pouco estranho, mas acho que a Agnes comeu melhor durante os deslocamentos na viagem do que nos lugares que ficamos. É que ficamos em casa de parentes, outros horários, muita gente em volta. E essas coisas já são suficientes para mexer com o apetite dela. Ela comeu pouca comida nos 20 dias fora. E o que salva aqui em momentos como esse é a bendita da polenta.

Fubá, água, um tico de sal, orégano e um fio de azeite. Ou só fubá e água, em situações/lugares críticos. É muito fácil, muito prático e ela come feliz da vida (faz um tempo que não dou, na verdade, mas vamos focar que até agora deu certo, rs). Pois bem. Quando a coisa apertava lá em outras bandas, era pra polenta que eu corria. Porque não estava bancando ver a pequena gastar tanta energia sem comer direito. E não era hora de ficar pensando em valores nutricionais, variedade, se ela só ia querer comer isso for ever quando voltasse, etc. Nada disso. Eu só queria alimentar minha cria.

Já estava marcado desde antes da gente ir que depois do Natal iríamos, com uma turma de amigos do meu irmão, passar um dia (e uma noite) num lugar tipo camping que tem lá pertinho de Aracaju. A Lagoa dos Tambaquis é um lugar realmente lindo, tem uns chalezinhos simples para pernoitar, tem sombra e água fresca, tem um café da manhã delicioso e o lago em si é uma delícia, água cristalina, peixinhos, tudo de bom. Fizemos um churrasco, no almoço a pequena comeu arroz, salada e carne, de boas. A noite eu não quis dar a mesma coisa e, já sabendo disso de antemão, levei um pacotinho de fubá e uma mini panela da minha cunhada. Quando foi na hora da janta, tudo escuro, os faróis dos carro fazendo as vezes de iluminação onde tinha o fogo, num fogão totalmente improvisado, estávamos lá preparando a polenta salvadora de bebês esfomeados. Gente, foi TÃO legal! Totalmente a nossa cara, e cara dessa viagem, que teve tantos improvisos. Com certeza vamos lembrar da gente lá na beira do fogo queimando a panela por um bom tempo, haha.

Cheguei a ouvir, já em outros dias da viagem, que eu não alimentava minha filha direito, que isso estava errado, que não dava pra comer tanta polenta assim na vida. Só deu vontade de dizer: gente, seje menas!! Sabe, na vida – e principalmente na maternidade – temos que escolher nossas batalhas. Então eu oferecia comida para minha filha, sim, é óbvio que sim. Mas se eu percebia que o ambiente não estava propício para ela comer bem (porque bebês são seres inteiros, tudo ao redor influencia nos processos deles) (não adianta, ela não come com muita gente ao redor, olhando e comentando o que ela está fazendo), ou se não tinha algo na hora que ela queria, eu apelava pro que ela conhecia e aceita bem – como trazer algo do cotidiano dela pra um lugar onde já é tudo novo. E tudo bem. Viagem é pra gente relaxar, é pra sair da rotina, é pra sijogar no que aparecer. Ela teve tantas outras ~experiências gastronômicas~ nesses mesmos dias, tantas novidades. Deixa a menina comer o que quiser, eu hein! E deixa essa mãe aqui tentar ser leve, né.

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Momento instagram

O tempo fica curto por aqui, eu fico me sentindo mal (?) porque o blog fica abandonado, então vamos de repeteco do instagram porque o importante é fazer a roda-viva girar e deixar todo mundo feliz, né não? Venham comigo nas minhas últimas andanças por lá.

 

 Fast food

 retrato da artista quando jovem

 

 O que acontece quando a gente resolve seguir um sonho apesar de todas as “desculpas” que surgem para tentar atrasar as coisas? A verdade é que a muitas vezes a gente mesmo se sabota sem saber direito porque – e não raro nos sentimos numa bola de neve, enrolados em nossas próprias bagunças. Diante disso, escolhi seguir em frente mesmo sem saber, mesmo com receios e mesmo nas adversidades. O esquema é um passo de cada vez, todo dia. E ó, tem sido uma experiência muito bacana. Respondendo a pergunta do começo, acontece a felicidade e a descoberta de que, sim, podemos fazer qualquer coisa que quisermos. Basta ir. (E daqui 1 mês eu volto pra contar o que estou aprontando por aqui).

 “Filha, adoro o seu olhar. Desde sempre você olha fundo nos nossos olhos, sem medo, de um jeito muito forte. Já escutei isso em fila de banco, inclusive: “nossa, ela tem um olhar forte, né?”. É, você tem. E eu amo isso. Também gosto muito do fato de que, com você, tenho aprendido a olhar as coisas com mais leveza. Sabe, filha, tudo está em constante movimento no mundo e nossa casa não é diferente. Eu poderia vir aqui registrar a bagunça que está os nossos dias ultimamente e o quanto estamos buscando acertar os ponteiros. É a vida real acontecendo sem filtros. Mas também está acontecendo que eu parei um pouco de reclamar primeiro para fazer depois. Tenho gostado de pensar que essa bagunça faz parte do caminho, afinal. Nem todos os dias eu consigo me dedicar a você como antes, e mesmo assim nossos momentos tem sido gratificantes. É lindo ver o quanto você tem crescido. Estamos construindo nossa estrada com as nossas próprias mãos. Cansa pra caramba, mas tem sido bom demais. Obrigada pela companhia sempre. E pelo seu olhar, que constantemente melhora o meu. 

Com amor, mamãe”

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A viagem

“Demoramos 3 dias inteiros, 2 noites, 9 horas parados no trânsito no meio da estrada, paradas em postos pra correr e esticar as pernas, chuva, 1 hotel, 1 pousada que na verdade era o puxadinho da casa do dono, frutas, sucos, bolo, comida, bolacha, sol quente, farol alto nos olhos, mamá, livrinhos, música, lágrimas, apoio, cansaço, satisfação. Chegamos ontem a noite, capotamos e estamos aqui agora curtindo a família. Foi uma experiência e tanto, adorei. Mas por enquanto não estou pensando na volta. Primeiro vou curtir o mar.”

No segundo dia, depois do almoço num lugarzinho muito legal, com uma comida de fogão de lenha delícia! 

Foi assim que eu resumi, lá no instagram, o fim da primeira parte da nossa viagem.

Gente,  foi épico! Eu pensei muito antes de encarar essa viagem com a Agnes. Por causa da distância, por causa do tempo, por causa do calor e essas coisas todas que uma pessoa sensata colocaria na balança e ponderaria mil vezes antes de embarcar – se é que embarcaria. Resolvi apenas seguir a minha louca vontade de encarar essa aventura, me preparando mentalmente pros momentos difíceis e fomos. Fé em Deus e pé na tábua, como dizem. Logo na saída, antes de sair do estado, encontramos um baita trânsito que foi parando, parando… até parar de vez e desligarmos o carro. Uma carreta havia tombado e derramado óleo na pista, bloquearam tudo e o resto vocês podem imaginar. Em algum momento, com a pequena já se estressando, meu pai conseguiu avançar um pouquinho só pelo acostamento (não pode, sabemos) onde havia uma entrada pra cidade (Atibaia), achamos um posto e paramos por lá mesmo. Agnes amou descer e poder correr pra todo lado. Ficamos 5 horas parados, dormimos num hotel em Belo Horizonte (o plano inicial era almoçar lá, olha que beleza). No dia seguinte seguimos viagem tranquilos, resolvemos pegar uma estrada diferente, com uma paisagem linda. Nesse segundo dia ela estava mais calma, acho que entendeu a dinâmica da coisa. Paramos pra dormir já na Bahia, num lugarzinho bem simples, mas muito acolhedor. E pensamos, ok chegaremos em Aracaju hoje a tarde. Doce engano. Estrada cheia de caminhões, sem chance de andar muito nem fazer grandes ultrapassagens (sim, estrada não duplicada) e adivinhem o que encontramos mais adiante? Mais trânsito! Dessa vez parados na estrada mesmo, sem jeito de achar outro lugar. Ainda bem que depois de um tempo a Agnes dormiu. Resumindo, chegamos na casa do meu irmão 23:30 do terceiro dia de viagem. E aí foi só alegria! Nos divertimos muito, curtimos a praia, fomos num lago maravilhoso nadar com os peixes, conhecemos um monte de gente legal, Agnes brincou com a prima, foi perdendo o receio de cachorro (que ela só gostava de ver de longe, quando chegava perto queria fugir, rs). No dia 27 pegamos estrada de novo. Paramos rapidinho em Salvador, só mesmo pra almoçar e molhar os pés naquele mar lindo-maravilhoso. E pensar que quando fui lá pela primeira vez a Agnes já existia. Temos um carinho muito especial por essa cidade. Enfim, dormimos na estrada de novo, como era de se esperar. E conseguimos chegar em Minas, na casa da minha avó, no horário mais ou menos esperado, graças a Deus não tivemos mais intercorrências. Nessa parte teve picolé, biscoito de polvilho, brincadeiras algum choro também, porque não dá pra ser tudo perfeito.

Em Minas ficamos curtindo a família. Agnes amou tomar banho de mangueira, ficar sem fralda, ter muito espaço livre pra andar e explorar. Eu já disse que quero um quintal pra chamar de meu? Agora quero ainda mais! Mas com o passar dos dias fui notando que a pequena parecia estar meio nervosa. Não sei se por ter muita gente, se por estar longe de casa há tantos dias, falta da nossa tranquilidade de noite em casa. O sono não foi o mesmo e tinha dias que ela acordava antes das 6, chamando o pai (que estava ao lado, dormimos juntos lá também) e despertando de vez. Mamou muito, comeu pouco. Fomos pra roça e ela se distraiu mais com os bichos, o espaço e até plantamos milho no quintal. Foi muito legal! Ah, e tivemos joelhos ralados também, que faz parte das férias, né, rs.

Voltamos essa semana. Nem eu sabia direito, mas num é que eu estava com saudade de casa? Agnes voltou rápido pra “rotina antiga”. Comeu melhor, dormiu bem, brincou com os brinquedos que aqui ficaram. Ficamos o dia seguinte todinho em casa, só matando a saudade do nosso canto. Enfim. Estamos de volta. E seguindo a ideia de roubar as legendas do inta pra resumir um pouquinho aqui, hoje eu postei:

“Já voltamos das férias e posso dizer que foi uma experiência incrível. Amo viajar de carro e levar a pequena nessa aventura foi demais! Foram quase 6 mil quilômetros em 20 dias e já to aqui querendo mais. Curtimos muito e aprendemos outro tanto enorme de coisas – sobre nós, sobre os nossos limites, sobre lugares e pessoas. Foram 20 dias livres, com muita brincadeira e novos horizontes. Mas confesso que chegar em casa também foi muito bom – vai entender a minha cabeça, que ama viajar mas também adora voltar pra casa. Agora estou aqui, cheia de caraminholas, pensando no que faço com o tanto de ideias que vieram junto na bagagem. Que venham os próximos capítulos.”

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Agnes e a comida

Uma das coisas que mais mexe com uma mãe é a introdução alimentar. São muitas dúvidas, muitas questões, muitos pormenores. Quando começar? O que oferecer primeiro, fruta ou comida? Papinha ou blw? Em que panela cozinhar? Que utensílios são os melhores? Sim, migas, eu disse que eram muitas questões. Tantas que a gente fica doidinha, sem saber pra onde fugir por onde começar.

Quando começamos a introdução alimentar da pequena Agnes, eu fiquei meio perdida também. Ela fez 6 meses e nem um copo eu tinha providenciado ainda. Fato é que eu não sou de seguir muitas regras, por isso não quis ler muita coisa. O único texto que li foi esse aqui, da Faiolla Duarte, que faz um trabalho bem legal sobre alimentação e tudo mais: Introdução de alimentos sólidos passo-a-passo. Li quando a Agnes tinha 5 meses. E lá está escrito que alguns bebês demonstram interesse antes na comida, que é legal deixá-los livres para explorar e ter acesso à refeição da família. Tudo muito legal, fez muito sentido pra mim. Só que a minha pequena já demonstrava interesse, ou pelo menos curiosidade pelo que comíamos e eu ainda não havia liberado nada. Matutei um pouco e, uns dias depois, comendo melão, deixei que ela colocasse na boca. Ela lambeu e ficou por isso mesmo. Pra mim era importante a coisa oficial dos 6 meses, então dei uma segurada. Mas foi tranquilo esse primeiro contato. E resolvi deixar porque pensei justamente na relação que ela começaria, já ali, a desenvolver com a comida. Como assim ela demonstra interesse pelo que estamos comendo e eu não deixo ela comer, mas depois vou implorar por “só mais uma colherada”? Não faz sentido, né. E realmente ela só lambeu e se deu por satisfeita, só queria conhecer o que tanto a gente pegava ali naquela noite.

Fato é que o começo da comilança por aqui foi lento. Muito lento. Durante duas semanas foram só frutinhas. Tinha dia que eu dava inteiro na mão dela, tinha dia que eu amassava com o garfo e oferecia. Ela colocava tudo pra fora. O reflexo que não deixa engasgar funcionou tão bem que ela não engolia nada, hahaha. Muito aos poucos ela foi entendendo o que era pra fazer com aquilo. Fui deixando a coisa rolar meio solta – na verdade, eu estava aprendendo junto com ela, não sabia direito como proceder. Com a comida foi mais difícil. Ela recusava veementemente toda e qualquer papa que eu oferecesse. Mesmo que fosse só amassado, nunca bati nada, mas ela não gostava. Pedaço inteiro ela jogava longe. Frustrante, mas era o que tinha pra época. Um dia, cansada de fazer coisa que ela não aceitava, botei arroz e feijão no prato, o mesmo que a gente come todo dia, coloquei ela no meu colo e dei. Ela abriu a boca, comeu e não cuspiu. Adorou o arroz, até mastigava, rs. Foi a primeira vez que deu certo, ela já tinha quase 8 meses. A partir de então eu assumi meu completo fracasso em preparar coisas específicas para bebê e me joguei na vida prática de quem oferece a mesma comida da casa desde sempre. Sim, mesmo tempero e mesma consistência, e ela nunca engasgou.

Daí em diante fomos progredindo cada dia um pouco mais. Logo veio mais dente, daí já parou de comer de novo. Certo dia resolvi fazer polenta, ela devorou. É a unica coisa “mole” que ela come, vai entender. É a comida oficial da época chata do nascimento dos dentinhos, inclusive.

Lá pruns 9 meses ela comia sempre com as mãozinhas, fazia a maior lambança. Mas depois passou a aceitar que eu oferecesse e seguimos assim ainda hoje. Tem coisa que ela quer pegar, tipo carne, e tem acesso irrestrito, outras eu ofereço e assim vamos. Mas tudo na consistência normal, o prato dela é igualzinho ao nosso. E quantidade ela come pouco, já entendi isso. Minha passarinha, como costumo dizer. Mas, por algum motivo desconhecido, sempre coloco muito no prato, tipo pra uma criança de 3 anos, hahaha. Fruta ela come melhor com as mãozinhas, vezes dou inteira, vezes corto em pedacinhos.

Até 1 ano eu procurei não oferecer nada processado/empacotado pra ela. Era comida e nos lanches sempre fruta. Um dia ela alcançou meu pacote de biscoito de arroz e comeu um inteiro, devia ter uns 9 meses, por ai. Umas amigas me lembraram que é super natureba, então passei a oferecer de vez em quando. E pão francês liberei antes de 1 ano também, ela curte mais a parte com casca, não só do miolo, e come um pedaço muito pequeno. Pão de forma industrializado só experimentou uma vez, que meu sogro deu e eu não quis interferir (por milagre, rs), mas ela deu uma mordida e jogou fora.

Aliás, em relação aos outros, até que não tenho sofrido tanto. Aprendi a dizer não e me manter calma, até sorrindo, quando perguntam se podem oferecer bala/gelatina/chocolate/fritura/salgadinho/bolacha pra ela e assim vamos. O fato de me perguntarem ajuda muito, me sinto respeitada e isso é ótimo. Acho que se chegassem já dando na boca dela ia ser bem diferente, hehe.

Eu já tinha escrito dois posts sobre comidas por aqui, um sobre a introdução alimentar e outro sobre os meus mantras quando o assunto é alimentação. Escrevi este hoje porque uma amiga pediu, pois está às voltas com esse assunto. Força aí, Rany, que tudo se ajeita. Sempre se ajeita.

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