O meu tipo de mãe

Esses dias vi algumas queridas escrevendo sobre o “tipo” de mães que elas eram e achei bem legal. Porque, né, é sempre bom recordar que não existe modelo perfeito, o ideal morre pra nascer a realidade e nem sempre a realidade é o que ouvimos ou vemos ou acreditamos ser até o dia que chega a nossa vez. Então, para me lembrar disso e incrementar essa corrente divertida, também vou brincar, vamos lá.

Eu sou a mãe que não tem rotina definida com a filha.
Que liberou a tevê sem culpa depois dos dois anos (porque antes era com um pouquinho de culpa, na verdade, rs), mas alguns desenhos seguem sem o conhecimento da pequena. Que assiste série com o marido enquanto ela brinca pela sala.
Eu sou a mãe que quer um quintal e mora num apartamento de 35 m². Que tem que sair pra respirar, porque ficar o dia inteiro aqui dentro enlouquece.
Eu sou a mãe que ainda não colocou a filha na escola, mas que também não faz mil e uma atividades lúdico-pedagógicas-sustentáveis. E tampouco sigo disponível para brincadeiras o dia inteiro, porque de vez em quando a prioridade sou eu. E que bom que existem os avós pra dividir a atenção e salvar o fim do dia.
Eu sou a mãe que leva a pequena pra brincar lá fora num pedacinho de grama e terra e aproveita pra ficar descalça também, porque é o jeito que eu me sinto bem e mais presente. Que deixa a filha pintar com guache no corpo (seu e dela), que larga tudo pra dar colo quando a coisa aperta e que tenta se lembrar de respirar fundo pra não gritar. Mas que já gritou também.
Eu sou a mãe que levou a filha de 2 anos numa pré-estreia de cinema, numa sessão que começava meia noite, porque sabia que seria melhor ficarmos juntos (pai, mãe e bebê). E foi incrível porque ela correu todo o tempo em que estávamos lá fora e dormiu assim que o filme começou. Porque eu sou a mãe que tenta conciliar as demandas da pequena com as próprias vontades. Tem sido assim e a gente até que tem encontrado algum equilíbrio e leveza pelo caminho.
Eu sou a mãe que de vez em quando cisma que tá fazendo tudo errado e tem vontade de mudar de casa, de cidade, de estado. Que chora quando ela dorme pensando que podia ter sido melhor. E que no dia seguinte se entrega um pouquinho mais, e assim descobre que a balança é muito difícil de se manter equilibrada, puta merda.
Eu sou a mãe que leu todas as teorias antes de engravidar e que guardou a maioria delas na gaveta depois que pariu, porque foi percebendo que a coisa mais eficaz é investir na relação, e isso a gente faz no cotidiano e os livros não dão conta da complexidade e imensidão que é uma vida com uma pessoinha ao lado. (e quem disse isso é a mãe que está se descobrindo escritora e tá aqui praticamente falando mal dos livros, vão vendo a loucura dessa mãe).

E tanto mais. Céus. Eu sou a mãe que descobriu que tem muitos interesses e paixões, para além do mundo infantil, que sempre fez (e faz) tanto sentido pra mim. E que ainda não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, como encaixar tudo dentro de uma mesma vida. Mas que segue tentando. Ressignificando. Cuidando de quem é. Porque é disso que a travessia é feita. Pelo menos é o que ela acha.

E você, como se vê na maternidade?

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Aos 2 anos e 3 meses

Aos 2 anos e 3 meses, a criança está em pleno processo de transformação e crescimento. A busca por autonomia e pelo próprio espaço é constante e ininterrupta. O que fica bonito escrito assim, mas na prática significa que:

ela chora muito;
quer comer sozinha;
quer escolher as roupas que vão ser usadas no dia – as dela e as suas também;
quer colocar a roupa sozinha – inclusive e principalmente aquelas que ela ainda não consegue;
colocar o tênis sozinha;
calçar a meia sozinha;
chorar porque não consegue calçar a meia;
deitar no chão porque está chorando;
mudar de assunto imediatamente depois que você tenta argumentar e oferecer ajuda.
ela imita tudo que você faz;
repete conversas que você achava que ela não tinha ouvido;
canta, dança e interpreta.
e chora.
não podemos esquecer do choro.
que pode começar por qualquer motivo que você possa imaginar – e seguir pelos que você jamais pensaria.

É meio enlouquecedor, sabe. Ao mesmo tempo que achamos lindo todo esse desenvolvimento, também acontece de rolar umas surtadas de vez em quando.
A gente vai a extremos de amor e de loucura. No mesmo dia.
Até poque ela também abraça quando percebe que estou triste ou nervosa;
dá um bom dia muito fofo e de bem com a vida;
diz que vai meditar;
se alonga junto quando me vê fazendo isso.

Além de várias outros momentos.Para ilustrar, uma cena de dias atrás:

No café da manhã:
-Mamãe, eu téo (quero) tomer (comer) manteiga. Pode?
-Não, filha. Só na bolacha ou no pão.
-Eu vou comer no tarto (quarto).

Isso porque dias atrás eu apenas ouvi a porta do quarto fechando e, quando fui ver, a senhorita (de quinze anos, aparentemente) estava com o pote de manteiga lá, comendo de boas (ainda bem que foi muito pouco).

E esse é o breve resumo da nossa atual fase.

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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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Para Cuidar de Mim

Queria contar que tô com um projetinho novo lá no instagram: o Para Cuidar de Mim.

Há tempos venho querendo fazer algo do tipo, mas nunca sabia muito bem por onde começar, pra onde ir. Depois de muito pensar, percebi que o negócio era falar sobre aquela coisa que a gente nem sempre faz com a frequência que gostaria: cuidar da gente mesmo.
Eu gosto de cuidar de mim. Gosto de me dar esse tempo, de me dar esse olhar, essa oportunidade.

Não falo de um coisa só. Falo do que anda fazendo sentido na minha caminhada. Dos meus processos de autoconhecimento, de respirar, de estar presente, de conviver bem com quem somos – e de um chocolatinho de vez em quando também, porque sim.

Vou deixar aqui o textinho que escrevi de apresentação e o convite para você vir conhecer e me fazer companhia, se quiser.

“Toda vez que eu vejo alguém dizer que está sem tempo pra nada, com a cabeça cheia, atolado em trabalho, tenho vontade de marcar uma horinha em sua agenda, só pra ela conseguir relaxar um pouco. Sim, eu sou essa pessoa que quer que ou outros descansem, que parem um pouquinho o ritmo frenético e olhem um pouco para si mesmos. Sabe assim, uma tarde tranquila, conversa fiada, ficar sentado na sorveteria vendo a vida lá fora? Gosto dessa ideia. Gosto de poder parar o tempo um pouquinho, tomar suas rédeas pra mim, pelo menos por duas horas numa semana bem corrida. Só não sigo em frente marcando o tal horário, porque aí seria mais uma coisa que ela teria que fazer, e não algo próprio, de dentro pra fora É tão importante a gente cuidar de quem somos. É tão importante ser gentil com o que sentimos, respeitar nosso corpo, nossos sentimentos. Inclusive, acho que é só assim que a gente consegue ser melhor pro mundo também. E o mundo anda precisando demais de calma, de respiro, de carinho, né? O Para Cuidar de Mim nasceu da minha vontade de espalhar a ideia do cuidado próprio por aí. Vou falar muito dos meus processos, das minhas memórias e dos caminhos que tenho andado, porque acredito que falando de como é aqui pode ser o começo de um diálogo entre a gente. O Para Cuidar de Mim é um projeto, em primeiro lugar, de autoajuda: as coisas que eu faço para me ajudar a estar bem na minha pele. Vai ter palavras-pensamentos e palavras-ações. Reflexões e também práticas cotidianas. Não é pra ter seguidores, só para ter companhia mesmo.”

Você pode acessar a página clicando aqui.

Ah, o Travessia segue normalmente. Sei que as postagens andam escassas, mas esse espaço ainda é o meu potinho de boas recordações e reflexões maternas. Estou sempre aqui, mesmo quando parece que não. Se precisarem de qualquer coisa ou só dar um oi, me escrevam: marina.matos03@gmail.com.

Vamos juntas?

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Da calma para as curvas inesperadas

Teve uns dias aí pra trás que a Agnes não queria comer fruta no café da manhã. Fazemos essa refeição juntos, nós três, e ela queria comer pão com manteiga ou requeijão, tal qual estávamos fazendo. Agora que ela não reage mais ao leite de vaca, tenho liberado algumas coisas, como um pouquinho de requeijão. Ela adora! Enfim. Ela queria isso e era isso que ela comia. Ignorava solenemente o mamão, a banana, a ameixa ou o que quer que estivesse na mesa, só tinha olhos pro pão com requeijão.

Nessas horas, meus pensamentos voam longe. “Lógico que ela não quer fruta, os pais dela não estão comendo fruta no café da manhã! Preciso mudar minha alimentação também. Céus, ela comia tão bem de manhã, nunca mais vai querer fruta, pão não é assim tão nutritivo, sou um péssimo exemplo…” e assim seguia por tempo indeterminado. Eu realmente acredito que a minha cabeça tem uma vida própria, à parte dos afazeres do dia, só assim pra explicar esses surtos de vozes sem fim, hahaha.

Não briguei com ela, nem disse nada sobre esse comportamento. Fiz o que costumamos fazer nessas horas, em relação à alimentação: deixei que ela seguisse tendo (alguma) autonomia, mas segui oferecendo frutas todos os dias no café da manhã. Mesmo já tendo certeza que ela iria querer o bendito pão todos os dias daqui até 98 anos de idade.

E então, uns dias depois, eu ainda estava colocando a mesa e perguntei a ela: Filha, o que você quer comer? Já esperando a tal resposta. E ela disse: Mamão. Eu téo (quero) mamão, mãe. Fui pra cozinha quase descrente, mas segui firme no pedido. Cortei o mamão, coloquei no pratinho e dei a ela. Ela sentou em sua cadeira e apenas comeu todos os pedacinhos, sem nem lembrar de pão (naquele dia, rs).

E aí eu penso. Por que a gente sofre tanto, né? Como se tudo fosse assim tão definitivo, tão certo. Por que não confiar e seguir vivendo um dia de cada vez? A gente acha que nunca mais vai dormir, que eles nunca vão comer, que vão comer tudo errado. É tanta coisa que a gente pensa e já vai tendo certeza, sem se dar conta de que eles, esses pequenos danadinhos, estão experimentando o mundo, não querem saber nada de futuro ou de certezas absolutas. Só querem experimentar e viver. É claro que precisamos seguir no caminho que escolhemos e que achamos melhor, mais saudável e possível para nós e nossa família, mas quando surgir uma curva inesperada, dias difíceis e fora do que consideramos ideal, não é preciso sair correndo desesperada em busca de solução. Não assim no primeiro segundo, pelo menos.

Tenho visto, na prática, que é muito mais proveitoso esperar um bocadinho, não sair falando aquelas “profecias auto-realizadoras” (meu filho não come! ela é terrível! fulana odeia dormir!) e apenas observar o que realmente nossos pequenos estão fazendo. Principalmente porque eles mudam muito, o tempo todo. Não dá mesmo pra ser muito definitivo nessa fase da vida. Além do mais, pode ser que sejam só uns dias fora da rotina. As vezes a gente precisa mesmo variar, não é?

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Carta do dia: se cuida!

Filha,

hoje eu levantei mais cedo para escrever. Nesta altura da sua vida, enquanto me lê, você já sabe, com certeza, que escrever é algo que me faz muito bem, para dizer o mínimo.
Acordei cedo, porque de manhã é quando me sinto melhor para fazer isso, e porque seria um tempo em silêncio, já que você e seu pai seguem dormindo ali no quarto. Muitas vezes eu preciso ficar sozinha e curtir o silêncio, filha. Isso não tem nada a ver com você, seu pai, as pessoas, o ambiente. É algo meu mesmo. Algo necessário para colocar os pensamentos no lugar e seguir calma pela loucura do dia. Ou pelo menos tentar. Faz dias que não consigo isso, levantamos sempre todos juntos e você tem ido dormir tarde, nos acompanhando até não aguentar mais. Não tem sobrado muito tempo pra mim, e antes que eu começasse a reclamar disso e fazer dos outros um problema, decidi levantar mais cedo e resolver de vez a questão. Fiquei com medo que você acordasse em seguida, como acontece de vez em quando, mas já se passaram quase 2 horas e vocês ainda estão dormindo. Estou feliz. É muito bom quando a gente faz algo que nos faça bem, apesar do medo. E dá certo. E a gente percebe que o simples continua sendo resposta para as questões que nos afligem. Hoje eu cuidei de mim e queria te falar sobre isso, por isso escrevi.

É muito importante cuidar de si mesma, filha. Não esquece disso, tá?

Pode ser correndo todo dia por quantos quilômetros você quiser. Pode ser dançando. Pode ser saindo com amigos. Indo ao cinema sozinha numa segunda-feira. Viajando. Andando na rua prestando atenção aos detalhes. Parando prum café num dia corrido. Conversando com quem te acalma. Ouvindo música. Indo a shows. Pode até ser levantando mais cedo para curtir o silêncio da casa. 

É sempre possível, mesmo quado parece que não. Principalmente quando parece que não, pare um pouquinho e veja que você precisa ser cuidada também. E que dá certo, sim, não interessa o que todos estão dizendo ao seu redor. Não se deixe de lado, meu amor. Estarei aqui para te lembrar e fazer companhia quando quiser. 

 

com amor,
mamãe.

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O que eu aprendi ao não postar todos os dias em agosto

Eu queria ter conseguido postar aqui no blog todos os dias durante o mês de agosto. Queria fazer parte dessa brincadeira (BEDA), porque gosto muito de acompanhar também. Mas a verdade é que não rolou do jeito que eu pensei que fosse rolar.

E eu nem vou culpar a maternidade ou a falta de tempo. Tem tudo isso e mais, claro, mas não foi isso que percebi nesses dias que fiquei sem postar. O que eu percebi, ou melhor, confirmei, foi que a palavra escrita pra mim tem muita força. Eu escrevo para além de um passatempo, sabe? É uma espécie de caminho que eu escolhi trilhar. Então, mesmo tendo assuntos e sugestões e ideias (que eu tenho aqui anotado e ainda virarão texto, podem esperar), algumas vezes faltava uma espécie de vontade mesmo. Vontade para desenvolver aquele assunto, para falar da minha experiência, para falar com as pessoas sobre aquela coisa. E então eu não aparecia. Não quis preencher as lacunas com assuntos que não me interessavam no dia, ou que estivessem aqui só para dizer que postei. Eu quis ser leal ao que estava sentindo, entender mais, saber o que aquilo dizia a meu respeito.

Quer dizer, existe uma verdade no meio criativo/literário/algo do gênero, que diz que a gente não pode ficar esperando a inspiração chegar, que o hábito é o que realmente importa. Precisamos trabalhar todo dia, faça chuva ou faça sol, e é só então que a coisa flui com vontade e as coisas acontecem. Eu sei. Inclusive já comprovei isso outras vezes (muitas vezes). Mas, como eu disse ali em cima, a minha relação com a escrita é além de um trabalho. Por mais que exista o exercício e tudo mais, também existe um outro lado, o lado mais abstrato, que não obedece muitas regras. Que precisa transgredir algumas verdades para continuar respirando com tranquilidade. E tudo bem. Eu aprendi a aceitar essa dualidade, estou aprendendo.

Eu quero vir aqui compartilhar minhas histórias e ideias quando eu realmente tiver algo pra contar, e não para preencher um espaço com mais do mesmo. Precisa me fazer bem. Precisa fazer sentido do lugar de onde eu olho.

A vida acontece em várias frentes ao mesmo tempo e eu tenho tentado atender a tudo que consigo, mas um de cada vez. Tentando praticar mais o mindfulness e estar presente na vida. No fim das contas, meu computador queimou o HD, perdi absolutamente todas as minhas fotos, arquivos, programas e etc. Entendi que era preciso dar uma pausa mesmo. Que existiam outras prioridades. Hoje estou aqui escrevendo nele de novo, já reformado (e zerado), e é isso. Um passo de cada vez, vamos lá.

Estaremos juntas no caminho e eu prometo aparecer sempre. Sempre que tiver alguma coisa bem legal pra contar, pode deixar.

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Mãe e estudante

Então que, aos 27, quando ninguém mais achava que isso fosse acontecer nesta vida, eu voltei a estudar (quando contei pros meus pais, por exemplo, eles demoraram para processar a informação, hahah). Acabei de voltar, na verdade, comecei agora no segundo semestre.

Não sei direito como se deu, só sei que em algum momento eu me vi pesquisando uma faculdade, um curso, uma grade curricular, uma data de prova e, fim, estava a dois passos de começar essa etapa da vida de novo. Comecei a fazer Letras, na modalidade EaD, ou seja, a distância.

Escolhi que fosse desse jeito por dois motivos. Primeiro, porque eu preciso de flexibilidade de tempo e de horários, ainda é inviável pra mim, com a pequena aos 2, me ausentar todos os dias, mesmo que seja meio período. Pela web eu consigo ler os livros durante algum intervalo do dia e estudo geralmente de noite ou de manhã, momentos em que está com o pai. Eu me tranco no quarto e só saio depois de 1 ou 2 horas. Pouco se fosse em sala de aula, mas tem sido suficiente, por enquanto.
E o outro motivo é que eu realmente não sei lidar com salas de aulas, vide as duas outras faculdades que eu já tranquei. É um assinto longo e exaustivo, deixemos para uma outra oportunidade, mas basta dizer que é uma coisa que acontece e ainda bem que encontrei uma forma de driblar isso.

Sei que estou só começando, ainda tenho alguns bons semestres pela frente, mas estou  realmente animada e acho que vai ser muito bom. Me desejem sorte!

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Seja você o limite do seu filho

Uma coisa que eu aprendi quando a Agnes tinha 1 ano, numa consulta de rotina com uma pediatra que, infelizmente, só vimos essa única vez, mas que me ajudou muito. Não sei se já falei disso aqui, mas acho que sempre vale o reforço, né.

Por volta de 1 ano começa aquela fase em que o bebê está mais do que disposto a explorar tudo, mexer em tudo, destruir tudo. Pode começar antes, verdade, desde que vão aprendendo a se locomver sozinhos, mas com 1 ano digamos que eles já ganharam um pouco mais confiança. E, quando a gente vê, está falando “não” o dia inteiro. Não pode mexer no lixo! Não pode ir pra escada! Não pode sentar na mesa! Não pode colocar o dedo na tomada! Não pode comer farelo do chão! Entre tantos outros exemplos inspirados em casos reais.

Se você é como eu, que lê muita coisa pela internet afora, certamente sabe que falar “não” o tempo todo não só não adianta como faz com que o feitiço se volte contra você num futuro breve, porque uma vez que eles aprendem a falar o não, tudo é negado nesta vida, até o que estão querendo, hahaha. Existem muitos textos que falam para não usarmos essa palavra, para usar outras que tem melhores efeitos e etc e tal. A bem da verdade, eu até concordo, mas não segui muito, quando via já estava soltando alguns nãos pelo caminho, simplesmente acontecia. Mesmo que eu tentasse usar outras formas de falar, não me sentia muito eficiente em passar a mensagem, digamos assim.

E então chegou a consulta de 1 ano e fomos lá conhecer essa pediatra bem legal. Em determinado momento, Agnes desce do meu colo e começa explorar o ambiente, que é o jeito bacana de dizer que ela começou a mexer nas coisas tudo. Inclusive abriu uma porta de armário que tinha vários frascos de remédio bem ali, a dois dedinhos de distância. Eu, mais do que depressa, falei que não podia mexer. Fiz o não com o dedo, ela repetiu o gesto, riu e continuou. Foi aí que a médica disse que, nesta idade, o cérebro da criança ainda não processa a palavra falada da mesma forma que a gente, que somos muito mais eficazes quando mostramos com o nosso corpo o que pode e o que não pode. Até 3 anos, mais ou menos, eles entendem pelos gestos, pelo contato. A pequena seguiu abrindo o armário e ela me mostrou um outro jeito de lidar com a situação:

Ela, que estava atrás da pequena, se inclinou na direção da Agnes, colocou o braço na frente do seu corpinho e impediu que ela prosseguisse com o que estava fazendo. Ela não disse nada, nem foi rude, nada. Ela apenas colocou o seu braço a frente do seu corpinho (de um jeito mais “vertical”, do ombrinho pra cintura, e não só pela barriga. Deu pra visualizar?). Ela disse que esses limites físicos são muito importantes para a formação deles como indivíduos, por dois motivos. Primeiro para ela entender que existe uma ordem a ser seguida no ambiente, que ela precisa respeitar aquele espaço. E segundo, se fosse uma coisa que ela quisesse muito fazer, ela poderia tentar mais, descobrir outros jeitos, o que incentiva a perseverança e também a ultrapassar esses limites, quando é possível (isso, do ponto de vista de tudo que ela ainda passará na vida, é um aprendizado e tanto, né).

Cara, isso foi um divisor de águas na minha vida.
Ela fez umas duas vezes pra me mostrar e aí a Agnes ficou brava com aquele impedimento, óbvio. Abaixou no chão, chorou, deu uns gritos. A médica disse que era isso mesmo que aconteceria. Que eu poderia então me abaixar e acolher o choro dela. E é o que eu tenho feito desde então. E vou falar uma coisa pra vocês: é muito eficiente esse método. Claro que eles seguem testando os limites e fazendo coisas que não podem, até porque são muito bebês ainda, né, é o esperado para a idade e para o desenvolvimento deles enquanto pessoas mesmo, mas as famigeradas birras diminuem exponencialmente quando a gente age assim.

Sem contar que assim a gente age com mais presença também, realmente entra em contato com eles, e não apenas solta umas ordens no meio da ação esperando que eles nos entendam e parem imediatamente o que estão fazendo. Somos nós que estamos auxiliando o crescimento deles, e não eles que têm que fazer o que queremos nesses momentos-chave. Gosto de pensar nisso quando a coisa aperta por aqui, rs.

Bom, acho que é isso. Me contem se testarem e gostarem.
E por aí, como foi esse momento?

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