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Rumo aos 2 anos e a entrega nossa de cada dia

Daqui a duas semanas, meu pequeno lírio completará 2 anos.

Abre parênteses. Incrível como a gente gasta tanto tempo pensando em que nome dar a um filho e, depois, com a pessoa já registrada e tudo, vem uma avalanche de apelidos, né? Isso porque, entre outros motivos, escolhemos Agnes exatamente porque não dava margem para muitas mudanças. Mas aí a gente foi inventando. Lírio. Pequeno lírio. Lili (???), pequena moça, amor da mamãe, fofolete e assim vai. Humanos, tão esquisitos… Fecha parênteses.

E como faz tempo que não falo dela por aqui, resolvi vir aqui hoje pra isso.

Contar que ela está uma lindeza sem tamanho. Falando absolutamente tudo, repetindo tudo, formando frases e criando seu próprio jeitinho de falar. Gente, sério. Que coisa MARAVILHOSA que é ver uma pessoa se formando, né? As carinhas que ela faz, o jeitinho que ela anda, a forma como brinca e interage (ou não) com as outras pessoas. Tudo que é tão novo e, ao mesmo tempo, tão dela. Eu me encanto, sim, me encanto muito, inclusive.

Não que tudo seja fácil e indolor. Óbvio que existe choro, que existem gritos, cansaço, testes de limites e muito jogo de cintura. Para nós duas, aliás. Está no pacote de crescimento e não tem como não vivê-lo. Mas mesmo assim, não tem um só dia em que eu não a olhe dormindo a noite e não pense que tudo está em seu lugar de novo. Que vale a pena abraçar totalmente o caos quando o caminho é tão cheio de belezas e boas surpresas também. É essa mistura de acontecimentos que vai moldando quem a gente é.

E que é bonito que é poder ser, né?
Assim, total mesmo.

Não tem forma melhor (na minha humilde opinião) de contemplar o que é pleno do que observar uma criança vivendo. Elas tem os dois pés fincados com muita certeza no presente, ao mesmo tempo em que se permitem. O que bem quiserem. Elas vão. Elas são. Nem sempre com um intuito, apenas porque querem. Apenas porque sim. Porque o movimento é que é a diversão. Sabe? Isso pra mim é um presente imenso. Uma aula. Não tem escola no mundo que nos dê isso dessa forma.

Claro, não vou mentir. Eu não consigo estar com essa visão e essa entrega em 100% do tempo. Ainda não consigo. As vezes eu choro. As vezes me cobro mais. Tem as coisas que eu queria que fossem diferentes. Tem dias que eu só queria ficar sozinha. Não tem perfeição aqui, nem eu nunca quis, para ser bem sincera. A perfeição tem um peso que eu não me comprometo em carregar. Mas eu tento. Todos os dias eu tento. Enxergar o mundo pelos olhos dela. Me encantar com o que a encanta. Esperar seu tempo. Me abaixar na altura de seus olhos para convesar. Acolher. Abraçar. Dizer a verdade. Deitar ao lado. Ser a mãe que eu consigo ser.

Estamos caminhando para os dois anos com uma convivência muito forte. Literalmente. O máximo que já fiquei longe da Agnes, até hoje, foram 4 horas – horas essas que ela passou com o pai, perto do lugar onde eu estava. Nós somos essas pessoas que, por enquanto, precisam disso. Dessa concretude. E gosto de poder ser quem a gente precisa ser também. É uma liberdade que tem nos feito muito bem, enquanto pessoas e enquanto família. Sem uma ansiedade de ter que fazer de um jeito agora porque depois vai ser daquele outro. Aqui a gente vivendo conforme o que sentimos e o que podemos e o que recebemos da vida também. E tudo bem.

Daqui a pouco faremos dois anos. Que venha muita vida e muita estrada pra gente poder desbravar. Amém.

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Fast food de viagem

Pronto, agora acho que encerro a fase monotemática de viagem, rs.

Como manter uma alimentação razoavelmente adequada numa viagem de carro com um bebê de 1 ano? Aqui fizemos assim.

Para a ida (São Paulo – Aracaju) estávamos bem abastecidos.

Preparamos em casa muitos sucos naturais, congelamos em garrafinhas e levamos numa bolsa térmica. Salvou completamente nossa vida, Agnes não consumiu nenhuma caixinha durante o trajeto, yeah!

Também fizemos bolo, que foi bem bom no começo, mas logicamente não durou muito.

Além disso, levamos frutas – banana, maçã, pêra, laranja.

E biscoito de polvilho e cookies também.

Em relação a comida, tivemos o cuidado de parar sempre um pouco antes do meio dia, que é quando a comida está fresquinha e os lugares mais vazios. Funcionou bem, apesar da pequena ter comido pouco nessas horas, já que ficava mais interessada em sair correndo para explorar o lugar e esticar as pernas, rs. E preciso dizer que tivemos boas surpresas nessa parte, cada comida boa que achamos, principalmente onde a gente percebia que era negócio familiar, sabem. Muito bom, hehe…

Na(s) volta(s) não tínhamos mais tanta coisa no carro, mas sempre dava certo de achar um biscoito sem leite na estrada, suco feito na hora, ou coisa parecida.

Ah, picolé estava liberado também, porque né, viagem de carro, nordeste, sol de lascar… algum alívio precisava ter, além do ar condicionado, hahaha.

Sinceramente, foi bem mais tranquilo do que eu imaginei. Nada como viver a experiência pra saber, né.

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O causo da polenta

Pode parecer um pouco estranho, mas acho que a Agnes comeu melhor durante os deslocamentos na viagem do que nos lugares que ficamos. É que ficamos em casa de parentes, outros horários, muita gente em volta. E essas coisas já são suficientes para mexer com o apetite dela. Ela comeu pouca comida nos 20 dias fora. E o que salva aqui em momentos como esse é a bendita da polenta.

Fubá, água, um tico de sal, orégano e um fio de azeite. Ou só fubá e água, em situações/lugares críticos. É muito fácil, muito prático e ela come feliz da vida (faz um tempo que não dou, na verdade, mas vamos focar que até agora deu certo, rs). Pois bem. Quando a coisa apertava lá em outras bandas, era pra polenta que eu corria. Porque não estava bancando ver a pequena gastar tanta energia sem comer direito. E não era hora de ficar pensando em valores nutricionais, variedade, se ela só ia querer comer isso for ever quando voltasse, etc. Nada disso. Eu só queria alimentar minha cria.

Já estava marcado desde antes da gente ir que depois do Natal iríamos, com uma turma de amigos do meu irmão, passar um dia (e uma noite) num lugar tipo camping que tem lá pertinho de Aracaju. A Lagoa dos Tambaquis é um lugar realmente lindo, tem uns chalezinhos simples para pernoitar, tem sombra e água fresca, tem um café da manhã delicioso e o lago em si é uma delícia, água cristalina, peixinhos, tudo de bom. Fizemos um churrasco, no almoço a pequena comeu arroz, salada e carne, de boas. A noite eu não quis dar a mesma coisa e, já sabendo disso de antemão, levei um pacotinho de fubá e uma mini panela da minha cunhada. Quando foi na hora da janta, tudo escuro, os faróis dos carro fazendo as vezes de iluminação onde tinha o fogo, num fogão totalmente improvisado, estávamos lá preparando a polenta salvadora de bebês esfomeados. Gente, foi TÃO legal! Totalmente a nossa cara, e cara dessa viagem, que teve tantos improvisos. Com certeza vamos lembrar da gente lá na beira do fogo queimando a panela por um bom tempo, haha.

Cheguei a ouvir, já em outros dias da viagem, que eu não alimentava minha filha direito, que isso estava errado, que não dava pra comer tanta polenta assim na vida. Só deu vontade de dizer: gente, seje menas!! Sabe, na vida – e principalmente na maternidade – temos que escolher nossas batalhas. Então eu oferecia comida para minha filha, sim, é óbvio que sim. Mas se eu percebia que o ambiente não estava propício para ela comer bem (porque bebês são seres inteiros, tudo ao redor influencia nos processos deles) (não adianta, ela não come com muita gente ao redor, olhando e comentando o que ela está fazendo), ou se não tinha algo na hora que ela queria, eu apelava pro que ela conhecia e aceita bem – como trazer algo do cotidiano dela pra um lugar onde já é tudo novo. E tudo bem. Viagem é pra gente relaxar, é pra sair da rotina, é pra sijogar no que aparecer. Ela teve tantas outras ~experiências gastronômicas~ nesses mesmos dias, tantas novidades. Deixa a menina comer o que quiser, eu hein! E deixa essa mãe aqui tentar ser leve, né.

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Viajar com bebê é tudo de bom

Esta semana estava lendo uma matéria com dicas da família Nalu sobre viajar com crianças. Eu adorava assistir ao programa uns anos atrás, ficava pensando como seria incrível viver viajando, levando criança junto e tudo mais. Eu gosto de estar em movimento, me identifico, em algumas partes, com pessoas nômades – apesar de não viajar quase nada, se comparadas a elas. Enfim. Li a matéria e lembrei da aventura que fizemos no final do ano passado, quando fomos até o nordeste de carro com uma bebê de 16 meses. Bateu uma super saudade e resolvi vir aqui escrever mais um ‘cadim sobre isso.

A verdade é que, se eu pudesse ($), viajaria sempre, todos os meses, para todos os cantos, principalmente aqui dentro do país mesmo, pois são muitos os lugares que ainda quero conhecer. Adoro viajar, adoro pensar na viagem, fazer listas, comprar coisinhas especiais para botar na mala, adoro fazer as malas. E viajar de carro é especialmente bom, uma experiência a mais. Talvez porque foi assim que viajei na maior parte da vida, mas não vejo problema em ir por vias terrestres para qualquer lugar – a primeira vez que viajei de avião eu tinha exatamente 19 anos, então carro e ônibus são super tranquilos pra mim.

E é claro que eu não deixaria de viajar com a minha pequena companheira de aventuras. Quer dizer, em algum momento devo ter pensado se os contras não seriam maiores que os prós, mas resolvi encarar, de qualquer modo. Incluir os filhos na vida que temos e tanto gostamos é parte fundamental da caminhada, não acham?

Mas assim, também não tinha como achar que, com essa história de incluir, as coisas seriam como eram antes. Nem pensar. Ajustar minhas expectativas foi a primeira coisa que fiz desde que engravidei. Não daria para querer percorrer os mesmos km na mesma quantidade de tempo com um bebê a bordo. Me preparei mentalmente para paradas maiores, para não ter pressa, para lidar com possíveis crises de choro, entre outros imprevistos que pudessem surgir pelo caminho.

Já tínhamos viajado uma longa distância de carro com antes, quando ela tinha 7 meses. Daquela vez confesso que fiquei mais apreensiva, mas acabou sendo mais tranquilo do que o esperado, ainda bem. Acho que por isso me animei a esticar o caminho e ir pra Aracaju no fim do ano, rs. Com a diferença de que, desta vez, ela já estaria comendo normalmente (da primeira era comecinho da introdução alimentar, ela praticamente só mamou mesmo), lembrando que ela não consome nada com leite ou derivados, então teria essa preocupação a mais. O que fizemos foi levar muitos petiscos e opções de lanche para não depender apenas do que encontrássemos na estrada – até porque em alguns lugares “opção” não é uma palavra muito ampla, sem contar os trechos em que não tem nada a não ser mato e montanhas e árvores e carros. Acho que depois faço um post só sobre como foi a alimentação, porque o assunto rende bastante.

No quesito distração dentro do carro (mais conhecido como: mantendo a quiança na cadeirinha sem muito choro), tínhamos música, livros, bichinhos de pelúcia, brinquedinhos novos, nós mesmos, os quitutes disponíveis, bolsa da vovó, óculos de sol que estivesse dando sopa por ali, mostrar as nuvens no céu, batom. Pois é, até o batom entrou na roda. Numa momento crítico, minha mãe entregou um batom na mão dela, com o intuito que ela ficasse só no “tampa-destampa”, mas aí ela abriu, gostou, botou o dedo, passou na perna (e nos pés, e na cadeirinha, e em nós) e ficou nisso por preciosos minutos de paz. Nada que os versáteis lencinhos umedecidos não resolvessem depois. Ou seja, em algum momento é preciso desapegar. Costuma render boas risadas, recomendo. Ah, outra coisa que foi a sensação do entretenimento: uma caixa de canudos. De última hora comprei uma caixa de canudinhos, pra facilitar na hora de tomar os muitos sucos que fizemos e levei do jeito que comprei mesmo, na caixa. Ainda brincamos que era exagero. Mas não é que a Agnes amou ficar tirando os canudos e depois encaixando de volta no buraquinho? Foi uma boa surpresa. A caixa acompanhou o percurso todo, tanto na ida quanto na volta – e ainda sobrou canudo, hehe.

E no fim eu só falei de coisas que nem são exclusivas de viagens longas. Essas são minhas dicas da vida prática mesmo, apenas adaptadas para o momento. É assim que tento ser no dia a dia. Sempre buscando ser mais leve, estar mais presente, lembrando de respirar e acolher o que vier.

A verdade é que não vale a pena focar só no stress que vai surgir. Porque vai, simplesmente vai. Tem cansaço, tem trânsito, tem vontade de ficar sozinha, tem um monte de coisas chatinhas, mas também tem uma porção de momentos que estão sendo construídos com risadas, empolgação e até mesmo alguma calma. Consegui ler e escrever alguns rascunhos no carro, nos momentos que ela dormia e eu estava disposta, a despeito de todas as dúvidas se isso seria mesmo possível. É muito mais proveitoso quando nos abrimos para viver o que vier, seja onde for. No fim, é tudo memória. Tenho lembranças muito boas dessa viagem e não vejo a hora de vir a próxima.

Ah sim, ainda volto para falar de mais causos que adorei ter vivido e sobre como foi a alimentação da pequena na estrada. Me aguardem.

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Por onde andei

Tenho a sensação de que já aconteceu muita coisa desde a última vez em que estive aqui. Ou que já vinha acontecendo desde antes. O fato é que senti saudades daqui e resolvi aparecer. Pra contar da vida, pra falar de nós.

Quando a pequena completou 1 ano, bateu forte em mim o lance de me reinventar. De novo, né? Porque ser mãe, pra mim, já é se permitir viver o novo sempre. E eu realmente me joguei nisso, mergulhei fundo em todas as novidades que apareceram, pelo tempo que tinha de ser. Mas estava chegando a hora de voltar à superfície e respirar outros ares novamente. Ver como seria esta experiência, de andar em outros caminhos que não fossem aqueles traçados por peraltices ou questões de cunho maternal.

Eu sabia mais ou menos o que queria fazer, só não sabia como.

Posso dizer que desde a época que quero ser mãe, quero também uma outra coisa, que sempre amei fazer e que faço desde que aprendi, aos 4 anos: escrever. Aliás, esse é um dos motivos de eu ter criado o blog: a minha paixão pela palavra escrita. Logo, é compreensível e até esperado que uma das minhas profissões mais respondidas quando criança era “serei escritora”. Eu fazia livrinhos, ilustrava, criava as falas, tudo. Era mágico.

Depois, mais do que a possibilidade de criar histórias, a escrita se tornou um refúgio. Para mim, que sempre fui tímida, escrever sempre foi minha melhor forma de expressão. Os livrinhos em folha sulfite ficaram lá na infância, como uma brincadeira, mas o ato de registrar meus feitos, sentimentos e pontos de vista cresceram junto comigo. Em algum momento do caminho, isso acabou se tornando só mesmo mais uma característica minha, algo normal. Eu escrevo porque é a única coisa que eu sei fazer, ué. Escrevo porque é como me comunico melhor, como resolvo minhas pendências internas, como elaboro o quer que esteja me incomodando. Sempre foi assim, pensei que continuaria sendo.

Mas aquela vontade de escrever um livro ainda morava em alguma parte do coração, isso eu sabia muito bem. Sempre tive certeza de que, em algum momento, as coisas iam acontecer e ele ia surgir. Provavelmente seria sobre algumas memórias que eu juro desde bem pequena que tenho e que vão morar no papel. Não sou boa em inventar uma história assim do nada, essa parte eu deixaria pra quem sabe. Isso tudo como uma possibilidade distante, uma vontade longínqua. Por hora eu seguiria escrevendo meus posts e outras coisas em outros lugares não publicados e fim de papo.

Só que aí vem a maternidade e muda nossas certezas de lugar, não é mesmo?

Com a vontade de voltar a fazer algo por mim e só por mim, a vontade de escrever um livro gritou forte. Como assim, gente? Eu nem conheço ninguém que possa me assessorar, e como eu ia vender, e que editora vai me publicar? Foram algumas perguntas que eu cansei de ouvir, numa vozinha irritante dentro da minha cabeça, querendo me impedir de seguir em frente. No fim do ano passado eu coloquei todas elas no modo silencioso para ver o que conseguia fazer com o que havia sobrado em alto e bom som: a vontade. Comecei a esboçar algumas coisas, colocar algumas ideias na tela em branco, tudo muito abstrato, sem saber o que seria amanhã.

No início desse ano eu decidi que isso ia acontecer e era assunto encerrado. Comecei a escrever diariamente com o intuito de levar isso para além dos limites da minha casa (e dos meus olhos). Ainda não vou dizer sobre o que é exatamente, mas tem muita memória, muita maternidade, muita infância, muito aprendizado e tudo mais que tenho visto por aí nesses anos todos de vida. Deve ficar pronto em um ano, se as coisas andarem como imagino.

Só que para a minha completa surpresa, algo aconteceu no meio do caminho. Um dia, cansada e lidando com sentimentos chatos que surgiram no meio das palavras, e não querendo entrar em pensamentos como “estou com bloqueio criativo” ou coisa do gênero, porque eles não ajudam em nada, abri uma nova tela em branco e comecei a escrever outra coisa. Outra coisa, nada a ver com o que havia na janela ali do lado. Uma história que não era minha, apesar de ser. E continuei escrevendo. E no dia seguinte também. E no outro, e no outro. E nos 30 e poucos dias seguintes a mesma coisa. Me apeguei na história e ela realmente aconteceu pra mim. Até hoje. Hoje eu acabei de escrever o meu primeiro livro de ficção. Um livro que não é sobre maternidade, não é sobre o meu universo, e que gostei muito de ter feito. Muito mesmo! Depois de pouco mais de 1 mês de trabalho. De madrugadas adentro, de sono, de bebê brincando longe com o pai e os avós, ou chorando querendo mamar, ou brincando na sala comigo inventando musiquinhas. 1 mês não sabendo o que aquilo ia virar, andando com a visão apenas até o próximo passo, e continuando mesmo assim. E as vezes achando que não ia dar muito certo, mas sem muito tempo de me ater nesses detalhes. Eu consegui. Um dia depois da Páscoa, celebro uma nova fase da minha vida, uma nova Marina que também divide espaço com as outras que já estão aqui.

Não sei o que vai ser desse meu pequenino filho que nasceu hoje. Não sei se vai ficar morando apenas na minha gaveta, ou se o jogo pro mundo em algum momento, tal qual uma mãe passarinha empurrando seu filhote do ninho para voar. Não sei se algum dia vou ganhar dinheiro com isso. Nem se alguém vai gostar. Por enquanto me basta o sentimento de saber que sou capaz de fazer o que eu quero. E que aquela menina que ainda ontem eu era, se orgulha da mulher que tenho me esforçado para me tornar.

Existe vida própria depois dos filhos, gente, e ela é linda!

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Momento instagram

O tempo fica curto por aqui, eu fico me sentindo mal (?) porque o blog fica abandonado, então vamos de repeteco do instagram porque o importante é fazer a roda-viva girar e deixar todo mundo feliz, né não? Venham comigo nas minhas últimas andanças por lá.

 

 Fast food

 retrato da artista quando jovem

 

 O que acontece quando a gente resolve seguir um sonho apesar de todas as “desculpas” que surgem para tentar atrasar as coisas? A verdade é que a muitas vezes a gente mesmo se sabota sem saber direito porque – e não raro nos sentimos numa bola de neve, enrolados em nossas próprias bagunças. Diante disso, escolhi seguir em frente mesmo sem saber, mesmo com receios e mesmo nas adversidades. O esquema é um passo de cada vez, todo dia. E ó, tem sido uma experiência muito bacana. Respondendo a pergunta do começo, acontece a felicidade e a descoberta de que, sim, podemos fazer qualquer coisa que quisermos. Basta ir. (E daqui 1 mês eu volto pra contar o que estou aprontando por aqui).

 “Filha, adoro o seu olhar. Desde sempre você olha fundo nos nossos olhos, sem medo, de um jeito muito forte. Já escutei isso em fila de banco, inclusive: “nossa, ela tem um olhar forte, né?”. É, você tem. E eu amo isso. Também gosto muito do fato de que, com você, tenho aprendido a olhar as coisas com mais leveza. Sabe, filha, tudo está em constante movimento no mundo e nossa casa não é diferente. Eu poderia vir aqui registrar a bagunça que está os nossos dias ultimamente e o quanto estamos buscando acertar os ponteiros. É a vida real acontecendo sem filtros. Mas também está acontecendo que eu parei um pouco de reclamar primeiro para fazer depois. Tenho gostado de pensar que essa bagunça faz parte do caminho, afinal. Nem todos os dias eu consigo me dedicar a você como antes, e mesmo assim nossos momentos tem sido gratificantes. É lindo ver o quanto você tem crescido. Estamos construindo nossa estrada com as nossas próprias mãos. Cansa pra caramba, mas tem sido bom demais. Obrigada pela companhia sempre. E pelo seu olhar, que constantemente melhora o meu. 

Com amor, mamãe”

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Ela

Esses dias estive pensando na Agnes e o quanto ela representa nas nossas vidas, na minha vida.

Ela tem um entendimento das coisas, de pequenas coisas, que me faz acreditar em Deus com muita força. É muito forte o que eu sinto por ela, o que eu sinto com ela. Sabe uma sensação de pertencimento? Uma sensação de que estou em casa, de que estou segura, de que estou bem? Sou eu com ela.

Já aconteceu dela me ver chorar. E sabem o que ela fez? Me abraçou. A Agnes olhou bem nos meus olhos e me abraçou apertado, com aqueles bracinhos no meu pescoço, a sensação mais gostosa da minha vida. Eu esperei a vida inteira por esse abraço, e ele veio. Eu esperei a vida inteira por alguém que me olhasse com carinho quando eu não consigo dizer nada, só chorar, e então receber esse abraço, que é a verdadeira promessa de que tudo ficará bem daqui a pouco.

Durante um tempo eu pensei que não era bom assumir isso, nem pra mim mesma direito, que dirá escrever sobre o assunto. Tinha medo de ser uma projeção, de acabar esperando que ela se comportasse de uma determinada forma, que atingisse expectativas que não existem. Nunca quis esse peso para a minha filha, por isso nunca o dei, sou bem consciente nesse aspecto, penso muito a respeito. Acontece que não é uma projeção, percebi dia após dia na nossa convivência, é um sentimento. Um sentimento real, forte, que nos une desde antes dela vir morar na minha barriga.

Na primeira gestação, quando ainda discutíamos os possíveis nomes, um dia o Cleber chegou do trabalho falando em Agnes. Achei que não era um nome que combinasse com aquele bebê na minha barriga, mas não descartamos totalmente. A vida aconteceu e não era mesmo para ter sido. Assim que a Bolota se foi, achei que não conseguiria pensar em bebês tão cedo, já contei isso muitas vezes, aliás. Só que 1 mês depois da perda, logo no primeiro ciclo, eu já pensava que não devíamos evitar nada, porque eu sentia que tinha de ser daquele jeito. “Eu não quero planejar e tentar, mas também não quero fechar as portas”, foi o que disse. Eu simplesmente não conseguia me imaginar evitando uma gravidez naquele momento. E não evitamos. E ela veio. Com uma presença marcante desde o início. E agora, escrevendo esse texto e pensando em quando estava grávida, li essa carta que escrevi pra ela depois de um sonho lindo, e pude perceber o quanto todas aquelas palavras fizeram sentido e se encaixaram perfeitamente no que estava por vir. O parto foi transformador, daquelas experiências que nos dividem em antes e depois. Não foi rápido e fácil, foi como tinha de ser, para nós duas. E desde então, em cada vivência nossa, em cada passo que damos juntas nessa relação, eu sinto que fica mais forte, não sei como. Somos muito nossos – nós três aqui em casa.

Ela confia tanto em nós, é tão lindo de ver a sua entrega ao que dizemos e ao que fazemos com ela. Tenho repetido ultimamente que não quero perder isso. Quero estar atenta sempre, para que esse vínculo só nos leve além, nunca nos prenda, nem se desgaste. Sinto que ainda tem muita história para acontecer, muita vida para viver. Ela veio mesmo para mexer com a gente, nos pegar pela mão e sair andando por aí enquanto explora possibilidades e descobre novos caminhos e olhares. Que sorte a nossa. “Que bom que você veio, filha. Sou muito feliz com a sua presença. Obrigada por tudo.”

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Mundo mundo, injusto mundo

Sobre a nossa atual vida real do lado de cá.

Ela chora porque…

não pode subir em cima da mesa (de vidro!);
não pode comer sabonete;
não pode ficar mais na piscina de bolinhas no shopping;
não pode viver só na rua;
não vai ouvir a mesma história do mesmo livro pela trigésima vez consecutiva;
não pode devorar o pote de geleia.

Entre outras tantas coisas divertidas e interessantes que ela quer fazer e não deixamos.
E isso porque somos uma família que pratica o sim em muitos momentos. Mas né, não se pode ter tudo, e ela ainda está aprendendo essa parte da equação. Indignada, mas está.

18 meses: tão lindos, porém tão cansativos…

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Do que aprendo com a minha filha

Uma viagem serve para muitas coisas, inclusive pra gente observar ainda mais de perto o comportamento das pessoas. Com alguma sorte a gente aprende também.

Durante o trajeto de carro que fizemos de São Paulo até Sergipe (e depois de Sergipe a Minas, e de lá pra Sampa novamente), muitas vezes a Agnes ficava estressada e começava a chorar. Era calor demais, muito tempo sentada, muito tempo na mesma posição, confinada dentro de um espaço muito pequeno e com pouquíssimas possibilidades de se mexer e se entreter. Super normal ela se zangar, nem a gente aguentava tudo sorrindo e achando lindo, não há motivos para cobrar isso dela.

Quando parávamos o carro, algo mágico acontecia. Qualquer choro ou reclamação que ela pudesse estar demonstrando cessava imediatamente. Adorava sair do carro e queria logo ir pro chão esticar as pernas, leia-se: correr por todo lado, explorar o lugar, andar de um lado pro outro como se não houvesse amanhã. Ela sorria, andava, corria, conversava, brincava com a gente, mexia com as pessoas, tentava pegar tudo ao seu alcance. Muitas vezes a gente queria entrar e comer logo alguma coisa, mas sempre ficávamos mais um pouquinho lá fora pra ela curtir, ou então nos revezávamos nos cuidados. Os lanches dela acabavam sendo melhor aproveitados nos carro mesmo, porque lá fora o negócio era andar.

Era lindo de ver. Uma entrega, um desprendimento. Ela realmente estava vivendo o presente, como sabe fazer tão bem.

Do outro lado, não era raro acontecer de nós, adultos, descermos do carro e emendarmos uma conversa (ou um comentário solto que fosse) sobre como estávamos cansados, ou sobre como o trânsito estava ruim, ou sobre o quanto já estaríamos adiantados se não fosse aquele trecho lá atrás, onde aconteceu isso, isso e mais aquilo outro. A gente não se desligava.

Por sorte – e eu digo sorte porque não sei que outra palavra usar – percebi isso em tempo e reprogramei minha mente. Consegui curtir a viagem em sua totalidade, aproveitando todos os momentos realmente em tempo real, enquanto eu estava ali. Não me foquei no que deixei pra trás, nem nos problemas, nem no que ainda estava por vir, nem na chegada aos nossos destinos. Não pensei muito nem nas pessoas que nos esperavam, pra ser sincera – só mesmo o suficiente para mandar notícias de vez em quando, claro. Posso dizer que foi uma experiência ótima, que me trouxe uma sensação total de leveza. Leveza no sentido de não carregar os pesos que já tinham passado, de não prolongar o stress de 2 horas atrás, de não tentar prever a próxima parada. Apenas viver o presente, com o que quer que ele me traga.

Consegui. Estou tentando me manter assim ainda, mesmo já tendo retornado há dias. Parecia mais fácil lá na estrada, não sei porque. Aqui eu preciso “me lembrar” mais de ser assim, lá foi algo natural. Talvez aqui eu tenha mais distrações, não sei. Mas fica a pergunta: por que é tão difícil viver o presente? Por que a gente se prende ao que aconteceu lá atrás, ou sofre por antecipação por algo que ainda nem chegou, e se esquece de apenas olhar realmente para o que estamos vivendo agora? Quando é que a gente perde essa essência de só sair correndo quando podemos, ao invés de lamentar pelo tempo que ficamos sentados?

Observar minha pequena moça nessa viagem foi um aprendizado e tanto. Que bom tê-la por perto, para me fazer lembrar do que realmente importa, seja onde for.

 

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A viagem

“Demoramos 3 dias inteiros, 2 noites, 9 horas parados no trânsito no meio da estrada, paradas em postos pra correr e esticar as pernas, chuva, 1 hotel, 1 pousada que na verdade era o puxadinho da casa do dono, frutas, sucos, bolo, comida, bolacha, sol quente, farol alto nos olhos, mamá, livrinhos, música, lágrimas, apoio, cansaço, satisfação. Chegamos ontem a noite, capotamos e estamos aqui agora curtindo a família. Foi uma experiência e tanto, adorei. Mas por enquanto não estou pensando na volta. Primeiro vou curtir o mar.”

No segundo dia, depois do almoço num lugarzinho muito legal, com uma comida de fogão de lenha delícia! 

Foi assim que eu resumi, lá no instagram, o fim da primeira parte da nossa viagem.

Gente,  foi épico! Eu pensei muito antes de encarar essa viagem com a Agnes. Por causa da distância, por causa do tempo, por causa do calor e essas coisas todas que uma pessoa sensata colocaria na balança e ponderaria mil vezes antes de embarcar – se é que embarcaria. Resolvi apenas seguir a minha louca vontade de encarar essa aventura, me preparando mentalmente pros momentos difíceis e fomos. Fé em Deus e pé na tábua, como dizem. Logo na saída, antes de sair do estado, encontramos um baita trânsito que foi parando, parando… até parar de vez e desligarmos o carro. Uma carreta havia tombado e derramado óleo na pista, bloquearam tudo e o resto vocês podem imaginar. Em algum momento, com a pequena já se estressando, meu pai conseguiu avançar um pouquinho só pelo acostamento (não pode, sabemos) onde havia uma entrada pra cidade (Atibaia), achamos um posto e paramos por lá mesmo. Agnes amou descer e poder correr pra todo lado. Ficamos 5 horas parados, dormimos num hotel em Belo Horizonte (o plano inicial era almoçar lá, olha que beleza). No dia seguinte seguimos viagem tranquilos, resolvemos pegar uma estrada diferente, com uma paisagem linda. Nesse segundo dia ela estava mais calma, acho que entendeu a dinâmica da coisa. Paramos pra dormir já na Bahia, num lugarzinho bem simples, mas muito acolhedor. E pensamos, ok chegaremos em Aracaju hoje a tarde. Doce engano. Estrada cheia de caminhões, sem chance de andar muito nem fazer grandes ultrapassagens (sim, estrada não duplicada) e adivinhem o que encontramos mais adiante? Mais trânsito! Dessa vez parados na estrada mesmo, sem jeito de achar outro lugar. Ainda bem que depois de um tempo a Agnes dormiu. Resumindo, chegamos na casa do meu irmão 23:30 do terceiro dia de viagem. E aí foi só alegria! Nos divertimos muito, curtimos a praia, fomos num lago maravilhoso nadar com os peixes, conhecemos um monte de gente legal, Agnes brincou com a prima, foi perdendo o receio de cachorro (que ela só gostava de ver de longe, quando chegava perto queria fugir, rs). No dia 27 pegamos estrada de novo. Paramos rapidinho em Salvador, só mesmo pra almoçar e molhar os pés naquele mar lindo-maravilhoso. E pensar que quando fui lá pela primeira vez a Agnes já existia. Temos um carinho muito especial por essa cidade. Enfim, dormimos na estrada de novo, como era de se esperar. E conseguimos chegar em Minas, na casa da minha avó, no horário mais ou menos esperado, graças a Deus não tivemos mais intercorrências. Nessa parte teve picolé, biscoito de polvilho, brincadeiras algum choro também, porque não dá pra ser tudo perfeito.

Em Minas ficamos curtindo a família. Agnes amou tomar banho de mangueira, ficar sem fralda, ter muito espaço livre pra andar e explorar. Eu já disse que quero um quintal pra chamar de meu? Agora quero ainda mais! Mas com o passar dos dias fui notando que a pequena parecia estar meio nervosa. Não sei se por ter muita gente, se por estar longe de casa há tantos dias, falta da nossa tranquilidade de noite em casa. O sono não foi o mesmo e tinha dias que ela acordava antes das 6, chamando o pai (que estava ao lado, dormimos juntos lá também) e despertando de vez. Mamou muito, comeu pouco. Fomos pra roça e ela se distraiu mais com os bichos, o espaço e até plantamos milho no quintal. Foi muito legal! Ah, e tivemos joelhos ralados também, que faz parte das férias, né, rs.

Voltamos essa semana. Nem eu sabia direito, mas num é que eu estava com saudade de casa? Agnes voltou rápido pra “rotina antiga”. Comeu melhor, dormiu bem, brincou com os brinquedos que aqui ficaram. Ficamos o dia seguinte todinho em casa, só matando a saudade do nosso canto. Enfim. Estamos de volta. E seguindo a ideia de roubar as legendas do inta pra resumir um pouquinho aqui, hoje eu postei:

“Já voltamos das férias e posso dizer que foi uma experiência incrível. Amo viajar de carro e levar a pequena nessa aventura foi demais! Foram quase 6 mil quilômetros em 20 dias e já to aqui querendo mais. Curtimos muito e aprendemos outro tanto enorme de coisas – sobre nós, sobre os nossos limites, sobre lugares e pessoas. Foram 20 dias livres, com muita brincadeira e novos horizontes. Mas confesso que chegar em casa também foi muito bom – vai entender a minha cabeça, que ama viajar mas também adora voltar pra casa. Agora estou aqui, cheia de caraminholas, pensando no que faço com o tanto de ideias que vieram junto na bagagem. Que venham os próximos capítulos.”

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