Arquivo da tag: Agnes

Carta do dia: 3 anos de pura vida

Filha,

Hoje é 15 de julho e você já sabe o que isso significa. Faz tempo que você aprendeu que esse é o dia do seu aniversário. Esse ano, assim que a gente resolveu celebrar a sua vida numa festinha pros amigos mais chegados, você participou de tudo. Escolheu o tema de gatinhos e dizia para quem quisesse ouvir que ia ter bolo, suco de uva, suco de manga e suco de goiaba. E dizia que ia ser no “dia quinze de juio”. É hoje, filha! Hoje é dia 15 de julho. O dia em que você nasceu e trouxe muita vida, muita luz, muito amor, cor e desafios para a nossa vida. 

Eu tenho um orgulho danado de ser sua mãe, de estar com você nessa caminhada e nesse contato tão nosso que estamos construindo há três anos. Sou muito feliz sendo sua mãe – é um aprendizado diário de construção de desconstrução que estamos trilhando juntas. Muito obrigada pela paciência, pelo olhar, pelo abraço, pelo carinho e por tudo mais que somos juntas.

“Eu gosto de você do jeito que você é”. Você falou isso pra mim esses dias e meu coração ficou repleto de amor e felicidade. Eu falo isso pra você, geralmente antes de dormir, junto com todo o meu discurso de que você, o papai e eu somos uma família e que estaremos sempre juntos cuidando uns dos outros, que te amamos, e com algumas desculpas por algo que eu esteja achando que fiz de forma meio torta. E sempre digo que te amo do jeitinho que você é. Foi uma alegria descobrir que você entendeu e gravou essa frase a ponto de repeti-la pra mim, meu amor.

Você também diz que somos amigas, o que é verdade absoluta – você é uma parceirinha incrível que nós amamos ter por perto. 

Três anos, meu amor! Você cresceu nos últimos meses – tanto de tamanho quanto de desenvolvimento. Você já sabe que vai pra escola em breve (quando a mamãe finalmente decidir por alguma, rs). Começou a conversar mais com as crianças no parquinho, se apresentando e brincando junto, mesmo que ainda sinta um pouco de vergonha, mas tá lindo de ver você rompendo os próprios limites e indo até onde se sente confortável. Entende muito bem o que a gente fala. Muda de assunto quando leva bronca. Come bem, escolhe o café da manhã e o que vamos colocar no seu prato no restaurante. Quer me ajudar a limpar o banheiro, esfregar o chão e guardar as roupas nas gavetas. Tem uma memória incrível e sempre lembra onde guardou (ou escondeu) tudo. Empresta e divide os brinquedos e o lanche. Grita quando está muito cansada. Pega folhas pra fingir que é guardachuva. Leva a gatinha de pelúcia e a girafinha pra passear e ver a rua. Nossa, muita coisa. Não quero me esquecer dessas coisinhas que compõem esse nosso presente. É maravilhoso ir descobrindo o mundo com você.

Há três anos eu sou mãe, tô no começo da coisa ainda, mas é inacreditável o tanto que eu aprendi nesse tempo. Realmente, a potência da maternidade como ferramenta de transformação é muito grande e eu agradeço muito por ter embarcado nessa. 

Eu te desejo muita saúde pra brincar e correr e pular, muita alegria e dias de sol e céu azul.

Te amo muito, do jeitinho que você é.

 

com amor,
mamãe.

 

 

Fotos desse ensaio muito divertido feitas pela: família rz, amados que eu recomendo de olhos fechados, sempre ❤

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Agnes, amor, aniversário, carta, coisa linda, família, felicidade, lembrança, presença, sentimento, ser mãe, vida real

Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

Deixe um comentário

Arquivado em acontece comigo, Agnes, amor, aprender, coisa linda, como lidar?, conversando, dia a dia, história, presença

Carta do dia: se cuida!

Filha,

hoje eu levantei mais cedo para escrever. Nesta altura da sua vida, enquanto me lê, você já sabe, com certeza, que escrever é algo que me faz muito bem, para dizer o mínimo.
Acordei cedo, porque de manhã é quando me sinto melhor para fazer isso, e porque seria um tempo em silêncio, já que você e seu pai seguem dormindo ali no quarto. Muitas vezes eu preciso ficar sozinha e curtir o silêncio, filha. Isso não tem nada a ver com você, seu pai, as pessoas, o ambiente. É algo meu mesmo. Algo necessário para colocar os pensamentos no lugar e seguir calma pela loucura do dia. Ou pelo menos tentar. Faz dias que não consigo isso, levantamos sempre todos juntos e você tem ido dormir tarde, nos acompanhando até não aguentar mais. Não tem sobrado muito tempo pra mim, e antes que eu começasse a reclamar disso e fazer dos outros um problema, decidi levantar mais cedo e resolver de vez a questão. Fiquei com medo que você acordasse em seguida, como acontece de vez em quando, mas já se passaram quase 2 horas e vocês ainda estão dormindo. Estou feliz. É muito bom quando a gente faz algo que nos faça bem, apesar do medo. E dá certo. E a gente percebe que o simples continua sendo resposta para as questões que nos afligem. Hoje eu cuidei de mim e queria te falar sobre isso, por isso escrevi.

É muito importante cuidar de si mesma, filha. Não esquece disso, tá?

Pode ser correndo todo dia por quantos quilômetros você quiser. Pode ser dançando. Pode ser saindo com amigos. Indo ao cinema sozinha numa segunda-feira. Viajando. Andando na rua prestando atenção aos detalhes. Parando prum café num dia corrido. Conversando com quem te acalma. Ouvindo música. Indo a shows. Pode até ser levantando mais cedo para curtir o silêncio da casa. 

É sempre possível, mesmo quado parece que não. Principalmente quando parece que não, pare um pouquinho e veja que você precisa ser cuidada também. E que dá certo, sim, não interessa o que todos estão dizendo ao seu redor. Não se deixe de lado, meu amor. Estarei aqui para te lembrar e fazer companhia quando quiser. 

 

com amor,
mamãe.

Deixe um comentário

Arquivado em Agnes, aprender, autoconhecimento, carta

Agnes e os livros

Eu sou uma leitora convicta e apaixonada desde bem pequena. Desde sempre pegava livrinhos na escola, adorava ganhá-los de presente e cuidava muito bem deles. A paixão foi crescendo junto comigo. Acho livro um presente que sempre vai cair bem, inclusive. Apesar de não ler muitos livros durante o ano, porque gosto de ler devagar e apenas um por vez, gosto de ter um sempre por perto. Ano passado eu não li quase nada e não gostei da experiência. Esse ano estou conseguindo manter um fluxo razoável, considerando que não tenho mais tanto tempo disponível assim.

Curiosidade: escrevendo esse post me lembrei que a primeira coisa que comprei pra Agnes foi um livro! Mesmo ainda não sabendo que estava grávida, Nana e eu compramos um livro do Jorge Amado ilustrado, para quando tivéssemos nossos rebentos. E elas chegaram pouco depois. Viu como dá sorte?

E bem, não posso dizer muito ainda, porque né, ela só tem dois 2 anos, esse é só o começo da sua longa e incrível vida. Mas, pelo menos por enquanto, posso dizer que ela gosta muito dos seus livrinhos.

Não me lembro exatamente quando foi que começamos a ler pra ela, só sei que desde o começo ela demonstra muito interesse e gosta muito de ouvir a gente ler. Fica prestando atenção, ajuda a virar as páginas, coisa mais linda. Depois ela foi “decorando” as histórias e falava algumas coisas junto com a gente, hahah. Ah, e não posso esquecer o principal: nunca uma história é lida apenas uma vez. No mínimo, duas.

Seus livros preferidos até hoje são, coincidentemente, 3 que vieram da coleção do Itaú.

Papai!, do Philippe Corentin.

E o dente ainda doía, da Ana Terra.

Tatu Balão, da Sonia Barros.

Ela adora esses livros! E devo confessar que eu também gosto muito. Teve uma época que só o Cleber podia ler pra ela o do Papai, por motivos óbvios, haha. E tinha vezes que líamos nós dois, fazendo quase um teatro completo, rs.

Os livros ajudam também nas viagens de carro, ou quando quero que ela desacelere um pouco. É uma ótima forma de me conectar com ela quando está muito agitada. Ela tem aqueles de texturas e figuras também, a gente brinca junto, mas na verdade começamos já com as histórias, depois que vieram os outros. E sempre que vou na livraria já vou direto pra sessão das crianças – de 5 a 8 anos, haha. Sou dessas!

É muito gostoso ter esse momento com ela – mesmo que as vezes ela chore porque não quero ler depois da sexta vez seguida. Espero que sigamos assim por um bom tempo.

2 Comentários

Arquivado em Agnes, coisa linda, livro, presença

Nova vista

Hoje o dia começou cedo. Começou ontem, na verdade.
Caixas, malas, sacos plásticos.
Embala, encaixota, desmonta.
Movimento. Gente.
Você vendo tudo de camarote – o colo da vovó.
Ouvindo os barulhos que tem medo, descobrindo o que é.
Casa virando bagunça virando vazio.
Marmitex na casa vazia.
Casa vazia se enchendo como num passe de mágica – mas era muito trabalho braçal mesmo.
Travessas de vidro espatifadas no chão.
Você cochilou no meu colo, incomodada com a ausência das camas e do sofá.
As camas couberam perfeitamente, fiquei tão contente.
E você, pequena, pulando no meio de todo esse movimento dizendo “nossa nova casa”!
Tão feliz, tão segura de seus passos.
Explorou o condomínio, a grama, andou descalço.
E quando viu a vista que tínhamos do parquinho,
sentou no chão, chamou a vovó pra sentar junto e ficou olhando.
O por do sol.
A lua também já estava no céu, sorrindo pra nós.
E pipas lá longe dançando, você adorando essa nova visão.

Hoje nos mudamos de apartamento, filha. Temos um novo lar.
Algo me diz que construiremos boas memórias aqui.

Foi um dia e tanto, o nosso.
Já jantamos, você está no banho, daqui a pouco dorme.
E amanhã começaremos um novo capítulo dessa nossa história.

Deixe um comentário

Arquivado em coisa linda

Carta do dia: vamos juntas

Filha,

estes dias você tem estado mais grudada em mim, principalmente quando estamos em casa. Quer dizer, você sempre foi o “meu grudinho”, mas foi ficando mais solta e mais tranquila com o passar dos meses. Agora parece que voltamos algumas casas. Você tem preferido meu colo, só dorme bem se estou por perto, fica ao meu lado quando faço as coisas da casa, senta no meu colo quando estou escrevendo. Você quer contato físico, proximidade, algo concreto pros seus olhinhos curiosos.

Algumas vezes é complicado, porque eu preciso de um tempo pra mim também. Conciliar nossas demandas, nesses dias em que você está assim, muitas vezes cansa. Hoje por exemplo, que era para eu ter conseguido escrever e fazer outras coisas, não fiz nada. São quase onze da noite e só agora conseguir sentar aqui sozinha. Você já dormiu e ficou lá na cama, mas já acordou uma vez me chamando, em menos de 1 hora (ontem não ficou, dormiu no meu colo e por aqui ficou por todo o tempo que estive acordada, inclusive jantando).

E eu te atendo, meu amor. Mesmo não sabendo exatamente o motivo, mesmo tendo medo de você sentir algo que é só meu, que você não precisa sentir. Mesmo precisando de espaço também. Eu te atendo. Você é tão bebê ainda. Está crescendo, está aprendendo a ser você, a lidar com o tanto que acontece dentro do seu corpinho. É natural que precise de mais amparo mesmo, eu sei. Completamente compreensível que precise de mim, de um corpo físico, de uma voz conhecida, de um cheiro, um ritmo e um cuidado que você conhece desde sempre, não é?

Ia me desculpar por me mostrar tão frágil pra você algumas vezes, mas acho que não vou. Porque esta sou eu, meu bem. Esta é a sua mãe. A pessoa que chora, que fica meio pra baixo as vezes, que também precisa de cuidados. Eu sou assim e você me conhece muito bem. Inclusive, eu não preciso entender com a razão o porquê você está assim. Não preciso porque, muitas vezes, eu não sei explicar nem o que eu mesma estou sentindo – e mesmo assim sei que preciso sentir e viver para entender e deixar passar, e dar mais um passo. Daqui a pouco já assimilamos tudo isso e estaremos andando em outro ritmo, você vai ver.

Obrigada por estar comigo nessa caminhada, filha. Aprendo muito com a sua presença, saiba disso.

com amor,
mamãe.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Agnes, carta, sentimento, um dia de cada vez

“Medo do medo que dá”

Agnes está na fase do medo.

Não sei se todos os bebês passam por isso, se é uma regra com poucas exceções, ou se depende mesmo de cada pessoinha.  O fato é que ela está passando por isso.

O maior medo dela, eu acho, é de barulhos estranhos. E a gente mora num prédio barulhento, sempre tem uma reforma rolando em algum lugar.  Ela nunca ligou muito pra isso, ou só prestava atenção quando surgia um som diferente, mas depois começou a ficar meio paralisada, pedir colo, chorar. As vezes agarra na gente e não larga enquanto a gente não acolhe e explica o que é. Agora ela já fala “tô com medo, mamãe”, com aqueles olhinhos meio arregalados. E todo barulho que começa, furadeira, martelada, máquina de lavar do vizinho, gente conversando no hall, qualquer coisa, ela quer saber o que é (mesmo já sabendo, mesmo que eu tenha acabado de dizer). Acho que tem a ver com o que ela não está vendo, porque os barulhos aqui de casa (máquina, liquidificador, panela de pressão, etc) não causam o mesmo impacto.

O que a gente tem feito é conversar, dar colo. Não tem como ser muito diferente, né. Falamos o que é o som do barulho, que é em outra casa, que nós estamos com ela e tudo mais. Geralmente ela repete o que dizemos e se acalma.

Não sei muito bem porque acontece isso. Não do ponto de vista psicológico, quero dizer. O que é que está rolando na cabecinha dela. Não passamos por nenhum acontecimento diferente envolvendo barulhos. Estamos no mesmo condomínio (por enquanto). Enfim, tudo normal, só que nem tanto. Vou dar uma pesquisada para ver se descubro.

Mais algum bebê também teve essa fase do medo? Me contem como foi.
E vamos torcer para que passe logo.

2 Comentários

Arquivado em Agnes, como lidar?, medo

do que eu não quero esquecer – III

das falas:

-Mamãe, vem cá, pufavô!

-Ditupa, mamãe.

-Que tão fazendo, gente?

-Mamãe? ti foi?

-Té toisa me ida (qualquer coisa me liga)/ Tão tá, be-eza (então tá, beleza) (sim, é a resposta/continuação do diálogo) (!!!!)

-passiá, dô (passear no escorregador = ir ao parquinho)

e do jeitinho que ela anda, toda despojada.
as vezes indo pra frente e olhando pra trás, meio torta, pra ver nossa reação, fazendo uma carinha muito fofa.
as vezes com os braços soltos.
a “corridinha devagar” que ela faz.

como arruma todas as bonecas pra dormir.

como separa as coisas por cor.

posso dizer que quero me lembrar de tudo? Posso e vou! Quero me lembrar de tudo, de cada momento que a gente tem e que vai moldando a pessoinha que está desabrochando bem debaixo do meu nariz.

Amanhã ela faz 2 anos.
E eu, hoje, sou só amor.

1 comentário

Arquivado em Agnes, amor, aniversário

Rumo aos 2 anos e a entrega nossa de cada dia

Daqui a duas semanas, meu pequeno lírio completará 2 anos.

Abre parênteses. Incrível como a gente gasta tanto tempo pensando em que nome dar a um filho e, depois, com a pessoa já registrada e tudo, vem uma avalanche de apelidos, né? Isso porque, entre outros motivos, escolhemos Agnes exatamente porque não dava margem para muitas mudanças. Mas aí a gente foi inventando. Lírio. Pequeno lírio. Lili (???), pequena moça, amor da mamãe, fofolete e assim vai. Humanos, tão esquisitos… Fecha parênteses.

E como faz tempo que não falo dela por aqui, resolvi vir aqui hoje pra isso.

Contar que ela está uma lindeza sem tamanho. Falando absolutamente tudo, repetindo tudo, formando frases e criando seu próprio jeitinho de falar. Gente, sério. Que coisa MARAVILHOSA que é ver uma pessoa se formando, né? As carinhas que ela faz, o jeitinho que ela anda, a forma como brinca e interage (ou não) com as outras pessoas. Tudo que é tão novo e, ao mesmo tempo, tão dela. Eu me encanto, sim, me encanto muito, inclusive.

Não que tudo seja fácil e indolor. Óbvio que existe choro, que existem gritos, cansaço, testes de limites e muito jogo de cintura. Para nós duas, aliás. Está no pacote de crescimento e não tem como não vivê-lo. Mas mesmo assim, não tem um só dia em que eu não a olhe dormindo a noite e não pense que tudo está em seu lugar de novo. Que vale a pena abraçar totalmente o caos quando o caminho é tão cheio de belezas e boas surpresas também. É essa mistura de acontecimentos que vai moldando quem a gente é.

E que é bonito que é poder ser, né?
Assim, total mesmo.

Não tem forma melhor (na minha humilde opinião) de contemplar o que é pleno do que observar uma criança vivendo. Elas tem os dois pés fincados com muita certeza no presente, ao mesmo tempo em que se permitem. O que bem quiserem. Elas vão. Elas são. Nem sempre com um intuito, apenas porque querem. Apenas porque sim. Porque o movimento é que é a diversão. Sabe? Isso pra mim é um presente imenso. Uma aula. Não tem escola no mundo que nos dê isso dessa forma.

Claro, não vou mentir. Eu não consigo estar com essa visão e essa entrega em 100% do tempo. Ainda não consigo. As vezes eu choro. As vezes me cobro mais. Tem as coisas que eu queria que fossem diferentes. Tem dias que eu só queria ficar sozinha. Não tem perfeição aqui, nem eu nunca quis, para ser bem sincera. A perfeição tem um peso que eu não me comprometo em carregar. Mas eu tento. Todos os dias eu tento. Enxergar o mundo pelos olhos dela. Me encantar com o que a encanta. Esperar seu tempo. Me abaixar na altura de seus olhos para convesar. Acolher. Abraçar. Dizer a verdade. Deitar ao lado. Ser a mãe que eu consigo ser.

Estamos caminhando para os dois anos com uma convivência muito forte. Literalmente. O máximo que já fiquei longe da Agnes, até hoje, foram 4 horas – horas essas que ela passou com o pai, perto do lugar onde eu estava. Nós somos essas pessoas que, por enquanto, precisam disso. Dessa concretude. E gosto de poder ser quem a gente precisa ser também. É uma liberdade que tem nos feito muito bem, enquanto pessoas e enquanto família. Sem uma ansiedade de ter que fazer de um jeito agora porque depois vai ser daquele outro. Aqui a gente vivendo conforme o que sentimos e o que podemos e o que recebemos da vida também. E tudo bem.

Daqui a pouco faremos dois anos. Que venha muita vida e muita estrada pra gente poder desbravar. Amém.

7 Comentários

Arquivado em Agnes, coisa linda, conversando, desenvolvimento

Carta do dia: preste atenção

São Paulo, 31 de maio de 2016.

Filha, 

preste atenção ao que a sua intuição diz.

Intuição, filha, é uma voz que tem bem lá dentro da nossa cabeça. Ela fala baixo, a gente tem que estar atento para entender. É a nossa voz nos dizendo verdades sobre o caminho que escolhemos trilhar, as pessoas que passam por ele e os detalhes que vão passando ao nosso lado enquanto vamos. É bem verdade que muitas vezes ela fala e a gente não entende o que ela está querendo nos dizer. Parece que não faz sentido, será que estou ficando louca?, você pode se perguntar. Não tem problema. Mesmo quando a gente não entende o que ela está dizendo, é importante que saibamos ouvir. Lembrando que ouvir não é concordar ou reproduzir discursos, nem tampouco se desesperar por não estar conseguindo ser fluente em “intuinês”. Ouvir é saber que a voz existe e se calar para escutar. Algum dia as letras se vão se organizar de uma forma que você entenda exatamente o que está escrito, acredite em mim. 

Não tem problema não entender logo de cara o que a sua intuição diz, porque nem sempre é uma coisa que precisa necessariamente ser feita. Talvez você saiba, filha, que a gente pode até dizer o contrário, mas o ser humano gosta um bocado de um guia, de alguém que nos fale por onde ir, o que fazer, comer, vestir. Enfim. Nem sempre precisa ser assim. Tudo bem não saber, não querer, não entender. Mas mesmo nesses momentos, se a sua intuição disser alguma coisa, qualquer coisa, preste atenção. Pode ser que seja um textão, pode ser que seja só um respiro de cansaço, ou quem sabe aquele frio na barriga, de medo ou de excitação. Preste atenção. Reflita sobre o que sentiu, pense a respeito, deixe o sentimento cozinhando em banho-maria até quando for a hora. Em algum momento vai caber na sua caminhada e você vai gostar de saber que fez a sua parte para que essa voz, que no começo parecia um sussurro estranho e quase inaudível, agora está mais para uma voz calorosa e reconfortante de uma amiga. 

Porque é o que ela é.

Ouvir é o primeiro passo para a compreensão, comece por você.

com amor,
mamãe.

1 comentário

Arquivado em Agnes, aprender, carta, estive pensando, intuição