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Carta do dia: preste atenção

São Paulo, 31 de maio de 2016.

Filha, 

preste atenção ao que a sua intuição diz.

Intuição, filha, é uma voz que tem bem lá dentro da nossa cabeça. Ela fala baixo, a gente tem que estar atento para entender. É a nossa voz nos dizendo verdades sobre o caminho que escolhemos trilhar, as pessoas que passam por ele e os detalhes que vão passando ao nosso lado enquanto vamos. É bem verdade que muitas vezes ela fala e a gente não entende o que ela está querendo nos dizer. Parece que não faz sentido, será que estou ficando louca?, você pode se perguntar. Não tem problema. Mesmo quando a gente não entende o que ela está dizendo, é importante que saibamos ouvir. Lembrando que ouvir não é concordar ou reproduzir discursos, nem tampouco se desesperar por não estar conseguindo ser fluente em “intuinês”. Ouvir é saber que a voz existe e se calar para escutar. Algum dia as letras se vão se organizar de uma forma que você entenda exatamente o que está escrito, acredite em mim. 

Não tem problema não entender logo de cara o que a sua intuição diz, porque nem sempre é uma coisa que precisa necessariamente ser feita. Talvez você saiba, filha, que a gente pode até dizer o contrário, mas o ser humano gosta um bocado de um guia, de alguém que nos fale por onde ir, o que fazer, comer, vestir. Enfim. Nem sempre precisa ser assim. Tudo bem não saber, não querer, não entender. Mas mesmo nesses momentos, se a sua intuição disser alguma coisa, qualquer coisa, preste atenção. Pode ser que seja um textão, pode ser que seja só um respiro de cansaço, ou quem sabe aquele frio na barriga, de medo ou de excitação. Preste atenção. Reflita sobre o que sentiu, pense a respeito, deixe o sentimento cozinhando em banho-maria até quando for a hora. Em algum momento vai caber na sua caminhada e você vai gostar de saber que fez a sua parte para que essa voz, que no começo parecia um sussurro estranho e quase inaudível, agora está mais para uma voz calorosa e reconfortante de uma amiga. 

Porque é o que ela é.

Ouvir é o primeiro passo para a compreensão, comece por você.

com amor,
mamãe.

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Carta do dia: do que não pode ser diferente

São Paulo, 26 de abril de 2016.

 

Filha,

Nós somos pessoas vulneráveis. Estamos sujeitos a todo tipo de acontecimento, a vida simplesmente não tem controle algum – aceitar e conviver bem com isso já é meio caminho andado para conseguir um pouco de leveza.

Ontem comecei a te escrever uma carta, mas acabei não terminando. Você dormia no meu colo, logo acordou e não continuei o que estava fazendo. A verdade é que antes de você dormir eu estava meio surtada. E nessa carta específica eu te pedia desculpas por não poder ser uma pessoa diferente em alguns momentos. Briguei contigo por um motivo muito pequeno e, reconhecendo imediatamente a besteira que fiz, peguei você no colo, larguei tudo pra trás e saímos de casa. Ir lá fora tomar um ar sempre me ajuda. Grudei em você pelo resto do dia e acho que ficamos bem. Eu não sei como consegui me acalmar, ou talvez eu até saiba, só não saiba explicar direito, não sei.

Eu ainda preciso aprender tanto, meu amor. A fazer as pazes com parte da minha história, a colocar algumas coisas no lugar. Acho que preciso aprender a me desculpar também. Eu não sou uma pessoa perfeita, então é óbvio que como mãe eu ainda vou errar muito. Mesmo que me doa, que te entristeça, que nos assuste. Os erros existem e, mais hora menos hora, aparecem para dar um oi. A gente não controla tudo, lembra? E é bom que seja assim, acredite. É bom porque pode unir pessoas, acalmar corações, trazer novas perspectivas. Eu acalmei meu coração ontem quando mudei o foco dos meus pensamentos e me permiti chorar pelo que realmente me deixou mal. Você dormia no meu colo e as lágrimas continuavam caindo, e eu apenas deixei que elas se fossem. Ainda tenho trabalho a fazer em relação a isso, mas o importante é que não vou mais jogar pra ti de agora em diante. Temos outras coisas para viver, juntas.

No fim do dia foi você que teve uma crise de choro, que ainda não sei se era cansaço (o fim de semana é sempre mais corrido) ou reflexo da manhã. Te abracei muito, dei colo, cantei e depois ficamos em silêncio, você mamando e eu só ali, sendo sua mãe. Durou um tempo bom. A casa estava vazia, éramos só nós duas nos entendendo e nos sentindo, como gostamos tanto de fazer. Depois você levantou da cama e quis ir brincar com o leão de pelúcia e com as bonecas que um dia foram minhas. Me mostrando que é preciso seguir em frente, que tudo fica bem quando a gente se dispõe a ficar bem. Pode não ser fácil, mas é bastante simples – e talvez more aí a nossa maior dificuldade, não é mesmo? Não quero esquecer esse aprendizado, filha. Obrigada por me mostrar – e por ser tão paciente comigo.

 

Com amor, mamãe.

 

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Carta do dia: declaração de amor

Filha,

esta é uma declaração escancarada de amor.
Estou apaixonada por você.
Veja bem, isso não chega a ser uma novidade. Faz tempo que digo essa frase, desde que você ainda ficava aninhada perfeitamente entre minha mão e meu cotovelo quando mamava. Mas tudo indica que a paixão vai se transformando com o passar dos meses e, em alguns momentos, parece que chega a ter picos de intensidade – ou algo assim.
Pensei em dizer que você está numa fase muito gostosa, mas isso eu também falo desde muito tempo.
Fato é que te ver crescer está sendo maravilhoso. Não pensei que fosse assim tão legal – e que bom que não pensei, porque ser surpreendida faz parte da magia. Te ver adquirindo novas habilidades a cada dia, aprendendo trejeitos, imitando o que a gente faz, entendendo o que a gente fala. Nossa, essa parte do entendimento é das coisas mais lindas dessa vida. Tendo paciência e presença para te explicar as coisas, você internaliza muito rápido. De não poder colocar a mão no forno quando tem bolo, até quantas vezes será lido o seu livro preferido na hora de dormir. Você entende, filha. E eu não quero perder isso. Quero sempre me lembrar disso que estamos construindo e vivendo juntos, como família. Sabe, em alguns dias eu e o papai estamos mais cansados e parece que falta força para te explicar algumas coisas, o que também é sentido por você rapidamente. Já percebi que nesses dias é mais fácil perder o tom e ficarmos todos exaustos depois de horas lutando contra sentimentos e vontades. Estamos aprendendo a equilibrar tudo isso. Estamos aprendendo a ceder, um pouquinho cada um, para que todos fiquemos bem. O grande truque é sempre estar presente para o outro, acolher, respeitar. Na dúvida, abrace. Se não entendeu, silencie a mente e escute com carinho. No fim do dia, quando te vejo dormindo, é sempre bom relembrar que nosso dia foi produtivo, e não estressante. Que você aprendeu mais um limite (mesmo que eu tenha repetir de novo e de novo amanhã), e não que eu gritei e chorei. Tem funcionado. Sério, não tem como não achar demais.

Estou amando ser sua mãe.
Estou amando aprender tanta coisa e ver tanta vida acontecendo bem diante dos meus olhos.
Estou amando ver nós três sendo uma equipe, um time, uma família. Crescendo e andando juntos, na alegria e na tristeza.

Obrigada por te vindo, filha. De novo e sempre. Obrigada.
Estou apaixonada por você. É um estado de alma, uma constatação. Certeza mesmo. 

Abraço de urso,
mamãe.

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Carta do dia: 1 ano!!!

São Paulo, 15 de julho de 2015.

Filha,
hoje faz um ano que você nasceu.
Um ano que você encostou a cabeça no meu peito pela primeira vez e se acalmou imediatamente.
É madrugada enquanto escrevo essas palavras, você está dormindo logo ali no quarto, e eu estou aqui emocionada, pensando no que foi a nossa vida nesse primeiro ano. Sinto que não vou conseguir escrever uma carta cheia de floreios e pormenores, mas não queria deixar de vir agora. Para registrar meus desejos. Que você tenha muita saúde, sempre. Saúde é tudo, filha, e enquanto eu puder eu vou cuidar da sua, até você aprender a cuidar por si mesmo. Alegria pros seus dias também desejo, porque a alegria é a melhor coisa que existe – já te mostrei essa música, né? Que você descubra novas coisas, cores, sabores, pessoas. Que continue se entregando. E aprendendo. E me ensinando. Você é tão feliz, meu bem, é tão gostoso de ver. É tão bom quando você me olha nos olhos. É forte e bonito. Desejo que esses nossos olhares continuem sempre. Assim como nossas danças, banhos, brincadeiras no chão, cavalinhos, comidinhas, companhia. Desejo que eu esteja presente, que eu continue presente. Que eu não atrapalhe suas descobertas. Que eu seja quem eu preciso e quero ser. Para que você seja quem é, por inteira. 

Feliz aniversário, meu amor.
Que o seu segundo ano de vida seja pleno, feliz, saudável e com muita luz.
Vai ser um ano e tanto, você vai ver.

Eu te amo muito.

um beijo estalado,
mamãe.

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Carta do dia: o seu abraço

Filha,
no início desse ano eu decidi que buscaria, ao longo dos meses que estavam por vir, ser uma pessoa mais leve. Tentar ser, pelo menos, para começo de conversa. Entendendo o ser leve como não querer carregar mais peso do que os meus ombros aguentam. Peso mental, psicológico, espiritual. Não carregar peso desnecessário. Que não valem quanto pesam. Nem fazer isso por outras pessoas. Estou lendo, escrevendo, tentando silenciar minha mente, escolhendo batalhas. Não sei se está sendo suficiente. Bom, estamos praticamente no meio do ano e já quero te contar que eu não consegui cumprir meu plano durante todo o tempo. E a pergunta que você se faz agora, dai de onde está lendo é: por que, oh céus, esta mulher ainda insiste em planos? Eu sou assim, filha, não tem muito jeito. Mas voltando ao assunto. Não deu muito certo. Ainda. Tenho me estressado por coisas que não sei resolver. Sinto raiva dessa coisa de não saber. Me sinto pequena diante do tanto de coisas que eu não sei, nem imagino. E aí me pego pensando que não, que nem é tão ruim assim esse não saber. Que é até bonito, inclusive. Mas para onde estou olhando, dos assuntos que estou falando, me sinto pequena. Eu queria saber. Não sei agir sem saber (…)
E aí você me olha.
E aí você me abraça.
Você me abraça, filha. Fico tão emocionada de receber esse carinho assim. Você, do alto dos seus 10 meses e meio, me abraça. Pura e gratuitamente. Seus dois bracinhos passam pelos meus ombros e seu queixo pousa em mim, as vezes com o rostinho no meu pescoço. 
E aí o mundo volta pro eixo de novo.
E aí eu paro o fluxo de pensamentos que andam em círculos dentro da minha cabeça.
Apenas para te sentir. 
E é quando eu consigo sentir a leveza no meio do caos.
É quando eu percebo que dane-se essa coisa de o tempo todo. Não existe o tempo todo. 
Você me traz pro presente sempre. E eu te agradeço por isso. Posso até não conseguir ser leve sempre, mas ainda me lembro de pelo menos tentar. E não foi essa a proposta do começo, afinal? Vou continuar me esforçando nos meses que ainda estão por vir, depois volto pra te contar como foi.

com amor,
mamãe.

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Carta do dia: tudo bem

Filha,
você está dormindo logo ali no quarto, a alguns metros de mim. Nossa noite foi tranquila. Tomamos banho juntas, você jantou, brincou um pouco na sala – é lindo te ver concentrada nas coisas, que será que passa pela sua cabecinha? – depois se distraiu e demonstrou irritação quando não deixei você ir engatinhar na cozinha (tá frio em São Paulo, filha, você já estava quentinha, limpinha e o chão da cozinha é bem mais gelado do que o resto da casa, onde você já estava explorando). Te peguei no colo, coloquei uma seleção de músicas que sempre ouvimos, você mamou e dormiu. Deu até pra conversar uma coisinha ou outra com a vovó, que ainda estava por aqui. Depois ela foi embora e ficamos nós duas (papai está na faculdade, hoje é segunda). Pude jantar e, desde então, estou aqui zapeando pela internet, lendo, aproveitando um pouco esse silêncio.
Nem sempre é assim. Tem dias que eu estou mais nervosa e tudo desanda. Dias em que você está muito animada e não vê motivo algum para dormir antes das 23:00. Na hora é cansativo. Às vezes, eu choro. Às vezes, você chora. Fico pensando se estou sendo uma boa mãe, se estou te fazendo sentir algo que era melhor deixar pra depois, querendo pedir desculpas pelo equilíbrio que muitas vezes me falta. Coisas doidas da minha mente que nunca para, talvez você saiba do que estou falando. Mas sabe, filha, daqui de onde estou, sentada no sofá, com tudo calmo ao meu redor, posso ver que tudo bem.
Tudo bem eu querer um momento em total silêncio para voltar pro meu eixo. Tudo bem você resmungar nesse meio-tempo e eu ir correndo te amamentar (você faz carinho em mim quando mama assim sonolenta, é tão gostoso). Tudo bem que em alguns dias pareça que perdemos o jeito e que o bolo desande. Sendo nós o próprio bolo, no caso. Tudo bem. Porque é disso que somos feitos. Esse tanto de acontecimento que não tem regra, nem obrigação de ser. Os momentos tortos existem, mas não existem sozinhos. Há tanta coisa boa e linda e divertida. Precisamos educar o nosso olhar para essas coisas. Voltar nossa atenção para o que é bom, para o que nos faz sair do lugar, para o que nos deixa com frio na barriga. Não deixe que os percalços embacem sua visão do mundo, filha. Muito menos sua visão de si. Pode ser fácil cair nessa armadilha, do comodismo, da mesmice, do automático, de reclamar, julgar, mimizar. Não pare aí, apenas passe. O caminho é torto para que continuemos andando. Que graça teria se já víssemos tudo desde já?
Vamos juntas, minha pequena, vamos sempre. 

com todo amor do (nosso) mundo,
mamãe.

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Carta do dia: nossos novos dias

Filha,
eu já te contei isso, mas quero registrar em carta também: nós vamos nos mudar! Agora não iremos mais morar na mesma casa que o vovô e a vovó; seremos “só” papai, você e eu. Já te contei que isso é muito legal, que teremos um espacinho nosso, que isso não significa que estejamos brigados com eles, ou algo do tipo, pelo contrário, eles estão sendo muito bacanas, nos ajudando com tudo e etc e tal. Ainda estamos no limbo entre um apartamento e outro, naquela fase em que toda a burocracia já foi feita, só falta os móveis novos chegarem. Hoje chegou uma parte, aliás. Já levamos as caixas também, que ficaram aqui guardadas 2 anos esperando esse momento chegar – já te contei essa história aquele dia, enquanto você me via lavar a louça, lembra? De quando papai e eu nos casamos, moramos numa casinha lá longe e como as circunstâncias nos trouxeram pra cá de volta. Enfim, como eu digo: tá sendo uma mudança em doses homeopáticas, rs. E enquanto isso, ainda estamos aqui, no apê de sempre, mas indo ao novo toda hora (é aqui no condomínio vizinho mesmo, rs), medindo paredes, conferindo detalhes, comprando coisinhas, pensando em decoração. Muita coisa a ser feita. Você tem nos acompanhado sempre, obviamente. Você é atenta a tudo, percebe todas as mudanças de ambiente.
Em meio a esse delicioso caos, você cresce lindamente, a olhos vistos! Já pega seus próprios pézinhos e os quer levar até a boca – às vezes consegue, às vezes “os perde” no meio do caminho e põe só as mãozinhas na boca mesmo, rs. Faz bolhas com saliva, grita, conversa, ri, pega tudo o que estiver ao seu alcance. Está quase virando de barriga pra baixo num impulso só. Uma lindeza total! E com essas mudanças no seu desenvolvimento, de vez em quando dá uns “tilts” no seu sono ou comportamento, hehe. Hoje, 25 de novembro, você está ótima, parece ter assimilado que agora temos 2 casas e mais as suas conquistas. Mas na semana passada estava bem mais grudadinha em mim, só servia se fosse o meu colo, choramingando em alguns momentos, e dormindo super tarde. Teve um dia que brigou comigo porque não queria pegar no sono e ficava fazendo bolhas e gritando sem parar, haha. Eu respeito e acolho esses dias mais difíceis, e acredite, eles realmente passam. Te dei muito colinho, te expliquei sobre a nossa nova situação, ri e elogiei as novidades que você me apresentou. Foi demais. E acredite, eu sempre percebo (seu pai também) que você dá umas “espichadas” no tamanho depois dessas “crises”.

Ah, posso te falar uma coisa? Eu AMO o jeito que você olha pra mim! Hoje mesmo eu estava reparando isso, coisa mais bonita da vida, esse seu olhar. E agora você aprendeu a ficar pegando no meu rosto, como estivesse fazendo um carinho, é uma delícia de momento. Estou amando muito ser sua mãe, filha, saiba disso. Me sinto em casa com você, confortável, de bem com a vida. 

Vamos juntas nesse nova fase da nossa história. Vai ser inesquecível.
Vou repetir isso sempre: que bom que você veio, meu amor. Que bom! 

com amor,
mamãe.

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