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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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Ainda sobre medo

Esses dias eu falei que a pequena está numa fase de sentir medo. Hoje eu voltei pra falar sobre este tema, mas dessa vez focado em nós, as mães.

Como mãe, qual é o seu maior medo?

Confesso que pensei um pouco quando dei de cara com esse tema, não é um assunto que eu pense muito, na verdade. Conheço pessoas que usam muito essa expressão, dita pra criança, no caso: “não faz isso que eu tenho medo”. Não sei se vocês já ouviram, mas pra mim não faz muito sentido. Não deixar a pessoa viver determinada experiência por um medo que não pertence a ela. Eu sei que o nosso instinto é o de proteger, e se sentimos medo é claro que queremos evitar – inclusive queremos que todas as pessoas evitem, de preferência, que dirá nossos filhos. Mas ainda assim não é uma abordagem que eu uso, não gosto, não concordo.

Mas voltando ao assunto.

Para começar com o mais “clichê”, eu tenho medo da minha filha ficar doente. Ou de eu ficar doente e não poder ficar perto dela. Céus, isso realmente me dá calafrios!

Estava aqui pensando que, muito provavelmente, os maiores medos a gente sente quando não é mãe. Medo do que a gente ainda não sabe, não faz ideia do que vai ser. Medo de não ter bebê na barriga antes do primeiro ultrassom. Medo de perder. Medo de alguma intercorrência. Medo do parto. Medo de não dar conta. Não que toda mulher sinta todos esses medos, mas sei que são frequentes nas rodas maternas.

Pra mim, no comecinho, assim que tive a Agnes, havia o medo de ficar sem ela. Eu deixava as pessoas segurarem ela no colo, mas eu mesma não descansava, estava sempre ali do lado, pronta para intervir ao menor sinal de incômodo dela (puerpério, amigas, ele não brinca em serviço!).

Mas acho que uma das coisas que mais me traz esse sentimento é o de eu fazer alguma coisa com ela que a machuque. No sentido psicológico, emocional mesmo, porque fisicamente é claro que eu jamais faria nada assim. Tenho medo que a nossa relação se perca em algum lugar do caminho, que não nos entendamos. Veja bem, não é medo dela ir pra longe, sabem? Eu sei que ela vai crescer, vai sair, vai dormir fora, vai viajar, morar sozinha, etc etc etc. O medo é de que a gente não se entenda. Pausa para respirar. Realmente parei aqui escrevendo, porque me dei conta que mesmo que eu não saiba como será o futuro, o agora tem sido muito generoso. Nós nos entendemos muito bem, na minha opinião. Talvez o meu medo fosse do desconhecido, mas agora que estou aqui vivendo e sendo a mãe dela todos os dias, percebo que as coisas não são tão dramáticas assim. Que bom, né.

Acho que o medo tem muito disso, do não saber. As coisas tendem a ser mais assustadoras quando são hipotéticas. Os medos referentes a gestação, parto e amamentação, por exemplo, eu mandei embora lindamente com informação, livros, blogs, grupos e tudo mais. Não sei se funcionou porque eu esclareci tudo que me incomodava, ou se não tive mais tempo de pensar em nada, de tanto que pesquisei, haha. O fato é que o melhor caminho para enfrentar medos que ainda estão no campo da teoria é ler, conversar com pessoas, se inteirar do assunto. Na vida real, o negócio é mesmo ir um dia de cada vez, porque nada é garantido. Ir lidando com o que for à medida que as coisas forem acontecendo, porque já acontece tanta coisa todo dia mesmo, né, sofrer por antecipação não é uma boa ideia para adicionar à lista de pendências. Respira, inspira e, se pirar, a gente vê como resolve a bagunça depois.

Aliás, é focando nesse pensamento e aura zen que eu estou tentando me apegar quando penso na possibilidade de ter outro bebê. Como darei conta? Como dar atenção pra Agnes? Quando dormir? O que é dormir? São muitas questões. Um dia de cada vez, eu sei. Ouvi dizer que tudo vai se resolvendo quando tiver de ser. Oremos.

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Pequena nota sobre um dia qualquer

A pequena acordou 1:30 da manhã e, ao invés de só mamar e dormir novamente, como sempre, despertou de vez. Ainda estávamos acordados, quase indo dormir, então foi um desencontro de energias total. Finalizamos o que estávamos fazendo e deitamos juntos, com as luzes todas apagadas, mas ela não dormia. Falava, cantava, subia em cima da gente, mamava, rolava pra lá e pra cá. Tive a impressão de passar a noite inteira em claro, mas sei que dormi em alguns momentos. Quando ela está agitada assim eu não descanso nada – imagina ela! Será que é salto? Acordei com ela fazendo as mesmas coisas do início da madrugada, me irritei. A vontade era de enterrar a cara no travesseiro, gritar, exigir que me desse uma trégua. Eu queria muito um tempo sozinha, sem ninguém me escalando ou falando sem parar. Levantei da cama de uma vez e entrei no banheiro. Queria silêncio. Ela ficou lá conversando com o pai, que ainda tentava dormir mais um pouco. Eu estava com cólica, dor nas costas, isso sem contar a cabeça pesada pela falta de sono. Entrei no banho. Deixei a água cair nas costas, me deixei ficar ali um tempinho. Depois fiz café, troquei sua fralda e seguimos conversando. Ela disse alguma coisa – não me lembro o que – e percebi que já não estava mais nervosa como quando levantei. Estava cansada, mas não irritada. Rimos juntas, comemos. E o dia seguiu assim – ora eu precisando de algum espaço, ora estando junto para o que estivesse acontecendo. A balança pesando bem menos pro meu lado, mas era o que tinha pra hoje. Chegamos ao fim do dia sem gritos. A noite chegou e eu estava bem. O que havia acontecido na madrugada tinha ido embora pelo ralo, naquele banho da manhã. Só o que restava era a gente seguindo nosso ritmo.

Me dei conta (de novo) de como é importante deixar os sentimentos virem e que, ainda mais importante, é deixá-los irem embora também. Não preciso me prender a isso o dia todo – seja lá o que for. Feliz por ter acolhido nós duas hoje. Não precisa ser totalmente do jeito que eu quero para ser satisfatório. Por hoje eu aprendi.

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Eu mãe

Dia das Mães e a gente se pega pensando nessa coisa doida-linda que é a maternidade.
Eu, que sempre quis ser mãe. Que sempre ansiei por viver o que estou vivendo hoje. Que nunca cogitei ter outra vida, mesmo quando ainda não sabia o tanto de percalços, entraves e batalhas que é preciso travar todos os dias.

Mesmo com os desafios, com os choros, os medos, as angústias, as apreensões e tudo aquilo que tira o fôlego e faz a vontade de parar no meio do caminho bater na porta.

A verdade é que gosto.

Ser mãe é o que eu sou. É parte do que eu sou. Uma parte fundamental, que existe desde muito antes da presença física da minha filha.

Eu me reconheço como mãe. É um pertencimento. Como se a maternidade fosse um lugar. Me sinto em casa.

Em tantos momentos eu quero ficar sozinha, eu quero um tempo pra mim, só ficar sentada no sofá sem fazer nada. E mesmo assim ainda penso no quanto gosto dessa vida. Não trocaria por nada, com certeza. Não é nem questão de romantizar. Estou divagando na madrugada aqui mais pra mim mesma. Eu sei que não é só bonito, e como sei. Sei das sombras, dos fantasmas, dos bichos papões. É que ser mãe é algo tão importante e inato em mim que eu acabo sempre voltando meu olhar para o quanto isso me acrescenta e me faz bem.

Eu tenho muito a agradecer às minhas filhas. À bolota, que fez nascer em mim esse sentimento; me fez forte. À Agnes, pela prática diária e por tudo que tento exercer nos nossos dias. A presença. A leveza que me lembra de usar quando estou a ponto de surtar. A paciência, a escuta, o acolhimento, a praticidade, a compreensão, a simplicidade. E também a força, aquela que eu só descobri que tinha quando ela nasceu. A força de brigar pelo que acredito e defender a verdade que estamos descobrindo juntas.

Eu repito pra mim mesma que sou mãe e aceito de bom grado às felicitações que recebo. Não porque precisamos de um dia x blablablá. Só pra confirmar que é mesmo real essa vida que ando levando. Eu sou mãe! E não há quem me faça deixar de ser.

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Estudo psicológico sobre as redes sociais

 

Pode ser que eu acorde um dia me sentindo péssima, com duas espinhas no rosto, cabelo teimando em permanecer pra cima e pés de galinha no canto dos olhos. Eu posso, então, lavar o rosto com água fria pra acordar, passar um BBcream, prender o cabelo e seguir meu dia normalmente, inclusive saindo de casa e mostrando a minha cara arrumada pra sociedade. Eu posso rir disso no fim do dia. Eu posso decidir passar no salão para fazer as unhas e me sentir um pouco melhor comigo mesma. Eu posso só ir vivendo mesmo e aceitar como um dia normal, que vai chegar ao fim. Porque afinal é só um dia comum, na minha vida comum. E tudo bem.

No meio disso tudo, lá no salão, eu resolvo tirar uma foto dos meus pés de unhas coloridas, porque eu adoro minhas unhas dos pés coloridas e porque, nossa, realmente faz tempo que não faço algo por mim, preciso registrar isso. E posto em alguma rede social.

A pessoa lá do outro lado, deslizando fotos no instagram ou no facebook, se depara com os meus pés coloridos e vai ter certeza que eu sou um sucesso de pessoa. Que eu sou organizada o suficiente para conseguir uma brecha no meu dia e ir fazer as unhas. Que minha casa está limpa e minhas roupas engomadas. Que alguém está cuidando da minha filha enquanto isso, e que eu tenho muita sorte por isso. Que eu só consigo esse horário porque não trabalho, assim fica tudo mais fácil. Eu sou um sucesso de pessoa. Ou, pode ser que me ache uma fútil, que paga manicure, mas não paga a feira orgânica. Que terceiriza a filha para fofocar no salão. Que posto foto colorida, quando o mundo anda tão cinza. Que é tudo mentira. Ilusão. Justo eu, que quero ser hippie, isso é tudo falácia mesmo, não dá mais para acreditar em ninguém hoje em dia nessa internet. Ou, numa terceira hipótese, a pessoa passa direto pela foto porque não chamou sua atenção e ela não perde tempo lendo legendas que não lhe interessam.

Para cada reação, posso quase garantir que o que vai prevalecer para essas reações não é o filtro que eu escolher pra foto ou a legenda. É o que a pessoa está sentindo no momento. É o dia que ela está tendo. É a bagagem que ela carrega.

Do ponto onde me encontro, é apenas uma foto de um momento que finalmente deu certo na minha semana. E o texto poderia acabar aqui, ou com alguma reflexão sobre como uma mesma coisa pode render muitos pontos de vista. A vida, essa maravilhosa. Mas eu ando meio angustiada com uma coisa. Ainda usando o exemplo acima, digamos que a pessoa não só projetou algo da vida dela nos meus pés coloridos, ela fez um post sobre essa projeção. Que gerou ainda mais projeções, que gerou revolta, e a história não tem fim. Como se, usando os defeitos ou erros de outra pessoa, eu conseguisse promover as minhas qualidades, ou anulasse os meus pecados. Sororidade, definitivamente, não é isso.

Agora eu paro pra pensar: que tipo de realidade as pessoas querem nas redes sociais? Porque assim, falando de verdade, não tem como a gente compartilhar tudo cem por cento 24 horas por dia. Que bom, né! Eu fico pensando em algumas pessoas que acham que o que se vê ali na timeline é o retrato fiel e a prova irrefutável do que quer que seja que ela pense sobre a vida do outro. Gente, isso não existe. Assim como não dá para julgar a pessoa por uma conversa que ouvimos no ônibus. Ou apontar o dedo pra birra que vemos no corredor do shopping. Eu sei que o julgamento existe, o que quero dizer é: tamo fazendo tudo errado!

Penso também no seguinte ponto: essa coisa fidedigna que tanto queremos, porque ela anda causando tanto alvoroço? Para além da discussão do mundo romantizado, quero dizer. Digo, eu sei que #precisamosfalar sobre um punhado de assuntos. E precisamos mesmo! Enquanto sociedade, a discussão precisa ser feita em muitos níveis, sobre tudo. Estamos quebrando muitos paradigmas assim, e é só o começo. Porém, o meu ponto é: para além disso, o que mais te incomoda? O quanto já mentiram pra você na sua vida toda? O quanto ser enganado já tirou a sua fé? Por que é tão importante se manter forte, quando tudo o que você precisa é de um abraço e um pedaço de bolo? Quando você deita a noite e relaxa dos assuntos mundanos, o que sente? Que dor é essa que ainda persiste e parece nunca ter fim? Como foi sua infância?

Não sei. Talvez fosse legal a gente ter aulas de autoconhecimento na escola. Eu sempre quero entender porque cada um sente o que sente. Pessoas são mundos inteiros, cheias de possibilidades e de respostas e de perguntas. Seria muito bom aprender sobre todas essas coisas desde cedo. Aprender a olhar para quem somos de forma inteira, não enviesada. Olhar para dentro, não para os estereótipos. Aprender a lidar com o que não é belo, e apreciar o que é. Entender que há muita coisa dentro de mim e que, veja só que surpresa, deve ter muita coisa dentro do outro também. É muito mais produtivo lidar com os próprios fantasmas, ao invés de jogar no colo alheio. Muitas vezes, a gente consegue isso justamente se relacionando com outras pessoas. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Aprender a nomear também é importante. Quando a gente aprender a ser gentil com quem somos, e a ter coragem para nos olharmos, talvez a gente consiga ter uma escuta mais atenta pro outro também. Porque no fim das contas, em uma infinidade de vezes, nós vemos as coisas mais como nós somos do que como elas são. E isso muda tudo.

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Só pensando

Mal eu disse que a nuvem de tempestade que cobria meu puerpério foi embora, finalmente, deixando as coisas mais leves e frescas, já estou aqui pensando quando o baby 2 dará as caras nesse mundo.

Hahahahahahahahaha!!!!!

Veja bem, eu nunca pensei em ter um filho só.
Mas confesso que quando a Agnes nasceu cheguei a dizer que já tava bom, já, obrigada, passar pelas chatices de novo eu dispenso. Sério, eu sou uma velha ranzinza, a quem eu quero enganar? Só que joguei essa rabugice debaixo do tapete e voltei a pensar numa família maior, eeeeee!!

Não. Não faço a mínima ideia de quando vou engravidar de novo. Como eu já comentei aqui outras vezes, não sei seguir nem o cardápio semanal, imagina plano de médio e longo prazo? Sem chance. Sei que não dá pra engravidar agora, já, hoje, 2015. Apenas porque estamos numa fase da vida que olha, vou nem comentar, crise é apelido. Quero pelo menos dar uma amenizada na coisa antes de trazer mais gente pro mundo.

Às vezes acho que minha relação com a Agnes ainda é muito simbiótica, que não dou conta de outra disposição e entrega emocional assim. Tô confiando nas amigas que já passaram por isso e disseram que tudo vai se ajeitando. Sei que amor tem de sobra pra todo mundo, mas essa coisa de estar disponível 100% nos primeiros meses já vai ser diferente, né. Penso em como lidar com essas novas demandas etc e tal. São questões. Nada que o tempo e mais algum amadurecimento (meu e da pequena) não resolvam. assim espero

Porém, nada disso não me impede de pensar, né não?
No parto domiciliar que eu quero. Nas quiança brincando junto. Eu e a Agnes pintando a barriga (oiin!). Roupinhas pequetitas. A gente sendo uma família de 4 integrantes. Só lindezas ❤

A dúvida da diferença das idades já desencanei de responder, apenas porque descobri que não existe resposta ideal mesmo. Sempre haverá prós e contras, de todos os lados. Eu só não queria que tivesse acontecido de engravidar antes dela fazer 1 ano, por toda bagagem emocional mesmo, como acabei de dizer, e como não aconteceu, tudo bem. Se fosse para escolher realmente, talvez eu escolhesse quando ela já tivesse desfraldado e desmamado, bem aquela coisa de “deixar de ser bebê”, mas nunca cheguei a fechar como uma certeza aqui dentro. Só pensando.

Esse texto é todo um pensamento geral, na realidade.
Não existe data, não existe plano, sequer existe tentativas. Apenas uma nova ideia para matutar. Coisa que adoro fazer, inclusive. O baby 2 sabe bem a hora de vir, eles sempre sabem. A nós cabe apenas ouvir, e deixar vir.

Beijo especial para minha querida Romana Naruna, que está grávida do bebe2 e escreveu um texto que me emocionou muito. Vida longa e farta a vocês, amiga. Que bom que, diante de tanta coisa que desaba, vocês escolheram construir e ser amor. 

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Sobre a arte de ser mãe e acolher também a criança que eu fui

Uma das coisas mais difíceis na prática da maternidade, na minha opinião, é lidar comigo mesma. É entender que muitas vezes, diante de uma situação rotineira, como um almoço ou a hora da soneca, quando o caldo entorna e as lágrimas surgem, o que eu enxergo (em mim) é a criança que eu fui. E mais, que a minha filha é um espelho que apenas reflete aquilo que vê. E nem todos os dias, em todos os momentos, ela vê beleza e harmonia. Há muita bagunça no mundo, e dentro de mim não é diferente.

Eu não estou aqui para me culpar. Nem para discorrer sobre a formação da psique da minha pequena – se ela vai interiorizar isso de tal ou qual maneira (já faço isso em outros momentos de insanidade, me deixem). Só quero dizer que nem sempre é fácil manter o equilíbrio. O equilíbrio vem do constante movimento, aquela coisa sobre andar de bicicleta, mas e quando bate o cansaço, como prosseguir? Também não quero fazer o discurso da mãe que sofre e coisa e tal, pois este nunca me apeteceu. Talvez eu até pudesse começar esse texto de outro jeito.

Uma das coisas mais difíceis na prática da vida, na minha opinião, é lidar comigo mesma. É entender que, muitas vezes, numa situação rotineira, o que me incomoda é o quanto de mim eu reconheço no outro. Perceber que a minha ação agora é uma resposta a uma atitude que já pereceu tempos atrás. Reagir conforme o passado nem sempre é uma boa ideia. Talvez nunca seja uma boa ideia. Mas quando os sentimentos afloram, raramente conseguimos pensar nisso a tempo.

Na minha relação com a minha filha não é diferente. Muitas vezes eu me vejo nela. Muitas vezes, eu vejo outras pessoas fazendo com ela o mesmo que já fizeram comigo e que me fez tão mal. Não tem como evitar reviver tudo de novo. Dá vontade de brigar, de voltar atrás, de fugir pro mato. Dá vontade de protege-la da dor que eu senti. É surreal, eu sei. E é por saber disso que tento fazer diferente.

Todos os dias eu repito o mantra de que a minha história é minha. Que sim, posso aprender com os erros e os acertos de outras pessoas, mas dificilmente o quadro se repetirá do mesmo jeito, sempre igual. E que bom que é assim. Estou construindo uma história nova, com uma pessoa nova, que vai achar seus próprios jeitos de lidar e interpretar tudo isso. Ou melhor, ela está construindo, não diz muito respeito a mim, em certo nível. Ao invés de querer protegê-la de um passado que ela não viveu, de uma história que ela não faz a mínima ideia que rolou, o que eu preciso fazer é acolher a criança que eu fui. Eu faço isso na minha autoterapia há uns bons anos já, mas tem sido mais efetivo desde que me tornei mãe. É libertador. O espaço que me sobra libertando esses fantasmas é bem grande. E o peso que eu tiro das costinhas da minha filha também não é pequeno.

Porque é isso, né. Se eu não quero projetar nela desejos meus, se não quero que ela atenda incansavelmente todas as minhas expectativas, é no mínimo incoerente projetar meus traumas e desventuras em sua vidinha ainda tão curta. Ela é uma pessoa inteira, nova, começando a formar sua linda e vasta bagagem, pronta para viver um sem número de histórias, incluindo algumas lágrimas e questões porque faz parte do processo. A mim cabe amparar, conduzir enquanto não há toda autonomia, acompanhar, acolher, ensinar e aprender. Projetar não é verbo que cabe nessa relação. Não cabe em nenhuma, mas com criança é ainda mais sério. Meu desejo é que eu saiba colocar a Marina criança no colo quando for necessário, para que a sua parte adulta esteja presente e inteira para ver a filha crescer saudável. Amém.

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Eu quero uma casa no campo

Esses dias eu vim aqui contar sobre a solidão que surge em alguns dias nessa travessia.
Falei que aqui nessa cidade tudo é longe. As pessoas ficam envolvidas com suas rotinas e afazeres e é difícil marcar alguma coisa de uma hora pra outra. E não estou reclamando das pessoas, cada um vai se virando como pode, eu sei. Tô reclamando é da dinâmica da cidade mesmo. Acho que estou em crise com São Paulo.

Quando eu era criança e morava em Minas, dizia que um dia viria pra cá. Nem demorou tanto assim, com 11 anos meu pai veio trabalhar aqui e voltamos novamente à terra da garoa. Para ser sincera, adorei. Não sei, mas morar em São Paulo fazia muito sentido na minha cabeça, não dava para ser de outro jeito. Eu gosto daqui. Gosto do que a cidade me oferece. Cultura, shows, livrarias lindas, a Avenida Paulista, que eu simplesmente amo, a Vila Madalena, parques… tem tanto lugar legal aqui. E aí vieram as pessoas. A melhor amiga da escola que até hoje está na minha vida, outros tantos amigos, de tantas épocas, de vários lugares, pessoas que eu admiro, pessoas em quem eu me inspiro, sem contar todas as outras pessoas interessantes que eu nunca nem troquei um oi, mas sei que estão aqui, cruzando comigo na rua, fazendo parte desse cenário doido e intenso. Além do meu marido, que conheci aqui. Além de uma parte da família, que sempre esteve aqui. São Paulo tem tudo, né. Tem escola tradicional e escola alternativa. Tem hospital particular cesarista e tem casa de parto. E tem equipes de parto domiciliar. Tem carro e (agora) tem bicicleta. Tem prédio e tem parque. Até a distância sempre me pareceu algo positivo, porque eu adoro descobrir caminhos novos por aqui (gosto que compartilho com o Cleber, aliás, só ele sabe o quanto já andamos a pé e de ônibus por essa cidade). Por mais que eu nunca tenha almejado um cargo importante numa multinacional (que aqui tem aos montes), por mais que o meu corpo sempre tenha trabalhado num ritmo um pouco menos frenético, eu me sentia bem aqui. Em casa. Talvez porque aqui caiba tantas singularidades. Abrace tantos estilos.

E você que está aí me lendo agora pode pensar que eu sou romântica demais. Que essa cidade é um caos. Que o trânsito é um inferno. Que as pessoas são mal educadas, são egoístas, só pensam em dinheiro. Que a violência está em toda parte, não dá para descuidar. Eu sei. Eu sei que pessoas ruins e egoístas estão em todo lugar, e por morar numa cidade grande, muitas delas estão mesmo aqui. De qualquer forma eu gostava e focava mais no lado bom do que no ruim. Porque é assim que eu olho pro mundo.

Só que alguma coisa mudou.
O estopim pode ter sido o nascimento da Agnes, mas não começou aí. Também não sei quando foi. O fato é que, se antes eu queria vir pra cá e amava voltar depois de cada uma das férias, pelo tamanho e o tanto de possibilidades que eu tinha aqui, de repente eu queria ir para um lugar onde tivesse menos. Menos barulho, menos pessoas, menos interferência. Talvez eu tenha mudado. Não tem me apetecido mais essa distância. Para levar minha filha para pisar numa simples grama eu preciso arrumar uma mochila com roupa de outra estação, pegar o carro ou transporte público, talvez enfrentar lentidão, ficar lá pouco tempo pra voltar antes da hora de pico. Dela e da cidade. Desanima todo esse ritual e preparação todo dia. Óbvio que eu podia pensar diferente se eu morasse ao lado do Villa Lobos, só descer o elevador e pronto. Ou numa casa com quintal legal. Não é a minha realidade. Eu não tenho nem uma pracinha perto de casa, que dirá um parque. Moro em condomínio, mas a área social é uma vergonha de tão pequena. Não tem nem balanço. Sério, como uma criança cresce sem balanço? Fora que a ideia de me contentar em viver dentro dos limites do portão do prédio passa muito longe do meu conceito de liberdade. Que é a palavra chave para uma infância mais plena e feliz. E é aqui que eu paro. Antes, quando tudo era só belezas na minha visão, eu não tinha uma pessoinha em casa. Os planos da chegada dela ainda eram distantes. Comecei a mudar de opinião quando percebi que a cidade não é amigável com as crianças. Tem quem tente, tem que arrume um jeito, quem crie suas vilas e redes de compartilhamento, mas não é tão comum.

Quando eu comecei a estudar sobre o parto humanizado, caí também nas questões da infância e tudo mais sobre esse universo. Juntando isso com a infância que eu tive, que foi das melhores que se pode imaginar em termos de liberdade, brincar na rua, contato com a natureza, etc – e que eu sempre desejei para os meus filhos também – a ficha foi caindo que não ia rolar bonito aqui em São Paulo. E realmente não está rolando. Por isso eu tô em crise. Sou hippie, quero comer orgânico, quero liberdade, quero árvore, quero segurança e tranquilidade na rua, quero muita coisa que aqui não tá tendo, não. Não pra todo mundo que quer. Muita gente tem pegado o caminho contrário e ido para outras cidades. Nossa, muita gente que eu acompanho tem feito isso nos últimos tempos. Tô doida pra fazer isso também. Mas ainda não dá, não é a nossa hora. Não temos planos concretos de nada, na verdade, só vontade.

O que eu sei é que não dá pra continuar como está. Vou começar um projeto sobre os lugares legais (que não são meus vizinhos, nem de bairro) que tem aqui na cidade para levar as crianças. Projeto é só uma forma bonita de dizer que vou me obrigar a enfrentar o lado ruim e ficar firme na proposta. Com o único objetivo de me fazer continuar gostando daqui um pouquinho. E não entrar em depressão com as coisas ruins. E me dar força para continuar até achar um lugar melhor para morar. E oferecer, por enquanto, pelo menos uma vez por semana, um pouco mais de qualidade de vida para minha pequena. Ou eu vou ter motivos para sair daqui de vez, ou vou conseguir encontrar um jeito de ressignificar minha relação com a cidade. Só sei que do jeito que está não quero continuar.

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O começo do fim

Algumas pessoas dizem que o puerpério é mais aquele momento do pós parto imediato, até uns 3 meses, mais ou menos. Realmente, ali a coisa é intensa, é quando estamos tateando nessa novidade de ser mãe e tudo mais.
Outras, dizem que ele perdura até os 2 anos. Que é quando o bebê já está maior, a fusão emocional já não é a mesma, enfim.
Ainda tem aquelas que acham que o dito cujo acaba quando voltamos a menstruar. Que é o sinal do nosso organismo que estamos pronta para outra fase.

Não sei.
Tem mulheres que não amamentam e voltam a ter ciclos logo, e também aquelas que mesmo amamentando voltam cedo. Eu ainda não voltei. Tem quem ache 2 anos tempo demais – ou de menos. Que dirá 3 meses.

Sei que o puerpério é uma fase bem delicada e deve ser tratada com carinho.
E cada mulher tem o seu tempo de vivê-lo. Um tempo próprio, como em muito da vida.

Pra mim, é o tempo de imersão total, de fusão, de simbiose completa. É o tempo em que olhamos pro espelho procurando encontrar alguma semelhança com aquela que éramos até pouco tempo atrás, e que parece ter ido para não voltar. O tempo de adaptação. De ressignificação. Do reencontro. O tempo em que queremos ficar coladas dia e noite na cria. É um tempo de reconhecimento. Reconhecimento mútuo. Com quem parimos e com quem pariu.

Eu vivi isso na pele desde o dia que a Agnes nasceu, como era de se esperar. E agora, quase um ano depois, acho que esse período está chegando ao fim. Ou pode ser que seja o começo do fim, sei lá.
Em setembro do ano passado, 2 meses depois que ela nasceu, experimentei pela primeira vez a sensação de que “oh, existe vida depois do puerpério!”. Foi quando eu fui me acostumando com a nova intensidade e vislumbrei outras coisas. Até escrevi algo sobre isso. Foi muito bom. Foi ali, aliás, que eu tentei um trabalho em home office, que acabou não rolando, porque realmente era muito cedo, mas valeu o aprendizado.

Essa semana experimentei essa sensação de novo. Sensação de que existe vida pra mim em algum lugar fora da bolha materna. Que eu sei falar de outros assuntos, me interessar por outros casos. Quem diria (rs). E resolvi encarar isso como um sinal de que estamos mesmo chegando numa nova esquina. Que eu quero inventar um projeto, exercitar mais essa mente. Não que eu vá começar a me ausentar da vida da Agnes ou algo do tipo. Na verdade, ainda nem existe algo concreto, só o sentimento. Mas se antes eu nem imaginava outros afazeres, nem conseguia, agora as coisas parecem estar voltando para o seus (novos) lugares. A disponibilidade para outras coisas do meu mundo – que antes era zero – agora está surgindo.

Me sinto bem. E pronta para descobrir e testar alguns jeitos de fazer isso acontecer. De ser uma mãe inteira para minha menina, sem deixar de contemplar outras vontades minhas, que possam (re)aparecer pelo caminho. Porque só assim mesmo é que somos inteiras, né. Não tem como ser uma mãe inteira se estivermos com a sensação de falta em outro lugar. É preciso ouvir o que sentimos e encontrar formas de abraçar essas vontades, de fazer caber nessa vida doida nossa de cada dia. É o que eu vou fazer nesse próximo ano, já decidi. Mas calma, deixa eu curtir meus últimos dias antes do primeiro aniversário. Não preciso da pressa agora, basta-me organizar algumas ideias. Tá muito gostosa essa fase e eu quero mais é aproveitar!

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Crise existencial… bloguística

Tenho pensado tanto no blog. Que eu queria estar escrevendo mais, compartilhando mais, inventando mais assuntos pra contar. Estar mais presente aqui, afinal. Eu podia culpar a falta de tempo, mas nem sempre essa desculpa cola. De vez em quando eu abro essa página, vejo o espaço em branco e penso em mil possibilidades, mas não consigo começar nada. Ou começo, mas não termino. Ai o telefone toca, a bebê chama, chora, puxa o fio do carregador, me puxa pra junto de si. Aí é hora de comer, de tomar banho, de cozinhar, de limpar… de (tentar) descansar. E o texto se perde no limbo dos rascunhos e dos pensamentos inacabados.

O fato é que eu tenho sentido falta e ando querendo mudar isso. Acho que todo mundo passa por isso vez ou outra, quando se tem um blog, né? Quase uma crise existencial bloguística, rs. A internet tem tanto conteúdo, tanta informação, será que não vou escrever mais do mesmo? Será que tô me expondo demais? Expondo minha filha mais do que o necessário? O quanto é necessário – acho que nem é essa a palavra adequada, mas enfim.

Quando a Agnes nasceu, mal ia no colo de outra pessoas. Até hoje é meio assim, mas já mudou bastante. Mas naquela época eu sentia que ela não queria muitos olhares pra si, muita gente, muita energia. Eu também não queria. Mal postei foto dela aqui, só comecei a colocar algumas depois de uns meses, porque não fazia sentido me recolher com as pessoas e mostrar tudo nas telas. No face diminuí muito também, muito. Só sobrou o instagram. Lá eu posto com mais frequência, mas obviamente que nem tudo e nem todo dia. Tenho até escrito algumas coisas curtinhas por lá recentemente, tem sido um bom exercício. A vontade de escrever sobre esse nosso mundo materno tem surgido de novo e escolhi começar por lá, que é mais rápido, eu acho.

Também tem o fato de que me vi meio afastada das teorias todas. Sem querer ler sobre o ter que fazer de tal ou qual jeito. Então acabei não escrevendo sobre os meus meios e escolhas também. Sobre isso sairia um texto inteiro, e vou escrever. Mas não era sobre os outros, sabem, sobre o “não sou #menasmais por isso, isso e isso outro”, justificativas e tudo mais; era mais sobre mim, mesmo. Uma ruptura entre a teoria e a prática, entre todos os textos que eu li e sobre a vida real aqui da minha casa. Eu precisava de tempo e espaço. E me dei isso. Sobretudo eu não queria que nada soasse como justificativa, explicações, talvez eu tenha lido em grupos e em outros lugares muita coisa nesse tom, ou reflexões sobre esse assunto, ou tenha sentido isso em algumas pessoas, ou de tudo um pouquinho. Só sei que preferi muitas vezes o silêncio do que a palavra. Na dúvida, achei melhor esperar.

Mas agora eu quero voltar. Escrever sempre foi a minha melhor ferramenta para lidar com o mundo. Sempre fez parte da minha vida e não quero perder isso agora. Eu poderia escrever em outro lugar, não publicar, achar outros jeitos, mas gosto muito daqui. Gosto do que construí, das pessoas que conheci através do blog, do carinho, da troca, de tudo. E isso me basta. Se tornou um lugar especial pra mim, que quero continuar cultivando.

E é isso. Vou tentar ir voltando aos poucos, no ritmo que as coisas forem acontecendo do lado de cá.

Beijo nosso

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