Arquivo da tag: história

Um novo tempo

Domingo, 21 de maio, Agnes mamou quando acordou. Tomamos café da manhã, ficamos por aqui e depois saímos pra almoçar. Depois fomos ao shopping e ela ficou brava por algum motivo – que, na verdade, era sono. Ninei e disse que ela ia dormir sem mamar, só com carinho e colo, ela perguntou porque, eu disse que o mamá estava acabando. Ela aceitou, fiz carinho na barriga, com ela no colo e então ela dormiu.

Já faz dias que estou falando que o mamá está acabando. Não digo que já acabou, porque não quero mentir. Mas estava conduzindo assim rumo ao fim. Tinha dias que ela aceitava mais, outras menos. Teve um dia, alguns dias antes disso, que ela ficou o dia sem mamá e depois teve 2 escapes de xixi, achei que estava indo rápido demais. Mas a verdade é que pra mim já tinha chegado num limite. Eu não estava mais tão confortável em amamentar, ela mamava de fato muito pouco, ficava mais com o peito na boca, isso quando não prendia o dente e depois ficava até marcado, doía muito. Não estava mais prazeroso, era mais uma comodidade nossa, coisa que não sabíamos direito como mudar por nunca termos nos relacionado sem isso.

No dia seguinte, segunda-feira, ela mamou um pouquinho só de manhã quando ainda estávamos dormindo. Essa é a mamada mais difícil de tirar, eu acho, porque ela mama ainda sonolenta, eu também estou mais dormindo do que acordada. Mais difícil tirar essa do que a da hora de dormir, na minha opinião. Aliás, já consiguia fazer ela dormir sem mamá há alguns meses. Não era todo dia, mas rolava tranquilamente. Enfim. Ela mamou um pouquinho e depois eu tirei, ela reclamou um pouco mas logo disse “eu não mamo mais? Agora só carinho e abraço?”. Eu concordei, ela me abraçou e assim dormimos mais 1 hora.

O dia todo ela nem tocou no assunto. Quer dizer, quando saí do banho, ela me viu colando a blusa e disse de novo: eu não mamo mais, né, mamãe? Sim, filha. Você está crescendo e agora estamos descobrindo novas formas de chamego. A mamãe foi muito feliz em te amamentar por todo esse tempo, mas agora é uma nova fase. Você sempre vai ter o carinho e o colo da mamãe, do papai. E ela completou: e da vovó e do vovô. Sim, filha, deles também.

E foi isso.

A noite ela acordou chorando e dei um pouco só, porque ela pediu, tipo um minutinho, depois tirei e fiz carinho. Terça não mamou nada. Quarta só colocou a boca no peito de manhãzinha por um minutinho de novo. De vez em quando ela pede, tipo quando tá com sono, mas é só eu lembrar do carinho que ela aceita tranquila e logo dorme.

E foi assim que eu fui percebendo que nosso tempo havia chegado, que um ciclo estava se encerrando para iniciar outro, ainda desconhecido por nós.

Desde janeiro eu estou “ensaiando” começar esse processo, porque realmente estava cansada – não era um cansaço físico da rotina, era do ato mesmo. Mas fui aos poucos, sem pressa. Comecei a falar pra ela que em algum tempo o mamá iria acabar, que ela estava crescendo, que iríamos chamegar e estar juntinhas de outras formas. Conversava muito com ela, mas não estabeleci limite, nada. Fui apenas sentindo. Há 1 mês, mais ou menos, comecei a ser mais constante no processo, falei várias vezes pra ela, mas horas depois ela pedia pra mamar de novo e eu dava, porque percebia que ainda não era o momento. Não era todo dia que eu fazia isso, não estava “empenhada” em desmamar, mas sabia que tinha que ir falando com ela, com a gente é tudo na base da conversa, sempre foi, e eu sabia que em algum momento ela entenderia e aceitaria. Domingo eu fiz o que fazia antes e ela aceitou tranquilamente, então acredito que foi o tempo dela também.

Hoje é quinta-feira, o quinto dia que ela não mama mais. Ainda estamos nos adaptando, mas acho que já posso dizer que sim, um novo tempo começou aqui nós. Foram 2 anos e 10 meses de aleitamento materno, 6 meses de forma exclusiva, quase dois anos de livre demanda total. E eu sou muito, muito, muito feliz e me sinto muito grata por ter vivido isso com ela.

Deixe um comentário

Arquivado em acontece comigo, Agnes, amamentação, coisa linda, confirmação, contando a novidade, desenvolvimento, desmame, maternagem, maternidade possível

Breve relato de um desfralde (quase) relâmpago

Coisas acontecem, amigas.

Numa manhã de sábado, eu levantei cedo, me arrumei, comi umas bolachinhas, peguei minha bolsa e saí, rumo a uma aula experimental de yoga. Deixei Agnes e Cleber dormindo. Tudo isso antes das 8 da manhã. Andei até o metrô (quase 2 km), cheguei lá, fiz a aula, adorei, voltei comendo uma maçã, andei o mesmo tanto e, quando cheguei em casa, minha filha estava desfraldada.

Ok, quando eu cheguei, ainda não sabia do fato. Ela adorou que eu voltei, mamou, me contou que foi brincar no parquinho com o papai, o que comeu e tal. E aí me contaram que ela estava sem fralda. A manhã toda de calcinha. Deixamos o restante do dia, sucesso absoluto, sem escapes.

Nos animamos e mantemos o pacto de tirar a fralda de vez, não tinha como voltar atrás. Eu já tinha tentado antes, mas acho que nem ela e muito menos eu estávamos na vibe. Comprei um assento redutor recentemente, pra ver se ela animava, porque tinha medo antes de sentar no vaso sem nada e eu não gosto de penico, mas ela sempre dizia que queria a fralda e eu não insistia. Ou até ficava a manhã sem fralda, por exemplo, mas era como se fosse uma brincadeira, quando íamos sair, eu colocava a fralda e voltávamos à estaca zero. O Cleber tem uma abordagem mais direta, digamos assim, haha. Na troca daquela manhã tirou a fralda e conversou com ela, dizendo que iria ficar de calcinha, que não iria mais usar fralda e sim o banheiro, igual a gente blablabla. Ela até disse que queria a fralda, mas como ele conversou de novo e se manteve firme, ela aceitou e assim foi. Comprei umas calcinhas novas, porque ela tinha pouquinhas, e ela adorou a novidade.

Colocávamos a fralda só pra dormir a noite e tirava logo que acordava. No primeiro dia, a fralda acordou encharcada. Nos dias seguintes, não. Acontecia um ou outro escape durante o dia, lidamos tranquilamente e seguíamos o dia. Em casa, de calcinha. No parquinho, de calcinha. Pra sair, de calcinha. Soneca da tarde, de calcinha.

Mas depois de uma semana, mais ou menos, parecia que ela não estava mais tão satisfeita com essa nova dinâmica. Teve um dia que ficou sem fazer cocô, porque não queria ir ao banheiro. Ela dizia que queria, a gente tentava, mas ela não fazia. No dia seguinte, chorou querendo a fralda, que estava em cima da cama. E não estávamos tratando diferente, não demos bronca, nada. Durou uns três dias essa insatisfação até que, numa conversa, Cleber e eu chegamos a conclusão que ela estava ficando confusa por colocar a fralda de noite. Não estava funcionando. Como estava acordando sempre seca, resolvemos bancar a escolha e tirar de vez. Tiramos. E desde então, há quase duas semanas, só tivemos um xixi na cama (ontem, e acredito que porque fomos numa festa de aniversário e ela tomou muito líquido). Teve até um dia que ela me acordou 5:40 pedindo pra ir ao banheiro, tão linda, rs.

E essa é a breve história do desfralde total da Agnes, aos 2 anos e 7 meses.

Como eu disse, coisas acontecem. Eu já tinha tentado, mas sinceramente não tive firmeza nenhuma, ao menor sinal de resistência dela eu voltava atrás. E é claro que isso não ajuda muito, né. A segurança do pai foi um pontapé fundamental nesse processo.

Que bom que eu acordei cedo e saí de casa naquele sábado.

Quero ver agora qual vai ser o milagre que vai acontecer pra termos o desmame, mas vamos com calma, né. Um dia acontece (oremos! 😛 )

 

1 comentário

Arquivado em Agnes, contando a novidade, desenvolvimento, desfralde, relato, ser pai, solução

De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

Deixe um comentário

Arquivado em acontece comigo, autoconhecimento, como lidar?, conflito, dia a dia, eu mãe, insight, reflexão, sentimento, sintonia, vida real

Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

Deixe um comentário

Arquivado em acontece comigo, Agnes, amor, aprender, coisa linda, como lidar?, conversando, dia a dia, história, presença

Tchau, pão de queijo!

Contei o causo tragicômico e não vim contar sobre a diarreia da pequena. Nunca antes na história dessa família se viu algo daquele jeito. Nem vou entrar em muitos detalhes, na verdade. Quando começou, achei que fosse dente, até porque ela andava irritada e sem apetite. Teve um dia que ela não aceitou comer nada. Fomos caminhar no parque e ela nem conseguia brincar, tadinha. Acho que estava fraca. Não quis nem o açaí, o que é muito muito raro de acontecer. Depois desse dia foram mais 2 de intestino completamente solto. Não consegui encaixe com a pediatra dela, então levei no pediatra do meu sobrinho, que eu já conheço também e tinha uma vaguinha pra nós. Felizmente as coisas já estavam melhorando. Ele disse que não era dente coisa nenhuma, provavelmente foi algo que comeu. E aí chegamos no que eu não queria.

A antiga dúvida sobre a sensibilidade dela ao leite de vaca.

Vamos voltar um pouco para contextualizar.
Quando tinha 2 meses, Agnes apresentou uns sintomas que não gostei, que são associados à aplv (alergia da proteína do leite de vaca). Muito muco e rajadinhas de sangue nas fezes. Além de golfar demais. Cortei toda e qualquer coisa com leite, derivados e traços da minha dieta, emagreci quase 10 quilos e seguimos a vida. Ela melhorou completamente. Aos seis meses, conversando com o pediatra, decidi que ia comer uma coisinha ou outra e ir observando como ela reagia. Aos poucos, voltei a consumir tudo, sem demais reações da pequena, o que me deu um baita alívio. Ufa, passou. Mesmo assim, já acostumada a buscar outras opções e receitas sem leite, não voltei a consumir na quantidade de antes. Pra ela, até 1 ano, o único contato que teve com o dito cujo foi através do pão de queijo, que a minha sogra ofereceu a ela quando tinha uns 10 meses, eu acho. Ela não teve anda demais e eu liberava de vez em quando. E como gostou do pão de queijo. Depois de 1 ano, veio a liberação para oferecer derivados. Para receitas, o pediatra disse que poderia ser leite tipo A mesmo, não precisava ser fórmula. Ela não toma nenhum outro leite, além do materno, e assim seguimos.

Então teve um dia que deixei ela comer um pedacinho de bolo de fubá (com leite), que minha mãe havia feito. E no outro dia estava com o intestino solto. Só um pedacinho mesmo, mas foi o suficiente. Deixei passar. Tempos depois, eu estava comendo iogurte natural com fruta, ela quis e eu dei. Soltou o intestino de novo. Duas vezes depois, a mesma coisa. Parei de oferecer. Qualquer coisa com leite na receita, também evitava ao máximo que ela comesse.  Um dia comeu biscoito de polvilho e no dia seguinte lá estava a fralda carregada. Quando vi, tinha soro de leite nos ingredientes, que raiva.

A única coisa que parecia não afetar seu intestino era o tal do pão de queijo. Até deixei ela comer o próprio queijo, quente, em alguns dias. Com isso, a dúvida passava longe da minha cabeça. Ué, se aceita pão de queijo, se não tem mais sintomas, então não é aplv, certo?

Chegamos ao tempo presente.
No fim de semana que antecedeu a diarreia, ela comeu bolo na casa da minha tia. Descuido meu não ter procurado saber os ingredientes todos, mas foi o que aconteceu. Com certeza tinha leite, tinha manteiga, tinha uma vaca inteira naquele bolo. Contei isso ao médico e ele disse que provavelmente ela tem alguma intolerância, sim. Acreditamos não ser uma alergia totalmente, mas claramente existe alguma coisa.

E sabem o que mais?
Apareceu uma dermatite no pescoço dela. Já faz quase 1 mês que ela tá com isso. Pequeno, parece não coçar muito, tem dia que quase some. Mas está lá. Me disseram que era do calor, mas já teve dias mais amenos e continuou a mesma coisa. E eu sou a mãe zen que não encana logo de cara, vou observando primeiro pra ver no que vai dar. Ela não reclamava de nada e não tinha nenhum outro sinal de algo fora do padrão, então seguimos.

QUEDIZÊ.
Escrevendo agora fica muito claro na minha cabeça que ela nunca esteve totalmente curada. Que tapei muito sol com peneiras fazendo pose de mãe hippie-desencanada. Mas enfim, é o que temos pra hoje. Ela parou de reagir através do meu leite, não reagiu ao pão de queijo e dei o assunto por encerrado. Só depois da consulta foi que caiu minha ficha: a coisa estranha do pescoço dela surgiu mais ou menos na semana que ela comeu só o queijo. E a certeza veio quando, num dia muito quente, meu pai ofereceu sorvete a ela, que acordou com o pescoço todo vermelho e irritado no dia seguinte. E eu, que já tinha ficado brava quando vi, me emputeci mais ainda e tratei e mostrar o resultado pra ele. Hunf!

Agora estou esperando sumir totalmente a alergia do pescoço. Ela está bem, o intestino também voltou ao normal e já recuperou o peso que tinha perdido naqueles dias. Cortei o acesso que ela tinha aos poucos derivados (alô família, cabô festerê) e, até que tudo se estabilize, nada de potenciais inimigos. Nem o tal do pão de queijo.

2 Comentários

Arquivado em Agnes, alergia, Sem categoria