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Em paz com a minha história

Esses dias eu vi aqui nas estatísticas do blog que o post com mais visualizações das últimas semanas é a carta que escrevi pra Agnes antes dela nascer (aqui o link pra ler a carta). Fiquei emocionada em reler aquelas palavras e relembrar o sentimento de espera, de calma e vontade de viver o parto ao mesmo tempo. A carta foi escrita no dia 10 de julho de 2014. Ela nasceu no dia 15. E fiquei pensando que ali na carta eu dizia que queria sorrir quando percebesse que ela estava dizendo mesmo que ia chegar, que estava me entregando pro parto, que queria viver cada dor que viesse com a consciência de que era um caminho nosso em direção a nos conhecermos.

E, bem. Pensando aqui direitinho… não foi bem assim que aconteceu.

Antes de falar que isso, o fato de não ter sido bem assim, é aquela velha máxima dos cuspes caindo na testa das mães, tô pensando em outra coisa.

Que para viver a leveza e o gostosinho que a luz traz pra nossa vida, invariavelmente a gente passa por uns breus, uns esbarrões nos móveis da casa até chegar pra abrir a janela ou acender a luz.

Tempos atrás eu pensaria assim “eu escrevi que queria estar feliz e leve para receber a pequena, aí três dias depois já estava em trabalho de parto e tudo foi tão diferente, tão pesado… será que eu menti pra mim mesma? Será que menti pra todo mundo falando que estava calma quando na verdade estava surtando de ansiedade? Eu sou uma farsa mesmo”.

hahahaha deixa eu colocar umas risadas aqui pra lembrar que rir da gente mesmo é uma boa pedida pra relativizar o tamanho das coisas.

Sim, eu era dura comigo mesma nesse nível. Uma cobrança surreal. Acho que nem dá pra dizer ainda que já mudei por completo. Estou em processo. Mas ter consciência de que esse é um ponto a ser trabalhado já me ajuda demais e coloca tudo numa nova perspectiva.

Hoje, quando eu reli a carta e quando me lembrei de como foi o trabalho de parto, o que senti foi tranquilidade, de novo. Entendimento. Clareza. Talvez três anos e meio tenha me dado a distância necessária para perceber que tudo aconteceu exatamente como tinha de ser. Que eu precisava enfrentar aqueles fantasmas para chegar até a luz (dar a luz). Que eu precisava encarar, sentir, reviver tantos anos de história para entender de uma vez por todas que aquilo era, sim, importante pra mim, que eram lembranças que moldaram boa parte da minha vida. E que eu já podia deixá-las, se quisesse. Eu podia ultrapassar aquele ponto e dar outros passos para além da estrada. Eu podia abrir a janela e ver a paisagem novíssima lá fora. Eu podia sair dali, afinal.

Não dava pra chegar na prática leve sem antes dar uma faxinada nas práticas recorrentes até então. Não deu pra ter um olhar leve ao entrar em trabalho de parto, porque eu tive acesso a pontos muito delicados da minha bagagem. Coisas que estavam latentes, já chegando na superfície (e eu nunca deixava sair, ficava contendo aquele tanto de coisa dentro de mim), e precisavam mesmo vir pro mundo de novo para liberar o caminho pro tanto de vida que estava chegando. Entendo realmente como uma estrada que eu percorri (ainda precorro), como um lugar que tive que passar pra chegar em outro.

Fim do ano passado aconteceu uma coisa semelhante. De eu estar sentindo algo bem bonito aqui dentro, mas quando fui de encontro com a ação primeiro surgiu uma bagunça generalizada. Fica parecendo que é “culpa” do sentimento, ou que eu não tinha entendido o que era, ou que idealizei demais e depois quebrei a cara. Mas não foi nada disso. E mesmo não tendo nada a ver com parto nem com maternidade, quando eu reli a carta entendi que era um processo semelhante. Do mesmo jeito que aconteceu antes, primeiro tive que encarar um bloqueio, perceber que ele existia, acolher, aceitar como parte do processo. E só agora, semanas depois, tô sentindo que aquilo não foi tudo. Foi uma parte. Parte que precisou existir para me mostrar mais um monte sobre mim e sobre o mundo. Sobre como me comunico, como transporto meus sentimentos mais abstratos pro mundo concreto. Sobre paciência. Sobre acolhimento. Sobre continuar em frente e confiar no poder da (nossa) natureza em nos mostrar o caminho. E que aquele sentimento, o bom, o bem, o leve, continua aqui. Ele precisava de espaço pra existir com mais potência. Ainda é tudo muito novo, o caminho está sendo aberto, eu só dei uns dois passos até agora, mas sei que em algum momento vou olhar esse período e sorrir por perceber que era inevitável que rolasse tudo que rolou.

Aquela calma que eu senti ao esperar o tempo da minha filha nascer ainda mora aqui dentro. Aprendi a confiar nela, a deixar que ela ficasse. E mesmo tendo enfrentado um deserto árido antes de chegar naquele momento mágico em que seguramos no colo pela primeira vez a pessoinha que até um segundo atrás morava dentro de nós, e por muito tempo ter acreditado que havia sido apenas peso e excesso, que eu queria ter vivido aquelas horas de outro jeito, hoje eu sinto que não, não foi tudo “errado”, ou torto. A calma estava aqui, sim. Ela sempre esteve. Até no deserto.

Contextualizando pra quem não acompanhou meu relato de parto (que eu pretendo reescrever qualquer hora dessas): fiquei quase trêsdias em trabalho de parto. Eu não “sofri” horrores com as dores das contrações, tanto que com 6 cm de dilatação (mais ou menos), na troca de plantão, as enfermeiras achavam que eu nem iria parir nas horas seguintes, com elas. Porque eu estava apenas deitada, sem contração regular ainda. Estava tudo bem com o meu corpo e com a bebê. Mas em algum lugar dentro de mim existia um turbilhão de lembranças e sensações. Eu digo que “demorou” pra Agnes nascer porque eu nem estava lá realmente. Eu estava longe, lá atrás, sentindo umas dores e uns medos tão antigos que já nem sei desde quando existiam. Foi um deserto que atravessei. Começou no domingo. Na madrugada de terça, quando me entreguei pro presente e aceitei que, sim, minha filha estava chegando, ela nasceu quarenta minutos depois. Também por isso eu digo que ela é a minha pequena mestra em me ensinar a viver o presente.

Então vamos lá, falando mais uma vez só pra registrar na minha mente: a calma e a conexão sempre estiveram aqui. Todas as horas de turbulência não significaram ausência disso, em mim. Foi uma parte do caminho. Uma parte que atravessamos. E depois seguimos, aprendendo a conviver, a deixar transparecer, a existir. Viver um momento crítico não quer dizer que somos aquilo em absoluto. Ou que todo o evento (ou o ano, ou a vida) é definido por isso. Vamos respirar e lembrar: tudo é caminho. Tá tudo bem em ser quem podemos ser no momento. Daqui a pouco a paisagem muda, a gente muda e seguiremos sempre aprendendo. Aprender a confiar nos caminhos da vida também é uma boa pedida. Paciência, gentileza e movimento, eis aqui um tripé bem importante nessa coisa de lidar com os nossos processos de evolução.

Olha, eu não pensei que os primeiros dias de 2018 me trariam uma “surpresa tão surpreendente”, mas aconteceu. Sim, estou em paz com o meu caminho. Estou em paz com a história do meu trabalho de parto. Ler aquela carta, além de mostrar isso, ainda me ensinou sobre outros pontos desse meu caminhar. Tudo é aprendizado mesmo – e como eu gosto de me conectar com isso.

Que venha um ano potente e cheio de possibilidades de crescimento para todas nós.

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Um novo tempo

Domingo, 21 de maio, Agnes mamou quando acordou. Tomamos café da manhã, ficamos por aqui e depois saímos pra almoçar. Depois fomos ao shopping e ela ficou brava por algum motivo – que, na verdade, era sono. Ninei e disse que ela ia dormir sem mamar, só com carinho e colo, ela perguntou porque, eu disse que o mamá estava acabando. Ela aceitou, fiz carinho na barriga, com ela no colo e então ela dormiu.

Já faz dias que estou falando que o mamá está acabando. Não digo que já acabou, porque não quero mentir. Mas estava conduzindo assim rumo ao fim. Tinha dias que ela aceitava mais, outras menos. Teve um dia, alguns dias antes disso, que ela ficou o dia sem mamá e depois teve 2 escapes de xixi, achei que estava indo rápido demais. Mas a verdade é que pra mim já tinha chegado num limite. Eu não estava mais tão confortável em amamentar, ela mamava de fato muito pouco, ficava mais com o peito na boca, isso quando não prendia o dente e depois ficava até marcado, doía muito. Não estava mais prazeroso, era mais uma comodidade nossa, coisa que não sabíamos direito como mudar por nunca termos nos relacionado sem isso.

No dia seguinte, segunda-feira, ela mamou um pouquinho só de manhã quando ainda estávamos dormindo. Essa é a mamada mais difícil de tirar, eu acho, porque ela mama ainda sonolenta, eu também estou mais dormindo do que acordada. Mais difícil tirar essa do que a da hora de dormir, na minha opinião. Aliás, já consiguia fazer ela dormir sem mamá há alguns meses. Não era todo dia, mas rolava tranquilamente. Enfim. Ela mamou um pouquinho e depois eu tirei, ela reclamou um pouco mas logo disse “eu não mamo mais? Agora só carinho e abraço?”. Eu concordei, ela me abraçou e assim dormimos mais 1 hora.

O dia todo ela nem tocou no assunto. Quer dizer, quando saí do banho, ela me viu colando a blusa e disse de novo: eu não mamo mais, né, mamãe? Sim, filha. Você está crescendo e agora estamos descobrindo novas formas de chamego. A mamãe foi muito feliz em te amamentar por todo esse tempo, mas agora é uma nova fase. Você sempre vai ter o carinho e o colo da mamãe, do papai. E ela completou: e da vovó e do vovô. Sim, filha, deles também.

E foi isso.

A noite ela acordou chorando e dei um pouco só, porque ela pediu, tipo um minutinho, depois tirei e fiz carinho. Terça não mamou nada. Quarta só colocou a boca no peito de manhãzinha por um minutinho de novo. De vez em quando ela pede, tipo quando tá com sono, mas é só eu lembrar do carinho que ela aceita tranquila e logo dorme.

E foi assim que eu fui percebendo que nosso tempo havia chegado, que um ciclo estava se encerrando para iniciar outro, ainda desconhecido por nós.

Desde janeiro eu estou “ensaiando” começar esse processo, porque realmente estava cansada – não era um cansaço físico da rotina, era do ato mesmo. Mas fui aos poucos, sem pressa. Comecei a falar pra ela que em algum tempo o mamá iria acabar, que ela estava crescendo, que iríamos chamegar e estar juntinhas de outras formas. Conversava muito com ela, mas não estabeleci limite, nada. Fui apenas sentindo. Há 1 mês, mais ou menos, comecei a ser mais constante no processo, falei várias vezes pra ela, mas horas depois ela pedia pra mamar de novo e eu dava, porque percebia que ainda não era o momento. Não era todo dia que eu fazia isso, não estava “empenhada” em desmamar, mas sabia que tinha que ir falando com ela, com a gente é tudo na base da conversa, sempre foi, e eu sabia que em algum momento ela entenderia e aceitaria. Domingo eu fiz o que fazia antes e ela aceitou tranquilamente, então acredito que foi o tempo dela também.

Hoje é quinta-feira, o quinto dia que ela não mama mais. Ainda estamos nos adaptando, mas acho que já posso dizer que sim, um novo tempo começou aqui nós. Foram 2 anos e 10 meses de aleitamento materno, 6 meses de forma exclusiva, quase dois anos de livre demanda total. E eu sou muito, muito, muito feliz e me sinto muito grata por ter vivido isso com ela.

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Breve relato de um desfralde (quase) relâmpago

Coisas acontecem, amigas.

Numa manhã de sábado, eu levantei cedo, me arrumei, comi umas bolachinhas, peguei minha bolsa e saí, rumo a uma aula experimental de yoga. Deixei Agnes e Cleber dormindo. Tudo isso antes das 8 da manhã. Andei até o metrô (quase 2 km), cheguei lá, fiz a aula, adorei, voltei comendo uma maçã, andei o mesmo tanto e, quando cheguei em casa, minha filha estava desfraldada.

Ok, quando eu cheguei, ainda não sabia do fato. Ela adorou que eu voltei, mamou, me contou que foi brincar no parquinho com o papai, o que comeu e tal. E aí me contaram que ela estava sem fralda. A manhã toda de calcinha. Deixamos o restante do dia, sucesso absoluto, sem escapes.

Nos animamos e mantemos o pacto de tirar a fralda de vez, não tinha como voltar atrás. Eu já tinha tentado antes, mas acho que nem ela e muito menos eu estávamos na vibe. Comprei um assento redutor recentemente, pra ver se ela animava, porque tinha medo antes de sentar no vaso sem nada e eu não gosto de penico, mas ela sempre dizia que queria a fralda e eu não insistia. Ou até ficava a manhã sem fralda, por exemplo, mas era como se fosse uma brincadeira, quando íamos sair, eu colocava a fralda e voltávamos à estaca zero. O Cleber tem uma abordagem mais direta, digamos assim, haha. Na troca daquela manhã tirou a fralda e conversou com ela, dizendo que iria ficar de calcinha, que não iria mais usar fralda e sim o banheiro, igual a gente blablabla. Ela até disse que queria a fralda, mas como ele conversou de novo e se manteve firme, ela aceitou e assim foi. Comprei umas calcinhas novas, porque ela tinha pouquinhas, e ela adorou a novidade.

Colocávamos a fralda só pra dormir a noite e tirava logo que acordava. No primeiro dia, a fralda acordou encharcada. Nos dias seguintes, não. Acontecia um ou outro escape durante o dia, lidamos tranquilamente e seguíamos o dia. Em casa, de calcinha. No parquinho, de calcinha. Pra sair, de calcinha. Soneca da tarde, de calcinha.

Mas depois de uma semana, mais ou menos, parecia que ela não estava mais tão satisfeita com essa nova dinâmica. Teve um dia que ficou sem fazer cocô, porque não queria ir ao banheiro. Ela dizia que queria, a gente tentava, mas ela não fazia. No dia seguinte, chorou querendo a fralda, que estava em cima da cama. E não estávamos tratando diferente, não demos bronca, nada. Durou uns três dias essa insatisfação até que, numa conversa, Cleber e eu chegamos a conclusão que ela estava ficando confusa por colocar a fralda de noite. Não estava funcionando. Como estava acordando sempre seca, resolvemos bancar a escolha e tirar de vez. Tiramos. E desde então, há quase duas semanas, só tivemos um xixi na cama (ontem, e acredito que porque fomos numa festa de aniversário e ela tomou muito líquido). Teve até um dia que ela me acordou 5:40 pedindo pra ir ao banheiro, tão linda, rs.

E essa é a breve história do desfralde total da Agnes, aos 2 anos e 7 meses.

Como eu disse, coisas acontecem. Eu já tinha tentado, mas sinceramente não tive firmeza nenhuma, ao menor sinal de resistência dela eu voltava atrás. E é claro que isso não ajuda muito, né. A segurança do pai foi um pontapé fundamental nesse processo.

Que bom que eu acordei cedo e saí de casa naquele sábado.

Quero ver agora qual vai ser o milagre que vai acontecer pra termos o desmame, mas vamos com calma, né. Um dia acontece (oremos! 😛 )

 

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De quando eu me vi nela

Ela pedia pra mamar, mas eu não queria naquele momento.
Na verdade, estava pedindo muito, toda hora. Mamou muito durante a noite (mas também deve ser pelo calor que fez, eu sei).
O fato é que estávamos em momentos diferentes ali naquela tarde.
Ela queria. Pedia. Chorava. Ôta mamá! Ôta mamá! É como ela fala.
Eu queria um tempo pra mim, um tempo sem ninguém me tocando. Eu precisava de espaço.
Falei que não podia atender àquele seu desejo, mas que podia ficar junto, acolher de outras formas.
Ela se distraia um pouquinho, mas logo voltava.
Nem as brincadeiras com o pai deram jeito. Nem o almoço.
E então, depois de um tempo, aquela angústia aqui dentro, tantas dúvidas, tanta neblina, eu percebi.
Ela também estava sentindo.
Toda vez que eu preciso de espaço por não estar bem, ela cola em mim. Parece que tem uma anteninha que detecta meus medos. Deve ter mesmo, não duvido, não.
E aquela minha vontade de dizer não aos seus pedidos, será que era só isso mesmo? Ou eu também queria validar um desejo meu? Ou eu também precisava dessa autoafirmação, de que eu tenho vontades, tenho direitos, tenho meus tempos. E que exijo respeito. E colo, se possível for.
E quando eu me enxerguei fazendo isso, não foi somente a minha filha que eu vi aqui puxando minha blusa pedindo pra mamar. Foi um reflexo.
Eu me vi.
Estávamos fazendo a mesma coisa, ao mesmo tempo.
Duas pessoas precisando de atenção e colo. Duas pessoas que queriam ser validadas, amparadas, aceitas como são e com o que precisam.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Atendi seu pedido.
Não precisa ser uma guerra, afinal. Isso aqui não é disputa de quem pode mais ou manda mais.
Relação a gente constroi todo dia, nas pequenas escolhas.
E que bom que a gente pode escolher de novo, quando percebe que aquela outra não está mais cabendo.
Que bom que ela é tão generosa e paciente com os nossos  processos diários.
Que eu também não desista de mim.

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Algo está certo

Uma das partes mais difíceis em educar um filho é quando o assunto é educação emocional.

A gente tem que lidar com muita bagagem – a nossa, a do pai, a dos avós, da sociedade, etc etc etc. E ainda conseguir amparar uma pequena pessoa em plena formação e transformação (eles mudam o tempo todo!), sem projetar, mas também sem fingir que não está vendo.

Definitivamente, não é fácil.

E haja jogo de cintura. E uma corridinha no banheiro pra chorar e respirar fundo. Ou dar risada do que ouviu.

Alguns dias eu tenho certeza que tá tudo errado. Que esse negócio de educar ainda vai dar merda.

Fecho a cara, fico na minha, não respondo gracinhas.

E aí eu ouço:

-Papai, a mamãe tá bava. Putê você tá bava, mãe? Deixa eu te dá um abaço.

E vem me dar um abraço. E um beijo.

E ainda fala “ponto”. Pronto. Do mesmo jeito que o meu beijo no machucado faz parar de doer. Assim simples.

Aí o mundo dá reset e a gente começa de novo, né. Com mais fé que alguma coisa deve estar sendo feita do jeito certo, afinal de contas. Ainda bem.

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Tchau, pão de queijo!

Contei o causo tragicômico e não vim contar sobre a diarreia da pequena. Nunca antes na história dessa família se viu algo daquele jeito. Nem vou entrar em muitos detalhes, na verdade. Quando começou, achei que fosse dente, até porque ela andava irritada e sem apetite. Teve um dia que ela não aceitou comer nada. Fomos caminhar no parque e ela nem conseguia brincar, tadinha. Acho que estava fraca. Não quis nem o açaí, o que é muito muito raro de acontecer. Depois desse dia foram mais 2 de intestino completamente solto. Não consegui encaixe com a pediatra dela, então levei no pediatra do meu sobrinho, que eu já conheço também e tinha uma vaguinha pra nós. Felizmente as coisas já estavam melhorando. Ele disse que não era dente coisa nenhuma, provavelmente foi algo que comeu. E aí chegamos no que eu não queria.

A antiga dúvida sobre a sensibilidade dela ao leite de vaca.

Vamos voltar um pouco para contextualizar.
Quando tinha 2 meses, Agnes apresentou uns sintomas que não gostei, que são associados à aplv (alergia da proteína do leite de vaca). Muito muco e rajadinhas de sangue nas fezes. Além de golfar demais. Cortei toda e qualquer coisa com leite, derivados e traços da minha dieta, emagreci quase 10 quilos e seguimos a vida. Ela melhorou completamente. Aos seis meses, conversando com o pediatra, decidi que ia comer uma coisinha ou outra e ir observando como ela reagia. Aos poucos, voltei a consumir tudo, sem demais reações da pequena, o que me deu um baita alívio. Ufa, passou. Mesmo assim, já acostumada a buscar outras opções e receitas sem leite, não voltei a consumir na quantidade de antes. Pra ela, até 1 ano, o único contato que teve com o dito cujo foi através do pão de queijo, que a minha sogra ofereceu a ela quando tinha uns 10 meses, eu acho. Ela não teve anda demais e eu liberava de vez em quando. E como gostou do pão de queijo. Depois de 1 ano, veio a liberação para oferecer derivados. Para receitas, o pediatra disse que poderia ser leite tipo A mesmo, não precisava ser fórmula. Ela não toma nenhum outro leite, além do materno, e assim seguimos.

Então teve um dia que deixei ela comer um pedacinho de bolo de fubá (com leite), que minha mãe havia feito. E no outro dia estava com o intestino solto. Só um pedacinho mesmo, mas foi o suficiente. Deixei passar. Tempos depois, eu estava comendo iogurte natural com fruta, ela quis e eu dei. Soltou o intestino de novo. Duas vezes depois, a mesma coisa. Parei de oferecer. Qualquer coisa com leite na receita, também evitava ao máximo que ela comesse.  Um dia comeu biscoito de polvilho e no dia seguinte lá estava a fralda carregada. Quando vi, tinha soro de leite nos ingredientes, que raiva.

A única coisa que parecia não afetar seu intestino era o tal do pão de queijo. Até deixei ela comer o próprio queijo, quente, em alguns dias. Com isso, a dúvida passava longe da minha cabeça. Ué, se aceita pão de queijo, se não tem mais sintomas, então não é aplv, certo?

Chegamos ao tempo presente.
No fim de semana que antecedeu a diarreia, ela comeu bolo na casa da minha tia. Descuido meu não ter procurado saber os ingredientes todos, mas foi o que aconteceu. Com certeza tinha leite, tinha manteiga, tinha uma vaca inteira naquele bolo. Contei isso ao médico e ele disse que provavelmente ela tem alguma intolerância, sim. Acreditamos não ser uma alergia totalmente, mas claramente existe alguma coisa.

E sabem o que mais?
Apareceu uma dermatite no pescoço dela. Já faz quase 1 mês que ela tá com isso. Pequeno, parece não coçar muito, tem dia que quase some. Mas está lá. Me disseram que era do calor, mas já teve dias mais amenos e continuou a mesma coisa. E eu sou a mãe zen que não encana logo de cara, vou observando primeiro pra ver no que vai dar. Ela não reclamava de nada e não tinha nenhum outro sinal de algo fora do padrão, então seguimos.

QUEDIZÊ.
Escrevendo agora fica muito claro na minha cabeça que ela nunca esteve totalmente curada. Que tapei muito sol com peneiras fazendo pose de mãe hippie-desencanada. Mas enfim, é o que temos pra hoje. Ela parou de reagir através do meu leite, não reagiu ao pão de queijo e dei o assunto por encerrado. Só depois da consulta foi que caiu minha ficha: a coisa estranha do pescoço dela surgiu mais ou menos na semana que ela comeu só o queijo. E a certeza veio quando, num dia muito quente, meu pai ofereceu sorvete a ela, que acordou com o pescoço todo vermelho e irritado no dia seguinte. E eu, que já tinha ficado brava quando vi, me emputeci mais ainda e tratei e mostrar o resultado pra ele. Hunf!

Agora estou esperando sumir totalmente a alergia do pescoço. Ela está bem, o intestino também voltou ao normal e já recuperou o peso que tinha perdido naqueles dias. Cortei o acesso que ela tinha aos poucos derivados (alô família, cabô festerê) e, até que tudo se estabilize, nada de potenciais inimigos. Nem o tal do pão de queijo.

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