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Agnes e a comida

Uma das coisas que mais mexe com uma mãe é a introdução alimentar. São muitas dúvidas, muitas questões, muitos pormenores. Quando começar? O que oferecer primeiro, fruta ou comida? Papinha ou blw? Em que panela cozinhar? Que utensílios são os melhores? Sim, migas, eu disse que eram muitas questões. Tantas que a gente fica doidinha, sem saber pra onde fugir por onde começar.

Quando começamos a introdução alimentar da pequena Agnes, eu fiquei meio perdida também. Ela fez 6 meses e nem um copo eu tinha providenciado ainda. Fato é que eu não sou de seguir muitas regras, por isso não quis ler muita coisa. O único texto que li foi esse aqui, da Faiolla Duarte, que faz um trabalho bem legal sobre alimentação e tudo mais: Introdução de alimentos sólidos passo-a-passo. Li quando a Agnes tinha 5 meses. E lá está escrito que alguns bebês demonstram interesse antes na comida, que é legal deixá-los livres para explorar e ter acesso à refeição da família. Tudo muito legal, fez muito sentido pra mim. Só que a minha pequena já demonstrava interesse, ou pelo menos curiosidade pelo que comíamos e eu ainda não havia liberado nada. Matutei um pouco e, uns dias depois, comendo melão, deixei que ela colocasse na boca. Ela lambeu e ficou por isso mesmo. Pra mim era importante a coisa oficial dos 6 meses, então dei uma segurada. Mas foi tranquilo esse primeiro contato. E resolvi deixar porque pensei justamente na relação que ela começaria, já ali, a desenvolver com a comida. Como assim ela demonstra interesse pelo que estamos comendo e eu não deixo ela comer, mas depois vou implorar por “só mais uma colherada”? Não faz sentido, né. E realmente ela só lambeu e se deu por satisfeita, só queria conhecer o que tanto a gente pegava ali naquela noite.

Fato é que o começo da comilança por aqui foi lento. Muito lento. Durante duas semanas foram só frutinhas. Tinha dia que eu dava inteiro na mão dela, tinha dia que eu amassava com o garfo e oferecia. Ela colocava tudo pra fora. O reflexo que não deixa engasgar funcionou tão bem que ela não engolia nada, hahaha. Muito aos poucos ela foi entendendo o que era pra fazer com aquilo. Fui deixando a coisa rolar meio solta – na verdade, eu estava aprendendo junto com ela, não sabia direito como proceder. Com a comida foi mais difícil. Ela recusava veementemente toda e qualquer papa que eu oferecesse. Mesmo que fosse só amassado, nunca bati nada, mas ela não gostava. Pedaço inteiro ela jogava longe. Frustrante, mas era o que tinha pra época. Um dia, cansada de fazer coisa que ela não aceitava, botei arroz e feijão no prato, o mesmo que a gente come todo dia, coloquei ela no meu colo e dei. Ela abriu a boca, comeu e não cuspiu. Adorou o arroz, até mastigava, rs. Foi a primeira vez que deu certo, ela já tinha quase 8 meses. A partir de então eu assumi meu completo fracasso em preparar coisas específicas para bebê e me joguei na vida prática de quem oferece a mesma comida da casa desde sempre. Sim, mesmo tempero e mesma consistência, e ela nunca engasgou.

Daí em diante fomos progredindo cada dia um pouco mais. Logo veio mais dente, daí já parou de comer de novo. Certo dia resolvi fazer polenta, ela devorou. É a unica coisa “mole” que ela come, vai entender. É a comida oficial da época chata do nascimento dos dentinhos, inclusive.

Lá pruns 9 meses ela comia sempre com as mãozinhas, fazia a maior lambança. Mas depois passou a aceitar que eu oferecesse e seguimos assim ainda hoje. Tem coisa que ela quer pegar, tipo carne, e tem acesso irrestrito, outras eu ofereço e assim vamos. Mas tudo na consistência normal, o prato dela é igualzinho ao nosso. E quantidade ela come pouco, já entendi isso. Minha passarinha, como costumo dizer. Mas, por algum motivo desconhecido, sempre coloco muito no prato, tipo pra uma criança de 3 anos, hahaha. Fruta ela come melhor com as mãozinhas, vezes dou inteira, vezes corto em pedacinhos.

Até 1 ano eu procurei não oferecer nada processado/empacotado pra ela. Era comida e nos lanches sempre fruta. Um dia ela alcançou meu pacote de biscoito de arroz e comeu um inteiro, devia ter uns 9 meses, por ai. Umas amigas me lembraram que é super natureba, então passei a oferecer de vez em quando. E pão francês liberei antes de 1 ano também, ela curte mais a parte com casca, não só do miolo, e come um pedaço muito pequeno. Pão de forma industrializado só experimentou uma vez, que meu sogro deu e eu não quis interferir (por milagre, rs), mas ela deu uma mordida e jogou fora.

Aliás, em relação aos outros, até que não tenho sofrido tanto. Aprendi a dizer não e me manter calma, até sorrindo, quando perguntam se podem oferecer bala/gelatina/chocolate/fritura/salgadinho/bolacha pra ela e assim vamos. O fato de me perguntarem ajuda muito, me sinto respeitada e isso é ótimo. Acho que se chegassem já dando na boca dela ia ser bem diferente, hehe.

Eu já tinha escrito dois posts sobre comidas por aqui, um sobre a introdução alimentar e outro sobre os meus mantras quando o assunto é alimentação. Escrevi este hoje porque uma amiga pediu, pois está às voltas com esse assunto. Força aí, Rany, que tudo se ajeita. Sempre se ajeita.

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Meus mantras da alimentação

Agnes está com 1 ano e 1 mês e já passamos por algumas fases no quesito alimentação. O que me faz entender que realmente tudo muda muito rápido, porque faz só 7 meses que ela passou a experimentar novos alimentos, não é mesmo?
No comecinho da introdução alimentar ela não aceitava absolutamente nada pastoso, amassado com o garfo. Cuspia, fazia uma cara de nojo daquelas. Eu cozinhava os alimentos, seguia tabela para não dar nada repetido, carboidrato, legume, raiz, etc, etc etc. Quando ia oferecer, ela ignorava solenemente. Se eu amassasse, rejeição absoluta, se oferecesse inteiro na mão dela, a danadinha jogava longe. Dava vontade de chorar, sinceramente.

A primeira coisa que tratei de ter sempre em mente foi: controle suas expectativas.
De nada adiantaria eu me frustrar, ou criar uma situação desagradável porque ela não aceitou a comida do dia. Colocar as coisas em perspectiva ajuda: até esses dias atrás ela só mamava, não dá para pedir que ela já saiba comer tudinho, de garfo, faca e guardanapo. Muito menos que valorize meus esforços culinários, porque né, ela não faz a mínima ideia dessas coisas ainda, nem que eu demorei 3 horas pensando na combinação do dia. Sem contar que se eu ficasse estressada, ansiosa, não ia rolar nada, só mais e mais stress.

Mas e aí, como faz pra pessoa aprender a comer? Geralmente a gente não aprende uma coisa nova vendo outra pessoa fazer? Não importa se essa outra pessoa é o colega da mesa ao lado ou o professor lá na lousa. Se é só teórico ou de forma prática, como numa aula de dança. Nós aprendemos em relação com o outro. Por isso adoro essa frase: alimentação é relação. Como eu, Marina, me relaciono com a minha alimentação? Como o Cleber se relaciona? Comemos juntos na mesa? Preparamos nosso próprio jantar? Ela nos vê feliz enquanto comemos (principalmente o saudável)? Aqui nós fazemos todas as refeições possíveis juntos. E a comida é sempre preparada por nós também. Vamos juntos na feira, ao supermercado. Tudo isso faz parte do processo, né? Incluir a Agnes nisso foi mais do que natural. Ela tem sua cadeira para nos acompanhar na mesa, e hoje adora ver quando alguém está cozinhando, sempre quer ver o que tem nas panelas e tenta pegar a fumaça (#medo rs). Mostrar e ir conversando quando vamos esquentar ou mesmo preparar o prato da vez já vai deixando ela no clima. Comer do meu prato eu deixo, porque ela come a comida da casa faz tempo já. Fazer bagunça com a comida, pegar, passar no cabelo, então, nem se fala, principalmente no começo.
Claro, aquelas frases que sempre dizem também gosto de praticar. Não forçar a barra. Não distrair. Não enganar. Tudo isso faz parte da relação. Quero ver o prato vazio e me sentir incrível porque ela comeu tudo, ou quero ensinar que é bom comer, gostoso, um momento a mais para estarmos juntos, olha que delícia essa cenoura, comer é importante pra crescer, ficar forte pra brincar? Resposta, as duas anteriores, hahaha. Mas a primeira não deve ser mais importante, no sentido de ser alcançada a qualquer custo. É um processo diário, tem que ter paciência.

Até porque, tem dias que a pessoa não vai aceitar nada. Sim, esses dias existem e a gente quase enlouquece, se bobear. Pelo fato de ainda mamar, não surto tanto, mas dá uma agonia quando ela não aceita nada o dia todo, confesso. Daí é reparar no que de diferente está acontecendo. Dente nascendo, por exemplo, aqui é sinônimo de falta de apetite total – e ela tem 8, ou seja, já ficou muito sem comer. E tem os dias em que ela simplesmente come menos do que de costume. Ou seja, é preciso confiar no bebê. Meu papel é oferecer alimentos saudáveis na hora certa, as quantidades quem determina é ela, sempre. Mesmo na fase em que ela só queria arroz, respeitei. Oferecia sempre outras coisas, óbvio, mas se ela escolhesse só comer uma, tudo bem. Acredito que como ainda não tem o paladar viciado em produtos ultraprocessados, o pedido do corpo é o que ela mais precisa no momento (tento sempre ser razoável e ir dosando, mas em geral o meu pensamento é esse).

E é isso. Procuro ter essas frases sempre em negrito mesmo na minha cabeça. Tem dias mais cansativos, tem dias mais tranquilos, e assim vamos indo. Até que tem dado certo pra nós.
E por aí, como é a hora de comer?

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introdução alimentar da (nossa) vida real

Eu queria vir aqui relatar sobre a introdução alimentar da Agnes. Sobre como eu sou uma mãe cuidadosa, zelosa, eficiente, dedicada, incrível, entre outros mil predicados.
Eu queria contar dos artigos que li, com mais de 1 mês de antecedência, sobre qual a melhor forma de oferecer os alimentos. Quais são eles, suas quantidades, onde vivem, como se reproduzem, o que estão achando da crise hídrica. Além de mostrar todos os utensílios lindos, novos e caros que eu comprei para esse momento tão especial e esperado na vidinha da minha filha.
Eu queria vir aqui contar que no dia 15/01/2015, dia em que a Agnes completou 6 meses, eu a sentei num cadeirão especial, coloquei na sua frente uma papa bem deliciosa que eu mesma preparei, com tudo orgânico e natural e ela abriu o bocão e comeu. Como rimos felizes das gracinhas que ela fez quando experimentou pela primeira vez, achando tudo muito estranho, mas devorando no final. Mamãe oferecendo, papai fotografando, e vice-versa. Uma família feliz. Unida. Equilibrada.

Aí eu acordei.
E caí da cama.

Não foi nada assim. Nada.

A primeira coisa além do meu leite que ela experimentou foi melão. Foi assim: uns dias antes dela fazer 6 meses, estávamos comendo melão. Ela quis muito pegar, muito mesmo. Aí nós deixamos. Ela lambeu, uma vez. Fim. Um dia antes da marca oficial, o Cleber ofereceu outro pedaço e ela lambeu mais, gostou. E foi isso. No nosso colo mesmo, direto da nossa mão.
No dia 15 teve consulta com o pediatra. Eu sempre gostei dele, mas não curti a orientação de começar com suquinho de laranja lima. Poxa, como assim ele ainda não se atualizou sobre as novas orientações de não oferecer sucos antes de 1 ano? Enfim. Não obedeci pediatra nenhum e segui, aos trancos e barrancos, juntando as milhões de informações com o meu instinto e a curiosidade dela. Salada mista total.

Nesse primeiro momento foi tudo muito lento, muito pouco. Minha afilhada passou janeiro todinho aqui com a gente, ou seja, eu quase não fiquei em casa. Comecei com as frutas, que são mais práticas #prontofalei. Deixo ela pegar em tudo, faz uma lambança infinitamente maior do que de fato come, mas é assim que é no começo, imagino. Mais experiência, menos refeição. A banana eu amasso e dou na colher (tento, pelo menos), mas aí entramos num impasse: ela é a proprietária da colher, não sossega enquanto não a tem nas mãos. Justo, né, visto que quem vai comer é ela, rs. Às vezes, eu deixo meter a mão no prato e aí é bom que tenha um lençol por baixo – que vai direto pro tanque depois. Às vezes, eu vou no modelo mais “tradicional”, digamos assim. Com tudo isso, o que ela mais ingere, de fato, é o que dou em pedaços: melancia, manga. Adora! Manga tem sido a preferida, por enquanto. Chupar a laranja também curte.

Ah, sem contar que demorou um pouco pra ela entender como é que se engole algo que não seja leite, rs. Agora é que tá pegando o jeito da coisa. Nisso eu aprendi e entendi o que o BLW fala: confia, eles não engasgam. E não mesmo! O reflexo é muito perfeito. Perfeito até demais, haha. Põe pra fora até o que poderia engolir, mas tudo bem.
Por falar em método, tô indo naquele meu de sempre, que comentei ali em cima: salada mista mutcho lôca. Na maior parte do tempo é blw, sim, porque é o que dá mais resultado aqui, pelo que percebo. Já ofereci dos dois jeitos, porque né, quem sabe o melhor pra ela é só ela mesmo. Mas a gente dando nunca dá tão certo, e eu percebo que é quando rola uma frustração também. Porque claro, se a gente tá oferecendo, queremos que eles aceitem. Quando ela come sozinha (ou mesmo que eu esteja segurando, mas o pedaço inteiro, e não a colher), flui bem melhor.

Sobre a parte salgada da história ainda não tenho muito o que contar. Começamos essa semana. Pra ser mais exata, ontem. Ontem foi pedaço, hoje amassei. Dos dois jeitos foi lento, ainda vou observar mais pra poder contar minhas impressões.

Água ela adora. Começou lambendo (haha), agora já até aprendeu a sugar o canudinho, coisa mais linda!! E deixei ela lamber um suco de laranja (sem açucar) esses dias no restaurante, porque a bichinha abriu a boquinha tão linda quando viu o copo, mas foi bem pouco, tô evitando os sucos agora no começo.

Até uns dias atrás ela ainda não tinha nem um copo pra chamar de seu. Troféu MENAS pra mim, hahahaha. Agora já tem umas coisinhas. E comprei uma cadeira daquelas portáteis, pra ela ficar na mesa junto com a gente, mas ainda não chegou. Essa eu fiz questão, porque comer é relação. Comer se aprende comendo AND observando. Quero que ela participe e esteja presente com a gente nas refeições. Ela já fica desde sempre, na verdade, mas agora vai ganhar um lugarzinho especial.

Ai, é isso.
Resumindo, estamos indo. Devagar e sempre. Do nosso jeitinho, no nosso tempo.
Ainda bem (super ainda bem!!!) que eu sei que até 1 ano o leite materno continua sendo a principal fonte de nutrição, e que a alimentação é complementar, e não ao contrário. Ela ainda come, de fato, muito pouquinho, nem sei dizer quantidades, na verdade. Mas está sendo apresentada ao mundo dos sabores e texturas. Temos um longo caminho pela frente. Estamos no começo, mas estamos indo.

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