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O céu está mais limpo

A vida parece que está entrando nos eixos.

Desde que a gente se mudou para este apartamento, em dezembro de 2014, as coisas andam bem bagunçadas por aqui. Quer dizer. Parece que estávamos num momento total de transição, nos adaptando a sermos nós três, a sermos nós três sozinhos em casa, a ser casal de novo, a delimitar alguns espaços, a encontrar novas formas de trabalho e cumpri-las todos os dias. De onde eu olhava, só via uma montanha de bagunça, papeis e louça pra lavar.

Houve briga, houve lágrimas, houve medo. Se já é complicado se adaptar à vida de mãe, imagina somar a isso todo o combo que veio junto. (Só para ilustrar: marido saiu do trabalho para ser autônomo + bebê novo + puerpério + mudança de casa + lutos + falta de grana, sem contar as pendências do cotidiano). Foram tempos conturbados, preciso confessar. Mas, como tudo na vida, passou.

Entrei em 2016 com o sentimento que esse ano pegaria mais leve com a gente. E assim tem sido, até então. Não está tudo como uma brisa suave do campo. Temos agido muito, trabalhado bastante. Tem bastante movimento por aqui. Mas está bom. Eu estou sentindo a roda girar, sabe como? É por isso que não tenho do que reclamar. Se antes eu sentia que a  gente estava numa espécie de limbo, agora pegamos o ritmo novamente e estamos indo.

É tão bom ir!

Estou conseguindo escrever com mais frequência, estou aprendendo a fazer encadernação manual (me aguardem!), sendo mãe e, ainda por cima, vou voltar a estudar. Marido está trabalhando legal também. Estamos para mudar de apê de novo. Enfim, as coisas estão acontecendo, graças a Deus.

É difícil acreditar que tudo vai se acalmar quando estamos no meio da tempestade. A impressão que dá é a de que o céu nunca ficará limpo de novo, as nuvens seguirão pesadas por um longo longo tempo. Dei uma ou duas surtadas no meio do caminho. Mas aí eu aprendi a respirar. Comecei a colocar em prática aquela velha tática de ir vivendo um dia de cada vez. E de agradecer pelo que eu já tinha. Essa parte foi fundamental, na verdade. E aí, pouco a pouco, assim de um jeito meio tímido, as nuvens foram se dissipando e agora só chove de vez em quando aqui nas nossas cabeças. Já dá pra sair de casa e enfrentar a vida.

É o que temos feito nesse ano e eu tô feliz por isso.

E que este segundo semestre seja bom e seja alegre. Para todos nós.

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O causo da polenta

Pode parecer um pouco estranho, mas acho que a Agnes comeu melhor durante os deslocamentos na viagem do que nos lugares que ficamos. É que ficamos em casa de parentes, outros horários, muita gente em volta. E essas coisas já são suficientes para mexer com o apetite dela. Ela comeu pouca comida nos 20 dias fora. E o que salva aqui em momentos como esse é a bendita da polenta.

Fubá, água, um tico de sal, orégano e um fio de azeite. Ou só fubá e água, em situações/lugares críticos. É muito fácil, muito prático e ela come feliz da vida (faz um tempo que não dou, na verdade, mas vamos focar que até agora deu certo, rs). Pois bem. Quando a coisa apertava lá em outras bandas, era pra polenta que eu corria. Porque não estava bancando ver a pequena gastar tanta energia sem comer direito. E não era hora de ficar pensando em valores nutricionais, variedade, se ela só ia querer comer isso for ever quando voltasse, etc. Nada disso. Eu só queria alimentar minha cria.

Já estava marcado desde antes da gente ir que depois do Natal iríamos, com uma turma de amigos do meu irmão, passar um dia (e uma noite) num lugar tipo camping que tem lá pertinho de Aracaju. A Lagoa dos Tambaquis é um lugar realmente lindo, tem uns chalezinhos simples para pernoitar, tem sombra e água fresca, tem um café da manhã delicioso e o lago em si é uma delícia, água cristalina, peixinhos, tudo de bom. Fizemos um churrasco, no almoço a pequena comeu arroz, salada e carne, de boas. A noite eu não quis dar a mesma coisa e, já sabendo disso de antemão, levei um pacotinho de fubá e uma mini panela da minha cunhada. Quando foi na hora da janta, tudo escuro, os faróis dos carro fazendo as vezes de iluminação onde tinha o fogo, num fogão totalmente improvisado, estávamos lá preparando a polenta salvadora de bebês esfomeados. Gente, foi TÃO legal! Totalmente a nossa cara, e cara dessa viagem, que teve tantos improvisos. Com certeza vamos lembrar da gente lá na beira do fogo queimando a panela por um bom tempo, haha.

Cheguei a ouvir, já em outros dias da viagem, que eu não alimentava minha filha direito, que isso estava errado, que não dava pra comer tanta polenta assim na vida. Só deu vontade de dizer: gente, seje menas!! Sabe, na vida – e principalmente na maternidade – temos que escolher nossas batalhas. Então eu oferecia comida para minha filha, sim, é óbvio que sim. Mas se eu percebia que o ambiente não estava propício para ela comer bem (porque bebês são seres inteiros, tudo ao redor influencia nos processos deles) (não adianta, ela não come com muita gente ao redor, olhando e comentando o que ela está fazendo), ou se não tinha algo na hora que ela queria, eu apelava pro que ela conhecia e aceita bem – como trazer algo do cotidiano dela pra um lugar onde já é tudo novo. E tudo bem. Viagem é pra gente relaxar, é pra sair da rotina, é pra sijogar no que aparecer. Ela teve tantas outras ~experiências gastronômicas~ nesses mesmos dias, tantas novidades. Deixa a menina comer o que quiser, eu hein! E deixa essa mãe aqui tentar ser leve, né.

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Viajar com bebê é tudo de bom

Esta semana estava lendo uma matéria com dicas da família Nalu sobre viajar com crianças. Eu adorava assistir ao programa uns anos atrás, ficava pensando como seria incrível viver viajando, levando criança junto e tudo mais. Eu gosto de estar em movimento, me identifico, em algumas partes, com pessoas nômades – apesar de não viajar quase nada, se comparadas a elas. Enfim. Li a matéria e lembrei da aventura que fizemos no final do ano passado, quando fomos até o nordeste de carro com uma bebê de 16 meses. Bateu uma super saudade e resolvi vir aqui escrever mais um ‘cadim sobre isso.

A verdade é que, se eu pudesse ($), viajaria sempre, todos os meses, para todos os cantos, principalmente aqui dentro do país mesmo, pois são muitos os lugares que ainda quero conhecer. Adoro viajar, adoro pensar na viagem, fazer listas, comprar coisinhas especiais para botar na mala, adoro fazer as malas. E viajar de carro é especialmente bom, uma experiência a mais. Talvez porque foi assim que viajei na maior parte da vida, mas não vejo problema em ir por vias terrestres para qualquer lugar – a primeira vez que viajei de avião eu tinha exatamente 19 anos, então carro e ônibus são super tranquilos pra mim.

E é claro que eu não deixaria de viajar com a minha pequena companheira de aventuras. Quer dizer, em algum momento devo ter pensado se os contras não seriam maiores que os prós, mas resolvi encarar, de qualquer modo. Incluir os filhos na vida que temos e tanto gostamos é parte fundamental da caminhada, não acham?

Mas assim, também não tinha como achar que, com essa história de incluir, as coisas seriam como eram antes. Nem pensar. Ajustar minhas expectativas foi a primeira coisa que fiz desde que engravidei. Não daria para querer percorrer os mesmos km na mesma quantidade de tempo com um bebê a bordo. Me preparei mentalmente para paradas maiores, para não ter pressa, para lidar com possíveis crises de choro, entre outros imprevistos que pudessem surgir pelo caminho.

Já tínhamos viajado uma longa distância de carro com antes, quando ela tinha 7 meses. Daquela vez confesso que fiquei mais apreensiva, mas acabou sendo mais tranquilo do que o esperado, ainda bem. Acho que por isso me animei a esticar o caminho e ir pra Aracaju no fim do ano, rs. Com a diferença de que, desta vez, ela já estaria comendo normalmente (da primeira era comecinho da introdução alimentar, ela praticamente só mamou mesmo), lembrando que ela não consome nada com leite ou derivados, então teria essa preocupação a mais. O que fizemos foi levar muitos petiscos e opções de lanche para não depender apenas do que encontrássemos na estrada – até porque em alguns lugares “opção” não é uma palavra muito ampla, sem contar os trechos em que não tem nada a não ser mato e montanhas e árvores e carros. Acho que depois faço um post só sobre como foi a alimentação, porque o assunto rende bastante.

No quesito distração dentro do carro (mais conhecido como: mantendo a quiança na cadeirinha sem muito choro), tínhamos música, livros, bichinhos de pelúcia, brinquedinhos novos, nós mesmos, os quitutes disponíveis, bolsa da vovó, óculos de sol que estivesse dando sopa por ali, mostrar as nuvens no céu, batom. Pois é, até o batom entrou na roda. Numa momento crítico, minha mãe entregou um batom na mão dela, com o intuito que ela ficasse só no “tampa-destampa”, mas aí ela abriu, gostou, botou o dedo, passou na perna (e nos pés, e na cadeirinha, e em nós) e ficou nisso por preciosos minutos de paz. Nada que os versáteis lencinhos umedecidos não resolvessem depois. Ou seja, em algum momento é preciso desapegar. Costuma render boas risadas, recomendo. Ah, outra coisa que foi a sensação do entretenimento: uma caixa de canudos. De última hora comprei uma caixa de canudinhos, pra facilitar na hora de tomar os muitos sucos que fizemos e levei do jeito que comprei mesmo, na caixa. Ainda brincamos que era exagero. Mas não é que a Agnes amou ficar tirando os canudos e depois encaixando de volta no buraquinho? Foi uma boa surpresa. A caixa acompanhou o percurso todo, tanto na ida quanto na volta – e ainda sobrou canudo, hehe.

E no fim eu só falei de coisas que nem são exclusivas de viagens longas. Essas são minhas dicas da vida prática mesmo, apenas adaptadas para o momento. É assim que tento ser no dia a dia. Sempre buscando ser mais leve, estar mais presente, lembrando de respirar e acolher o que vier.

A verdade é que não vale a pena focar só no stress que vai surgir. Porque vai, simplesmente vai. Tem cansaço, tem trânsito, tem vontade de ficar sozinha, tem um monte de coisas chatinhas, mas também tem uma porção de momentos que estão sendo construídos com risadas, empolgação e até mesmo alguma calma. Consegui ler e escrever alguns rascunhos no carro, nos momentos que ela dormia e eu estava disposta, a despeito de todas as dúvidas se isso seria mesmo possível. É muito mais proveitoso quando nos abrimos para viver o que vier, seja onde for. No fim, é tudo memória. Tenho lembranças muito boas dessa viagem e não vejo a hora de vir a próxima.

Ah sim, ainda volto para falar de mais causos que adorei ter vivido e sobre como foi a alimentação da pequena na estrada. Me aguardem.

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Carta do dia: o seu abraço

Filha,
no início desse ano eu decidi que buscaria, ao longo dos meses que estavam por vir, ser uma pessoa mais leve. Tentar ser, pelo menos, para começo de conversa. Entendendo o ser leve como não querer carregar mais peso do que os meus ombros aguentam. Peso mental, psicológico, espiritual. Não carregar peso desnecessário. Que não valem quanto pesam. Nem fazer isso por outras pessoas. Estou lendo, escrevendo, tentando silenciar minha mente, escolhendo batalhas. Não sei se está sendo suficiente. Bom, estamos praticamente no meio do ano e já quero te contar que eu não consegui cumprir meu plano durante todo o tempo. E a pergunta que você se faz agora, dai de onde está lendo é: por que, oh céus, esta mulher ainda insiste em planos? Eu sou assim, filha, não tem muito jeito. Mas voltando ao assunto. Não deu muito certo. Ainda. Tenho me estressado por coisas que não sei resolver. Sinto raiva dessa coisa de não saber. Me sinto pequena diante do tanto de coisas que eu não sei, nem imagino. E aí me pego pensando que não, que nem é tão ruim assim esse não saber. Que é até bonito, inclusive. Mas para onde estou olhando, dos assuntos que estou falando, me sinto pequena. Eu queria saber. Não sei agir sem saber (…)
E aí você me olha.
E aí você me abraça.
Você me abraça, filha. Fico tão emocionada de receber esse carinho assim. Você, do alto dos seus 10 meses e meio, me abraça. Pura e gratuitamente. Seus dois bracinhos passam pelos meus ombros e seu queixo pousa em mim, as vezes com o rostinho no meu pescoço. 
E aí o mundo volta pro eixo de novo.
E aí eu paro o fluxo de pensamentos que andam em círculos dentro da minha cabeça.
Apenas para te sentir. 
E é quando eu consigo sentir a leveza no meio do caos.
É quando eu percebo que dane-se essa coisa de o tempo todo. Não existe o tempo todo. 
Você me traz pro presente sempre. E eu te agradeço por isso. Posso até não conseguir ser leve sempre, mas ainda me lembro de pelo menos tentar. E não foi essa a proposta do começo, afinal? Vou continuar me esforçando nos meses que ainda estão por vir, depois volto pra te contar como foi.

com amor,
mamãe.

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Para 2015: leveza

Ok. Este deveria ser o primeiro post do ano, aquele que a gente escreve no calor do momento, logo após a virada, quando os planos e os sonhos estão a todo vapor, não é mesmo? Mas como eu sou meio ~tortinha~ mesmo, só vim agora.

2014 foi um ano fortíssimo, como eu já mencionei aqui. E teve mais acontecimentos do que eu escrevi, claro, mas me abstive em comentar apenas alguns. Em particular, o fim da gravidez, o parto e o pós parto imediato foram muito intensos pra mim. Falando claramente: não foi fichinha, não. Tem toda a poesia do momento, eu realmente adorei passar por tudo, mas se tem uma coisa que não foi, foi fácil. Talvez ainda falte digerir algumas coisas, mas deixe que tudo aconteça no seu tempo, não tô mais olhando só pra isso. E sem contar os mil e um probleminhas e problemões que teve na família. Enfim. Não foi fácil.

Então, diante de tudo, eu resolvi, ainda no passado, ainda quando eu estava dentro do furacão, que eu queria ser uma pessoa mais leve. Levar a vida de uma forma mais branda, talvez, ainda não sei bem que palavra usar. Ou tentar, pelo menos. Decidi isso por mim, mas também pela Agnes. Por mim, que mereço uma vida “menos dramática”, curtindo o presente, sabendo respirar. Pela Agnes, que merece uma mãe mais calma, inteira, plena. Leve.

Sem contar que a palavra leveza soa muito bem aos meus ouvidos. Apesar de que o dicionário descreve leveza também como “ligeireza”, “levianidade”, pra mim, o que conta, e que descreve melhor o que estou buscando, é o “qualidade do que é leve”, “pouco peso”. Pouco peso… isso é ótimo! Apenas o que importa, apenas o que é fundamental.

Creio que não será a mais fácil das tarefas. Mas tudo bem também, não era isso que eu esperava. Não é uma coisa que eu já tenha incorporada e que estarei usufruindo a partir de hoje. É busca. É me lembrar, quando a cabeça estiver pesada de tantos pensamentos, “opa! peraí, não foi isso que a gente combinou, agora vamos por outro caminho, lembra?”. Tampouco espero que, lá no dia 31 de dezembro, quando a gente faz aquele balanço do que foi e do que ficou, eu declare: pronto, cumpri minha meta, consegui ser uma pessoa leve. Não é bem assim que estou imaginando. Penso que seria uma coisa pra vida mesmo, não pra esse ano, só. Até porque eu ainda nem sei direito como é que se fica leve assim, de um ano pro outro. Vai ser um processo, né. Um exercício mesmo. Um passo de cada vez. Ah, um passo de cada vez acho que me soa mais familiar, acho que vou começar por aí, então…

E você, qual a sua escolha para este ano? Vamos juntas? o//

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