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Seja você o limite do seu filho

Uma coisa que eu aprendi quando a Agnes tinha 1 ano, numa consulta de rotina com uma pediatra que, infelizmente, só vimos essa única vez, mas que me ajudou muito. Não sei se já falei disso aqui, mas acho que sempre vale o reforço, né.

Por volta de 1 ano começa aquela fase em que o bebê está mais do que disposto a explorar tudo, mexer em tudo, destruir tudo. Pode começar antes, verdade, desde que vão aprendendo a se locomver sozinhos, mas com 1 ano digamos que eles já ganharam um pouco mais confiança. E, quando a gente vê, está falando “não” o dia inteiro. Não pode mexer no lixo! Não pode ir pra escada! Não pode sentar na mesa! Não pode colocar o dedo na tomada! Não pode comer farelo do chão! Entre tantos outros exemplos inspirados em casos reais.

Se você é como eu, que lê muita coisa pela internet afora, certamente sabe que falar “não” o tempo todo não só não adianta como faz com que o feitiço se volte contra você num futuro breve, porque uma vez que eles aprendem a falar o não, tudo é negado nesta vida, até o que estão querendo, hahaha. Existem muitos textos que falam para não usarmos essa palavra, para usar outras que tem melhores efeitos e etc e tal. A bem da verdade, eu até concordo, mas não segui muito, quando via já estava soltando alguns nãos pelo caminho, simplesmente acontecia. Mesmo que eu tentasse usar outras formas de falar, não me sentia muito eficiente em passar a mensagem, digamos assim.

E então chegou a consulta de 1 ano e fomos lá conhecer essa pediatra bem legal. Em determinado momento, Agnes desce do meu colo e começa explorar o ambiente, que é o jeito bacana de dizer que ela começou a mexer nas coisas tudo. Inclusive abriu uma porta de armário que tinha vários frascos de remédio bem ali, a dois dedinhos de distância. Eu, mais do que depressa, falei que não podia mexer. Fiz o não com o dedo, ela repetiu o gesto, riu e continuou. Foi aí que a médica disse que, nesta idade, o cérebro da criança ainda não processa a palavra falada da mesma forma que a gente, que somos muito mais eficazes quando mostramos com o nosso corpo o que pode e o que não pode. Até 3 anos, mais ou menos, eles entendem pelos gestos, pelo contato. A pequena seguiu abrindo o armário e ela me mostrou um outro jeito de lidar com a situação:

Ela, que estava atrás da pequena, se inclinou na direção da Agnes, colocou o braço na frente do seu corpinho e impediu que ela prosseguisse com o que estava fazendo. Ela não disse nada, nem foi rude, nada. Ela apenas colocou o seu braço a frente do seu corpinho (de um jeito mais “vertical”, do ombrinho pra cintura, e não só pela barriga. Deu pra visualizar?). Ela disse que esses limites físicos são muito importantes para a formação deles como indivíduos, por dois motivos. Primeiro para ela entender que existe uma ordem a ser seguida no ambiente, que ela precisa respeitar aquele espaço. E segundo, se fosse uma coisa que ela quisesse muito fazer, ela poderia tentar mais, descobrir outros jeitos, o que incentiva a perseverança e também a ultrapassar esses limites, quando é possível (isso, do ponto de vista de tudo que ela ainda passará na vida, é um aprendizado e tanto, né).

Cara, isso foi um divisor de águas na minha vida.
Ela fez umas duas vezes pra me mostrar e aí a Agnes ficou brava com aquele impedimento, óbvio. Abaixou no chão, chorou, deu uns gritos. A médica disse que era isso mesmo que aconteceria. Que eu poderia então me abaixar e acolher o choro dela. E é o que eu tenho feito desde então. E vou falar uma coisa pra vocês: é muito eficiente esse método. Claro que eles seguem testando os limites e fazendo coisas que não podem, até porque são muito bebês ainda, né, é o esperado para a idade e para o desenvolvimento deles enquanto pessoas mesmo, mas as famigeradas birras diminuem exponencialmente quando a gente age assim.

Sem contar que assim a gente age com mais presença também, realmente entra em contato com eles, e não apenas solta umas ordens no meio da ação esperando que eles nos entendam e parem imediatamente o que estão fazendo. Somos nós que estamos auxiliando o crescimento deles, e não eles que têm que fazer o que queremos nesses momentos-chave. Gosto de pensar nisso quando a coisa aperta por aqui, rs.

Bom, acho que é isso. Me contem se testarem e gostarem.
E por aí, como foi esse momento?

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O poder da relação

Como a maternidade sempre foi uma vontade muito grande, e como descobri o universo dos blogs bem antes de tentar engravidar, embarquei em muitas leituras e, consequentemente, em muitas teorias – todo tipo, desde as que englobam a gestação até as que falam da primeira infância. Algumas realmente fizeram muito sentido pra mim e as apliquei na nossa vida tão logo engravidei. Mas foi só a Agnes nascer que as coisas mudaram de ordem na minha cabeça e eu só fazia enxergar aquele pacotinho que se aninhava no meu colo e cabia direitinho no meu braço. Era o começo da nossa relação.

Essa coisa que é inteira prática, vivência, movimento. É a vida acontecendo, a despeito de qualquer coisa, sem qualquer tipo de ensaio. E foi aí, parando pra pensar sobre isso, e também depois de assistir ao documentário “O começo da vida” que caiu a ficha de uma vez por todas: as regras não existem. Não desse jeito engessado que muitas vezes a gente quer enxergar.

No documentário, uma mulher da periferia trabalha de babá e deixa a filha aos cuidados de outra pessoa o dia inteiro. Eu não preciso reproduzir aqui todas as frases de julgamento que cabem nesse exemplo, mas sabemos que elas existem e não são poucas. E aí tem a cena dela voltando pra casa com a filha no colo, conversando, perguntando como foi o dia, se comeu tudo na escola e tudo mais. Isso é relação. É esse encontro, essa conversa, esse ouvir, essa troca. Tô falando que a vida delas é linda, maravilhosa, perfeita, podem ficar assim pra sempre? Não. Tô falando que ela nunca briga com a filha, nem tem vontade de fugir pras colinas de vez em quando? Também não. Estou falando que ali, no meio da rotina insana de todo dia, existe uma relação sendo construída. Passando por cima de absolutamente todos os fatores que poderiam ser diferentes, ela está sendo construída. Isso acontece com aquela mulher, acontece comigo e com a Agnes, com você e seus filhos,  também foi assim com a gente e nossos pais. Simplesmente acontece.

Existem muitos filmes que trazem exemplos de como é importante, principalmente para a criança, o fortalecimento da relação e do vínculo. (Adoro Diário de uma babá, rs). Aqueles filmes que as crianças vão passar uma temporada, ou ficam sob a responsabilidade de um adulto que não faz muita ideia de como é cuidar de uma criança, ou que não as queriam ali. E aí eles vão convivendo, se estranhando, fazendo coisas bem erradas, de arrepiar os pelos da nunca de muita mãe e pai que gosta de uma segurança e um controle. E as coisas vão acontecendo e vai dando tudo certo, no fim das contas. Podem ser romanceados, mas ainda foco na questão do vínculo.

Isso me faz pensar tanto, em tanta coisa.
Como estamos construindo nossa relação com os nossos filhos? Estamos com o pensamento só no amanhã, tomando decisões visando somente um futuro brilhante, saudável e incrível, o que é ótimo também, mas a pergunta de um milhão de dólares é: como vocês estão hoje? Está valendo a pena? Tem vontade de jogar alguns padrões e teorias pro alto, pelo menos de vez em quando? Está conseguindo conversar com seu filho, escutar o que ele tem a dizer (sem terminar suas frases)?

A questão não é se estão brincando ao ar livre ou com monitoras, se estão comendo orgânico ou na lanchonete da esquina, se está na escola ou viajando o mundo. Não é sobre dicotomias que excluem todo o resto. É sobre vocês dois, sabe. Sobre a família toda. Sobre se olharem nos olhos, se abraçarem, se saberem seguros para expressarem quaisquer sentimentos que surgirem.

Não estou escrevendo este texto para apontar dedos ou para ser “mais uma coisa obrigatória no pacote da maternidade ideal”. É o contrário disso. É só para lembrar que tá tudo bem ser quem a gente é. Que tá tudo muito bem em ser quem podemos ser hoje. A gente sempre pode ajustar o olhar e mudar algumas pequenas cenas cotidianas quando algo incomoda ou pesa nos ombros ou na consciência, claro que pode. Mas tá tudo bem. Me senti muito mais leve quando deixei algumas expectativas pelo caminho. Venho seguindo com mais calma, ainda precisando de uns lembretes de vez em quando, mas bem mais tranquila com a vida que está acontecendo aqui pra nós.

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O céu está mais limpo

A vida parece que está entrando nos eixos.

Desde que a gente se mudou para este apartamento, em dezembro de 2014, as coisas andam bem bagunçadas por aqui. Quer dizer. Parece que estávamos num momento total de transição, nos adaptando a sermos nós três, a sermos nós três sozinhos em casa, a ser casal de novo, a delimitar alguns espaços, a encontrar novas formas de trabalho e cumpri-las todos os dias. De onde eu olhava, só via uma montanha de bagunça, papeis e louça pra lavar.

Houve briga, houve lágrimas, houve medo. Se já é complicado se adaptar à vida de mãe, imagina somar a isso todo o combo que veio junto. (Só para ilustrar: marido saiu do trabalho para ser autônomo + bebê novo + puerpério + mudança de casa + lutos + falta de grana, sem contar as pendências do cotidiano). Foram tempos conturbados, preciso confessar. Mas, como tudo na vida, passou.

Entrei em 2016 com o sentimento que esse ano pegaria mais leve com a gente. E assim tem sido, até então. Não está tudo como uma brisa suave do campo. Temos agido muito, trabalhado bastante. Tem bastante movimento por aqui. Mas está bom. Eu estou sentindo a roda girar, sabe como? É por isso que não tenho do que reclamar. Se antes eu sentia que a  gente estava numa espécie de limbo, agora pegamos o ritmo novamente e estamos indo.

É tão bom ir!

Estou conseguindo escrever com mais frequência, estou aprendendo a fazer encadernação manual (me aguardem!), sendo mãe e, ainda por cima, vou voltar a estudar. Marido está trabalhando legal também. Estamos para mudar de apê de novo. Enfim, as coisas estão acontecendo, graças a Deus.

É difícil acreditar que tudo vai se acalmar quando estamos no meio da tempestade. A impressão que dá é a de que o céu nunca ficará limpo de novo, as nuvens seguirão pesadas por um longo longo tempo. Dei uma ou duas surtadas no meio do caminho. Mas aí eu aprendi a respirar. Comecei a colocar em prática aquela velha tática de ir vivendo um dia de cada vez. E de agradecer pelo que eu já tinha. Essa parte foi fundamental, na verdade. E aí, pouco a pouco, assim de um jeito meio tímido, as nuvens foram se dissipando e agora só chove de vez em quando aqui nas nossas cabeças. Já dá pra sair de casa e enfrentar a vida.

É o que temos feito nesse ano e eu tô feliz por isso.

E que este segundo semestre seja bom e seja alegre. Para todos nós.

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Pequena nota sobre um dia qualquer

A pequena acordou 1:30 da manhã e, ao invés de só mamar e dormir novamente, como sempre, despertou de vez. Ainda estávamos acordados, quase indo dormir, então foi um desencontro de energias total. Finalizamos o que estávamos fazendo e deitamos juntos, com as luzes todas apagadas, mas ela não dormia. Falava, cantava, subia em cima da gente, mamava, rolava pra lá e pra cá. Tive a impressão de passar a noite inteira em claro, mas sei que dormi em alguns momentos. Quando ela está agitada assim eu não descanso nada – imagina ela! Será que é salto? Acordei com ela fazendo as mesmas coisas do início da madrugada, me irritei. A vontade era de enterrar a cara no travesseiro, gritar, exigir que me desse uma trégua. Eu queria muito um tempo sozinha, sem ninguém me escalando ou falando sem parar. Levantei da cama de uma vez e entrei no banheiro. Queria silêncio. Ela ficou lá conversando com o pai, que ainda tentava dormir mais um pouco. Eu estava com cólica, dor nas costas, isso sem contar a cabeça pesada pela falta de sono. Entrei no banho. Deixei a água cair nas costas, me deixei ficar ali um tempinho. Depois fiz café, troquei sua fralda e seguimos conversando. Ela disse alguma coisa – não me lembro o que – e percebi que já não estava mais nervosa como quando levantei. Estava cansada, mas não irritada. Rimos juntas, comemos. E o dia seguiu assim – ora eu precisando de algum espaço, ora estando junto para o que estivesse acontecendo. A balança pesando bem menos pro meu lado, mas era o que tinha pra hoje. Chegamos ao fim do dia sem gritos. A noite chegou e eu estava bem. O que havia acontecido na madrugada tinha ido embora pelo ralo, naquele banho da manhã. Só o que restava era a gente seguindo nosso ritmo.

Me dei conta (de novo) de como é importante deixar os sentimentos virem e que, ainda mais importante, é deixá-los irem embora também. Não preciso me prender a isso o dia todo – seja lá o que for. Feliz por ter acolhido nós duas hoje. Não precisa ser totalmente do jeito que eu quero para ser satisfatório. Por hoje eu aprendi.

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Do que aprendo com a minha filha

Uma viagem serve para muitas coisas, inclusive pra gente observar ainda mais de perto o comportamento das pessoas. Com alguma sorte a gente aprende também.

Durante o trajeto de carro que fizemos de São Paulo até Sergipe (e depois de Sergipe a Minas, e de lá pra Sampa novamente), muitas vezes a Agnes ficava estressada e começava a chorar. Era calor demais, muito tempo sentada, muito tempo na mesma posição, confinada dentro de um espaço muito pequeno e com pouquíssimas possibilidades de se mexer e se entreter. Super normal ela se zangar, nem a gente aguentava tudo sorrindo e achando lindo, não há motivos para cobrar isso dela.

Quando parávamos o carro, algo mágico acontecia. Qualquer choro ou reclamação que ela pudesse estar demonstrando cessava imediatamente. Adorava sair do carro e queria logo ir pro chão esticar as pernas, leia-se: correr por todo lado, explorar o lugar, andar de um lado pro outro como se não houvesse amanhã. Ela sorria, andava, corria, conversava, brincava com a gente, mexia com as pessoas, tentava pegar tudo ao seu alcance. Muitas vezes a gente queria entrar e comer logo alguma coisa, mas sempre ficávamos mais um pouquinho lá fora pra ela curtir, ou então nos revezávamos nos cuidados. Os lanches dela acabavam sendo melhor aproveitados nos carro mesmo, porque lá fora o negócio era andar.

Era lindo de ver. Uma entrega, um desprendimento. Ela realmente estava vivendo o presente, como sabe fazer tão bem.

Do outro lado, não era raro acontecer de nós, adultos, descermos do carro e emendarmos uma conversa (ou um comentário solto que fosse) sobre como estávamos cansados, ou sobre como o trânsito estava ruim, ou sobre o quanto já estaríamos adiantados se não fosse aquele trecho lá atrás, onde aconteceu isso, isso e mais aquilo outro. A gente não se desligava.

Por sorte – e eu digo sorte porque não sei que outra palavra usar – percebi isso em tempo e reprogramei minha mente. Consegui curtir a viagem em sua totalidade, aproveitando todos os momentos realmente em tempo real, enquanto eu estava ali. Não me foquei no que deixei pra trás, nem nos problemas, nem no que ainda estava por vir, nem na chegada aos nossos destinos. Não pensei muito nem nas pessoas que nos esperavam, pra ser sincera – só mesmo o suficiente para mandar notícias de vez em quando, claro. Posso dizer que foi uma experiência ótima, que me trouxe uma sensação total de leveza. Leveza no sentido de não carregar os pesos que já tinham passado, de não prolongar o stress de 2 horas atrás, de não tentar prever a próxima parada. Apenas viver o presente, com o que quer que ele me traga.

Consegui. Estou tentando me manter assim ainda, mesmo já tendo retornado há dias. Parecia mais fácil lá na estrada, não sei porque. Aqui eu preciso “me lembrar” mais de ser assim, lá foi algo natural. Talvez aqui eu tenha mais distrações, não sei. Mas fica a pergunta: por que é tão difícil viver o presente? Por que a gente se prende ao que aconteceu lá atrás, ou sofre por antecipação por algo que ainda nem chegou, e se esquece de apenas olhar realmente para o que estamos vivendo agora? Quando é que a gente perde essa essência de só sair correndo quando podemos, ao invés de lamentar pelo tempo que ficamos sentados?

Observar minha pequena moça nessa viagem foi um aprendizado e tanto. Que bom tê-la por perto, para me fazer lembrar do que realmente importa, seja onde for.

 

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Sobre presença, pratos no ar e a vida do lado de cá

Eu queria escrever um texto sobre presença, essa coisa tão falada quando a gente tem filhos. Trabalhando fora ou dentro, não importa a dinâmica da família, esse é um assunto que sempre está em pauta. Queria contar como as coisas fluem melhor quando dedico tempo efetivo com a Agnes, como ela fica mais calma, mais concentrada no que está brincando. Que beleza de mãe que consegue fazer várias coisas e… e aí veio a vida e aconteceu.

Além do que já existe em casa para fazer, agora ainda escrevo com mais frequência, como já comentei esses dias. Tem sido muito legal. Aqui no blog eu apareço dia-sim dia-não, e tenho um outro espaço onde escrevo todos os dias. O meu ideal é que não seja nada menos do que 400 palavras, no mínimo, mas acaba saindo coisas menores por lá, sim. Eu preciso de um tempo sozinha, tranquila, para pelo menos começar a fluir, e quase nunca encontro esse espaço. Enfim, depois volto pra contar melhor sobre isso. Sem mencionar que tenho sentido uma falta danada de ler. Faz tempo que minha rotina de leituras se degringolou, tenho até vergonha de contar, porque está realmente uma lástima e eu sempre amei os livros. Agora quero retomar essa prática, mas só sobra tempo mesmo durante as sonecas ou depois que ela dorme de noite. Tem muita coisa para eu fazer nesse pequeno intervalo, acreditem; cada dia escolho uma e assim vamos indo. Em meio a isso tudo ainda tem o fato de que agora estou aceitando algumas encomendas de doces e outras gostosuras, pois precisamos de uma graninha extra.

Com isso, não tem jeito. A Agnes acaba ficando sem a minha presença durante parte do dia. Quer dizer, eu estou aqui com ela, fisicamente; mas não estou. Sabe assim? No fim da tarde minha mãe sempre brinca com ela e é muito bom ter essa companhia, mas no geral eu vou fazendo tudo com a pequena por perto mesmo. Se não está com fome ou com sono, brinca fácil ao meu redor, bagunça as panelas, traz coisas pra mim, dança, enfim. Tem aprendido a se virar. O que acho muito bom e muito válido, aliás. Já de noite, quando bate o cansaço do dia, chora quando sento no computador. Pede colo e aponta pro quarto, para brincarmos juntas. Foi isso que aconteceu ontem, inclusive, e reparei que tem vezes que esse é o único momento que sento e largo tudo pra me dedicar só a ela, nem que seja 30 minutos.

Difícil essa coisa de conciliar, né? Sei que, na prática, é quase impossível 100% de dedicação, até por conta dos afazeres da casa, mas jogar o tempo pra ela lá pro fim da agenda também não é legal. Acabou que ontem eu nem escrevi lá no outro blog, porque simplesmente desliguei o computador e fiquei de voltar quando ela dormisse, mas aí ficou tarde, bateu o cansaço e fez muito mais sentido ir abraçar meu marido do que ficar sozinha na sala com o computador no colo. Prioridades.

Geralmente eu gosto de brincar com ela na parte da manhã, depois do café da manhã, antes de outras atividades. Mas também já percebi que rendo bem mais se escrevo de manhã. Ou seja, dificultou. Tudo indica que haverá uma mudança de horários por aqui, estar ausente a noite não está sendo muito produtivo, para nenhum lado.

E agora é conseguir equilibrar todos os pratos que me dispus a colocar no ar. Tempo para trabalhar com o que me trouxer moedas, tempo para trabalhar no que eu gosto muito, tempo para ler. Tempo para brincar com e estar presente para a minha pequena moça. E ter alguma vida de casal, além da social and familiar. E dominar o mundo. Nada menos que isso.

Vou conseguir, né?

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