Arquivo da tag: teorias

sobre teoria e dia a dia

Passei muito tempo da minha vida teorizando sobre maternidade. Ser mãe sempre esteve em pauta, eu sempre quis e sempre disse que se não encontrasse o pai das crias até os 30 ia ser produção independente mesmo (ps: quem diz isso em plena adolescência? Pois é.). Ainda bem que eu encontrei e as coisas foram acontecendo como tinha mesmo de ser. Depois que casei, em 2011, foi que embarquei de cabeça no mundo das leituras e pesquisas, de fato. Primeiro, sobre gravidez e parto. Depois, quando vi já tinha me embrenhado ainda mais nos assuntos e me vi super familiarizada com termos como sling, banho de balde, exterogestação, criação com apego, livre demanda, cama compartilhada, terrible two, blw, etc. Várias coisas que antes eu só ouvia falar lá longe ou nem sabia que podiam existir. Aprendi muito e desmistifiquei outro tanto.
Ao contrário de muita gente que só tem contato com esse “outro lado” da maternagem depois que os filhos nascem, eu tive antes. Eu li sobre saltos de desenvolvimento, sobre o quanto é inútil dar palmadas, enfim, sobre outros jeitos – diferentes do senso comum e do mais difundido pela sociedade – de cuidar e educar uma outra pessoinha. Ah, mas por que querer fazer tudo diferente?, você pode se perguntar. A verdade é que eu só me permiti ler e me inteirar sobre um universo que eu queria muito conhecer, abrir leques e janelas, ter opções; não ficar refém de um único modelo pré programado.

Aí a Agnes nasceu.
Nossos dias foram sendo desenhados aos poucos, conforme nosso humor do momento ou o clima do dia. E ali, com uma recém-nascida no colo, eu fui vendo que algumas coisas realmente funcionavam com uma eficiência linda, outras nem tanto. Me lembro das primeiras semanas, ela chorando muito na “hora da bruxa”, pelo excesso de estímulos, seu cérebro ainda amadurecendo, e não tinha ofurô, meia luz, peito e colo que dessem jeito imediato. Era rezar e esperar mesmo. E continuar tentando. Não que a teoria tivesse me enganado, só não se encaixava no nosso caso, naquele momento.

Até que esses dias percebi que depois que ela nasceu não tem mais leituras como antes. Óbvio, né. Primeiro porque não tenho mais tempo. Mas acho que principalmente porque agora estamos construindo a nossa história.
Eu sou o tipo de pessoa que não consegue seguir muitas regras, essa é uma verdade bem verdadeira sobre mim. Busco ter entendimento sobre os assuntos, mas na hora do vamo vê eu me viro do meu jeito. Porque se eu fico pensando muito “mas eu li/me falaram que era assim, então não vou/não posso fazer assado”, eu surto. Pura e simplesmente surto. Isso quase aconteceu quando comecei a introdução alimentar, mas percebi a tempo e pude mudar a rota. Ficava pensando muito, tentando, claro, fazer o melhor – que mãe não tenta, não é mesmo? Mas as supostas regras, que eu mesma tinha encafifado em seguir, estavam me travando, limitando. Não. Não tava legal. Tive que abstrair e seguir apenas o meu instinto e os sinais da pequena, que é a melhor coisa a se fazer, sempre.

A informação tem que te libertar, nunca aprisionar. É fato que algumas coisas podem causar algum incômodo no começo, pela falta de familiaridade no assunto (qualquer que seja), mas se aí dentro você não sente o coração tranquilo, aliviado, é porque existem pontos a serem ajustados. E não podemos ter medo de ouvir nosso coração, nosso instinto. Ele é sempre o melhor caminho a seguir. Mesmo quando o que sentimos é “não sei o que fazer”. Já é um começo, é você aberta a aprender e se doar. A verdade nua e crua? Não existe manual pra exercer a maternagem. Existe você e seu bebê, duas pessoas novas, se conhecendo, descobrindo um novo mundo. A gente pode ler artigos, ouvir palestras, ter o pediatra top, se não fizer sentido aí dentro da sua casa, de nada vale.

E é isso. Foi uma ruptura pra mim – acho que é para todas nós, não é? Faz parte da travessia, afinal.
Desconstruir para reconstruir. Do nosso jeito, muito mais legal.
E vamos em frente. Tem sido uma experiência incrível. Que venham mais e mais descobertas e aprendizados.

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em acontece comigo, vida real