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Carta do dia: intuição e experiência

Filha,

mamãe tá indo pra Salvador hoje, sozinha. 
Vai ser rapidinho, veja só, hoje é quarta-feira e na sexta estarei de volta pra dormir com você. Mesmo assim já estou com saudade. Você disse isso pra mim também, que vai ficar com saudade quando eu estiver “lá no Salvador”. Você me perguntou porque eu estou indo, e porque estou indo sozinha. 

Sabe, filha. A mamãe está descobrindo como é importante a gente valorizar, ouvir e receber com muito amor a voz que vem do nosso coração. A respeitar as nossas vontades. A conhecer a nossa essência. A nos conectarmos com a verdade que guia o nosso caminho. Tenho feito isso com mais presença nos últimos meses. Vezes mais, vezes menos, porque é um aprendizado – e algumas vezes a gente ainda cai em erros antigos para aprender que aquela é uma questão a ser iluminada e trabalhada. Mas o fato é que tenho feito, sim. Tenho procurado ouvir mais as minhas intuições, acreditar nelas – e tem sido um caminho bem bonito, muito bom de trilhar e desvendar. 

Pois bem. Uma dessas minhas intuições me disse que eu devia seguir em frente e ir pra Bahia sozinha, mesmo que fosse por dois dias (e não cinco ou sete, no Carnaval, como era o plano original, rs). Que Salvador é terra de energia forte, e que eu ando precisando beber um pouco dessa fonte e conversar de perto com aquele azul profundo que é o mar que só tem lá. Que ir sozinha, a passeio, é bancar uma Marina que ainda é meio nova pra mim, mesmo que eu sinta que ela sempre esteve aqui esperando para ser vivida. Que isso também é o meu trabalho, porque eu preciso viajar e me movimentar para me entregar à escrita como sei que posso fazer. Que isso também é a minha espiritualidade, porque minha alma reconhece aquele lugar de uma forma muito gostosa, e pela primeira vez estarei presente numa festividade ao dia de Iemanjá. Que isso é a força da amizade, porque sem a presença e o apoio de Dai eu estaria ainda mais perdida do que o normal, rs. E provavelmente tem mais mil coisas que fazem essa viagem ser imprescindível, mesmo que eu não saiba responder com palavras. Coisas que ainda vão fazer sentido daqui alguns dias ou mesmo em décadas. Coisas que ainda nem sei que são pontos a serem considerados, mas que estão compondo esse cenário. E tudo bem. 

Eu espero que isso seja uma mensagem pra você também, filha. Que você pode, sim. Que você é livre. Que sempre pode conseguir o que quiser, basta continuar tentando, indo, sentindo o caminho e o seu coração. Que algumas coisas não tem explicação racional, graças a Deus. Ao ver os meus movimentos, espero que você entenda, que sinta forte aí dentro do peito, desde já, que fique gravado em você, que é cuidando da nossa verdade e do nosso sentir que a gente se fortalece e floresce. Cresce. Para seguir em frente, para cuidar do outro, para ofertar ao mundo o que de mais bonito vier desse cultivo. E também pela experiência em si, por nós mesmas, pelo tempo presente que é tudo o que temos – então que seja de significado e sentido.

O nosso caminho é construído todos os dias, meu bem. E enquanto estivermos aqui no planetinha azul é tempo de aproveitar, de ir, de viver. Eu espero que você entenda que estou seguindo uma intuição, e que isso é uma escolha possível e natural – uma das milhões de escolhas possíveis na sua vida, você terá milhares delas, acredite. 

Não estou buscando respostas definitivas, nem te escrevendo agora, nem nessa viagem. Estou interessada na experiência. No tempo presente que ainda está por vir. E em te abraçar no aeroporto na noite de sexta, com certeza. 

 

com muito amor,
mamãe.

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Carta do dia: para Helena

Filha, 
a Nena, sua prima querida, é uma ginasta das mais lindas. Ela acabou de embarcar para a Bulgária, aos 7 anos de idade, para dar asas a um sonho de crescer e se aperfeiçoar mais nesse caminho da Ginástica Rítmica. Seu padrinho escreveu uma carta pra ela e eu abri espaço aqui no nosso cantinho para guardar as palavras dele, para que a gente nunca se esqueça dessa emoção que todos estamos sentindo por vê-la ir pro mundo assim, tão segura e tão feliz. 

 

Aracaju, 17 de maio de 2016.

Carta para minha Filha.

Querida filha, estamos passando por um momento sem muito tempo livre, com um leve toque de turbulências e ansiedade. Mesmo assim, apesar de tudo que vem acontecendo vejo você mantendo o sorriso no rosto e a alegria na alma. É algo incrível e muito positivo. Eu apenas agradeço por você ser positivamente resiliente.

As vezes sou obrigado a ser duro com você. Não gosto disso, mas é a parte mais difícil da missão de ser pai. Para te ensinar que na vida nem sempre você terá o que quiser e quando quiser, ou que nem sempre você fará o que quiser ao bel prazer, sou obrigado a te dizer não. São apenas três letras, mas que tem um peso assombroso às vezes. Espero que no futuro você possa me entender e agradecer por cada não dito a você.

Fico observando seu crescimento, físico, mental, e até espiritual. Fico feliz de te ver cada dia mais linda, com o raciocínio rápido e a inteligência afiada. Começo a projetar o bunker numa montanha isolada do Nepal para onde vamos nos mudar quando você fizer quinze anos….(ops). Vejo que você será uma mulher de fibra, com personalidade desconcertantemente forte e grande poder de liderança. Talvez eu não possa prever com certeza como você será no futuro, em relação ao mundo. Para mim, você sempre será minha Princesinha para quem eu sempre terei um colo, um carinho, um copo de chocolate quente ou frio (a depender do calor local).

Hoje eu estou preocupado com a etapa que se aproxima, com a pressão crescente sobre você e com a viagem vindoura. Na verdade, hoje meu coração acordou pequeno dentro do peito, aflito. Mas como eu te disse um dia desses na cozinha do nosso apartamento: “Eu sempre te apoiarei e entenderei suas decisões” Você tem apenas sete anos, mas encara sua opção esportiva com seriedade e compromisso tão profundos que fazem adultos parecerem crianças de colo. Prometi a mim mesmo que não deixaria meus medos e instinto de superproteção não a privariam de suas escolhas. Daqui a dezoito dias você dará seu primeiro grande passo na carreira esportiva, fará sua viagem de treino para a Bulgária. E eu estarei lá, no aeroporto, com você até o ultimo segundo antes do embarque. Depois serei só torcida, energia positiva e saudades. Eu confio em você e espero que seu sorriso seja constante em seu rosto. E quando voltar, estarei te esperando no aeroporto, com toda a certeza.

Amo você minha Filha.

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Fast food de viagem

Pronto, agora acho que encerro a fase monotemática de viagem, rs.

Como manter uma alimentação razoavelmente adequada numa viagem de carro com um bebê de 1 ano? Aqui fizemos assim.

Para a ida (São Paulo – Aracaju) estávamos bem abastecidos.

Preparamos em casa muitos sucos naturais, congelamos em garrafinhas e levamos numa bolsa térmica. Salvou completamente nossa vida, Agnes não consumiu nenhuma caixinha durante o trajeto, yeah!

Também fizemos bolo, que foi bem bom no começo, mas logicamente não durou muito.

Além disso, levamos frutas – banana, maçã, pêra, laranja.

E biscoito de polvilho e cookies também.

Em relação a comida, tivemos o cuidado de parar sempre um pouco antes do meio dia, que é quando a comida está fresquinha e os lugares mais vazios. Funcionou bem, apesar da pequena ter comido pouco nessas horas, já que ficava mais interessada em sair correndo para explorar o lugar e esticar as pernas, rs. E preciso dizer que tivemos boas surpresas nessa parte, cada comida boa que achamos, principalmente onde a gente percebia que era negócio familiar, sabem. Muito bom, hehe…

Na(s) volta(s) não tínhamos mais tanta coisa no carro, mas sempre dava certo de achar um biscoito sem leite na estrada, suco feito na hora, ou coisa parecida.

Ah, picolé estava liberado também, porque né, viagem de carro, nordeste, sol de lascar… algum alívio precisava ter, além do ar condicionado, hahaha.

Sinceramente, foi bem mais tranquilo do que eu imaginei. Nada como viver a experiência pra saber, né.

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O causo da polenta

Pode parecer um pouco estranho, mas acho que a Agnes comeu melhor durante os deslocamentos na viagem do que nos lugares que ficamos. É que ficamos em casa de parentes, outros horários, muita gente em volta. E essas coisas já são suficientes para mexer com o apetite dela. Ela comeu pouca comida nos 20 dias fora. E o que salva aqui em momentos como esse é a bendita da polenta.

Fubá, água, um tico de sal, orégano e um fio de azeite. Ou só fubá e água, em situações/lugares críticos. É muito fácil, muito prático e ela come feliz da vida (faz um tempo que não dou, na verdade, mas vamos focar que até agora deu certo, rs). Pois bem. Quando a coisa apertava lá em outras bandas, era pra polenta que eu corria. Porque não estava bancando ver a pequena gastar tanta energia sem comer direito. E não era hora de ficar pensando em valores nutricionais, variedade, se ela só ia querer comer isso for ever quando voltasse, etc. Nada disso. Eu só queria alimentar minha cria.

Já estava marcado desde antes da gente ir que depois do Natal iríamos, com uma turma de amigos do meu irmão, passar um dia (e uma noite) num lugar tipo camping que tem lá pertinho de Aracaju. A Lagoa dos Tambaquis é um lugar realmente lindo, tem uns chalezinhos simples para pernoitar, tem sombra e água fresca, tem um café da manhã delicioso e o lago em si é uma delícia, água cristalina, peixinhos, tudo de bom. Fizemos um churrasco, no almoço a pequena comeu arroz, salada e carne, de boas. A noite eu não quis dar a mesma coisa e, já sabendo disso de antemão, levei um pacotinho de fubá e uma mini panela da minha cunhada. Quando foi na hora da janta, tudo escuro, os faróis dos carro fazendo as vezes de iluminação onde tinha o fogo, num fogão totalmente improvisado, estávamos lá preparando a polenta salvadora de bebês esfomeados. Gente, foi TÃO legal! Totalmente a nossa cara, e cara dessa viagem, que teve tantos improvisos. Com certeza vamos lembrar da gente lá na beira do fogo queimando a panela por um bom tempo, haha.

Cheguei a ouvir, já em outros dias da viagem, que eu não alimentava minha filha direito, que isso estava errado, que não dava pra comer tanta polenta assim na vida. Só deu vontade de dizer: gente, seje menas!! Sabe, na vida – e principalmente na maternidade – temos que escolher nossas batalhas. Então eu oferecia comida para minha filha, sim, é óbvio que sim. Mas se eu percebia que o ambiente não estava propício para ela comer bem (porque bebês são seres inteiros, tudo ao redor influencia nos processos deles) (não adianta, ela não come com muita gente ao redor, olhando e comentando o que ela está fazendo), ou se não tinha algo na hora que ela queria, eu apelava pro que ela conhecia e aceita bem – como trazer algo do cotidiano dela pra um lugar onde já é tudo novo. E tudo bem. Viagem é pra gente relaxar, é pra sair da rotina, é pra sijogar no que aparecer. Ela teve tantas outras ~experiências gastronômicas~ nesses mesmos dias, tantas novidades. Deixa a menina comer o que quiser, eu hein! E deixa essa mãe aqui tentar ser leve, né.

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Viajar com bebê é tudo de bom

Esta semana estava lendo uma matéria com dicas da família Nalu sobre viajar com crianças. Eu adorava assistir ao programa uns anos atrás, ficava pensando como seria incrível viver viajando, levando criança junto e tudo mais. Eu gosto de estar em movimento, me identifico, em algumas partes, com pessoas nômades – apesar de não viajar quase nada, se comparadas a elas. Enfim. Li a matéria e lembrei da aventura que fizemos no final do ano passado, quando fomos até o nordeste de carro com uma bebê de 16 meses. Bateu uma super saudade e resolvi vir aqui escrever mais um ‘cadim sobre isso.

A verdade é que, se eu pudesse ($), viajaria sempre, todos os meses, para todos os cantos, principalmente aqui dentro do país mesmo, pois são muitos os lugares que ainda quero conhecer. Adoro viajar, adoro pensar na viagem, fazer listas, comprar coisinhas especiais para botar na mala, adoro fazer as malas. E viajar de carro é especialmente bom, uma experiência a mais. Talvez porque foi assim que viajei na maior parte da vida, mas não vejo problema em ir por vias terrestres para qualquer lugar – a primeira vez que viajei de avião eu tinha exatamente 19 anos, então carro e ônibus são super tranquilos pra mim.

E é claro que eu não deixaria de viajar com a minha pequena companheira de aventuras. Quer dizer, em algum momento devo ter pensado se os contras não seriam maiores que os prós, mas resolvi encarar, de qualquer modo. Incluir os filhos na vida que temos e tanto gostamos é parte fundamental da caminhada, não acham?

Mas assim, também não tinha como achar que, com essa história de incluir, as coisas seriam como eram antes. Nem pensar. Ajustar minhas expectativas foi a primeira coisa que fiz desde que engravidei. Não daria para querer percorrer os mesmos km na mesma quantidade de tempo com um bebê a bordo. Me preparei mentalmente para paradas maiores, para não ter pressa, para lidar com possíveis crises de choro, entre outros imprevistos que pudessem surgir pelo caminho.

Já tínhamos viajado uma longa distância de carro com antes, quando ela tinha 7 meses. Daquela vez confesso que fiquei mais apreensiva, mas acabou sendo mais tranquilo do que o esperado, ainda bem. Acho que por isso me animei a esticar o caminho e ir pra Aracaju no fim do ano, rs. Com a diferença de que, desta vez, ela já estaria comendo normalmente (da primeira era comecinho da introdução alimentar, ela praticamente só mamou mesmo), lembrando que ela não consome nada com leite ou derivados, então teria essa preocupação a mais. O que fizemos foi levar muitos petiscos e opções de lanche para não depender apenas do que encontrássemos na estrada – até porque em alguns lugares “opção” não é uma palavra muito ampla, sem contar os trechos em que não tem nada a não ser mato e montanhas e árvores e carros. Acho que depois faço um post só sobre como foi a alimentação, porque o assunto rende bastante.

No quesito distração dentro do carro (mais conhecido como: mantendo a quiança na cadeirinha sem muito choro), tínhamos música, livros, bichinhos de pelúcia, brinquedinhos novos, nós mesmos, os quitutes disponíveis, bolsa da vovó, óculos de sol que estivesse dando sopa por ali, mostrar as nuvens no céu, batom. Pois é, até o batom entrou na roda. Numa momento crítico, minha mãe entregou um batom na mão dela, com o intuito que ela ficasse só no “tampa-destampa”, mas aí ela abriu, gostou, botou o dedo, passou na perna (e nos pés, e na cadeirinha, e em nós) e ficou nisso por preciosos minutos de paz. Nada que os versáteis lencinhos umedecidos não resolvessem depois. Ou seja, em algum momento é preciso desapegar. Costuma render boas risadas, recomendo. Ah, outra coisa que foi a sensação do entretenimento: uma caixa de canudos. De última hora comprei uma caixa de canudinhos, pra facilitar na hora de tomar os muitos sucos que fizemos e levei do jeito que comprei mesmo, na caixa. Ainda brincamos que era exagero. Mas não é que a Agnes amou ficar tirando os canudos e depois encaixando de volta no buraquinho? Foi uma boa surpresa. A caixa acompanhou o percurso todo, tanto na ida quanto na volta – e ainda sobrou canudo, hehe.

E no fim eu só falei de coisas que nem são exclusivas de viagens longas. Essas são minhas dicas da vida prática mesmo, apenas adaptadas para o momento. É assim que tento ser no dia a dia. Sempre buscando ser mais leve, estar mais presente, lembrando de respirar e acolher o que vier.

A verdade é que não vale a pena focar só no stress que vai surgir. Porque vai, simplesmente vai. Tem cansaço, tem trânsito, tem vontade de ficar sozinha, tem um monte de coisas chatinhas, mas também tem uma porção de momentos que estão sendo construídos com risadas, empolgação e até mesmo alguma calma. Consegui ler e escrever alguns rascunhos no carro, nos momentos que ela dormia e eu estava disposta, a despeito de todas as dúvidas se isso seria mesmo possível. É muito mais proveitoso quando nos abrimos para viver o que vier, seja onde for. No fim, é tudo memória. Tenho lembranças muito boas dessa viagem e não vejo a hora de vir a próxima.

Ah sim, ainda volto para falar de mais causos que adorei ter vivido e sobre como foi a alimentação da pequena na estrada. Me aguardem.

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Do que aprendo com a minha filha

Uma viagem serve para muitas coisas, inclusive pra gente observar ainda mais de perto o comportamento das pessoas. Com alguma sorte a gente aprende também.

Durante o trajeto de carro que fizemos de São Paulo até Sergipe (e depois de Sergipe a Minas, e de lá pra Sampa novamente), muitas vezes a Agnes ficava estressada e começava a chorar. Era calor demais, muito tempo sentada, muito tempo na mesma posição, confinada dentro de um espaço muito pequeno e com pouquíssimas possibilidades de se mexer e se entreter. Super normal ela se zangar, nem a gente aguentava tudo sorrindo e achando lindo, não há motivos para cobrar isso dela.

Quando parávamos o carro, algo mágico acontecia. Qualquer choro ou reclamação que ela pudesse estar demonstrando cessava imediatamente. Adorava sair do carro e queria logo ir pro chão esticar as pernas, leia-se: correr por todo lado, explorar o lugar, andar de um lado pro outro como se não houvesse amanhã. Ela sorria, andava, corria, conversava, brincava com a gente, mexia com as pessoas, tentava pegar tudo ao seu alcance. Muitas vezes a gente queria entrar e comer logo alguma coisa, mas sempre ficávamos mais um pouquinho lá fora pra ela curtir, ou então nos revezávamos nos cuidados. Os lanches dela acabavam sendo melhor aproveitados nos carro mesmo, porque lá fora o negócio era andar.

Era lindo de ver. Uma entrega, um desprendimento. Ela realmente estava vivendo o presente, como sabe fazer tão bem.

Do outro lado, não era raro acontecer de nós, adultos, descermos do carro e emendarmos uma conversa (ou um comentário solto que fosse) sobre como estávamos cansados, ou sobre como o trânsito estava ruim, ou sobre o quanto já estaríamos adiantados se não fosse aquele trecho lá atrás, onde aconteceu isso, isso e mais aquilo outro. A gente não se desligava.

Por sorte – e eu digo sorte porque não sei que outra palavra usar – percebi isso em tempo e reprogramei minha mente. Consegui curtir a viagem em sua totalidade, aproveitando todos os momentos realmente em tempo real, enquanto eu estava ali. Não me foquei no que deixei pra trás, nem nos problemas, nem no que ainda estava por vir, nem na chegada aos nossos destinos. Não pensei muito nem nas pessoas que nos esperavam, pra ser sincera – só mesmo o suficiente para mandar notícias de vez em quando, claro. Posso dizer que foi uma experiência ótima, que me trouxe uma sensação total de leveza. Leveza no sentido de não carregar os pesos que já tinham passado, de não prolongar o stress de 2 horas atrás, de não tentar prever a próxima parada. Apenas viver o presente, com o que quer que ele me traga.

Consegui. Estou tentando me manter assim ainda, mesmo já tendo retornado há dias. Parecia mais fácil lá na estrada, não sei porque. Aqui eu preciso “me lembrar” mais de ser assim, lá foi algo natural. Talvez aqui eu tenha mais distrações, não sei. Mas fica a pergunta: por que é tão difícil viver o presente? Por que a gente se prende ao que aconteceu lá atrás, ou sofre por antecipação por algo que ainda nem chegou, e se esquece de apenas olhar realmente para o que estamos vivendo agora? Quando é que a gente perde essa essência de só sair correndo quando podemos, ao invés de lamentar pelo tempo que ficamos sentados?

Observar minha pequena moça nessa viagem foi um aprendizado e tanto. Que bom tê-la por perto, para me fazer lembrar do que realmente importa, seja onde for.

 

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Nossa viagem pra Minas

Voltamos de viagem!!
Que beleza chegar em casa, né?! É um paradoxo engraçado: amo viajar, mas amo chegar em casa também.

Saímos daqui de São Paulo no sábado passado, às 14:30 da tarde. Risos, muitos risos pra quem pensava que viajaria de madrugada ou a noite, hahaha. Mas estávamos bem tranquilos, sem pressa alguma. Arrumamos tudo com calma, fomos almoçar no shopping, meu pai ainda resolveu comprar mais umas coisinhas e só depois seguimos rumo à Fernão Dias. A Agnes dormiu sua soneca da tarde e quando pensamos que iríamos aumentar a velocidade, demos de cara com um trânsito, rs. Um caminhão de fraldas havia tombado na rodovia e parou tudo. Ainda bem que a pequena dormiu boa parte desse tempo em que estivemos parados. Enfim, depois de mais de 1 hora a coisa fluiu, mas já era fim de tarde. Rodamos mais um pouco, paramos pra esticar as pernas, trocar a fralda dela e tudo mais. Daí meu pai trocou de lugar com o Cleber, que assumiu a direção, rodamos mais umas 2 ou 3 horas, e paramos de novo. Já era bem tarde, entrando a madrugada, mas resolvemos seguir mais um pouco. Avançamos até às 3 da manhã e resolvemos parar numa pousada pra dormir e seguir quando amanhecesse. Até porque a pequena já estava cansada, não conseguia dormir direito, toda hora acordando e reclamando. Dormimos até às 8! Rs. Pensa num povo que não tinha pressa nenhuma, né?! rs. Ah, estávamos curtindo a viagem, foi legal! Tomamos café na pousada e seguimos. A Agnes dormiu de novo quando entrou no carro e aí meu pai correu mais um pouco. Quando ela acordou, mais de 1 hora depois, nem reclamou de estar no bebê conforto. Fizemos mais 1 parada até o destino, só. Deu quase 24 horas de viagem, mas só porque paramos mesmo pra dormir sossegados.

Chegando lá e a pequena ficou feliz a beça. Sorriu pras pessoas, foi no colo, uma lindeza sem fim. Nem ficou enjoada pela distância ou demonstrando dor no corpo.

No decorrer dos dias foi tudo de bom. Todo mundo ficou encantado com ela, com suas gracinhas e sorrisinhos. Ela aceitou bem outros colos, apesar de ainda não poder me perder muito de vista. Continuou dormindo bem a noite, comigo, e até seguiu relativamente bem  sua rotininha diária. Achei inclusive que passou a comer um pouco mais, aceitou melhor o almoço (todas comemora! \o/); e até experimentou umbu, e aprovou! Deixei tomar uns golinhos de suco e também gostou.
Conheceu muita gente, andou a cavalo comigo, tomou banho no tanque e na bacia. E adorou a rede. Caso de amor mesmo, rs. Eu a fazia dormir sempre lá, foi muito gostoso (e agora quero uma rede aqui em casa – só não sei onde vou colocar, se meu apê é do tamanho de uma caixa de fósforo, mas isso é outro assunto, rs).

Enfim, foi muito gostosa essa viagem.

Na volta pra casa, saímos de uma outra cidade, da casa de uma tia. Partimos às 4 da manhã e chegamos em casa 19:00. Fluiu super bem, nós achamos. Acho que porque a estrada estava vazia, então conseguimos andar bem, porque no quesito paradas foi maior, a pequena estava mais irritada, chorando mais, com certeza já cansada dos dias movimentados. Foi cansativo pra mim também, que não dormi em nenhum trecho do caminho, atenta a ela. Na hora do almoço eu já não aguentava mais, fiquei meio nervosa, querendo minha cama, mas fizemos uma parada mais longa e deu pra dar uma espairecida.

Ah, muito obrigada pelas dicas todas, foram bem úteis. Levei brinquedos (os já conhecidos e comprei 1 novo), frutas, água e isso ajudou muuuito a distraí-la em vários momentos. Comprei também daquelas almofadinhas de apoiar o pescoço, do tamanho certo pra ela (mini, muito fofa!), pra quando ela dormisse, e adorei, ela ficou mais aconchegada. Fui atrás com ela, sim, mas isso eu já faço desde que ela nasceu, mesmo quando o banco do passageiro na frente está vazio, hehe.

E foi isso. Aproveitamos muito, curtimos muito. Os momentos de caos absoluto choro e cansaço no carro fizeram parte da aventura, mas não foram unânimes. O saldo foi positivo, com certeza.

E que venham mais viagens!! \o/

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E lá vamos nós . . .

Nas festas de fim de ano eu decidi que não iríamos viajar. Não iríamos viajar pra longe, quero dizer, até porque fomos pra Ibiúna e pra Boituva, que é aqui do lado, mas já é uma mini viagem. Decidi por alguns motivos, mas o principal deles foi porque não queria expor a Agnes a um longo período dentro do carro, ainda mais com estrada cheia, calor, chuvas, etc. Ela não gosta de ficar no bebê conforto. Se ela falasse, tenho certeza que o chamaria de bebê desconforto. Ela chora chora chora. Grita. Griiiita. Enfim, reivindica do jeito dela, né. Eu não queria aquele stress naquele momento.

Pois bem.

Pouco tempo se passou, está chegando o carnaval e venho dizer que… estamos indo viajar.
Pra longe. 1.200 km de chão rumo a Minas Gerias, meu estado do coração. De carro.

Pausa pra eu rir de nervoso.
Hahahahahahahahaha.
Despausa.

Ué, e todo aquele papo de não expor a bebê ao stress e etc e tal? Ainda tá aqui, minha gente, acreditem. Mas em algum momento teríamos que ir, não é mesmo? Lá, naquela pequenina cidade que eu conheço desde que nasci, estão pessoas muito importantes da minha família. Inclusive os bisos da pequena. Ela só tem 1 bisavô vivo, que é o pai da minha mãe, e estou indo levá-la principalmente para conhecê-los. Mas não só, claro. Tem minha prima, que será sua madrinha. E todas as outras primas e primos. Crianças e adultos. Tias, tios. Parentes de todos os jeitos. Tem o rio São Francisco. Tem a roça onde meu pai nasceu e cresceu (sim, ele nasceu na roça, rs), lugar lindo lindo. Enfim. Muitos bons motivos.

Tenho certeza que será muito legal e bem animado.
Só não dá pra saber como será o caminho até lá. Amo viajar de carro, de verdade. Vou torcer pra ela ter puxado pelo menos um pouquinho dessa minha paixão.

Volto pra contar como foi em breve. Enquanto isso, mandem boas vibrações, hehe.

Bom carnaval pra todo mundo! o//

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