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Carta do dia: verdades que surgem às sete da manhã

Filha,

hoje de manhã, enquanto comia seu mingau de aveia, você começou a chorar dizendo que não queria ir pra escola.

Você passou o fim de semana sensível dizendo que não queria ir mais pra escola. Imaginei ter sido porque, na quinta e na sexta passada terem sido os primeiros dias em que você ficou todo o período, e não mais o tempo da adaptação. Isso depois de cinco dias direto em casa, por conta do carnaval. Foi uma conta que não fechou, né? Também teve o fato de que sábado eu fiquei até as seis da tarde longe, num encontro mensal que participo – e calhou do de fevereiro ser justamente nesse balaio de escola, horas longe, adaptações, etc. Entendo completamente. E no domingo, por mais que estivéssemos pertinho, foi na rua, em movimento e em bando – com toda euforia e cansaço que tudo isso traz.

Aí de madrugada você acordou com uma dor na barriga, pediu chá, e depois vomitou. Dormiu tranquila depois disso, ainda bem. Também natural, visto que é mesmo muita coisa pra digerir. E não digo só pelo fim de semana, mas pelo período que estamos passando, a saber: adaptação na escola, ou seja, uma rotina completamente nova também, já que você fica lá semi integral. Reforma completa na casa da vovó e do vovô, que é o lugar que mais vamos e que, com a reforma, você foi privada de ir; e você entrou lá algumas vezes rapidinho e viu que estava tudo completamente diferente. O Dindo aqui em casa – que é uma coisa boa, mas também nova. Mudanças internas da mamãe e do papai. A vovó que foi pra Minas de repente cuidar da mamãe dela. E até as mudanças na nossa casa coloco nessa conta. Sim, o ano mal começou e já veio um combo de alterações e desafios.

Você colocou pra fora os excessos e eu te admiro por isso.

Escolhi não te levar pra escola ontem porque, além de você ter pedido muito, e do episódio do vômito, eu senti que era mesmo pra você ficar. Pra reforçar nosso vínculo na presença física, num dia de semana normal, na nossa rotina que você estava habituada. E para não se tornar um tormento ir pra escola, aquela coisa que somos obrigados a ir de qualquer jeito e engole o choro. Podendo escolher, não te obrigo a nada, foi sempre assim; caminho do meio total, sentindo o seu tempo, indo com calma; por que ter que já entrar numa coisa fixa e rígida agora? Não faz sentido pra forma que lidamos com as coisas aqui em casa. Tudo bem ficar em casa um dia pra fortalecer o emocional e ir mais calma nos dias seguintes. Tem quem fale que isso faz você não se adaptar, mas eu não estou lidando com suposições, nem com achismos e muito menos com pitacos aqui, estou sentindo você, nossa história, nossa relação. Ontem era melhor que você ficasse e você ficou, ponto. Conversamos bastante no fim do dia sobre a ida pra escola na manhã seguinte, estive calma, te expliquei mil coisas. Enfim. Fiz o que achei que me cabia e que consegui.

Hoje de manhã te senti bem mais calma, apesar das frases de não querer ir e de algumas lágrimas, como as que rolaram depois do café da manhã.

Depois de poucos minutos, você disse:

– por que eu tenho que ficar longe de você e do papai?

(pausa pro meu coração voltar a bater, lembrar que essa é a sua história, não te projetar meus traumas infantis, não chorar também e ir direto cancelar essa merda de escola e vivermos pelados pintados de verde num eterno domingo. respirei. olhei pra agnes e pra vida da agnes)

-é por isso que você não quer ir, filha?

-siiiim (já chorando e novo)

E aí eu entendi, filha. É mesmo uma fase de adaptação. Três anos e meio, toda a sua vida, sendo cuidada por mim, pelo papai e sempre por pessoas da família e, de repente, lá vem essa coisa de escola, de tantas horas longe de todas as referências familiares (#cancerianafeelings), em meio a todas as mudanças que já andavam rolando? Putz, essa é mesmo uma pergunta muito boa. Por que ter que ficar longe das pessoas que mais amo e me passam segurança?

Eu te disse que estamos sempre juntos, que você pode sempre respirar fundo, se acalmar e lembrar da gente com carinho; e que faríamos muita farra e chamego quando estivéssemos juntos. Além de outras coisas que também disse, em outros momentos. E comecei a focar nas coisas boas que tem na escola, ao invés do fato de ser um lugar que você fica sem a gente. Porque pode mesmo ser muito legal, filha, e você vai descobrir ao longo da vida que é bem divertido ter nossas próprias experiências, rs.

Todos os dias, desde que me descobri grávida, aprendo com você, minha pequena moça. É um privilégio sem tamanho ser sua mãe. De novo e sempre eu te digo: que bom que você veio, meu amor. Que bom!

Sigamos juntas, então, crescendo, aprendendo, chamegando e esticando a borda do horizonte do que conhecíamos até ontem – dentro e fora de nós. De vez em quando dói, arde, dá vontade de viver pra sempre no quentinho do colo e do conhecido. Mas aí é só lembrar que nem existe esse lance de pra sempre e que bom mesmo é sentir a nossa força e nossa coragem pelos caminhos dessa vida.

 

com amor,
mamãe.

 

(tudo isso pra dizer que, sim, eu também tô me adaptando e acho que viver no mato sem muros nem regras segue sendo uma ideia maravilhosa que irei defender pra sempre – não péra. que irei cultivar em nós. que irei cultivar dentro. e que sigo sendo uma pessoa que não obedece todas as regras nem na fase de adaptar a pequena na escola e já tô ensinando que pode, sim, cabular. ô se pode!) (apagar essa parte quando ela for pro ensino médio) (ou relembrar isso aqui exatamente nessa época?) (fica a ideia) (não me interditem) (sou doidinha mas sou legal) (dizem) (hahahahaha).

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Sobre escola, o tempo de cada um e expectativas superadas com sucesso

São onze da manhã e eu tô aqui com saudade da minha pequena moça. Mãe é bicho estranho mesmo. Passa o dia inteiro com a cria e reza um terço inteiro pra conseguir uma folga, ir fazer outra coisa, ter um tempo em silêncio pelo amor de deus. Aí a quiança começa a ir pra escola e na segunda semana tá a mesma mãe com saudade apertada, sendo que deixou a pessoinha no portão há três horas atrás.

Vai entender.

Mas sim, é oficial. Agnes está na creche. Depois de exatamente um ano na fila, saiu a vaga na CEI aqui perto de casa (que eu queria que fosse mais perto pra levá-la a pé, mas é inviável com mochila, ladeiras etc) (ok, eu volto a pé sozinha e já é um exercício pra começar o dia).

Ano passado a gente até tentou que ela fosse pra uma escolinha. Compramos material, uniforme, mochila quase do tamanho dela, lancheira… pacote completo. Menos de dois meses depois estávamos na secretaria pra cancelar tudo, porque ela realmente não estava bem. Não estava feliz, pra ser bem sincera. Era visível em seu rostinho que não estava se sentindo bem naquele espaço. Chorava quando eu dizia que era hora de tomar banho pra ir escola, na trajeto até lá, na porta e entrando. Depois eu até recebia foto dela no whatsapp (“olha, mãe, ela ficou bem”), mas como eu dizia: não é porque não está chorando que está tudo bem. Tem todo o contexto envolvido. Ela não interagia, comia muito pouco, tinha a expressão do rosto de quem não estava bem ali. E saía de lá irritadíssima, brigava muito comigo e com o pai, batia, chorava… estava mesmo liberando seus sentimentos com a gente, que era onde ela tinha segurança. E nós, que a conhecemos muito bem, vimos que sua vitalidade estava caindo e voltamos atrás. Melhor decisão. 90% da irritação passou já no dia seguinte, foi visível o quanto ela gostou da novidade.

Tudo bem, ficou o aprendizado que cada coisa tem o seu tempo e aquele não era o dela. Eu até gostava das tardes escrevendo em cafés e indo ao cinema, mas é óbvio que não estava disposta a pagar um preço tão alto por uma cena ideal. Voltamos para a companhia uma da outra em tempo integral. Quer dizer, ela voltou pra companhia dos pais em tempo integral, não só da mãe. Já que temos esse privilégio de trabalhar de casa, que usemos a nosso favor, né.

Eu sabia que esse ano a colocaria na escola, mas não fazia ideia de onde seria. Não havia possibilidade de pagar as escolas que eu gostava mais, não consegui bolsa em uma super querida do coração. E pra pagar de novo algo que a gente podia mas que não fazia bem pra ela, que era mais espaço fechado e nenhuma grama, tudo tão padrão e igual e com apostilas… de novo, não, obrigada.

Em janeiro recebemos a ligação da creche pública e aceitamos prontamente. Está longe de ser daquele jeito que eu sonhava, ou de ter o espaço físico que a gente curte mais, mas gostamos do que vimos, sim. O mais interessante foi perceber que, mesmo antes de conhecer, a própria Agnes estava curtindo bem mais aquela escola do que a anterior. A começar pelo nome, que começa com “estrela”. Ela adora céu, estrela, nuvem, sol… Disse que a próxima escola vai ser de lua e sol, hahaha.

Essa é a parte que eu digo que estou adorando a praticidade da escola pública. Sem frescura de material, sem alfabetização na educação infantil, alimentação toda deles (que é ok, mas tudo bem). Simples e funcional, sabe assim? Minha única insegurança era sobre o horário, já que para creche a carga é de 10 horas por dia. Meu Deus. A gente mal dá conta de meio período longe uma da outra, imagina o dia todo, como é que vai ser isso? O máximo que consigo, pra enxugar esse horário, é levá-la no último minuto (haha) e buscar no primeiro instante.

Semana passada foi o começo. Deixei ela lá, que chorou um pouco, e voltei quase chorando também. Mas quando fui buscar estava tudo bem, ela estava animada, me contou tudo, foi uma alegria só. Foram três dias saindo às onze da manhã, e dois dias saindo às duas da tarde, pra ter a adaptação do sono – que era outro fator que me “preocupava”, porque em casa ela já não dormia a tarde há tempos e pra dormir longe dos pais é bem difícil. E querem saber? Ela dormiu e dormiu rápido. Eu disse pra professora que ela gosta de companhia pra dormir, aí ela sentou do lado dela e fim, dormiu.

Hoje será o primeiro dia que a buscaria no horário “oficial”, sem adaptação. Vamos ver como estará. Mas ela sabe que horas eu vou e isso já nos acalma. Todos esses dias, quando nos despedimos, ela chora, mas depois de dois minutos não está chorando mais (eu vejo porque muitas vezes sou eu que levo a mochila na salinha dela, já que todos os dias a #menas aqui chegou atrasada e eles já estavam no refeitório, hahaha. Mas o bom é que eu vejo que está tudo bem e saio mais tranquila também).

Enfim. Ano novo, rotina nova.

Que seja bom pra gente. Que ela seja muito feliz. É só isso que esse meu coração de mãe deseja pra ela.

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Um novo tempo

Domingo, 21 de maio, Agnes mamou quando acordou. Tomamos café da manhã, ficamos por aqui e depois saímos pra almoçar. Depois fomos ao shopping e ela ficou brava por algum motivo – que, na verdade, era sono. Ninei e disse que ela ia dormir sem mamar, só com carinho e colo, ela perguntou porque, eu disse que o mamá estava acabando. Ela aceitou, fiz carinho na barriga, com ela no colo e então ela dormiu.

Já faz dias que estou falando que o mamá está acabando. Não digo que já acabou, porque não quero mentir. Mas estava conduzindo assim rumo ao fim. Tinha dias que ela aceitava mais, outras menos. Teve um dia, alguns dias antes disso, que ela ficou o dia sem mamá e depois teve 2 escapes de xixi, achei que estava indo rápido demais. Mas a verdade é que pra mim já tinha chegado num limite. Eu não estava mais tão confortável em amamentar, ela mamava de fato muito pouco, ficava mais com o peito na boca, isso quando não prendia o dente e depois ficava até marcado, doía muito. Não estava mais prazeroso, era mais uma comodidade nossa, coisa que não sabíamos direito como mudar por nunca termos nos relacionado sem isso.

No dia seguinte, segunda-feira, ela mamou um pouquinho só de manhã quando ainda estávamos dormindo. Essa é a mamada mais difícil de tirar, eu acho, porque ela mama ainda sonolenta, eu também estou mais dormindo do que acordada. Mais difícil tirar essa do que a da hora de dormir, na minha opinião. Aliás, já consiguia fazer ela dormir sem mamá há alguns meses. Não era todo dia, mas rolava tranquilamente. Enfim. Ela mamou um pouquinho e depois eu tirei, ela reclamou um pouco mas logo disse “eu não mamo mais? Agora só carinho e abraço?”. Eu concordei, ela me abraçou e assim dormimos mais 1 hora.

O dia todo ela nem tocou no assunto. Quer dizer, quando saí do banho, ela me viu colando a blusa e disse de novo: eu não mamo mais, né, mamãe? Sim, filha. Você está crescendo e agora estamos descobrindo novas formas de chamego. A mamãe foi muito feliz em te amamentar por todo esse tempo, mas agora é uma nova fase. Você sempre vai ter o carinho e o colo da mamãe, do papai. E ela completou: e da vovó e do vovô. Sim, filha, deles também.

E foi isso.

A noite ela acordou chorando e dei um pouco só, porque ela pediu, tipo um minutinho, depois tirei e fiz carinho. Terça não mamou nada. Quarta só colocou a boca no peito de manhãzinha por um minutinho de novo. De vez em quando ela pede, tipo quando tá com sono, mas é só eu lembrar do carinho que ela aceita tranquila e logo dorme.

E foi assim que eu fui percebendo que nosso tempo havia chegado, que um ciclo estava se encerrando para iniciar outro, ainda desconhecido por nós.

Desde janeiro eu estou “ensaiando” começar esse processo, porque realmente estava cansada – não era um cansaço físico da rotina, era do ato mesmo. Mas fui aos poucos, sem pressa. Comecei a falar pra ela que em algum tempo o mamá iria acabar, que ela estava crescendo, que iríamos chamegar e estar juntinhas de outras formas. Conversava muito com ela, mas não estabeleci limite, nada. Fui apenas sentindo. Há 1 mês, mais ou menos, comecei a ser mais constante no processo, falei várias vezes pra ela, mas horas depois ela pedia pra mamar de novo e eu dava, porque percebia que ainda não era o momento. Não era todo dia que eu fazia isso, não estava “empenhada” em desmamar, mas sabia que tinha que ir falando com ela, com a gente é tudo na base da conversa, sempre foi, e eu sabia que em algum momento ela entenderia e aceitaria. Domingo eu fiz o que fazia antes e ela aceitou tranquilamente, então acredito que foi o tempo dela também.

Hoje é quinta-feira, o quinto dia que ela não mama mais. Ainda estamos nos adaptando, mas acho que já posso dizer que sim, um novo tempo começou aqui nós. Foram 2 anos e 10 meses de aleitamento materno, 6 meses de forma exclusiva, quase dois anos de livre demanda total. E eu sou muito, muito, muito feliz e me sinto muito grata por ter vivido isso com ela.

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Carta do dia: todo dia um tijolinho

Filha,

eu me lembro de quando você era recém nascida e não aceitava outro colo além do meu. Eu me lembro de você só dormir com o meu cheiro. E a cena de você na cama com a cabecinha virada pra mim, enquanto eu estava deitada de lado, apoiada no cotovelo, velando seu sono, ainda é muito viva aqui na minha memória. “Olha, ela quer mesmo dormir com você do lado”, minha mãe falou nesse dia e eu sorri feliz. Porque sim, você queria isso, e eu também.

É uma das coisas que me faz sentir mais poderosa na vida: te fazer ficar calma só por estar ao seu lado, abraçada com você. E eu sempre estarei, meu bem. Enquanto você quiser, enquanto eu puder, estaremos caminhando lado a lado. 

“Eu sou sua amiga e você é minha amiga também, mamãe”. Você sempre me diz e eu sempre agradeço por viver essa parceria maravilhosa que estamos construindo juntas. 

Sabe, filha, não é muito fácil ser mãe. Existem as barreiras do mundo, as minhas próprias barreiras e as suas também. Quando todas se encontram no mesmo dia, bem, vamos apenas dizer que não é a primeira fase mais fácil do video game. Ser mãe é aprender enquanto somos, porque não existe curso, não existe filme, não existe absolutamente nenhuma teoria que chegue perto de explicar o que é viver esse amor e esse cansaço todos os dias. Todos os dias. Eu não sei porque inventaram que as mães tudo sabem e tudo suportam, porque não é verdade. Nós somos muito humanas e não precisamos dar conta de tudo. Eu não dou. Temos a nossa rede de apoio, a nossa pequena vila que nos sustenta e ampara também todos os dias. 

Ser mãe é uma construção diária. Não tem um dia que a gente fale: agora eu sei. Porque estamos todos – eu, seu pai, você, o mundo – em constante movimento e evolução. Temos as fases de expansão e as fases de contração, assim como o universo – esse mesmo universo que a gente pensa que é só lá no céu, mas que está aqui em nós também. Ou seja, é sempre uma novidade e aquele frio na barriga das primeiras vezes (de emoção e pavor). Todos os dias a gente coloca um tijolinho nessa relação. Todo dia abrimos uma janela e olhamos lá pro céu. Todo dia abrimos a porta pra sentir o ar lá fora. Pequenas coisas que vão nos levando pra perto de ser quem verdadeiramente somos – e nos trazendo para o lugar que devemos estar: o momento presente. Essa é uma das coisas mais valiosas que você tem me ensinado, desde o primeiro instante em que saiu de mim. Estar no aqui e agora, respirando, vendo, sentindo com o corpo inteiro, porque é o único lugar onde as coisas acontecem.

E por mais cinza que tenha sido o dia e a mente esteja divagando em outros tempos, basta que a gente deite juntas abraçadas pra me fazer voltar e perceber: nós duas respirando juntas pra fazer ficar tudo bem.

Hoje é dia das mães e eu te agradeço por me fazer ser. 

Toda a minha gratidão e reverência pelo que estamos vivendo juntas.

com muito amor,
mamãe

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Continue a nadar…

Nem sempre eu consigo ser a mãe que eu gostaria. Acho que acontece com todo mundo, né? Para vários papeis, aliás. Nem sempre conseguimos ser quem gostaríamos de ser. Como você lida com isso? Algumas vezes eu relaxo, algumas vezes eu choro, entro numa concha e só quero sair de lá quando tudo estiver resolvido. Como é que as coisas vão se resolver se eu não estou lá pra fazer isso? São questões. Ainda bem que logo eu me lembro disso e saio do limbo pra tentar me mexer, nem que seja um pouquinho.

Ficar pensando em tudo que gostaríamos que fosse nos tira do presente, que é o lugar onde tudo acontece. Essa manhã foi assim. Poxa, por que é tão difícil as vezes? Enquanto eu pensava nisso, minha casa continuava de cabeça pra baixo, a louça estava na pia, não tive paciência de ficar muito tempo brincando lá fora e ainda soltei uns dois gritos, que me fizeram chorar um pouco. Tudo isso porque eu não estava conseguindo fincar meus pés aqui nesse hoje e fazer o que eu pudesse para alterar o quadro.

Quando acontece isso, de eu perceber que estou numa espiral, deixo pra lá qualquer coisa que eu “tivesse” que fazer. Coloquei uma música e dancei e cantei com a pequena na sala. Não foi muito, sabe? Mas ajuda bastante a me dar um novo fôlego. Agora, sim, posso ir arrumar a zona, já tem um pouco mais de energia circulando pelo meu corpo, e não estagnada.

Existe os dias em que eu queria uma escola pra ela meio período, queria que ela dormisse, queria distância. Sim, é necessário, pra nós duas. Mas eu não posso me esquecer que a companhia dela me coloca em constante movimento, todo dia. Que as coisas que ela fala me fazem rir. Que o olhar que ela tem sobre a vida me traz uma leveza gostosa. Que foi por esse tempo presente que eu fiz muitas escolhas lá atrás. A realidade que tenho foi muito desejada. Não quero mudar tuuuudo, só alguns ajustes aqui ou acolá. E ter isso em mente me tranquiliza. Não é preciso mudar tudo, afinal.

Ufa.

Está tudo bem em rir da bagunça da minha casa. Tá tudo bem ficar no whats com o marido planejando uma mudança e deixando a filha mandar áudios pra ele. Tá tudo bem ir na página do meu próprio projeto ler umas mensagens que eu mesma escrevi, mas ao que tudo indica, já esqueci.  Ou fazer pipoca antes da faxina. E sentar pra ver desenho com a filha, mesmo que eu esteja na batalha pra diminuir a tevê. Nem sempre a maternidade vai fazer sentido. Mas aonde é que só existe isso? A gente pode mudar nossas próprias regras, nem que seja por um dia só. Na vida nada é, tudo está. As coisas não são tão definitivas quanto a gente pensa. Continuemos a nadar, e logo estaremos em outro lugar. Eu acredito nisso. Ser uma mãe possível é muito melhor do que viver sofrendo pelas expectativas não alcançadas. Sejamos.

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Carta do dia: amor e gratidão

Filha,

meu coração está inundado de amor.
Fiz você dormir hoje e, depois que você pegou no sono, fiquei lá te olhando e aconteceu. Meu coração ficou inundado de amor e de gratidão. Por cada escolha da minha vida que me trouxe até aqui, por todos os nossos dias juntas, pela nossa parceria construída todos os dias. 

Sabe, filha, nos últimos meses a mamãe tem sentido vontade de fazer outras coisas, para além das demandas que a maternidade pede. Porque, como você sabe, eu sou uma pessoa inteira como você ou qualquer outro habitante desse nosso planetinha azul. E como pessoa inteira, eu tenho muitas áreas de interesse, digamos assim. Conciliar isso nem sempre é fluido e leve, mas sigo tentando fazer o caminho não ser tão pesado. Então, comecei a deixar você algumas horas com os seus avós pra sair com o papai; tenho trabalhado escrevendo quase todos os dias, estudado. Você tem ficado só com o papai também, para que eu consiga almoçar com amigas e andar de ônibus e metrô sozinha. 

E estivemos pensando em colocar você na escolinha. De vez em quando você pede, como se conhecesse muito bem o ambiente, mas até semana passada nunca nem tinha entrado em uma, rs. Fomos conhecer duas, mas não senti que era o lugar escolhido pra você passar suas tardes descobrindo novas coisas e fazendo outros tipos de laço. Fiquei incomodada, um nó se formou aqui no peito e eu até chorei. A gente (seu pai e eu) queria decidir um lugar e organizar mais a nossa rotina, mas ainda não rolou. E foi só depois que eu desabafei minhas neuras com ele e com outras pessoas foi que acalmei o coração e percebi: está tudo bem do jeito que está. Não preciso querer me encaixar num “jeito certo”, “mais recomendado” para seguir nossos dias. A gente tem escolhido como eles são há mais de dois anos, digamos que agora estamos pegando o jeito da coisa. Pode ser meio bagunçado, mas é o nosso jeito.

Sim, ainda queremos que você frequente uma escola, mas acho que acabou a pressa. Tudo acontece no tempo certo. E encontraremos uma que seja do tamanho ideal pra nós. 

Ah, não te contei. Hoje você dormiu sem mamar, abraçada com seu gatinho azul de pelúcia. E com carinho na barriga, como você gosta. Você tem mamado bem menos, e não foi a primeira vez que você dormiu assim; sinto que estamos em uma transição.

Já falei que meu coração está repleto de amor e gratidão? É só isso que estou sentindo agora. Quis te escrever para que você soubesse disso também (apesar de eu já ter dito no seu ouvido antes de sair do quarto, mas gosto de registrar assim, por escrito). 

Que bom que você veio, meu amor. Que bom que a nossa história está acontecendo de verdade. 

com amor, 
mamãe.

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A timidez, a sapequice e a criança que eu fui

Depois do post das belezas e do encantamento pelos 2 anos e meio, vieram dias de alguns paradoxos pro aqui. Ah, maternidade. Nada é, tudo está.

A pequena anda tímida. Quer dizer, pensando bem, ela nunca foi a mais sociável dos bebês, de ir em colos alheios de cara, numa boa. Só mesmo com quem ela conhece bem. Mas agora, quando chegamos em ambientes com mais gente, quando as pessoas vem falar com ela, cumprimentar, brincar, ela abaixa a cabeça e põe a mão na boca. Fica um tempo assim, caladinha, por vezes se encolhendo um pouco. Pra se soltar, só depois de algum tempo, mais do que nunca.

É fase, será? É genético? É a personalidade dela? São os astros?

Eu fui uma criança bem tímida. Ainda hoje eu sou, apesar de já saber – e conseguir – domar e agir de outras formas. Mas a criança tímida que eu fui ainda existe aqui em algum lugar, sei que sim. E podem até dizer que isso nela é um reflexo meu. Sombras, ou algo assim. Em relação a isso, eu observo mais o meu sentimento quando a vejo assim. O que reverbera aqui dentro pode ser mais exagerado, o que nasce quando a vejo colocando as mãos na boca e enterrando o rosto no meu pescoço pode fazer reviver um monstrinho que vivia comigo lá atrás. É a minha história. E aí, pra não projetar os medos todos, ou seja, para não agir com ela baseada no que eu sentia há mil anos atrás, e não pelo presente, há que se ter muita análise e algum tempo mesmo. Fico repetindo isso pra mim, prestando atenção. Somos pessoas diferentes, com histórias diferentes, sentimentos diferentes. Mesmo que algumas reações sejam parecidas, não quer dizer que ela está sentindo a MESMA coisa que eu. Essas coisas básicas de uma pessoa que faz autoanálise a maior parte do tempo. Tô acostumada, rs. Acaba que pra mim é até melhor, me faz bem. Mas a verdade é que na maioria das vezes, quando acontece, não sei direito o que fazer. Não a forço falar com ninguém, mas não sei se tô acolhendo o tanto que “deveria”. Sinceramente, não sei.

E aí, quando chega em casa (e na casa dos avós, que é uma extensão da nossa, só que com mais “coisas permitidas”, se é que me entendem), a pessoinha pega fogo. Sobe, desce, pula, canta, conversa. Muito. Começou esses dias a ter mais enfrentamento dos limites. A gente fala não e ela fica parada, meio olhando de lado, calada, com aquela carinha de “estou te ouvindo, mas tô fingindo que não”, sabe assim? E continua fazendo. Ou então grita. Eu desligo a televisão pra refeição ou alguma outra coisa, ela vai e liga de novo, olhando pra mim. Olha, não é fácil. Essas coisas também fazem nascer sentimentos antigos, né. Dá vontade de dá uns gritos, de fazer a pessoinha entender que não é assim, que não dá pra ser tudo no seu tempo, que é preciso respeitar. Tanta coisa. Vários conceitos a gente quer que eles entendam num olhar – como muitas vezes foi com a gente. “Minha mãe olhava pra mim e eu já sabia que tinha ido longe demais”. Muitas vezes, é com a criança que um dia fomos que nos relacionamos, não com nossos filhos.

Tenho andando cansada esses dias. Emocionalmente cansada. E com uma intuição de que preciso alterar algumas coisinhas aqui na nossa rotina. Estar mais perto, brincar mais lá fora. Ficar mais tempo só nós duas.

Nada é, tudo está, repito de novo. Daqui a pouco os dias passam, as fases mudam e essa página já estará virada. Que eu saiba o que registrar nela, então. Pelo menos na maioria das linhas.

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Me deixa

É complicado ser um boa mãe quando estou cansada. Com sono. De tpm. Considerando que na tpm eu fico cansada e com sono durante todo o tempo, posso dizer que é muito mais difícil ser uma boa mãe nesse período.

Por boa mãe, estou considerando estar com a cabeça mais arejada, sorrir mais, sentar pra brincar no chão, ter disposição de ir lá fora sem antes achar que é muito longe percorrer os 5 metros que nos separam da área externa do prédio, propor novas atividades, não deixar a tevê ligada por horas seguidas, levantar da cama de manhã com energia…

Ok, quase nunca sou uma boa mãe, então, confesso.

É só que na tpm isso se intensifica um bocado. E soma-se a isso o fato de eu precisar ficar sozinha e com vontades baixíssimas de interagir e ser sociável. Ai, que preguiça.

Mas, como nem tudo é só ruim, essa também é uma boa oportunidade de exercitar os ensinamentos sobre limites. Não que seja didático ou ilustrado com canetinhas hidrocor. É só que em alguns momentos eu realmente tenho que priorizar o meu descanso, para o bem geral desta família – e da minha sanidade mental. E aí eu falo que olha, agora a mamãe precisa descansar, você pode brincar com aquela boneca ou com as pecinhas de montar. Ou que, não, agora o mamá está muito cansado e precisa ficar aqui quietinho, mas pode sentar aqui no meu colo, se quiser. Ou então só sair da sala e entrar pra tomar um banho, sem falar nada pra ninguém, e deixar que a vida se resolva sozinha nos 10 minutos que me permiti ficar ali trancada deixando a água cair na minha cabeça.

Nem sempre é fácil ou bem aceito assim, logo de cara. Mas fácil nunca foi mesmo, nem ninguém me disse que seria. Então, se for pra ser desafiador, me deixa pelo menos comer meu chocolate e ficar sozinha por alguns minutos de vez em quando. Juro que depois de um tempo a aceitação passa a vir mais rápido.

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2 anos e 6 meses

Dois anos e meio da minha pequena moça. (Ok, ela ainda não completou esses 6 meses, eu sei, é só dia 15, mas eu queria muito escrever sobre essa fase logo, haha).
Minha pequena moça que cresce a olhos vistos. Que tem se desenvolvido de um jeito tão lindo e tão dela. Que me arrebata de amor com as coisas que fala.

Que fase, hein, migas.

Pode ser meio arbitrário dizer isso, mas essa fase está muito maravilhosa.
Sei lá, pouco antes dos dois até 2 anos e 3 ou 4 meses, mais ou menos, foi bem intenso. Choros, gritos, pessoinha deitada no chão, eu gritando de vez em quando, a gente chorando juntas e a coisa toda. Todo mundo aprendendo sobre limites – os seus, os meus e os nossos. Tudo muito novo pra nós.
Agora parece que a poeira baixou e estamos numa bonança. Não que não tenha mais choros ou alguns gritinhos, principalmente com cansaço e fome envolvidos. Mas está bem melhor, com certeza, sim.

E ela está falando, falando, falando. Já faz um tempo que eu narro aqui suas palavrinhas e pequenas frases, mas é que esse é um aspecto que eu me encanto muito. Muito bonito de ver ela conversando com a gente, sabe.

Ela está brincando mais tempo sozinha, e aí fica falando consigo mesma, com os bonequinhos, com as pecinhas, criando umas mini narrativas muito fofas – que na verdade é uma reprodução ou de algo que aconteceu com ela recentemente, ou que ela tenha ouvido num desenho.

E ela canta, minha gente! É apaixonada por Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz feito a mãe dela. Sabe cantar as músicas e sabe achar no meu celular.
Aprendeu a cantar “1, 2, 3 indiozinhos”, que eu ensinei. E toda hora é isso também.
De fato, a música sempre foi muito presente na vidinha dela. Desde a barriga. Eu sou muito musical também, não tinha como isso não reverberar também nela, até pelo nosso cotidiano. Sempre tem uma música tocando no carro, cantamos para tirar o estresse ou parar de chorar, adoramos dançar pela sala, e é muito bonitinho ver que ela já vai em busca disso também por conta própria, em muitos momentos.

Tem uma audição incrível e ouve até o que não precisava, hahaha. E repete depois, obviamente. Ah, sim, sobre essa repetição toda. Quando acontece alguma coisa ela fica contando, repetindo, várias vezes. Pra mim, pro pai, pros avós. Por exemplo, uns meses atrás ela tomou uma vacina que estava atrasada. Doeu, claro, ela chorou. Quando fui tirar aquele adesivinho da perna dela, ela chorou de novo, dizendo que doeu. Ela contou essa história várias vezes naquela semana. Depois de uns 20 dias, lá vem ela com a mesma história. “Doeu a vacina, mamãe. Foi aqui na perninha. Eu chorei muito muito”. Eu não tenho dados científicos, mas penso que isso faz parte da elaboração dos acontecimentos dentro da cabecinha dela, sabem? Ela precisa falar, confirmar, validar. E depois passa mesmo. Daí quando lembra, fala de novo. Eu escuto, confirmo, reconheço os sentimentos, digo que aconteceu tal dia, que não foi hoje. E assim vamos indo.

Seguimos mamando, mas a quantidade já diminuiu bastante. Basicamente ela tem mamado para dormir, quando acorda e quando se irrita muito. Ou quando eu saio e ficamos algumas horinhas separadas, aí quando eu chego ela sempre pede. Confesso que ando meio cansada já. Em alguns momentos eu nego e direciono a atenção dela pra outra coisa, em outras eu deixo, mas depois peço pra ela parar. Estamos caminhando para um desmame que eu não faço ideia de quando irá se concretizar, mas que vai acontecer, sim, em breve. Já até consegui fazê-la dormir sem mamar alguns dias esse mês e deu tudo certo. Mas não tenho muitas regras ainda, vou sentindo como foi o nosso dia e os limites de cada uma. Aos poucos a gente vai encontrando os caminhos, não é? Aceito orações, abraços e colinhos.

E basicamente é isso.
Depois eu volto pra contar como é que eu estou nessa fase da nossa vida, rs. Hoje eu queria só mesmo registrar as lindezas dela e o meu contínuo encantamento pelo privilégio que é ver uma pessoa crescer.

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O meu tipo de mãe

Esses dias vi algumas queridas escrevendo sobre o “tipo” de mães que elas eram e achei bem legal. Porque, né, é sempre bom recordar que não existe modelo perfeito, o ideal morre pra nascer a realidade e nem sempre a realidade é o que ouvimos ou vemos ou acreditamos ser até o dia que chega a nossa vez. Então, para me lembrar disso e incrementar essa corrente divertida, também vou brincar, vamos lá.

Eu sou a mãe que não tem rotina definida com a filha.
Que liberou a tevê sem culpa depois dos dois anos (porque antes era com um pouquinho de culpa, na verdade, rs), mas alguns desenhos seguem sem o conhecimento da pequena. Que assiste série com o marido enquanto ela brinca pela sala.
Eu sou a mãe que quer um quintal e mora num apartamento de 35 m². Que tem que sair pra respirar, porque ficar o dia inteiro aqui dentro enlouquece.
Eu sou a mãe que ainda não colocou a filha na escola, mas que também não faz mil e uma atividades lúdico-pedagógicas-sustentáveis. E tampouco sigo disponível para brincadeiras o dia inteiro, porque de vez em quando a prioridade sou eu. E que bom que existem os avós pra dividir a atenção e salvar o fim do dia.
Eu sou a mãe que leva a pequena pra brincar lá fora num pedacinho de grama e terra e aproveita pra ficar descalça também, porque é o jeito que eu me sinto bem e mais presente. Que deixa a filha pintar com guache no corpo (seu e dela), que larga tudo pra dar colo quando a coisa aperta e que tenta se lembrar de respirar fundo pra não gritar. Mas que já gritou também.
Eu sou a mãe que levou a filha de 2 anos numa pré-estreia de cinema, numa sessão que começava meia noite, porque sabia que seria melhor ficarmos juntos (pai, mãe e bebê). E foi incrível porque ela correu todo o tempo em que estávamos lá fora e dormiu assim que o filme começou. Porque eu sou a mãe que tenta conciliar as demandas da pequena com as próprias vontades. Tem sido assim e a gente até que tem encontrado algum equilíbrio e leveza pelo caminho.
Eu sou a mãe que de vez em quando cisma que tá fazendo tudo errado e tem vontade de mudar de casa, de cidade, de estado. Que chora quando ela dorme pensando que podia ter sido melhor. E que no dia seguinte se entrega um pouquinho mais, e assim descobre que a balança é muito difícil de se manter equilibrada, puta merda.
Eu sou a mãe que leu todas as teorias antes de engravidar e que guardou a maioria delas na gaveta depois que pariu, porque foi percebendo que a coisa mais eficaz é investir na relação, e isso a gente faz no cotidiano e os livros não dão conta da complexidade e imensidão que é uma vida com uma pessoinha ao lado. (e quem disse isso é a mãe que está se descobrindo escritora e tá aqui praticamente falando mal dos livros, vão vendo a loucura dessa mãe).

E tanto mais. Céus. Eu sou a mãe que descobriu que tem muitos interesses e paixões, para além do mundo infantil, que sempre fez (e faz) tanto sentido pra mim. E que ainda não sabe muito bem o que fazer com tudo isso, como encaixar tudo dentro de uma mesma vida. Mas que segue tentando. Ressignificando. Cuidando de quem é. Porque é disso que a travessia é feita. Pelo menos é o que ela acha.

E você, como se vê na maternidade?

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